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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

29
Nov20

Manuela vota pela manhã: ‘A gente encerra uma campanha marcada por muita violência política’

Talis Andrade

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Manuela votou acompanhada da filha, Laura

 

Após café da manhã com apoiadores no hotel Embaixador, no Centro, Manuela D’Ávila (PCdoB) foi a primeira candidata à Prefeitura de Porto Alegre a votar neste domingo (29). Por volta das 10h15, Manuela chegou ao colégio Santa Inês, no bairro Petrópolis, acompanhada do marido, Duca Leindecker, da filha Laura e de apoiadores.

Em breve fala aos jornalistas depois de votar, Manuela comentou a disputa deste ano em Porto Alegre: “Hoje, a gente encerra uma campanha que foi marcada por muita violência política, por muita mentira. Mentira distribuída, primeiro, no submundo da internet e, depois, no mundo oficial, como vocês viram nos caminhões de som e, mesmo ontem, com a distribuição de uma pesquisa falsa, até por parte da própria imprensa”.

Publicou o portal Vermelho: 

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Na noite de sábado (28), véspera do segundo turno, Manuela e sua campanha voltaram a ser vítimas de nova fake news, desta vez envolvendo falsa pesquisa Datafolha que indicaria vantagem de seu oponente, Sebastião Melo (MDB). A falsa pesquisa foi usada pela campanha do adversário e chegou a ser publicada no site da Band.

“O Datafolha não fez pesquisas eleitorais em Porto Alegre em 2020”, explicou o Alessandro Janoni, diretor de Pesquisas do instituto ao jornal Folha de S.Paulo.

A última pesquisa do segundo turno, feita pelo Ibope, mostra Manuela na frente com 51% dos votos válidos contra 49% de Melo.

Sul 21informou:

Logo após, às 10h40, a candidata acompanhou o voto do vice, Miguel Rossetto (PT), na Escola Professora Dinah Néri Pereira, na Avenida José Bonifácio. Em seguida foi para casa, onde permanecerá a tarde toda e acompanhará a apuração dos votos.

 

03
Mar20

Eduardo Bolsonaro: “Sempre tinham uns caras que queriam me comer ou dar pra mim”

Talis Andrade

Eduardo Bolsonaro (Foto: Diego Bresani)

 

Sexo e política são irmãs siamesas e incestuosas. Principalmente no Brasil, que a democracia vai perdendo espaço para a ditadura militar, para o fanatismo religioso, e governantes e parlamentares espalham fake news, e promovem campanhas para o fechamento do Congresso.

A deputada Carla Zambelli garantiu que estará nas manifestações contra a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Superior Tribunal Federal, convocadas para o dia do "foda-se", 15 de março próximo, pelo ministro general Augusto Heleno, com vídeos de propaganda de auto-golpe presidencial.

Desde as eleições de 2018, a mentira (mamadeira de piroca, kit gay, filho de Lula mais rico do que o filho herdeiro da rainha da Inglaterra, do que o filho de Edir Macedo, do que o filho de Jorge Paulo Lemann, com uma fortuna de R$ 104,71 bilhões) - faz parte do cotidiano de Jair Bolsonaro. Quando a mentira é quebra de decoro, e crime de responsabilidade.

O Brasil, o país das promessas enganosas, do estelionato eleitoral, dos parlamentares que convocam manifestações para o fechamento do Congresso, do STF, e depois negam. Das testemunhas que mentem nas CPIs, nos tribunais como delatores premiados, super premiados com o desbloqueio do dinheiro da corrupção, com a legalização dos bens adquiridos, e com a recompensa maior: a conquista da liberdade. Os bandidos da Lava Jato, punidos com mais de cem anos de cadeia, estão leves e soltos, e podres, podres de ricos. Esta a distinção de Alberto Youssef, traficante de moedas, de drogas, de pedras preciosas. Dario Messer, que pagava taxa de proteção para procurador (es), sempre teve anistia antecipada para diferenciados crimes como tráfico de moedas, de cigarros, de minérios.

Neste Brasil que até a grande imprensa falta com a verdade, a semana começou com o boato de que Jair Bolsonaro estava de casamento terminado. Espalharam até que Michelle Bolsonaro estava de namoro arranjado. Boato que fez o deputado federal, ex-ministro Omar Terra escrever a seguinte nota:

 

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Germano Oliveira é um especialista. Assinou a notícia contra Michelle Bolsonaro, e espalhou, na mesma Istoé, a infâmia de que a falecida Marisa Letícia, esposa de Lula, pediu um elevador à OAS, para ser instalado no triplex do Edifício Solaris, no Guarujá (SP). Essa reportagem safada de GO deu início a Lava Jato que prendeu Lula.

GO plantou provas ilícitas, para proveito de um juiz parcial, doido por um espetáculo para aparecer, criar fama, prender Lula para facilitar a eleição presidencial de Bolsonaro, e receber em troca dois ministérios (da Justiça e da Segurança Pública) e o cargo vitalício de ministro do STF. 

Os "noivados" animam o Congresso. Tabata Amaral e João Campos. Sâmia Bonfim e Glauber Braga. Gleisi Hoffmann e o ex-senador Lindbergh Farias. 

 Mas a história mais picante foi contada pelo Eduardo Bolsonaro.

No Diário do Centro do Mundo: "Viraliza foto de Eduardo Bolsonaro que já vem com legenda: O 'Mitinho', como é chamado o deputado federal por São Paulo que nunca pisou na cidade e já lançou sua pré-candidatura à presidência em 2026, começou o dia contando à revista Piauí que nos seus tempos de adolescente, quando tentou a carreira de modelo, “tinham uns caras que queriam ou me comer ou dar para mim”.

 

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25
Fev20

O porteiro, a mentira na política e a banalidade do mal

Talis Andrade

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Como foi que o mundo das fake news avassalou o discernimento de nossa época, a ponto de instaurar uma espécie de servidão mental na qual o senso comum se submete à afirmação e a sua negativa com a mesma passividade, não raro, guiado pelo malabarismo cínico do mesmo emissor?

O papel da mentira na política assumiu um espaço proeminente, como bem sabe a sociedade brasileira, graças ao novo arsenal tecnológico capaz de adorna-la com atributos da verdade manipulando friamente o discernimento social, sobretudo nos escrutínios eleitorais.

O ambiente de relativização factual criou assim uma espécie de poder emergente a impor sua supremacia aos demais.

Nesse novo maniqueísmo em que se acredita e se duvida de tudo, ao mesmo tempo e com igual intensidade, o discernimento crítico se recolhe a um estado de torpor.

