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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

28
Out22

“Matar e quebrar urnas”: pastor evangélico líder de motociata incentiva crimes no Telegram

Talis Andrade

Organizador de passeio de moto de Bolsonaro em SP recebeu 16 parcelas de  auxílio emergencial do governo federal | São Paulo | G1

Organizador dos passeios de moto de Bolsonaro em SP recebeu 16 parcelas de auxílio emergencial do governo federal. Embolsou, por vício, R$ 5.700 entre os meses de 2020 e outubro de 2021

 

 

Áudios de Jackson Villar foram gravados no grupo Nova Direita, investigado pelo TSE por difundir desinformação. O pastor defende "quebrar esquerdistas no cacete" até a morte


por Thiago Domenici /Agência Pública

 

Tão logo terminou a contagem de votos do primeiro turno em 2 de outubro, um grupo de extrema direita no Telegram chamado “Nova Direita 70 milhões”, com 182 mil membros, começou uma articulação sobre como atuar para reverter uma possível vitória de Lula no segundo turno.

Parte das conversas realizadas em chats do Telegram entre os dias 3 e 23 de outubro foi gravada por uma fonte que pediu para não ser identificada. Nas gravações analisadas pela Agência Pública, destaca-se Jackson Villar da Silva, evangélico que se intitula comerciante, radialista, conservador, presidente do “Acelera Para Cristo” e organizador da motociata com o presidente Jair Bolsonaro em junho de 2021, quando reuniu motociclistas em um percurso de 130 km que partiu de São Paulo até Americana, no interior.

Da zona sul de São Paulo, Villar costuma descrever o evento como “a maior motociata do mundo” — o que gerou uma investigação do Ministério Público Estadual por ter ocorrido sem segurança sanitária, durante a pandemia. O evento teria custado aos cofres públicos R$ 1 milhão, envolvendo 1.900 PMs e três helicópteros. À época, Bolsonaro disse que a motociata serviria para “enaltecer os valores da família, o patriotismo e em parte para defender o governo”.

 

As gravações

 

Gravação obtida pela reportagem mostra Villar defendendo violência durante período eleitoral. Presidente Bolsonaro aparece no vídeo

 

Ao longo dos registros obtidos pela reportagem, Villar propõe uma espécie de “eleição paralela”, em que diz que vai provar “fraude nas urnas”. “Só não pode falar que vai provar a fraude. Se falar isso aí os caras vão derrubar o canal. Tem que ser uma coisa sutil, com sabedoria, entendeu?”, diz nos chats.

Mas Villar vai além em suas declarações. Ele insinua a necessidade de cometer crimes diante do cenário desfavorável ao seu candidato, Jair Bolsonaro. Ele fala, por exemplo, sobre a necessidade de “quebrar esquerdistas no cacete”, conclama seus seguidores a “quebrar a urna eletrônica no pau” e afirma que “cientista político tem que apanhar”.

Em certo momento, em resposta a Villar, que havia sugerido quebrar as urnas, um dos participantes, que se identificou como pastor Wellington Fontes, de Rondônia, diz que depredar o patrimônio público configura o cometimento de um crime. “A gente tem que tomar cuidado”, diz o pastor. Villar se contradiz ao responder a ele. “Você desculpa, mas cê tá errado pastor. E ninguém está falando aqui em quebrar nada, depredar nada, não. Acabar é eliminar de uma vez por todas a urna. Essa urna eletrônica ninguém acredita muito.”

Villar cometeu também discriminação e preconceito contra o povo baiano, a quem se referiu como “descarados e vagabundos” por terem votado em sua maioria no candidato petista — Lula obteve 67% dos votos contra 24% do candidato do PL no estado. “Baiano é gente boa, mas ele é meio descarado. É falso. Eu conheço a natureza do baiano, o negócio dele é se requebrar”, diz o empresário, que já foi cantor gospel.

As falas violentas de Villar sugerem ainda a um bolsonarista como lidar com quem vota em Lula: “Você tem que falar assim: ‘Os cara vão te ‘passar’ [expressão para matar], os cara vão caçar todo mundo que é petista. Você vai convencer uma alma sebosa com o medo, entendeu? Ele só respeita o cacete’.

Procurado pela reportagem, Jackson Villar não retornou até a publicação.

 

Caso Roberto Jefferson

 

Já no último final de semana, Villar se revoltou com o episódio da resistência à prisão de Roberto Jefferson, presidente licenciado do PTB, que atirou com fuzil e jogou granadas em policiais federais.

Mas a revolta era contra Alexandre de Moraes (STF), que ordenou a prisão de Jefferson por infringir diversas vezes as condições estipuladas para a sua prisão domiciliar. Villar pediu aos berros em um áudio que seus seguidores no Rio de Janeiro fossem defender Jefferson na frente de sua casa: “Tem que mandar prender o Xandão”. “Eu quero ver petista preso, quero ver Xandão na cadeia, esse filho da puta na cadeia”, esbravejou.

Diante da situação, outro membro do grupo que não pôde ser identificado pela reportagem ameaçou depois de ter ouvido Villar dizer que o “Exército tem que prender os policiais federais”: “A vontade que eu tenho é de meter bala na cabeça do Xandão, só não tive oportunidade ainda”. Villar responde: “Se matarem o Roberto Jefferson, isso vai respingar no Bolsonaro violentamente”.

Villar, que usa constantemente o verniz religioso em suas mensagens, já exaltou a ditadura militar em suas redes, que somam mais de 500 mil seguidores. Nelas, ele já divulgou um vídeo em que fala em “derramamento de sangue indígena”, situação que fez a Polícia Federal abrir um inquérito “para apurar possível prática de crime de ameaça a indígenas”.

Durante as reuniões nos chats do Telegram, Villar afirma ser próximo a Bolsonaro e de membros do governo. “Quando chegar a um milhão no grupo vou chamar o Tarcísio, vou chamar Bolsonaro. Isso vai virar uma onda pras pessoas entrarem nesse canal. Eu tenho acesso a eles, eu tenho o zap deles aqui, do Eduardo [Bolsonaro], todo mundo.”

