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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Nov20

Moro, Huck, Doria e Mandetta romperam com o bolsonarismo não por questões ideológicas, mas por conflitos de interesses

Talis Andrade

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UM NOVO EMBUSTE ELEITORAL está sendo armado no Brasil. Luciano Huck e Sergio Moro estão articulando uma chapa para concorrer à presidência em 2022. A ideia é formar uma candidatura que seja anti-bolsonarista e anti-petista para vendê-la como uma opção moderada de centro. Moro citou também Mandetta e Doria como nomes de centro que poderiam integrar a frente.

Direitistas se vendendo como centristas não chega a ser um estelionato eleitoral novo, pelo contrário. Até a chegada do bolsonarismo, a direita tinha vergonha de se assumir. Direitistas eram liderados pelo PSDB, um partido de origem centro-esquerdista que migrou para a centro-direita, mas nunca se assumiu como tal. Essa vergonha era algo natural depois que a direita ficou marcada pelos anos de ditadura militar. Bolsonaro, que era voz única na defesa do regime militar, ajudou a resgatar o orgulho direitista. Mas, após a tragédia implantada pelo bolsonarismo no Planalto, parece que a vergonha começa a voltar – para alguns.

Folha, Globo e Estadão querem te convencer de que os ex-bolsonaristas Moro e Huck são ‘de centro’numpercaseutempo1️⃣7️⃣🇧🇷 Twitterissä: "Melhor charge do Dória que já vi  !!!!! Não precisa dizer mais nada !!!! Como diria minha vó : “ Por fora  bela viola, por dentro pão bolorento “… https://t.co/jVBncQ8tEw"

A grande imprensa brasileira ajudou a forjar o engodo, comprando exatamente o que Moro disse na ocasião. Noticiou o nascimento de uma terceira via moderada, como se dois dissidentes do bolsonarismo, que até ontem surfavam a onda do radicalismo, pudessem liderar um projeto moderado de centro. Criou-se, assim, um consenso no noticiário de que eles são o que realmente dizem que são. É o jornalismo declaratório e acrítico, que se limita a reproduzir as falas de políticos, mesmo as mais absurdas.

Algumas manchetes mentirosas passaram a circular na praça: “Moro, Huck e o caminho do centro contra Bolsonaro e o PT em 2022” ou“Moro Huck, Doria Mandetta: centro se articula para 22″, entre outras tantas.

Fabio Zanini, da Folha de São Paulo, escreveu que Huck e Moro são “dois dos principais nomes do centro no espectro ideológico na política”. O que são essas frases senão a mais pura e cristalina definição de fake news? Como é que ex-apoiadores do bolsonarismo podem ser considerados de centro? Moro, Huck, Doria e Mandetta romperam com o bolsonarismo não por questões ideológicas, mas por conflitos de interesses. Entre um professor progressista e um apologista da tortura e da ditadura militar, todos eles, sem exceção, optaram pelo apologista da tortura e da ditadura militar. De repente, toda essa gente virou moderada de centro? Uma ova.

Mas como é possível enganar a população assim de maneira tão descarada? Bom, os jornais gastaram muita tinta nos últimos anos pintando Lula e Bolsonaro como dois radicais, como dois lados de uma mesma moeda. Choveram editoriais equiparando os dois nesses termos. O ex-presidente é notoriamente um homem de centro-esquerda, que liderou por oito anos um governo de coalizão que abrigava até mesmo partidos de direita. Portanto, pintá-lo como o equivalente de Bolsonaro dentro do espectro de esquerda é uma mentira grosseira. Diante desse cenário forjado, artificialmente polarizado por dois extremistas que já estiveram no poder, fica mais fácil vender a ideia de que a única saída é pelo centro. Ainda mais quando esse centro é representado por um apresentador da Globo e um ex-juiz que é o herói da imprensa lavajatista.

