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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

04
Set21

Independência ou morte

Talis Andrade

 

por Miguel Paiva /Jornalistas pela Democracia

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Escrevo este texto antes do dia 7 de setembro, o maior enigma político dos últimos tempos. Racionalmente e até com um certo desejo achamos que não vai acontecer nada, mas no fundo todos temos medo, não aquele medo que paralisa, mas o medo da quebra total de regras por parte da direita que quer ver o circo pegar fogo, literalmente.

Para este governo e para a ideologia que o acompanha isso é normal. Não há nada a construir nem mesmo a candidatura do presidente para 2022. Ele sabe que não terá fôlego e, portanto, só sobrevive com o golpe, e golpe hoje em dia tem um significado muito mais complexo. O bolsonarismo aposta na morte. É da morte que ele se alimenta apesar disso se parecer um paradoxo já que morte é fim. Mas várias mortes juntas, a morte como filosofia, acaba fornecendo o que eles querem. 

O fascismo sempre viveu dessa ideologia. Acabar com a política, com os políticos, com os pobres, com as minorias, enfim, com tudo para que o tirano possa governar com suas milícias de estimação impondo a morte como filosofia e como punição para os incautos opositores.

Mas a morte morre cedo. A morte não resiste ao instinto de sobrevivência das pessoas. Por mais que assuste por não entendermos o que acontece depois, se é que acontece, queremos distancia dela. Desde quando damos o nosso primeiro respiro queremos dar o próximo. 

Viver é instintivo para a maioria das pessoas, mas o instinto de morte, a ideologia da morte assusta e acaba arrebanhando seguidores que encaram a morte como solução, desde que seja a morte do próximo e não a sua. É uma espécie de loteria constante como filosofia de vida. Para quem não tem dinheiro essa acaba sendo mesmo uma saída. Acreditar em Deus, na loteria e no caso, no presidente enquanto ele não te escolher para o sacrifício divino. Somos todos cordeiros de Deus em potencial esperando o chamado para o juízo final em Brasília ou o sacrifício em qualquer viela de Rio das Pedras pelas mãos da milícia. 

Este é o medo que estabelece regras. Mesmo não durando, e a História está aí para provar, ele causa muitos estragos. Perdemos um tempo social irremediável. Andamos anos para trás e retomar o caminho tem um custo muito alto. Mesmo que Lula vença as eleições, o trabalho será enorme, mas a vontade de trabalhar também. Sair fora deste ambiente mórbido e perverso vai criar automaticamente uma alegria de viver. Reconstruiremos a vida no Brasil com prazer, passando pelo trabalho, pela saúde, pela cultura e pela liberdade de viver, não de comprar fuzil e não tomar vacina. 

Venceremos a Covid como seria normal em um país democrático e não teremos mais medo de festejar nas ruas. Por enquanto vamos para as ruas defender esse sonho que está ameaçado. E que as ruas voltem a ser palco de festas e não campo de batalhas como eles querem.

 

25
Fev20

Fogo, tiros, ruas fechadas, 'dia de guerra' no Haiti: policiais contra o exército

Talis Andrade

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Já aconteceu na Bolívia, no golpe policial que derrubou Evo Morales. BBC publica:

Manifestantes antigoverno montaram dezenas de barricadas em ruas importantes de Porto Príncipe, capital do Haiti, na última segunda-feira (24/2).

Os bloqueios ocorreram um dia depois que um grupo de policiais do país, exigindo melhores condições de trabalho, atacou a sede do Exército na cidade.

O governo do presidente Jovenel Moïse chamou o ataque de "tentativa de golpe", e as Forças Armadas do país caribenho falaram em "um dia em situação de guerra".

Ao menos duas pessoas morreram durante os confrontos.

Na segunda-feira, os manifestantes espalharam tijolos, queimaram pneus e derrubaram carrinhos de sorvete nas ruas que levam à casa de Moïse. Os protestos pedem a renúncia do presidente.

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Grande parte da cidade ficou deserta um dia depois que policiais cercaram a sede do Exército e abriram fogo. Alguns dos participantes do tiroteio usavam uniformes da polícia.

O general Jodel Lesage, das Forças Armadas haitianas, disse à imprensa local que a sede do Exército enfrentou um ataque armado. "Estamos sob fogo de armas de todos os tipos, rifles automáticos, bombas de gasolina e gás lacrimogêneo". 

O governo afirmou que a ação foi "um ataque à liberdade e à democracia". Já os policiais disseram que foram atacados primeiro.Os policiais haitianos estão protestando há semanas. Uma de suas principais demandas é a possibilidade de formar um sindicato, o que, segundo eles, vai garantir mais transparência em negociações com superiores. Eles também reivindicam melhores salários.

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Na semana passada, o presidente Moïse anunciou a criação de um fundo financeiro para parentes de oficiais que foram mortos durante o trabalho, mas a medida não conseguiu apaziguar os oficiais descontentes.

Após os confrontos, o governo anunciou que cancelaria todas as celebrações do Carnaval "para evitar um banho de sangue".

Esses não são os primeiros protestos que Moïse enfrentou. No ano passado, os haitianos tomaram as ruas devido ao terrível estado da economia do país, que os manifestantes atribuíram ao governo.

Moïse está no poder desde 2017 e disse que não deixaria o país nas "mãos de gangues armadas e traficantes de drogas".

 

12
Set19

Bolsonaro, o falso nacionalismo e a destruição do Brasil

Talis Andrade

As atitudes de Bolsonaro não devem ser vistas como improvisadas e impensadas: representam uma cruzada ideológica para impor um governo forte e repressivo internamente, mas fraco e servil no plano internacional

 

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por Carlos Eduardo Martins

Versão em espanhol aqui

A crise ambiental e diplomática promovida pelo governo brasileiro, em razão de sua cumplicidade com o Dia do Fogo organizado por setores do agronegócio na Amazônia e das hostilidades que dirigiu ao governo francês, é apenas mais um capítulo de um projeto, em curso, de submissão neocolonial ao imperialismo unilateral de Trump e à extrema-direita estadunidense. Apresentada por Bolsonaro e sua base como uma reação do governo brasileiro a um imperialismo francês e europeu que pretenderia internacionalizar a Amazônia, representa em verdade o exato oposto: a subordinação visceral de um subimperialismo títere e vassalo ao poder estadunidense e à internacional fascista que o trumpismo organiza.

 

Fragilizado internacionalmente com a diminuição acelerada de sua competitividade a partir de 2008, pressionado pela expansão de sua dívida pública, pela projeção da China na economia mundial, pela afirmação de distintos projetos de integração regional e de um novo eixo geopolítico mundial, através da rota da seda, do BRICS e das pretensões de um projeto de Sul Global, os Estados Unidos têm buscado reagir a essa conjuntura que lhe é globalmente desfavorável de diferentes formas.