A participação da Razão nas tomadas de decisões individuais e coletivas subsiste nas franjas da sociedade, atrofiando-se o espaço do esclarecimento indissociável da prática argumentativa e da elaboração histórica do conflito social.

Em que, afinal, amparar-se para arguir aquilo que nos chega na forma de massas avassaladoras de pós-verdades escritas, ditas, filmadas, fotografadas, endossadas, quantificadas e replicadas exaustivamente 24 horas por dia? 

Todos os poderes –Legislativo, Executivo, Judiciário, Mídia — mas também a ciência e a espiritualidade perdem resiliência e identidade nessa teia elástica que reprocessa o mundo como um solvente de relativização suprimindo as divisas do vivido, do sentido, do presente e do passado. Vale dizer, as raízes da própria identidade.

Tome-se os destampatórios regulares do atual ocupante do Planalto.

Segue o modelo político dominante: o que se afirmara ontem pode ser revogado hoje e o oposto restabelecido amanhã.

Nesse roldão, um porteiro experiente pode ser acusado de ‘confundir’ o número 65 por 58. Embora o contexto narrativo lhe dê razão, será carimbado como mentiroso por ágeis representantes do judiciário, municiadas de laudos que, sugestivamente, homologam a pós-verdade sancionada por perícia de igual extração.

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A tradicional manipulação da verdade e da mentira na política não mudou de patamar apenas no Brasil.

Seu uso e abuso é corrente na guerra midiática do poder nos EUA de Trump, mas também na Argentina de Macri, no Chile de Piñerochet, na Rússia de Putin, no cabuloso mundo da monarquia árabe etc

O peso histórico assumido no Brasil, no entanto, distingue-se pelas características de uma democracia em que a mídia convencional sempre exerceu, avant-la- lettre, um grau de manipulação política equivalente ao das fake news . Além disso, a penetração evangélica neopentecostal --dominante na população pobre das periferias-- tornou avassaladora a receptividade à mentira política avalizada por Deus (ouça Boaventura de Sousa Santos na Rádio Carta Maior – clique aqui).

O desfecho da nebulosa disputa presidencial de 2018 fez do país, assim, um laboratório avançado do exercício do poder por exemplar típico desse novo ambiente indiviso entre ficção e realidade.

O custo social e subjetivo é o que se paga em sobressaltos recorrentes, polarizadores e ao mesmo tempo fragmentadores dos direitos e consensos duramente acumulados e sedimentados na Carta de 1988.

O que irá sobrar ao espaço do discernimento crítico quando o desenvolvimento das ferramentas de IA (Inteligência Artificial) viabilizarem aquilo que o historiador e filósofo da Universidade de Jerusalém, Yuval Harari, chama de “hackear o cérebro e os sentidos dos seres humanos” (Valor), ‘compreendendo-os antes e melhor que eles mesmos’?

O mundo das fake news, portanto, poderá figurar apenas como um inocente cálice de Porto no pantagruélico porre de pós-verdade em curso.

Transitar nesse ambiente e devolver a história aos sujeitos de carne, osso e classe requer enxergar além da neblina da rendição ao maquinismo reluzente.

A tentação de se atribuir o amortecimento dos sentidos e da democracia a um vilão tecnológico repete no campo da Razão aquilo que se verifica no universo do trabalho, em que a uberização e a precariedade das formas de ocupação e renda nos são informados como colaterais inexoráveis do avanço tecno-científico, desprovido das relações de produção e de poder que o impulsionam e refletem.

Na realidade, as coisas são menos avulsas do que sugere e versão dominante.

O desenraizamento social e subjetivo promovido pela precarização do trabalho semeou o ressentimento, a perda de sentido, o isolamento e a infantilização narrativa, adestrando os sentidos na sedução pelo Guia, o Pai, o Pastor , o Mito que as fake news e os sistemas eleitorais operados à distância cuidarão de consagrar.

O conjunto homologa o reducionismo alienante que o martelete das contraposições irredutíveis -- bons e maus, corruptos e moralistas, puros e sub-humanos...-- massificará com requintes de crueldade e vulgaridade sabidos.

Para quem vê exagero há que se recordar: nos anos 30, uma das sociedades mais sofisticadas do planeta, onde o capitalismo atingiria seu pináculo tecno-científico, submetida a condições de privação material e subjetiva decorrentes da guerra intercapitalista, aderiu em massa a um projeto regressivo de restauração nacional de arcabouço totalitário.

 Essa ruptura arrastou toda a humanidade.

Desde então, o Horror respira no ovo chocado pela intersecção pura entre tecnologia, monopólios capitalistas e finanças globalizadas, em processos nos quais a acumulação da riqueza é desenfreadamente perseguida, e alcançada, em detrimento da emancipação social e subjetiva da sociedade.

Para ajudar a entender esse fenômeno, mas não só ele, a série Clássicos em Podcast, iniciada pela Rádio Carta Maior em outubro, com o filósofo Herbert Marcuse --apresentado por Márcio Pochmann, traz agora a filósofa e escritora, doutora pela USP e pela École des Hautes Études de Paris, Olgária Matos.

Olgária nos fala de uma especialista nesse eclipse entre a barbárie e a civilização que passou a nos espreitar permanentemente: Hannah Arendt.

A pensadora judia alemã enxergou no desenraizamento social e subjetivo, intrínseco ao capitalismo totalizante do nosso tempo, a estufa de algo desconcertante: a banalização do mal

A expressão remonta à Operação Reinhard, um plano racionalmente planejado, implementado e gerido em escala industrial pelo Estado nazista para permitir a matança indiscriminada de judeus, comunistas, socialistas, ciganos, eslavos, velhos, prostitutas, deficientes e homossexuais --enfim, o ‘Untermenschen’, os seres sub-humanos, inerentemente descartáveis.

Muitas vezes confundido como indulgente, o conceito na verdade encerra uma alarmante advertência sobre as relações sistêmicas que nos envolvem e condicionam a existência no século XXI

A notícia terrível trazida por Hannh Arendt é a de que a barbárie não necessita mais de seres abjetos para se reproduzir em nosso mundo.

Sua possibilidade é intrínseca ao sistema.

Adolf Eichmann, que dirigiu os maiores campos de extermínio nazistas não era um personagem doentio, anunciou algo assustadoramente a pensadora judia, que cobriu seu julgamento em Israel, 15 anos após a derrota nazista.

O que ele evidenciava era algo pior que isso, anunciou Arendt.

Eichmann era um gestor eficiente, um ‘CEO’ da industrialização da morte, que tinha como meta e planejamento entregar uma solução final para a questão judia na Europa.

