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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

30
Jul22

A transparência golpista de Jair Bolsonaro

Talis Andrade

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O golpismo do presidente é transparente, narrado em tempo real nas mídias digitais. Está aí para quem quiser ver
 
 

por Rodrigo Perez Oliveira

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Quando falamos em “golpe de Estado”, vem de imediato à nossa memória a imagem de blindados das Forças Armadas nas ruas, derrubando governos eleitos, perseguindo, torturando e matando os opositores. Este sentido para o termo foi inscrito pelas experiências de ruptura institucional que aconteceram na América Latina nas décadas de 1960 e 1970.

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Por conta dessa memória cristalizada, talvez tenhamos alguma dificuldade em tratar como “golpe de Estado” o que está acontecendo no Brasil neste exato momento. O mundo gira e tudo se transforma, inclusive os golpes de Estado.

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O novo tipo de golpe de Estado não se dá de fora para dentro das instituições golpeadas. É processado aos poucos, de dentro pra fora, manipulando os ritos do regime que está sendo derrubado. No Brasil, esse processo golpista começou com o impeachment de Dilma Rousseff, em agosto de 2016, e se radicalizou nos últimos três anos e meio. Se radicalizou a ponto de, à altura em que escrevo este texto, nenhuma das autoridades da República parece saber o que fazer para interromper a escalada golpista.

No último dia 18 de julho aconteceu aquela que talvez tenha sido a manifestação mais aguda da marcha golpista em curso no Brasil.

O presidente da República convocou diplomatas estrangeiros para “denunciar” fraudes no sistema eleitoral brasileiro. Apresentou dados falsos e, novamente, mentiu.

Em tese, o presidente da República representa o establishment, a legalidade, a devida institucionalidade. Ao lançar suspeitas sobre o processo eleitoral, Bolsonaro se apresenta como regenerador da legalidade, como defensor do rito. O agente golpista, portanto, não vem de fora da institucionalidade. É a própria institucionalidade, pelo menos parte dela.

Ao lado de Bolsonaro, estavam Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, Ministro da Defesa, e Ciro Nogueira, Ministro-Chefe da Casa civil e líder do “Centrão”. O recado foi claro para quem sabe ler a linguagem da diplomacia: Bolsonaro anunciou ao mundo que pretende liderar um golpe no Brasil, e para isso conta com apoio das Forças Armadas e de parte da classe política civil.

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Hoje, o golpismo de Bolsonaro conta com a adesão de algo entre 25 e 30% da população. Tem o apoio das Forças Armadas e das PMs estaduais. Não duvido de que uma eventual ruptura contaria como apoio de parcela significativa do Congresso Nacional, sobretudo na Câmara dos Deputados.

Bolsonaro não está isolado em suas pretensões golpistas!

A situação é muito grave. É pior do que aconteceu nos EUA, onde o golpismo de Trump jamais contou com o apoio das Forças Armadas.

Bolsonaro não está disputando as eleições. Sabe perfeitamente que não vencerá. Acredita, sim, nas pesquisas eleitorais. Portando, todos os seus movimentos devem ser lidos em função da agenda golpista. Por isso, escolheu Braga Netto e não Tereza Cristina para a posição de vice em sua chapa.

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Eu diria que o roteiro do golpe prevê três atos:

1°) Levar a disputa para o 2° turno, quando os aliados dentro da classe politica já estarão eleitos. Para isso, a “PEC eleitoral” é estratégica. É bastante improvável que o pacote de bondades seja o suficiente para virar o jogo, pois a vantagem de Lula é muito grande. Na coligação do golpe bolsonarista, ninguém está trabalhando com essa hipótese. Porém, é muito difícil imaginar que a PEC não terá nenhum efeito eleitoral. R$ 42 bilhões para gastar às vésperas das eleições, definitivamente, não é algo irrelevante. A expectativa do governo é que seja o suficiente para reverter algo entre 3 e 5% dos votos, o bastante para arrastar a disputa para o segundo turno.

