Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

27
Out21

Áudio de banqueiro mostra verdade sobre ‘independência’ do BC

Talis Andrade

 

paulo guedes sugando o brasil.png

 

 

por Fernando Brito

Arrogância e cinismo são a marca da conversa, vazada em áudio, de André Esteves, do no do Banco BTG Pactual, com executivos de finança na semana passada e publicada pelo Poder360.

Põe-se na posição – nada irreal – de oráculo das autoridades públicas, que o consultam para saber o que fazer.

Diz que o presidente do Banco Central (‘independente’), Roberto Campos Neto, vai perguntar-lhe sobre a menor taxa de juros possível (lowerbound), que o presidente da Câmara, Arthur Lira (na prática o condutor da política fiscal) quer saber dele “o que se faz” agora e que Paulo Guedes, apesar de tudo, está fazendo bem os cortes das despesas públicas.

E mais ainda: que não será um problema se Lula for eleito e, por conta da “independência” do BC, Campos Neto permanecer lá por mais dois anos ,“o que será ótimo para o Brasil”.

Ao longo de uma hora, nenhum sinal de pânico com a desgraça econômica do país, com a fome grassando, com queda do poder de compra da população.

Claro, para executar uma política diversa e até oposta àquela que tiver sido legitimada nas urnas, esta bobagem diante da “democracia do capital”.

É óbvio que governantes devem conversar com agentes econômicos como são os dirigentes de bancos, mas não só com eles e muito menos aos cochichos e pedindo “orientação”.

Mas, neste governo, não há diálogo com ninguém mais e até mesmo grupos “queridinhos” do presidente da República, como os caminhoneiros, dizem que só recebem “conversa fiada”.

23
Out21

1% de “comunismo”, Jair?

Talis Andrade

comunismo socialista.jpg

 

 

por Fernando Brito

Nosso país, diz o presidente da República, estava a um passo do “comunismo”..

A crer nos dados que publica a Folha hoje, com levantamento do conservadoríssimo Insper – Instituto de Ensino e Pesquisa -, um comunismo muito interessante, onde a renda dos 70% mais pobres – e pobre no Brasil não é força de expressão – cresceu mero 1% a mais que a média nacional, entre 2003 e 2017, enquanto a dos 30 por cento mais ricos – e rico aqui é rico mesmo – continuou aumentando, mas apenas ficando 0,5% abaixo da média do incremento dos ganhos dos brasileiros em geral.

Os resultados do novo trabalho [um estudo dos pesquisadores Ricardo Paes de Barros, Samir Cury, Samuel Franco e Laura Muller Machado] indicam que todas as fatias da população adulta brasileira —dividida em cem partes iguais, os chamados centésimos da distribuição— situadas abaixo dos 29% mais ricos tiveram crescimento em suas rendas anuais acima da média nacional de 3%, no período analisado.
Já as parcelas da população distribuídas acima desse corte aferiram crescimento médio anual de suas rendas entre 2,4% e 2,9%, inferior, portanto, à média do país. A exceção foram duas fatias próximas ao topo da pirâmide da riqueza do país.

E isso, esclarece a reportagem da Folha, foi a média do período, porque de 2015 para a frente, nem este pífio crescimento a renda dos pobres teve.

O resultado, considerado mais preciso do que anteriores, que usavam como base dados tributários, foi obtido a partir de dados das pesquisas de orçamentos familiares do IBGE.

Mesmo assim, considerando o Brasil desigual que sempre fomos, é um pequeníssimo avanço na distribuição de renda e, também, um tremendo libelo contra as nossas injustiças, sobretudo aquela que faz a elite mesquinha deste país achar que comer, morar, vestir e estudar são um luxo desnecessário para os pobres.

E que isso é “comunismo”, quando nem sequer dignidade chega a ser, mas simples esperança dela.

comunismo.jpg

comunismo.jpg

 

 

Aí, quando a miséria grita e a fome explode na catação de lixo, ninguém lembra que, embora auxílios e bolsas sejam justos e necessários, o que faz um país progredir e distribuir renda para valer é desenvolvimento, emprego e renda e não um teto que desmorona sobre a população.

