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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

11
Mai21

Fome no Brasil volta a patamares de décadas atrás

Talis Andrade

Marcio Vaccari | Humor Político – Rir pra não chorar

 

Por Luisa Costa /Jornal da USP

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A combinação das crises econômica, política e sanitária, causada pela covid-19, agravou um problema histórico no Brasil: a insegurança alimentar. Hoje, 116 milhões de pessoas – 55,2% das casas brasileiras – não têm acesso pleno e permanente a alimentos e 19 milhões de brasileiros enfrentam a fome em seu dia a dia.

É o que mostrou a pesquisa desenvolvida pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania Alimentar e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), realizada entre 5 e 24 de dezembro de 2020, com moradores de 2.180 domicílios. A pesquisa mostrou que a insegurança alimentar aumentou em 54% desde 2018 e acompanha desigualdades regionais, fazendo-se mais presente nas áreas rurais, no Norte e Nordeste do País. Além disso, é acentuada por condições individuais: a fome atinge mais casas chefiadas por mulheres, pessoas pretas e pardas e com baixa escolaridade.

Adriana Salay Leme – Foto FFLCH/USP

A pesquisadora Adriana Salay Leme, doutoranda em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, explica que a escala brasileira de insegurança alimentar determina três níveis de insegurança – leve, moderada ou grave –, a partir de um questionário que investiga o acesso ao alimento. A escala, assim como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), considera a fome insegurança alimentar grave.

Situação agravada pelo desmonte de políticas públicas

Adriana explica que a fome é um problema histórico no Brasil, fruto da desigualdade social, mas que estava sendo combatida nas últimas décadas, principalmente por políticas públicas do Partido dos Trabalhadores (PT). Em 2013, por exemplo, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a parcela da população em situação de fome havia caído para 4,2% – o nível mais baixo registrado até então. Assim, a FAO finalmente excluiu o Brasil do Mapa da Fome. Entretanto, segundo a pesquisadora, o problema se agravou recentemente pela crise econômica e política, com o aumento do desemprego, da perda real de renda e do trabalho informal, junto ao desmonte de políticas públicas – situação agravada pela pandemia da covid-19.

A pesquisa da Rede Penssan foi realizada quando o fim do auxílio emergencial preocupava a população. Atualmente, foi anunciada nova rodada do auxílio, mas os valores serão menores do que em 2020, assim como o número de pessoas contempladas. Adriana destaca a importância da manutenção do auxílio emergencial, mas também de políticas de médio e longo prazo para o combate à fome no País, como o aumento do poder real de compra das pessoas em vulnerabilidade e medidas de mudanças estruturais da sociedade, visto que “a fome é causada por um problema social de desigualdades estruturais constituídas, como raça, classe e gênero”. A pesquisadora destaca que, entretanto, “o que a gente vê são políticas muito incipientes e insuficientes do Estado”.

Betzabeth Slater Villar – Foto Fapesp

A professora Betzabeth Slater Villar, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, explica que as consequências da insegurança alimentar são, principalmente, físicas, muitas vezes associadas às carências nutricionais e à perda de peso. “Mas essa situação afeta as pessoas em muitos outros aspectos, como na saúde mental, pois está ligada à exclusão social, perda de autoestima, estresse e sofrimento emocional”, afirma.

Já Adriana destaca que a insegurança alimentar pode trazer problemas sociais mais generalizados: “Historicamente, as crises de fome trazem o aumento do êxodo [rural], do índice de mortalidade e da criminalidade, por exemplo”. Assim, “o combate à fome tem que ser o primeiro plano da produção e manutenção de direitos da nossa sociedade”, afirma.

 

21
Jun20

Bolsonaro atordoado

Talis Andrade

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IV - "As Forças Armadas não são milícias do presidente da República"  

Bruno Lupion entrevista Gilmar Mendes

 

Há relação entre a Operação Lava Jato e a eleição de Bolsonaro?