Foi durante a motociata organizada por ele no ano passado que o empresário gravou vídeos com Tarcísio Gomes de Freitas e Ricardo Salles, que naquele momento ainda eram ministros do governo Bolsonaro (Infraestrutura e Meio Ambiente, respectivamente).

 

Jornalista da Agência Pública é ameaçado por bolsonarista após publicação  de reportagem | Revista FórumVillar ao lado de Tarcísio Freitas e Ricardo Salles durante motociata em 2021

 

Ele posou ao lado do próprio presidente, a quem já teve que pedir desculpas aos prantos, após criticá-lo nas manifestações de 7 de Setembro de 2021, quando Bolsonaro escreveu um comunicado dizendo que não tinha intenção de “agredir quaisquer dos Poderes” da República. “Eu não acredito em Bolsonaro mais, pode me chamar de traidor, do que quiser”, falou na ocasião. As mágoas, no entanto, teriam ficado no passado.

Pastor que chamou Bolsonaro de "frouxo" grava vídeo pedindo perdãoPastor Jackson Vilar pede perdão a Bolsonaro após chamá-lo de “frouxo”

Pastor Jacson Vilar pede perdão a Bolsonaro após chamá-lo de "fouxo"

 

Hoje, Villar administra ao menos quatro grupos no Telegram favoráveis ao presidente: “70 Milhões eu voto em Bolsonaro Nova Direita”, com 182 mil membros; “70 Milhões 2 voto no Bolsonaro Nova Direita”, com 22 mil membros; Canal Nova Direita #70Milhões #OBrasilemBrasília, com 20 mil membros e “Carta do Bolsonaro”, com pouco mais de 1.700 membros. No total, seus grupos somam mais de 225 mil membros.

Matar e quebrar urnas”: evangélico líder de motociata incentiva crimes no  Telegram - Agência Pública

Próximo a Bolsonaro, Villar organizou motociata com o presidente em junho passado


Gabinete do ódio

Em 2018, Villar já havia tentado vaga como deputado federal pelo PROS, mas não se elegeu — o PROS estava coligado com o PT na ocasião. Nestas eleições, o empresário evangélico tentou novamente concorrer a uma vaga de deputado federal pelo partido Republicanos. Ele angariou apoio nas redes da senadora eleita Damares Alves, gravou propaganda eleitoral ao lado do candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, mas teve a pré-candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral.

 

ImageTarcísio apoiou pré-candidatura de Villar neste pleito. São amigos íntimos. Sempre juntos

 

Nas redes, ele diz que o PT foi o culpado pela impugnação de sua campanha. “O PT impugnou minha campanha com acusações falsas! Mas a gente não se deu por derrotado! Vamos pra cima deles com mais força ainda!”. Mas, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ele teve o registro indeferido a pedido do Ministério Público Estadual por não apresentar certidões e declarações necessárias ao processo de candidatura e por omissão na prestação de contas das eleições de 2018.

Hoje, o canal de Villar no Telegram com mais membros está entre os 81 citados na decisão em caráter liminar proferida pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Benedito Gonçalves, no último dia 18 de outubro.

É a mesma decisão que abriu investigação para apurar a existência de uma suposta “rede de produção de desinformação”. Gonçalves citou indícios de uma atuação “massificada” para disseminar fake news contra o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O próprio ministro Alexandre de Moraes, que preside o TSE, afirmou sobre a decisão que “as medidas dizem respeito a duas dúzias de pessoas que vêm sendo investigadas há três anos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) exatamente porque fazem isso. Porque montaram um chamado ‘gabinete do ódio’”.

Ao saber do ocorrido, ainda no dia 18 de outubro, Villar passou a convocar seus seguidores para um novo grupo do Telegram. “Novo grupo… da Nova Direita, TSE está tentando derrubar o nosso canal. Entre nesse link agora antes que derrubem nosso grupo.” E reforçou: “TSE está tentando nos calar, quer derrubar nosso canal. Estamos no caminho certo”.

 

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Villar coordena grupos no Telegram que somam mais de 225 mil integrantes
Voto impresso

 

Voto Impresso

 

O “caminho certo”, na avaliação de Villar, está centrado na tentativa de reunir “70 milhões de patriotas que votaram em Bolsonaro” no grupo do Telegram. “E aí Deus que inspirou hoje de manhã [4 de outubro] no canal porque lá é infinito duzentas mil, o canal é infinito, lá cabe setenta milhões. Então vamos botar todo mundo do canal e eu vou entregar pro presidente o canal”, prometeu.

Villar tem um parceiro na empreitada, a quem chama de “secretário”. É o pastor Guilherme Lessa, que já foi candidato à prefeitura de Belém (PA) em 2020, pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), e candidato não eleito a deputado federal em 2018. Há duas semanas eles estão colhendo assinaturas para o que chamam de “Manifesto popular de vontade própria do povo brasileiro em apoio ao presidente Bolsonaro candidato à reeleição”.

 

PTC oficializa candidatura do pastor Guilherme Lessa à prefeitura de Belém  | Eleições 2020 no Pará | G1

Guilherme Lessa

 

Ambos organizaram um evento em Brasília nos dias 15 e 16 de outubro, que também contou com uma motociata na capital federal — essa sem a presença de Bolsonaro —, onde fizeram coleta de assinaturas a favor do voto impresso. No dia 23 de outubro, em frente à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo, também houve coleta de assinaturas.

Na avaliação de ambos em mensagens nos grupos, colocar 70 milhões de usuários no Telegram e colher assinaturas de eleitores que teriam votado em Bolsonaro no primeiro turno é o caminho que provaria que as urnas não são confiáveis, uma linha narrativa criada pelo próprio presidente da República refutada como mentirosa diversas vezes. Nesta semana, novamente, Bolsonaro afirmou que “é impossível dar selo de credibilidade” ao sistema.

O TSE disponibilizou nestas eleições uma página sobre notícias falsas relacionadas à urna eletrônica. Segundo diversos especialistas e auditores, a Justiça Eleitoral utiliza o que há de mais moderno em termos de segurança da informação para garantir a integridade, a autenticidade e o sigilo do voto.

27
Out22

Quem são os eleitores de Jair Bolsonaro?