Obama combinou as políticas de ampliação da globalização neoliberal com as de desestabilização, cerco ou intervenção militar, a pretexto humanitário, de acordo com espaços e circunstâncias. Expressão da busca de ampliação da globalização neoliberal foi a tentativa de firmar o Acordo de Parceria Transatlântica em Comércio e Investimento com a União Europeia, a assinatura do Acordo de Parceria Transpacífica, o acordo com o Irã sobre enriquecimento do Urânio e o projeto de flexibilização do bloqueio a Cuba, para frear sua integração crescente à economia chinesa. As políticas de cerco e desestabilização se orientaram para a Rússia – buscando separá-la de regiões fronteiriças, como a Ucrânia, e confrontá-la à União Europeia – para o Norte da África e, principalmente, a América Latina, por meio da preparação e apoio aos golpes de Estado no Paraguai e no Brasil, ou do cerco à Venezuela, declarada ameaça à segurança dos Estados Unidos. As políticas de intervenção se manifestaram nas coalizões que liderou para a intervenção na Líbia, ocasionando a derrubada e assassinato de Muammar Al Gaddafi, e na Síria, que fracassou em função do apoio da Rússia a Bashar-al-Assad.

Trump rompe com as políticas regionais de livre-comércio e investimento, paralisa organismos multilaterais como a OMC, assume uma perspectiva hostil à defesa do ecossistema, retirando os Estados Unidos do Acordo de Paris e se opõe ao Pacto Mundial Para Migração. Toma a sério os efeitos da globalização neoliberal sobre a destruição do setor industrial estadunidense e o rebaixamento dos salários dos trabalhadores. Entretanto, não rompe com a globalização financeira e a financeirização do capital: corta os impostos das grandes corporações, ampliando o déficit e a dívida pública, e escolhe, como inimigos, os Estados competidores e os trabalhadores imigrantes. Para atingi-los usa a força do Estado não apenas contra a China, mas contra aliados históricos como a Alemanha e o México: impõe tarifas sobre os produtos chineses; ameaça com sanções as empresas e os Estados que negociarem com a Huawei; intimida a Alemanha anunciando o propósito de estabelecer cotas sobre as exportações dos seus automóveis por razões de segurança nacional; e chantageia o México com impostos sobre suas exportações, caso não imponha um controle das fronteiras que impeça ou derrube drasticamente o fluxo migratório para os Estados Unidos, exigindo ainda que compre grandes volumes de sua produção agrícola.

America First, de Trump, deve ser entendido ainda como uma retomada da Doutrina do Destino Manifesto. Trata-se de restabelecer o controle político e econômico sobre a América Latina e o Caribe, que considera o seu espaço continental vital, reduzindo os seus Estados à condição de semicoloniais e neocoloniais, para enfrentar ameaças estrangeiras ou obstáculos ao expansionismo dos Estados Unidos. Esta doutrina, que guiou a política externa dos Estados Unidos de 1846 até 1933, entre a guerra pela conquista do território mexicano até a Política de Boa Vizinhança de Roosevelt, está sendo ampliada para incluir não apenas o México, o Caribe, a América Central e o Canal do Panamá, como antes, mas a América do Sul, zona então vista como de autonomia relativa. Isto tem relação com o grau de desafio, muito superior, ao imperialismo estadunidense, representado pela ascensão da China no sistema mundial.

Trump dá sequência a um giro já realizado por Obama para conter a integração latino-americana e sua articulação geopolítica mundial. Mas o faz de forma muito mais unilateral e violenta. Rompe com o liberalismo global, restabelece com maior intensidade a estratégia do cerco contra Cuba e busca derrubar o que chamou de Troika da Tirania, que imputou aos governos deste país, da Venezuela e da Nicarágua. Estabelece nova escala de sanções econômicas e de guerras híbridas, estimulando ainda uma intervenção militar na Venezuela por meio do Grupo de Lima. Seu objetivo é o de controlar os imensos recursos estratégicos da região para dar novo impulso à industrialização dos Estados Unidos, ameaçada pela competição internacional. Neste projeto, se reserva a desindustrialização à América Latina, convertendo-a em produtora de alimentos e de matérias-primas minerais e agrícolas. A desindustrialização atinge inclusive o setor petrolífero, onde os Estados Unidos se lançam como uma potência industrial, exportadora de diesel e gasolina, e importadora de petróleo cru. Abre-se assim um enorme espaço para a corrida sobre os recursos naturais da Amazônia visando a exploração mineral, pecuária e agrícola. De especial interesse torna-se a área constituída pela Reserva Nacional do Cobre e Associados (RENCA), que se pretende extinguir, revertendo a demarcação de terras indígenas e outras reservas naturais que estão no seu perímetro e equivalem em tamanho à Dinamarca.

O governo Bolsonaro impulsiona internamente essa estratégia e encontra resistência limitada dos segmentos industriais. Estes aceitam reconverter-se na financeirização, ou em estratégias de diversificação produtivas mais específicas, como a mineração e o agronegócio, recusando qualquer projeto mais amplo de desenvolvimento que eleve o nível de emprego e, com isso, as pressões dos trabalhadores para a redistribuição do excedente. Abandona-se o desenvolvimento em nome do controle político sobre o Estado

O imperialismo unilateral de Trump implica uma mudança na relação com a União Europeia. Trump, ao contrário de Obama, apoia o Brexit e a liderança de Boris Johnson para enfraquecê-la Ele a vê cada vez mais como competidora e busca limitar sua penetração tanto sobre o mercado interno dos Estados Unidos. Busca limitar ainda sua atuação sobre a área que supõe de dominação continental dos Estados Unidos, recuperando a dimensão imperialista da Doutrina Monroe. Quando Mercosul e União Europeia acertaram os termos de um acordo de livre-comércio, Trump exigiu ao Brasil abrir a negociação para firmar um TLC e despachou o Secretário de Comércio Exterior estadunidense, que não vinha desde 2011 a este país, para alertar sobre o risco de armadilhas que inviabilizassem um futuro com os Estados Unidos. Desde então Bolsonaro abriu fogo contra o acordo com a União Europeia, escolhendo a França, a potência europeia mais sensível em questões ambientais, como alvo.

Na véspera da chegada de Wilbur Ross ao Brasil, Bolsonaro desmarcou a reunião com o Chanceler francês, alegando problemas de agenda, para cortar o cabelo, durante o horário marcado, em liveinspirada no registro fotográfico de corte do cabelo de Hitler em uma barbearia. Ele cruzou os braços diante Dia do Fogo, forjado para exibir apoio à sua política para a Amazônia, retardando o socorro à floresta, às reservas indígenas e aos seus habitantes. Acusou as ONGs ambientais de estarem por trás do incêndio, ofendeu a Primeira-Dama francesa, recusou a ajuda da União Europeia para combater o incêndio e promover a reflorestação. Fez o possível para criar um incidente diplomático irreversível que inviabilize o acordo, enquanto simulava um nacionalismo retórico denunciando a suposta tentativa europeia e francesa de internacionalizar a Amazônia, quando em discurso de campanha, afirmou entender não ser mais do Brasil. Ele anunciou estar articulando junto com os Estados Unidos uma solução para a Amazônia e liderar a formulação de um documento de governantes sul-americanos repudiando o intervencionismo europeu.