As operações de combate à corrupção afetaram o sistema político como um todo, e a Lava Jato teve papel de centralidade. Permitiu que houvesse uma disputa entre o PT, que continuou forte e orgânico, contra isto que se consolidou. A vitória de Bolsonaro se explica nesse sentido, ele acabou galvanizando os grupos que já representava, mas certamente todos aqueles que repudiavam o PT, os métodos, a corrupção. E é notório que o próprio juiz [Sergio] Moro tomou medidas, por exemplo a revelação de depoimentos do [Antonio] Palocci. A Lava Jato tomou partido. E se faltasse alguma explicação, Moro veio a integrar o governo Bolsonaro. Se há um candidato do lava-jatismo, certamente é Bolsonaro.

 

O presidente do PSDB, Bruno Araújo, afirmou em entrevista ao jornal Folha de S. Paulopublicada no sábado (13/06) que a vitória de Bolsonaro foi resultado do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, mas também da decisão do sr. que impediu que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumisse a Casa Civil em 2016.

Ele está totalmente equivocado em relação a isso. É o famoso "se" na história. Se Lula tivesse se tornado ministro, ele teria conseguido reverter o impeachment? Ninguém sabe, muito provavelmente não. Mas depois tivemos um governo bastante normal do presidente [Michel] Temer, até de ampla coalizão, que sofreu ataques dessas forças de combate à corrupção, da repressão, o episódio [Rodrigo] Janot, Joesley [Batista]. Mas que no ambiente político aprovou uma PEC que colocou um limite para os gastos, normalizou a economia, solucionou o problema da depressão econômica. Foi um governo que conseguiu que o país voltasse a um estado de normalidade em termos econômicos e políticos. Tem muito "se" na história. [Por exemplo] a facada. O Bolsonaro tinha um minuto de televisão [por dia], talvez menos, e passou a ter 24 horas com a facada.

 

Como o sr. avalia hoje essa decisão que tomou sobre Lula?

Foi a decisão correta tendo em vista as informações distribuídas naquele momento, de que se estava nomeando o ex-presidente para lhe dar o foro. Tem aquela conversa que é divulgada da Dilma com o Lula, dizendo que sua posse estava sendo antecipada. Essa foi a apreensão que se teve, que era notório que se estava usando a nomeação para protegê-lo do processo criminal.

 

A presidência do ministro Dias Toffoli no Supremo termina em setembro. Desde o final de 2018, ele fez movimentos para se aproximar dos militares e do governo. Um deles foi nomear o general da reserva Fernando Azevedo como seu assessor, que depois se tornou ministro da Defesa, e recentemente sobrevoou a Praça dos Três Poderes ao lado do presidente, em um helicóptero, para saudar uma manifestação com bandeiras antidemocráticas. Mas no último domingo (15/06) Toffoli divulgou uma nota dura, dizendo que "integrantes do próprio Estado" estão estimulando ataques à Corte e que o Supremo "jamais se sujeitará" a nenhum tipo de ameaça. Como o sr. avalia esses movimentos do presidente do Tribunal?

O ministro Toffoli tentou ter esse diálogo desde o início, e tanto quanto possível evitar rusgas, estresse. Mas nesses últimos tempos o estresse aumentou, e o próprio ministro Toffoli se viu na contingência de ter que ser mais enfático. Certamente ele vinha tendo conversas de bastidores, levando sua preocupação, porque ninguém está interessado num estado de conflito permanente.

Eu mesmo estive com o presidente em março, quando fiz um reparo sobre uma manifestação contra o isolamento social. E ele reclamou da politização do debate, reclamou dos governadores. Ele estava atordoado. Tinha um governo que aparentemente estava caminhando para um crescimento econômico e se viu abalroado. Achava que o remédio, que era o isolamento social, matava o doente. Eu o achei uma alma torturada, um indivíduo que parecia muito só.