Talis Andrade

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A maioria é composta por conservadores que introjetaram os valores da sociedade patriarcal, ignorados durante muito tempo pela esquerda como assunto secundário

 

por Liszt Vieira /A Terra É Redonda 

 

Durante muito tempo, boa parte da esquerda rejeitava qualquer tema que se afastasse do que então se entendia por luta de classes, vista apenas numa chave economicista. Assim, as lutas feministas, antirracistas e anti-homofóbicas eram rejeitadas como “pautas identitárias” que enfraqueciam a luta revolucionária do proletariado contra a burguesia. E a questão indígena não era percebida como problema social, e sim como uma questão puramente ambiental. O índio era visto como natureza.

Essa visão equivocada afastou os partidos e organizações políticas da esquerda de setores sociais que lutavam por seus direitos contra a opressão de que eram vítimas. Mas a esquerda tradicional não via opressão social e cultural, só via a exploração econômica dos trabalhadores. Com isso, se afastou de uma agenda crítica da sociedade patriarcal e não enfrentou na luta política os valores conservadores.

Lembrei disso para explicar, por outro ângulo, os 51 milhões de votos recebidos por Jair Bolsonaro no primeiro turno. Entre esses votos, temos os neoliberais que consideram o teto de gastos como questão de princípio, os militares reacionários – a grande maioria – os evangélicos e católicos de direita, e os que são ideologicamente fascistas. Mas esse contingente está longe de ser a maioria.

A grande maioria dos eleitores de B. é constituída por conservadores que rejeitam, assustados, o empoderamento das mulheres que não aceitam mais o seu papel tradicional como mãe de família e dona de casa. Nostálgicos da Casa Grande e da Senzala, ficam intimidados com a luta dos negros pela igualdade e verdadeiramente escandalizados com a luta dos gays (LGBTQIA+) pelo reconhecimento de seus direitos. Por exemplo, casamento entre pessoas do mesmo sexo é visto como algo vergonhoso. Além disso, associam desmatamento a progresso.

No eleitorado de B. não existem apenas interesses econômicos do empresariado capitalista, interesses corporativos dos militares, ou interesses de uma grande massa de evangélicos ludibriados em sua boa-fé por pastores corruptos. A grande maioria é composta por conservadores que introjetaram os valores da sociedade patriarcal, ignorados durante muito tempo pela esquerda como assunto secundário, fora do foco da luta de classes.

Esse grande contingente de eleitores conservadores não pode ser classificado de fascista. Mas não se deve ignorar que eles apoiariam uma ditadura fascista que levantasse bem alto o lema “Deus, Pátria e Família”. São, antes de tudo, conservadores que se identificam com os governantes que, mesmo de forma hipócrita, anunciam aos quatro ventos seus valores retrógrados como política oficial. Por exemplo, defendem a vida desde a concepção, mas não defendem as crianças que morrem de fome ou vítimas de “balas perdidas” nas favelas.

Esse eleitorado conservador transforma seu líder em mito e apoiaria uma ditadura de natureza fascista. Quer um governo forte para impedir as mudanças sociais, principalmente na esfera comportamental. O fascismo italiano e o nazismo alemão servem de modelo, ressalvadas as diferenças e as adaptações necessárias. Mas as palavras de ordem, como “Brasil Acima de Tudo”, “Deus, Pátria e Família”, “O Trabalho Liberta”, “Uma Nação, Um Povo, Um Líder” e outras, o gestual, os passeios de motocicleta, muita coisa é copiada diretamente do nazi-fascismo europeu.

Os conservadores detestam a liberdade. Precisam de um chefe autoritário para dar ordens, estão ansiosos por obedecer. Combatem a mudança, principalmente no que se refere a valores morais. Esse substrato do bolsonarismo terá de ser atacado de forma permanente, mesmo correndo o risco de romper depois a atual frente democrática anti-fascista de apoio a Lula. As lutas das desprezadas “questões identitárias” terão de ser travadas em articulação com as lutas econômicas da classe trabalhadora e com a luta pela redução da desigualdade social.

O que está hoje em questão não é uma disputa eleitoral “normal” entre dois candidatos, como a imprensa gosta de apresentar. Há um confronto entre democracia e ditadura dentro das próprias instituições, como o episódio surrealista do Roberto Jefferson demonstrou. Já estamos convivendo com medidas de um Estado de exceção. O presidente cometeu dezenas de crimes e nem processado foi, tamanha a cumplicidade criminosa das instituições de controle. O que está em jogo é a sobrevivência da democracia em luta contra a ditadura que, com o apoio dos conservadores, certamente seria implantada com a vitória do candidato hoje no poder.

Após a provável vitória de Lula, por margem mais apertada do que imaginávamos, a luta contra os valores conservadores da sociedade patriarcal será inadiável. Teremos de articular essas lutas “identitárias” com as lutas econômicas dos trabalhadores. Na linguagem da filósofa norte-americana Nancy Fraser, trata-se de articular o “reconhecimento” com a “redistribuição”, que não podem mais andar separados.

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21
Out22

O amor cristão e o ódio do deputado bolsonarista que ameaça queimar estudantes como aconteceu na boite kiss

Talis Andrade

Veja a íntegra da leitura da carta de Lula aos evangélicos - Vídeo  DailymotionNexo Jornal

Um menino reza pelo Brasil, pela vitória de Lula, na leitura da Carta aos Evangélicos. Outro pergunta ao Papa Francisco se o pai ateu, "um bom bom" que morreu recentemente, está no céu.

Dois lindos momentos do cristianismo. Quando o malígno deseja que os estudantes de Santa Maria, porque denunciaram a corrupção do orçamento secreto no Ministério da Educação, sejam queimados vivos como aconteceu na boite Kiss.