2°) Seriam três semanas de constante agitação da base social bolsonarista, radicalizada, violenta, armada e mobilizada pelo discurso da fraude eleitoral. O objetivo é que o dia 30 de outubro, o domingo do segundo turno, seja caótico. Pessoas com medo de sair de casa para votar, conflitos nas ruas. Grande abstenção eleitoral. Ao fim do dia, o Ministério da Defesa, municiado pelo discurso de que eleição é tema de segurança nacional, apresenta um resultado diferente do publicado pelo TSE. Novamente, evocando a legalidade e a defesa do rito eleitoral, os golpistas começam uma batalha discursiva e institucional, com dados falseados e manipulados.

3°) No Congresso Nacional, os aliados manobram no sentido de aprovar uma legislação excepcional que prorrogue o mandato presidencial até que seja possível a realização de eleições “legais e seguras”. A princípio, nem é necessário que o Exército coloque seus tanques na praça. Mas a presença dos militares na coligação golpista sinaliza que os blindados estão disponíveis. Com exceção de alguns entreveros nas ruas, a disputa se dará quase toda por dentro da cambaleante institucionalidade. Liminar de juiz do supremo para cá, liminar de outro juiz para lá (não é demais lembrar que Bolsonaro já conta dois ministros no STF). Arhur Lira manobrando na Câmara dos Deputados. Somente com Bolsonaro Lira continuaria controlando o orçamento do país. Sua adesão ao golpe bolsonarista não seria ideológica, mas, sim, pragmática.

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Nem carece de muita imaginação interpretativa para visualizar esse roteiro. O plano é esse. Tudo está sendo anunciado, à luz do dia, sem dissimulação alguma. O golpismo de Bolsonaro é transparente, narrado em tempo real nas mídias digitais. Está aí para quem quiser ver. Basta saber como reagir. Tomara que não seja tarde demais.

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15
Abr22

Para não reescrever a história da ditadura

Talis Andrade

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Para melhor contextualizar a história, devo relacionar um acontecimento central de um dos crimes perversos da ditadura, aquela que deve ser contextualizada

 

por Urariano Mota /Vermelho 

Sobre o 31 de março de 1964, os comandantes das forças armadas mais o ministro da defesa de bolsonaro publicaram: “a história não pode ser reescrita, em mero ato de revisionismo, sem a devida contextualização”.

Muito bem. Mas em primeiro lugar, para não reescrever a história sem contextualizar o tempo, deve-se não reescrever os dias do calendário. Pois na propaganda do golpe, o primeiro de abril de 1964 sempre foi antecipado para o 31 de março. Procurando evitar a piada, o dia universal da mentira, mentiram por antecipação. Falaram que tudo se fez em de 31 de março. E foi decretada a revolução.

Em dúvida, para que não se caia no revisionismo histórico, olhem os jornais brasileiros de 2 de abril de 1964:

O Globo: “Ressurge a democracia!”. O Estado de São Paulo, “Vitorioso o movimento democrático”. Diário de Pernambuco: “Jango sai de Brasília rumo a Porto Alegre ou exterior”. Folha de S. Paulo: “Congresso declara Presidência vaga: Mazzilli assume”. E por que relaciono as notícias de 2 de abril? A razão é simples: em uma época sem edição on-line, se o golpe tivesse ocorrido em 31 de março, os jornais publicariam a notícia em primeiro de abril. Mas como em 31 todos os governos eleitos estavam no poder, os jornais somente puderam noticiar a “revolução” no dia 2 de abril. O curioso é que, a partir daí, houve uma desmemória rara. A imprensa amordaçada passou a se referir a um certo 31 de março que acontecera depois de 31 de março. Piada trágica.

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Marcio Vaccari (@VaccariMarcio) / Twitter

 

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E para melhor contextualizar a história, o ambiente de terror contra a resistência democrática no Brasil, os assassinatos ao fim de torturas de presos políticos, devo relacionar um acontecimento central de um dos crimes perversos da ditadura, aquela que deve ser contextualizada.

Eu retomo em “A mais longa duração da juventude” aos seis assassinatos no Recife em janeiro de 1973.

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Os seis “terroristas” mortos juntos em uma só notícia. “Terroristas”, porque todas as pessoas que lutavam contra a ditadura eram chamadas de terroristas. Aqui vai um trecho dos crimes contextualizados no romance:

“Assim era o velho Orlando. Com um jornal nas mãos, ele desfere o primeiro golpe:

– Pegaram uns terroristas hoje. Vocês viram?

