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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

12
Jun22

Bolsonaro comete crime de lesa-pátria e diz a Biden que, ao contrário de Lula, trabalha para defender os interesses dos EUA

Talis Andrade

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Reportagem da Bloomberg informa que Jair Bolsonaro pediu ajuda ao presidente Joe Biden e disse que Lula, ao contrário dele, defende os interesses do Brasil. Bolsonaro sonha com os soldados de Biden. A transformação do Brasil numa Ucrânia, as cidades destruídas pela guerra civil

 

247 – Uma reportagem da agência Bloomberg confirma o que muitos brasileiros já sabem: Jair Bolsonaro trabalha contra os interesses nacionais e, portanto, comete o crime de lesa-pátria. "O presidente brasileiro Jair Bolsonaro pediu ajuda ao presidente dos EUA, Joe Biden, em sua candidatura à reeleição durante uma reunião privada à margem de uma cúpula regional nesta semana, retratando seu oponente de esquerda como um perigo para os interesses dos EUA, segundo pessoas familiarizadas com o assunto", informa o jornalista Eric Martin, da Bloomberg.

"Durante a reunião desta quinta-feira, Biden destacou a importância de preservar a integridade do processo eleitoral democrático no Brasil e, quando Bolsonaro pediu ajuda, Biden mudou de assunto, disse uma das pessoas. Os comentários de Bolsonaro a Biden sobre seu rival, Luiz Inácio Lula da Silva, ecoaram suas advertências públicas sobre o ex-presidente de dois mandatos, segundo as pessoas, que pediram anonimato para discutir uma conversa privada. A assessoria de imprensa da presidência do Brasil não respondeu imediatamente a um pedido de comentário, enquanto a assessoria de imprensa da Casa Branca se recusou a comentar imediatamente", acrescentou o jornalista.

Ao contrário de Bolsonaro, que entrega todas as riquezas nacionais, como fez com a Eletrobrás e pretende fazer com o pré-sal, Lula defende boas relações com os Estados Unidos, mas sem abrir mão da soberania nacional.Nos cartazes e charges, a submissão de Bolsonaro aos EUA - Esquerda Online

[Bolsonaro, em 2018, lançou sua campanha eleitoral a presidente nos Estados Unidos, e repete o feito de lesa-pátria ao dizer, ao se proclamar candidato a reeleição fora do Brasil.

Em 2018, bateu continência para a bandeira dos Estados Unidos e para Trump, transformando o filho 03 Eduardo Bolsonaro, deputado federal, uma espécie de embaixador in pectore para a trama de golpes inclusive a invasão do Capitólio. 

Agora diz que Lula eleito não é bom para os Estados Unidos. Uma deduragem que só um traidor da pátria é capaz. Ele, Bolsonaro, da extrema direita de Trump, fica de quatro para Biden, ele e todos os seus marechais, para receber pomposas aposentadorias, e generais vassalos e golpistas que não pretendem perder as mamatas. Quando democracia é um governo que o povo exerce a soberania. Os militares não representam o povo. Os militares não foram eleitos pelo povo. Como castas pretendem ser fiscais de urnas. Quando Bolsonaro passou quatro anos malandrando, ele e sua corja. Que o povo julgue se devem permanecer mamando nas alturas, e os civis passando fome. 33 milhões de brasileiros civis passam fome, e 116 milhões de civis sofrem de insuficiência alimentar, isto é, não atingem o consumo básico de 2.100 calorias por dia, ou não tem garantida a alimentação]Image 

Forbes e Financial Times detonam Bolsonaro - Patria Latina

 

 

23
Abr22

"Estamos assistindo ao fim da globalização"

Talis Andrade

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247 - O sociólogo português Boaventura Sousa Santos, em entrevista à TV 247, afirmou que o mundo assiste ao fim da globalização e que o Brasil “está no olho do furacão”.

“O Brasil, como é realmente um grande país, olha muitas vezes para dentro e não para fora. É muito importante olhar para fora nesse momento”, advertiu.

Ele salientou que o mundo caminha para ter dois grandes sistemas financeiros, sendo um lastreado pelos Estados Unidos e outro pela China. Apesar de ter uma proximidade com os estadunidenses, até mesmo geográfica, o Brasil, como integrantes dos Brics, têm relação forte com a China.

Desta forma, analisou o sociólogo, o Brasil é um país em disputa. “Nesse momento o Brasil está no olho do furacão. Fundamentalmente estamos assistindo ao fim da globalização como a gente a conhecia. Nitidamente caminhamos para dois sistemas financeiros paralelos, um elaborado pela China e outro pelos Estados Unidos. Acontece que o Brasil pertence aos Brics e, portanto, será um dos países que estará do outro lado do sistema financeiro. Ao mesmo tempo, está na América Latina, e agora já não é o pátio traseiro, mas é o jardim da frente dos Estados Unidos, como diz o Biden”.

 

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20
Mar22

Bolsonaro, a teologia do poder autoritário e um diagnóstico político para 2022

Talis Andrade

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"O cristofascismo brasileiro que eu estou descrevendo é a instância da prática do ódio mediante o incentivo das Grandes Corporações Evangélicas e das Grandes Corporações Católicas que estão no poder ou que estão aliadas ao poder. Elas constroem um conjunto de políticas de ódio aos movimentos heterodoxos, aos comunistas, aos servidores públicos, etc. Essa prática política se liga com uma longa tradição no Brasil (velocidade diacrônica) que ajudou no longo processo de construção entre a igreja católica e o Estado brasileiro", afirma Fábio Py [1] em entrevista a Valtenci Lima de Oliveira [2], publicada na Revista Inter-Legere, Vol 5, n.33/2022. A entrevista nos foi enviada pelo entrevistado.

 

Valtenci Lima de Oliveira entrevista Fábio Py

 

Em 1970 a teóloga alemã Dorothee Solle criou o termo “cristofascismo”, para descrever as igrejas cristãs alemães, especialmente as luteranas, em sua relação de apoio ao nazismo de Adolf Hitler, que culminou na II Guerra mundial, nos Campos de Concentração e em milhões de mortes. Essa terminologia seria aplicável ao Brasil? Por que o Sr. chama o cristofascismo de “teologia do poder autoritário”?

