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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Set21

O meu, o seu, o nosso dinheiro

Talis Andrade

 

por Cristina Serra

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Em abril de 2009, uma série de reportagens do site “Congresso em Foco” abalou o Congresso Nacional, ao revelar que parlamentares faziam turismo com dinheiro público. A verba era de uma generosa cota para compra de passagens aéreas relacionadas às atividades do mandato.

Na prática, porém, cada congressista gastava o dinheiro ao seu bel prazer e sem dar satisfações a ninguém. Deputados e senadores ainda levavam a tiracolo parentes, amigos e cupinchas para destinos turísticos no Brasil e no exterior, como Nova York, Miami, Londres, Paris, Milão, Madri. Uma farra!

Doze anos depois, os repórteres Eduardo Militão, Eumano Silva, Edson Sardinha e Lúcio Lambranho revisitam o escândalo e trazem mais novidades no livro “Nas asas da mamata”, recém-publicado. Eles descobriram agora, por exemplo, que o contribuinte bancou as passagens de Jair e Michele Bolsonaro para a lua de mel em Foz do Iguaçu, em 2007. 

A gastança era possível graças a regras extremamente permissivas adotadas por Michel Temer e Aécio Neves, quando exerceram a presidência da Câmara. No Senado, com José Sarney no comando, não era diferente. A falta de controle era de tal ordem que a cota aérea de dois senadores foi gasta depois da morte deles. Ao todo, 560 parlamentares foram investigados e os gastos, em valores de hoje, seriam de R$ 105 milhões.

Para não esvaziar a surpresa da leitura, acrescento apenas que os autores reconstituíram as investigações oficiais para traçar a teia de impunidade que resultou em mais um crime sem castigo. O que fizeram Corregedoria, Conselho de Ética, Câmara, Senado, Polícia, Ministério Público, Judiciário? Está tudo no livro, com nomes, datas, decisões. 

Esse belo trabalho jornalístico põe em evidência um dos aspectos mais nefastos da mentalidade e da prática política no Brasil: o de que autoridades em geral não querem entender que têm a obrigação de prestar contas de cada centavo gasto do meu, do seu, do dinheiro suado dos nossos impostos. 

25
Ago21

Uma família que só pensa em cadeia

Talis Andrade

 


A corda ficaria bem esticada se, na carona de um passo em falso dos Bolsonaros, pedissem a prisão de um dos filhos. Se Flavio, Eduardo ou Carluxo caíssem, a corda poderia rebentar, ou não.

Mas prender com que argumento? Flavio não se desvencilhou como pretendia dos rolos das rachadinhas, mas hão há nada que indique que deva estar em prisão temporária ou preventiva. É senador, é complicado.

Eduardo, o que mais tem falado, está envolvido no inquérito das fake news, mas que acusação hoje poderia provocar uma prisão? Esse também é o caso de Carluxo, que anda quieto e no ano passado poderia, dizem, ter sido enquadrado na Lei de Segurança Nacional

Por que então eles ficam falando que um dos manos pode ser preso? No dia 17, quando do depoimento de Braga Netto em audiência conjunta de comissões da Câmara, Eduardo disse:

“Aqui nessa casa há deputados cogitando a prisão do meu irmão”.

Dois depois, em entrevista, o rapaz se queixou do cerco de Alexandre de Moraes:

“Qual seria o próximo passo? Prender o presidente? Prender um dos filhos?”

Bolsonaro e os filhos se comportam como líderes mafiosos cercados e autorreferentes. Bolsonaro não fala de nada do governo, de nenhum projeto, da pandemia, de obras, das reformas de Arthur Lira, nada.

Só fala de como a família tenta se defender de suspeitas, indícios e acusações. É a única ocupação dos Bolsonaros, depois que a história do voto impresso foi sepultada pela Câmara.

Eduardo foi fazer intervenções, no depoimento de Braga Netto, para defender o irmão, só isso. Chegamos a uma situação em que o que mais temos, a todo momento, é a família esperneando.

Os Bolsonaro dizem a todo momento que um deles pode ser preso, como se esse alerta fosse uma estratégia para preparar resistências.

Mas resistência de quem? Quem poderia reagir hoje a uma prisão de um dos Bolsonaros, mesmo que isso seja improvável? Braga Netto reagiria à prisão de Carluxo? Com mais uma nota ou com jipes? Bolsonaro acionaria milicianos? As polícias militares?

Todo debate sobre os riscos representados pelas ações do
Supremo contra a extrema direita é repetitivo e acaba acionando a família em defesa da própria família.

Há mais de um ano os Bolsonaros lidam com esse medo, sempre a partir de alertas que estariam sendo dados pelos movimentos de Alexandre de Moraes. Isso vem desde abril.

Mas o que temos até agora é a prisão da chinelagem. O Supremo vai comendo a valentia dos Bolsonaros pelas bordas, pegando o entorno e ainda longe do miolo.

A lista de presos e/ou liberados é de gente do segundo e do terceiro times. Sara Winter, Oswaldo Eustáquio, Daniel Silveira, Roberto Jefferson e uma turma que em 2020 cercou a casa de Alexandre de Moraes em São Paulo.


Só a chinelagem do bolsonarismo experimentou a cadeia até agora, alguns por poucos dias. Se mandarem prender o blogueiro Allan dos Santos, o nível continuará o mesmo.

Dá pra ir além dessa turma e qualificar a cadeia? Talvez não. Os Bolsonaros devem saber que não, mas insinuam que sim.

O pai e os filhos gostam desse jogo em que sugerem que estão sempre escapando de cercos injustos e de que eles são os mocinhos.

A família acorda pensando em cadeia, passa o dia vagabundeando e falando de cadeia e dorme e sonha com a cadeia.

familicia bolsonaro .jpg

Eumano Silva
@eumanosilva
Objetivo.
Paulo Teixeira
@pauloteixeira13
·
O pedido de impeachment de Alexandre de Moraes tem como objetivo torná-lo impedido de prender o Carlos Bolsonaro.

 

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