Esse é o golpe que vão tentar nos aplicar em 2022: vender lobo extremista em pele de cordeiro centrista

 

Rodrigo Maia, um homem de direita, corrigiu o noticiário ao colocar Sergio Moro no seu devido lugar: a extrema direita. Não há debate possível em torno disso. São muitos os fatos que colocam Moro nesse espaço do espectro político. Enquanto juiz, Moro “sempre violou o sistema o sistema acusatório”, como admitiu uma procuradora lavajatista no escurinho do Telegram. Depois de ajudar a implodir a classe política — principalmente o PT — e pavimentar o caminho de Bolsonaro à presidência, ganhou um ministério. Enquanto ministro, lutou para que policiais tivessem carta branca para matar, atuou como advogado da família Bolsonaro como no episódio do Vivendas da Barra e ficou calado todas as vezes em que seu chefe fez ameaças golpistas.Pin em Charges

A única participação de Moro na política partidária foi integrando um dos principais ministérios de um governo de extrema direita. O tal centrismo de Moro fica ainda mais ridículo quando ele sugere que general Hamilton Mourão, outro defensor da ditadura militar e do torturador Ustra, é também um homem de centro apto a fazer parte da sua articulação.

Sergio Moro não abandonou o bolsonarismo por divergências ideológicas. Não rompeu porque suas ideias centristas colidiram com o radicalismo. Ele pulou fora porque Bolsonaro interveio no seu trabalho, que até então era elogiadíssimo pelos extremistas de direita. Não há nenhuma razão objetiva que justifique enquadrá-lo no centro a não ser os desejos da ala lavajatista da grande imprensa, que ainda é hegemônica. É uma bizarrice conceitual que lembra a pecha de “comunista” que Moro ganhou das redes bolsonaristas após sua saída do governo. É a ciência política aplicada no modo freestyle.

Doria e Mandetta até pouco tempo atrás apoiavam o bolsonarismo. São homens de direita que toparam o radicalismo de Bolsonaro sem nenhum problema. São direitistas que estão mais próximos da extrema-direita do que do centro. E Luciano Huck? Bom, a sua trajetória não deixa dúvidas de que é um homem de direita (escrevi a respeito no ano passado). O seu voto em Bolsonaro deixou claro que ele é capaz de apoiar a extrema direita para evitar alguém de centro-esquerda.

A ideia de que Huck poderia ser presidente nasceu na cabeça de Paulo Guedes, o economista que colaborou com o regime sanguinário de Pinochet e que foi — e ainda é —  o fiador da extrema direita no Brasil. O apresentador da Globo foi cabo eleitoral do seu amigo Aécio Neves e já exaltou o Bope nas redes sociais. É um histórico incompatível com a aura de centrista moderado que ganhou da grande imprensa.

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Apesar de algumas pinceladas progressistas em questões envolvendo o meio ambiente, por exemplo, Huck também está mais próximo da extrema direita do que do centro. A Folha de S. Paulo tem dado enorme contribuição para a consolidação dessa imagem de centrista moderado, já que frequentemente oferece espaço para que este condenado por crime ambiental possa escrever em defesa do….meio ambiente.

Pelos próximos dois anos, a grande imprensa irá martelar que Moro-Huck e Doria-Mandetta são as únicas opções para unir o Brasil. Não chega a ser um estelionato novo

O fato é que o centro na política brasileira é uma ficção. Ele é a direita que se pretende moderada, mas que topa apoiar um candidato fascistoide se o seu adversário for um homem com perfil moderado de centro-esquerda. A grande imprensa está tratando esse oportunismo como uma alternativa para o país que chegará em 2022 arrasado pelo bolsonarismo. Durante as últimas eleições, a Folha emitiu um comunicado interno exigindo que seus jornalistas não classificassem Bolsonaro como alguém de extrema direita. Isso significa que a direção do jornal não quis contar a verdade para o eleitor. Tudo indica que esse ilusionismo continuará com a fabricação dessa chapa centrista e moderada formada por legítimos direitistas que suportaram um projeto neofascista.

As chances dessa terceira via fake não vingar são grandes. As pretensões dos envolvidos são grandes demais. Moro, Huck ou Doria aceitariam ser o vice dessa chapa? Difícil, mas a tática direitista de se camuflar de centro deverá ser aplicada, mesmo que com outros personagens.

Esse é o golpe que vão tentar nos aplicar em 2022: vender lobo extremista em pele de cordeiro centrista.

03
Mar20

Eduardo Bolsonaro: “Sempre tinham uns caras que queriam me comer ou dar pra mim”

Talis Andrade

Eduardo Bolsonaro (Foto: Diego Bresani)

 

Sexo e política são irmãs siamesas e incestuosas. Principalmente no Brasil, que a democracia vai perdendo espaço para a ditadura militar, para o fanatismo religioso, e governantes e parlamentares espalham fake news, e promovem campanhas para o fechamento do Congresso.