As atitudes de Bolsonaro não devem ser vistas como improvisadas e impensadas, mas como parte de uma estratégia deliberada e articulada para comprometer o multilateralismo da política externa brasileira e submeter o país ao imperialismo neocolonial de Trump. Representam uma cruzada ideológica para impor um governo forte e repressivo internamente, mas fraco e servil no plano internacional. Sua defesa do nacionalismo brasileiro se revela patética quando os fatos indicam que age como uma marionete de Trump para entregar nossas riquezas e o controle da Amazônia ao capital estadunidense. A imprudência de Macron em revelar sua pretensão de internacionalizar a Amazônia, caso o governo brasileiro não a protegesse, serviu de pretexto para que Bolsonaro levantasse uma cortina de fumaça em torno de suas reais intenções. A ameaça de um imperialismo francês sobre a Amazônia equivale a um risco zero para o Brasil. Não há nenhuma possibilidade de emprego da força francesa ou europeia que contrarie os interesses dos Estados Unidos na região. Por outro lado, o nacionalismo não deve ser defendido como instrumento para aniquilar direitos dos trabalhadores, promover ecocídio, extermínio das populações indígenas, destruir a democracia e ameaçar governos socialistas vizinhos. Foi por esta razão que a Alemanha nazista terminou invadida pela URSS durante a Segunda Guerra Mundial, com amplo respaldo internacional e de grande parcela dos alemães, oprimidos pelo fascismo.

Bolsonaro expressa no século XXI e, de forma acentuada, as formulações da ala fascista que organizou o Golpe Militar do grande capital em 1964, e que teve seus principais representantes nos generais Artur da Costa e Silva e Silvio Frota. Algumas de suas principais inciativas ecoam as diretrizes básicas deste grupo: a subordinação da política externa ao alinhamento ideológico dirigido pela extrema-direita dos Estados Unidos, a aproximação com o sionismo, a redução drástica do Estado na economia, a busca do protagonismo dos militares e dos setores repressivos no aparato de Estado e o rechaço à democracia.

Em Ideais Traídos, Sylvio Frota expõe essas teses: alega que as razões ideológicas são mais importantes que as motivações de comércio exterior; recusa a política externa de pragmatismo responsável e ecumênico de Geisel; ataca o estabelecimento de relações diplomáticas com a China, afirmando que o maoísmo não seria compatível com a civilização democrática (sic) e cristã brasileira, procedimento que Ernesto Araujo reverbera, quando diz que o Brasil não deve vender a alma para exportar soja e minério à China; opõe-se ao voto brasileiro contra o sionismo; rechaça a abstenção no bloqueio à Cuba; e critica o estabelecimento de relações com Angola e Moçambique. Ele ainda acusa Geisel e Golbery de serem de centro-esquerda; arremete contra o capitalismo de Estado na economia, que considera precursor do comunismo; opõe-se à redemocratização e à liberdade de imprensa; propõe o alinhamento radical aos Estados Unidos, nomeando-os como o derradeiro reduto da democracia, ainda que não a todos os seus dirigentes, como Jimmy Carter, a quem imputa agir sob influência soviética quando tentou conter o sionismo.

Um dos aspectos da política de submissão neocolonial de Bolsonaro, que já começa a despontar, é a liquidação das reservas brasileiras para impedir que forças políticas no futuro possam usá-las para o desenvolvimento do país e da integração latino-americana. Apenas em setembro, o Banco Central, sob o comando de Roberto Campos Neto, pretende se vender U$ 11 bilhões a pretexto de manter estável o valor do real frente ao dólar. Tal iniciativa, caso se torne sistemática, pode atuar para reforçar a liquidação dos ativos do Estado e ameaçar as poupanças das camadas médias em favor da centralização financeira em grandes bancos internacionais.

Este projeto, se prosperar, cristalizará o poder quase absoluto de uma burguesia compradora e parasitária sobre o aparato de Estado, que o utilizará para fazer seus negócios particulares, destruindo-lhe a autonomia relativa e impondo um estilo de gestão privado e familiar, como na máfia. Para tanto, buscará colocar no lugar da ciência, da educação e da cultura, o fanatismo religioso e a cultura de extermínio, reduzindo a classe trabalhadora à condição de um lumpemproletariado desamparado, composto por uma ralé de indivíduos pobres, ignorantes, violentos e ressentidos, que sem direitos e o mínimo de consciência anticapitalista, se aproximarão a situações de trabalho análogas à escravidão, tornando ainda mais viva a metáfora do retorno a um Brasil colonial.

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A edição atual da revista semestral da Boitempo, a Margem Esquerda, traz um dossiê especialinteiramente dedicado aos rumos do governo Bolsonaro, com análises de Leda PaulaniCelso AmorimAlysson Mascaro e João Quartim de Moraes. E ainda, reflexões de Patricia Hill Collins, Michael Burawoy, Carlos Rivera-Lugo, Joachim Hirsch e Nuno Ramos, entre outros.

10
Set19

“Prefiro perder minha casa do que meu filho virar viado”: pesquisador investiga origem do voto religioso que elegeu Bolsonaro

Talis Andrade
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Cultos evangélicos vêm ganhando espaço na França, apesar da resistência francesa à "seitas", segundo o jornal Le Monde.Reprodução Twitter

 

Em julho de 2019, o jornalista norte-americano e pesquisador do The Royal Institute of International Affairs, Richard Lapper, percorreu uma série de cidades brasileiras realizando entrevistas para seu novo livro. Após 25 anos à frente da editoria de América Latina do Financial Times, ele procura investigar como os movimentos radicais cristãos, sobretudo os evangélicos neopentecostais, estariam na base da mudança populista e conservadora no Brasil. O teor ultrarreligioso e conservador do discurso brasileiro, em regiões periféricas ou grandes cidades, impressionou Lapper, entrevistado pela RFI. Um fenômeno que não seria uma prerrogativa brasileira, mas parte de um cenário mundial.

 

Uma das cidades escolhidas pelo jornalista e pesquisador Richard Lapper para visitar durante seu périplo brasileiro foi Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a segunda maior cidade do estado de Minas Gerais. “Estava acompanhado de um membro do Partido dos Trabalhadores, que advoga para os sem-teto”, diz. “Uberlândia teve um grande fluxo migratório nos últimos 10 anos, especialmente do Norte de Minas, porque é um polo que vem crescendo por razões diferentes. Esses sem-teto são pessoas que vivem em acampamentos informais, que visitei. Estamos falando de cerca de 10 mil pessoas na periferia de Uberlândia e o advogado que me acompanhava me disse que era difícil acreditar que 60% daquelas pessoas, que teriam perdido sua casa se não fossem os movimentos sociais, tivessem votado em Bolsonaro”, relata Lapper.