Deputado diz que estudantes têm de ser queimados vivos

O deputado federal bolsonarista Bibo Nunes (PL-RS) critica um protesto feito pelos universitários de Santa Maria contra o bloqueio de verbas do MEC (Ministério da Educação) promovido pelo governo Bolsonaro. Ele também cita os alunos da Universidade Federal de Pelotas, usa termos como vergonha, escória do mundo, miseráveis e coitados para se referir aos estudantes e faz referência a uma cena do filme “Tropa de elite”. “É o filme Tropa de elite. Sabe o que aconteceu. Olha o um. Olha o filme um. Pegaram aqueles coitadinhos. Que coitadinhos? Aqueles riquinhos, ajudando pobre, se deram mal. Queimaram vivo dentro de pneus! Queimaram vivo dentro de pneus! E é isso que esses estudantes alienados, filhos de papai, que têm grana, merecem”, diz o parlamentar, com o tom de voz bastante elevado.

Foi na cidade gaúcha de Santa Maria que ocorreu o incêndio na boate Kiss, em janeiro de 2013. Na ocasião, chamas causadas por fogos de artifício detonados dentro da danceteria se alastraram de forma descontrolada, o que resultou na morte de 242 pessoas. Entre as vítimas, havia 113 estudantes da universidade citada por Nunes no vídeo

Nesta sexta, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) anunciou que vai denunciar Nunes ao Conselho de Ética da Câmara e ao Ministério Público. “Inadmissível fazer uma ameaça sórdida de que os estudantes da UFSM deveriam ser queimados vivos, ainda mais na cidade que sofreu a tragédia da Boate Kiss”, afirmou a parlamentar. Também houve reação do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Burmann, que foi candidato a deputado federal pelo PDT, mas não se elegeu. Ele postou um vídeo nas redes sociais classificando as falas do bolsonarista como “um ataque arrogante, carregado de ódio, sem nenhum sentimento humano”.

Antes de entrar para a política, o gaúcho Bibo Nunes trabalhou como apresentador e repórter em diversos veículos de imprensa do Rio Grande do Sul, como a RBS TV Cruz Alta, o jornal Zero Hora e a TVE RS. Concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD, em 2014, e a ao cargo de vereador de Porto Alegre pelo PMDB, em 2016, mas não obteve sucesso em nenhuma das ocasiões. Em 2018, se associou ao bolsonarismo e foi eleito deputado federal pelo PSL, com mais de 91 mil votos. Migrou para o PL em 2021 e tentou a reeleição em 2022, mas não conseguiu.

Discurso de ódio bolsonarista na boca malígna de Bibo Nunes

Papa consola criança que perguntou se seu pai ateu estava no céu

Cidade do Vaticano - O papa Francisco afirmou neste domingo que Deus não abandona as pessoas boas, ao responder a uma pergunta feita por um menino que queria saber se seu pai, que era ateu e morreu há pouco tempo, estava no céu.

Durante uma visita à paróquia do bairro de Corviale, na periferia de Roma, Francisco respondeu às perguntas dos fiéis, entre os quais estava Emanuele, um menino de oito anos, cuja voz estava embargada pelo choro.

Diante desta situação, o papa lhe encorajou a fazer sua pergunta perto de seu ouvido, lhe abraçou e ambos conversaram durante alguns minutos. Posteriormente, o pontífice pediu permissão ao menino para revelar sua inquietação.

Francisco explicou então que Emanuele lhe contou que seu pai havia morrido há pouco tempo e que, embora não fosse crente, tinha batizado seus quatro filhos, mas sua dúvida era "se o papai estava no céu".

"Que lindo que um filho diga que seu pai era bom. Um lindo testemunho daquele homem para que seus filhos possam dizer dele que era um homem bom. Se esse homem foi capaz de ter filhos assim, é verdade que era um grande homem", declarou o papa.

Francisco ressaltou que embora este homem "não tivesse o dom da fé, não fosse crente, fez batizar os filhos" e, perante a dúvida de Emanuele, respondeu: "Quem diz quem vai para o céu é Deus".

Então Francisco perguntou aos presentes: "Deus abandona seus filhos quando são bons?", ao que responderam "não" em coro.

"Bom, Emanuele, esta é a resposta. Deus seguramente estava orgulhoso do seu pai, porque é mais fácil batizar os filhos sendo crente que batizá-los não sendo crente. E seguramente Deus gostou muito disso", acrescentou.

E concluiu: "Fale com seu pai, reza ao seu pai. Obrigado, Emanuele, pela sua valentia ".

Outra das perguntas ao papa foi se todos, "inclusive os não batizados", somos "filhos de Deus", ao que Francisco explicou: "Somos todos filhos de Deus, inclusive os que são de outras religiões distantes".

"Inclusive os mafiosos, embora estes prefiram comportar-se como filhos do diabo", completou.

As crianças também lhe questionaram sobre o que sentiu quando foi escolhido papa e Francisco respondeu que "não sentiu medo, nem uma grande alegria (...), mas uma grande paz". EFE

Campanhas de Lula lançam cartas aos evangélicos desde 1989; veja a primeira
A liberdade religiosa era o compromisso número 1 da carta lançada na eleição contra Collor. Veja íntegra do exemplar obtido por CartaCapital


A carta aos evangélicos lançada na quarta-feira 19 pelo ex-presidente Lula (PT) não foi a primeira a ser divulgada por uma campanha do petista ao Palácio do Planalto: a iniciativa pioneira ocorreu em 1989, na campanha que disputou contra Fernando Collor, que lançou as mesmas mentiras hoje repetidas por Jair Bolsonaro de fechar igrejas. 

Carta de Lula aos religiosos rebate fake news dos fariseus e cita Evangelho de São João

por Vinicius do Valle 

Depois de semanas de discussão e especulação sobre a possibilidade de Lula lançar uma carta para evangélicos, saiu ontem, no dia em que se comemora Nossa Senhora Aparecida, um documento da campanha petista, assinado por Lula, destinado aos religiosos do Brasil. O documento sai após uma versão anterior, destinada especificamente aos evangélicos, ter sido vazada para a imprensa – revelando a dificuldade da campanha petista em lidar com o tema de forma interna.

Para muitos do comitê eleitoral petista, a campanha de Lula deveria focar na agenda econômica e social, as quais Lula teria muito a mostrar, ao invés de alimentar a agenda moral e religiosa. No entanto, a enxurrada de fake news de conteúdo religioso e o alívio relativo nas condições de vida de parcela da população, gerado pelo auxílio Brasil turbinado e redução do preço da gasolina – feitos sob medida para a campanha bolsonarista e com prazo de duração limitado — tornaram a agenda moral inescapável.