A deputada Carla Zambelli garantiu que estará nas manifestações contra a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Superior Tribunal Federal, convocadas para o dia do "foda-se", 15 de março próximo, pelo ministro general Augusto Heleno, com vídeos de propaganda de auto-golpe presidencial.

Desde as eleições de 2018, a mentira (mamadeira de piroca, kit gay, filho de Lula mais rico do que o filho herdeiro da rainha da Inglaterra, do que o filho de Edir Macedo, do que o filho de Jorge Paulo Lemann, com uma fortuna de R$ 104,71 bilhões) - faz parte do cotidiano de Jair Bolsonaro. Quando a mentira é quebra de decoro, e crime de responsabilidade.

O Brasil, o país das promessas enganosas, do estelionato eleitoral, dos parlamentares que convocam manifestações para o fechamento do Congresso, do STF, e depois negam. Das testemunhas que mentem nas CPIs, nos tribunais como delatores premiados, super premiados com o desbloqueio do dinheiro da corrupção, com a legalização dos bens adquiridos, e com a recompensa maior: a conquista da liberdade. Os bandidos da Lava Jato, punidos com mais de cem anos de cadeia, estão leves e soltos, e podres, podres de ricos. Esta a distinção de Alberto Youssef, traficante de moedas, de drogas, de pedras preciosas. Dario Messer, que pagava taxa de proteção para procurador (es), sempre teve anistia antecipada para diferenciados crimes como tráfico de moedas, de cigarros, de minérios.

Neste Brasil que até a grande imprensa falta com a verdade, a semana começou com o boato de que Jair Bolsonaro estava de casamento terminado. Espalharam até que Michelle Bolsonaro estava de namoro arranjado. Boato que fez o deputado federal, ex-ministro Omar Terra escrever a seguinte nota:

 

 Ver imagem no Twitter

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Germano Oliveira é um especialista. Assinou a notícia contra Michelle Bolsonaro, e espalhou, na mesma Istoé, a infâmia de que a falecida Marisa Letícia, esposa de Lula, pediu um elevador à OAS, para ser instalado no triplex do Edifício Solaris, no Guarujá (SP). Essa reportagem safada de GO deu início a Lava Jato que prendeu Lula.

GO plantou provas ilícitas, para proveito de um juiz parcial, doido por um espetáculo para aparecer, criar fama, prender Lula para facilitar a eleição presidencial de Bolsonaro, e receber em troca dois ministérios (da Justiça e da Segurança Pública) e o cargo vitalício de ministro do STF. 

Os "noivados" animam o Congresso. Tabata Amaral e João Campos. Sâmia Bonfim e Glauber Braga. Gleisi Hoffmann e o ex-senador Lindbergh Farias. 

 Mas a história mais picante foi contada pelo Eduardo Bolsonaro.

No Diário do Centro do Mundo: "Viraliza foto de Eduardo Bolsonaro que já vem com legenda: O 'Mitinho', como é chamado o deputado federal por São Paulo que nunca pisou na cidade e já lançou sua pré-candidatura à presidência em 2026, começou o dia contando à revista Piauí que nos seus tempos de adolescente, quando tentou a carreira de modelo, “tinham uns caras que queriam ou me comer ou dar para mim”.

 

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27
Fev20

Bolsonaro manda vídeo por WhatsApp convocando para ato anticongresso, o dia do foda-se

Talis Andrade

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Jair Bolsonaro compartilhou pelo WhatsApp uma chamamento para os atos do dia do foda-se, 15 de março, contra o Congresso Nacional, que foram organizados após declaração do general da reserva Augusto Heleno, chefe do GSI.

O vídeo,  em tom melodramático sobre a facada da época da eleição, lembra que Bolsonaro “quase morreu” para defender o Brasil, e a chamada: “15 de março. Gen Heleno/Cap Bolsonaro. O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre”.

O vídeo não apresenta nenhum programa de governo. Nenhuma reforma que beneficie o povo em geral. Nenhuma promessa de mais escolas, mais hospitais, mais postos de saúde, mais casas populares, mais creches, mais empregos, aumento do salário mínimo, do bolsa família, congelamento dos preços do gás, da luz, dos medicamentos, da cesta básica. Não promete nada, neca de pitibiriba para o sem teto, o sem terra, o sem nada.