 

Dorothee Solle usa o termo cristofascismo no contexto dos Estados Unidos, quando estava fazendo a “rememoração” do que aconteceu na Alemanha nazista, com Hitler e as relações que via com os movimentos supremacistas brancos nos Estados Unidos. Essa é uma primeira indicação que é importante se fazer: Solle tenta conectar o espírito do governo autoritário fascista, o governo racista e truculento nazista com o espírito de certos grupos, de protestantes, batistas, metodistas, pentecostais presbiterianos ligados ao modus fundamentalista que praticavam violência direta contra o outro, “o diferente”, ou “a diferente”. Esse é o desenho da percepção da Dorothee.

 

Nesse caso, quando eu vou falar sobre o cristofascismo aqui no Brasil eu pego essa instância de Dorothee Solle e tento pensar dentro da lógica da formação do Estado brasileiro. Nesse caso, no âmbito da história do tempo presente. Então, eu penso que não é apenas a prática de grupos supremacistas desse tipo, mas acaba sendo uma prática dos movimentos religiosos fundamentalistas que ao chegar ao poder expandem sua forma de prática política. Eles constroem um discurso de prática política baseada no ritual da família tradicional cristã, mas para espalhar o seu ódio.

 

Então, nesse caso o cristofascismo brasileiro que eu estou descrevendo é a instância da prática do ódio mediante o incentivo das Grandes Corporações Evangélicas e das Grandes Corporações Católicas que estão no poder ou que estão aliadas ao poder. Elas constroem um conjunto de políticas de ódio aos movimentos heterodoxos, aos comunistas, aos servidores públicos, etc. Essa prática política se liga com uma longa tradição no Brasil (velocidade diacrônica) que ajudou no longo processo de construção entre a igreja católica e o Estado brasileiro.

 

Dessa relação no passado se construiu uma série de rituais que para posse de presidente, ditadores, governadores do Brasil, que serviu de inspiração teológica para a governança que estava por vir. Cito a relação de Vargas com o Cardeal Leme. Cito também o bispo de São Paulo à época para Juscelino Kubitschek e também, Dom Eugênio Sales com a Ditadura civil-empresarial-militar. O poder teológico autoritário do cristofascismo atravessa a instância do tempo presente também mediante o acúmulo da longa duração da teologia católica romana e sua afinidade com os governos brasileiros. Portanto, a “teologia do poder autoritário” seria uma composição da velocidade sincronia e diacrônica, atravessando tanto o presente como o passado. Minha compreensão da “teologia do poder autoritário” do Estado brasileiro atual é então uma complexa relação de diacronia e sincronia, tal como R. Koselleck(2006) destaca ao defender que “a sincronia é atravessada pela diacronia”.

 

 

Vivemos nos últimos anos uma crise política no Brasil, pautada no tema da corrupção, em função do Lava-Jato. Como uma espécie de resposta a essa crise, surgiu o bolsonarismo prometendo varrer a corrupção do país e utilizando os seguintes slogans na campanha: “BRASIL ACIMA DE TUDO, DEUS ACIMA DE TODOS” e “CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ”. O que você nos diz sobre isso?

 

Sobre esta questão é muito interessante pensar nas diferentes geografias e temporalidades, logo, olhar não só para o caso brasileiro. Pois, esse discurso de corrupção como ela a culpada de não sermos “desenvolvidos”, é uma falácia, um equívoco proposital dentro da lógica de desenvolvimento capitalista. Esse tipo de argumento não é novo na história da humanidade. Ao contrário: uma das narrativas mais exploradas por Hitler para assumir o poder foi a sinalização dos seus opositores como corruptos. Da mesma forma, operou Mussolini no ambiente italiano. Nesse caso, no Brasil em tempos tão complexos de absoluto aprofundamento do liberalismo econômico, tem-se como metodologia governamental o arroubo de uma expressão autoritária como base política para implementação das políticas de encolhimento do Estado.CHARGE – Blog do CardosinhoPreso pela PF, Pastor Everaldo batizou Bolsonaro no Rio Jordão

A primeira coisa que gostaria de sinalizar é de que essa caminhada histórica já existiu na história da humanidade. Essa desculpa de varrer a corrupção e de que vai trazer a verdade, inclusive parte do jargão da Alemanha, vem sendo usado no Brasil de Bolsonaro: “Alemanha acima de tudo” e este jargão “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Esses slogans já existem, sendo utilizados por governos autoritários no passado e que no Brasil, a lógica anticorrupção da Lava Jato foi seu anúncio. A Lava-jato implodiu o governo petista e abriu caminho para a extrema-direita chegar ao poder.Deltan Dallagnol diz que cristãos podem ajudar a combater cultura da  corrupção no Brasil » Grupo Povos e Línguas

Junto à Lava-Jato, um outro braço político de apoio aos acontecimentos políticos foi a chamada Frente Parlamentar Evangélica. Lembra-se que essa conexão Lava-jato e a FPE foi umbilical com a viagem pelo Brasil de Deltran Dallagnol pelas grandes igrejas do Brasil. Essas viagens dos lavajatistas pelas igrejas tradicionais e igrejas pentecostais do Brasil auxiliou no processo de consolidação da direita como real possibilidade ao poder. Então, na minha leitura o lavajatismo e a FPE que são atores políticos que no ano 2018 se unem de uma forma muito clara para construção de um novo governo, nesse caso do agora evangélico, Jair Messias Bolsonaro.

 

 

Será que houve uma debandada de religiosos das periferias das cidades grandes para o bolsonarismo? Se houve, qual seria o motivo?