A resposta sobre as razões que motivaram o voto conservador veio um pouco mais tarde naquele dia, quando uma mulher, moradora de um dos acampamentos dos sem-teto, afirmou que seria “melhor perder a minha casa do que meu filho virar viado”. São casos e relatos como o dessa sem-teto em Uberlândia que povoam o novo livro de Richard Lapper, que será publicado pela Manchester University.

A resposta da moradora que prefere perder até o que não tem, para que o filho não se torne homossexual, é sintomática de um Brasil onde internautas publicam fotos com a Bíblia em suas redes sociais, clamando ser a nova “Constituição” e onde vídeos do Youtube proliferam em tags e hashtags como “Exército de Deus”. O discurso de hipervalorização da Bíblia enquanto narrativa parece ser, segundo especialistas, uma das características do discurso religioso professado em Israel, quando o governo conservador justifica a política agressiva de assentamentos na Cisjordânia palestina de Benjamin Netanyahou, um dos raros apoios do presidente Jair Bolsonaro na cena internacional.

“Populismo nacionalista”

Segundo Lapper, “não importa se são neopentecostais, ou se são mais moderados como os luteranos e batistas, a pauta que os une, todos possuem opiniões ultraconservadoras sobre assuntos relativos a sexo e gênero”. Lapper se refere ao fenômeno como “populismo nacionalista”. “Existem algumas características que são comuns a todos eles, em diferentes lugares do mundo, seja Trump, Brexit, Orbán na Hungria, Salvini na Itália, Duterte nas Filipinas ou Bolsonaro no Brasil.  Eles não gostam do liberalismo. É claro que discordam sobre outros temas, como imigração, mas estão unidos nessa pauta. Como o apoio do [ex-conselheiro de Trump, Steven]Bannon nos Estados Unidos”, lembra.

A situação de Uberlândia encontra ecos em outras cidades brasileiras visitadas pelo experiente jornalista norte-americano, como Diadema, no ABC paulista. “Em 2006, visitei essa cidade, no sul de São Paulo, onde conversei com pessoas de um projeto educacional que focava em melhoras no ensino. A prefeitura de Diadema [o prefeito José de Fillipi Jr (PT), em seu terceiro mandato] estava melhorando os serviços em Educação, multiplicando bibliotecas, espaços para crianças”, lembra. “Conversei com essas mesmas pessoas há dois meses apenas, que me disseram: ‘Richard, duas coisas mudaram desde que você esteve aqui. Todo mundo agora aqui é empreendedor e o número de igrejas evangélicas explodiu massivamente’”, diz o pesquisador.

“Há 20 ou 30 anos atrás, o Brasil era o maior país católico do mundo em termos de população. Hoje vemos um crescimento dramático de evangélicos radicais, de neopentecostais, e esse crescimento acontece também na África, com o crescimento da Igreja Universal do Reino de Deus no continente”, diz. “Um colega meu em Moçambique me deu detalhes sobre essa rápida ascensão evangélica, mas isso ocorre também em outros países. Isso extrapola Trump ou o Brasil”, analisa.

O pesquisador lembra que um dos pontos cegos da teologia dos novos “fundamentalistas evangélicos”, é a questão da “ideologia de gênero”. “Eles são muito reativos a todos os avanços feitos pelos liberais na Europa nesse sentido, como o casamento gay, as diferentes abordagens do gênero, a transsexualidade, são coisas que os perturbam profundamente”, afirma. “Não acredito que estejam simplesmente impondo sua vontade, acho que a vitória desse discurso neorreligioso reflete um desconforto na população ordinária com estes temas”, avalia.

Richard Lapper lembra ainda o recente evento conhecido como “Dia do Fogo”, quando apoiadores de Bolsonaro na Amazônia e no Pará provocaram uma série de queimadas que repercutiram no Brasil e no mundo inteiro. “São colonos que defendem o desmatamento, em sua grande maioria evangélicos. Eles não apreciam os índios. Os evangélicos não possuem apenas um foco na ‘Teologia da Prosperidade’, mas também na ‘batalha contra Satã”, e Satã, para eles, faz parte de religiões primitivas, como o candomblé”, afirma. A análise de Lapper encontra eco na recente onda de traficantes evangélicos do Rio de Janeiro, que perpetraram uma série de ataques coordenados a religiões de matriz africana. Em algumas favelas, segundo relatos da imprensa brasileira, os chefes do tráfico chegam a proibir a prática de religiões afro e o uso de roupas brancas, relata uma reportagem do site The Intercept de 2017.

Um fenômeno mundial

Segundo dados de 2018, os evangélicos seriam hoje cerca de 640 milhões, representando ¾ do protestantismo no mundo, e um cristão em cada quatro. Segundo o Pew Research Center, os evangélicos representariam hoje cerca de 36% do eleitorado mundial, cujo exemplo mais expressivo talvez seja a direita religiosa branca norte-americana que conduziu George Bush e Donald Trump à Casa Branca. Mesmo se a pauta diverge entre as várias facções da igreja evangélica, a pauta moralista continua a mesma de sempre, com um cardápio repleto de “cura gay”, discursos inflamados contra o aborto, a sexualidade fora do casamento e a pesquisa científica em células-tronco de embriões.

No Brasil, o discurso neorreligioso alcança níveis jamais alcançados anteriormente: uma pesquisa Datafolha, realizada em julho de 2019, afirma que 7% dos brasileiros acreditam que a “Terra é plana”, fazendo eco ao movimento conhecido como “Terraplanismo”, nascido nos Estados Unidos, que afirma que as agências espaciais de todo o mundo estariam mentindo sobre o formato do planeta, para “falsificar as viagens espaciais”. O argumento, prosaico e nada ortodoxo, é um dos bastiões defendidos pelo astrólogo Olavo de Carvalho, radicado nos Estados Unidos, ideólogo e um dos principais ativos intelectuais do governo de Jair Bolsonaro no Brasil.

No resto do mundo, correntes evangélicas radicais são cada vez mais exportadas para grandes cidades da Ásia e da África, graças a um discurso religioso emocional e dogmático, que propõe soluções práticas a frustações individuais e coletivas. Segundo os especialistas do Pew Research Center, os evangélicos já seriam hoje o principal grupo religioso nos Estados Unidos, cerca de 25,4% da população. Em 2016, eles foram o principal apoio eleitoral do então candidato Donald Trump, considerado por eles como “um instrumento de Deus para fazer avançar a causa”. Um discurso similar ao do recentemente evocado num vídeo pelo pastor evangélico Edir Macedo no Brasil, ao classificar Bolsonaro como “enviado de Deus”. Segundo o Instituto Datafolha, 29% dos brasileiros se declararam evangélicos em 2016, a apenas dois anos do voto que consolidou a extrema direita no Planalto.

