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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Mai21

“Estamos no final da pandemia”, mente Bolsonaro durante ato no Rio

Talis Andrade

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Funcionários de hospitais denunciam a falta de sedativos para intubação de pacientes com Covid no RJ

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse, durante ato pró-governo no Rio de Janeiro neste domingo (23/5), que o país está no final da pandemia de Covid-19, apesar de dados oficiais indicarem que tem havido aumento no número de óbitos. Bolsonaro também afirmou que a manifestação o anima e traz autoridade para ele agir em nome do povo.

20
Fev21

Daniel Silveira expõe oito bolsonaristas

Talis Andrade

 

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por Altamiro Borges

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O futuro do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) ainda está indefinido. Cassação do mandato, cadeia por longo tempo ou impunidade? Mas sua prisão já teve um efeito prático. A Mesa Diretora da Câmara Federal determinou a reativação imediata do Conselho de Ética para tratar do seu caso e de outros deputados encrencados. 

A retomada dos trabalhos da Comissão de Ética – que estavam suspensos há quase um ano sob a desculpa da Covid – pode levar até à indicação de cassação dos mandatos de parlamentares que respondem a representações no colegiado. Caso isso ocorra, a última palavra caberá ao plenário da Câmara Federal. 

Há nove deputados com ações contra os seus mandatos. Destes, não por acaso, oito são bolsonaristas hidrófobos, metidos à valentes e sem qualquer compostura: Daniel Silveira, Bibo Nunes (PSL-RS), Filipe Barros (PSL-PR), Alê Silva (PSL-MG), Carlos Jordy (PSL-RJ), Carla Zambelli (PSL-SP), Coronel Tadeu (PSL-SP) e Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) – o filhote 03 do presidente da República. 

A companhia da deputada Flordelis

O deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA) é o único que não compõe formalmente a milícia. Há também acusações de quebra de decoro que ainda não foram formalizadas no Conselho de Ética. A mais famosa é a da deputada-pastora Flordelis dos Santos (PSD-RJ), também bolsonarista, acusada de ser a mandante do assassinato de seu marido, o pastor Anderson do Carmo. 

No geral, há representações por discursos de ódio, difusão de fake news, organização e financiamento de manifestações contra a democracia e incitação à violência. O próprio PSL – partido com oito dos nove nomes em análise no conselho – ingressou com pedido contra seis deputados filiados à legenda. 

A representação foi por quebra de decoro devido à exposição de conversas entre o chefão da sigla, Luciano Bivar, e o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). O próprio Daniel Silveira, agora preso por ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), já estava com pedido de punição em análise no Conselho de Ética. 

Em 2021, o PSL voltou a representar contra 20 parlamentares que declararam apoio à eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara Federal. O partido integrou a base de apoio à candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP), mas os bolsonaristas votaram no líder do Centrão por ordens do "capetão".

28
Mai20

Inquérito contra fake news abala Carluxo

Talis Andrade

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por Altamiro Borges

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Batizado de pitbull pelo “paizão” presidente, Carlos Bolsonaro – ou Carluxo para os mais íntimos – deve estar miando. Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal realizou na quarta-feira (27) várias operações no âmbito do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura os crimes das fake news. 

Ao todo, foram 29 mandados de busca e apreensão que podem revelar como funciona e quem financia a fábrica de mentiras e o chamado "gabinete do ódio", que é liderado pelo vereador Carluxo Bolsonaro.

A relatora da CPMI das fake news, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), já solicitou que o STF compartilhe as provas colhidas. “Teremos agora novos elementos que ajudarão a desmontar essa rede de ódio, inverdades e impunidade que vem ameaçando a própria existência da democracia". 

Em dezembro, uma bolsonarista arrependida, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), já havia revelado à CPMI das fake news que os filhotes de Bolsonaro comandavam a ação criminosa nas redes sociais. Agora, com as apreensões da Polícia Federal, as provas contra os mimados filhotes do presidente poderão vir à tona.

Além disso, as provas colhidas no inquérito do STF ainda poderão influenciar o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que analisa supostos crimes cometidos na campanha de Jair Bolsonaro em 2018. “Elas podem colocar em dúvida a lisura do escrutínio”, explica Eugênio Aragão, advogado do PT no caso. 

Alexandre de Moraes já ordenou a quebra de sigilo bancário e fiscal dos empresários bolsonaristas que financiaram a difusão de fake news entre julho de 2018 e abril de 2020. A investigação do período de campanha eleitoral pode revelar o esquema milionário e criminoso que elegeu o fascista Jair Bolsonaro.

Os empresários investigados no inquérito

- Luciano Hang. O patético e espalhafatoso dono da rede de lojas Havan é hoje um dos bolsonaristas mais ativos do país. Ele é amigo íntimo do presidente, que inclusive já lhe prestou alguns favores palacianos. No caso específico das fake news, o “véio da Havan” aparece em várias postagens com suas roupas ridículas e suas postagens de ódio. Ele tem cerca de 4,5 milhões de seguidores nas redes sociais. 

Recentemente, através do portal transparência do Facebook, descobriu-se que ele aumentou a propagação de convocatórias para os atos que aconteceram em Brasília em 15 de março contra o Congresso Nacional e STF. A operação de busca e apreensão contra o empresário fascista se deu em sua casa e escritório em Brusque, Santa Catarina.

- Edgard Corona. Dono da milionária rede de academias Smart Fit, o fascistinha trocou mensagens nas redes sociais confessando que pretendia impulsionar vídeos no Facebook contra o Congresso Nacional e em defesa do laranjal de Bolsonaro. Em fevereiro, a Folha revelou algumas mensagens que sugerem que o empresário financiou as redes bolsonaristas de fake news. A operação da PF foi realizada em sua mansão em São Paulo. 

