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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Jul21

O “comovido” da 45

Talis Andrade

 

 

por Fernando Brito

- - -

A promotora Maria Paula Machado de Campos, que disse não ver crime nas ameaças do empresário bolsonarista José Sabatini – que postou um vídeo dizendo que o ex-presidente iria “ter problemas” se não devolvesse “84 bilhões” que teria “roubado” de fundos de pensão – deveria ser submetida a um teste.

Deveria ser posta a assistir um vídeo em que alguém, com uma pistola 45, a chamasse de filha da p… e em seguida desse uns tapinhas na arma e em seguida disparasse seguidamente sobre alvos e dizer, ao final, se aquilo era ou não uma ameaça.

É evidente que esta senhora está deixando que suas posições políticas façam aceitar um ato que, não fosse contra Lula, seria crime. E, portanto, a exemplo de muitos integrantes do MP e do Judiciário, transformou seu cargo em militância política abjeta, que deveria (há poucas esperanças disso) sem punido disciplinarmente.

A desculpa da Dra. Maria Paula é de fazer corar um frade: trata-se, segundo ela, de “livre manifestação de pensamento”. E que é normal que Sabatini tenha “se deixado comover pelo atual momento político do país”, talvez porque postada em redes sociais do empresário atulhadas de manifestações de apoio ao atual presidente.

Talvez coubesse outro teste para a promotora: será que eu posso gravar um vídeo chamando Jair Bolsonaro de fdp, segurando uma 45 e dizendo que se ele não devolver o dinheiro das rachadinhas, ele vai ter problemas?

Aquela senhora diz que não fá no processo “nenhum elemento que nos permita concluir que o querelado [Sabatini] tinha consciência de que a imputação feita ao querelante [Lula] era falsa”. Não precisaria haver, doutora, porque a lei independe de que seu transgressor dela saiba, mas há.

Sabatini diz, na defesa que apresentou, que a indenização de R$ 50 mil – mais que razoável, em se tratando de um empresário com recursos para comprar armas e treinar pontaria em um stand de tiro – é pedida pelo desejo de “enriquecer”. Ora, se Sabatini acusa alguém de ter “roubado” R$ 84 bilhões, como pode acusá-lo, também, de pretender “enriquecer” com R$ 50 mil?

O que acontece, porém, é que a promotora está, na prática, incentivando a ameaça armada e pública, quando – será que isso lembra alguém – que a convicção e o ódio político justificam a ilegalidade.

Vá “fazer arminha” fora dos autos, doutora.

 

26
Jul21

Recado dado, recebido e acerto feito na República de Rio das Pedras

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

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Não se fique achando que Fabrício Queiroz, na postagem em que reclama do “abandono” em que a família Bolsonaro o deixou, está pensando em disparar alguma coisa de sua “metralhadora”, a qual disse estar “cheia de balas”.

post é só uma reação aos contatos rompidos e à ajudas cessadas, e já recebeu o “carinho” que buscava, em nome do pai, dos filhos e de espíritos nada santos.

Tanto que já se saiu com a resposta típica da malandragem bolsonarista, dizendo que era “isca para pescar petista”.

É só olhar sua página no Facebook e ver que ela é bolsonarismo puro, inclusive com deboches sobre os perigos da pandemia.

Queiroz é fiel e sabe que terá de “assinar” sozinho a extorsão das “rachadinhas”, embora seja óbvio que não as fazia para si.

E que, embora queira a proteção a que acha ter direito, não fará nada que lhe dê o destino horizontal do seu amigo miliciano Adriano da Nóbrega.

Mais inacreditável que uma suposta intenção de Queiroz em falar do que se passou – a arcar com as consequências disso – é o fato de que as chantagens e composições mafiosas rolem soltas assim, padrão Chicago anos 30, enquanto a Justiça e o Ministério Público discutem se deixam um caso tosco e evidente como esse ficará em banho-maria ou será totalmente congelado.

Cobranças e acertos são feitos assim, à luz do dia, com apenas um filó de “casualidade” a cobrir as vergonhas que são.

E mais, com o advogado do próprio presidente da República a sugerir a uma repórter que investiga o caso que se ela trabalhasse “na China não iriam encontrar seu corpo”.