Image

19
Out21

Punição a ‘lavajateiro’ não alivirá pressão sobre MP

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

A decisão do Conselho Nacional do Ministério Público ao apontar a pena de demissão para o procurador Diogo Castor de Mattos, pela colocação de outdoor de ‘endeusamento” dele e de seus colegas da Lava Jato é, claro, a primeira consequência do movimento para retirar dos membros do Ministério Público o poder de decidir corporativamente se e quando seus integrantes praticam atos ilegais ou antiéticos, o que é o caso deste.

Não vai funcionar, como se pretende, para arrefecer as pressões para que se evite a aprovação de lei com este sentido, alterando, basicamente, a regra de escolha do corregedor – a quem compete este controle – apenas pela escolha da categoria. O que, claro, induz a escolha de quem seja leniente e suave com os abusos cometidos por procuradores .

Ao contrário, o caso é uma prova de que é preciso ampliar o controle externo, porque a decisão do CNMP se deu depois de dois arquivamentos do caso, tanto pela corregedoria do Ministério Público quanto do próprio Conselho e só foi reaberto porque surgiu o “laranja” usado para contratar a placa publicitária dizendo ter sido usado na negociação. Ora, isso é apenas um agravante, não o cerne da questão, que reside no fato de que um órgão de persecução penal não deve e não pode fazer, ainda que por meios indiretos, promoção pessoal e política de sua ação.

Diogo de Mattos, é claro, pode ter sido o autor material do abuso, mas só o cometeu porque o ambiente de louvação da Lava Jato para angariar apoio político para a atuação de seus membros não só era generalizado como diretamente promovido por seus chefes (Deltan Dallagnol no MP e Sergio Moro, no Judiciário).

Ele também foi apontado como tendo razões para o impedimento – o irmão, Rodrigo Castor de Mattos, era advogado de réus-delatores, Mônica Moura e João Santana, o marqueteiro e Maurício Gotardo Gerum, procurador do Ministério Público Federal junto ao TRF-4 e autor da petição em que se pediu a confirmação, com aumento de pena, da condenação de Lula pelo caso do sítio.

Acresça-se que Mattos nem mesmo “está” demitido. Isso depende de que Augusto Aras apresente uma ação de desconstituição da vitaliciedade do procurador e que ela seja aceita pelo Supremo Tribunal Federal.

Uma novela vergonhosa que poderia ter sido evitada se, de fato, os membros do Ministério Público entendessem que sua ação é, também, fiscalizada com rigor.

Quando se tornaram intocáveis, porque não fazerem o que aconselham sua histeria e ambição?

 

 

15
Out21

Jair, o ‘tadinho’, chora escondido e esbraveja em público

Talis Andrade

gilmar lágrimas.jpg

 

 

por Fernando Brito

A declaração feita ontem por Jair Bolsonaro, em um ato evangélico, em Brasília, nada tem de sincera, porque é a nova linha de marketing que ele adotou depois de chegar à beira do golpe de Estado em setembro e ter percebido que não teria forças para desfechá-lo.

Mas é reveladora e, por isso, merece comentários.

Agora, Jair Bolsonaro é o “tadinho”, o homem que, por determinação de Deus, tem de enfrentar desafios terríveis:

“Quantas vezes eu choro sozinho no banheiro em casa. Minha esposa nunca viu, ela acha que eu sou o machão dos machões. Em parte acho que ela tem razão até”…

Notem como ele se vale de uma autocomiseração – típica, aliás, das pessoas depressivas – sem deixar de lado os elogios à sua virilidade tóxica, que o faria “o maior”, o “ machão dos machões”.

O que, para Bolsonaro, como outras vezes se disse aqui é mais ou menos a figura do valentão de porta de botequim. O personagem que grita, xinga, ameaça, se vangloria mas, à primeira reação, faz-se de vítima.

Não se afirma pelas suas qualidades, mas pelo que aponta como defeito alheio: diz que seu grande feito na cadeira de presidente é que não esteja sentado ali “um comunista” imaginário, que estaria tolhendo toda a liberdade dos brasileiros e estabelecendo o paraíso dos homossexuais, contra o que chamou de “heteronormatividade”.

Para gente obtusa ao ponto de acreditar nisso, “vende-se” como milagreiro fajuto: anuncia que Deus lhe mandou a chuva e, agora, vai mandar o Ministro das Minas e Energia abaixar a tarifa da luz, vai vender a Petrobras porque “não manda” e não quer ficar com a culpa dos reajustes dos combustíveis.