- Otávio Fakhoury. O investidor Otávio Fakhoury virou alvo das operações por ter declarado, em um grupo de WhatsApp, que financiaria caminhões de som nas manifestações fascistas de 15 de março. “Não vou deixar esses canalhas derrubarem esse governo”, afirmou na ocasião o prepotente ricaço. A operação de busca e apreensão foi realizada em sua casa e escritório em São Paulo.

Os difusores de ódio e de fake news

- Allan dos Santos. O blogueiro aloprado edita o site Terça Livre, um dos mais hidrófobos da internet. Na fase recente, o principal alvo de suas baixarias tem sido o STF. No início de maio, por exemplo, ele postou uma foto em frente ao prédio do Supremo apontando o dedo do meio. “Não podia deixar de dar minha opinião sobre quem rasga a Constituição”, escreveu na legenda. Em janeiro, Allan do Santos foi intimado para depor no inquérito, mas não compareceu. “Enquanto esse inquérito infantil continuar, nada que provenha dele terá minha submissão”, esbravejou o valentão no Twitter.

- Bernardo Küster. O youtuber baba ódio nas redes sociais. Em abril, ele divulgou em seu canal do YouTube uma teoria da conspiração que afirmava que o STF estaria aparelhado pelo Foro São Paulo, uma organização que reúne partidos de esquerda da América Latina. No vídeo, o maluco jurou que a suspensão da nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal seria a prova da ligação dos ministros do STF com o Foro São Paulo. Ele também afirmou que o Supremo estaria escondendo os mandantes da facada em Bolsonaro. 

- Sara Winter. A ativista Sara Geromini é a líder do grupo terrorista “300 do Brasil” que está acampado em Brasília desde o início de maio. O Ministério Público do Distrito Federal já classificou o grupelho de “milícia armada”. Através das redes sociais, a provocadora Sara Winter prega a realização de atos de vandalismo contra o presidente da Câmara Federal e os ministros do STF. 

Após a operação de busca e apreensão em seu apartamento em Brasília, a fascistinha desafiou Alexandre de Moraes em vídeo na internet: “Eu queria trocar soco com esse filho da puta arrombado... Pena que ele mora em São Paulo. Se estivesse aqui, eu estava lá na porta da casa dele, convidando ele para trocar soco comigo... Você me aguarde, Alexandre de Moraes. O senhor nunca mais vai ter paz na vida. A gente vai infernizar a tua vida. A gente vai descobrir os lugares que o senhor frequenta. A gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham para o senhor. A gente vai descobrir tudo da sua vida, até o senhor pedir para sair”.

Os parlamentares bolsonaristas

- Bia Kicis. A procuradora aposentada e deputada federal pelo PSL do Distrito Federal é uma fascista convicta. Pelas redes sociais, ela vive atacando os pilares da democracia e sugerindo intervenção militar. Na segunda-feira (25), por exemplo, ela acusou o ministro Celso de Mello de ter “um plano para abalar a confiança” dos eleitores de Bolsonaro. Não apresentou qualquer prova – como geralmente ela procede. 

- Carla Zambelli. A deputada federal pelo PSL de São Paulo é hoje uma das principais estafetas de Bolsonaro. Ela até rompeu com seu padrinho de casamento, Sergio Moro. Recentemente, afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan que “acredita” que Alexandre de Moraes tem ligação com o PCC – mas não apresentou qualquer evidência. 

- Cabo Junio Amaral. O deputado federal pelo PSL de Minas Gerais tem participado dos atos fascistas pelo fechamento do Congresso e do STF. Ao saber que seu nome aparecia no inquérito, ele ainda provocou nesta quarta-feira (27): “Repudio com veemência essa clara ilegalidade. Com a ‘credibilidade’ que eles [o Supremo] gozam, vão me promover e mais nada”, disparou no Twitter.

- Daniel Silveira. O deputado federal pelo PSL do Rio de Janeiro ficou famoso ao quebrar a placa da vereadora assassinada Marielle Franco. Pelo Twitter, ele vive disparando notícias falsas e convocando atos contra a democracia. No final de abril, por exemplo, ele participou de protesto em Brasília contra Rodrigo Maia.

- Douglas Garcia. O deputado estadual pelo PSL de São Paulo impulsionou convocatórias para atos fascistas. Pelo Facebook, um assessor do parlamentar confirmou que pagou para aumentar a propagação das mensagens. Em um vídeo, o deputado também aparece berrando e xingando os ministros do STF. Outro deputado estadual do PSL-SP que está arrolado no inquérito é o provocador Gil Diniz.

- Filipe Barros. O deputado federal pelo PSL do Paraná adora destilar veneno nas redes contra os ministros do Supremo. Ele também já se referiu a alguns membros do Ministério Público Federal como gângsteres.

- Luiz Philippe de Orléans e Bragança. Deputado federal pelo PSL de São Paulo e descendente dos imperadores Pedro 1º e Pedro 2º, o monarquista detesta a democracia. 

- Roberto Jefferson. O ex-deputado federal e atual presidente do PTB, famoso corrupto que só saiu da cadeia por benevolência da Justiça, virou um bolsonarista convicto. Na verdade, é um velhaco oportunista. Portando fuzil em foto no Twitter, ele agora resolveu atacar o STF. Em entrevista recente à Rádio Gaúcha, ele afirmou que o Supremo estaria arquitetando um golpe contra Bolsonaro. E rosnou: “A toga não é mais forte que o fuzil”.

 

27
Fev20

Petardo: Fascistas querem fechar o Congresso

Talis Andrade

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por Altamiro Borges

Após o general-gagá Augusto Heleno propor um "foda-se" ao Congresso Nacional, grupos fascistas convocam ato pela dissolução do parlamento e do STF. Deputados bolsonaristas, incluindo os filhos do "capetão", reforçam a convocatória. Cadê os presidentes da Câmara, Senado e STF? 