Quem sabe não mudamos o nome do país para República Federativa de Rio das Pedras?

24
Jul21

Papéis falsos entregam banditismo na compra da Covaxin

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

- - -

No Estadão, a revelação das falsificações grosseiras nos documentos entregues ao Ministério da Saúde pela Precisa, intermediária da compra da vacina indiana Covaxin, é mais que bastante para saber que aquela não foi uma negociação normal, mas uma picaretagem bilionária que não poderia ter avançado dentro do governo brasileiro.

“Colar” arquivos de texto criados pela Precisa sobre documentos da Bharat Biotech, aproveitar carimbos, com erros grosseiros de grafia, tudo isso é estarrecedor e, obviamente, criminoso em si mesmo.

É estranho que o Ministério da Saúde, em tese enganado por estes expedientes sujos, não tenha reagido. Só a Anvisa que, diante da anulação da autorização da Precisa, disse que que está reavaliando o”pedido de autorização de uso emergencial e um protocolo para condução de pesquisa clínica no país” feitos por ela em nome da Bharat Biotech.

Mas como é que estes aventureiros da Precisa chegaram à empresa indiana e financiaram o envio de emissários para Nova Deli e Hyderabad, cidade onde fica a fábrica de vacinas?

A história, se bem apurada, vai se ligar à compra das doses por empresas privadas, entre elas clínicas de vacinação que firmaram contratos com a Precisa e pagaram adiantado por isso.

Era fácil de prever isso, quando se começou, dentro do Congresso a se discutir a badalada “intenção de ajudar” de empresas privadas que queriam comprar doses – que no mundo inteiro, pelos fabricantes de vacina, só eram negociadas com governos – para vacinar seus trabalhadores, “doando” uma parcela ao SUS, que adiante, seriam pagas pelo poder público.

Era picaretagem, e isso era possível ver meses antes de ser consumada, quando um grupo de empresários anunciou que estaria comprando 33 milhões de doses para distribuir entre seus funcionários e doações ao SUS.

Quando esta mutreta, que chegou a ser aprovada na Câmara, empacou no Senado, os negócios se deslocaram para que ofertas milionárias e obscuras fossem feitas ao Governo brasileiro, por uma vasta fauna de intermediários: empresários “amigos”, “representantes”, um reverendo e até um cabo da PM.

Podem estar certos de que negócios deste valor não são feitos por funcionários de quarto escalão ou trambiqueiros rastaqueras. Eles podem estar dando a cara aos negócios, mas não são os “big boss”.

Fechar o cerco sobre os falsários da Precisa pode abrir o caminho para que sejam revelados estes esquemas, que são bem maiores do que crê a nossa ingenuidade diante de bandidos.

 

19
Jul21

A ‘rachadinha” logística na Saúde.

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

A CPI da Covid entrou em recesso até o dia 3 de agosto, mas os escândalos não estão de férias.

Reportagem do UOL publicada esta madrugada dá conta de que está sendo investigado um suposto esquema corrupção nos contratos entre o Ministério da Saúde e a VTCLog, uma empresa de logística que assumiu a distribuição de medicamentos e outros insumos médico-hospitalares públicos.

No centro da trama estariam Roberto Ferreira Dias e seu padrinho político, Ricardo Barros, líder do governo e dois outros políticos, de nome não revelados, que receberiam, somados, 10% de um contrato que custou, em cinco anos, R$ 592.733.096,15 aos cofres públicos. Seriam, assim, R$ 988 mil mensais de “comissão” dos quais caberiam R$ 98 mil a Dias e R$ 296 mil a cada um dos três políticos.

Há informações de que os outros nomes seriam Ricardo Barros, Arthur Lira, Ciro Nogueira e, a partir de 2019, Flávio Bolsonaro.

Barros era ministro da Saúde no governo Temer e desmontou a Cenadi – Central Nacional de Armazenagem e Distribuição de Imunobiológicos – que era o setor do Ministério que fazia este serviço e privatizou a operação, numa licitação sem a participação dos Correios, cuja competência para a tarefa seria natural.

Todos os sigilos fiscais, telefônicos, telemáticos e patrimoniais dos diretores da VTCLog foram quebrados, por requerimento de Randolfe Rodrigues.