A versão final do documento parece, nesse sentido, ter ficado no “meio termo” entre a posição de não entrar no embate religioso e a de um documento voltado especificamente ao segmento evangélico, com compromissos específicos e fechados. Na carta, Lula afirma o respeito ao direito à religião e à liberdade religiosa. Reconhece o papel das religiões na sociedade brasileira, e se compromete a respeitar a Constituição, todas as religiões, os templos e locais de culto, públicos ou privados. Cita ainda o evangelho de João, capítulo 10 e versículo 10, manifestando o desejo de construir uma sociedade em “que todos tenham vida em abundância”.

 

11
Set22

O mundo bruto que Bolsonaro representa uma pistola última expressão de argumento

Talis Andrade

 

na camada da população que recebe até dois salários mínimos o seu limite. Num outro corte, que não é o de renda, mas que também conhece a exclusão, as mulheres constituíam uma barreira importante — aquelas mesmas evocadas em palanque pelo presidente dito “imbrochável”, que fez
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de Michelle mero instrumento da sua autoglorificação. E, como também evidenciavam os números, o Nordeste era outro território inóspito para o destruidor de instituições.”
 

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O candidato a deputado federal (PSOL) foi ameaçado por um canalha armado em São Bernardo. O cara disse: “Sou Bolsonaro”. Algum presidenciável vai culpar a “polarização”? Há gente flertando c/ fascistoides de olho em 26. Se fascitoides vencerem, pode não haver 26.
 

“Cegos de tanta luz”. É a melhor imagem para definir os fanáticos. Nada veem além da própria crença. Cobrei q Ciro deixasse claro q ñ é “polarização” q mata, mas quem incentiva a destruição do adversário. E só Bolsonaro faz isso. Passei a ser tratado como arauto do voto útil. É
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falo sobre polÍtica, digamos, aristotelicamente, mas ñ faço política desde os 21, qdo deixei de ser militante. Faz 40 anos. E sou obsessivamente lógico. Se a “polarização” (termo q rejeito), então, existe, ñ será rompida em três semanas, certo? E todos têm direito à neutralidade,Image
é claro!, entre o assassino e o assassinado; entre a facistização e a democracia; entre o algoz e a vítima. Ou melhor: têm direito de tentar essa neutralidade pq neutros não são e não serão: os cegos de tanta luz se juntam, pois, a assassinos, fascitoides e algozes. Sem mistério.

11
Set22

Evangélicos abençoam Lula em encontro histórico e pedem a Deus sua eleição

Talis Andrade
Lula com evangélicos: Ninguém deve usar o nome de Deus em vão - VermelhoNo Rio, evangélicos abraçam Lula e pedem volta do ex-presidente | Partido  dos TrabalhadoresCristão vota, sim, no PT': o tom do encontro de Lula com evangélicos no Rio  - CartaCapital

 

por Laura Capriglione e Beatriz Pecinato /Jornalistas Livres

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SÃO GONÇALO (RJ) – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encontrou-se nesta sexta-feira (9) com lideranças evangélicas da Baixada Fluminense. Foi um encontro feliz, realizado em um centro cultural de Nova Iguaçu, “a cidade com maior proporção de habitantes evangélicos do mundo”, como asseverou um pastor durante o evento. Em vez da demonização, de que Lula e o PT são vítimas nos discursos de mega-igrejas como a Universal do bispo Edir Macedo, houve louvores, orações e muitas homenagens ao ex-presidente. “Quem quer Lula presidente diz amém!”, conclamou o pastor batista Oliver Goiano, ao que a plateia lotada respondeu com um glorioso “Amém!”

Depois de iniciada a campanha eleitoral, este foi o primeiro encontro de Lula com líderes evangélicos e ele fez questão de dizer que, em seus dois governos, jamais fechou uma igreja sequer, ao contrário do que acusam os “pastores” mentirosos Marcos Feliciano e Silas Malafaia, bolsonaristas de carteirinha. E Lula falou a verdade. Diante dos evangélicos, Lula defendeu um Estado laico: “Aprendi que o Estado não deve ter religião, não deve ter igreja, mas deve garantir o funcionamento e a liberdade de muitas igrejas. Foi aplaudido.

O apóstolo Marcelo Coelho Cunha iniciou sua fala afirmando que a história de que evangélicos não apoiam a candidatura de Lula é mentira, e faz parte do conjunto de falácias de Bolsonaro. O pastor Sérgio Duzilek, presidente da Convenção Batista Carioca foi além: “O melhor tempo para igreja brasileira que essa terra viu foi o tempo do governo do presidente Lula. E não é porque os pastores estavam bem, porque as Igrejas podiam pregar livremente o evangelho, mas porque o governo promoveu justiça social nesse país. O nosso povo, o povo que pastoreamos, era um povo feliz, era um povo que tinha laje e churrasquinho. Hoje o povo fica embaixo de outras lajes. A mendicância agride o senhor Deus. Nós estamos apoiando a sua volta à presidência. Esse país não aguenta mais quatro anos com esse nefasto presidente (Bolsonaro). O povo não merece mais quatro anos de sofrimento com esse presidente que só faz ludibriar e governar para essa elite que nada tem a oferecer para essa nação.”

 

 "Lula foi injustiçado pelo alto clero" 

 

Sérgio Duzilek completou: “O senhor (refere-se a Lula) não foi só alvo da injustiça do judiciário brasileiro. O senhor tem sido alvo do clero brasileiro, e eu me envergonho por isso, presidente. Porque você não merece, e não merecia, continuar passando por essa injustiça.”

O encontro aconteceu em um centro cultural porque Lula e os pastores quiseram deixar claríssimo que os templos e as igrejas precisam ser respeitados, a fim de reafirmar que são locais de comunhão dos cristãos, independentemente da opção política. Bem diferente do que fez Jair Bolsonaro, quando causou escândalo ao comparecer, com a primeira dama, Michelle, ao culto realizado no dia 7 de agosto, na Igreja Batista Lagoinha, liderada pelo pastor-presidente Márcio Valadão. O culto virou comício bolsonarista e indignou milhares de fiéis com a profanação do templo!