 

Primeiro quero destacar que a origem da organização social brasileira é absolutamente conservadora. Essa coisa do Brasil do “jeitinho”, da forma de viver, isso não pode ser desprezado, e as camadas populares assentadas também assumem essa condição de conservantismo das relações sociais. Contudo, eu não acho que seja só isso. Penso que existem mais elementos. Não se pode deixar de dizer que nos últimos anos antes do governo Bolsonaro foi levado por um governo teoricamente de esquerda, como uma grande coalizão encabeçada pela esquerda, que era o PT. Ao longo do tempo, o PT se tornou ainda mais num partido pragmático das eleições e foi perdendo suas articulações nas camadas mais populares da sociedade brasileira.Marco Feliciano – Ilustração para artigo do Verissimo no Jornal A Gazeta |  BLOG DO AMARILDO . CHARGE CARICATURA

O Bolsa Família foi um amplo programa de distribuição de renda aos brasileiros, mas nem tudo pode ser resolvido com uma distribuição de renda. Deve-se levar em conta que embora os impactos do Bolsa Família fossem importantes, o preço das amplas alianças com os setores mais diversificados (como partes da direita) poderiam a longo prazo ser uma dificuldade ao projeto petista. Por exemplo, a figura de Marcos Feliciano ganhou força política quando embora estivesse ligado ao governo petista, com cargos, utilizou a posição para tanto mostrar as diferenciações com a esquerda como tendo palanque como adversário das ideias do PT. Marcos Feliciano foi um agente importante da FPE que ajudou a desenhar Bolsonaro como resposta fácil diante do que vinha acontecendo no país após Dilma Rousseff. O discurso do próprio Feliciano e dos agentes da FPE com a ampla retórica cristã acabou solapando as camadas mais baixas da população. Até porque, como já disse, as camadas populares são conservadoras como o Brasil é. Contudo, ocorreu desde 2016 um trabalho muito bem tecido para que as periferias votassem em peso em Bolsonaro.

 

 

Estamos no ano de um novo pleito eleitoral para a Presidência da República. Em sua análise, o apoio ao presidente Bolsonaro por parte dos evangélicos continuará? Qual a tendência?

 

Então, acabei de escrever um artigo em que defendo que está acontecendo uma perda no apoio do setor evangélico de Bolsonaro. Nas pesquisas eleitorais isso já vem reverberando. Bolsonaro em 2018 tinha por volta de 70% e agora tem 50% ou quarenta e poucos por cento do setor evangélico. Por isso, creio que estamos diante de outro panorama que tínhamos em 2018, contudo não estou entusiasmado como alguns setores da esquerda que já estão dizendo que o Lula vai vencer facilmente porque já conseguiu emparelhar com o Bolsonaro nas pesquisas. Acho que essa análise é sobretudo precipitada. Porque só agora Bolsonaro está ajustando seus caminhos de propaganda, de mídias. Ele vem atuando muito diretamente a partir das igrejas. Ele vem tentando aprimorar e construir outro programa social, que claramente estava se desenvolvendo a partir do arrocho que vem acontecendo pela pandemia, vem investindo em obras públicas, vem circulando o país.

 

Mesmo diante disso, Bolsonaro segue com 50% de apoio nos setores evangélicos – vale a pena lembrar que as camadas mais populares do país são evangélicas. Então eu diria que a tendência é de muita disputa eleitoral, disputa política que vai acontecer até o final ano. Eu também não acredito que Bolsonaro venha a sair do poder de forma pacífica, caso perca, ninguém coloca centenas de militares o poder para sair do mesmo. Mesmo com a perda de parte do eleitorado evangélico, pode-se dizer que ter 50% de votos de partida é um dado importante para Bolsonaro. É verdade, que algumas Assembleias de Deus, saíram um pouco de perto de Bolsonaro; isso de fato vem acontecendo. Contudo, eu acho que mesmo com tantos problemas de governo, com a falta de projeto de governo, mesmo com escândalos de corrupção, também com a pandemia no mundo e no Brasil, o apoio de Bolsonaro segue tendo o apoio de 20% da população brasileira e no meio evangélico 50%. De fato, ele parte com um número significativo para o início do ano eleitoral.

 

 

Vislumbramos no Brasil nos últimos anos um descalabro de enormes proporções com a questão ambiental. Ao que parece a pauta ambiental, também, não é uma prioridade do atual governo. É possível alguma interferência das alas cristãs que apoiam o governo no sentido de sensibilizá-lo quanto a está importante questão, uma vez que a própria teologia cristã traz esta preocupação?

 

Sobre a questão ecológica, ambiental eu não tenho muita esperança. Porque as principais lideranças evangélicas, quero dizer, os grandes empresários da fé, são latifundiários, ou suas comunidades religiosas estão repletas dele. Quase sempre que os próprios pastores têm terrenos, propriedades, tem empresas que exploram o meio ambiente. Ou são ou estão ligados com a alta cúpula de latifundiários no Brasil. Então pra mim só tem como resolver essa questão ecológica brasileira, primeiro fazendo uma Reforma Agrária Popular. Com amplo diálogo com o MST, a Comissão Pastoral Terra, o MPA, os grandes movimentos sociais no Brasil.

 

O que estou dizendo é: se não houver uma Reforma Agrária seria, concreta, não dá para começar a encaminhar a questão ecológica. Porque são os pequenos agricultores, os movimentos indígenas que são os principais preocupados com a questão ambiental. Eu não acredito nas Grandes Corporações Cristãs, que ou os pastores são latifundiários e tem poder de muitas terras ou a própria Igreja Católica segue tendo terras. Essas corporações então pouco interessadas na pauta ecológica, ou na pauta de sensibilização da Amazônia, contra a soja, contra o boi. Não tem preocupação com isso. Por isso, não tenho nenhuma esperança. Sem os povos indígenas no Brasil se não há uma discussão sobre terra, sobre reforma agrária popular.

 

Lembro de um detalhe importante sobre os movimentos indígenas, a demarcação de suas terras e a ponta do imperialismo americano. Lá, em 2012 eu era professor de Seminário, e aí veio um missionário americano conversar comigo. O Seminário recebia essas pessoas porque estava precisando de dinheiro e assim nutria-se as esperanças de “pingar dinheiro” dos “pais formadores”. Assim, o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil aceitou o retorno de missionários da Convenção Batista do Sul dos EUA. Um deles, veio falar comigo, e no meio da conversa falou: “e a Amazônia, o que você acha?”. Eu falei da importância para o Brasil de ser uma floresta do Mundo, mas de seu valor para o país. Uma das coisas que ele me falou, eu lembro nitidamente: “vocês têm doze mil índios pra toda aquela terra. Em toda aquela região e isso é um egoísmo”.