Barros, claro, nega qualquer irregularidade.

O assunto vai evoluir esta semana e respingar mais no governo.

 

18
Jul21

Ele voltou, o ‘sem noção’ voltou novamente

Talis Andrade

 

leite-bozo.jpg

 

 

 

por Fernando Brito

- - -

Bem disposto e bem falante, Jair Bolsonaro saiu do hospital, em São Paulo, com novos anúncios imprudentes e espetaculares.

Já de cara, sua cura velocíssima deveu-se, “talvez à viagem, talvez o sacolejar da ambulância ou a um milagre de Deus”. Pra quê medicina, né?Image

Depois, disse que, depois da obesidade, a maior causa de morte por Covid é o “medo, o pavor”. Isto é, psicológica.

Disse que vai procurar o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para que o Ministério da Saúde invista na promessa de uma Cloroquina- Parte II, a proxalutamida, medicamento em teste para tratamento de câncer, sobre o qual não existe nenhuma publicação científica atestando sua eficácia para o combate à Covid-19.

Não para Bolsonaro, porém. A lado do pastor Waldomiro Santiago, aquele que vendia feiões mágicos que eliminavam o novo coronavírus, o presidente garantiu que “estudou” documentos dos Centers for Diseases Control and Prevention, o CDC norte-americano e já concluiu que temos a cura para a pandemia.

Depois da baboseira farmacêutica, passou a discorrer sobre suas teorias a respeito da corrupção. Disse que, como Eduardo Pazuello estava sem paletó e gravou um vídeo cumprimentando os picaretas que foram vender vacinas Coronavac que não existiam, isso prova que não havia corrupção porque “quando [se] fala em propina, é pelado dentro da piscina”.

Espetacular. Imagina-se que o próximo a prometer acabar com a corrupção vá mandar aterrar todas as piscinas do país.

E, no final, ainda disse que o “fundão” eleitoral de R$ 5,7 bilhões saiu porque colocaram “uma casca de banana” na Lei de Diretrizes Orçamentárias, como se não tivesse sido na maior parte a sua base – e inclusive seus filhos – quem aprovou, contra o voto dos partidos de oposição.

Bolsonaro não vai mudar e, ao contrário, vai subir o tom de suas sandices e charlatanismo.

É mais fácil o feijão do Santiago curar a Covid do que o bom-senso curar Bolsonaro.

Image

18
Jul21

Ele voltou, o ‘sem noção’ voltou novamente

Talis Andrade

 

 

 

 

por Fernando Brito

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Bem disposto e bem falante, Jair Bolsonaro saiu do hospital, em São Paulo, com novos anúncios imprudentes e espetaculares.

Já de cara, sua cura velocíssima deveu-se, “talvez à viagem, talvez o sacolejar da ambulância ou a um milagre de Deus”. Pra quê medicina, né?Image

Depois, disse que, depois da obesidade, a maior causa de morte por Covid é o “medo, o pavor”. Isto é, psicológica.

Disse que vai procurar o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para que o Ministério da Saúde invista na promessa de uma Cloroquina- Parte II, a proxalutamida, medicamento em teste para tratamento de câncer, sobre o qual não existe nenhuma publicação científica atestando sua eficácia para o combate à Covid-19.

Não para Bolsonaro, porém. A lado do pastor Waldomiro Santiago, aquele que vendia feiões mágicos que eliminavam o novo coronavírus, o presidente garantiu que “estudou” documentos dos Centers for Diseases Control and Prevention, o CDC norte-americano e já concluiu que temos a cura para a pandemia.

Depois da baboseira farmacêutica, passou a discorrer sobre suas teorias a respeito da corrupção. Disse que, como Eduardo Pazuello estava sem paletó e gravou um vídeo cumprimentando os picaretas que foram vender vacinas Coronavac que não existiam, isso prova que não havia corrupção porque “quando [se] fala em propina, é pelado dentro da piscina”.

Espetacular. Imagina-se que o próximo a prometer acabar com a corrupção vá mandar aterrar todas as piscinas do país.

