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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

29
Jan23

Por que Carlos Bolsonaro não prestou depoimento no inquérito sobre o evento de Juiz de Fora?

Talis Andrade
www.brasil247.com - Carlos Bolsonaro esteve em clube de tiro nos mesmos dias que Adélio
Carlos Bolsonaro esteve em clube de tiro nos mesmos dias que Adélio

 

Os dois estiveram próximos duas vezes. Em Florianópolis, quando Adélio fez curso de tiro. E em Juiz de Fora, quando Carlos se tranca no carro ao ver Adélio

 

por Joaquim de Carvalho

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Uma das lacunas da investigação sobre a facada ou suposta facada em Juiz de Fora é a presença de Carlos Bolsonaro em Florianópolis no mesmo dia em que Adélio Bispo de Oliveira fazia o curso de tiro no .38, em 5 de julho de 2018.

O inquérito não faz referência se Carlos frequentou o .38 naquele dia, mas sua ida à cidade tinha o objetivo de ir ao local, de que era associado fazia três anos e ao qual prestou homenagem, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, conforme mostra o diploma afixado na parede da recepção.

Quando fiz o documentário "Bolsonaro e Adélio - Uma fakeada no coração do Brasil", perguntei ao .38 se Carlos Bolsonaro esteve no local naquele dia e se havia imagens das câmeras de segurança. Um relações públicas do clube me atendeu, pediu que formalizasse a solicitação por e-mail, o que fiz e não recebi resposta.

Dois representantes do .38 prestaram depoimento no inquérito, o instrutor de tiro e um proprietário, mas não foram questionados sobre a presença de Carlos Bolsonaro. Um deles disse que, nesse dia, Adélio, à certa altura, ficou sentado na poltrona, mexia no celular e olhava sempre para a porta de entrada.

Adélio estava fazendo o curso, pelo qual receberia certificado, e pelas aulas recebidas teria pago três vezes o valor do aluguel do quarto onde vivia. Adélio não tinha arma. Em 7 de setembro, um dia depois do evento em Juiz de Fora, o Jornal Nacional publicou reportagem com entrevista da porta-voz do clube.

“Ele chegou aqui, fez um cadastro, foi acompanhado, após fazer um cadastro e dar a identidade dele, como todo e qualquer cidadão que vem aqui, por um instrutor para a prática de tiro. Esse instrutor fica junto no momento em que a arma é escolhida. Fica junto a todo instante”, disse Júlia Zanata, que, mais tarde, seria nomeada por Jair Bolsonaro para um cargo regional da Embratur em Santa Catarina.

Nas redes sociais, Júlia Zanata se destacou como militante bolsonarista e recorreu à Justiça para tentar tirar o documentário do YouTube, mas não conseguiu. A censura viria por iniciativa do próprio YouTube, alguns meses antes da eleição no ano passado.

O delegado da Polícia Federal Rodrigo Morais, que investigou o caso, disse a membros de sua equipe que havia dificuldade para investigar o entorno de Bolsonaro, mas, em junho de 2021, quando apurávamos o evento de Juiz de Fora, considerava a hipótese do auto atentado "plausível".

Na época, o Tribunal Regional Federal da 1a. Região analisava a possibilidade de reabertura do inquérito para, em princípio, analisar o celular e o computador apreendido no escritório de Zanone Júnior, que foi o advogado de Adélio.

Ele dizia que, se o caso fosse reaberto, avançaria na investigação, não apenas analisar os arquivos de Zanone. O delegado cogitava pedir autorização do Supremo Tribunal Federal para uma perícia médica em Bolsonaro.

"Ninguém é obrigado a produzir prova contra si, mas eu pediria, para saber se o que provocou o ferimento", disse a dois agentes da Polícia Federal. 

Quando o caso foi reaberto, Rodrigo Morais acabou promovido para um cargo nos Estados Unidos, e quem assumiu a investigação foi o delegado Martin Bottaro Purper, que tinha investigado a facção criminosa PCC.

Algumas semanas depois, o jornal Metrópoles publicou reportagem sobre a linha de investigação: Purper estaria buscando verificar se havia ligação de Adélio com a facção criminosa.

Nunca mais a Polícia Federal tocou no assunto publicamente, mas a notícia gerou barulho na internet. A militância bolsonarista tentava ligar Adélio ao PCC e o PCC a Lula. Puro delírio, mas em época de campanha o barulho poderia ter efeito junto aos eleitores.

Carlos Bolsonaro é chave para eliminar as lacunas do inquérito sobre o evento de Juiz de Fora. Um vídeo publicado no documentário "Bolsonaro e Adélio - Uma fakeada no coração do Brasil" mostra que Adélio tenta se aproximar de Carlos na tarde de 6 de setembro de 2018, logo após a chegada de Bolsonaro ao Parque Halfeld, início da caminhada pelo calçadão.

Ao vê-lo, Carlos Bolsonaro entrou no carro e se trancou. Em entrevista a Leda Nagle, Carlos falou sobre essa aproximação, que ele não poderia negar, já que as imagens tinham se tornado públicas.