 

Assim, creio que seja isso: de um lado as grandes figuras do teatro evangélico hegemônico são latifundiárias. Tem terras, se ligam a bancada do boi. E, do outro as grandes agências missionárias americanas tem seus olhos voltados sobre o território brasileiro, sobre a Amazônia. E, sobre ela, defendem que seja um território mundial, e não diretamente do Brasil. Então eu diria que embora a teologia cristã, sadia e dialogal, tenha uma preocupação ecológica profunda – vale lembrar de Holzmann, Boff e outros, os braços diretos do imperialismo americano – como são os grandes pregadores e as grandes agências missionárias, sua preocupação é explorar a Amazônia para o grande capital.

 

 

Na relação religião e política, o senhor conseguiria identificar o crescimento de uma esquerda evangélica no Brasil e na América Latina, ou ainda é muito cedo? E, até que ponto poderia corresponder a um equilíbrio de forças e pensamento na política nacional?

 

Nos últimos anos, com a série de políticas governo do PT de acesso à universidade, como o incentivo através de cotas, bolsas de manutenção de estudantes, etc. vários grupos das camadas populares conseguiram acesso à universidade. Com isso, ampliou-se a formação universitária intelectual entre o setor evangélico. A reflexão crítica dos espaços universitários ajudou ao povo das igrejas na formação humanística. Nesse intenso processo de intermediação entre as universidades e as igrejas irá ocorrer um novo crescimento do setor da esquerda evangélica. Ao mesmo tempo, lembra-se que o setor evangélico sempre teve setores críticos à vida moderna, como de grupos por exemplo da Confederação Evangélica Brasileira, nos quais construíram congressos nacionais entre as décadas de cinquenta e sessenta. Entre eles, o mais importante foi o de 1962, chamado de “Cristo e o processo revolucionário brasileiro”.

 

Também, lembra-se que a esquerda evangélica lutou contra a ditadura militar, ocorrendo vários casos, inclusive do Zwinglio Mota Dias, Ivan Dias, Anivaldo Padilha, como pessoas caçadas pela ditadura militar. Por isso, posso dizer com muita felicidade que embora não fossemos tão numéricos, que sempre se teve um pessoal muito aguerrido, de muita luta. De fato, não tenho a expectativa de ter um equilíbrio entre as esquerdas e direitas evangélicas nos próximos anos, mas posso afirmar com muita certeza que esse grupo das esquerdas sempre farão muito barulho. E, creio que cada dia haverá mais vozes. Cito por exemplo a recente criação de uma Bancada Evangélica Popular em São Paulo, que visa enfrentara a Frente Parlamentar Evangélica, que é um braço absoluto, importante no governo Bolsonaro.

 

A Bancada Evangélica Popular vem se organizando com pessoas de muita luta, periféricas sensíveis as lutas da capital monetária do país. Ela vem somando setores como as Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG), por setores das comunidades pentecostais da Zona Sul de São Paulo, pelo CEBI, Koinonia, esses últimos que tem uma contribuição significativa às demandas de Direitos Humanos e as religiões. Embora não sejamos grandes assim, e embora, não tenha expectativa de equiparar em dez anos, em vinte anos o número dos conservadores, creio na potente missão desse grupo: humanizar e lutar as lutas contra o capital transvestidos com a áurea bíblica. Que esse grupo pulse sobretudo o reconhecimento da dignidade humana, o reconhecimento de todas as pessoas, de diferentes expressões de gênero. Embora, acredite que as forças conversadoras sejam muito mais numéricas penso que as instâncias das esquerdas evangélicas podem ser o que as narrativas primeiras da Bíblia, chamam de “Cidade Refúgio”, isto é, um local que as pessoas com todos os acúmulos sociais se sintam acolhidas e vivam suas expressões de vida.

Câmara dos vereadores; Bancada evangélica. ~ Ponto Crítico

Referências

 

BARROS, Odja. Flores que rompem raízes. São Paulo: Recriar, 2020.

CAVALCANTE, Robson. Cristianismo e política. Viçosa: Ultimato, 2002.

Covid-19. International Journal of Latin American Religions, v. 4, 2020b, p. 318-334.

do cristofascismo brasileiro. Tempo e Argumento, v. 13, 2021, p. 202-259.

FONTES, Virginia. Brasil do capital imperialismo. Rio de Janeiro: EdUfjr, 2010.

GRABOIS, Pedro. Devir minoritário no “devir-evangélico” no Brasil. Rio de Janeiro, Novos diálogos, 2013.

KOSELLECK, R. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio
de Janeiro: Contraponto & EdPUC, 2006.

LOWY, Michael. A guerra dos Deuses, Petrópolis: Vozes, 2000.

PACHECO, Ronilso. Teologia negra: sopro antirracista do Espírito, Rio de Janeiro, Novos Diálogos, 2019.

PEREIRA, Nancy Cardoso. Palavras... se feitas de carne. Leitura feminista e Crítica dos Fundamentalismos. São Paulo: Católicas pelo Direito de Decidir, 2013.

PY, Fábio. Bolsonaro’s Brazilian Christofascism during the Easter period plagued.

PY, Fábio. Padre Paulo Ricardo: trajetória política digital recente do agente ultracatólico

PY, Fábio. Pandemia cristofascista. São Paulo: Recriar, 2020a.

SCHMITT, Carl. Théologie politique. Paris: Gallimard, 1988.

SOLLE, Dorothee. Beyond Mere Obedience: Reflections on a Christian Ethic for the Future, Minneapolis: Augsburg Publishing House, 1970.

 

Notas

 

[1] Fábio Py é doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio e professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF. Além de inúmeros artigos – alguns dos quais listados nas referências; é autor do livro Pandemia cristofascista. São Paulo: Editora Recriar, 2020.

