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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

17
Mai22

Folha, o ataque não é à urna, é ao voto!

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

- - -

A Folha publica hoje, em primeira página, um editorial em defesa do sistema eletrônico de votação brasileiro, pretenso alvo de Jair Bolsonaro.

Muito bem, exceto pelo fato de que deixa de dizer a seus leitores o que é, de fato, o alvo do atual presidente.

É o voto, não a urna eletrônica.

Não é “uma ofensiva estúpida contra uma valiosa conquista nacional “, até porque há, em muitos países, votação física e apuração eletrônica, sem prejuízo algum à lisura das eleições.

A ofensiva estúpida – mais que isso, criminosa – é contra a vontade popular e é isso que explica a agressão ao sistema eleitoral pelo qual se e elegeu, na última e em tantas outras eleições que disputou como sindicalista militar.

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O que incomoda Jair Bolsonaro não é a fraude, mas a verdade eleitoral, que ameaça tirá-lo – e à sua prole – não apenas do lucrativo mercado da política mas colocá-lo e aos seus ao alcance da responsabilização criminal pelo que fez e faz aos brasileiros.

A questão não é, como se escreve no editorial, afirmar que “os terminais digitais captaram tanto a ascensão do PT nos anos 2000 quanto a onda direitista e antipolítica de 2018” ou se há simpatia ou não por eles na opinião pública, mas a de que Bolsonaro pode, com uma desvantagem pequena nas urnas, brandir o argumento da fraude em favor de uma fraude, imposta a poder de armas e balbúrdia.

Não é “não há fraude”, mas “não à fraude” o que precisa ser dito aos brasileiros.

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15
Mai22

Na TVT, o fantasma verde-oliva de Bolsonaro

Talis Andrade

FERNANDO BRITO - YouTube

por Fernando Brito

Compartilho com os leitores um trecho de minha participação no programa Bom para Todos, da TVT, no qual falo das ameaças de Jair Bolsonaro de usar as Forças Armadas para interferir no processo eleitoral.

Bolsonaro diz que o presidente do TSE está “vendo fantasmas” ao pensar nesta possibilidade. Nós todos estamos vendo, e um fantasma verde-oliva.

12
Mai22

Bolsonaro incita o ódio à Petrobras que ele comanda

Talis Andrade

 

 

bomba vaccari.jpeg

por Fernando Brito 

Jair Bolsonaro é um terceirizador de culpas.

Quer agora atirar a culpa da inflação galopante na Petrobras que, diz ele, está “obesa” e indiferente aos sofrimentos da população.

E que, por isso, deve ser privatizada a toque de caixa, ao menos no mundo da distorção mental desta gente que, com o povo sem poder comprar comida, diz que o mais importante é que todos comprem uma (ou duas, ou três) pistolas 9 mm.

Conta com que as pessoas sejam idiotas a ponto de achar que não é de Bolsonaro uma empresa na qual ele indica o presidente, os conselheiros e os diretores não segue a política que ele deseja.

Não é só uma cortina de fumaça para a fuga de suas responsabilidades, porém, como não foi a história do “a economia não poder parar” para expor os brasileiros às quase 700 mil mortes que a pandemia causou e causa ainda.

É uma forma de fazer ser aceito o que ele o que ele deseja, criando ódios que levem as pessoas à irracionalidade, condição necessária para que possa avançar com políticas que, de outra forma, soariam inaceitáveis.

De que outra forma se faria aceitável um discurso que defendesse vender aos estrangeiros o nosso petróleo, ou todos poderem andar armados, ou derrubar a mazônia, ou converter os povos indígenas a peões de latifundiários ou garimpeiros ilegais?

Bolsonaro precisa da irracionalidade como combustível de sua máquina mortífera, como os linchamentos precisam que a razão seja abduzida das multidões, para que os antes pacatos cidadãos se disponham a espancar e pisotear um ser humano.

O transe é parte inseparável de seu projeto, como o foi do nazifascismo há quase um século.

E o transe agora, é o de que o golpe contra as eleições travista-se de “defesa da democracia”.

Quem normaliza a loucura, quem diz que ela é só marketing, quem acha que as instituições da democracia impor-lhe-ão limites, querendo ou não, vira seu cúmplice.