Importa menos o desequilíbrio mental – frequentemente falso, aliás – de Jair Bolsonaro que o fato de termos desenvolvido um distúrbio social que faz , embora minoria, serem tantos a encantar-se com este beato farsesco.

queiroz_chorou.jpg

 

 

14
Out21

O Brasil da fome

Talis Andrade

ossos .jpg

 

 

por Fernando Brito

Para onde a gente se vire, a fome virou tema onipresente no noticiário, bom tempo depois de tornar-se onipresente na realidade.

Os restos de ossos no Rio, a coleta de refugos no mercadão paulistano, agora a fila em busca de doação de comida que dobra no Ceasa de Goiânia, tudo isso já ocorria faz tempo, mas a escala em que se agravou nos últimos meses, levou estas cenas aos telejornais e sites.

Paulo Guedes rebate que a “inflação está alta em todo o mundo”, especialmente em energia e alimentos.

Não é a essencialmente a inflação que está provocando estas cenas é a degradação continuada do emprego e renda provocada pela estagnação econômica e pelas políticas que levam a isso.

Daniel Balaban, representante do Brasil do Programa Mundial de Alimentos da ONU, diz à Folha que nosso país é “um exemplo perfeito de erros de política e seus resultados, que redundaram no aumento da fome” e que isso poderia ser atenuado por medidas como um “aumento de salário mínimo, política que foi interrompida no Brasil, e por financiamentos aos pequenos produtores. No Brasil, eles são 5 milhões de famílias que produzem cerca de 70% do que consumimos”.

Mas estamos vendo os preços dos alimentos – como acontece com os dos combustíveis – dispara ao sabor dos dólares do setor agroexportador.

A R$ 5,56 por dólar, não há maneira de baixar, mesmo.

Guedes e Bolsonaro vão ficar roucos de tanto falar que “a crise é mundial”, porque a crise é ali mesmo quando se abre o armário da cozinha cada vez mais vazio.

bolssonaro osso.jpg

 

10
Out21

Calçadolândia, o país da fome

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

Existem mais de 66 mil pessoas vivendo nas ruas da capital paulista, estima do Movimento Estadual da População em Situação de Rua, informa o Poder360, quase o triplo do que havia em 2019, antes da pandemia.

Naquela época, avaliação da pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Tatiana Dias, o número de habitantes de rua em todo o Brasil era de de 221 mil pessoas e, se evolui da mesma forma que em São Paulo, significa hoje perto de 650 mil pessoas.

É o tamanho da “Calçadolândia” brasileira, que você mesmo pode conferir num “censo visual” andando bem cedo ou à noite nas ruas das áreas mais ricas e centrais das cidades grandes e médias do país.

Mas não é só, muitos mais estão vivendo em sua fronteira, cozinhando restos na lenha de caixotes, pois o dinheiro do botijão foi para dentro e não para fora das panelas.

Não há como negar que as nossas elites, políticas e econômica, estejam cada vez mais indiferentes a isso. Janio de Freitas, em sua coluna na Folha, escreve com amargura:

Mesmo a corrida aos ossos despejados, para a guerra contra a fome, causou mal-estar ou indignação muito maiores mundo afora do que aqui, onde não faltou mais revolta com a exibição de ossos e catadores do que a realidade que os uniu, como antes fizeram os cães.

Nossos avanços civilizatórios, no máximo, é parar-lhes de esguichar água nas manhãs enregeladas e parar de colocar pedras pontiagudas no vão dos viadutos, concedendo-lhes a glória macia do concreto.

O declínio da pandemia, longe de corrigir ou amenizar este drama, o amplia ao conjugar-se com uma das maiores explosões inflacionárias ocorrida desde a estabilização da moeda brasileira.

É um país devastado, onde não parecem ser só sete as pragas que nos vieram com o atual faraó.

Image

08
Out21

Veto a absorventes mostra a monstruosidade de Bolsonaro

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

O problema de Jair Bolsonaro não é ser de direita, é ser um sujeito de natureza perversa e desumana.

Vetar a distribuição de absorventes femininos no Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, que visava atender estudantes de baixa renda, mulheres em situação de rua, presidiárias e adolescentes detidas em cumprimento de medidas socioeducativas é algo que ultrapassa todos os limites de respeito humano.