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O ato fascista é apoiado por seis parlamentares bolsonaristas: Carla Zambelli (PSL-SP), Filipe Barros (PSL-PR), Guiga Peixoto (PSL-SP), Aline Sleutjes (PSL-PR), Delegado Éder Mauro (PSD-PA) e Soraya Thronicke (PSL-MS)". Por ser contra a Constituição, todos deveriam ser cassados! 

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Na semana passada, diante das ameaças que já fediam no ar, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que "nenhum ataque à democracia será tolerado pelo Parlamento". Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), detonou o general Heleno, um "radical ideológico". Só isso, porém, não basta!

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Do site da revista Veja: "Regina Duarte adere à convocação de protesto contra o Congresso". Pelo seu Instagram, a ex-artista global postou uma montagem em que manifesta seu apoio ao “Gen Heleno/Cap Bolsonaro” e esbraveja: “O Brasil é nosso. Não dos políticos de sempre. Nas ruas”. 

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Regina Duarte também reproduz um vídeo patético em que o "capetão" é bajulado como “cristão, patriota, capaz, justo e incorruptível”. E ainda teve artista que acreditou que a namoradinha do fascismo poderia arejar a Secretaria Especial da Cultura e tornar-se uma voz pela democracia. 

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Época informa que o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) pretende convocar ainda para esta semana reunião com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, e dez outros líderes partidários para discutir o apoio de Bolsonaro ao ato fascista contra o Congresso. 

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"Temos que parar Bolsonaro! Basta! As forças democráticas têm que se unir agora. Já! É inadiável uma reunião de forças contra esse poder autoritário. Ou defendemos a democracia agora ou não teremos mais nada para defender em breve", conclama Alessandro Molon em notinha da 'Época'. 

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O "foda-se" à democracia proposto pelo ato fascista gerou críticas até de milicos. O general Santos Cruz, ex-ministro do laranjal, criticou a "má-fé" no uso das imagens do gagá Augusto Heleno e do vice-presidente, general Hamilton Mourão, na convocação da manifestação golpista. 

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Na semana passada, os partidos de oposição protocolaram pedido de convocação do general Augusto Heleno, que é ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Agora é urgente juntar outras forças, numa ampla frente, para acuar os golpistas e defender a democracia.

 

27
Fev20

Bolsonaro se diz perseguido pela imprensa. Mas Band, SBT, Record e Rede TV estão ao seu lado.

Talis Andrade

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por João Filho
The Intercep

JAIR BOLSONARO GOSTA de se colocar como perseguido pela imprensa brasileira. Todos os dias ele está na frente do Planalto atacando jornalistas sob os aplausos de fanáticos sempre dispostos a puxar seu saco. Mas o fato é que o governo e uma parte importante da imprensa estão de mãos dadas.

Pelo menos quatro emissoras de TV têm abdicado de fiscalizar o poder para se prestar ao papel de assessoria de comunicação do governo. No desfile de Sete de Setembro, Bolsonaro convidou para o camarote de autoridades os donos do SBT, Record e Rede TV — três empresas que estão bastante satisfeitas com o desempenho da extrema direita no poder. A tática governista é acusar a Globo de perseguição, enquanto paparica outras emissoras.

Motivos para isso não faltam. O governo mudou a lógica da distribuição de verbas publicitárias para as TVs abertas. Antes, o critério era distribuir mais verbas para as maiores audiências. Agora, simplesmente não há mais nenhum critério objetivo. O governo decide a seu bel prazer como se dará a distribuição.

A Globo, que tem a maior audiência, passou a receber menos que Record e SBT, emissoras que estão afinadas com o bolsonarismo desde a campanha eleitoral. A emissora recebeu 48,5% das verbas publicitárias em 2017. Em 2019, 16,3%. No mesmo período, a Record passou de 26,6% para 42,6%, enquanto o SBT passou de 24,8% para 41%. As verbas destinadas à campanha pela reforma da previdência, da qual a Globo ficou de fora, se concentraram em 91% para Record, Band e SBT. Os apresentadores prediletos de Jair Bolsonaro, como Ratinho e Datena, foram escolhidos para divulgar a campanha.

A promiscuidade da relação entre redes de TV e o bolsonarismo já começa na figura do empresário que comanda a Secom, Fábio Wajngarten. Ele, que é o responsável pela distribuição de verbas de publicidade, é sócio de uma empresa que recebe mensalmente dinheiro das mesmas emissoras de TV e agências que são clientes do governo. Wajgarten disse que consultou a CGU sobre o possível conflito de interesses antes de assumir a pasta, o que é mentira. A própria CGU afirmou que não foi consultada. São os critérios subjetivos desse sujeito que norteiam a distribuição das verbas publicitárias do governo.

As quatro emissoras queridinhas do governo têm se revezado em estender o tapete vermelho para o bolsonarismo desfilar. Além de entrevistas exclusivas — todas, sem exceção, desviando das perguntas mais espinhosas —, Bolsonaro e seus parentes vira-e-mexe aparecem nos programas de auditório dessas emissoras, sempre muito felizes e descontraídos, muito diferente dos cães raivosos nos quais se transformam quando são confrontados pelo jornalismo.

No SBT, a adulação ao governo de extrema direita é explícita. Na semana passada, Sílvio Santos determinou a volta do programa Semana do Presidente, criado nos anos 70 para bajular os presidentes da ditadura militar. Ratinho, que tem um filho governador aliado de Bolsonaro, nunca perde uma oportunidade para levantar a bola do governo federal em seu programa de entretenimento. O apresentador, que sempre tratou de política em seus programas com viés anti-esquerdista, jamais perde a chance de puxar o saco do presidente. Antes mesmo de Bolsonaro tomar posse, Ratinho dedicou um bom tempo do seu programa para atacar jornalistas que criticaram a escolha dos ministros. Coincidência ou não, durante o mandato o apresentador do SBT recebeu, sozinho, quase R$ 1 milhão do governo federal em troca de elogios à reforma da previdência.