"Tem um determinado momento da gravação do meu pai em Juiz de Fora em que eu saio do carro e o Adélio vem na minha direção, e eu, por um acaso, volto no carro e, quando eu entro no carro novamente, ele recua porque viu que não conseguiria chegar até mim. Tem essa gravação. É público, todo mundo consegue ver. Então, eu voltei para o carro e dez minutos depois aconteceu o que aconteceu", afirmou.

Se, ao se trancar no carro, desconfiou do homem que usava jaqueta preta apesar do calor na cidade, deveria ter alertado os seguranças.

Sobre a presença em Florianópolis no mesmo dia em que Adélio fazia o curso, contou que, naquele dia, não esteve no clube de tiro.

"Esse cidadão chamado Adélio esteve no clube de tiro .38 no mesmo dia em que eu estava em Florianópolis. Por um acaso, naquele dia, eu não fui ao clube de tiro. (...) Aloprei com um amigo meu que temos mais ou menos a mesma personalidade. 'Não vou praí, vou pro hotel e dane-se. Não fui'", disse, na mesma entrevista a Leda Nagle.

Se o clube de tiro tivesse atendido à minha solicitação para ver imagens daquele dia, seria eliminada a dúvida sobre o que diz Carlos Bolsonaro: se não esteve mesmo no clube de tiro naquele dia.

Se a Polícia Federal tivesse examinado o deslocamento de Carlos Bolsonaro a partir de seu celular, também se saberia por onde andou em Florianópolis. 

Mas, como não investigava a hipótese de auto atentado, o delegado Morais não requisitou as imagens do clube nem examinou o celular de Carlos Bolsonaro.

A Leda Nagle, Carlos Bolsonaro sugere que poderia ser alvo de Adélio, o que não faz sentido. Examinando a rede social dele, é possível verificar que Adélio só começou a atacar Bolsonaro alguns dias depois do curso no .38.

Entrou na própria página de Jair Bolsonaro no Facebook e o ameaçou. Foi a partir daí que também passou a criticar as propostas de Bolsonaro, e reproduziu entrevista antiga, em que Bolsonaro defende guerra civil no Brasil, com a morte de 30 mil pessoas.

São postagens muito diferentes daquelas que vinha fazendo antes de realizar o curso de tiro, em que defende um projeto de lei apresentado por alguns deputados, entre eles Bolsonaro, para a redução da maioridade penal.

Também era favorável ao serviço de militares em projetos de lazer e educação para jovens. Atacou o projeto de lei que criminaliza a homofobia, apoiado por Jean Wyllys, então deputado pelo PSOL, que os bolsonaristas tentariam ligar a ele.

Esse comportamento, sobretudo as contradições, devem ser investigadas, se o que se busca, no caso de Juiz de Fora, é a verdade factual.

 

 

30
Nov22

As mais loucas fake news que os bolsonaristas ajoelhados nas porteiras dos quartéis acreditam

Talis Andrade

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A MAMADEIRA QUE MUDOU O BRASIL #meteoro.doc - YouTube

 

mamadeira de piroca - Revista Fórum

Mamadeira inflada em ato golpista /7 de Setembro /São PauloPerfis da 'mamadeira de piroca' ainda espalham fake news - 25/08/2022 -  Poder - Folha

 

por Jornalistas Livres

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Com o fim do segundo turno e a derrota de Bolsonaro, os seguidores fiéis do presidente não desistiram da corrida eleitoral e se mantiveram firmes nas ruas questionando o resultado das urnas. Como de costume, o que vem dando sustentação aos argumentos desses golpistas é um vasto acervo de fake news. Tem de tudo. Tem notícia que traz a cantora Lady Gaga representando a primeira-ministra do tribunal de Haia. Tem Alexandre de Moraes preso por favorecer Lula. Tem general das Forças Armadas Beijamin Arrola. E por aí vai. No universo paralelo do bolsonarismo o déficit cognitivo impera. Para os que estão do outro lado, chega a ser cômico. Nós dos Jornalistas Livres reunimos algumas das mais absurdas fake news propagadas por grupos bolsonaristas desde o dia 30 de outubro.

 

Lady Gaga, a primeira-ministra do Tribunal de Haia

Uma imagem com a cantora Lady Gaga em uma suposta conferência com Jair Bolsonaro começou a circular nas redes sociais bolsonaristas. A foto estava acompanhada de uma explicação: Stefani Germanotta (o verdadeiro nome da cantora), a primeira-ministra do “Tribunal de Haia”, estaria negociando uma possível intervenção militar com o atual presidente. 

Lady Gaga é, na verdade, uma cantora que não tem relações com a política brasileira, e não possui um cargo de primeira-ministra (já que esse cargo não existe) no Tribunal Penal Internacional, localizado na cidade de Haia.

Stefani Germanotta (Lady Gaga), em uma suposta conferência de vídeo com Jair Bolsonaro. Foto/Reprodução

 

Mia Khalifa, diretora do tribunal de Haia

Outra notícia foi compartilhada nas redes sociais do grupo bolsonarista “Direita Brasil” (@direita.brasil_oficial), a matéria contava com uma foto de Mia Khalifa, ex-atriz pornô libanesa, em um entrevista que fez para a BBC em 2019 acompanhada de uma foto de Jair Bolsonaro com a seguinte manchete: “Diretora do Departamento Anti-Fraudes Eleitorais do Tribunal de Haia diz que está chocada com as provas obtidas”. 