Submeter mulheres, especialmente adolescentes, ao constrangimento de exporem-se sem proteção no período menstrual, tendo de apelar para panos, papéis ou outros improvisos para conter o sangramento natural é de uma baixeza inacreditável.

Este é o presidente que manda o povo comprar fuzil, facilitando e subsidiando a importação de armas e artigos “essenciais” como videogames e diz que não há verba para algo que custaria cerca de R$ 1,20 por mês por beneficiária (5,6 milhões de pessoas a R$ 84,5 milhões por ano).

As justificativas para o veto, cínicas, são a de que não há previsão de receitas para estas compras no orçamento do SUS e de que, por dirigir-se ao que chamou de “público específico” não corresponderia ao critério de “universalidade” do sistema.

Havia recursos providos no SUS para a compra de toneladas de comprimidos de cloroquina? É óbvio que não existe a obrigação orçamentária de descer a este detalhamento e remanejar verbas, dentro do próprio orçamento, seria absolutamente viável. O “argumento” de que não é universal é de chorar, porque, fosse assim, nem mamografia se faria, porque mulheres de mais de 40 anos são muitas, mas não são o universo da população.

A razão é outra, é ódio às mulheres, e mais ainda às mulheres pobres e às que estão de vulnerabilidade.

Aliás, um ódio, sejamos justos, correspondido, tanto que, entre elas, o apoio a Bolsonaro é cerca da metade do que se registra entre os homens.

As mulheres parlamentares brasileiras deveriam organizar um grande movimento para a derrubada – inevitável, aliás – do veto presidencial. Produzir uma cena que percorresse o Brasil e o mundo para mostrar que tem-se, aqui, mais que um misógino na Presidência, tem-se um monstro no poder.

05
Out21

A vergonha impressa da mídia brasileira

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

- - -

Sim, creiam: os jornais brasileiros – os mesmos que enchem a boca para falar de ética e profissionalismo, fazem quase silêncio absoluto do que é manchete no mundo inteiro, e nos países que menos têm agentes públicos envolvidos com o escândalo do Pandora Papers, que revelas contas e empresas em paraísos fiscais de chefes de estado, dirigentes de alto escalão e megaempresários.

Na nossa cota, nada mais, nada menos que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Escândalo em letras para lá de acanhadas e palavras envergonhadas. Na Folha, o nome é “questionamento”; no Estadão os nomes são omitidos e em O Globo, a notícia nem existe na capa.

Para quem gosta tanto de falar na “censura comunista”, todos parecem prontos para editar um jornal na Coreia do Norte.

Talvez conviesse avisar ao afetados publishers – como gostam de ser chamados os “bacanas” da nossa mídia – que a internet acabou com seu monopólio da informação e que não adianta mandar as notícias para a Sibéria, porque elas chegam à sociedade mesmo assim.

Também não adianta a “passada de pano prévia” do Procurador Geral da República, Augusto Aras que reagiu com um brandíssimo “vamos oficiar” [a Paulo Guedes]:

“Trata-se de uma notícia que foi publicada pela imprensa (sic). Com todo respeito à mídia, não podemos fazer investigações com base em notícias.

O Dr. Aras deveria saber que, já tem alguns séculos, noticias costumam ser publicadas pela imprensa e é com base em notícias que o Ministério Público abre uma grande parte de suas investigações.

É impressionante o moralismo seletivo desta turma. Imagine um alto dirigente petista apanhado com uma offshore no Caribe?

O problema é que não há quem possa mistificar dizendo que é apenas “um deslize ético” menor. A lei brasileira não permite – e com sabedoria – que alguém seja sequer aspone no Governo e, ao mesmo tempo, dirija uma pequena quitanda no subúrbio, quanto mais ministro (e da Economia!) e comande uma offshore de milhões de dólares em uma ilha no Caribe.Image

04
Out21

‘Pandora Papers’ encontram ‘Posto Ipiranga’ no Caribe

Talis Andrade

Falsa decolagem da economia

 

por Fernando Brito

- - -

Tem empresa offshore em paraíso fiscal?

-Tem, no Posto Ipiranga tem!

Pois é, tem empresa de Paulo Guedes nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido esconderijo de capitais suspeitos. É a Dreadnoughts International, o que equivaleria a “encouraçado” ou “blindado”, presidida por ele em pessoa, o que é crime para quem ocupa cargo do Governo.