Eu sei, ele fala a todos, mas se dirige a mim. Sou capaz de sentir que ele fala e me aponta com o queixo, pois me encontro na máquina de escrever com os olhos fitos em lugar nenhum. Não consigo me concentrar na guia de material, que devo copiar para o formulário. A minha voz está contra mim. Aliás, tudo em mim, tudo que é sobrevivência é o meu contrário. Eu não sou aquele que se encontra na sala, com o ar-condicionado rugindo alto feito motor de carro de praça em 1970. O velho, o feitor, se aproxima, eu sei pela repugnante mistura de perfume barato e cigarros.

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– A puta era até bonitinha – ele fala. – Carinha de anjo, mas terrorista. Você viu? – E toca o meu ombro tenso. Não o escuto, bato a esmo na máquina. Tenho que me concentrar para não escrever “Maldito. Maldição. Mal do mundo. Mal de porcos. Foda-se”. E vem um novo toque, mais firme, como uma intimidação:

– Viu ou não viu as carinhas de puta? Você.

Então levanto a custo o queixo e vejo um indivíduo de olhos verdes, cabelos brancos, boca murcha e sinais de animal velho na cara. Ele sorri, mas sei que o sorriso é ofensa, escárnio, gatilho apontado. E respondo, na altura da minha covardia:

– Eu? – “Darás a tua vida por mim?”, penso. – Não vi o jornal hoje.

– Não viu?! – O escarnecedor volta. – Olhe.

“Meu Deus, o que será de mim?”. Ele mostra a primeira página.

– Aqui. – Com o dedo seboso aponta Soledad. Com o dedo seboso aponta Pauline. Com o dedo seboso aponta Vargas. Com o dedo seboso aponta as fotos dos seis socialistas mortos. E volta para Soledad. – Está vendo?

Eu olho e mudo a vista. Eu vejo e baixo os olhos. Não sou um homem. Me sinto menos que um cachorro castrado. É doloroso fitar o rosto de Soledad, aquela a quem beijei na casa de Marx. Olho e baixo os olhos. O velho parece notar minha aflição.

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Jovem Soledad Barrett, morta pela Ditadura Militar de 1964 | Foto: Reprodução

– Moça tão bonitinha… – o velho fala. – Desencaminhando os filhos da gente para o terror. – E olha para mim: – Mata!

“Eu a quero como um homem sozinho quer o seu amor”, penso. E resmungo, no limite:

– Os jornais mentem muito. – E continuo na cabeça o poema que não escrevo: “Eu a quero como um homem sozinho. Eu a quero com a ternura e ódio de um covarde cujo amor é segredo”. O poema que não escrevo se inscreve em meus olhos. E dilato as órbitas para secar a minha condenação. O velho me pergunta:

– Hem? O que você disse?

Eu quis responder com voz alta, à meia altura do meu sentimento: “eu disse que os jornais mentem muito”. Falando assim, falaria menos do que deveria: “É tudo mentira. As notícias são uma farsa criminosa. Matam a melhor juventude do Brasil”. Mas fiquei a balbuciar palavras inverossímeis:

– A – sim… tende? Assim…

– Assim o quê, rapaz?

– Assim.. ah… o jornal de hoje tem o resultado do vestibular.

– Vestibular que nada. O vestibular de hoje é a morte dos bandidos. – No que foi acompanhado por um idiota de plantão:

– Isso mesmo. Se eles estudassem, se fossem gente direita, não estavam mortos. A polícia não mata um jovem de bem.

Era tão estúpido e esmagador, que sorri amargo três vezes, assim como Pedro negou três vezes a Jesus. Sorri de imbecil, sorri da minha desgraça, sorri como um adulador sorri. Os três sorrisos unificados em um só, o da infâmia de desejar sobreviver em paz, não importava como. Sorri. E para não sorrir indefinidamente da minha abjeção, tive a infelicidade de completar com o máximo de coragem:

– Jornal exagera um pouco. Algumas vezes temos que dar uns descontos.

Para quê disse isso? Recebi pelos peitos:

– Mas eles eram terroristas, não eram? Isso é mentira?

“Jesus respondeu-lhe: Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: Não cantará o galo sem que tu me tenhas negado três vezes”. Então baixei a cabeça e procurei bater à máquina. As denunciantes lágrimas insistiam em voltar aos meus olhos.