O vídeo de 1 minuto e 40 segundos traz frases como “ele foi chamado a lutar por nós. Ele comprou a briga por nós. Ele desafiou os poderosos por nós. Ele quase morreu por nós. Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós. Ele sofre calúnias e mentiras por fazer o melhor para nós. Ele é a nossa única esperança de dias cada vez melhores. Ele precisa de nosso apoio nas ruas”.

Dia do foda-se. “Dia 15.3 vamos mostrar a força da família brasileira. Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil. Somos sim capazes, e temos um presidente trabalhador, incansável, cristão, patriota, capaz, justo, incorruptível. Dia 15/03, todos nas ruas apoiando Bolsonaro”.

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24
Fev20

O desfile do crescimento medíocre de Bolsonaro

Talis Andrade

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Vermelho 

Editorial 

Jair Bolsonaro entra no segundo ano de governo na condição de estelionatário eleitoral. Já que o carnaval começou, nada mais apropriado do que demonstrar essa verdade no ritmo da passarela. Ele representa ideias econômicas que vieram ao mundo nas décadas de hegemonia do neoliberalismo, e pareciam mortas, que ressurgiram com nova roupagem, agora com outros estribilhos e outras cantilenas.

Ainda candidato, Bolsonaro entrou na marcha de Paulo Guedes prometendo fazer o país voltar a crescer, mas, a julgar pelo zunzunzum da mídia, a evolução tende a chegar à fase da dispersão sem ter passado direito pela fase da concentração.

Com o samba de uma nota só de Guedes — o script de que as “reformas” neoliberais são a salvação da lavoura —, tido por Bolsonaro como o famoso posto de combustível que daria resposta a tudo — o Posto Ipiranga —, a economia do país segue encruada. De acordo com o Banco Central, o crescimento de 0,89 de 2019 segue se repetindo nesse início do ano, com o agravante de que não há nenhum sinal de melhora. Para 2020, o próprio “mercado” já reduziu os prognósticos para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), inferior a 2%.

O puxador do samba não consegue dar ritmo ao que prometeu e o presidente, sua segunda voz, já aparece na passarela como o estelionatário que prometeu o que não está entregando. Bolsonaro, ao repetir muitas vezes que não entende de economia e que confia cem por cento em Guedes, deu uma espécie de cheque em branco para o ministro aplicar o seu programa econômico.

Já circulam informações de que se avoluma o contencioso entre Bolsonaro e seu “mago” da economia. É lógico há ainda muita evolução pela frente, mas os sinais de descontentamento transcendem o Palácio do Planalto. Os apupos começam a aparecer em setores empresariais da plateia que apoiou essa aventura, manifestações traduzidas em editoriais dos jornalões e em rodas de entrevistas com especialistas no assunto em veículos de mídia.

As consequências dessa desarmonia entre promessa e realidade são trágicas para o povo. O desemprego em massa se mantém praticamente imóvel, a desindustrialização não dá sinais de reversão, o dólar não para de galopar e o comércio exterior perde fôlego. A alta da moeda norte-americana encarece as importações, o que eleva muitos preços internos (um exemplo são alguns itens de alimentação).

Em nome do sacrossanto “ajuste fiscal”, o patrimônio público vai para a bacia das almas, com as privatizações criminosas, e o orçamento sofre cortes que arrocham investimentos essenciais — como em infraestrutura e em políticas sociais —, inclusive nos estados e municípios. Tudo o que o governo pode lançar mão para a meta de Paulo Guedes de “economizar” R$ 1 trilhão ele não titubeia.

O exemplo mais recente é o confisco do dinheiro do trabalhador com o congelamento da tabela do Imposto de Renda (IR). Esse é outro caso de estelionato eleitoral. Para cumprir a promessa de campanha de não aumentar a carga tributária dos brasileiros, o governo teria de corrigir a tabela em 7,39% — um valor de R$ 13,5 bilhões, de acordo com estudo da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco).

Além das performances de baixo calão de Bolosonaro, dando espetáculos grotescos de discriminações sociais, ele se revelou um demagogo na encenação de que devolveria a alegria aos brasileiros com o espetáculo da retomada da economia. O cheiro de queimado no “Posto Ipiranga”, tido pelo presidente como infalível, sinaliza a ineficácia do programa ultraliberal e neocolonial. É com esse programa desastroso que Bolsonaro está na passarela.

 

31
Jul19

MORO IA PRENDER MÔNICA BÉRGAMO PORQUE O DENUNCIOU E BOLSONARO AMEAÇA GLENN POR MOSTRAR A FARSA DE SUA ELEIÇÃO!