Na França, segundo dados do Conselho Nacional dos Evangélicos (Cnef), eles já seriam hoje mais de 650 mil, ou seja, 1/3 dos protestantes do país. Cerca de 2.500 igrejas eram associadas aoà movimento em 2017, contra 770 nos anos 1970, e uma nova igreja seria aberta a cada 10 dias em território francês. Estudos mostram que a população evangélica francesa segue as grandes correntes de imigração vindas da Ásia e da África, como os chineses, coreanos, africanos e antilhanos, e que seu sucesso seria devido ao tratamento especial devotado a expatriados e exilados. Numa Europa onde durante longos séculos a austera filial luterana do protestantismo floresceu, o terreno se abre para novos cristãos vindos de ex-colônias. O Estado laico, no entanto, parece dar as cartas na velha França, onde o proselitismo religioso continua a sofrer rejeição da maior parte da população.

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04
Set19

El incendio en la Amazonía y el giro geopolítico de la hegemonía de los EE. UU

Talis Andrade

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Por Rolando Prudencio Briancon

El fuego ha sido en la historia de la humanidad un elemento que en sí representó y representa: energía, voluntad, ímpetu, etc., para emprender las acciones más audaces y efectivas que la humanidad ha desarrollado. No menos cierto ha sido también el poder que para someter a los demás se ha usado.

De igual modo ha sido el poder que surdiéndolo se ha usado en contra de uno mismo para luego culpar al adversario. Así por ejemplo sucedió durante el imperio romano, cuando Nerón incendió Roma para culpar luego a los cristianos y desatar una implacable persecución. Vale decir el fuego, así como ha representado poder para emprender las más audaces acciones, también ha servido para someter a los demás.

Hechos recientes como el auto atentado a las Torres Gemelas en Nueva York el 9/11 del 2001 se podrían registrar como otra acción en la que el fuego alumbró para la humanidad un otro momento, un otro ciclo para que la hegemonía estadounidense se reprodujera de forma radical, a partir de demagógicamente declararse la guerra contra el terrorismo, como parte de la nueva geopolítica genocida y global de George Bush. Es importante insistir en lo “demagógico” de la estrategia de la hegemonía estadounidense, por cuanto para la opinión pública ha quedado claro que se trató de un auto atentado. Lo mismo para la opinión pública ha sido el otro revelador hecho como aquel artero argumento de Armas de Destrucción Masiva que sirvió para atacar a Irak el 2003, y que se inscribe en una igual impostura que el del ataque del 9/11.

En ambos episodios las estrategias se los EE.UU., no ha buscado sino endurecer su hegemonía, “inventando al enemigo”, construyendo al contrincante contra quien justificar luego su poder de fuego. Han sido en esa tesis que son los terroristas quienes le han servido no sólo como chivos expiatorios, sino anecdóticamente de aliados a la vez como en el caso del auto atentado las Torres Gemelas. O el caso de enemigo necesario que correlativamente ha construido, como en del su momento les fue funcional a su poder de fuego Alqaeda, y hoy es el ISIS.

Decía que si bien el terrorismo les ha sido funcional a su poder fuego; hoy los EE.UU., que siguen necesitando de ése enemigo íntimo; son otros los interese que le preocupan para reproducir su hegemonía, y estos tienen que ver con el control -como ha sido el petróleo en la guerra contra el terrorismo- del ecosistema del planeta; pero sobre todo con un recurso mucho más vital que el petróleo, que no es sino el agua dulce, ya que viene siendo un secreto a voces generalizado que las próximas guerras en el planeta se darán por el agua; al margen de la disponibilidad que se tenga sobre otros como la biodiversidad, la fauna, la flora etc.; abundante en la Amazonía y que al parecer es el nuevo centro geopolítico capital clave en disputa para la hegemonía estadounidense. Un dato que no puede dejar de tomarse en cuenta es el que la Amazonía es un territorio al que los EE.UU., lo considera como parte de un territorio que debe ser controlado por ellos; al extremo que en sus escuelas estadounidenses se enseña el mapa del Brasil amputado de su territorio del Amazonas.

Puede ser una incendiaria hipótesis la que me lleva a plantear que el planeta hoy se encuentra nuevamente en un punto inflexión en el que, por el nivel irreversible del deterioro medioambiental en el Amazonas, que es el “pulmón del planeta”, se trame el relanzamiento de la hegemonía estadounidense. 

 

03
Set19

Grande queima

Talis Andrade

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por Janio de Freitas

Jair Bolsonaro já não é aquele que assumiu. Os medos e fugas que levaram a dar Paulo Guedes como o todo-poderoso, carta branca a Sergio Moro, ao general Augusto Heleno a primeira e a última palavras, e tantas outras fraquezas, não existem mais.

O rosto, em acelerado envelhecimento, assume uma firmeza de mandante, o olhar endurecido, nada mais daquela figura de deslocado em um mundo desconhecido.

Designar o próprio filho, de capacitação improvada, para falar e agir pelo país no centro de decisão global é uma atitude que simboliza, por si só, tudo o que é o Bolsonaro agora possuído por sensações de poder, de hierarquia única e de vontades impositivas.

Entramos na zona do perigo.

Quando esse Bolsonaro diz que a imprensa, por criticá-lo, está cometendo suicídio, fala da imprensa, mas sobretudo fala de si, da sua sensação de poder incontrastável. E de uma vontade já manifestada por diferentes maneiras.

Está claro que Bolsonaro tem intenções bem definidas quanto à liberdade de imprensa, assim como antes indicou e já restringe a criação cultural. O risco causa na imprensa mais intimidação do que reação. E com a falta de contraditório contribui para maiores ímpetos da hostilidade à liberdade de expressão.

Prepara-se no Planalto um indulto de policiais presos por crimes de morte e por envolvimento em atividades ilegais. Com participação explícita ou velada, muitos desses policiais são integrantes de milícias.

Em referência ao indulto desses “presos injustamente”, Bolsonaro chamou-os de “colegas”. Seja qual for a via do coleguismo, o indulto extemporâneo conjuga-se com as relações pessoais, familiares e financeiras dos Bolsonaros com aquela próspera atividade e suas cercanias. No mínimo, o indulto trará a consolidação de disposições milicianas para o que der e vier.

O fogaréu amazônico lançou a ira da opinião mundial contra Bolsonaro e, por tabela, o desprezo pelo país passivo diante de sua tragédia. Mas, para Bolsonaro, todo o fogo é bem-vindo.

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O governo, por meio do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cortou 30% da verba orçamentária para prevenção e combate a queimadas em florestas. O resultado dessas políticas antiambientais, antiamazônicas e anti-indígenas está visível não só nas chamas e na fumaça.

Para um exemplo: na fogueira que hoje é o estado de Rondônia, em 2018 as grandes queimadas decresceram 39%, somando 2.456. Da posse de Bolsonaro até a semana passada, aumentaram 164%, chegando a 6.484, conforme acompanhamento do respeitável Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Aí está clara a culpa de Jair Bolsonaro, por indução verbal e facilitação administrativa, pela ação incendiária que atinge, inclusive, reservas naturais e reservas indígenas.

Bolsonaro já se dissera favorável à abertura da Amazônia para empresas norte-americanas de exploração mineral. Especificou bem: não empresas brasileiras, muito menos em geral, mas “americanas”.