O ambiente corporativo global comporta-se atualmente diante dos valores da civilização –e das ameaças ambientais, por exemplo-- com o mesmo distanciamento gerencial dos ‘CEOs’ de Auschwitz-Birkenau.

 Metas de desempenho são cumpridas; os bônus são viabilizados e a fatia dos rentistas é entregue na forma de dividendos –isentos, no Brasil do arrocho fiscal.

O custo para a sociedade pode ser um passo adiante no percurso rumo à barbárie.

Arendt escavou a origem dessas relações sistêmicas nas quais os indivíduos e instituições são reduzidos a dentes do maquinismo azeitado em vazio ético.

É aí que se inala, se emite e se replica a banalidade do mal. Muitas vezes travestida em fake news.

Alto lá, porém: a dialética não morreu em Auschwitz-Birkenau, nem se rendeu a Wall Street.

O sangrento desfile de imagens da repressão chilena –replicadas digitalmente pelos manifestantes que lutam nas ruas do país vendido como paradigma de sucesso do que se deseja replicar aqui, desautoriza o fatalismo tecnológico e a prostração histórica.

A banalidade do mal tem um ponto de saturação.

Esse ponto reside na rebelião da esperança, em busca do bem comum, diz a rebelião chilena.

Ouçamos a professora Olgária Matos e Hannah Arendt nesta segundo capítulo da série Clássicos em Podcast da webRádio Carta Maior (clique aqui)


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18
Fev20

Heleno é general de um Exército elitista e golpista, cujo generalato odeia os pobres e serve aos ricos

Talis Andrade

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por Davis Sena Filho 

Generais, lembrai-vos de Cité Soleil!  

O general Heleno sempre foi oficial língua solta e sem controle. Trata-se de um destemperado, cujos caráter e índole agressivos servem como ponta de lança para as diatribes do fascista Jair Bolsonaro e dos milicos que tomaram conta do Palácio do Planalto, sonho e desejo de 30 anos, que se realizaram com a ascensão de um brucutu fascista ao poder, que hoje serve tal qual a um lacaio aos interesses do governo dos Estados Unidos, da burguesia nacional e da banca internacional e doméstica.

Heleno é movido pelo ódio de classe e ideológico, como a maioria dos generais, pois DNA histórico aprendido em suas escolas em diversos níveis, além de se comportar como um celerado, inclusive publicamente, quando considera que tem que interceder por meio de violência verbal para combater os motivos e contestações que fazem os opositores ao desgoverno fascista e incompetente de Bolsonaro, o qual ele serve como se fosse um pitbull.

A violência é seu modus operandi, a exemplo do Haiti, quando tal general hidrófobo determinou a invasão da maior favela da capital Porto Príncipe pelas tropas militares que comandava, razão pela qual aconteceram inúmeras mortes, além de muita gente ferida. Com a mesma violência esse militar despreparado para tratar de questões políticas complexas, ataca o ex-presidente Lula, porque é o porta-voz feroz do capitão Jair Bolsonaro, que, autoritário e inimigo do povo brasileiro, como comprovam suas ações econômicas, previdenciárias e trabalhistas de seu desgoverno, o escala para combater o político trabalhista onde quer que vá, com o intuito ainda de desqualificar tudo o que o político mais importante do Brasil pensa, age e fala.

Tal general é completamente despreparado e desqualificado para tratar das questões brasileiras complexas, como o é a grande maioria dos generais terceiro-mundistas, que transformaram as forças armadas em corporações policiais, em uma estratégia pensada, estudada e efetivada para garantir os interesses do status quo nacional e, consequentemente, consolidar o domínio do establishment estrangeiro no Brasil, tanto no que dispõe sobre programas e projetos estratégicos de infraestrutura, tecnológicos e de soberania, quanto no que é relativo ao maior País da América Latina implementar uma política diplomática dependente, além de abandonar sua tradição multilateral, como sempre foi, inclusive nos governos da ditadura militar (1964/1985).

Trata-se de um ódio a Lula incompreensível e irracional, até porque esses generais que compõem o desgoverno fascista, antinacional, antirrepublicano e antipopular ascenderam profissionalmente, galgaram cargos e receberam recursos para as forças militares dos governos petistas como nunca antes aconteceu na história deste País. Nem comida para os soldados esses generais arrogantes de despreparados politicamente tinham para alimentar as tropas, quanto mais dinheiro para financiar projetos militares de grande interesse estratégico que hoje estão todos parados, após o golpe contra a presidente legítima e reeleita democraticamente, Dilma Rousseff.

O general Augusto Heleno é um poço de rancor, ressentimento de ódio contra o PT e sua principais lideranças, notadamente o Lula. Ele agora, depois de fazer um monte de cagadas no Haiti e, com efeito, ser destituído de seu cargo de comandante, envereda para o deboche e a falta de respeito que, por sinal, esse sujeito não tem por ninguém que pense diferente das idiotias dele. Na verdade, trata-se de um obcecado ideológico, que vive ainda nas décadas de 1950/1960, quando EUA e URSS atingiram o auge da Guerra Fria.

Os generais brasileiros reencarnam o anticomunismo, mas não passam de servidores públicos a serviço de interesses empresariais e do governo dos Estados Unidos, porque ligados umbilicalmente ao Tio Sam. Um “amor” inexplicável e um desejo de serem parte da alta burguesia que passa a ser um problema tragicômico. Por sua vez, todo o governo trabalhista ou de esquerda que assume o poder por meio do voto, como aconteceu na história do Brasil, esses generais analfabetos políticos e aliados do sistema de capitais se tornam fortes críticos e começam um processo de combate político, com direito a todos tipo de ataque, que deixariam um moleque envergonhado.

Leia o que disse o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Augusto Heleno, ex-chefe das tropas da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah) sobre a visita de Lula ao Papa Francisco no Vaticano: “Parabéns ao Papa Francisco pelo gesto de compaixão. Ele recebeu Lula, no Vaticano. Confraternizar com um criminoso, condenado, em 2ª instância, a mais de 29 anos de prisão, não chega a ser comovente, mas é um exemplo de solidariedade a malfeitores, tão a gosto dos esquerdistas”.