A fidelidade canina da Record ao projeto da extrema direita já é mais do que conhecida. O bilionário Edir Macedo colocou até a Igreja Universal na campanha eleitoral de Bolsonaro e hoje coloca o jornalismo da emissora para engraxar as botinas do ex-capitão. A Record é hoje a emissora que mais recebe verbas do governo. O crescimento do faturamento publicitário da Record junto à Secom no primeiro trimestre do ano passado foi de 659%, valor já considerando a variação da inflação no período. O fato da emissora do bispo ter se tornado praticamente a casa oficial da extrema direita brasileira na TV não chega a surpreender.

Na Band, os apresentadores Datena, cotado para ser prefeito de São Paulo com apoio de Bolsonaro, e Milton Neves, amigo particular da família de Fábio Wajngarten, também engordaram seus cofres com dinheiro de propaganda do governo federal. Esses apresentadores populares realmente não têm do que reclamar da extrema direita no poder.

Milton Neves@Miltonneves

Fábio Wajngarten, de amarelo, foi fundamental para Bolsonaro!

Ver imagem no Twitter

Os donos da Rede TV, que recebeu um aumento exponencial de verbas do governo federal, têm se mostrado bolsonaristas fiéis e atuantes. Marcelo de Carvalho, que é sócio, vice-presidente e apresentador de programas da emissora, tem atuado como um aguerrido militante. Deve ser apenas uma coincidência o fato desse apoio ter vindo depois do governo aumentar exponencialmente as verbas da emissora.

Como se já não bastasse a visibilidade que o então deputado Jair Bolsonaro ganhou durante anos no Superpop, agora o próprio dono da emissora sai em defesa do seu governo. No desfile de Sete de Setembro, que assistiu ao lado do presidente, o dono da Rede TV praticamente confessou indiretamente a sua vassalagem ao falar sobre as costumeiras quebras de protocolo do presidente durante o desfile: “acho muito bonito. É um resgate da aproximação entre o governante e a população”.

Mas Carvalho foi bem mais longe que isso. Ele tem seguido à risca um mandamento sagrado da cartilha bolsonarista: atacar jornalistas que ousam criticar o governo. O empresário foi ao Twitter chamar de “ataque” uma reportagem sobre o escancarado conflito de interesses de Wjangarten na Secom. Ou seja, temos aqui um barão da mídia endossando a narrativa bolsonarista que coloca o presidente como um perseguido pela mídia. Fez isso para defender a permanência no cargo de um empresário que tem sido muito generoso com a sua emissora.

Marcelo de Carvalho@MarceloCRedeTV

O Ataque da Folha a Fábio Wajngarten é um exemplo do porque gente de bem em sua grande maioria não ingressa no governo. Então ficamos por tantos anos com lixo, gente sem moral, desqualificados e incompetentes. Obviamente com algumas louváveis exceções.

 

Carvalho também fez questão de se posicionar sobre o ataque de Hans River à jornalista Patrícia de Campos Mello. Claro que ele seguiu o que manda o bolsonarismo e chamou de “ïmpecável” uma narrativa que já era comprovadamente mentirosa.

Marcelo de Carvalho@MarceloCRedeTV

Impecável impecável narrativa do @filipebarrost sobre a tentativa da Folha de melar a eleição quase certa de @jairbolsonaro e esconder que a fábricação de mensagens era na verdade do PT. LEIAM O THREAD TODO vale a pena. https://twitter.com/filipebarrost/status/1227699790185746434 

Filipe Barros@filipebarrost
 

Segue minha análise da matéria da @camposmello na @folha:

1. A narrativa que a Folha de S. Paulo tenta emplacar agora, de modo a parecer que não mentiu, é dizer que a matéria à qual Hans River se referiu era a de 2 dezembro de 2018, quando, na verdade, a primeira matéria 👇🏻

 

Mas o melhor presente que a Rede TV deu para Bolsonaro foi colocar o pernambucano Sikêra Júnior em rede nacional. Ele é um apresentador que cobre o mundo cão e que foi forjado na escola Datena de jornalismo — aquela que ajudou ao longo dos anos a disseminar a ideologia reacionária que hoje embala a extrema direita no poder. Sikêra usa a surrada fórmula televisiva que mistura jornalismo sensacionalista com humor vulgar. Esse modelo de programa infesta as tardes na programação televisiva do país. Além de reforçar diariamente a ideologia do “bandido bom é bandido morto”, o humor e o jornalismo do apresentador só trabalham com viés anti-esquerdista.

Assim como seu patrão, Sikêra não se furta em defender Bolsonaro das críticas da imprensa. A defesa do governo não é discreta, mas ostensiva. Em programa de outubro do ano passado, dedicou boa parte do programa repercutindo a narrativa bolsonarista e detonando a Globo.

Assim que o apresentador foi alçado à condição de nova estrela nacional da programação da Rede TV, a família Bolsonaro passou a compartilhar seus vídeos nas redes sociais. No começo deste mês, Eduardo Bolsonaro compartilhou um vídeo em que o apresentador comemora a morte de criminosos que trocaram tiros com a polícia.

Eduardo Bolsonaro🇧🇷@BolsonaroSP
 

Sikera 1.000 vezes! https://twitter.com/Ivanavanab/status/1224855672803811329 

Ivana 🇧🇷🇮🇱🧂🐸👉🏻@Ivanavanab
 

Noticiando a morte de um bandido em rede nacional:

GLOBO vs. SIKERA JÚNIOR

Entendeu porque o @sikerajr é um sucesso?!
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣#AlertaNacional

Vídeo incorporado

Depois foi a vez do presidente da República compartilhar outra vulgaridade de Sikêra. Cumprindo o script bolsonarista de ataque às minorias, o apresentador acusa duas mulheres lésbicas, que ainda eram apenas suspeitas, de terem matado uma criança. Ele ainda usou o fato para debochar das esquerdas e da luta contra a homofobia, usando termos conhecidos do glossário bolsonarista.