As queimadas, portanto, abrem-lhe a oportunidade de avançar no seu plano. Primeiro, manifestando o desejo de acordo com os Estados Unidos, e não com europeus, para ação na Amazônia. Para logo continuar, aliás, repetindo-se: “Reservas indígenas são prejudiciais ao progresso”.

Era a trilha sonora para o embarque de Eduardo Bolsonaro e do tradutor-ministro Ernesto Araújo rumo a Trump. Para uma conversinha fora da agenda presidencial por urgência da necessidade ou, antes, da oportunidade.

O Bolsonaro que encaminha a entrega da Amazônia, não quer matadores e milicianos presos “injustamente”, avisa do “suicídio” da imprensa, indispõe o Brasil pelo mundo afora, não se mostra temeroso de objeção das chamadas instituições democráticas. De fato, por sua atitude de espectadoras desinteressadas, não têm por que o preocupar. São coerentes com a classe socioeconômica que as povoa.

E os militares, responsáveis, por ordem da Constituição, pela legalidade nacional e pela soberania? Ora, a Constituição.

27
Ago19

Acusação de Lula é confirmada: fazendeiros bolsonaristas incendeiam a Amazônia

Talis Andrade

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A revelação é da revista Globo Rural, em reportagem do jornalista Ivaci Matias, que escreveu diretamente de Cachoeira da Serra, o distrito de Altamira que concentra os ruralistas mais agressivos na ocupação das terras, combate aos sem terra e pequenos agricultores e maiores taxas de devastação do Estado, um dos mais castigados pela ação predatória. O que acontece em Altamira desde 10 de agosto, segundo o jornalista, é "a maior queimada da história do Pará". 
 

Segundo a reportagem, a pedido do Ministério Público de Novo Progresso, o Delegado Daniel Mattos Pereira, da Polícia Civil, já ouviu algumas pessoas ligadas ao “Dia do Fogo”, até agora ninguém foi preso. 

Pegos em flagrante, os ruralistas utilizam a mesma estratégia de Bolsonaro, que chegou a acusar as ONGs pelos incêndios. Segundo o jornalista Ivaci Matias, os fazendeiros da região acusam o  ICMBio [a sigla se refere ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade], autarquia federal que é a polícia ambiental para a proteção da biodiversidade em todo o Brasil. O órgão é visto pelos ruralistas como seu inimigo e tem sido alvo de toda sorte de intervenções e desestruturação pelo ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro Ricardo Salles.

JORNAIS DE HOJE

Brasil

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Bolívia

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Tres descargas de agua del Avión SuperTanker y las incursiones de apoyo terrestre posibilitaron reducir hoy la magnitud de los incendios que amenazaban al Parque Nacional y Área Natural de Manejo Integrado Otuquis, en la región de Man Césped de la Chiquitania cruceña, zona fronteriza con Paraguay y Brasil.

El comandante en Jefe de las Fuerzas Armadas, Williams Kaliman, informó que los tres vuelos que realizó la aeronave fueron efectivas y aplacaron gran parte de las llamas, que posteriormente fueron controladas por las brigadas terrestres con el apoyo de helicópteros.

“Ayer hicimos una descarga de agua en esta zona, hoy realizamos tres más porque era un sector con fuego activo y de gran magnitud. Con los operativos realizados hasta este momento (16.45) se han ha apagado varios focos de calor en este sector gracias a esas incursiones aéreas, pero también al apoyo de las brigadas, que son quienes terminan de sofocar los incendios”, expresó en contacto con Red Patria Nueva.

La autoridad señaló que mañana está previsto sobrevolar las regiones de San Matías y Puerto Suárez para evaluar la situación de las quemas y las zonas de mayor concentración de fuego y definir el itinerario de vuelos del Boeing 747-400.

Colômbia

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Venezuela

la_hora. venezuela amazonia 26ag.jpgEl gobierno brasileño carece de los recursos para combatir un récord de incendios forestales en la selva amazónica, dijo el jueves el presidente Jair Bolsonaro, semanas después de decirle a donantes que no necesitaba su dinero.

“El Amazonas es más grande que Europa, ¿cómo van a combatir los incendios criminales en una zona así?”, preguntó a periodistas al salir de la residencia presidencial. “No tenemos los recursos para eso”.

Los incendios en la Amazonía han aumentado un 83% en lo que va del año en comparación con el mismo período del año anterior, según cifras oficiales, destruyendo vastas extensiones de un bosque considerado un baluarte vital contra el cambio climático.

26
Ago19

Governo foi avisado do "Dia do Fogo" dos fazendeiros pró-Bolsonaro do Pará; e nada fez

Talis Andrade

Bolsonaro, Ricardo Salles e Sergio Moro cruzaram os braços

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O governo Bolsonaro foi informado oficialmente em 7 de agosto, três dias antes do "Dia do Fogo" articulado por fazendeiros bolsonaristas do Pará, que os incêndios iriam começar. E nada fez. O Ministério Público Federal (MPF) do Pará enviou um ofício ao Ibama, órgão do Ministério do Meio Ambiente, alertando para o ato criminoso, sem qualquer reação do governo. A Força Nacional de Segurança, subordinada a Moro, também foi alertada, mas nada fez. Em sua entrevista à TV 247, o ex-presidente Lula acusou os fazendeiros bolsonaristas de responsáveis por incêndios que devastam a floresta amazônica há pelo menos duas semanas, o que agora está confirmado.

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247 -  O governo Bolsonaro foi informado oficialmente em 7 de agosto, três dias antes do "Dia do Fogo" articulado por fazendeiros bolsonaristas do Pará, que os incêndios iriam começar. E nada fez. O Ministério Público Federal (MPF) do Pará enviou um ofício ao Ibama, órgão do Ministério do Meio Ambiente, alertando para o ato criminoso, sem qualquer reação do governo. A Força Nacional de Segurança, subordinada a Moro, também foi alertada, mas nada fez. Em sua entrevista à TV 247 da última quinta-feira (22), o ex-presidente Lula acusou os fazendeiros bolsonaristas de responsáveis por incêndios que devastam a floresta amazônica há pelo menos duas semanas, o que agora está confirmado.

A informação sobre o aviso ao governo Bolsonaro é de Carla Aranha, jornalista da revista Globo Rural, publicada na noite deste domingo (25). Segundo a jornalista, "o documento do Ministério Público que alertou o governo sobre o dia do fogo, ao qual a revista Globo Rural teve acesso, também cobrava um plano de contingência do Ibama em caso de 'confirmação do referido evento'. O plano de realizar as queimadas, agendado para o dia 10, foi divulgado pelo jornal Folha do Progresso, de Novo Progresso".

Mas nada foi feito. A resposta do Ibama, órgão vinculado ao ministro do Meio Ambiente, Ricado Salles, defensor da devastação da Amazônia, acontecu apenas cinco dias depois, no dia 12, quando o fogo já havia sido ateado à floresta. A resposta do Ibama ao MPF, afirmava que "a Coordenação de Operações de Fiscalização e o Núcleo de Inteligência da Superintendência do Pará haviam sido comunicadas sobre a iminência dos incidentes e ressalta que devido aos diversos ataques sofridos e à ausência do apoio da Polícia Militar do Pará” as ações de fiscalização estavam prejudicadas por “envolverem riscos relacionados à segurança das equipes em campo”. Ou seja, nada foi feito. 