Dizer o quê sobre as palavras desse estúpido, de uma radicalidade tão irracional quanto sua desastrada ação como chefe da Minustah, no Haiti. Compaixão é uma palavra que tal milico destemperado não compreende e jamais compreenderá. Compaixão é tudo o que ele não aprendeu nas escolas militares e na vida, como comprova sua péssima atuação à frente do GSI. Aliás, até agora somente o sargento preso na Espanha, por causa de carregamento de drogas encontrado em um dos aviões da Presidência da República, pagou por este crime, que, evidentemente, não se encerra com a prisão do militar subalterno, que obviamente não é o chefe maior de tal ação criminosa. O general Heleno tem de explicar pelo menos sua incompetência nesse caso, como ocorreu com ele também no Haiti.

Entretanto, o que chama mais a atenção é que esse general, tal qual ao ex-juiz de província, Sérgio Moro — o Homem Muito Menor —, que prendeu o Lula sob a acusação de “fatos indeterminados”, ou seja, sem provas de ele ter incorrido em malfeitos e depois foi servir ao seu principal adversário, o Bolsonaro, é que tal indivíduo da boca grande e língua maledicente não se indigna com a liberdade de políticos corruptos que frequentam o círculo do fascista Jair Bolsonaro, que são do PSL, MDB, DEM, PSDB, além de empresários corruptos que apoiam o seu patrão.

É verdade. O fascista e político do baixo clero, Jair Bolsonaro, chegou ao poder por meio de ações ilegais, a exemplo das fake news e da parceria e cumplicidade de juízes, procuradores, delegados da PF, que entraram de cabeça na política para combater os governos trabalhistas do PT e suas principais lideranças, a ter a Lava Jato como a principal base de ações e atos espúrios, ilegais e criminosos, como comprovam as denúncias do The Intercept, além de todo mundo, que tem ao menos um neurônio a funcionar, percebe que o sistema de Justiça, PF e MPF conspiraram para derrubar os governos do PT, bem como perseguem covardemente até hoje suas principais lideranças.

Aí fica esse general pretensioso, irresponsável, desajuizado, de extrema direita, cujos conselheiros principais são o ódio e o ressentimento contra quem combate e denuncia o pior e mais perverso governo após a redemocratização do Brasil, com todos os índices econômicos e sociais negativos, que está a desmontar o estado nacional, a entregar suas estatais estratégicas e indutoras do desenvolvimento e a retirar direitos dos trabalhadores, estudantes, aposentados, das minorias e dos pobres, de forma sistemática e covarde, a se comportar como se tudo estivesse a mil maravilhas.

Porém, a verdade é que o Brasil vivencia uma crise econômica e moral sem precedentes, além de a sociedade estar indelevelmente dividida por causa de gente inconsequente desse governo radical à direita, de interesse empresarial, e que tem em suas fileiras um militar agressivo e autoritário a mandar na GSI. General Heleno: tu és um membro do desgoverno mais covarde, entreguista, mentiroso e incompetente da história da República, com igual desonra ao desgoverno do abjeto, traidor e golpista Michel Temer, que mostrou o caminho do desmonte do Brasil ao governo odiento de Jair Bolsonaro — o Fascista.

Enquanto o general da GSI fica a falar um monte de bobagens, deboches e insultos dignos de um bárbaro criado em caserna, o Papa Francisco recebe um homem que foi perseguido caninamente por agentes do Estado brasileiro que, tal qual a pequena burguesia, são aliados dos ricos e se juntam mais uma vez na história do Brasil para efetivar um golpe de estado, desta vez pelo instrumento do lawfare e não pelas armas, o que significa que o Direito e o sistema judiciário são usados como ferramenta de combate político, a ter juízes, policiais e procuradores, com a participação nos bastidores do golpismo de generais, sendo o Congresso Nacional o indutor do golpe, pois colocou a mão na massa na deposição de Dilma Rousseff.

Agora, vamos à pergunta que não quer calar: Por que o ex-presidente Lula e sua família não possuem altas somas de dinheiro e patrimônio valioso, como afirmam os meganhas e togados da Lava Jato e dos tribunais inferiores? Eles são os criadores do PowerPoint leviano e mentiroso de Curitiba, bem como gravaram e divulgaram ilegalmente conversas entre presidente e ex-presidente, assim como gravaram criminosamente os advogados de Lula, dentre incontáveis crimes e ilegalidades que cometeram e somente a história um dia irá contar, sem perdão e mentiras.

São golpistas criminosos do establishment e por isto, creio eu, jamais serão severamente punidos por cometerem crimes em série de traição contra o Brasil, a democracia e a Constituição. E um País desenvolvido esses bárbaros celerados estariam presos e perderiam seus empregos e as polpudas pensões e aposentadorias, pagas regiamente, sem quaisquer perdas, porque estão no pico da pirâmide do serviço público e, com efeito, ficaram de fora da criminosa e covarde reforma da Previdência, que não é “reforma”, mas roubo descarado do dinheiro e da paz dos trabalhadores. Ladrões! A reforma da Previdência é o mega roubo dos muitos roubos que um povo já sofreu com a aquiescência dos políticos, dos militares, dos juízes, dos procuradores e dos policiais. Ladrões!

É fácil de comprovar, mas como essa gente criminosa usa seus cargos no poder público pago pelo contribuinte não comprova os crimes imputados a Lula, teve de mentir, distorcer, violar o Direito, a Constituição e, consequentemente, a democracia e o Estado de Direito. O general Augusto Heleno sabe disso? É evidente que sabe, mas quer poder e apoiou mais um golpe na república bananeira pertencente há séculos à “elite” de tradição escravocrata, que ele e tantos outros generais representam e sempre representaram, no passado, no presente e o farão no futuro, porque os centuriões da República, sem quaisquer compromissos com a Nação brasileira. Tanto não tem empatia com os interesses do País, que apoiam as retiradas de direitos, a demolição da economia e o desmonte do Estado nacional. Ponto.

A verdade é o Lula incomoda e seu encarceramento injusto, surreal e covarde foi, sobretudo, para impedi-lo de ser presidente e, por sua vez, no poder bloquear a entrega do Brasil e a extinção de direitos, notadamente a proteção aos pobres. Esses bárbaros encastelados no poder congelaram por 20 anos os investimentos no Brasil, bem como estão diminuindo selvagemente o Estado para que os brasileiros não tenham acesso aos impostos que geram empregos e renda, porque quando o Estado investe, o beneficiado pelos investimentos é o povo. E é exatamente isto que os ricos da iniciativa privada e os poderosos do poder público não querem e por isto combatem o desenvolvimento do povo brasileiro, a fim de ter mão de obra barata e mais dinheiro e poder entre eles.