– Eles eram ou não eram terroristas? – O velho tornou”.

O mais grave, hoje, é que esse tempo corre o risco de voltar. Os criminosos do “movimento” de 64 continuam impunes. O elogio que o fascista na presidência faz a esses criminosos é outra forma de crime. Isto é, se o próprio Bolsonaro não foi um torturador. Essa recente ordem do dia de 31 de março, para os escritores, assim se traduz: falem tudo o que sentem e sabem. Pois o Brasil não radicalizou a democracia. Nós saímos da ditadura sem radicalizar a democracia. O resultado é este fascismo no poder. Aquele velho sempre volta.

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09
Fev22

Moro, seu chefe de campanha defende o ‘nazismo livre’. Vai se calar?

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Promovido a interlocutor-mor de Sergio Moro, convidado a ser a referência de integridade para ajudá-lo a tentar explicar o embrulho de estar recebendo dinheiro de uma empresa que administra as empreiteiras que a Lava Jato levou à garra, Kim Kataguiri não pode mais ser considerado um penduricalho do morismo, mas um integrante do núcleo central da candidatura do ex-juiz.

Portanto, a defesa que o chefe do MBL fez da legalização do nazismo é de uma enorme gravidade, porque significa que Moro, ainda que não vá admitir, tem junto de si pessoas que acham possível permitir que se organizem como força política pessoas que defendem a supremacia racial, o extermínio de pessoas e a repressão brutal a todo os tipos de diferença – social, racial, ideológica.

Ou seja, àquilo que é intolerável pelas cláusulas pétreas de nossa Constituição e, se ainda que não o fosse, ofende a consciência de qualquer pessoa civilizada, depois do assassinato de milhões de pessoas na 2a. Guerra Mundial, sejam os judeus, os ciganos, os russos, poloneses, eslavos e muitos mais, inclusive os que, por “acusação” de homossexualidade ou de “ser esquerdista” foram fuzilados ou sufocados em câmaras de gás.

Não há, até o momento em que escrevo, nem uma só palavra de Moro diante disso. Muito menos uma atitude, indispensável, do afastamento de Kataguiri do comando de sua campanha, o mínimo a que está obrigado em respeito a quem perdeu pais e avós torturados e executados pelo nazismo.

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15
Nov18

“Sou um troféu que a Lava Jato precisava entregar”, diz Lula em depoimento

Talis Andrade

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De um mural de Flávio Tavares

 

Depois de 222 dias de prisão política por um triplex que nunca foi dele, Lula deixou a sede da PF curitibana para se defender num processo do sítio que ele frequentou em Atibaia, interior de São Paulo. O inquérito investiga o pagamento de obras de reforma na propriedade.

 

Lula prestou depoimento à juíza substituta da Lava Jato, Gabriela Hardt nesta quarta-feira (14), na sede da Justiça Federal em Curitiba. Ao longo de quase duas horas, o ex-presidente respondeu questionamentos, reafirmou sua inocência e se insurgiu contra a guerra jurídica que se arrasta há anos contra ele.

 

“Eu sou vítima do maior processos de mentiras que esses país já conheceu”, disse.

 

O presidente diz estar cansado da guerra judicial contra ele, cujo histórico e eivado de mentiras, ilegalidade e acusações inconsistentes. “O primeiro processo que participei aqui é uma farsa. Uma mentira do Ministério Público com PowerPoint. O segundo é outra farsa. E eu vou pagar porque eu sou um homem que crê em Deus e crê na Justiça. Um dia a verdade vai prevalecer.”

 

Lula lembrou uma conversa antiga que teve com um advogado, ainda em 2005, sobre as acusações que começavam a surgir. “Ele disse: ‘não se preocupe porque não há como esse processo ir pra frente’. Não só eu fui condenado como inventaram um offshore ligada à Odebrecht para trazer o processo pra cá [Curitiba]'”

 

Lula lembrou que os governos petistas é que criaram os mecanismos efetivos de combate à corrupção. “Só tem jeitos de combater [a corrupção]: um é não combater. O outro é escancarar contra quem quer que seja. Não tem que esconder. O país não é de quem governa, é do povo brasileiro. Só não concordo quando fazem uso político disso”.