O Ibama afirmou no mesmo documento que já haviam sido “expedidos ofícios solicitando o apoio da Força Nacional de Segurança”. No entanto, segundo o próprio Ibama, não houve resposta ao pedido.

Nem Ricardo Salles nem Moro adotarsam qualquer ação contra os incêndios.  

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23
Ago19

Lula: quem está incendiando a Amazônia são os fazendeiros bolsonaristas

Talis Andrade

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Maior liderança popular do País, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi taxativo na entrevista à TV 247: quem está incendiando a Amazônia são os fazendeiros bolsonaristas. Ele falou ao jornalistas Mauro Lopes, Paulo Moreira Leite e Pepe Escobar nesta quinta-feira (22) de sua prisão na Polícia Federal de Curitiba (PR).

"É só pegar fotografias de satélites, saber quem é o proprietário de terra que está queimando e ir atrás do proprietário da terra para saber quem botou fogo. Se o dono da terra não reclamou, não foi à polícia dar queixa de que teve incêndio na terra dele, é porque foi ele quem botou fogo", disse Lula à TV 247 na capital paranaense. 

A Alemanha, o Canadá e a Noruega se uniram ao presidente francês, Emmanuel Macron, no sentido de apoiar a discussão sobre o desmatamento da Amazônia brasileira durante a cúpula do G7, neste final de semana, em Biarritz, na França. A magnitude dos incêndios "é assustadora e ameaçadora, não só para o Brasil e os outros países envolvidos, mas para todo o mundo", afirmou a chanceler alemã, Angela Merkel, por meio de seu porta-voz (veja aqui).

Segundo Macron, Bolsonaro “mentiu” sobre os compromissos ambientais assumidos pelo Brasil, o que levou a decisão da França de não ratificar o tratado comercial entre a União Européia e o Mercosul. 

"Dada a atitude do Brasil nas últimas semanas, o presidente da República só pode constatar que o presidente Bolsonaro mentiu para ele na cúpula (do G20) de Osaka", disse o governo francês por meio de nota. “O presidente Bolsonaro decidiu não respeitar seus compromissos climáticos nem se comprometer com a biodiversidade”, complementa o texto (leia aqui).

De acordo com o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), somente em junho deste ano, foram destruídos 920,2 km² de floresta na Amazônia, um aumento de 88% em comparação com o mesmo mês do ano passado. 

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) havia alertado que a devastação aumentou 88% junho e 278% julho na comparação com iguais períodos de 2018.

 

BRASIL

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BOLÍVIA

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VENEZUELA

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EQUADOR

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22
Abr19

Sob o domínio dos perversos

Talis Andrade

A vida no Brasil de Bolsonaro: um Governo que faz oposição a si mesmo como estratégia para se manter no poder, sequestra o debate nacional, transforma um país inteiro em refém e estimula a matança dos mais frágeis

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por Eliane Brum

El País

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Os 100 dias do Governo Bolsonaro fizeram do Brasil o principal laboratório de uma experiência cujas consequências podem ser mais destruidoras do que mesmo os mais críticos previam. Não há precedentes históricos para a operação de poder de Jair Bolsonaro (PSL). Ao inventar a antipresidência, Bolsonaro forjou também um governo que simula a sua própria oposição. Ao fazer a sua própria oposição, neutraliza a oposição de fato. Ao lançar declarações polêmicas para o público, o governo também domina a pauta do debate nacional, bloqueando qualquer possibilidade de debate real. O bolsonarismo ocupa todos os papéis, inclusive o de simular oposição e crítica, destruindo a política e interditando a democracia. Ao ditar o ritmo e o conteúdo dos dias, converteu um país inteiro em refém.

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 A violência de agentes das forças de segurança do Estado nos primeiros 100 dias do ano, como a execução de 11 suspeitos em Guararema (SP), pela polícia militar, e os 80 tiros disparados contra o carro de uma família por militares no Rio de Janeiro, pode apontar a ampliação do que já era evidente no Brasil: a licença para matar. Mais frágeis entre os frágeis, os ataques a moradores de rua podem demonstrar uma sociedade adoecida pelo ódio: em apenas três meses e 10 dias, pelo menos oito mendigos foram queimados vivos no Brasil. Bolsonaro não puxou o gatilho nem ateou fogo, mas é legítimo afirmar que um Governo que estimula a guerra entre brasileiros, elogia policiais que matam suspeitos e promove o armamento da população tem responsabilidade sobre a violência.

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Este artigo é dividido em três partes: perversão, barbárie e resistência. Transcrevo trechos. Leia na íntegra aqui 

 

1) A Perversão

 

Estamos sob o jugo de perversos, que corrompem o poder que receberam pelo voto para impedir o exercício da democracia.

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Como tem a máquina do Estado nas mãos, podem controlar a pauta. Não só a do país, mas também o tema das conversas cotidianas dos brasileiros, no horário do almoço ou junto à máquina do café ou mesmo na mesa do bar. O que Bolsonaro aprontará hoje? O que os bolsojuniores dirão nas redes sociais? Qual será o novo delírio do bolsochanceler? Quem o bolsoguru vai detonar dessa vez? Qual será a bolsopolêmica do dia? Essa tem sido a agenda do país.

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Mas essa é apenas parte da operação. Para ela, Bolsonaro teve como mentor seu ídolo Donald Trump. O bolsonarismo, porém, vai muito mais longe. Ele simula também a oposição. Assim, a sociedade compra a falsa premissa de que há uma disputa. A disputa, porém, não é real. Toda a disputa está sendo neutralizada. Quando chamo Bolsonaro de “antipresidente”, não estou fazendo uma graça. Ser antipresidente é conceito.

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Quem é o principal opositor da reforma da Previdência do ultraliberal Paulo Guedes, ministro da Economia? Não é o PT ou o PSOL ou a CUT ou associações de aposentados. O principal crítico da reforma do “superministro” é aquele que nomeou o superministro exatamente para fazer a reforma da Previdência. O principal crítico é Bolsonaro, o antipresidente.

 

Como quando diz que, “no fundo, eu não gostaria de fazer a reforma da Previdência”. Ou quando diz que a proposta de capitalização da Previdência “não é essencial” nesse momento. Ou quando afirmou que poderia diminuir a idade mínima para mulheres se aposentarem. É Bolsonaro o maior boicotador da reforma do seu próprio Governo.

 

Enquanto ele é ao mesmo tempo situação e oposição, não sabemos qual é a reforma que a oposição real propõe para o lugar desta que foi levada ao Congresso. Não há crítica real nem projeto alternativo com ressonância no debate público. E, se não há, é preciso perceber que, então, não há oposição de fato. Quem ouve falar da oposição? Alguém conhece as ideias da oposição, caso elas existam? Quais são os debates do país que não sejam os colocados pelo próprio Bolsonaro e sua corte em doses diárias calculadas?