E-mail: pymurta@gmail.com

[2] Pesquisador do Grupo de Pesquisa Mythos-Logos: Estudos do Imaginário e Parcerias do Conhecimento. A presente entrevista foi realizada em decorrência da palestra realizada pelo Prof. Fábio Py em programação promovida pelo Instituto Humanitas de Estudos Integrados, e do Grupo de Pesquisa Mythos-Logos, disponível aqui

charge-latuff-biblia - Notícias Gospel

18
Mar22

VÍDEO: Mujica critica guerra na Ucrânia

Talis Andrade

 

 

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por Bergson Araujo /Diário do Centro do Mundo

Nesta terça-feira (15), o ex-presidente do Uruguai, José Mujica, criticou o conflito que acontece ente Ucrânia e Rússia. O politico uruguaio é colunista no jornal DW Brasil e nesta semana falou sobre a guerra que vem acontecendo no leste europeu. O também ex-senador disse que é um “colonialismo intelectual” a atual situação dos países envolvidos.

“O que acontece na Europa é muito mais humano do que o que acontece em outros lugares. Por isso segue existindo um colonialismo intelectual que nos subordina”, expressou ele em sua coluna. Há mais de três semanas os dois territórios estão em conflito, tendo a Rússia invadido a Ucrânia em 24 de fevereiro.

“infelizmente, tivemos todos os elementos para encontrar uma solução política. Mas o pior cego é aquele que não quer ver. Mesmo que exista uma montanha de soldados e tanques no horizonte, quando não se quer vê-los, não se quer vê-los. Qualquer negociação teria sido melhor do que esta guerra”, disse ainda o político.

14
Mar22

Além da Ucrânia dezenas de conflitos sangrentos ocorrem hoje no mundo

Talis Andrade

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13
Mar22

Guerra nuclear: Físicos explicam o que aconteceria

Talis Andrade

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Vaporização de cidades inteiras, chuva radioativa, falta de alimentos e nova era do gelo – entenda os efeitos das armas nucleares modernas

 

Por Italo Wolff/ Jornal Opção

 

A invasão da Ucrânia pela Rússia aumentou o risco de uma guerra nuclear. O que a maioria das pessoas sabe sobre bombas de reações nucleares vem da experiência de Nagasaki e Hiroshima, cidades japonesas bombardeadas pelos Estados Unidos em 1945. Entretanto, o armamento russo atual é muito diferente daquele inaugurado na Segunda Guerra Mundial. Por isso, o Jornal Opção ouviu físicos para compreender como seria uma detonação de bomba nuclear moderna para aqueles que estão no solo e o que aconteceria depois.

A resposta depende, é claro, de quantas armas seriam lançadas. A Rússia e os Estados Unidos têm 90% das armas nucleares do mundo, de acordo com a Federação de Cientistas Americanos (FAS). A Rússia possui 1.588 bombas implantadas em mísseis intercontinentais, que têm um alcance de pelo menos 5.500 quilômetros, e em aviões bombardeiros capazes de lançar uma carga nuclear distante de suas bases. Os EUA têm 1.644 armas posicionadas em mísseis e em bases aéreas militares. Existem quase 5 mil outras bombas ativas que são funcionais e aguardam lançadores.

Desde a Guerra Fria, houve um progresso na redução dos arsenais nucleares do mundo, atingido por meio de instrumentos jurídicos como o tratado de não-proliferação de armas nucleares e o inventário geral de armas nucleares. Entretanto, o estoque combinado mundial de ogivas permanece em um nível muito alto e, recentemente, começou a aumentar mais uma vez. Hoje, nove países possuíam cerca de 12.700 ogivas.

Poucas dessas armas precisam ser usadas para desencadear os eventos que levariam a humanidade à extinção e, por isso, é mais provável que exércitos usem armas de alcance e escala limitada, chamadas de armas atômicas táticas. De acordo com o James Martin Center for Nonproliferation Studies, 30% a 40% dos arsenais dos EUA e da Rússia são compostos por essas bombas menores, que têm alcance de menos de 500 quilômetros por terra e menos de 600 km por mar ou ar. Essas armas ainda teriam impactos devastadores perto da zona de explosão, mas não criam o cenário de apocalipse nuclear global.

Quão fortes são as bombas nucleares modernas?

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Arsenal nuclear atual

 

Existem diferentes tipos e tamanhos de armas nucleares. As bombas que destruíram Hiroshima e Nagasaki utilizavam a tecnologia de fissão nuclear, que é a divisão dos núcleos de átomos pesados ​​em átomos mais leves – um processo que libera nêutrons. Esses nêutrons, por sua vez, podem atingir os núcleos de átomos próximos, dividindo-os e desencadeando uma reação em cadeia fora de controle. Foram as bombas de fissão – também conhecidas como bombas atômicas ou “bombas A” – que destruíram Hiroshima e Nagasaki, com a força entre 15 quilotons e 20 quilotons de TNT (um quiloton equivale a 1.000.000.000 de quilos de TNT). 

As armas modernas, de fusão nuclear (também chamadas de bombas termonucleares, de hidrogênio, ou “bombas H”), são muito mais potentes. Na realidade, essas bombas são tão poderosas que utilizam uma a detonação de bombas atômicas por fissão como gatilho para a real detonação. A energia liberada pela reação em cadeia da fissão inicial é usada para fundir átomos de hidrogênio dentro da arma, e essa reação por sua vez liberam ainda mais nêutrons, que criam mais fissão, que criam mais fusão, e assim por diante. O resultado, de acordo com The Union of Concerned Scientists, é uma bola de fogo com temperaturas que alcançam temperaturas equivalentes às do interior do sol. Bombas termonucleares já foram testadas, mas nunca usadas em combate.

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Quem explica o potencial do armamento nuclear moderno são Lauriane Gomes Santin, doutora em Física Atômica e Molecular, e Solemar Silva Oliveira, doutor em física e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG). “A Tsar bomb, que foi testada em 1961 no arquipélago de Nova Zembla, quase 20 anos após as explosões das bombas Fat man e Little boy, lançadas, respectivamente, em Nagasaki e Hiroshima, era uma bomba de Hidrogênio (termonuclear) de fabricação soviética. A potência dessa bomba é maior que 50 megatons, ou seja, 50 milhões de toneladas de trinitrotolueno (TNT)”, afirmam os cientistas.