 

“No meu caso, a Lava Jato teve um descaminho. Eu era um troféu que a Lava Jato precisava entregar”, completou.

 

Lula denunciou a relação próxima, desde os tempos do BanEstado, entre Sergio Moro e o doleiro Alberto Yousseff.

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14
Set18

TOFFOLI ASSUME E CÁRMEN LÚCIA SAI PELA PORTA DOS FUNDOS DA HISTÓRIA

Talis Andrade

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"A Alma obscura da Justiça criando suas feras", tela de Flavio Tavares 

 

 

Poucas vezes se viu uma presidente do STF ser tão inócua, e agir tanto em favor do que defende a mídia e as grandes empresas nacionais e multinacionais. De algumas passagens deploráveis desse estorvo para o estado democrático de direito, estão a reunião da ministra com a direção da Coca Cola, Globo (representada por Valdo Cruz), representantes do mercado financeiro, logo após a prisão do ex-presidente Lula e, também, a manobra no julgamento do habeas corpus de Lula, não pautando a prisão em segunda instância, quando teve a manifestação do ministro Marco Aurelio Mello ao proferir seu voto em favor da soltura do ex-presidente.

 

O maior dano da pior presidente do STF foi não ter corrigido o casuísmo da definição da prisão em segunda instância, quando a corte criou a jurisprudência que generalizou as ações inconstitucionais na Lava Jato. Ao não corrigir o casuísmo de 2016, que atendeu os caprichos dos ditadores pachás do judiciário, como Sérgio Moro e Marcelo Bretas, concordou com o desgraçamento do judiciário, o que o enterrou na abertura da caixa preta da justiça.

 

Na outra ponta, afirmou que juízes com salário que passam de cem vezes o salário mínimo, sendo que o país conta com a imensa maioria tendo o mínimo como renda, demonstrou além da desumanidade e desconformidade com a necessidade de dar exemplo, apresentou imenso egoísmo e vaidade, ao aparecer na Globo em enfadonhas entrevistas. Além disso, não pautou os recursos contra o golpe de 2016, mostrando que estava de acordo com a queda de Dilma Rousseff, mesmo que isso tenha representado a destruição da ordem constitucional e jurídica do país.

 

Tudo isso cabe no discurso de sua posse, quando chamou atenção para o termo “presidenta”, como se isso valesse alguma coisa na moralidade vesga de sua administração do judiciário. Portanto, não cabe outra saída que não, afirmar se tratar da pior e mais desastrosa presidente da suprema corte. Cármen foi aquela que poderia não ter atrapalhado mas, manobrou para tornar o Brasil um país muito pior, e conseguiu. Não por acaso, de quebra, virou quadro decorativo de “puteiro” de luxo, em São Paulo.

 

 

09
Set18

Tirando o Rio do atraso! Marcia Tiburi governadora para promover a igualdade e os direitos humanos

Talis Andrade

O assassinato de Marielle Franco foi um "crime político da pior espécie"

 

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"Brasil, O Golpe: A Ópera do fim do mundo”, detalhe do painel de Flávio Tavares

 

 

Com o objetivo de discutir temas contemporâneos dos direitos humanos, o curso de Direito da Unijuí  realizou antes da campanha eleitoral o “1º Congresso Nacional Biopolítica e Direitos Humanos: refletindo sobre as vidas nuas da contemporaneidade”.

 

A palestra de abertura teve o tema “O ridículo político e outros problemas éticos e sociais da sociedade”, realizada por Marcia Tiburi, graduada em filosofia (PUC-RS) e artes (UFRGS) e mestre (PUC-RS, 1994) e doutora em filosofia (UFRGS, 1999). Publicou diversos livros de filosofia, entre elas as antologias As Mulheres e a Filosofia (Editora Unisinos, 2002), O Corpo Torturado (Ed. Escritos, 2004), e Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero (2008, Edunisc), Seis Leituras sobre a Dialética do Esclarecimento (2009, UNIJUÍ), entre outros.