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É pelo mesmo mecanismo que o bolsonarismo controla as oposições internas do Governo. Os exemplos são constantes e numerosos. Mas o uso mais impressionante foi a recente ofensiva contra a memória da ditadura militar. Bolsonaro mandou seu porta-voz, justamente um general, dizer que ele havia ordenado que o golpe de 1964, que completou 55 anos em 31 de março, recebesse as “comemorações devidas” pelas Forças Armadas. Era ordem de Bolsonaro, mas quem estava dizendo era um general da ativa, o que potencializa a imagem que interessa a Bolsonaro infiltrar na cabeça dos brasileiros.

 

Bolsonaro promoveu a memória dos crimes da ditadura pelo avesso, negando-os e elogiando-os. Poucas vezes a violência do regime autoritário foi tão lembrada e descrita quanto neste 31 de março. Foi Bolsonaro quem menos deixou esquecer os mais de 400 opositores mortos e 8 mil indígenas assassinados, assim como as dezenas de milhares de civis torturados. Para manter os generais no cabresto, Bolsonaro os jogou na fogueira da opinião pública fingindo que os defendia.

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Ao mesmo tempo, Bolsonaro lembrou aos generais que são ele e sua corte aparentemente tresloucada quem faz o serviço sujo de enaltecer torturadores e impedir que pleitos como o da revisão da lei de anistia, que até hoje impediu os agentes do Estado de serem julgados pelos crimes cometidos durante a ditadura, vão adiante. Como berrou o guru do bolsonarismo, o escritor Olavo de Carvalho, em um de seus ataques recentes contra o general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro-chefe da Secretaria de Governo da presidência: “Sem mim, Santos Cruz, você estaria levando cusparadas na porta do Clube Militar e baixando a cabeça como tantos de seus colegas de farda”.

 

A exaltação do golpe militar de 1964 serviu também como balão de ensaio para testar a capacidade das instituições de fazer a lei valer. Mais uma vez, Bolsonaro pôde constatar o quanto as instituições brasileiras são fracas. E alguns de seus personagens, particularmente no judiciário, tremendamente covardes. Não fosse a Defensoria Pública da União, que entrou com uma ação na justiça para impedir as comemorações de crimes contra a humanidade, nada além de “recomendações” para que o Governo não celebrasse o sequestro, a tortura e o assassinato de brasileiros. Patético.

 

Outro exemplo é a demissão do ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez para colocar em seu lugar outro que pode ser ainda pior. Bolsonaro fritou o ministro que ele mesmo nomeou e o demitiu pelo Twitter. Ao fazê-lo, agiu como se outra pessoa o tivesse nomeado – e não ele mesmo. Chamou-o de “pessoa simpática, amável e competente”, mas sem capacidade de “gestão” e sem “expertise”. Mas quem foi o gestor que nomeou alguém sem capacidade de gestão e expertise para um ministério estratégico para o país? E como classificar um gestor que faz isso? Mais uma vez, Bolsonaro age como se estivesse fora e dentro ao mesmo tempo, fosse governo e opositor do governo simultaneamente.

 

A estratégia bem sucedida, neste caso, é a falsa disputa da “nova política” contra a “velha política”. O bate-boca entre Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), é só rebaixamento da política, de qualquer política. Se a oposição ao Governo é Maia, parlamentar de um partido fisiológico de direita, qual é a oposição? Bolsonaro e Maia estão no mesmo campo ideológico. Não há nenhuma disputa de fundo estrutural entre os dois, seja sobre a Previdência ou sobre qualquer outro assunto de interesse do país.

 

2) A Barbárie

 

Mesmo a parcela mais organizada das minorias que tanto Bolsonaro atacou na eleição parece estar em transe, sem saber como agir diante dessa operação perversa do poder. Ao reagir, tem adotado o mesmo discurso daqueles que as oprimem, o que amplia a vitória do bolsonarismo.

 

Um exemplo. O vídeo divulgado por Bolsonaro no Carnaval, mostrando uma cena de “golden shower”, foi definido como “pornográfico” por muitos dos que se opõem a Bolsonaro. Mas este é o conceito de pornografia da turma do antipresidente. (...) O ato pornográfico é o de Bolsonaro, oficialmente presidente da República, divulgar o vídeo nas redes sociais. É dele a obscenidade. A pornografia não está na cena, mas no ato de divulgar a cena pelas redes sociais. Diferenciar uma coisa da outra é fundamental.

 

Outro exemplo. Quando a oposição tenta desqualificar o deputado federal Alexandre Frota (PSL) porque ele é ator pornô está apenas se igualando ao adversário. Qual é o problema de ser ator pornô? Só os moralistas do pseudoevangelismo desqualificam pessoas por terem trabalhos ligados ao sexo. Alexandre Frota deve ser criticado pelas suas péssimas ideias e projetos para o país, não porque fazia sexo em filmes para ganhar a vida. (...) Cada vez mais parte da esquerda tem se deixado contaminar, como se fosse possível deslegitimar o adversário usando o mesmo discurso de ódio.

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Na mesma linha, o problema do ministro da Justiça, Sergio Moro, não é o fato de ele falar “conge” em vez de “cônjuge”, como fez por duas vezes durante audiência pública no Senado. Ridicularizar os erros das pessoas na forma de falar é prática das piores elites, aquelas que se mantêm como elite também porque detêm o monopólio da linguagem. 

 

O problema de Moro é ter, como juiz, interferido no resultado da eleição. E, em seguida, ser ministro daquele que suas ações como funcionário público ajudaram a eleger. O problema de Moro é criar um pacote anticrime que, na prática, pode autorizar os policiais a cometerem crimes. Pela proposta do ministro da Justiça, os policiais podem invocar “legítima defesa” ao matar um suspeito, alegando “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”. Neste caso, a pena pode ser reduzida pela metade ou mesmo anulada. 

 

3) A Resistência

 

O Brasil já vive sob o horror da exceção. A falsificação da realidade, a corrupção das palavras e a perversão dos conceitos são parte da violência que se instalou no Brasil. São parte do método. Essa violência subjetiva tem resultados bem objetivos – e multiplica, como os números já começam a apontar, a violência contra os corpos. Não quaisquer corpos, mas os corpos dos mais frágeis.

 

O desafio – urgente, porque já não há mais tempo – é resgatar o que resta de democracia no Brasil. É pela pressão popular que as instituições podem se fortalecer ao serem lembradas que não servem aos donos do poder nem aos interesses de seus membros, mas à sociedade e à Constituição. É pela pressão por outros diálogos e outras ideias e outras realidades que ainda respiram no país que a imprensa pode abrir espaço para o pluralismo real. É pela pressão por justiça e pelo levante contra a barbárie que podemos salvar nossa própria alma adoecida pelos dias.

 

Precisamos encontrar caminhos para romper o controle, sair do jugo dos perversos, tirar a pauta dos dias de suas mãos.

 

Como?

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