Jair M. Bolsonaro@jairbolsonaro

- Para onde estávamos indo...
- @sikerajr

Vídeo incorporado
 

Passado mais de um ano de mandato, a relação do governo de extrema direita com as emissoras de TV não poderia estar melhor. Tirando a Globo, que parece ser o único canal que pode dizer que está fiscalizando o governo Bolsonaro, mas que não chega perto daquela volúpia vista contra outros governos. Apesar de ter virado a grande algoz do governo na boca dos bolsonaristas, a agenda ultraliberal de Paulo Guedes acalma os ânimos da Família Marinho.

A relação promíscua entre o governo e as emissoras de TV não é uma questão de opinião, mas um fato confirmado pelo caso Wajgarten. Os empresários de TV estão com tanta moral com o presidente, que nessa semana se juntaram para pressioná-lo a dar mais verba. Wjangarten organizou uma reunião para que os empresários pudessem convencer Bolsonaro a voltar com os lucrativos sorteios de prêmios na TV. E convenceram. O presidente já está articulando uma medida provisória para atender o pedido dos seus aliados.

Os barões da mídia estão contribuindo para a naturalização e a consolidação do projeto bolsonarista de destruição da democracia. É importante lembrar que as TV operam sob uma concessão pública, mas desenham sua programação para atender interesses privados e difundir uma ideologia reacionária. Quando Bolsonaro disser que é perseguido pela mídia, lembre-se que quase todas as grandes emissoras da TV aberta estão ao seu lado. E lucrando muito com isso.

moro olavo tv globo pato fiesp bolsonaro TUTUBARAO

 

21
Fev20

Bolsonarismo atende Heleno e convoca atos contra o Congresso: "foda-se"

Talis Andrade

247 - Manifestações contra o Congresso Nacional e em apoio ao "foda-se" do general Augusto Heleno estão sendo convocados por líderes bolsonaristas em todo o país para o próximo dia 15 de março.

Há dois dias, o chefe do GSI, general de pijama do Haiti e Tróia, foi flagrado com esta ofensa-ameaça ao Congresso. "Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se", disse Heleno, que participou de uma  cerimônia no Palácio da Alvorada.

Os bolsonaristas correram em seu apoio. A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) saiu a público em apoio ao general, "Deixem o general Heleno trabalhar em paz". E torpedeou a ideia de que ele seja convocado pelo Congresso Nacional.

Um dos líderes bolsonaristas que convocam a manifestação contra o Congresso é, paradoxalmente, um deputado federal, integrante do movimento Direita Paraná. O deputado Filipe Barros (PSL-PR) postou em seu twitter uma foto do general fardado e com senho franzido diante do Congresso Nacional cercado por bolsonaristas para convocar a manifestação.

No tweet, ele diz que a "pauta única" do protesto será o apoio ao governo Jair Bolsonaro em confronto com o Congresso.

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15
Fev20

Petardos: As revistas e a morte do miliciano

Talis Andrade

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por Altamiro Borges

Capa da 'Veja', uma das revistonas que ajudou a chocar o ovo da serpente fascista no país: "O que ele sabia? Fotos do miliciano Adriano da Nóbrega mostram que os tiros contra o ex-capitão do Bope foram dados à curta distância, fortalecendo a suspeita de 'queima de arquivo'”. 

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Capa da revista IstoÉ, também apelidada de QuantoÉ nos meios jornalísticos: "Queima de arquivo. A execução do miliciano Adriano da Nóbrega, cujas ligações com a família Bolsonaro se tornaram evidentes, abre um novo capítulo nas investigações". 

 

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Capa da 'CartaCapital', a única revista semanal que nunca compactuou com a onda fascistizante no país: "Morto não fala. Abatido em circunstâncias estranhas, o ex-PM Adriano da Nóbrega era uma prova de que o Brasil tem um presidente miliciano". 

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A revista Época relata que João Doria, o ambicioso tucano que sonha com a presidência, decidiu vender o seu jatinho particular por temer o desgaste eleitoral. "O governador de SP havia comprado a aeronave com financiamento do BNDES e se tornou alvo de críticas de Bolsonaro pela operação". 

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Segundo a matéria, a aeronave Legacy 650 de prefixo PR-JDJ - referência às iniciais de João Doria Jr. - foi vendida por cerca de US$ 10 milhões. "Ela é equipada com Wi-fi, cobertura global para ligações e tela de alta definição... Com motores potentes, o jato atinge até 987 km/h". 

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Ainda de acordo com a Época, o jatinho de João Doria "foi adquirido a juros subsidiados... Em agosto do ano passado, BNDES divulgou lista de 134 contratos para financiamento de jatos da Embraer, num total de R$ 1,921 bilhão. No caso de Doria, o empréstimo foi de R$ 44 milhões". 

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Sem alarde, a Época até admite que o "Luciano Huck também foi beneficiado com o programa... O subsídio do BNDES custou R$ 693 milhões em valores corrigidos. Após a divulgação, o presidente Jair Bolsonaro acusou Doria de 'mamar' na era PT e o chamou de 'amigão do Lula e da Dilma'". 

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O "marreco de Maringá" segue omisso sobre a morte de Adriano da Nóbrega, o miliciano ligado ao clã Bolsonaro. Até Elio Gaspari, da Folha, ironiza a desculpa do ministro para ter excluído o bandido da lista de criminosos mais procurados do país. "Conta outra, doutor”, debocha. 

*** 

Quem também critica o ex-juiz Sergio Moro é o jornalista Juan Arias, do diário espanhol El País. “Como explicar o silêncio do ministro da Justiça até agora sobre a morte do importante miliciano, quando em outras ocasiões parabenizou a polícia por suas ações contra a violência”? 