Talis Andrade
por EMANUEL CANCELLA 
 
 
Bolsonaro prioriza a defesa de seu comparsa, o ministro da Justiça, Sérgio Moro! São dois afogados, abraçados e moribundos, Bolsonaro e Moro.
 
Moro prendeu Lula sem provas, na véspera da eleição, num claro intuito de beneficiar Bolsonaro, de quem virou ministro da Justiça.
 
Só isso, num país sério e que de fato tenha justiça, Bolsonaro não tomaria posse e Moro seria preso.
 
Agora a sociedade descobriu coisa mais grave, graças ao site Intercept Brasil, que a condenação e consequente prisão de Lula foi um jogo de cartas marcadas entre Moro e Dallagnol para beneficiar Bolsonaro (7).
 
Descobrimos também que Dallagnol é picareta juramentado, pois usou a Neoway, empresa investigada pela lava Jato, para financiar sua palestra por R$ 33 mil (1). Dallagnol não só participou do evento da Neoway, mas também aproximou membros da Procuradoria e representantes da empresa para viabilizar a venda e uso de produtos dela em um trabalho da Lava Jato (2).
 

Não seria a primeira vez que a Lava Jato pratica extorsão contra investigados. O advogado Carlos Zucoloto Junior, compadre de casamento de Moro e ex- sócio de sua esposa, Rosangela Moro, falando como advogado oficial da Lava Jato pediu U$S 5 milhões “por fora” para o advogado da Odebrechet, Rodrigo Tacla Duran. Assim seria viabilizada uma delação premiada que daria prisão doméstica a Duran e perdão de US$ 10 milhões em multas da Odebrecht.

Duran então denunciou a chantagem à jornalista Mônica Bérgamo, da Folha,  onde foi publicada. Moro então ameaçou processar e prender Monica Bergamo (3). Entretanto a revista Veja deu o golpe fatal na história, quando mostrou, com base na Receita Federal, que Duran fez depósito na conta da esposa de Moro, Rosangela Moro (5,6).

Investigado pela Lava Jato, Tacla Duran diz ter pago uma primeira parcela de US$ 612 mil ao advogado Marlus Arns, sócio de Rosangela Moro, mas afirma que se recusou a pagar o restante (6).

Para se defender, Moro queria prender a jornalista Monica Bergamo como agora Bolsonaro quer prender o jornalista Glenn Greenwald.

Se fossem inocentes, não seria mais democrático e sensato provar isso na justiça?

 

Fonte:

1https://theintercept.com/2019/07/26/deltan-dallagnol-palestra-empresa-investigada-lava-jato/

2https://exame.abril.com.br/brasil/dallagnol-recebeu-r-33-mil-para-palestrar-em-empresa-citada-na-lava-jato/

3https://blogdacidadania.com.br/2019/07/moro-queria-prender-jornalista-monica-bergamo/

4https://www.conversaafiada.com.br/brasil/duran-zucolotto-pediu-us-5-milhoes-em-troca-de-protecao-

5https://noticias.uol.com.br/reportagens-especiais/tacla-duran-paguei-para-nao-ser-preso-na-lava-jato/index.htm#paguei-para-nao-ser-preso

6https://jornalggn.com.br/noticia/tacla-duran-revela-pagamento-a-socio-de-rosangela-moro-para-nao-ser-preso-na-lava-jato/

7https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,perguntas-e-respostas-sobre-as-conversas-vazadas-entre-moro-e-dallagnol,70002865572

 

31
Jul19

Querer destruir provas é o crime mais grave de Moro, afirma jornalista do ‘Intercept’

Talis Andrade

“Moro é um juiz corrupto que violou todas as leis, e fala em destruir evidências? Isso é um crime muito sério. Esse escândalo é muito mais grave do que o que reportamos”, afirmou Glenn Greenwald

 

Glenn: “O mundo todo está vendo o que o governo está fazendo contra nós”, afirmou, durante ato pela liberdade de imprensa que lotou auditório da ABI, no Rio. “A investigação da nossa fonte não tem nada a ver com a nossa reportagem”

 

RBA – O jornalista Glenn Greenwald afirmou hoje (30), durante evento no Rio de Janeiro, que o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, comete um crime grave ao falar em destruir as provas de corrupção na Operação Lava Jato, obtidas por hackers presos pela Polícia Federal. “Moro é um juiz corrupto que violou todas as leis, e fala em destruir evidências? Isso é um crime muito sério. Esse escândalo é muito mais grave do que o que reportamos”, afirmou o jornalista do Intercept, que conduz os vazamentos de conversas do ex-juiz com procuradores que apontam intenção de tirar os ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva das eleições do ano passado.