“Vamos hoje desconstruir a mentira de que cristão não vota no PT. Uma mentira jamais se sustentará quando as ações são mentirosas. Provérbios 29:2 diz que quando um governo é justo o povo se alegra, mas quando o governo não é justo o povo geme. E o que nós temos visto no governo Bolsonaro é o povo sofrer, o povo gemer de fome, de falta de empregos e tudo mais”, afirmou o pastor Alair Lima, da 1a Igreja Batista em Jardim Alcântara. E ele completou: “O período em que o povo evangélico mais teve a sua alegria, foi no período em que Lula foi presidente do Brasil”.

O tema da fome apareceu também em outros discursos, como o do pastor Ariovaldo Ramos: “Os adversários de Deus (ele refere-se a Bolsonaro) assumiram o controle dessa nação, mas isso vai ter fim agora. Em nome de Jesus! Eles mentiram. Eles usaram em vão o nome de nosso senhor e salvador Jesus Cristo. Eles zombaram da cruz, inventaram mentiras, disseram inverdades terríveis. Mas isso vai ter fim no dia 2 de outubro. Isso isso vai acabar. Eles levaram o nosso povo à fome, à miséria, à angústia, destruíram a educação, a soberania nacional, acabaram com emprego, mas isso vai ter fim”.

A Missionária Ana Paula Santana também discursou, dizendo que acredita ser Lula um escolhido do Senhor. Segundo ela, “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor, o Senhor que constitui todas as autoridades na face da Terra. E eu sei que o Lula é um escolhido do Senhor”.

O encontro encerrou-se com os pastores e as missionárias orando em torno de Lula, impondo suas mãos sobre a cabeça do ex-presidente diante de todos os fiéis ali reunidos. Vários choravam, emocionados. Lucia Amparo da Silva, técnica de enfermagem de 47 anos, agradecia, levantando suas mãos para os céus: “Essa é a verdade sobre Lula; não temos de nos envergonhar pela gratidão que sentimos pela obra de Lula. Bolsonaro mentiu muito ao povo cristão, falando em nome da verdade. Mas agora eu sei a verdade, e a verdade nos libertará!”

11
Set22

Bolsonaro, o idiota, faz piadas sexuais para evangélicos

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Jair Bolsonaro é um idiota mas, é claro, precisa de idiotas que achem que o mundo deve ser gerido por idiotas para fazer algum sucesso.

Lamentável ter de fazer este juízo de muitos das centenas de pastores evangélicas que assistiram-no no Simpósio de Cidadania Cristã, na Igreja Batista Central de Brasília.

O sujeito transformou o lugar, de novo, em porta de botequim.

Ao falar, pobre menina, de sua filha de 10 anos, jactou-se de “estar na ativa”, e “sem aditivos”, além de fazer insinuações sobre alguém que andava “na garupa de minha moto”, “ainda mais no dia dos namorados”.

E ainda se referiu aos “3 I” – imorrível, imbrochável e incomível”.

É deprimente – e deveria ser ainda mais para evangélicos, em geral pessoas austeras – que um presidente da República desça ao papel de promotor de sua própria suposta potência sexual.

Num país, porém, onde o decano da crônica politica da maior emissora de televisão fixa sua atenção nas coxas (e não só) do principal adversário é de lembrar dos concursos infantis que Chico Buarque e Moreira da Silva consagraram no malandríssimo samba de breque “Doze Anos”.

Parece mesmo ser a idade mental de Bolsonaro, que me perdoem os garotos de 12 anos, que ao menos não falariam isso na sala de aula, quanto mais numa cerimônia de natureza religiosa.

 

11
Set22

Lula fala aos evangélicos. Guerra religiosa é para mentirosos

Para quem crê, não é difícil ver a proteção divina

Talis Andrade

Segundo episódio do Dedim de Prosa está no Ar! - Laboratório de Ensino de  Ciências Sociais

por Fernando Brito

- - -

Demorou, mas veio afinal a esperada fala do ex-presidente Lula a pastores e fiéis evangélicos, hoje, em São Gonçalo.

E veio bem, porque não era difícil fazê-la, estruturada em três questões.

A primeira, a vida de Lula, na qual, para quem crê, não é difícil ver a proteção divina. A segunda, o que seu governo fez, defendendo o ser humano e cuidando das famílias. E a terceira, o que seu governo fará pelos pobres, os excluídos, os famintos, os humildes.

É isso, o testemunho daquilo que ele sentiu, pensou e fez, não a louvação vazia de um fariseu, de um hipócrita que invoca a Deus em seu benefício.

É tão forte que Silas Malafaia está dizendo nas redes sociais que os pastores que deram a palavra a Lula “foram comprados”.

 

05
Set22

Aquias Santarem: “Bolsonaro paga de crente para enganar muita gente”

Talis Andrade

TIROS DENTRO DA IGREJA! FIEL ATIRA EM OUTRO IRMÃO POR CAUSA DE BOLSONARO NA HORA DO CULTO!

 

247 - O filósofo e jornalista Aquias Santarem comentou, em entrevista à TV 247, que é preciso se comunicar com os evangélicos para desmentir a narrativa bolsonarista. “O que falta é comunicação”, afirmou, destacando que é preciso “chegar a verdade para eles porque o evangélico recebe do outro amigo ou do pastor informações que fazem a cabeça dele”.

“Desde 2018 que o evangélico recebe informações como o kit gay, por exemplo. E as pessoas não entendem o que deveriam desmentir na lata. A mentira anda muito mais rápido do que a verdade. Agora que foram abrir os olhos e começaram a desmentir. Então, faltou comunicação”, afirmou. 

“Faltou comunicação e comunicação direta. Não adianta colocar canais que não tem nada a ver com evangélicos para tentar explicar o que não é verdade. Precisa levar a mensagem para os evangélicos”, argumentou.  

 

Bolsonarismo & rachadinha

Flávio Rachadinha, a Precisa e o BNDES - CTB

 

De acordo com Santarem, “os pastores, líderes das igrejas que tem algum interesse financeiro por trás, deitaram e rolaram”, pois “levaram a mensagem que eles queriam para os evangélicos e colocando o medo, que é o fator decisivo desta eleição. O medo de fechar a igreja, o medo do kit gay”. 