E, no final, ainda disse que o “fundão” eleitoral de R$ 5,7 bilhões saiu porque colocaram “uma casca de banana” na Lei de Diretrizes Orçamentárias, como se não tivesse sido na maior parte a sua base – e inclusive seus filhos – quem aprovou, contra o voto dos partidos de oposição.

Bolsonaro não vai mudar e, ao contrário, vai subir o tom de suas sandices e charlatanismo.

É mais fácil o feijão do Santiago curar a Covid do que o bom-senso curar Bolsonaro.

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15
Jul21

Flávio não foi ao hospital para assistir Emanuela?

Talis Andrade

por Fernando Brito

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Faz sucesso na internet o “fora” que a senadora Simon Tebet deu em Flávio Bolsonaro durante a sessão desta quarta-feira da CPI da Covid, onde era ouvida Emanuela Medrades, peça chave na história da compra da vacina indiana Covaxin.

O vídeo está aqui.

De fato, chamou a atenção, mas deveria chamar mais atenção o fato de Flávio ter comparecido – e permanecido por horas – à reunião de uma comissão da qual não é membro titular ou suplente e, portanto, não pode falar senão ao final da tarde, depois de todos os integrantes, no mesmo dia em que seu pai, Jair Bolsonaro, era internado às pressas, com uma obstrução intestinal inflamada e um litro de líquido no diafragma.

Desde a manhã, Flávio plantou-se no plenário, interferindo, provocando. Do pai, soube pelo médico que “passou o telefone para meu pai, ele ainda estava meio grogue, disse que ia ficar tudo bem”.

O cuidado do pai – e a furiosa postagem de tweets – ficou por conta de Carlos Bolsonaro, justamente aquele que, em meio de semana, deveria estar no Rio de Janeiro, cumprindo seu mandato de vereador.

Seria falta de amor filial ou, ao contrário, uma demonstração de quanto a família cuida de si que Flávio, indiferente ao perigo pelo qual passava Jair, permanecesse ali no plenário, bem visível a Emanuela que, da figura frágil e descontrolada de terça-feira, assumia a mais ousada e desafiadora personagem já ouvida na CPI?

Na terça-feira, o governismo havia sumido da CPI e sequer um senador governista se manifestou . Ontem, todos eles estavam presentes, combativos, sem deixar passar uma e tumultuando quando se evidenciavam situações suspeitas.

Se estivesse escrevendo um romance policial – e alguém duvida que está se escrevendo um romance policial no drama da vacinação no Brasil? – diria que a presença de Flávio Bolsonaro seria a “assinatura” de um compromisso com a depoente, que já não se sentiria só e abandonada.

Nas famílias mafiosas, o amor filial é a fidelidade nos negócios do clã.Image

 
12
Jul21

Ladrões de galinha dentro da saúde

Talis Andrade

por Fernando Brito

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É inacreditável o grau de picaretagem que campeava dentro do Ministério da Saúde na gestão de Eduardo Pazuello.

O ex-diretor de Logística do órgão, Roberto Ferreira Dias, diz que o cabo PM Luiz Paulo Dominghetti, bolsonarista que lhe ofereceu no restaurante nada menos que 440 milhões de doses da vacina Astrazêneca era um “picareta”.

Nisso ele tem razão e para defender-se diz que seus contatos para avaliar o negócio era o representante da Davati Medical Supply, norteamericana que seria a fornecedora dos imunizantes era feito apenas com o sr. Cristiano Alberto Hossri Carvalho, representante oficial da birosca gringa que teria acesso às vacinas.

Só que Cristiano, dono de pelo menos duas empresas de representação e consultoria, revela hoje o site Poder360, recebeu no ano passado, R$ 4.200 em nove parcelas do auxílio emergencial pago a pessoas em situação de pobreza no ano passado.

É este o nível rastaquera dos golpistas que voejavam em torno de reverendos, gestores e coronéis da equipe de Eduardo Pazuello.

Investigar e castigar gente que se mete nisso é motivo para a cúpula militar do país ameaçar as instituições?

Ou corrupto bolsonarista está protegido?