Glenn concedeu entrevista coletiva na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio, antes da realização de um ato no auditório em solidariedade aos ataques e ameaças que vem sofrendo, desde que começou a publicar os conteúdos dos vazamentos, em 9 de junho. “O mundo todo está vendo o que o governo está fazendo contra nós”, afirmou. “Eu acho que a investigação da nossa fonte não tem nada a ver com a nossa reportagem”.

O jornalista lembrou de sua atuação no caso do vazamento do sistema de espionagem em massa dos Estados Unidos, por meio da Agência Nacional de Segurança (NSA) e destacou que “isso não mudou nada por causa do interesse público, mesmo com as alegações de que prenderam nossa fonte”. Ele disse também que abrir ao público o acervo de relações da Lava Jato significa levar transparência para as pessoas, “em um país que neste momento está no escuro”.

“Bolsonaro e Moro sabem como o jornalismo funciona. E nas últimas décadas o jornalismo tem sido feito com fontes que passam documentos obtidos ilegalmente. Em nenhuma democracia é considerado que o jornalista que recebe a informação está cometendo crime”, afirmou.

30
Jul19

A tortura a Glenn

Talis Andrade

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por Ricardo Miranda

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O cerco do governo a Glenn Greenwald e ao seu The Intercept tem um objetivo evidente: impedir que continuem jorrando as aterradoras verdades expostas dia a dia pelo site, revelando ao país os intestinos da Lava Jato e expondo o cabeça da operação, o ex-juiz Sérgio Moro, chefe de Deltan Dallagnol e dos demais procuradores, e hoje capacho do patrão Jair Bolsonaro. Com o objetivo final de impedir a eleição do ex-presidente Lula, trancafiando-o, e jogando quem sobrasse na cadeira presidencial. A súbita aparição de um decreto de extradição sumária de estrangeiros – mesmo não se aplicando a Glenn – e o aviso de Bolsonaro de que o editor do The Intercept “talvez pegue uma cana aqui no Brasil” somam-se a atitudes terroristas que, mais do que tentar, inutilmente, intimidar Glenn e sua redação, atentam barbaramente contra a liberdade de imprensa no país. Nunca antes na história desse país se viu tamanha desfaçatez e falta de escrúpulos, com paralelo apenas nos regimes de exceção. As ameaças a Glenn equivalem na prática a tentativas de tortura – às quais se somam agora as negativas do Consulado dos Estados Unidos para que seus filhos visitem a avó que está com câncer terminal.

É certo que Glenn não se dobrará ao pau-de-arara de Bolsonaro e Moro. Outros bravos jornalistas resistiram em outros tempos de escuridão. Como a tática da intimidação não funciona, o governo usa de outros elementos grotescos para tentar – desculpem a expressão – manter a narrativa a seu favor e contra o The Intercept. Uma das tentativas é a da desmoralização de Glenn, usando o preconceito de quem ataca como suposto elemento detrator. Ao negar que a portaria 666 tenha tido qualquer relação com Glenn Greenwald, que é norte-americano, Bolsonaro lembrou, laconicamente, que o editor do site é “casado com outro homem” e tem filhos brasileiros. E chamou-o de “malandro”, duas vezes, insinuando que o jornalista casou-se com o hoje deputado do PSOL David Miranda e adotou dois filhos brasileiros com o objetivo de evitar a lei de deportação. A Associação Brasileira da Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) reagiram à “tentativa de intimidar um jornalista independente” e ameaçar a liberdade de imprensa. Nada disseram os bons patrões, que continuam cobrindo, como se fato existisse, a farsa dos hackers. No caso dos veículos “associados” na cobertura ao The Intercept, como a Folha de S.Paulo, a cobertura ganha tons de esquizofrenia, na medida em que ajudam a engrossar o coro da Vaza Jato enquanto cobrem, “jornalisticamente”, a investigação sobre os supostos hackers.