O Brasil pós-golpe é o butim da direita e extrema direita, que estão no poder. Essa gente vai raspar e varrer o País, conforme deixa claro e sem dúvidas o inimigo das empregadas domésticas, dos trabalhadores e os pobres, o draconiano Paulo Guedes — o cruel e irresponsável chicago boy dos tempos do assassino general Augusto Pinochet. O general Augusto Heleno calado é um poeta. Nunca vi um ser tão bronco e desprovido de sensatez e ponderação. Quando foi destituído do seu desastroso comando no Haiti a pedido da ONU, tomou um ódio pelo PT e suas lideranças. O fato real é que o Papa Francisco e o Lula não estão nem aí para que esse sujeito pensa ou deixa de pensar.  

Jamais e em hipótese alguma um membro do desgoverno fascista e entreguista de Jair Bolsonaro falou em povo, trabalho e emprego. Nunca se importaram com saúde, educação e moradia. Essa gente não tem em suas gavetas um único projeto de desenvolvimento e soberania para o Brasil e povo brasileiro.

A violência e o desprezo são incomensuráveis e inenarráveis. E os generais, a exemplo do Heleno, são servidores públicos pagos pelos contribuintes. São partes intrínsecas desse desgoverno bárbaro e inimigo dos interesses do Brasil. Trata-se da geração de generais mais alienada e completamente doutrinada pelos interesses norte-americanos e empresariais. É tão ridículo quanto perigoso ter nas fileiras das forças armadas generais privatistas e que estão no poder pelos simples fato de ter poder, e nada mais. Heleno é general de um Exército elitista e golpista, cujo generalato odeia os pobres e serve aos ricos.

Enquanto isso, em Roma, Lula afirmou: “A ganância dos interesses empresariais e financeiros é responsável pela revogação de conquistas dos trabalhadores e pelo aumento da desigualdade no mundo. O mundo está ficando mais desigual e a maioria dos trabalhadores está perdendo direitos. Muitas das conquistas que tivemos, no século XX, estão sendo derrubadas pela ganância dos interesses empresariais e financeiros”. É isso aí.

 

13
Fev20

Democracia miliciana

Talis Andrade

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por Dimas Roque

Quando a população brasileira foi às urnas em 2018, boa parte dos eleitores já sabiam que caso Jair Bolsonaro fosse eleito, nós teríamos grandes problemas a serem enfrentados em um curto período de tempo. E esses problemas seriam, em sua maior parte, catapultados pela família.

Quem votou democraticamente porque acreditou da “mamadeira de piroca” ou que, sabendo que eram mentiras, ajudou a divulgar o “kit gay”, é responsável pelo que o Brasil está vivendo agora.

Se é na Democracia que os cidadãos, através do voto livre, elegem os seus dirigentes por meio de eleições. Na Democracia Miliciana o voto da maioria credenciou um governo que diariamente mente à população, criando fatos distorcidos da realidade.

A atuação de membros e apoiadores do governo atual chegou a tal situação, na qual inverter a verdade é como inverter o placar de um jogo com um juiz suspeito a utilizar o VAR - árbitro assistente de vídeo. O que seria uma saída para que se tivesse a verdade da jogada, no planalto central do país é usado para burlar a verdade. E o que seria para acabar com conflitos, potencializa-os com as mentiras que são criadas para desvirtuar dos verdadeiros fatos.

Para não buscar “zilhões” de exemplos, vou ficar no caso da jornalista da Folha de S.Paulo Patrícia Campos Mello. Que esta semana esteve envolvida em uma polêmica com Hans River, uma das pessoas contratadas pela empresa Yacows, especializada em disparos em massa de mensagens de WhatsApp e que trabalhou para o candidato Bolsonaro em 2018.

Durante seu depoimento na CPMI – Comissão Parlamentar de Inquérito das fakes News, Hans foi confrontado por parlamentares e pego, algumas vezes, na mentira. Foi o caso da deputada Natalia Bonavides do Partido dos Trabalhadores que ao indaga-lo, após ouvir que ele teria trabalhado na campanha a vereador José Police Neto (PSD), o informou não ser verdadeira a informação, pois a pessoa citada se quer, foi candidato nas eleições.

Preso em suas mentiras, Hans que teve contato anterior com a jornalista Patrícia, quando do levantamento de informações para uma matéria sobre o uso de fakes News nas eleições, a atacou de forma covarde, colocando a moral da moça em dúvida. Como homem sem escrúpulos, ele sabe que ao fazer tal acusação, colocaria qualquer mulher em desvantagens, pois seria elas, agora, que teria que provar que a acusação era falsa.

Diante do fato, o que fez o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, no mesmo dia e usando a tribuna da Câmara do Deputados? Fez o que já é regra, o que está escrito no manual da Democracia Miliciana. Ele potencializou a acusação, sem mostrar nenhuma prova. Pois este é um dos mandamentos dos que hoje ocupam o poder central. Quando estão em desvantagens, acusam, levantam falso, mentem de forma descarada, e assim já se passou um ano em que o Brasil vive em um sistema democrático tomado por acusados de serem milicianos.

O que Hans River fez com a jornalista da Folha é coisa de canalha, daqueles homens que precisam afirmar perante a sociedade a sua condição de macho e saem falando o que fizeram e o que não fizeram com as mulheres. Tudo para se sentirem os donos do pedaço. Neste caso a situação é ainda pior, o sujeito mentiu em um depoimento da CPMI. Ele já foi desmascarado pela jornalista que disponibilizou prints das conversas em um aplicativo de mensagens e agora, além de mentiroso, o que aparece é ele fazendo um convite e se insinuando. Rejeitado, deu o troco partindo para o ataque.

A jornalista Patrícia Campos Mello da Folha de São Paulo, a minha solidariedade neste momento turbulento que passa. Mas há que se dizer uma coisa: vocês apoiaram o Golpe e ajudaram a consolidar uma eleição que abriu as portas do inferno para que a entronização da Besta Fera.