 

De acordo com a palestrante, “Ridículo Político” é o título de uma das suas últimas publicações, livro que foi lançado no ano passado. “Nesta obra tento abordar um fenômeno de mutação política que está acontecendo no Brasil e no mundo. Muitos de nós estão perplexos com certos personagens no campo da política institucional e também no sentido mais amplo, na vida, no dia a dia, ruas, redes sociais. O Ridículo é tudo o que antes nos causava vergonha, e que hoje vem com uma espécie de capital, muitas vezes um discurso de ódio, de incitação da violência”, salienta.

 

“É muito importante que o campo do conhecimento, professores, pesquisadores, estudantes, escritores, intelectuais, desempenhem uma tarefa social, pública e histórica, que é produzir diálogo, fazer com que as pessoas pensem mais, se envolvam com política e se preocupem com termos como a democracia”, complementa Marcia Tiburi.

 

Para Marcia, o assassinato de Marielle foi "recado"

 

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"A impressão que eu tenho é que Marielle Franco foi assassinada para criar um exemplo, que serve tanto aos parlamentares mais críticos, como ela, e que estão numa posição indesejável para os donos do poder, aqueles que lutam por Direitos Humanos, aqueles que renunciam, aqueles que movem simbolicamente a população para um outro tipo de pensamento, antifascista, anticapitalista, antirracista, pelos direitos relacionados a gênero e sexualidade, como era o caso de Marielle", diz Marcia Tiburi em entrevista à RFI (veja vídeo).

 

"É um recado enviado aos parlamentares de esquerda", afirma Tiburi. "Mas é também um recado enviado à população: 'nós podemos matá-lo'. Para jovens negros e jovens negras, militantes, ativistas, juvenis, mirins... Há uma matança dos jovens negros nas favelas brasileiras no Rio de Janeiro. Não é à toa a intervenção militar, com um cunho 'espetaculoso' e que visa sinalizar simbolicamente para a situação quem é que manda. Marielle foi exterminada e sacrificada neste sentido", analisa.

 

"Marielle Franco representava muita coisa no Brasil, muita coisa no Rio de Janeiro, representava o pensamento mais crítico, a forma de fazer política mais desejável porque era uma jovem de 38 anos, negra, nascida na favela da Maré, que falava sobre Direitos Humanos e das causas mais importantes para o feminismo, o feminismo negro, uma lutadora da ação, da prática", analisa a filósofa e escritora.

 

Marcia Tiburi afirma que o assassinato da vereadora foi um "crime político da pior espécie". "É todo um projeto que envolve uma economia política que manda no Brasil hoje. Sabemos que vivemos na instauração de um neoliberalismo que tenta se aprofundar e que faz o Brasil retornar ao pior de sua própria História, sua escravização, hoje com a perda dos direitos trabalhistas, com a reforma da Previdência. Isso faz o Brasil voltar aos anos 1960, da ditadura militar", contextualiza.

 

"Os procedimentos de matar algumas pessoas para dar exemplos que servem para todos, para aqueles que têm algum desejo de transformação, é para acabar com a ideia de que a democracia é possível. E para acabar, evidentemente, com o propósito de um outro mundo possível, que é o que a esquerda no Brasil tem tentado levantar como possibilidade", critica.

 

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30
Ago18

Flávio Tavares pinta O Golpe

Talis Andrade

Artista paraibano coloca na tela os principais personagens do fim da nossa democracia

 

por Vinicius Souza

Jornalistas Livres

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Quer que desenhe como foi (e tem sido) o golpe de estado que tirou do poder uma presidenta que não cometeu crime algum e agora tenta impedir a eleição do maior líder popular da nossa história? O artista paraibano Flávio Tavares fez isso numa verdadeira obra de arte. Observe a cena toda e os detalhes nas fotos abaixo. E veja Aqui o artista explicando sua obra.

 

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29
Ago18

Flávio Tavares eterniza a tragédia do golpe em tela de três metros

Talis Andrade


Artista plástico paraibano expõe "Brasil, O Golpe: A Ópera do fim do mundo”

 

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por Cida Alves


Brasil de Fato | Quantas vezes a realidade é mais pitoresca ou terrificante que os sonhos e a fantasia? À pergunta que atravessa séculos, cabe aos artistas, que catalisam as tragédias humanas e as apresentam pelo seu próprio prisma.