É assim que a mídia tenta dar, de forma cada vez mais desconfortável, credibilidade à descoberta do “hacker de Araraquara” Walter Delgatti Neto, que teria invadido o celular do ministro Sérgio Moro, ainda que tudo o que se tenha sejam ilações “vazadas” pela Polícia Federal. Delgatti, agora se sabe, é o bode expiatório perfeito, acusado de vários crimes, dentre eles estelionato, na tentativa de desqualificar a chamada Vaza Jato. Não há nada, no entanto, que confirme que fonte do Intercept Brasil tenha a patética figura apresentada pelas autoridades. Dois fatos: de acordo com Glenn Greenwald, o primeiro contato com a fonte que repassou os diálogos comprometedores da República do Telegram, ocorreu no início de maio, ou seja, um mês antes da denúncia feita por Moro. E o hacker só apareceu em cena depois que Moro disse ter sido hackeado, tese em que vinha calçando sua defesa para desqualificar os diálogos.

Todo jornalista decente no país tem a obrigação não só de se indignar, mas de denunciar, da forma ao seu alcance, a farsa que tenta transformar Moro e Dallagnol em vítimas e Glenn em algoz. As máscaras estão caindo, mas, nos tempos de hoje, nunca é demais temer o pior.

 

20
Out18

Investigação sobre Bolsonaro muda reta final

Talis Andrade

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 por Paulo Moreira Leite

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A mais dramática campanha presidencial de nossa história política chega à última semana num ambiente político favorável ao crescimento de Fernando Haddad. As razões são fáceis de compreender.

 

Investigado pela Polícia Federal e pelo TSE, Jair Bolsonaro já mudou de identidade política. Perdeu o papel cuidadosamente construído de inquisidor que assumiu ao longo da campanha para se colocar na defensiva, suspeito como um foragido da Justiça que teima em esconder a verdade. A grande massa de eleitores atraídos numa guerra de valores morais irá repensar suas escolhas e estará aberta a novos argumentos.

 

Nessa situação, Bolsonaro tende a parar de crescer e começar a perder votos. Educado para desconfiar sistematicamente de todos os políticos, o eleitor presta muita atenção ao que ocorre nos dias finais da campanha e neste momento fará descobertas monstruosas sobre Bolsonaro: contribuições ilegais de empresas privadas, uso de caixa 2, e outros crimes eleitorais. Eleitores mais cuidadosos, que tentam agir de modo consciente na escolha do candidato, irão prestar atenção a nova revelação.

 

A máquina da campanha está em pane. Embora tenha apoiadores, Bolsonaro não tem militantes e seu partido é uma sigla de fantasia. Sua força real era uma organização clandestina que atuava às escondidas na internet, que começa a ser desbaratada agora. O próprio Whatsapp promoveu 700 000 cancelamentos, conforme o El País. As quatro agencias responsáveis pelos disparos em massa também foram advertidas para deixar de prestar o serviço. Mesmo que tente reconstruir o esquema, reincidindo perigosamente numa prática criminosa quando já é investigado oficialmente, não é uma estrutura que se constrói do dia para a noite.

 

A denúncia complica o esforço para fugir dos debates pela TV na última semana de campanha. Temendo futuras complicações éticas, a equipe médica que o atendeu após a facada de Juiz de Fora lavou as mãos. Anunciou, publicamente, que a saúde do candidato está em ordem e lhe cabe decidir se comparece ou não aos debates. Caso mantenha a decisão de não comparecer Bolsonaro arrisca-se a ganhar a fama de fujão, particularmente vergonhosa para quem insiste em fazer do passado militar sua verdadeira personalidade identidade -- embora tenha passado apenas onze anos na caserna e seja político profissional há 28 anos. Se decidir comparecer, será inevitável enfrentar perguntas incomodas sobre sua máquina de mentiras, perdendo pontos mais uma vez.

 

Sem o discurso fácil da moralidade, restará ao candidato enfrentar o debate político, nem um pouco favorável, pois ele encarna um projeto essencialmente impopular, contrário às necessidades da maioria dos brasileiros. Suas ideias econômicas são uma versão piorada das receitas desastrosas que Michel Temer vem aplicando ao país -- com apoio de Bolsonaro e seu guru, Paulo Guedes.

 

Num país no qual 69% da população reafirma os compromissos com a democracia, o comportamento autoritário -- para dizer o mínimo -- de Bolsonaro fez nascer entre muitos brasileiros o receio de que o país seja jogado numa ditadura, como mostra pesquisa recente do DataFolha.