Mia Khalifa não apresenta nenhuma relação com o tribunal de Haia ou com as eleições presidenciais do Brasil. “Ok, a essa altura eu deveria estar me perguntando se estou atrasada para o trabalho, eu acho que eu realmente tenho esse emprego”, ironizou a modelo ao compartilhar a notícia falsa que estava circulando nas redes sociais. 

Tweet do portal Direita Brasil chamando Mia Khalifa de Diretora do Departamento Anti-Fraudes Eleitorais do Tribunal de Haia. Imagem/Reprodução

 

General Benjamin Arrola

Mais uma notícia duvidosa começou a circular nos grupos bolsonaristas nesta semana. Trata-se de um texto que afirma que o suposto general das Forças Armadas “Benjamin Arrola” teria pedido ao TSE uma explicação sobre as eleições. É admirável a credibilidade que um bolsonarista pode dar a uma notícia que traz um nome fictício que sonoramente se traduz em “Beija Minha Rola”. Foi o caso do prestigiado lutador Vitor Belfort, ex-campeão de UFC e eleitor de Jair Bolsonaro. Em seu instagram, o lutador compartilhou um story com a notícia do general e ainda abriu uma enquete para os seus seguidores perguntando se eles acreditavam no resultado das urnas.

“O General Benjamin Arrola das Forças Armadas declarou que o exército deu 24 horas para que o TSE explique o que houve nas urnas no domingo. Segundo ele, as forças armadas já estão apostos para a tomada do poder caso não haja nenhuma explicação coerente”, diz o texto que Belford compartilhou nos stories do seu instagram”.

Vitor Belfort, ex-campeão de UFC, postou em seu stories uma declaração do “General Benjamin Arrola”. Imagem/Reprodução

Nesta terça-feira (08/11), o ex-lutador de UFC postou um vídeo pedindo uma declaração do suposto general.

Onde está o General Benjamin Arrola?

 

A renomada juíza Anna Ase, cantora do ABBA  

A cantora Agnetha Fältskog, do conjunto ABBA, também foi alvo de fakenews bolsonaristas. Um vídeo mostra a suposta juíza Anna Ase, uma autoridade internacional sueca, falando sobre fraudes nas urnas brasileiras. 

Anna Ase, na verdade, é Agnetha Fältskog, cantora na banda ABBA. O vídeo que a “juíza” questiona a veracidade das urnas é uma entrevista de 2013, e os bolsonaristas usaram legendas falsas nas falas da cantora para sustentarem sua tese. 

Agnetha Fältskog, a cantora do grupo ABBA, é chamada de juíza renomada e comenta as eleições brasileiras de 2022. Imagem/Reprodução

 

Pedido de prisão contra Alexandre de Moraes 

Um vídeo que viralizou na última semana mostra um grupo de bolsonaristas comemorando a suposta prisão do Ministro Alexandre de Moraes. A filmagem aconteceu em Porto Alegre e nela bolsonaristas choram, se jogam no chão e balançam a bandeira do Brasil ao receberem a notícia falsa. 

O ministro não recebeu nenhum mandado de prisão e segue atuando no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confira abaixo o vídeo que viralizou nas redes: 

 

Christmas 

Uma foto da reportagem afiliada ao SBT do Rio Grande do Norte, TV Ponta Negra, viralizou na internet. A imagem mostra um idoso em uma manifestação antidemocrática, contrariando a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na Avenida Hermes da Fonseca. 

O sujeito segura um cartaz escrito: “intervenção federal 02/11/2022 Natal/RN — Brasil”. No entanto, o que chamou mais a atenção dos internautas foi a tradução em inglês logo abaixo: “federal intervention already 02/11/2022 Christmas/RN — Brasil”. O nome da cidade havia sido traduzido para “Christmas”, como é chamado a data comemorativa em que Jesus nasceu, 25 de dezembro, isto é, Natal. 

Homem traduz o nome da cidade de Natal para Christmas. Imagem/Reprodução
 

Com Camilla Veles e Marina Merlino. Roteiro André Cavalieri e Gabriel Di Giacomo. Direção captação edição André Cavalieri
 

Nenhuma descrição de foto disponível.
 
 

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29
Out22

Notas sobre um atentado (ou dois)

Talis Andrade

 

PT cobra da PF medidas disciplinares contra agente que escoltou Lula |  Partido dos TrabalhadoresPT pede ação da PF contra agente bolsonarista que escoltou Lula - Viomundo

 

Danilo Cesar Campetti, um dos policiais responsáveis pela escolta de Lula no velório do neto Arthur Araújo Lula da Silva, no dia 3 de março deste ano, é ativista pró-Bolsonaro nas redes sociais e mantém manifestações hostis ao PT. Atencão para os símbolos no colete à prova de bala

 

Se no bolsonarismo em tudo há certo método, porque não haveria nos “atentados” que acometem Bolsonaro e bolsonaristas? O mesmo agente em Juiz de Fora, Paraisópolis e enterro do neto de Lula 

 

por Hugo Souza

Nesta sexta-feira, 28, Tarcísio de Freitas foi às redes sociais “falar sobre o que aconteceu em Paraisópolis”. Comentando a informação de que foi um agente licenciado da Abin, Fabricio Cardoso Paiva, integrante do seu staff, quem mandou o cinegrafista da Jovem Pan apagar imagens do tiroteio, Tarcísio disse que Fabrício “é meu amigo de 30 anos, que entrou comigo na Escola Preparatória de Cadetes do Exército em 1992, em Campinas”.

Come Ananás identificou que Tarcísio e Fabrício estiveram ao mesmo tempo também na graduação em Ciências Militares na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), na década de 1990, e na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), na década de 2000. Mas não só os dois. O atual chefe da Abin, Víctor Felismino Carneiro, também foi contemporâneo de Tarcísio de Freitas e de Fabrício Paiva na Aman e na EsAO.

Víctor Carneiro assumiu a Abin em abril deste ano, após a saída de Alexandre Ramagem do cargo para ser candidato a deputado federal. Ramagem, recordemos, foi nomeado por Jair Bolsonaro em 2020 para chefiar a Polícia Federal. O STF, porém, suspendeu a nomeação, dada a notória e umbilical ligação de Ramagem com a família Bolsonaro. Isto não impediu, porém – ninguém suspendeu -, que Bolsonaro nomeasse Ramagem, na sequência, para o comando da Abin.

Já Victor Carneiro, que é filho de um general quatro estrelas, chegou ao comando da Abin por indicação de Carlos Bolsonaro, atravessando um nome, Edgar Ribeiro Dias, que já tinha sido escolhido para o cargo pelo general Augusto Heleno, chefe do SGI. Havia a informação de que Dias tinha o intuito de exonerar policiais federais ligados aos Bolsonaro e levados para a Abin após a posse de Jair Bolsonaro, em 2019. Um dos policiais federais ligados aos Bolsonaro e levados para a Abin em 2019 é Danilo Cesar Campetti.

Para quem não está ligando o nome ao agente, Danilo Campetti integrou a chamada “Operação Messias” da Polícia Federal, de segurança do então candidato à presidência da República Jair Bolsonaro, em 2018. Ele estava entre os policiais que faziam a escolta de Bolsonaro no dia do episódio da facada em Juiz de Fora, 6 de setembro daquele ano. Campetti também estava acompanhando Tarcísio no dia do tiroteio em Paraisópolis. Há imagens dele com uma pistola em punho.

 

Agente com Tarcísio em Paraisópolis estava com Bolsonaro no dia da facada |  Revista FórumPolicial que estava no tiroteio de Paraisópolis estava no dia da 'fakeada'  de Juiz de Fora

Em 2018, Danilo Campetti foi indicado para integrar a “Operação Messias” pelo xará e também policial federal Danilo Balas.

“Em meados de 2018, recebi uma ligação de Brasília, do setor responsável pela segurança dos candidatos à presidência da República. Era um convite para compor a equipe que faria a segurança do então candidato à presidência Jair Messias Bolsonaro. Minha resposta foi que não poderia fazer parte da equipe por questões óbvias: sairia candidato a deputado estadual, naquele mesmo ano. Uma outra pergunta me foi feita: se eu conhecia e indicaria algum policial federal para efetuar o trabalho mencionado”, contou Danilo Balas no dia 14 de fevereiro de 2020 numa sessão solene da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) de São Paulo, para a qual Balas havia sido eleito em 2018.

 

Balas brotam

 

Danilo Balas ficou nacionalmente conhecido em 2014, quando postou no Facebook imagens de si próprio treinando tiro ao alvo numa gravura de Dilma Rousseff: “assim fica fácil treinar”. Quatro anos antes, em 2010, Danilo Balas havia recebido um convite de Eduardo Bolsonaro para entrar na política.

Danilo Balas foi um dos primeiros a gritar “atentado!” no dia do episódio em Paraisópolis:

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Tarcísio e equipe passam bem. Há informações de que um bandido foi baleado e morreu.

Nossa solidariedade ao futuro Governador @tarcisiogdf e à equipe, e agradecimentos aos policiais que reagiram prontamente. Ser o candidato da Segurança Pública tem um alto preço. pic.twitter.com/c9fRg5xEzo

— Danilo Balas (@DaniloBalas) October 17, 2022

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Aquela sessão solene na Alesp na qual Danilo Balas disse ter indicado Danilo Campetti para a “Operação Messias” foi precisamente para outorgar o Mérito Legislativo do Estado de São Paulo a três agentes da Polícia Federal que estavam com Bolsonaro em Juiz de Fora no dia do episódio da facada, entre eles Campetti. Uma honraria curiosa a quem, afinal, falhou em serviço.Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais

Naquele dia, Campetti disse no microfone da Alesp que “podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que o capitão Jair Messias Bolsonaro é imune aos efeitos colaterais e perniciosos do poder”.

Nestes outros dias pré-eleitorais – os hodiernos – em que agentes fora de serviço, mas aliados, brotam nas ruas em dia de “atentado”, convém chamar a atenção para outra coisa que Danilo Campetti disse naquele dia na Alesp:

“Notória era a participação de policiais voluntários, inclusive aposentados, em todos os locais que comparecíamos e que, mesmo em dias de folga, não hesitavam em ombrear conosco na proteção do candidato. Dessa forma, já era prevista a realização de ‘briefings’, ou seja, reuniões preliminares, com aqueles irmãos aliados, os quais cumpriam com excelência tudo o que fora previamente estabelecido. A esses obstinados guerreiros, minha continência e homenagem. O agradecimento, realmente, meus irmãos, a todos aqueles que, aonde a gente ia, todos que estavam de folga: policiais, agentes de segurança – mesmo particulares -, segurança privada, era comum a gente chegar aos locais e essas pessoas já estarem esperando uma liderança para a gente fazer essa reunião para eles poderem compor com a gente”.

Outro agente da “Operação Messias”, também indicado por Danilo Balas, homenageado na Alesp naquele 14 de fevereiro de 2020 foi Flavio Antonio Gomes, que relatou:

“O Zero Um [como os agentes se referiam a Jair Bolsonaro] saiu de sua casa e, como de costume, cumprimentou animadamente cada um dos policiais, fazendo brincadeiras e comentários sobre os últimos acontecimentos políticos. Após alguns minutos de uma conversa informal, ele mudou a expressão. Seriedade e preocupação tomaram o lugar das risadas. Mencionou algo sobre não ser difícil acontecer um atentado contra ele, já que muita gente estava interessada em manter-se no poder. Sabíamos que ele tinha razão e ficamos em silêncio”.

Convém chamar a atenção também, retroativamente, a esta declaração, nestes dias pré-eleitorais nos quais a campanha de Tarcísio de Freitas inseriu o “atentado” de Paraisópolis numa peça de propaganda eleitoral na TV que já estava programada para ser sobre supostas – e delirantes – ligações do PT com o crime organizado.

 

‘Vamos!’

 

O terceiro agente da Polícia Federal homenageado na Alesp naquele 14 de fevereiro de 2020 foi João Paulo Dondelli, mais um indicado por Danilo Balas para a “Operação Messias”. Dondelli contou, por seu turno, outro bastidor do episódio da facada em Juiz de Fora.

Transcrevemos:

Foram dois fatores que me fizeram tomar a decisão de sacar o Adélio de lá: o primeiro foram as características que eu citei, a experiência e saber até onde vai o limite de uma equipe experiente. O segundo fator que me levou, de fato, a fazer aquilo ali, foi um diálogo que eu tive com o candidato Jair Bolsonaro em frente a um elevador, lá em Osasco, 15 dias antes.

Iria ter um evento em uma rede de televisão entre os candidatos à presidência, e ele recebeu a informação de que havia um púlpito vazio lá para um ex-presidente preso e sem registro de candidatura. Ele ficou injuriado com aquilo, olhou para mim e falou assim:

– Federal, império da lei, não tem registro e tá condenado.

E eu:

– Império da lei, Zero Um.

– Vamos pra guerra?

– Vamos pro combate!

Danilo Campetti Policial Federal fazendo a Segurança do Tarcísio em  atentado em Paraisópolis.Cinegrafista que filmou tiros da equipe de Tarcísio em Paraisópolis relata  medo após demissão - Hora do PovoArticula Redes Resiste! 🚩✊ #VamosJuntosPeloBrasil on Twitter: "@cortezpsol  Morte durante campanha de Tarcísio teve "indícios de execução". Quem vai  responder pela morte ocorrida no atentado forjado? Reage São Paulo!!!  https://t.co/0jIJTT4kPU" / Twitter

 

 

 

29
Out22

Vidas negras não importam para Tarcísio

Talis Andrade

www.brasil247.com -

O teatro de um atentado contra o general Tarcísio de Freitas custou a vida de um jovem

 favelado

 

A proposta de Tarcísio para a segurança representa um enorme retrocesso e um ataque às vidas negras

 

 

No próximo domingo chega ao fim das eleições no Brasil, e teremos finalmente a escolha do projeto político que será implementado no Brasil e nos estados que têm segundo turno. O candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, fez discurso contra as câmeras corporais na farda da polícia militar de São Paulo e está ameaçando acabar com o programa que reduziu 77,37% de mortes por intervenção policial nos primeiros cinco meses de 2022, assim como reduziu o número de policiais mortos, que é o menor desde o início da série histórica, em 2001. A pergunta que não quer calar: A quem interessa acabar com a política que está reduzindo as mortes de jovens, negros e periféricos?

Ao analisar a questão da segurança pública no Brasil, nos deparamos com uma série de contradições acerca da viabilização do Estado democrático e de direito. Primeiramente, porque a polícia surge no Brasil império a serviço das elites escravocratas para controlar e criminalizar negros escravizados, e aprofunda suas características autoritárias com a padronização de métodos de repressão e a centralização das polícias estaduais sob o comando do exército no período da ditadura militar, com legitimidade institucional para eliminar o inimigo (negros e comunistas), e nos dias atuais as características fruto desses processos históricos persistem, visto que o processo de redemocratização não veio acompanhado da superação dessa herança autoritária. E na atual realidade, esse inimigo é negro, jovem, pobre e morador da periferia.

Em segundo lugar, fica evidente um conjunto de violações de direitos contra uma parcela específica da população, historicamente marginalizada, quando a política de segurança pública é seletiva, e sendo assim, para uma parte da população representa segurança e para outra parte da população significa violação de direitos fundamentais como o direito à vida, à integridade física e moral da categoria dos direitos individuais, e o próprio direito à segurança pública da categoria dos direitos sociais. Nessa esteira, o Estado que deveria ser garantidor de direitos se torna violador de direitos quando se trata da questão da segurança pública. Paralelamente, esse mesmo Estado é ausente quando se trata da garantia dos direitos sociais como educação, saúde e moradia.

No primeiro semestre de 2020 em São Paulo, as polícias civil e militar mataram, somadas, 514 pessoas em decorrência de intervenção policial, representando um aumento de 20% em comparação ao mesmo período no ano anterior, número recorde de mortes mesmo durante a pandemia e o isolamento social. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 78,9% das vítimas da letalidade policial são negras, portanto, é necessário enfrentar esse tema observando o racismo sofrido pela população negra, que é normalizado através da estrutura social, econômica, política, cultural e jurídica no nosso país.
 
Vale destacar que a utilização de câmeras corporais no fardamento da polícia é recente no Brasil, mas essa tecnologia vem sendo testada e implementada desde os anos 2000, a exemplo do Reino Unido e Dinamarca. E a partir da experiência estadunidense, há um movimento crescente de implementação dessa política no mundo, especialmente a partir de 2015, quando o presidente Barack Obama realizou um investimento de mais de US$ 23 milhões para a compra de 50.000 câmeras para ampliar o programa piloto, com objetivo de melhorar a relação entre polícia e comunidade, sendo os pioneiros a implementar as câmeras corporais de forma massiva.
 

O governo do estado de São Paulo iniciou em março de 2021 o uso de 2.500 câmeras corporais no uniforme da polícia militar, através do programa chamado “Olho Vivo”. Atualmente existem cerca de 10.125 câmeras em operação, com perspectiva de ampliar até o final do ano. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, houve uma queda de 30% no total de vítimas da letalidade policial, um resultado relevante das medidas tomadas desde 2020. E quando se comparam os dados entre os batalhões com câmera, com os batalhões que não implementaram o dispositivo, se observa uma queda de 63,6% e 77,4% nos batalhões com câmera, no terceiro e quarto trimestre de 2021 respectivamente. Enquanto que nos batalhões que não implementaram as câmeras, se observa um crescimento de 9,1% e 10,9% no mesmo período.

Ao longo de 2021, houve uma redução geral nos índices de letalidade policial no estado de São Paulo, mesmo nos batalhões que não implementaram as câmeras. Mesmo a redução sendo mais significativa nos batalhões que aderiram ao programa “Olho Vivo”, que caiu em 47% o número de mortes por intervenção policial, contra uma queda de 16,05% nos demais batalhões. Isso se justifica pelo fato da polícia militar de São Paulo ter adotado uma série de medidas com objetivo de reduzir o uso da força, as câmeras por si só não são suficientes para reduzir a letalidade, embora tenham um papel relevante, por isso a diminuição foi dez vezes maior nos batalhões com câmera se comparada com as unidades que não utilizam as câmeras.

Nesse sentido, foram tomadas medidas como a comissão mitigação de não conformidades que tem como objetivo identificar não conformidades e ajustar protocolos de atuação e procedimentos operacionais padrão para serem difundidos nas escolas de formação e treinamento, além disso, mecanismos de supervisão e disciplina, reforço do Sistema de Saúde Mental da Polícia Militar, a aquisição de equipamentos de menor potencial ofensivo, dentre outras medidas que foram tomadas. Portanto, os resultados positivos são uma consequência desse conjunto de medidas articuladas com o uso das câmeras corporais.

Ainda temos muita estrada para chegar numa política de segurança cidadã, que não viole os direitos humanos e que seja antirracista, mas sem dúvidas a proposta de Tarcísio representa um enorme retrocesso e um ataque às vidas negras, tanto porque objetivamente todos resultados apontam para uma redução nos índices de letalidade, quanto porque simbolicamente o recado que ele passa para o povo é que seu governo dará licença para matar. Para Tarcísio, vidas negras não importam, por isso vamos derrota-lo dia 30 de outubro.

 
29
Out22

Na véspera da eleição, Carla Zambelli saca arma e aponta para militante de Lula na rua (vídeos)

Talis Andrade

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Crime de racismo. Abuso de poder. Atentado ao pudor. Falta de decoro parlamentar. Gíria miliciana. Ameaça de morte. Violência contra morador de rua negro, pobre e desarmado

 

247 - A deputada federal reeleita por São Paulo Carla Zambelli, apoiadora de Jair Bolsonaro, sacou uma arma e apontou para um homem na rua na tarde deste sábado (29), véspera do segundo turno da eleição.

O episódio aconteceu na travessa da Joaquim Eugênio Lima com a Lorena, no bairro nobre Jardins, segundo Antonio Neto, do PDT, que divulgou um vídeo da cena no Twitter (veja abaixo).

No vídeo, ela segue o homem por uma distância, que foge e entra num bar. Ela entra atrás e ordena aos gritos: “Deita no chão! Deita no chão!”. “Quer me matar para quê, mano?”, pergunta o homem.

Segundo o jornal O Globo, Zambelli afirmou que "militantes de Lula" a "cercaram e agrediram quando saía do restaurante". As imagens, no entanto, não mostram agressão, e sim Zambelli correndo - e caindo enquanto corria - atrás de um homem negro. Outro vídeo mostra um homem que acompanha Zambelli também correr e atirar - não é possível identificar em qual direção.

Leandro Grass, candidato ao governo do Distrito Federal pelo PV, já anunciou que vai pedir a cassação do mandato da deputada. "Estou preparando o pedido de cassação da Zambelli. Assim que protocolar, enviarei aqui", postou no Twitter.

ДRiКА✜⁷
a fanfiqueira da carla zambelli caindo sozinha e depois botando os cães de guarda dela pra cima da pessoa
@drickaos
"um homem negro"
Quote Tweet
CHOQUEI
@choquei
AGORA: Bolsonarista Carla Zambelli se pronuncia após sacar a arma para petista: “Um homem negro veio pra cima de mim. Me machucaram. Me chamaram de vagabunda e de prostituta. #Eleições2022
 
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17
Out22

Uma campanha regida pelo crime

Talis Andrade
 
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por Cristina Serra

 

Jair Bolsonaro instalou o modo arruaça na disputa eleitoral. Tem a arruaça pura e simples, como aconteceu na basílica de Nossa Senhora Aparecida. Desordeiros abastecidos de fanatismo alastraram ódio num lugar destinado à paz e ao conforto espiritual.

Na arruaça cognitiva, ninguém supera Damares Alves e suas delirantes depravações mentais. O padrão de lentidão das autoridades não é páreo para a velocidade supersônica do aparato de propagação de mentiras da extrema direita. Nem o boné de Lula escapou da arruaça digital.

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Não podiam faltar os arruaceiros engravatados. A tropa de choque no Congresso, nutrida pelo orçamento secreto, quer criminalizar os institutos de pesquisa. A Polícia Federal e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) abriram outras frentes de pressão, estas, felizmente, contidas a tempo pelo presidente do TSE, Alexandre de Moraes.

 

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Os arruaceiros do bolsonarismo não são simples baderneiros. São criminosos que agem de forma coordenada para tumultuar o segundo turno da eleição. Contam também com outras modalidades de crime, como a ameaça aos empregos de trabalhadores e a compra de votos por fazendeiros e empresários, que nos catapulta de volta à República Velha e ao voto de cabresto.

Bolsonaro age com a técnica dos prestidigitadores. Distrai a audiência (o eleitor) com a guerra santa e o submundo digital, enquanto a campanha coleciona ilegalidades e exemplos de abuso de poder político e econômico. Uma ação toda construída na lógica do crime consegue escapar não só dos mecanismos normais de fiscalização como também do monitoramento das pesquisas. Simplesmente porque nada é normal numa campanha regida pelo crime.

Neste cenário eleitoral completamente deformado, é impossível ter qualquer segurança sobre o que sairá das urnas, daqui a duas semanas. A única certeza é que, no vale-tudo da campanha extremista, Bolsonaro ainda não esgotou seu repertório de crimes contra a democracia.

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02
Ago22

Governo Bolsonaro pede ao TSE acesso ao código-fonte das urnas eletrônicas em ofício "urgentíssimo"

Talis Andrade

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ULTIMATO GOLPISTA

General Paulo Sérgio Nogueira deu prazo até 12 de agosto para que o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, atenda ao pedido

 

247 - O governo de Jair Bolsonaro pediu ao Tribunal Superior Eleitoral o acesso ao código-fonte das urnas eletrônicas. O pedido foi feito pelo ministro da defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira em ofício classificado pela pasta como ‘urgentíssimo’.

“Solicito a Vossa Excelência a disponibilização dos códigos-fontes dos sistemas eleitorais, mais especificamente do Sistema de Apuração (SA), do Sistema de Votação (VOTA), do Sistema de Logs de aplicações SA e VOTA e do Sistema de Totalização (SisTot), que serão utilizados no processo eleitoral de 2022”, diz um trecho do ofício divulgado pelo site Poder 360 nesta terça-feira (2).

No ofício ao TSE, o ministro da Defesa dá o prazo até 12 de agosto para que o presidente da Corte Eleitoral, ministro Edson Fachin, atenda ao pedido. General Paulo Sérgio Nogueira justificou o prazo dizendo que há um “exíguo tempo disponível até o dia da votação”. O primeiro turno das eleições está marcado para o dia 2 de outubro.

Jair Bolsonaro (PL) voltou a atacar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que o ministro Alexandre de Moraes “faz de tudo” para incriminá-lo. “Inquéritos do Alexandre de Moraes são completamente ilegais, imorais. É uma perseguição implacável por parte dele, a gente sabe o lado dele”, afirmou Bolsonaro nesta terça-feira (2), durante entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

“É maneira de jogar a rede e me incriminar em algum lugar. Está fazendo tudo de errado [Alexandre de Moraes] e, no meu entender, não vai ter sucesso em seu intento final”, completou, conforme o jornal O Estado de S. Paulo. Moraes irá assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 16 de agosto. A figura caricatural do gorila nos discursos da esquerda

17
Jul22

A ineptocracia

Talis Andrade

 

benett bolsonaro parlamentar presidente.jpg

O discurso, o gestual, a mensagem simbólica de Bolsonaro contribuíram para o atual ambiente de intolerância e conflito

 
 
por Gustavo Krause
 

Clima tenso é o estado natural das competições. Nas eleições, a disputa é a ambicionada taça do poder.

Neste jogo, emerge o que temos de nobre e perverso. Nobre é confiar a outrem a capacidade de agir em nome de legítimos interesses individuais e coletivos. Perverso é o comportamento afrontoso às instituições, às regras do jogo e ao uso criminoso da violência no ambiente democrático.

O Observatório da Violência Política e Eleitoral da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio) registrou no primeiro semestre deste ano 214 casos de violência política, 32% maior do que 161 episódios (ameaças, homicídios, atentados e agressões físicas) no mesmo período do ano eleitoral de 2020.

O levantamento revela que a violência se espalha pelo território nacional e por vários partidos, atingindo de forma mais significativa integrantes do PSD, 19 episódios, Republicanos, 18, PT e PL, 17, no primeiro semestre.

A retórica eleitoral reacenderá os assassinatos brutais da vereadora Marielle Franco, do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. O misterioso caso de Celso Daniel virá à tona assim como o atentado ao então candidato Bolsonaro.

O que virá pela frente? Mais ódio. No sábado 09/7 o bolsonarista Jorge Guaranho invadiu a festa de aniversário e “fuzilou” o lulista Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu. Em Diadema, Lula agradeceu ao ex-vereador Maninho de PT que, em 2018, reagiu às ofensas do empresário Carlos Alberto Betoni e foi condenado por tentativa de homicídio.

Ao longo do mandato, o Presidente Bolsonaro não buscou construir uma cultura de paz. Pelo contrário, o discurso, o gestual e a mensagem simbólica contribuíram para o atual ambiente de intolerância e conflito.

No plano institucional, constitucionalizado o populismo fiscal, os poderes instauram uma forma degenerada de governo: a INEPTOCRACIA, título de autoria incerta entre o filósofo francês Jean D’Ormesson (1925-2017) e Ayn Rand (1905-1982), filósofa americana de origem judaico-russa, que definiu: “Quando você perceber que, para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho e que as leis não nos protegem deles, mas pelo contrário, são estes que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

É difícil aceitar que a realidade supera uma charge”, diz o cartunista  Benett - Portal IMPRENSA - Notícias, Jornalismo, Comunicação

15
Jun22

Governando à beira-mar

Talis Andrade

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Assassinatos de Bruno Pereira e Dom Philips como "rastilho de pólvora que poderá implodir o castelo de cartas marcadas"

 

por Hildegard Angel

- - -

Esse episódio gravíssimo das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, do jornal britânico The Guardian, escancara a conivência, pra não dizer parceria, do governo brasileiro com o crime organizado. Não apenas nas ilegalidades praticadas na Floresta Amazônica, sob os olhos do Comando Militar. É como um rastilho de pólvora que poderá implodir o castelo de cartas marcadas.

Cartas marcadas com A, de avião presidencial, onde foi encontrada pela polícia da Espanha uma carga de 39 quilos de cocaína. Com B, não preciso dizer de quem. Com C, do cinismo da vista grossa da mídia e das principais instituições do país.

Pulando para o F, da fakeada, caso em que a mídia insistiu em não se aprofundar, e até em ignorar investigações de colegas da mídia independente, como o vídeo incontestável do jornalista Joaquim de Carvalho, produzido pelo Brasil 247.

Chegando ao R, das Rachadinhas. Documentadas, evidenciadas, provadas, elas foram arquivadas na pasta "Vai ficar por isso mesmo", com as bênçãos da PF, da PGR, da AGU e mais todos os órgãos de investigação e controle do país, todos devidamente aparelhados.

Tem a carta marcada com Q, de queimadas, a carta com I, de invasões, a com C, P e I, de CPI da Covid, que em nada resultou, tem as cartas B, N, D, E e S, de BNDES, emprestando montanhas de dinheiro para certa empresa 17 (OneSeven) adubar com centenas de milhões shows de sertanojos.

As cartas F e N, de Fake News, o Ás que esse governo charlatão tirou da manga para dar o strike na eleição de 2018, e quer dar de novo em 2022.

Os olhos de toda a mídia, de todos os governos e povos do mundo estão neste momento fixos na Amazônia. Com o risco de, se olharem direito e ampliarem o foco, perceberem que este governo parece ter sido idealizado por um mestre do crime, com a genialidade de um Al Capone ou de um Beira-Mar, com F, de Fernandinho.

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