Porque há uma chance de detê-lo à nossa frente. Desperdiçá-la, tergiversar, omitir-se é deixar que avance este projeto de morte do Brasil e dos brasileiros.

 
Reinaldo Azevedo
Vai ter golpe? Se tiver, será tão mequetrefe quanto o golpista e seus apoiadores. E não vai durar.
Como é que alguém que se diz ferrenhamente liberal é bolsonarista?
Uma Petrobras privatizada faria o combustivel ser mais barato? 

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01
Mai22

Janio: a condenação da ONU também é à mídia

Talis Andrade

 

 

por Fernando Brito

- - -

Janio de Freitas, na Folha, honra o seu papel de decano da crônica política brasileira e chama a atenção para a necessário, ainda que quase completamente ausente, reconhecimento pela imprensa brasileira da condução abusiva que Sergio Moro deu aos processos contra Lula na Lava Jato, agora condenados por quem não pode ser acusado de interesses políticos ou simpatias pelo ex-presidente: o Comitê Internacional de Direitos Humanos da ONU.

E não é, essencialmente, com Lula que os meios de comunicação e os profissionais de jornalismo estão em dívida, mas com o país e a verdade que, pelo seu engajamento na obra de destruição de democracia que realizou e que, nos dias de hoje, mostra-se a planta carnívora e fétida que estamos vendo assolar o Brasil e que todos tememos não conseguir destruir pelo voto antes que ela nos destrua pela força.

Retiro um trecho da crônica do mestre, demolidora em sua firme serenidade:

Os desvios de conduta judicial e pessoal estavam até na imprensa, apesar de tão discretos quanto possível. Eram inúmeros juristas e advogados sempre prestigiados pelo jornalismo a advertir, sem descanso, para a ocorrência de cada perversão praticada por Moro e por Deltan Dallagnol. Em vão.

Vigorava, em nome do jornalismo, um dos componentes mais deploráveis do acontecimento escandalosamente histórico que foi, ainda é, a distorção da escolha eleitoral de um presidente da República.

Tudo o que houve por ação ou influência da Lava Jato de Curitiba só foi possível pela força do ambiente criado por imprensa e TV combinadas.

Os então editores de primeira página, de telejornais e seus chefes, acompanhados da quase totalidade dos comentaristas profissionais, colunistas e editorialistas, tiveram protagonismo decisivo.

A maioria, no mínimo, consciente das irregularidades a que dava apoio. E do que fazia o Moro a quem aplaudia. Assim está configurada uma dívida monstruosa com o país dos últimos oito anos, desmoralizado, mais degradado do que nunca e aturdido na obscuridade do seu futuro.

São esses protagonistas os que cobram autocrítica —de Lula.

Altamiro Borges: Lula, Nicarágua e o cinismo da Folha

28
Abr22

Caso Lula na ONU: os leitores puxam o rabo da Folha

Talis Andrade

lula no topo por Vaccari.jpeg

 

 

por Fernando Brito

- - -

Houve um tempo em que as campanhas publicitárias da Folha de S.Paulo diziam que o jornal só tinha “rabo preso com o leitor”, para marcar sua independência noticiosa.

É um bom mote para que o ombudsman do jornal explique a razão do jornal ter dado com atraso de 24 horas a notícia de que o Comitê de Direitos Humanos da ONU ter dado ganho de causa ao e-presidente Lula e decidido que os processos movidos contra ele foram conduzidos com parcialidade e abusos.

Jamil Chade, correspondente do grupo (no UOL) deu a matéria ontem, por volta do meio-dia e diversos veículos, entre eles o Tijolaço, a replicaram (com créditos a ele, claro).

A Folha só hoje publicou a informação, às 9 e meia da manhã e, depois, outro texto em que se descrevia a ação do governo brasileiro para que o julgamento do Comitê, apenas no site. No jornal impresso, nada.

Apesar de ter saído sem destaque, é a matéria mais lida da versão online.

E com mais de uma centena de assinantes a comentando, a grande maioria se queixando do tratamento do jornal à notícia.