“As igrejas mais dominadas pelo líder e pelo pastor são as que têm tendência maior de seguir Bolsonaro”, destacou.

“Bolsonaro é vulgar. Ele paga de crente para enganar muita gente”, disse. Ele ainda disse que a família Bolsonaro “se apresentou em 2018 como se fosse a família perfeita. A bíblia diz que não se pode ter jugo desigual. Bolsonaro fez das mulheres como se fossem testas de ferro. Que tipo de família é essa? Uma família enrolada no Ministério Público cheia de rachadinha”. 

 

Neu de Oliveira
@NeudeOliveira4
 
 

 

03
Set22

Eleições e religião

Talis Andrade

Image

 

 

por Janice Theodoro da Silva /Jornal da USP

- - -

A população brasileira é formada por 50% de católicos e 31% de evangélicos.

A Constituição de 1891 estabeleceu o Estado brasileiro como uma instituição laica, garantindo a liberdade religiosa, para todos os cidadãos, até os dias de hoje.

Assunto encerrado?

Não.

Basta olhar as notícias no celular, abrir um jornal ou ligar a televisão. Na disputa presidencial brasileira o voto dos evangélicos tem peso significativo. Entre eles, 48% declaram voto em Bolsonaro e 32% apoiam Lula (dados do Datafolha, divulgados em 1/9).

Apesar do Estado brasileiro ser laico, parte significativa da população não separa o espaço privado, de suas convicções religiosas individuais, do espaço público, gerido pelo Estado. Por que é difícil separar uma coisa da outra, o público do privado?

 

Política e cultura

 

A história do Brasil é farta em diferentes práticas religiosas. As escolas religiosas foram uma marca no passado e no presente, as festas devocionais, um momento de confraternização da população, e as expressões de linguagem “Deus te guarde”, “Vá com Deus”, “deixo nas mãos de Deus” são formas de falar típicas do dia a dia dos brasileiros. Festas juninas são, também, festas políticas e de políticos. A população brasileira espera apoio material de Santo Antônio, de São João, da Virgem Maria, e em níveis mais elevados de Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e, por vezes, do Estado.

Para todos, indiscriminadamente, a população pede proteção e justiça.

A esperança é que alguém escute.

É comum ouvir a frase: Eu só quero justiça, diante de um crime.

Justiça praticada por quem?

Pelo Estado.

Onde e como nasceu a ideia de Justiça?

Na tradição do Ocidente, com os gregos, remodelada com o cristianismo, discutida pelos teólogos, como São Tomás de Aquino, desembocando no contrato social, gerido por instituições de Estado.

A cidade das gentes é repleta de desejos de vingança, de amor, de ódio, de generosidade, de ganância, sentimentos próprios da condição humana. Para resolver as contradições dos humanos, a história do Ocidente construiu alternativas com raiz na pólis, no bem comum, nas instituições, na Justiça. O indivíduo isolado ou mesmo organizado em pequenos grupos não dispõe de instrumentos para planejar, gerir e corrigir os rumos da pólis. Os seres humanos sem um contrato e instituições brigarão muito entre si. Entre inúmeros desacertos correm o risco de morrer de fome, sem chegar a nenhum acordo. Cabe ao Estado pôr ordem no caos, gerir as condutas dos indivíduos, organizar a sociedade, impor limites aos crentes ou descrentes da vida política, ou mesmo, de Deus (ou deus).

 

As igrejas evangélicas

 

As igrejas evangélicas existentes no Brasil, com suas diversas denominações, ganharam força a partir da década de 1970. Desenvolveram projetos pregando a valorização da prosperidade individual, em detrimento de políticas estatais.

Por que as igrejas evangélicas ganharam espaço em comunidades de baixa renda, especialmente a partir dos anos 1970 do século passado?

Porque desenvolveram e difundiram a teologia da prosperidade, com forte aceitação no segmento neopentecostal. A proposta ganhou força entre uma população pobre, migrante do campo para as periferias das cidades. Os antigos laços familiares e de solidariedade se romperam com a migração. Abandonados pelo poder público, a população marginalizada viu crescer diversos tipos de associações de ajuda mútua. Algumas escolheram como vínculo a religiosidade e, outras, o crime organizado (milícias) e o comércio de drogas.

Em meio à insegurança cotidiana, as igrejas evangélicas encontraram uma população descrente das instituições políticas e incapaz de superar os desafios contemporâneos. Elas foram a única porta aberta nas comunidades, oferecendo abrigo para as populações de baixa renda.

Os evangélicos souberam substituir a instituição Estado pela instituição Igreja.

Construíram uma nova linguagem fundada na intolerância da igualdade, canal adequado para desaguar a raiva do “vizinho”, inimigo próximo. Souberam ensinar a obediência irrestrita (disciplina), aproveitando dos resquícios de uma sociedade autoritária, e valorizaram as tradições patriarcais, fortalecendo uma cultura tradicional, profundamente machista. Negaram a mudança e a modernidade, demonizaram as questões de gênero. Defenderam uma teologia ancorada na negação do prazer carnal, valorizaram a cura pelo exorcismo e estimularam as ilusões proféticas, materializadas em milagres. Pastores ungidos pelo Senhor e diante do profundo desamparo da população construíram uma nova linguagem, marcada pela fala direta, sem os rodeios retóricos antigos e uso de diminutivos (formas de amenizar estruturas de dominação). Ensinaram a administração eficiente de negócios, desenvolveram práticas voltadas para a liderança e modelos de gestão de negócios. Acrescentaram à lógica religiosa a matemática do empreendimento, o espetáculo nos cultos e a cultura de resultados (prosperidade), transformando o dinheiro em expressão da graça divina.