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“O experimento, que levou a detonação da Tsar, é o maior da história da humanidade e, a Tsar, a arma mais potente. Os dados de destruição dessa arma foram: uma nuvem em forma de cogumelo com 60 km de altura, 35 km de diâmetro e o deslocamento da massa de ar causou danos em um raio de 1000 km. Nesta explosão, estima-se que queimaduras de terceiro grau podem ser causadas em pessoas localizadas em até 100 km de distância. Para o diâmetro citado, temos uma área de, aproximadamente, 960 km2, ou seja, maior que a área da cidade de Goiânia, ou, praticamente, a área da cidade de Anápolis. Com o deslocamento de ar, a área atingida seria ainda maior. Em seguida, a difusão da radiação poderia matar ou deixar doentes os seres vivos próximos”.

Para comparação, as bombas Fat Man e Little Boy mataram imediatamente cerca de 50% das pessoas em um raio de “apenas” 3,2 km de detonação e a pressão da explosão compactou o ar ao redor em uma onda de choque que destruiu edifícios em um raio de 0,8 km da explosão – nada comparável aos efeitos da Tsar Bomb. Os dados são do relatório do Projeto de Defesa Preventiva, produzido pelo Belfer Center for Science and International Affairs em 2007.

Como funcionam as bombas nucleares

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Comparação das explosões de bombas nucleares antigas e modernas

Sobre a produção das armas, Solemar Silva Oliveira e Lauriane Gomes Santin explicam que os processos químicos para a produção de uma bomba atômica e de uma bomba de hidrogênio são bastante distintos. “Falemos primeiro do processo para a construção de uma bomba atômica, a fissão nuclear. Trata-se de uma reação em cadeia. Um dos elementos radioativos mais utilizados para a realização desse processo é o urânio, que é um átomo pesado, com 92 prótons no seu núcleo. O entendimento da fissão nuclear está baseado no equilíbrio entre a atração nuclear e a repulsão elétrica entre os prótons no interior do núcleo.”

“Se um nêutron, arremessado, for absorvido pelo núcleo do urânio isso fornecerá energia para deformá-lo, isso fará com que as forças elétricas sejam maiores que as forças nucleares e o núcleo se partirá produzindo núcleos menores. Isso produzirá mais nêutrons, que serão arremessados causando outros fracionamentos nucleares e assim por diante. Uma reação em cadeia que libera uma quantidade enorme de energia. Por exemplo, a bomba de Nagasaki, tinha uma potência energética de, aproximadamente, 20 quilotons (20 mil toneladas de TNT). Para a construção de uma bomba de hidrogênio o processo é outro, chama-se fusão nuclear. Trata-se de energia produzida quando núcleos leves se combinam. Dois núcleos pequenos, dos átomos de hidrogênio (1 próton), por exemplo, quando sofrem uma fusão, a massa final é menor que a massa que os dois núcleos possuíam antes.”

“A energia liberada é maior quando os núcleos leves se combinam do que quando núcleos grandes se dividem. Para que esse processo aconteça, os núcleos devem colidir, em um reator, com velocidades extremamente altas, para que a repulsão elétrica não separe os produtos dessa colisão. Isto é possível a altas temperaturas, caso de uma fusão termonuclear. Para o sol, onde o processo de fusão ocorre a todo instante, aproximadamente 657 toneladas de hidrogênio sofrem fusão, transformando-se em 653 toneladas de hélio, a cada segundo. Essa diferença na massa transforma-se em energia radiante.”

A ‘chuva’ radioativa 

A radiação é uma consequência secundária, mas muito mais nociva de uma explosão nuclear. As bombas de fissão lançadas no Japão criaram uma precipitação radioativa (fallout): detritos e poeira contaminados pela radioatividade foram jogados na estratosfera e, pelas 48 horas após a detonação, caíram ao solo infectando os sobreviventes. 

Lauriane Gomes Santin e Solemar Silva Oliveira afirmam: “Pouco depois da explosão da bomba nuclear são liberados partículas e ondas tais como nêutrons, raios gama e raios x. Essas radiações são altamente energéticas e penetrantes. São invisíveis e em grande quantidade. Podem alcançar quilômetros de distância, a depender da potência da bomba, atravessando objetos e corpos. Essas radiações destroem as células do corpo humano, devido ao calor liberado, e debilitam fortemente os organismos vivos causando morte rápida em um curto período.”

No entanto, os efeitos da radiação espalhada no ambiente são duradouros. No prazo de semanas, vários tecidos do corpo podem ser afetados e danificados, devido as modificações celulares causadas pela radiação ionizante. Com o passar dos anos, a incidência de câncer é significativamente aumentada. Segundo os pesquisadores, a incidência de vários tipos de leucemia, entre sobreviventes da explosão da bomba em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, atingiu o pico durante um período de 5 a 10 anos após o desastre. E, ainda, o risco aumentado de câncer continuou crescendo por décadas. Dentre os tipos de câncer desenvolvidos pelos sobreviventes da bomba estão o câncer de pulmão, estômago, fígado, leucemia, intestino, pele, dentre outros. 

Segundo o livro “Nuclear Choices for the Twenty-First Century: A Citizen’s Guide”, de Richard Wolfson e Ferenc Dalnoki-Veress (editora MIT Press, 2021), a área da detonação é inicialmente exposta a 1.000 roentgens (uma unidade de radiação ionizante) por hora. Nos próximos dias, sobreviventes experimentarão 10 roentgens por hora de radiação. Cerca de metade das pessoas expostas a 350 roentgens morrem de envenenamento por radiação aguda. Para comparação, uma tomografia computadorizada abdominal típica pode expor as pessoas a menos de 1 roentgen.

Ready.gov, um site do governo dos Estados Unidos, aconselha que, pessoas próximas a uma explosão nuclear corram para porões subterrâneos ou para andares intermediários de grandes edifícios, e permaneçam lá por pelo menos 24 horas para evitar o pior precipitação radioativa.

Catástrofe climática

Em um cenário extremo em que várias bombas poderosas fossem lançadas, as cinzas e fuligem injetadas na atmosfera poderiam ter um efeito dramático de resfriamento no clima. De acordo com uma análise de 2012 publicada no The Bulletin of the Atomic Scientists, embora uma ou duas explosões nucleares não tenham efeitos globais, a detonação de 100 armas do tamanho da lançada em Hiroshima em 1945 reduziria a média da temperatura global para abaixo daquelas da Última Era do Gelo (também chamado de Último Período Glacial ou Último Máximo Glacial, que ocorreu a 20 mil anos). 