 

Comprometido com programas radicais de privatização e corte de investimentos públicos, inclusive com a Emenda Constitucional que reduz gastos por 20 anos, Bolsonaro nada tem a dizer sobre programas contra a miséria e a desigualdade -- apenas esconder que o plano é cortar, cortar e cortar.

 

Neste ambiente, quando chega à ultima semana a campanha apresenta uma brecha aberta para uma virada espetacular nos últimos dias. Há um novo ânimo na campanha de Haddad.

 

Alguma dúvida?

 

20
Out18

Haddad: Bolsonaro pediu ‘de viva voz’ doações ilegais para WhatsApp

Talis Andrade

 

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O PT analisa nesta quinta-feira uma série de medidas judiciais que serão tomadas para apurar o que a campanha de Fernando Haddad à Presidência aponta como crimes de organização crimcriminosa, caixa dois, calúnia e difamação, lavagem de dinheiro da candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) para financiar a propagação de mensagens de WhatsApp com doações empresariais ilegais e ilícitas.

 

Reportagem da "Folha de S.Paulo" publicada nesta quinta fala sobre o envolvimento de empresas na compra de pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp.

 

O preço de cada  contrato pode chegar a R$ 12 milhões. A prática é ilegal.

 

Fernando Haddad afirmou que o PT já tem um levantamento "de vários empresários que participaram" do suposto esquema, e que o partido exigirá que tais testemunhas sejam ouvidas em investigações conduzidas pela PolíciaFederal.

 

"Ele [Bolsonaro] deixou rastro e nós vamos atrás do rastro para saber todo mundo que botou dinheiro sujo numa campanha de difamação", afirmou Haddad. O candidato disse ainda que podem ser pedidas prisões em flagrante ou preventivas.  A partir de reportagem de Malu Delgado e Leila Souza Lima

 

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O  apoio massivo das redes de televisão 

 

RBA - Entrevistado no Pânico, da Rádio Jovem Pan, Fernando Haddad falou sobre a relação de Jair Bolsonaro com a Igreja Universal e a Rede Record. “Uma igreja não pode pretender tomar o poder no país.” Ele condenou o fato da igreja “fazer campanha aberta, sendo dona de uma emissora”.

 

Sobre o fato de os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff terem recebido apoios evangélicos, respondeu. “Uma coisa é escolher um candidato que vai te representar, outra coisa é (usar) uma candidatura para fazer você chegar ao poder. Isso deveria ser considerado uma ilegalidade.”

 

Ele lembrou o episódio em que a Record colocou no ar uma entrevista com Bolsonaro durante o debate da TV Globo. “Não acho certo o que a Record fez. Abrem o microfone para ele ficar meia hora, e sete candidatos seguindo regra, com um minuto para falar cada um? Fomos à Globo e o cara me aparece meia hora, esvaziando o debate, com ele exclusivo na rede do Edir Macedo?”

 

Segundo o candidato, o simbolismo da atual conjuntura é preocupante. “Vamos virar um Estado teocrático?”, questionou. Sobre violência, afirmou que “o Brasil precisa mudar de atitude, fazer um gesto. Acho que fui escolhido (como candidato) por transitar e ser respeitado por todas as tribos”.

 

Haddad foi também perguntado sobre o chamado “kit gay”, e lembrou que o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que Bolsonaro está proibido de citar essa notícia falsa. E que há tantos vídeos falsos que a Justiça não consegue acompanhar. “Ele (Bolsonaro) pega um livro de um radical qualquer, e diz que é meu.”

O petista lembrou outras fake news, como a de que seria dono de uma Ferrari, e outras de mais baixo nível. “Minha mulher, Ana Estela, tem carro. Mas eu nem tenho carro. Uso bike, uso Uber, uso metrô.”

 

Os integrantes do Pânico quiseram saber se o programa de governo continha alguma proposta de "censura" ou controle dos órgãos de comunicação. Haddad explicou que uma sociedade democrática não pode conviver com a propriedade cruzada, o domínio, por um mesmo grupo ou família, de vários meios, como rádio, TV e televisão. “Não é controle, é desconcentração.”

 

“O Maranhão estava há 50 anos governado pelo Sarney porque ele detinha o monopólio das comunicações”, disse. Segundo Haddad, é preciso, por meio de licitação, “evitar que o cidadão fique sujeito à mesma família”.

 

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19
Out18

Denúncia de propaganda ilegal de Bolsonaro no WhatsApp pode constituir crime eleitoral, diz imprensa europeia

Talis Andrade

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Por RFI

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