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Nota na Folha revela que a operação que resultou na morte de Adriano Nóbrega teve conhecimento prévio do Ministério da Justiça. “Dias antes da ação, uma das secretarias da pasta de Sergio Moro sondou a possibilidade de apoio de um helicóptero e alguns efetivos". Haja coincidências! 

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O site UOL informa que os deputados Filipe Barros (PSL-PR) e Coronel Tadeu (PSL-SP) surgem como administradores de grupos de WhatsApp onde são compartilhadas fake news e ataques contra integrantes do Congresso e do STF. Eles são da tropa de choque do "capetão". Eles serão punidos, Moro? 

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Paulo Guedes, o parasita do capital financeiro bajulado pela mídia rentista, é tão fascista e escroto quanto Bolsonaro. O próprio Estadão registra: "Guedes critica dólar baixo: 'Empregada doméstica indo pra Disneylândia. Peraí'". O sujeito é a típica expressão da cloaca burguesa! 

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Milhões de desempregados. Milhões nas filas do INSS. Milhões sem o Bolsa Família... E bilhões para os banqueiros. Itaú Unibanco informa que seu lucro líquido somou R$ 28,4 bilhões em 2019, alta de 10,2% em relação a 2018. O Brasil é o inferno do povão e o paraíso dos banqueiros! 

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Os ricaços - que bancaram o golpe contra Dilma, que levou ao poder a quadrilha de Michel Temer e resultou na vitória eleitoral do "capetão" fascista - realmente não têm do que reclamar. Além dos banqueiros, os diretores das corporações empresariais estão ganhando muita grana. 

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Pesquisa da KPMG com 223 megaempresas no Brasil aponta que seus diretores ganharam em média R$ 2,8 milhões em 2019. Já a remuneração anual dos conselheiros de empresas subiu de R$ 426 mil em 2018 para R$ 541 mil em 2019. Essa cloaca ama Bolsonaro, como atestam várias pesquisas.

 

13
Fev20

Insulto misógino contra jornalista reafirma relevância de reportagem

Talis Andrade

Desde o início de seu mandato, o próprio Bolsonaro coleciona ataques à imprensa, na maioria das vezes contra mulheres jornalistas

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por Maria Carolina Trevisan

Na falta de elementos para contestar reportagem da “Folha de S.Paulo” sobre envio em massa de notícias falsas na campanha eleitoral de 2018, Hans River do Rio Nascimento mentiu e usou de artifícios sórdidos para destruir a credibilidade da jornalista Patrícia Campos Mello, uma das melhores e mais premiadas repórteres investigativas do país. A situação fica ainda mais grave quando a insinuação é reverberada por deputados como Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Carlos Jordy (PSL-RJ) e Filipe Barros (PSL-PR). Ao insultar a repórter em sua condição de mulher – como se seu corpo fosse objeto de troca –, Hans e os deputados ratificam a relevância da reportagem. E mostram que, contra fake news, a melhor arma é o jornalismo de qualidade.

Desde o início de seu depoimento na CPMI das Fake News na Câmara dos Deputados nesta terça (11), o músico Hans River do Rio Nascimento demonstrou desgosto por ter se envolvido na reportagem. Teve uma postura displicente e respondeu de maneira imprecisa às perguntas formuladas pelos deputados. Não soube informar, por exemplo, o nome do diretor da empresa onde trabalhou, seu chefe direto, segundo ele. Tampouco conseguiu dizer a quantidade de mensagens enviadas, o que era parte de seu trabalho. “Era produto grande, não era qualquer coisinha, não.” Focou-se em tentar mostrar que foi explorado pela empresa Yacows, o que não era objeto da comissão.

Hans pareceu estar ali para se vingar. “A ‘Folha de S.Paulo’ acabou com meu nome. O prejuízo que essa jornalista me deu é um absurdo”, afirmou. Disse que não conseguiu mais emprego depois que a reportagem foi publicada e que não consegue pagar pela insulina que precisa. Culpou o jornal e a jornalista por uma situação criada pela empresa que o contratou – e que foi aceita por ele. Demonstrou e verbalizou estar “irritado”.

Foi aí que apelou. “Vou deixar mais claro, mas muito mais claro: ela queria sair comigo, eu não dei interesse para ela. Ela parou na porta da minha casa e se insinuou para entrar na minha casa com propósito de pegar a matéria, ela se insinuou para entrar, eu disse que não poderia entrar na minha casa, ela queria ver o meu computador. Não era parte do meu interesse a pessoa querer determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção.”

Pesa também contra Hans uma acusação de ameaça de morte da mãe de sua filha, que afirma que ele já quis “estrangulá-la”. A reportagem teve acesso ao Boletim de Ocorrência. Ele alega que a acusação seria inverdade e fruto de ciúme por ele ter uma nova companheira.

O cenário misógino estava colocado desde o início da sessão. A relatora da comissão, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), advertiu colegas parlamentares para que parassem de dizer que ela estava “nervosa”, na tentativa de desqualificá-la. “Toda vez que uma mulher fala e que um homem se dirige a ela dizendo que está nervosa, há um componente muito grave”, afirmou. É um comportamento típico do homem machista, como se a mulher fosse histérica ou louca ou estivesse afogada em hormônios e fosse incapaz de se controlar. É abjeto. O que se seguiu após a audiência foi também um show de machismo por parte de parlamentares e seguidores bolsonaristas.

É repugnante que se apele a isso. Mas não chega a ser uma surpresa. Desde o início de seu mandato, o próprio presidente Bolsonaro coleciona ataques à imprensa, na grande maioria das vezes contra mulheres jornalistas. A tentativa de intimidar profissionais da imprensa tem sido uma prática sistemática. Tanto é que entidades em defesa da liberdade de expressão solicitaram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA um pedido de audiência temática sobre as violações neses sentido promovidas pelo Estado Brasileiro. A CIDH-OEA acolheu o pedido e a audiência ocorrerá em 6 de março, em Porto Príncipe, no Haiti. É a primeira vez que uma audiência sobre o tema será realizada no âmbito da OEA.