A mudança climática repentina levaria a média de temperatura na terra dos atuais 15 graus Célsius para apenas 2 graus. O frio repentino afetaria a agricultura e o abastecimento de alimentos, além de causar a extinção da maior parte dos ecossistemas.

Radiação na guerra Rússia vs. Ucrânia

A usina de Chernobyl, localizada na cidade ucraniana de Pripyat, está desativada desde o maior acidente radiológico da história, em 1986. Ainda hoje, entretanto, a usina precisa de manutenção para resfriar o combustível nuclear armazenado ali. Devido ao ataque russo, Chernobyl está sem energia para resfriar os reatores desde a última quinta-feira, 9. 

“Chernobyl está desativada há anos, mas existem materiais radiativos que foram utilizados na geração de calor e que ainda continuam emitindo radiação, porque o tempo de vida do material radioativo é longo”, afirmam Solemar Silva Oliveira e Lauriane Gomes Santin. “É necessário manter esse material resfriado, até que baixe a emissão de calor, e ele possa ser deslocado para um outro local seco. Nesse sentido, é importante que haja energia para que a água fria seja bombeada até as piscinas de resfriamento, onde se encontram esses materiais, e evite que o aquecimento possa causar danos e contaminar pessoas. No entanto, não há risco de liberação de grandes quantidades de radiação, ou seja, os danos estão restritos à usina nuclear.”

Ainda na última semana, a maior instalação nuclear europeia – Usina de Zaporizhzhya, também na Ucrânia – foi atacada pela artilharia russa. Segundo os físicos, as Usinas modernas são mais seguras do que as da época de Chernobyl, mas os ataques podem expor a população local a riscos, para não mencionar os danos causados pela falta do suprimento da energia da usina, que gera 25% da eletricidade da Ucrânia. 

“Atualmente existem tecnologias capazes de construir reatores nucleares mais eficientes e com uma produção reduzida de resíduos e, ainda, com custos reduzidos”, afirmam Solemar Silva Oliveira e Lauriane Gomes Santin. “Por outro lado, sabemos que os reatores modernos são menores que os reatores convencionais e o processo de resfriamento é feito com sal e não com água”.

“Segundo a Union of Concerned Scientists (UCS) não há garantias de que esses reatores sejam melhores ou mais seguros”, dizem Solemar Silva Oliveira e Lauriane Gomes Santin. “Em seu relatório sobre os reatores avançados, Edwin Lyman, diretor de segurança de energia nuclear da UCS, afirmou: ‘Em muitos casos, eles são piores no que diz respeito à segurança e ao potencial para acidentes graves e potencial proliferação nuclear.’ Portanto, caso esses reatores sejam atingidos, explosões podem destruir o local e grandes doses de radiação podem ser liberadas na região, o que impactaria o meio ambiente por anos. Ou seja, ainda temos muita estrada até conquistarmos uma excelência na manipulação da energia nuclear com risco zero.”

 

27
Fev22

China divulga lista de países bombardeados pelos EUA, que qualifica de 'a verdadeira ameaça ao mundo'

Talis Andrade

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"Entre os 248 conflitos armados ocorridos entre 1945 a 2001, 201 foram iniciados pelos EUA, representando 81% do número total", destacam os chineses

 

Sputnik - A embaixada da China na Rússia qualificou os Estados Unidos de "ameaça real ao mundo".

Neste sábado (26), os diplomatas chineses retuitaram uma imagem compartilhada anteriormente por Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, que enumera os países que foram bombardeados por Washington desde a Segunda Guerra Mundial.

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"Nunca se esqueçam quem é a verdadeira ameaça ao mundo", lê-se na imagem

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14
Fev22

"O país mais rico do mundo está saqueando descaradamente o mais pobre", acusa China

Talis Andrade

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Biden decidiu destinar a verba do banco central do Afeganistão para "compensar vítimas dos ataques do 11 de Setembro"

 

247 - A decisão do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de utilizar o dinheiro do banco central do Afeganistão - depositado nos EUA - para "compensar vítimas dos ataques do 11 de Setembro" fez a China se manifestar.

A porta-voz da chancelaria chinesa, Hua Chunying, acusou o governo estadunidense de "saquear" o povo afegão. "O país mais rico do mundo está saqueando descaradamente a riqueza do mais pobre! Seja qual for o pretexto, o dinheiro do povo afegão deve estar sob a posse e o controle deles mesmos, especialmente em sua hora de maior necessidade".

Veículos norte-americanos de imprensa, como a rede ABC, o canal de notícias MSNBC e os jornais Washington Post e New York Times, já vinham responsabilizando a retenção dos recursos afegãos pela fome no país.

Um porta-voz político do Talibã, Mohammad Naeem, também criticou a decisão de Biden. "Roubar os fundos bloqueados da nação afegã pelos Estados Unidos e sua apreensão é indicativo do menor nível de decadência humana e moral de um país e uma nação".

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13
Fev22

O autoritarismo pariu Putin

Talis Andrade

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por Gustavo Krause

- - -

As democracias não fazem guerra. Criam “zonas de paz” e resolvem os conflitos de forma pacífica. São sociedades que limitam o poder às regras e às Instituições do Estado de Direito; protegem o exercício pleno das liberdades fundamentais dos cidadãos; asseguram a alternância periódica dos governos, em competições eleitorais, submetidas a procedimentos legitimamente definidos.

O político e escritor sueco Per Ahlmark (1939-2018), no texto A tragédia da tolerância: a conciliação com as tiranias, publicado no livro A Intolerância (Ed. Bertrand Brasil: Rio de Janeiro, 2000), cita a conclusão do Professor da Universidade de Yale Bruce Russet (1935) que analisou todas as guerras entre países independentes: “É impossível identificar uma única guerra entre estados democráticos, a partir de 1815”.

Outro estudioso do assunto, Rudolph Rummel (1932-2014) chegou aos seguintes números de guerras ocorridas no referido período: democracias contra não-democracias, 155; não-democracias contra não-democracias, 198; democracias contra democracias. Zero.