Reproduzo o que dizem alguns:

Parei de assinar esse jornal por este comportamento, na condenação do Lula fez manchetes garrafais e agora dá noticia quase que escondida e ainda com título absurdo.
Essa notícia é a número um no “mais lidas” da Folha, mesmo tendo uma manchete que esconde o verdadeiro conteúdo da notícia e sem receber o destaque que merece. Foi golpe, esse jornal foi cúmplice.
Caros, caberia aos veículos de comunicação, incluindo a FOLHA, fazer uma reportagem de capa com esse julgamento da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Após anos atacando o presidente Lula, seria de bom tom dar visibilidade às ações que o inocentam e explicitam o Lawfare contra o mesmo, com ações ilegais do ex-ministro e ex-juiz.
Merecia manchete. Todavia, como a FSP fez parte da perseguição e do linchamento político, abraçando o ex-juiz como um semideus, reduziram ao máximo a importância dessa notícia.
E onde está a manchete, Folha? O Comitê de Direitos Humanos da ONU concluiu que Lula foi alvo de perseguição política!
O comportamento da FSP neste momento confirma definitivamente que toda a parafernália referente a Lula nos últimos anos teve como objetivo único e principal a manipulação da opinião pública. Vou votar em Lula com a consciência leve e muito feliz. Qualquer reserva de minha parte ficou retirada.

Há dezenas de outros leitores puxando o “rabo da Folha”, e e o pior é que, no panorama da mídia brasileira, ainda temos de dar graça a Deus de que vira notícia, mesmo atrasada e sem destaque, porque a realidade dos meios de comunicação é o silêncio.

Ou até pior, como fez a Globonews, mal dando a informação, para depois abrir espaços para Sergio Moro dizer que a ONU foi “influenciada” pelo STF e que não o absolveu das acusações, o que, obviamente, não estava em discussão no Comitê, mas apenas a regularidade do processo.

Depois somos nós os “blogs sujos” e eles a “imprensa profissional”.

Aliás, também é “muito bonito” dizer que combatem as “fakenews” e tornam o acesso à informação cada vez mais restrita, com seus paywalls intransponível, enquanto as mentiras circulam em milhões de disparos para os celulares do povão.

Pedro Ronchi
@PedroRonchi2
O tamanho da manchete quando prenderam o Lula. Hoje, nem nota de rodapé saiu com a ONU dizendo que o Lula foi perseguido.
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Reberverando a estupidez 
@ptfreire
E os 5 jornalistas que se autodenominavam "da pesada, que ajudaram a colocar o Lula atrás das grades", já se manifestaram sobre a avaliação da ONU?
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28
Abr22

Bolsonaro quer eleição apurada em ‘computador militar’

Talis Andrade

 

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por Fernando Brito

Pronto: Jair Bolsonaro encontrou a fórmula, inédita no mundo, para transformar uma eleição em um golpe militar, sem o uso de tanques, carros blindados e tropas de choque.

Basta um cabo (USB?) soldado nos computadores da Justiça Eleitoral, que transfira os dados para o computador do Exército, e a sua vitória estará garantida. Pelo menos é o que se depreende do que disse, agora há pouco, o presidente:

“Quando encerra eleições e os dados chegam pela internet, e tem um cabo que alimenta a ‘sala secreta do TSE’. Dá para acreditar nisso? Sala secreta, onde meia dúzia de técnicos diz ‘quem ganhou foi esse’. Uma sugestão é que neste mesmo duto seja feita uma ramificação, um pouco à direita, porque temos um computador também das Forças Armadas para contar os votos”, disse Bolsonaro, informa a Folha.

Como ‘a ramificação’ é ‘um pouco à direita’, não é difícil imaginar o que aparecerá no ‘computador militar’.

É bom que as chefias militares vejam no que estão se metendo, porque este é o caminho mais perigoso, não só para o país, mas para elas próprias. Bolsonaro, como qualquer comandante, só deve ser obedecido em suas ordens legítimas e não há nada de mais ilegítimo do que forças militares usurparem o controle da apuração do processo eleitoral, algo que nem durante o período autoritário foi feito.

Isto é, evidentemente, uma patacoada, mas envolver as Forças Armadas numa patacoada é criminoso e perigoso. Coloca-as na posição de usurpadoras do voto popular e de – não há outra conclusão possível – de dispostas a fraudar, na apuração, a vontade popular.