 

Flávio Tavares, artista plástico paraibano, expôs no Sesc em João Pessoa (dia 27), um painel em óleo sobre tela, de três metros, contando a tragédia brasileira que culminou no Golpe e seus desdobramentos. Segundo o pintor “é uma carnavalização da linguagem gráfica, aonde eu pego todo o momento, o que eu senti pelo assassinato de Marielle, com essa figura bebendo água, greco-romana, no Rio Lete, o Rio do Esquecimento, e que tem o Hades, quer dizer o inferno grego da Divina Comédia, com Caronte no barco, e a luz ainda iluminando essa sessão de tortura da Dilma.”

 

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 O artista e sua obra 

 

Ele ressalta que a tortura da ex-presidente, na sua juventude, foi esquecida, assim como a morte da vereadora Marielle Franco já está caindo no Rio do Esquecimento. Alguns outros seres que habitam as mitologias, a sereia, o pássaro vermelho sendo ameaçado pelo que parece um Leviatã, tantas vezes evocado por Castro Alves no poema Navio Negreiro, também compõem um relato onírico da obra.

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Parte da tela quando o pintor retrata a ex-presidente Dilma e Marielle Franco / Paula Adissi

 

O painel tem algumas cenas importantes que se isolam e dialogam entre si. Em formato piramidal, na sua base temos O Banquete dos Poderosos, com a presença de Temer e várias figuras do judiciário, em especial o juiz Sérgio Moro se banqueteando avidamente, enquanto várias pessoas, miseráveis, esperam migalhas embaixo da mesa. Em pé, uma mulher negra servindo uma senhora fidalga, representando a elite brasileira, branca e impiedosa. Flávio destaca que o tema do painel é a injustiça “e os tantos tropeços que o Brasil tem dado em nome de um processo que eles estão chamando de Democracia, mas a gente vê que há uma transição forte ainda a se vivenciar para a gente ver isso acontecer.”

 

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Cena da obra quando é retratado o Superior Tribunal de Federal e seu papel no golpe / Paula Adissi

 

Vários anos atuando como chargista político delineiam a sua crítica política à atual história brasileira, profundamente marcada pela herança escravocrata, dramática e carnavalesca ao mesmo tempo: “eu procurei fazer uma coisa meio felliniana, meio circense, para não cair numa tragédia, porque realmente o ambiente que eu vivo é onde o humor suplanta o choro.”

 

Acima, ao centro da pirâmide, representando o poder em cima do povo, vemos a ama de leite segurando uma criança loura, e ao lado, a fera que ainda habita o Brasil. “Esse preconceito de raça e classe, esse ódio que se tem do povo, e essa representação aqui, tão bonitinha para quem gosta de Monarquia, mas extremamente perversa no mundo inteiro”, reflete o artista.

 

Logo atrás da ama de leite, nas sombras, como um sopro gelado da história, o pano de fundo da tragédia, vemos os traços de um pelourinho, uma pessoa amarrada a um poste. Flávio denuncia, no entanto, que isso aconteceu no Rio de Janeiro há pouco tempo. Destaque para o guardador de rebanhos ao lado esquerdo, que, serenamente, contempla a pomba da paz. “É a luta que estamos travando junto à ONU para soltar o Lula. Ao lado dele está o povo e os carneiros, é o guardador de rebanhos, O Peregrino.”

 

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Lula é retratado por Flávio Tavares como um pastor de ovelhas, "um peregrino" / Paula Adissi

 

 

Um personagem que pode passar desapercebido, mas que, no meio das centenas de referências, do fabulário nordestino aos clássicos ocidentais, bem no meio de todo o delírio dantesco, percebemos a (oni)presença da Casa Grande. Casa colonial, na sobriedade e riqueza do passado dos homens brancos e donos das almas. Um passado tão remanescente, às vezes até mais sofisticado, porém, perpetuando a história das atrocidades.

 

O pintor Flávio Tavares tem mais de 50 anos de carreira, já expôs em vários estados brasileiros e diversos países pelo mundo. Na ocasião da vernissage do painel sobre o Golpe, houve o lançamento do livro ‘A Linha do Sonho’, do Sesc Paraíba com várias de suas obras.

 

Mais informações sobre a exposição podem ser obtidas no Sesc Cabo Branco, que fica na Avenida Cabo Branco, 2788, Cabo Branco, na capital João Pessoa; ou pelo telefone (83) 3219-3400.

 

 

 

 

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