 

18
Fev20

Parasitas são Bolsonaro e Guedes, que destroem empregos e direitos dos trabalhadores

Talis Andrade

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Dr. Rosinha

Infelizmente, ainda não assisti ao filme Parasita, do diretor sul-coreano Bong Joon-ho.

Por isso, não sei se o título do filme tem alguma relação com o parasita brasileiro Paulo Guedes.

A crítica relata que o filme fala de quatro pessoas, da mesma família,  que moram apertadas numa espécie de porão e estão constantemente sujas.

O diretor Bong Joon-ho descreve essa família de maneira grotesca, assim como também descreve grotescamente a família burguesa.

Isto não me dá nenhuma ideia do filme, mas manda o recado de que há uma relação de classe, uma relação capital/trabalho.

É nesta relação capital/trabalho que se insere a frase do senhor Paulo Guedes.

E nesta relação, sabemos muito bem, que o dono do capital é o parasita.

Só que o Guedes procura invertê-la.

A palavra parasita surgiu na minha vida já na pré-adolescência e adolescência quando estudei biologia.

Mas foi só durante o curso de medicina que fui ter uma ideia concreta do significado e dos danos que podem causar à vida, não só dos humanos e dos desumanos, mas da maioria dos espécimes.

Cursei medicina na década de 1970. Nas duas décadas seguintes, os principais parasitas eram as verminoses.

Era raro não encontrar alguma criança com lombrigas (Ascaris lumbricoides) e/ou outros vermes como a ancilostomíase, também conhecida por ancilostomose ou amarelão.

A ancilostomíase é uma verminose causada por nematódeos (Ancylostoma duodenale e Necator americanus).

Eles se alimentam de sangue, causando forte anemia. A pessoa fica pálida, amarela, por isso a doença é conhecida como amarelão. A anemia, quando profunda, pode provocar atraso no desenvolvimento físico e mental.

A lista das doenças causadas por vermes é longa –esquistossomose (barriga d’água), filariose, giardíase, oxiuríase, teníase e cisticercose –e não cabe expor o quanto são prejudiciais à vida dos humanos e, reforço, dos desumanos.

Hoje, graças às ações de prevenção e tratamento desenvolvidas por trabalhadores e trabalhadoras do serviço público, justamente estes chamados de parasitas, as enfermidades causadas por esses vermes têm diminuído.

No momento, no Brasil,  muito além das verminoses, há outros parasitas atuando e causando muitas doenças. Há um aumento visível do desemprego que gera inúmeros problemas sociais, como a violência, o estresse, o alcoolismo e a depressão.

É raro encontrar uma família que não tenha um ou mais casos com tais enfermidades.

No entanto, Jair M. Bolsonaro, Paulo Guedes et caterva continuam, como parasitas que são, destruindo empregos e direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Simbiose foi outra palavra que aprendi ao estudar biologia.

Segundo o Houaiss, simbiose é a “interação entre duas espécies que vivem juntas; associação entre seres vivos na qual ambos são beneficiados; associação íntima entre duas pessoas”.

Os parasitas, donos do capital e dos meios de produção, adotaram um novo tratamento para com os parasitados, chama-os de colaboradores, ou seja, um tipo de simbiose.

Imagine-se chamando de colaboradores o Ancylostoma duodenale e o Necator americanus, que sugam seu sangue.

Paulo Guedes, o parasita, que através do sistema financeiro e de suas políticas públicas suga o teu sangue, sequer chama o funcionalismo público de colaboradores. Chama, diretamente, funcionários e funcionárias de parasitas.

Parasita ganhou o Oscar de melhor filme.

Será que os ‘jurados’ do Oscar, ao dar a estatueta, estavam também condenando o modelo econômico neoliberal que tanta miséria gera no mundo?

Se estavam, condenaram todos os parasitas tipo Paulo Guedes, Bolsonaro e Trump.

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