13
Fev20

Conhecereis os fatos e a verdade aparecerá

Talis Andrade

A imprensa brasileira não pode continuar aceitando as mentiras, calúnias, ofensas e ataques promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro a jornalistas, como Patrícia Campos Mello, e veículos de comunicação. Não existe democracia sem jornalismo profissional e independente. Os Jornalistas Livres exigem que as autoridades competentes exerçam suas funções constitucionais e punam os criminosos, sejam eles o presidente ou seus apoiadores

 

O jornalismo, assim como a ciência, não se pretende detentor da “verdade”. Nossa matéria-prima são os fatos. E os fatos bem apresentados a leitores, ouvintes e telespectadores são fundamentais para cidadãos tomarem decisões políticas. Jornalistas sérios, como a colega Patrícia Campos Mello, apuram, documentam e relatam fatos importantes para a compreensão da realidade cotidiana. Foi exatamente isso que ela fez na premiada série de reportagens que demonstrou, com dados, fatos e documentos, a contratação de empresas de “marketing” para o ilegal e milionário disparo em massa de mensagens de WhatsApp destinadas a favorecer a candidatura de Jair Bolsonaro e outros políticos de extrema direita nas eleições de 2018. Como atestaram entidades do porte da Organização dos Estados Americanos, o Brasil foi o primeiro caso documentado em que as fake news (MENTIRAS, em bom português) distribuídas massivamente por celulares tiveram papel decisivo nas eleições majoritárias de uma grande democracia. Mais tarde, reportagem do jornal britânico The Guardian trouxe uma pesquisa provando que 42% de mais de 11 mil mensagens virais utilizadas durante a campanha eleitoral no Brasil traziam conteúdo falso (MENTIRAS) que favoreciam o então candidato de extrema direita à presidência.

Os fatos, portanto, são que campanhas de extrema direita por todo país, incluindo a presidencial, se utilizaram de recursos ilegais e fake news para eleger seus candidatos. Os fatos são que os órgãos de fiscalização das eleições, como o Tribunal Superior Eleitoral, viram isso acontecer e não tomaram, à época, as atitudes que deveriam tomar. Os fatos são que o homem que ocupa a presidência e seus asseclas se elegeram e governam por meio de mentiras e ilegalidades. O fato é que por meio dessas mentiras, o governo caminha rapidamente para um fascismo aberto e ataca diariamente todas as instituições democráticas brasileiras, especialmente as que trabalham com fatos, como o jornalismo. E os fatos são que, apesar de gostarem de usar um versículo bíblico associando verdade e liberdade, o que se tem são mentiras e agressões diárias contra pessoas que trabalham com fatos, como cientistas e jornalistas.

Ontem, o Brasil viu estarrecido a escalada de um novo patamar nas mentiras, baixarias, calúnias e difamações, apoiadas e divulgadas pelo governo, contra uma jornalista e, portanto, contra toda a imprensa séria nacional. Patrícia Campos Mello foi alvo, em pleno Senado da República, não somente de mentiras sobre sua atuação profissional impecável no caso, mas também de calúnias de conteúdo sexual, o que demonstra, mais uma vez com fatos, que esse governo não apenas é fascista e mentiroso, como também machista e misógino. A Patrícia, toda a nossa solidariedade e apoio, tanto pessoal como profissional.

É passada a hora de a imprensa brasileira dar um basta nas mentiras e agressões desse governo que tomou posse há mais de um ano num evento grotesco em que os jornalistas foram confinados longe dos políticos e ameaçados de serem baleados se tentassem se aproximar. Não é possível que os colegas da mídia hegemônica sigam aceitando as “coletivas” da porta do Palácio do Planalto em que o homem que ocupa a presidência os xinga, manda calarem a boca, destrata os veículos para os quais trabalham e foge cada vez que é feita uma pergunta diferente da que ele quer responder. É urgente que jornais, rádios, TVs e portais noticiosos PAREM de tratar esse governo como “normal” e usem as palavras corretas para designar os fatos. Mentiras são mentiras. Fascismo é fascismo. Extrema direita é extrema direita. Retirada de direitos é retirada de direitos. Autoritarismo é autoritarismo. Corrupção é corrupção. Milícia é milícia. E bandidos são bandidos.

A sociedade e os democratas brasileiros devem exigir das autoridades que ainda não foram totalmente cooptadas por esse governo fascista que façam funcionar as instituições democráticas. Os mentirosos e caluniadores precisam ser processados. Os crimes, inclusive de morte como da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, precisam ser investigados e punidos. Os políticos que se beneficiaram de esquemas de corrupção, financiamento ilegal de campanhas e difusão em massa de mentiras precisam ser cassados, ainda que se faça necessário anular as eleições de 2018.

Não é a mentira manipulada com o uso versículos bíblicos para enganar a população de boa fé que vai nos libertar. Nossa libertação como nação virá da VERDADE proveniente dos FATOS. E para isso, uma imprensa forte e independente é fundamental.

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13
Fev20

Insulto misógino contra jornalista reafirma relevância de reportagem

Talis Andrade

Desde o início de seu mandato, o próprio Bolsonaro coleciona ataques à imprensa, na maioria das vezes contra mulheres jornalistas

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por Maria Carolina Trevisan

Na falta de elementos para contestar reportagem da “Folha de S.Paulo” sobre envio em massa de notícias falsas na campanha eleitoral de 2018, Hans River do Rio Nascimento mentiu e usou de artifícios sórdidos para destruir a credibilidade da jornalista Patrícia Campos Mello, uma das melhores e mais premiadas repórteres investigativas do país. A situação fica ainda mais grave quando a insinuação é reverberada por deputados como Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), Carlos Jordy (PSL-RJ) e Filipe Barros (PSL-PR). Ao insultar a repórter em sua condição de mulher – como se seu corpo fosse objeto de troca –, Hans e os deputados ratificam a relevância da reportagem. E mostram que, contra fake news, a melhor arma é o jornalismo de qualidade.

Desde o início de seu depoimento na CPMI das Fake News na Câmara dos Deputados nesta terça (11), o músico Hans River do Rio Nascimento demonstrou desgosto por ter se envolvido na reportagem. Teve uma postura displicente e respondeu de maneira imprecisa às perguntas formuladas pelos deputados. Não soube informar, por exemplo, o nome do diretor da empresa onde trabalhou, seu chefe direto, segundo ele. Tampouco conseguiu dizer a quantidade de mensagens enviadas, o que era parte de seu trabalho. “Era produto grande, não era qualquer coisinha, não.” Focou-se em tentar mostrar que foi explorado pela empresa Yacows, o que não era objeto da comissão.

Hans pareceu estar ali para se vingar. “A ‘Folha de S.Paulo’ acabou com meu nome. O prejuízo que essa jornalista me deu é um absurdo”, afirmou. Disse que não conseguiu mais emprego depois que a reportagem foi publicada e que não consegue pagar pela insulina que precisa. Culpou o jornal e a jornalista por uma situação criada pela empresa que o contratou – e que foi aceita por ele. Demonstrou e verbalizou estar “irritado”.

Foi aí que apelou. “Vou deixar mais claro, mas muito mais claro: ela queria sair comigo, eu não dei interesse para ela. Ela parou na porta da minha casa e se insinuou para entrar na minha casa com propósito de pegar a matéria, ela se insinuou para entrar, eu disse que não poderia entrar na minha casa, ela queria ver o meu computador. Não era parte do meu interesse a pessoa querer determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção.”