Diante de tais evidências, é procedente afirmar que a ausência de guerra entre estados democráticos é uma lei empírica das relações internacionais. O risco está na erosão da democracia liberal e no fortalecimento dos regimes autoritários, comandados por lideranças capazes de desestabilizar o equilíbrio da ordem mundial.

Putin é o que Vargas Llosa chama, certa ironia, de “homens fortes” que no poder fazem apostas arriscadas. A primeira aposta é se fazer relevante diante da China e dos Estados Unidos; enfraquecer Biden; e, no limite, desafiar a OTAN, a paz mundial, optando pelo cenário beligerante.

No clima gelado da Rússia, Putin distribuiu calorosos afetos com o autocrata Viktor Orban a quem chamou de “melhor amigo do ocidente” e, em dueto com Xi Jinping, recitou: “a amizade entre os dois estados não tem limites”.

Simpático a Putin, o Presidente da Argentina Alberto Fernández optou pelo pragmatismo econômico, mas alfinetou os Estados Unidos para manter a mais importante peculiaridade de um “perfeito idiota latino-americano”.

Entre os dias 14 e 17, o Presidente Bolsonaro vai ao Kremlin. Têm muito em comum o ex-capitão Bolsonaro e o ex-coronel da polícia política da URSS, a KGB: ambos são líderes populistas, autoritários e com fome canina pelo poder. Há 22 anos no cargo, Putin pode ensinar a Bolsonaro sobre peripécias “constitucionais”. Com uma diferença: por aqui as urnas eletrônicas funcionam.

Saudade de Boris Yeltsin. Tudo terminaria em vodca. Tirania e loucura, irmãs siamesas, desconhecem limites. Diferente das tragédias do século XX, não restará narrador para a insanidade de uma guerra nuclear.

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05
Jan22

Lula devolverá direitos aos trabalhadores e a extrema direita reage

Talis Andrade

aroeira ministério do trabalho .jpg

 

por Leonardo Attuch

- - -

A possível aliança entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin criou a falsa percepção de que um provável governo Lula 3 seria um período de conciliação e confraternização nacional, em que o bode do fascismo seria retirado da sala, mantendo-se todas as políticas neoliberais implantadas após o golpe de estado de 2016 e que fracassaram de maneira incontestável.

Bastou um elogio de Lula à revogação pelo governo espanhol de uma reforma trabalhista também fracassada por lá para que a plutocracia brasileira começasse a se movimentar. Lula disse apenas que os brasileiros devem olhar para a Espanha, sinalizando que é possível travar uma discussão madura sobre políticas públicas que não trouxeram os resultados prometidos:

Lula
@LulaOficial
É importante que os brasileiros acompanhem de perto o que está acontecendo na Reforma Trabalhista da Espanha onde o presidente Pedro Sanchez está trabalhando para recuperar direitos dos trabalhadores.
 

A presidente do Partido dos Trabalhadores, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), não apenas celebrou a iniciativa espanhola, como também a decisão do governo de Alberto Fernández, na Argentina, de reverter privatizações igualmente fracassadas:

Gleisi Hoffmann
@gleisi
Notícias alvissareiras desse período: Argentina revoga privatização de empresas de energia e Espanha reforma trabalhista q retirou direitos. A reforma espanhola serviu de modelo p/ a brasileira e ambas ñ criaram empregos, só precarizaram os direitos. Já temos o caminho
 
Logo em seguida, a plutocracia escalou um de seus principais porta-vozes, o deputado Rodrigo Maia (sem partido-RJ), para atacar o Partido dos Trabalhadores. Maia, não custa lembrar, cuidou de praticamente toda a agenda legislativa implantada após o golpe de estado, aprovando medidas que tornaram o Brasil e os brasileiros mais pobres. Basta citar a emenda do teto de gastos, a entrega do pré-sal e a retirada de direitos previdenciários e trabalhistas.
 

Paralelamente, há uma certa histeria no mundo financeiro em razão do fato de Lula ter escolhido o ex-ministro Guido Mantega para escrever um artigo com seu diagnóstico sobre a crise econômica brasileira. Pouco importa se a média de crescimento da economia nacional durante a era Mantega, de 4,5% ao ano, foi a maior da história recente, tendo vindo acompanhada de controle inflacionário, acumulação de reservas internacionais e até mesmo pagamento de toda a dívida brasileira ao Fundo Monetário Internacional. Para a Faria Lima, Mantega é o lobo mau.

O que os neoliberais não explicam é por que, mais de cinco anos após o golpe de estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff, a chamada "confiança" ainda não voltou. Alguns deles dirão, cinicamente, que faltaram reformas mais profundas. Outros, mais sensatos, reconhecerão que a agenda de Michel Temer e Rodrigo Maia encolheu o mercado brasileiro justamente por ter tornado os consumidores brasileiros mais escassos e mais pobres. 

Em outubro do ano passado, a Folha de S. Paulo publicou um balanço sobre a reforma trabalhista defendida por Rodrigo Maia. "Quase quatro anos —e uma pandemia— depois de a reforma trabalhista do governo Michel Temer entrar em vigor, o 'boom' de empregos prometido não se concretizou. Na época, o governo chegou a falar em dois milhões de vagas em dois anos, e seis milhões em dez anos. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o desemprego hoje está maior. No trimestre terminado em julho de 2021, a taxa de desocupação ficou em 13,7%. Esse número é quase dois pontos percentuais a mais que os 11,8% registrados no último trimestre de 2017. No período, o total de desempregados subiu de 12,3 milhões para 14,1 milhões", escreveu o jornalista Isaac Oliveira.

Não há, portanto, qualquer sustentação factual para os argumentos daqueles que defendem a agenda regressiva implantada após o golpe de 2016. Mas a reação da plutocracia indica que a volta de Lula não será um passeio no parque e que neoliberais circunstancialmente rompidos com o bode fascista poderão se aliar novamente à extrema-direita, caso não haja mesmo uma terceira via.
 

Pawel-Kuczynski- trabalho escravo .jpg

A revolta contra o trabalho nos EUA

 
 

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