“Os recentes ataques à jornalista Patrícia Campos Mello são mais uma demonstração do grave cenário de ataques sistemáticos à liberdade de expressão que vivemos no país. Além disso, é abominável recorrer ao discurso machista, misógino de forma inescrupulosa como fizeram Eduardo Bolsonaro e o Hans River por ocasião da reunião da CPMI das Fake News”, afirma a jornalista Renata Mielle, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, uma das instituições que pediram audiência à OEA.

“A falta de respeito com o papel da mulher no exercício de sua profissão, o assédio moral que tenta intimidar as mulheres é algo infelizmente recorrente na nossa atividade como jornalistas e em outras profissões. O que o governo e seus seguidores pretendem com esses ataques é calar as vozes dissonantes, é desqualificar o jornalismo. Desde a posse de Bolsonaro há uma explosão de situações de censura.” O que preocupa é o efeito cascata que dá salvo conduto para que outros políticos e poderes atuem violando a liberdade de expressão e ameaçando repórteres mulheres. A atuação da imprensa livre é um dos pilares que sustenta a democracia, bastante fragilizada neste momento.

O fato de autoridades respaldarem o comportamento desrespeitoso da testemunha faz com que outras pessoas se sintam à vontade para cometer violações contra mulheres e contra jornalistas. “O temor é que isso chancele a liberdade de atuação de repórteres mulheres, o risco aumenta”, alerta Maiá Menezes, conselheira fiscal da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Se, ao contrário, parlamentares condenassem esse tipo de atitude, não seria tão fácil cometer agressões dessa natureza.

“A verdade factual não conforta, mas desafia. Os fatos não são amigos. Não são acolhedores. Não são espelho. Os fatos são da ordem do que diferem, do que dissente e, por isso mesmo, cumprem o pape de servir como contrapeso da intolerância. Os fios demandam diálogo entre subjetividades que se hostilizam. Tecem a dimensão vital da política: a dimensão do diálogo”, escreveu Eugênio Bucci em “Existe democracia sem verdade factual?”, editora Estação das Letras.

O fato é que as mulheres são maioria nas redações, assim como somos maioria na sociedade. Não deixaremos de dar furo, de buscar a melhor reportagem, com ética e responsabilidade. Contra tudo isso, oferecemos o melhor jornalismo.

 

 

 

13
Fev20

Hans River é alvo de queixa-crime por mentir na CPMI das fake news

Talis Andrade

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Por Gabriel Valery

RBA

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News contou com uma atuação especial da bancada bolsonarista na sessão de ontem (11). Os deputados ligados ao presidente não fizeram questionamentos, apenas defenderam o depoente Hans River do Rio Nascimento, que comprovadamente mentiu sobre diversos temas.

Já na sessão de hoje, que recebeu dirigentes de empresas de telecomunicações e órgãos de regulamentação do setor, não apareceu ninguém da extrema-direita. Mesmo sem os bolsonaristas, as afirmações de Hans seguiram elevando a temperatura do debate na Casa. Uma série de parlamentares, incluindo a relatora da comissão, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), anunciou que entrará na Justiça contra Hans.

Além de mentir na CPMI, o que é crime, Hans difamou e fez ataques misóginos contra a jornalista da Folha de S.Paulo Patrícia Campos Mello, responsável por reportagem que revelou sua atuação na empresa Yacows, ligada ao disparo em massa de fake news durante as eleições de 2018. A profissional foi convidada para falar no Congresso sobre o tema na próxima terça-feira (18).

“A jornalista que foi aqui atacada contestou ponto por ponto as acusações feitas pelo depoente. Isso constitui, no mínimo, uma possibilidade de testemunho falso. Nessa situação comunico que a Comissão deveria tomar um posicionamento. Vamos encaminhar uma representação ao Ministério Público por falso testemunho”, disse Lídice.

Hans disse que Patrícia teria oferecido favores sexuais em troca de informações, fato que foi prontamente desmentido pela jornalista em matéria da Folha, com provas, como as fotos das telas de conversas entre os dois. A ofensa baixa foi, imediatamente após dita, abraçada por um dos filhos do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que ecoou a mentira tanto em suas redes sociais como na tribuna do Parlamento. Eduardo já fora delatado na CPMI como um dos principais articuladores de fake news durante o último processo eleitoral.

Efeito Bolsonaro

A deputada Natalia Bonavides (PT-RN), que ajudou a desmascarar as mentiras de Hans na sessão anterior, definiu a atitude do depoente como “representação do desrespeito com que o governo Bolsonaro trata a imprensa e os jornalistas”, disse, ao apontar as atitudes de bolsonaristas como tática de “desqualificar quem expõe os escândalos”.

“O filho do presidente prontamente reproduziu e buscou amplificar as mentiras do depoente com objetivo cristalino de tentar desqualificar uma jornalista que fez um trabalho serio e que expôs o submundo da campanha do Bolsonaro (…) Como foi contra mulher, tinha que ter crueldade, de objetificação, sexualização. Um machismo canalha a Patrícia foi vítima”, completou.

Mais escândalos

Afeto de Bolsonaro durante o período eleitoral, o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) fez duras críticas ao contexto da CPMI. Antes da base do governo, Frota se distanciou após ser vítima das fake news do bolsonarismo. “Esse é o reflexo de ter no poder o Bolsonaro. Um caso sistêmico de um governo do mal, hipócrita”, disse.