Sem o amparo do Estado, sem educação de qualidade e sem renda para subsistir, as populações mais pobres precisaram justificar tanta desgraça, para aliviar o justo rancor social. Era necessário produzir um responsável materializável para encarnar todas as desgraças. O Estado é uma entidade abstrata. Não se presta para descarregas de ódio. É mais fácil compreender o mal se ele estiver representado em algo palpável, sólido. Nada melhor do que um diabo, um juiz, uma mulher feiticeira, um comunista, um preto ou uma urna eleitoral para personalizar o mal. Melhor ainda a contraposição binária do diabo encarnado no pobre em oposição ao empreendedor-mascate, cuja fé (e não o SUS) cura qualquer doença, transformando o crente em um rico e feliz fiel pagador de dízimos.

Uma teologia onde Jesus Cristo redimiu a humanidade e a graça produz sinais como a riqueza, a boa saúde ou a vitória política, indicativos da salvação apropriados à conversão de pessoas em situação de dificuldade. Da mesma forma demonizar o mal, materializando-o na pobreza, na doença, em minorias (mulheres, pretos, judeus, ideologias de gênero, entre outros), permite solidez, materialidade, para o bem e o mal. Ingredientes de uma perigosa receita política.

Bem mais difícil é refletir, abstrair, avaliar as próprias atitudes e compreender as políticas de Estado. Meta quase impossível de ser alcançada sem um pouco de educação de qualidade. A solução mais simples sempre é culpar o Outro, delegar o mal para quem é diferente na cor, nas ideias, ou nas tradições.

A certeza frui, é leve e linear. A dúvida dói, pesa, é um emaranhado de possibilidades.

As soluções apresentadas pelos evangélicos dizem respeito à ética do trabalho. Na linguagem atual a palavra é empreendedorismo, tecido com ilusões, apoiado por alguns sucessos financeiros, difundidos nas redes sociais. Não se pode deixar de lado o modelo eficiente de gestão dos negócios, proposto pelos evangélicos. Ele envolve redes de apoio na comunidade e, do ponto de vista dos negócios, sugere até franquias para a sua expansão. As práticas de fato favorecem a prosperidade financeira.

Em suma: Existe, entre alguns evangélicos, justificação religiosa e política para a precarização do sistema de saúde, para o combate à fome e para a ausência de políticas voltadas para o bem-estar dos mais necessitados. Existe liberdade de interpretação do texto bíblico, à moda do leitor. Eu me salvo. Reconheço os sinais da graça, e ponto final.

 

Lugar de fala: o catolicismo e a questão da graça

 

Qual a diferença com a tradição dos católicos?

O bem e o mal não estão postos em pessoas diferentes. De um lado o bem e de outro o mal. O bem e o mal vivem dentro de cada um de nós. Optar pelo bem ou pelo mal é do livre-arbítrio do ser humano. Ele é o responsável pela escolha, por meio do uso da razão e do coração. E, para complicar: dinheiro e poder não significam sinais de obtenção da graça.

Dura responsabilidade, e solitária realidade.

Personalizando a reflexão na pessoa do padre Júlio Lancellotti é possível observar o cuidado do pároco com a população de rua, com menores infratores e pacientes com HIV/Aids. Não se trata apenas de diferenças de sensibilidade em relação aos mais necessitados.

O centro da questão é: diante de uma dificuldade para obter um emprego, sarar de uma doença ou acompanhar os desafios escolares, a “culpa” ou responsabilidade (presente nas duas tradições) é de quem? Do pobre, do doente, da mãe ou do abandono do Estado incapaz de prover o indivíduo para que ele disponha de condições adequadas para atuar na pólis (vida política)?

Sucesso, dinheiro e poder são indicativos do caminho da salvação?

Na tradição católica, não.

De acordo com a tradição católica a graça é dom do amor. Ela é gratuita, faz parte da liberdade amorosa de Deus. Ela não é resultado da ação ou de obras ou do trabalho. Uma pessoa pode ter ganho muito dinheiro ou ter obtido muito poder ou, ainda, ter sido disciplinada ao longo da vida sem alcançar a graça. Ela, a graça, não se mistura nem com o poder, nem com o dinheiro nem com o Estado. Portanto, é clara a separação das coisas terrenas das coisas divinas, justificando o papel do Estado laico e responsabilizando os indivíduos pelas suas escolhas (livre-arbítrio).

Para os católicos, embora o demônio esteja presente na religiosidade popular, a resolução teológica, do bem e do mal, se dá por meio do livre-arbítrio. O homem possui capacidade de escolha entre o bem e o mal, a todo o instante. Esta liberdade para escolher faz dele agente responsável pela prática, do bem ou do mal. O mal não está no Outro, em objetos, em exus, orixás, caboclos, feiticeiras, comunismo, mulheres ou opções políticas. O bem ou o mal, o amor ou o ódio, a generosidade ou a mesquinhez são frutos de uma escolha: do livre-arbítrio do ser humano. O mesmo livre-arbítrio que dispomos na pólis, para votar e se responsabilizar pela escolha.

Temos na política duas matrizes religiosas que, grosso modo, justificam mais ou menos Estado, mais ou menos liberdade individual, mais livre-arbítrio e menos demonização do Outro.

Resumo da ópera: as práticas religiosas existentes nas sociedades interferem nas políticas públicas. O Estado, embora laico, enfrenta dificuldades para manter as fronteiras entre o público e o privado. A porosidade das fronteiras pode contribuir para a discutida corrosão da democracia.

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29
Jul22

Quando a máfia dos cassinos encontra a ultradireita

Talis Andrade

Quando a máfia dos cassinos encontra a ultradireita e os evangélicos 

 

por Luis Nassif

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Peça-chave no financiamento e apoio à ultradireita, o lobby dos cassinos está entre os setores que mais ambicionam destruir regulações civilizatórias, transitando na fronteira da ilegalidade.

Desde que assumiu o governo, quando indagado, Jair Bolsonaro faz jogo duplo.

É pressionado pelo Centrão a legalizar os jogos de azar, o que motivou inclusive, Paulo Guedes, a defender em fevereiro de 2020 a entrada dos cassinos no país e junto com este grupo está o seu filho, Flávio Bolsonaro, lobista de cassinos em Las Vegas. Do outro lado, está a pressão da bancada evangélica a vetar a proposta. Resultado: Bolsonaro se compromete com o veto, sem esforços para impedir que o Congresso o derrube.

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