A declaração foi feita numa cerimônia oficial, em pleno Palácio do Planalto, onde pontificou como “herói” o leão de chácara aliviado de sua condenação pelo presidente.

Ele é, agora, o símbolo anabolizado da liberdade de expressão, inclusive para ameaçar dar surras e tiros.

Quem sabe Bolsonaro não vai usar sua “Bic” para nomeá-lo o próximo ministro “da defesa” pessoal?

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[Cabines eleitorais nos quartéis, eleição apurada em computador militar, por robôs que usam lubrificantes íntimos adquiridos pelas forças eretas e armadas. Com o Viagra adquirido pelo Ministério da Defesa, teremos a dita dura dos marechais de Bolsonaro] 

26
Abr22

“Eu acima de tudo”

Talis Andrade

 

Milton Ribeiro dispara o primeiro tiro do golpe de Bolsonaro

 

 

Fernando Brito

- - -

Do alto do cavalo, digo, do alto de seu saber jurídico, Jair Bolsonaro, Primeiro e (graças a Deus) Único Imperador da República decreta que seu decreto perdoando Daniel Silveira, o deputado leão de chácara, “é constitucional e será cumprido”.

Portanto, o Supremo Tribunal Federal, a quem compete o controle de constitucionalidade de todos os atos administrativos é, solenemente, declarado inútil.

Seu poder está definitivamente usurpado e Jair Bolsonaro pode, a partir de agora, decretar a nulidade de toda e qualquer sentença que de lá saia, se o quiser.

“Eu acima de tudo”: foi só tirar duas letras.

Para isso, garantem-lhe os “manos” fardados, reduzidos à condição de guarda pretoriana idosa do César, que está à beira de cruzar com ela o Rubicão da independência dos poderes.

Por isso marcha ali outro personagem que soa estranho, como dublê de ministro da Defesa de fato e candidato a vice-presidente.

É triste e ruinosa a situação da República e só não é pior porque ainda resta – ao menos suponho – inteligência entre os militares para saber que a imposição de medidas de força não tem possibilidade de sustentar-se por mais que alguns dias, porque não se tem a mídia e nem a conjuntura mundial que havia em 1964.

Isso parece ser, ainda, a nossa maior garantia, pois já mandaram o cabo e o cavalo para pisotear as decisões judiciais.

O tiro do pastor saiu pela culatra

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22
Abr22

Silveira, Do Val, Gabriel Monteiro. O parlamento decaiu tanto que nem essa faxina o limpa

Talis Andrade

 

Fernando Brito

- - -

O dia é ruim para os três estrupícios que simbolizam – porque a quantidade, infelizmente, é muito maior – a mancha de lixo que se espalhou no Poder Legislativo com a “onda” bolsonarista.

Daniel Silveira, o quebrador de placas, caminha para a condenação no Supremo, Arthur Do Val, o tarado da Ucrânia, e Gabriel Monteiro, o ex-PM e youtuber de sexo com adolescentes, estes já eram e o “Mamãe Falei” já renunciou na vã tentativa de escapar à cassação, inutilmente.

Nem o fato de que existem outros é tão importante quanto o fato de que existem, em número inédito, eleitores dispostos a transformar a sua representação no parlamento em um exército de valentões, debochados e policiais exibicionistas.

Sempre existiram, é verdade, mas era uma situação marginal, agora é uma regra.

Corresponde à estupidez suprema que foi levada ao mais alto cargo do país quanto, por ódio politico, as elites deste país resolveram entregá-lo a Jair Bolsonaro.

É como se a vergonha tivesse perdido a vergonha, e se orgulhasse de desfilar, crendo que irá encantar a porção da sociedade que foi progressivamente insuflada nos últimos anos.

A desfaçatez é tanta que Eduardo Bolsonaro e o próprio Brucutu Silveira foram ao plenário do STF, para tentar intimidar os ministros durante o julgamento do segundo, por ameaçar o próprio Supremo.Image

Felizmente, a restrição na ocupação das cadeiras do plenário provocada pela pandemia ainda está em vigor e evita-se, assim, a cena insólita.