Se é crime para alguém que é nomeado assessor de quarto escalão e é sócio gerente de uma padaria, é, em escala gigantesca, para quem é dono de uma empresa com capital social registrado de 10 milhões de dólares, tendo como sócias miniritárias a mulher e a filha.

Já o presidente do Banco Central “independente”, manteve, até manteve, até agosto do ano passado, outra offshore, no Panamá em sociedade com a mulher e outra pessoas que, provavelmente, é sua filha.

Um mês antes, ele e Guedes assinaram uma resolução que dispensa, pra enviar até US$ 1 milhão para o exterior, o registro da remessa no próprio Banco Central, multiplicando por dez o limite até então permitido.

Ou seja, eles próprios se autorizaram a fazer remessas de dinheiro para paraísos ficais sem registro no Banco Central.

A proibição da Lei 8.112, no artigo 117, é expressa e taxativa – [inciso] X – participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário; – e a pena única é a de demissão (art. 132).

Há uma chusma de empresários – inclusive os da Prevent Senior – com várias empresas em paraísos ficais, mas sobre Guedes e Campos Netto, além das questões éticas (se é que isso ainda existem) pesam proibições legais incontornáveis.

Não se sabe qual a reação do Ministério Público e da Comissão de Ética Pública – mansos até ao extremo com este governo, mas o líder da oposição na Câmara já anunciou a propositura de uma ação pública por improbidade no Supremo Tribunal Federal.

A lei ainda existe no Brasil?

Flávio Dino 
@FlavioDino
Resumo do dia: um cidadão tem milhões de dólares no exterior e é responsável por decisões que o tornam mais rico no seu país de origem. Então empurra a conta para as famílias via inflação nos alimentos e combustíveis. E chama tudo de “liberalismo”.
Eduardo Moreira
@eduardomoreira
Resumo pra facilitar: Os dois principais responsáveis por combater a desigualdade no país e fiscalizar o sistema financeiro têm conta em paraísos fiscais onde não se paga impostos e esconde-se recursos. E estão promovendo mudanças na lei a seu favor. Escândalo pouco é bobagem
 
03
Out21

Charlatanismo com dinheiro público

Talis Andrade

por Fernando Brito

- - -

Mais documentos e mensagens comprovando que médicos estavam sendo pressionados a receitar medicação ineficaz contra Covid surgem, agora na operadora de saúde Hapvida, aquela que anuncia na TV ter “cuidados de mãe” com seus segurados.

Os médicos eram coagidos a “bater metas” de prescrição do Kit Covid, ao ponto de alguns deles terem de fingir ter receitado os produtos, retirar da farmácia dos hospitais e guardar, deixando que o paciente saísse com um receituário adequado ao que desejavam prescrever.

A reportagem está no jornal O Globo.

É, como na Prevent Senior, caso de polícia e de exclusão de suas concessões de operação pelo Governo, através da ONS.

Sim, porque este curandeirismo, esta charlatanice, é, afinal, praticado com dinheiro público, pois as despesas supostamente médicas feitas por planos de saúde, são pagas, por empresas e por pessoas, à custa de impostos que são deduzidos do valor devido.

O Diretor Corporativo de Emergências da Hapvida, Alexandre Wolkoff, encaminha aos médicos da empresa um áudio em que diz que deixa bem clara a “obrigação” da prescrição de cloroquina:

— Eu peço para vocês. A liderança de cada unidade, a diretoria médica, os regionais precisam liderar isso. A gente precisa subir a prescrição de cloroquina. Então, eu peço que vocês… não é só para Manaus, só para uma unidade ou outra, mas para todos as unidades, a gente (tem que) ter um aumento significativo da prescrição do kit Covid. Cada diretor médico da unidade é diretamente responsável por esse indicador.

O resultado das receitas era controlado por uma planilha e quem ficava “abaixo da meta” era, segundo dizem os médicos do plano, ameaçado com troca e de plantões e transferências.

Estamos diante do maior escândalo da medicina brasileira, totalmente dominada por corporações empresariais às quais a grande maioria dos profissionais não tem meios de resistir. E, pior, muito sequer desejam resistir.

Prevent expõe política da morte de Bolsonaro

 
 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub