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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

15
Ago19

A temida dinâmica da Casa da Morte

Talis Andrade

ines etienne.jpg

 


por Fabianna Freire Pepeu

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Justiça em memória da historiadora Inês Etienne Romeu, que foi estuprada e brutalmente torturada por 96 dias, na Casa da Morte, no Rio, durante a ditadura militar, e agredida, outra vez, de modo violento, já com 61 anos, em um episódio nunca muito bem explicado, antes do depoimento à Comissão da Verdade. Ela foi a única presa política que sobreviveu à tenebrosa prisão clandestina de Petrópolis.


Ao votar pela abertura do primeiro processo criminal de estupro aberto contra militantes durante a ditadura, a corajosa desembargadora Simone Schreiber do TRF-2 disse:
— O país (Brasil) e mais especificamente o poder judiciário relutam em lidar com o seu passado e adotar um modelo transicional adequado às obrigações jurídicas assumidas em um plano internacional. Essa dificuldade de enfrentar as graves violações cometidas em nome do Estado estão amparadas em uma cultura de esquecimento da qual algumas das consequências reconhecidas pela comunidade internacional são a perpetuação das estruturas de poder autoritárias e legitimação de violências policiais e torturas cometidas nos dias de hoje contra a população civil. Assim, diante da existência de conjunto probatório mínimo, ao embasar o recebimento da denúncia, e do reconhecimento do impacto das normas de direito internacional interno de que os crimes contra a humanidade são imprescritíveis e inanistiáveis, há que ser recebida a denúncia.

Por vezes, o profundo sofrimento de algumas pessoas não é em vão. Inês Etienne trouxe à luz a temida dinâmica da Casa da Morte. Um dia, quem sabe, quando esse novo pesadelo chamado Bolsonaro acabar, as práticas de tortura políticas — e mesmo com presos comuns — vão fazer parte de um passado distante e superado. Mesmo um elogio a atos cruéis será considerado crime grave e o meliante será preso de imediato. Abordado nas escolas, o tema da tortura será de conhecimento de todos. E todos repudiarão sua prática.


Viva Simone ❤️
Em memória de Inês ❤️

30
Jul19

NA COMPANHIA DO MAL

Talis Andrade

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bozo dodge.jpg

por Fabiana Freire Pepeu

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‘Quem procura osso é cachorro’ dizia a placa na porta do seu gabinete, em 2009, muito antes do impeachment de Dilma, ironizando o trabalho de busca dos desaparecidos da guerrilha do Araguaia.

Durante o golpe, em 2016, ao vivo, para o mundo inteiro ver e ouvir, fez homenagem ao torturador Ustra, ‘o terror de Dilma Roussef.’


Era a grande chance de um levante contra o Mal. Quem se levantou? Quem disse: ‘por aqui não passarás, filho das trevas?’


Nada poderia ser mais grave. Nada. E nada será. Bastaria conhecer essa única frase para ter sido contrário à eleição desse ser repugnante, maligno, perverso e ditatorial.


Quem teve acesso à declaração —e foram todos — e não se posicionou, a partir dali e, ainda, depois, simplesmente escolheu andar em companhia das sombras. Coisa simples que não permite o contraditório.


Na qualidade de presidente, Bolsonaro faz, agora, a fala mais grave, desde primeiro de janeiro, ao agredir o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, debochando da morte de seu pai, nosso conterrâneo Fernando Santa Cruz, que foi assassinado pela ditadura militar, era irmão do nosso querido Marcelo e filho de Dona Elzita — morta aos 105 anos, justamente no mês passado, para não ouvir o que foi dito nesta inesquecível segunda-feira.

santa cruz.jpg

20 de fevereiro de 1949 - desaparecido em 23 de março de 1974.


Bolsonaro mostra toda a crueldade que possui na alma, desdenhando de tudo e de todos que lhe são contrários porque guarda, justamente ali, perto do seu coração, no bolso esquerdo da camisa, além da sua hipócrita caneta bic, duas fotografias. Ele usa as imagens como quem diz ao presidente da OAB: ‘fizemos com seu pai, por que não faríamos com você ou com quem atravessar, outra vez, nosso caminho?’


O game passa para o terceiro nível.

 

01
Fev19

Talvez, alguém até já esteja confinado em um gueto em Curitiba

Talis Andrade

lula luto.jpg

 


por Fabianna Freire Pepeu

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29 de janeiro às 15:25 ·
Posso estar muito enganada, mas não acredito que irão atender ao pedido de Lula de ir ao sepultamento de seu irmão. Não preciso da negação desse pedido pra saber em que calabouço vivemos com algum verniz nas paredes ainda.
Edit 1. De todo modo, se a autorização for expedida, é tempo de voar.
Edit 2. Polícia Federal do Paraná deu parecer contrário ao pedido de Lula de ir ao velório do seu irmão. A PF respondeu solicitação do MP que, por sua vez, foi acionado pela juíza fan-toche.
Edit 3. No início da madrugada, a juíza Carolina Lebbos vetou ida de Lula ao velório.
Edit 4. Às 12h45, o presidente do STF, o ignóbil Dias Toffoli, autorizou, ‘parcialmente’, a ida de Lula ao velório do irmão. O sepultamento estava marcado para 13h. Lula está em Curitiba e o velório seria em São Bernardo do Campo. A distância entre as duas cidades é de 433 quilômetros, o que representa algo em torno de cinco horas e meia de viagem pela BR-116.

luto Autoritarismo-contra-o-Lula.jpg

 

 

30 de janeiro às 05:26 ·
Pena eu não me chamar Fabianna Lula da Silva. Se eu fosse da família de sangue, tentaria convencer todo mundo a embalsamar o corpo de Vavá e só procederia ao enterro quando a juíza Lebbos - mera tarefeira em um conjunto de forças macabras maiores - liberasse a ida de Lula.
É uma ideia um tanto estapafúrdia, eu sei. Mas, diante desse estado de exceção que se instalou no Brasil, onde, agora, o descumprimento das leis mais elementares ocorre à luz do dia e com requintes de crueldade, como a proibição de uma ida a um velório, é imperativo apelar também para ações bizarras e extraordinárias.
Sem ousadia da família de Lula, de Lula, dos partidos de esquerda, da ala progressista desse país, da imprensa que opera na resistência, e dos diversos atores espalhados aqui e acolá, nós vamos continuar perdendo, perdendo e perdendo.
Tem sido assim desde 2014, pois mesmo com a derrota de Aécio, nós é que estamos perdendo desde então.
Se alguém pensa em sair da ‘Terra do Nunca’, eu peço licença pra lembrar uma lista de eventos do Brasil real:

1. Golpe contra Dilma;
2. Temer até o final;
3. Assassinato Marielle;
4. Prisão Lula;
5. Manobras ilegais para não libertar Lula;
6. Não apuração pistolagem Whatsapp;
7. Eleição Bolso;
8. Posse ministros processados;
9. Não apuração graves denúncias envolvimento presidente, sua mulher e filhos com milícias, bem como, indiretamente (?), com morte Marielle;
10.Exílio Jean Wyllys;
11. Morte cerca de 360 pessoas, enterradas vivas pela lama da iniciativa privada;
12. Chegada soldados israelenses. Exército responsável pela violência e morte contínua de palestinos (dezenas e dezenas de crianças, inclusive) num conflito desigual;
13. Lula tem negado pedido de ir ao velório do próprio irmão.
A ‘listinha’ indica necessidade de união irrestrita das tribos e, ainda, de planos maiores, mais loucos e mais ousados, mas podemos todos também ir cotar preços de fantasias, pois Carnaval tá na porta ou comprar livros pra os dias de folia.
Ah, sei lá.

luto Lula-enterro-do-Irmao.jpg

 

30 de janeiro às 15:46 ·
‘Não posso fazer nada porque não me deixaram ir. O que posso fazer é ficar aqui e chorar.’ (Lula)
Choro junto, amigo. Não sei se ajuda em alguma coisa, mas eu também não posso fazer nada.
Imensa tristeza por Lula, imensa tristeza por sermos tão passivos e subservientes.

luc brasil luto bolsonaro.jpg

 



30 de janeiro às 16:01 ·
Me parece que se estivéssemos na Alemanha nazista, também continuaríamos nossa vidinha ordinária, enquanto muitos judeus estariam sendo confinados em guetos e, depois, levados aos campos de extermínio. Perdão, mas acho a resistência em curso infantil e ‘descorajosa.’
Não acho que estamos em um país nazista, porque ainda não perdi a noção de tempo e espaço, mas a gravidade do que vem ocorrendo, dia após dia, no Brasil, nos pede infinitamente mais do que estamos dando.
Talvez, em pouco tempo, alguém seja mesmo levado a um gueto e nós não nos daremos conta. Talvez, alguém até já esteja confinado em um gueto em Curitiba.



Ontem às 02:05 ·
Morte, vela, sentinela sou
Do corpo desse meu irmão que já se vai
Revejo nessa hora tudo o que ocorreu
Memória não morrerá
Vulto negro em meu rumo vem
Mostrar a sua dor plantada nesse chão
Seu rosto brilha em reza, brilha em faca e flor
Histórias vem me contar
Longe, longe, ouço essa voz
Que o tempo não vai levar
Precisa gritar sua força ê irmão Sobreviver, a morte inda não vai chegar
Se a gente na hora de unir os caminhos num só
Não fugir nem se desviar
Precisa amar sua amiga ê irmão
E relembrar que o mundo só vai se curvar
Quando o amor que em seu corpo já nasceu
Liberdade buscar na mulher que você encontrar
Morte, vela, sentinela sou
Do corpo desse meu irmão que já se foi
Revejo nessa hora tudo que aprendi Memória não morrerá
Longe, longe, ouço essa voz
Que o tempo não vai levar
| Milton Nascimento & Fernando Brant |

 

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