O deputado direcionou suas críticas à bancada do PSL que defendeu Hans. “Corja de mentirosos, falsos moralistas e hipócritas que estavam aqui ontem. Inconsequentes e covardes (…) Assistimos a um sujeito tendencioso, mentiroso, um falso moralista engraçadinho que fez graça com quem aqui estava. Um covarde chamado Hans River que atacou a jornalista Campos Mello, que fez da CPMI um circo, aplaudido por aquela turma da Disney que fica aqui”, disse.

Entre os defensores de Hans, está o deputado Filipe Barros (PSL-SP). Um dos bolsonaristas mais extremistas, Barros foi alvo de uma nova denúncia da Folha. O parlamentar, pessoalmente, é administrador de grupos de WhattsApp que disseminam fake news e mensagens de ódio contra parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos grupos, ainda há espaço para fake news sobre o coronavírus, mensagens homofóbicas, teorias da conspiração e mensagens religiosas.

“Junto aos ataques e fake news, as mensagens compartilhadas trazem principalmente defesas e elogios a integrantes do governo federal e intensa campanha para coleta de assinaturas para a criação do novo partido de Bolsonaro”, afirma a matéria, assinada por Aiuri Rebello.

Sobre mais este flagrante de disseminação de fake news por grupos bolsonaristas, o senador Humberto Costa (PT-CE) cobrou ações. “Parlamentares, inclusive integrantes dessa CPI, são administradores de grupos de WhatsApp que são especializados na divulgação de notícias falsas, inclusive sobre parlamentares, membros do STF, presidentes da Câmara e do Senado. Algo incompatível com o decoro parlamentar. Estamos entrando com representação junto ao Conselho de Ética contra o parlamentar que faz parte dessa CPI e é um dos administradores deste grupo”, disse.

 

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27
Jul19

Portaria 666. "Até o número indica, não é algo razoável. É muito grave"

Talis Andrade

adnael- hacker.jpgpor Eduardo Maretti, da RBA

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“A Portaria 666, e parece que até o próprio número já indica, não é algo razoável. É muito grave. Eu penso que – com a manifestação da ABI, de jornalistas e advogados como um todo – isso não deverá dar em nada, porque seria um despautério (ação absurda, tolice), um retrocesso”, afirma o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, sobre a portaria que “regula o impedimento de ingresso, a repatriação, a deportação sumária, a redução ou cancelamento do prazo de estada de pessoa perigosa”, assinada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, e cujo alvo principal é o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept Brasil.

Para o criminalista, a portaria “é um desaforo, partindo de um ministro da Justiça”. “Cada vez mais ele perde as condições de continuar como ministro. É parcial, assim como foi enquanto juiz, e agora ele quer usar a estrutura do Estado, como usou a do Judiciário, para tentar atingir as pessoas que evidentemente têm a proteção constitucional do Direito e da plena liberdade do exercício do jornalismo”. Ele acrescenta: “Acredito que eles não vão tomar nenhuma providência contra o jornalista Glenn, até porque seria um escândalo internacional, com repercussão muito negativa”.

Em sua opinião, o ministro da Justiça teve o apoio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para “fazer grandes absurdos”. “Mas ele está começando a entender que hoje não tem o apoio das pessoas que pensam neste país”.

“Há mais de dois anos eu dizia das dificuldades que esse cidadão teria se ocupasse um cargo político. Quando ele disse que ia assumir o Ministério da Justiça, dei uma entrevista ao Estadão onde dizia que ele teria um fim melancólico. E acho que ele infelizmente não tem a dimensão do que é ser ministro da Justiça”, afirma Almeida Castro.

Já o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, de acordo com a colunista Mônica Bergamo, afirmou que o ex-juiz e atual ministro da Justiça “usa o cargo, aniquila a independência da Polícia Federal e ainda banca o chefe de quadrilha ao dizer que sabe das conversas de autoridades que não são investigadas”. Em nota pública sobre a Portaria 666, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) afirmou que “considera inconstitucional e um abuso de poder”.

Na última quinta-feira (25), a Folha de S. Paulo publicou reportagem na qual revela que Moro avisou autoridades supostamente vítimas de hackers e que as mensagens relacionadas a eles precisariam ser destruídas. O argumento é a preservação da privacidade. Nesta sexta, em outra reportagem, o jornal informa ter contratado uma perícia que mostra “uma série de elementos de autenticidade” na gravação de áudio atribuída ao procurador da República Deltan Dallagnol, da Operação Lava Jato.

A informação sobre destruição de provas levou o ex-ministro e ex-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) a sugerir que o ministro de Bolsonaro deve ser preso. “É um dos casos clássicos de prisão preventiva: art.312 do código de processo penal: destruir provas… onde este senhor pensa que está?”, escreveu o pedetista.

Do outro lado, o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) não perdeu tempo. Com a portaria 666 já em vigor, ele protocolou nesta sexta, na Procuradoria Geral da República (PGR), um pedido de prisão temporária de Glenn Greenwald para “melhor apuração dos fatos”, que, segundo ele, implicam o jornalista como coautor de “crimes informáticos” contra Moro e Dallagnol.

Governo atabalhoado

justiça mordaça abuso da lava jato.jpg

 

Para Kakay, o governo de Jair Bolsonaro “demonstra ser cada vez mais atabalhoado”.  “O presidente nem se diz. Muitas vezes ele se porta como se não tivesse noção da dignidade do cargo que exerce. E o atual ministro Moro, que enquanto juiz decepcionou a todos com uma postura absolutamente parcial, agora recorre a argumentos como essa portaria”.

O PT anunciou, nesta sexta-feira (26), uma ação no Supremo Tribunal Federal e uma representação na Procuradoria-Geral da República contra as ações de Moro, por “flagrante abuso de autoridade”, nos termos da Lei  4.898/65.

Em postagem no Twitter, o Psol questiona: “Até onde Moro pode ir?” De acordo com a legenda, o ministro “age como chefe de quadrilha”. Acrescenta que Moro perpetra “uma sequência de atentados à democracia: destruição de provas, ameaças, mentiras…”

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