09
Jul21

Servidor derruba mentiras de Onyx, da Precisa e de Bolsonaro

Talis Andrade

Documento 'falso' está no sistema do MS. Portanto, é real - TIJOLAÇO

 

por Fernando Brito

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O consultor William Amorim Santana, técnico da Divisão da Importação do Ministério da Saúde levou as “invoices” (notas fiscais internacionais) de importação da vacina Covaxin e derrubou, inapelavelmente as versões apresentadas pelo ministro Onyx Lorenzoni (e do coronel e assessor Élcio Franco) de que era falso o documento que o servidor Luís Ricardo Miranda e seu irmão, o deputado Luís Miranda dizem ter apresentado ao presidente da República; e são inverídicas as alegações da empresa Precisa de que só teria chegado a primeira “invoice” no dia 22 de março, dois dias depois do encontro dos Miranda e, finalmente, a alegação de Bolsonaro que teria determinado a Eduardo Pazuello que verificasse irregularidades e este repassado a ordem a Élcio Franco, à época seu Secretário Executivo, que teria concluído que estaria tudo “normal”.

Os documentos, embora ainda tenham de ser periciados, são demolidores e evidenciam que o documento existe nos arquivos do Ministério – embora este esteja evitando enviá-los à CPI – e que, na correria para oferecer respostas às denuncias, o governo prendeu o pé numa armadilha da qual terá dificuldades em escapar. Mesmo que tenha sido apagado do “Dropbox” (site de transferência de arquivos, bastará acionar os administradores do aplicativo e os “logs” de acesso poderão esclarecer tudo.

A Precisa, pior ainda, enviou uma declaração falsa à CPI – e ao “jornalismo amigo” do SBT – uma declaração falsa de que só enviou o primeiro documento de fatura no dia 22, quando o havia feito no dia 18, como William provou, com e-mails oficiais. É crime de falsidade ideológica, sem qualquer tipo de saída possível. Vai ter, também, de explicar que “anuência da Secretaria Executiva”” é aquela a que a empresa se refere ao encaminhar, atrasado, o pedido inicial para a expedição de licença de importação das vacinas.Image

E Bolsonaro, que não consegue responder à pergunta sobre ter ou não dado a declaração de que a Covaxin era “um rolo do Ricardo Barros”, como alegam os irmão Miranda, ficou agora sem a desculpa de que mandou Pazuello (e este a Franco) que, claro, teria de ir direto ao Departamento de Importação, onde trabalham William e Luís Ricardo Miranda, que continuaram trabalhando, sem serem inquiridos de nada.

A fraude está se materializando de forma escandalosa.

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08
Jul21

Demissão escancara “Reverendogate”

Talis Andrade

Ex-diretor da Saúde Lauricio Monteiro Cruz e reverendo Amilton Gomes de Paula

 

por Fernando Brito

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Algumas balizas para pensar.

O veterinário Laurício Cruz, que acaba de ser demitido pelo Governo do Ministério da Saúde, era um indicado de Eduardo Pazuello, pois foi nomeado já em sua gestão, para ocupar a vaga do epidemiologista Julio Croda, da Fiocruz.

O lugar, em plena pandemia da Covid-19, não era de pouca importância: o cargo de diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde representa a chefia do Plano Nacional de Imunização, isto é, a aplicação de centenas de milhões de doses das vacinas por todo o Brasil.

Alguém com essa missão não pode alegar que poderia acreditar que o tal Reverendo Amilton Gomes de Paula tinha na algibeira 400 milhões de doses, em tese o suficiente para imunizar todos os brasileiros acima de 18 anos com as duas doses necessárias.

Mas Laurício deu a mão ao pastor e a um major da FAB, Hardaleson Araújo de Oliveira, e foi, com um séquito de coronéis, levando-o por caminhos em que se cogitava até de uma reunião com o presidente da República.

Sabe-se que ontem cedo o governo tentou patrocinar um acordo entre os representantes de Ricardo Barros e do centrão e as “forças especiais” de Pazuello, comandadas pelo coronel Élcio Franco.

Mas não se sabe a razão de, logo depois da encrenca causada pela ordem de prisão de Roberto Ferreira Dias, ter sido tomada a decisão de atirar rapidamente ao mar Laurício Cruz.

Não vai demorar para se saber, também, porque há um clima de salve-se quem puder na guerra das baratas que assolava o Ministério da Saúde.

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