Assistir, podem, mas como todos nós. Inclusive na transmissão da TV Justiça, que reproduzo abaixo.

 

21
Abr22

Quem é que revira túmulos?

Talis Andrade

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por Fernando Brito

- - -

Não é o que eles chamavam de “esquerda revanchista”. Nem a mídia progressista, com seu antagonismo dos militares e ao governo. Nem os ativistas de direitos humanos, teimosos e persistentes.

Os responsáveis por esta onda de novas denúncias sobre torturas e barbaridades praticadas por oficiais do Exército são justamente os Bolsonaro, que fazem dos fantasmas do passado um elemento de terror no presente.

Louvar publicamente um torturador, como faz o pai-presidente, e debochar de torturados, como faz o filhote arrogante, é que são “revirar túmulos”, na podre ironia do imprestável general Mourão.

Josias de Souza, insuspeito de qualquer radicalismo, diz muito bem noUOL:

A tortura de brasileiros desarmados submetidos à custódia do Estado durante a ditadura é uma história que tem início e meio. Mas não tem fim. Se a tortura é condenada, vira história. Quando Mourão e Bolsonaro chamam de “herói”, a tortura se torna parte do presente. Pior: ela se eterniza no futuro.

É mais um “presente” do bolsonarismo que se fez confundir com o Exército Brasileiro que, ao permiti-lo, aceitou (quando não procurou) ser confundido, como um todo, com esta estupidez.

O que o Exército ganha ao ver seu aniversário de 374 anos ser comemorado hoje fazendo sua solenidade comemorativa sendo transformada por Jair Bolsonaro, em seu discurso, afirma publicamente que o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas foi decisivo na derrubada de um governo legítimo, ou quando faz mais um discurso de afronta à Justiça Eleitoral, dizendo que o processo de escolha do presidente terá a tutela das Forças Armadas e ainda fazendo saudações a seu candidato a vice, Walter Braga Netto?

Quantos fantasmas os perseguirão – como fazem agora – quando, daqui a 30 anos, forem apontados como sustentáculo de um governo vergonhoso para o Brasil?

Quem revira túmulos é esta camada dirigente, do país e das Forças Armadas, que não sabe deixar morto e enterrado o assado de intervenção militar nos assuntos civis.

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18
Abr22

Mourão, a tortura e o ‘slogan’ de Bolsonaro

Talis Andrade

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por Fernando Brito

Tinha que ser ele, o general-inútil Hamilton Mourão, um homem que nem a Jair Bolsonaro conseguiu ter valia, o autor de mais uma estupidez abissal ao dizer, rindo, sobre os áudios do Superior Tribunal Militar que comprovam que as torturas a presos políticos chegava aos mais altos escalões das Forças Armadas, nos anos 70: “Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. [risos]. Vai trazer os caras do túmulo de volta?”

O general sabe perfeitamente que não se trata de punir mortos, mas de algo que tem o sentido da frase bíblica que seu chefe, Jair Bolsonaro, não cansava de citar: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (João 8,32).

Não são os torturados ou mortos que podem ganhar com a revelação da verdade. Ao contrários, eles e suas famílias sofrem mais, seja porque revivam aqueles suplícios, sejam porque a imagem terrível daqueles filhos, pais, mães e irmãos sendo submetidos a dores lancinantes e a humilhações desumanas.

Imagine, general, alguém próximo ao jovem que o senhor era, então, amarrado e sendo golpeado a porretes, seviciado com choques elétricos, ou ter postos a andarem-lhe cobre o corpo ratos e cobras?

Quem pode se beneficiar destas revelações não são suas vítimas, é a instituição que abrigou estes algozes.

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

É a chance de ensinar às novas gerações de oficiais que a farda que envergam proíbe indignidade. Que o sentimento de camaradagem da caserna não pode dar cobertura às violações das regras militares, das leis e do respeito ao ser humano, ainda que fossem estes que então eram considerados “prisioneiros de guerra”.

Se um oficial não pode se calar diante do furto de um saco de batatas do rancho, pode calar-se frente à tortura de uma mulher grávida?

Quem deveria sair do túmulo era o espírito de Caxias, o de Rondon, não do de Ustra, general.

Por quem glorificam, saber-se-á seus deuses.

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