Pesa também contra Hans uma acusação de ameaça de morte da mãe de sua filha, que afirma que ele já quis “estrangulá-la”. A reportagem teve acesso ao Boletim de Ocorrência. Ele alega que a acusação seria inverdade e fruto de ciúme por ele ter uma nova companheira.

O cenário misógino estava colocado desde o início da sessão. A relatora da comissão, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), advertiu colegas parlamentares para que parassem de dizer que ela estava “nervosa”, na tentativa de desqualificá-la. “Toda vez que uma mulher fala e que um homem se dirige a ela dizendo que está nervosa, há um componente muito grave”, afirmou. É um comportamento típico do homem machista, como se a mulher fosse histérica ou louca ou estivesse afogada em hormônios e fosse incapaz de se controlar. É abjeto. O que se seguiu após a audiência foi também um show de machismo por parte de parlamentares e seguidores bolsonaristas.

É repugnante que se apele a isso. Mas não chega a ser uma surpresa. Desde o início de seu mandato, o próprio presidente Bolsonaro coleciona ataques à imprensa, na grande maioria das vezes contra mulheres jornalistas. A tentativa de intimidar profissionais da imprensa tem sido uma prática sistemática. Tanto é que entidades em defesa da liberdade de expressão solicitaram à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA um pedido de audiência temática sobre as violações neses sentido promovidas pelo Estado Brasileiro. A CIDH-OEA acolheu o pedido e a audiência ocorrerá em 6 de março, em Porto Príncipe, no Haiti. É a primeira vez que uma audiência sobre o tema será realizada no âmbito da OEA.

“Os recentes ataques à jornalista Patrícia Campos Mello são mais uma demonstração do grave cenário de ataques sistemáticos à liberdade de expressão que vivemos no país. Além disso, é abominável recorrer ao discurso machista, misógino de forma inescrupulosa como fizeram Eduardo Bolsonaro e o Hans River por ocasião da reunião da CPMI das Fake News”, afirma a jornalista Renata Mielle, coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, uma das instituições que pediram audiência à OEA.

“A falta de respeito com o papel da mulher no exercício de sua profissão, o assédio moral que tenta intimidar as mulheres é algo infelizmente recorrente na nossa atividade como jornalistas e em outras profissões. O que o governo e seus seguidores pretendem com esses ataques é calar as vozes dissonantes, é desqualificar o jornalismo. Desde a posse de Bolsonaro há uma explosão de situações de censura.” O que preocupa é o efeito cascata que dá salvo conduto para que outros políticos e poderes atuem violando a liberdade de expressão e ameaçando repórteres mulheres. A atuação da imprensa livre é um dos pilares que sustenta a democracia, bastante fragilizada neste momento.

O fato de autoridades respaldarem o comportamento desrespeitoso da testemunha faz com que outras pessoas se sintam à vontade para cometer violações contra mulheres e contra jornalistas. “O temor é que isso chancele a liberdade de atuação de repórteres mulheres, o risco aumenta”, alerta Maiá Menezes, conselheira fiscal da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Se, ao contrário, parlamentares condenassem esse tipo de atitude, não seria tão fácil cometer agressões dessa natureza.

“A verdade factual não conforta, mas desafia. Os fatos não são amigos. Não são acolhedores. Não são espelho. Os fatos são da ordem do que diferem, do que dissente e, por isso mesmo, cumprem o pape de servir como contrapeso da intolerância. Os fios demandam diálogo entre subjetividades que se hostilizam. Tecem a dimensão vital da política: a dimensão do diálogo”, escreveu Eugênio Bucci em “Existe democracia sem verdade factual?”, editora Estação das Letras.

O fato é que as mulheres são maioria nas redações, assim como somos maioria na sociedade. Não deixaremos de dar furo, de buscar a melhor reportagem, com ética e responsabilidade. Contra tudo isso, oferecemos o melhor jornalismo.

 

 

 

13
Fev20

Ataque a jornalista é "tática machista"

Talis Andrade

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Testemunha da CPMI da Fake News mente e insulta jornalista e o deputado Eduardo Bolsonaro corrobora com ofensas 

 

Hans River do Rio Nascimento mentiu em seu depoimento à Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) das Fake News, nesta terça (11). A mentira – além dosinsultos e ofensas misóginas à repórter Patricia Campos Mello – é comprovada por áudios, registros e prints das mensagens trocadas pelo ex-funcionário da empresa Yacows com a jornalista da Folha de S.Paulo.

Patricia Campos Mello e o veículo publicaram, à noite, as provas que desmontam as acusações da testemunha à reportagem. A jornalista revelou a contratação de empresas, entre elas a Yacows, para disparar ilegalmente mensagens em massa pelo WhatsApp para benefícios políticos. Baseada em documentos da Justiça do Trabalho e relatos do ex-funcionário, a matéria mostrou o uso fraudulento de nome e CPF de pessoas idosas para registrar chips de celular e garantir disparos de lotes de mensagens.

Hans, no entanto, declarou durante a CPMI que apura a disseminação de notícias falsas nas eleições de 2018 que se recusou a seguir com as denúncias que tinha por ter atuado na empresa de marketing digital durante a campanha. “Deixei claro que não fazia parte do meu interesse, a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era minha intenção, que a minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro, entendeu?”, afirmou aos parlamentares.

Mesmo com a ofensa, a sessão seguiu normalmente com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) ainda corroborando com o insulto. “Não tenho dúvida que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente em troca de informações para prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, é o que a Dilma Rousseff falava: fazer o diabo pelo poder”, disse o filho do presidente da República. 

Para a jornalista Renata Mielli, secretária-geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, as acusações falsas da testemunha, endossadas por um parlamentar, revelam “o grau de perversidade das pessoas que assaltaram o poder no Brasil, que recorrem para atacar e minar a credibilidade das informações que circulam e incomodam esses poderosos”.

“É uma grave ofensa, é um atentado à liberdade de imprensa e de expressão esse tipo de recurso que a família Bolsonaro e o que estão ao redor desse movimento político que Bolsonaro lidera de caráter autoritário, fascista, conservador, machista, preconceituoso, esse é o traço distintivo desse tipo de política que eles fazem. Como eles não conseguem dialogar com a sociedade a partir dos fatos, de se defender a partir de circunstâncias reais, eles partem para a tática do ataque”, explica Renata, também coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Escalada de violações

De acordo com Renata, as mentiras e ofensas proferidas ainda demonstram a “lógica das fake news, conscientemente trabalhadas, construídas, uma indústria que passa inclusive por esse tipo de misancene”.

“O depoimento é uma fala voltada para ser reproduzida posteriormente na internet, para viralizar, ser disseminada via WhatsApp, Facebook, outras redes sociais e atingem principalmente aqueles que ainda dão sustentação, aplaudem as atitudes do governo”, ressalta Renata.

No início do ano, entidades que defendem a liberdade de imprensa e de expressão, como o FNDC, tentam uma audiência temática junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). O objetivo é denunciar a escalada de violações e ataques a jornalistas pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, responsável por por 121 das 208 ocorrências de violência registradas pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O pedido foi aceito e a reunião deve ocorrer no dia 6 de março e as entidades irão aproveitar do ataque à Patrícia para mostrar a situação do país.

A Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo repudiaram em nota o ataque à Patrícia Campos Mello.

“Vamos usar mais esse espaço para cobrar da comunidade internacional que acompanhe mais de perto, mas que também pressione o Brasil porque o que nós estamos vivendo é uma situação muito grave”.

Na Rádio Brasil Atual, Renata Mielli também cobrou das grandes corporações que detêm as redes sociais, para que as mentiras e insultos contra a jornalista não sejam divulgados de forma impune, e manifestou sua solidariedade à repórter premiada internacionalmente. “Muitas vezes as pessoas curtem ou fazem uma carinha triste na postagem, ou curtem o tweet da Patrícia. Isso não é suficiente. Tem que compartilhar, todo mundo precisa compartilhar os desmentidos, porque só assim ele ganha escala e tem possibilidade de romper as bolhas criadas pelos algoritmos”, afirma a secretária-geral.

Na condição de testemunha de uma CPMI, Hans poderá responder por fazer afirmação falsa no processo de inquérito, com pena prevista de dois a quatro anos de reclusão, além de multa, segundo estabelece a legislação processual penal. 

Ouça a entrevista da Rádio Brasil Atual 

13
Fev20

“Dar falso testemunho é crime”, diz Maia sobre ofensa a jornalis

Talis Andrade

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, manifestou-se no Twitter sobre o depoimento de Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da Yacows, à CPMI das Fake News.

“Dar falso testemunho numa comissão do Congresso é crime. Atacar a imprensa com acusações falsas de caráter sexual é baixaria com características de difamação. Falso testemunho, difamação e sexismo têm de ser punidos no rigor da lei” postou Maia.

O espalha fatos mentirosos, notadamente fake news, Nascimento tem o apoio do filho deputado federal de Bolsonaro. Disse o escrivão Eduardo: “Eu não duvido que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro”, afirmou.

Rodrigo Maia não informou qual iniciativa pretende tomar para punição de Hans River, nem se manifestou sobre a fala do filho do presidente.

 

 

13
Fev20

850 mulheres jornalistas repudiam ataques à repórter Patrícia Campos Mello

Talis Andrade

 

Violences sexistes. Et les médias? 1Por Tiago Angelo

ConJur

Cerca de 850 mulheres jornalistas assinaram nesta quarta-feira (12/2) um manifesto repudiando os ataques sofridos pela jornalista da Folha de S. Paulo Patrícia Campos Mello. Durante CPMI das Fake News, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da Yacows, disse que a profissional teria feito insinuações sexuais para conseguir informações para uma reportagem. 

Patrícia Campos Mello foi a responsável por revelar que empresas estavam enviando mensagens em massa pelo WhatsApp durante as eleições de 2018. Entre as empresas envolvidas na prática, que é ilegal, está justamente a Yacows.

Em reportagem, Patrícia Campos Mello mostrou que empresas usavam WhatsApp para disparo de mensagens em massa

 

A carta foi idealizada por Vera Magalhães, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e apresentadora do programa Roda Viva, da TV Cultura. O documento foi assinado por jornalistas dos principais veículos de comunicação do Brasil, entre elas, Miriam Leitão, Mônica Bergamo e Bela Megale. 

"Sem apresentar qualquer prova ou mesmo evidência, o depoente acusou a repórter, uma das mais sérias e premiadas do Brasil, de se valer de tentativas de seduzi-lo para obter informações e forjar publicações", afirma o manifesto.

Ainda segundo o documento, "é inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como WhatsApp para disseminar fake news". 

As declarações feitas pelo ex-funcionário da Yacows ocorreram nesta terça-feira (11/2). "Quando eu cheguei na Folha de S. Paulo, quando ela [repórter] escutou a negativa, o distrato que eu dei e deixei claro que não fazia parte do meu interesse, a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção, que a minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro, entendeu?", disse Hans no Congresso.

Em uma extensa reportagem, a Folha desmentiu ponto a ponto as alegações do depoente, inclusive a de que a repórter teria feito insinuações. De acordo com a matéria, o ex-funcionário é que teria convidado Patrícia para um show. A repórter, no entanto, ignorou a mensagem. 

Em nota divulgada pela Folha, a advogada Taís Gasparian, que defende o jornal, disse que cabe reparação à jornalista pelas declarações. "A ilação de que a jornalista teria sugerido a troca de matéria por sexo causa danos a ela, não apenas porque se trataria de um desvio de natureza ética da profissão como também por atingir sua condição feminina", diz Gasparian. 

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também repudiou os ataques contra Patrícia Campos Mello e criticou o deputado Eduardo Bolsonaro, que endossou as alegações feitas por Hans. 

“É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia”.

Leia a íntegra da carta assinadas por mulheres profissionais da imprensa

Manifesto em repúdio aos ataques à jornalista Patricia Campos Mello
Nós, jornalistas abaixo assinadas, repudiamos os ataques sórdidos e mentirosos proferidos em depoimento à CPMI das Fake News por Hans River, ex-funcionário da empresa Yacows, especializada em disparos em massa de mensagens de WhatsApp, à jornalista da Folha de S.Paulo Patricia Campos Mello

Sem apresentar qualquer prova ou mesmo evidência, o depoente acusou a repórter, uma das mais sérias e premiadas do Brasil, de se valer de tentativas de seduzi-lo para obter informações e forjar publicações. 

É inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como WhatsApp para disseminar fake news.

Nós, jornalistas e mulheres de diferentes veículos, repudiamos com veemência este ataque que não é só à Patricia Campos Mello, mas a todas as mulheres e ao nosso direito de trabalhar e informar.  Não vamos admitir que se tente calar vozes femininas disseminando mentiras e propagando antigos e odiosos estigmas de cunho machista. 

Clique aqui para ler o manifesto

 

 

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