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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

17
Mar21

Submundo – A conspiração da Lava Jato contra Lula (curta-documentário)

Talis Andrade

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Grupo Prerrogativas - Assista ao curta-documentário que revela toda a farsa montada por Sergio Moro, Deltan Dallagnol e os procuradores para tirar o ex-presidente Lula da eleição de 2018.

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16
Mar21

Irmão de Pazuello foi acusado de participar de grupo de extermínio no Amazonas

Talis Andrade

A história de Alberto, irmão e sócio do general Pazuello, é um conto de  terror. Por Luis Felipe Miguel

Alberto Pazuello foi preso em flagrante, em 1996, sob a acusação de estuprar e torturar adolescentes e mantê-las sob cárcere privado; ele também responde, 25 anos depois, a um processo por homicídio ocorrido nessa época, em Manaus

Por Alceu Luís Castilho e Leonardo Fuhrmann /De Olho nos Ruralistas /Combate

Irmão e sócio do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, o empresário Alberto Pazuello foi acusado de participar nos anos 90 de “A Firma”, um grupo de extermínio que atuava em Manaus. Com a participação de policiais civis e militares e o apoio ou conivência de autoridades da segurança pública estadual, os primeiros esquadrões da morte surgiram durante a ditadura e foram precursores do que hoje muita gente chama de milícias.

Um texto publicado no Estadão, no dia 30 de maio de 1996, traz detalhes relevantes sobre a prisão de Alberto dois dias antes, em sua casa, em Manaus. Título: “Empresário é preso por estupro e tortura”. A repórter Kátia Brasil abriu a notícia da seguinte forma:

— Sexo, drogas e videoteipe. Assim vivia o empresário Alberto Pazzuelo, 42 anos, em sua residência, numa área nobre de Manaus, com adolescentes mantidas em cárcere privado. Elas eram atraídas com anúncios em jornal oferecendo R$ 350 para copeiras e domésticas.  

Há um equívoco na grafia do sobrenome, mas se trata mesmo de Eduardo, irmão mais velho de Alberto Pazuello. Nos anos 70, quando o ministro da Saúde ainda era adolescente, ambos eram sócios em uma financiadora no Rio, a S. B. Sabbá, ligada a outro clã amazonense. E eles continuam sócios, agora de três empresas. Uma delas, J. A. Leite Navegação, com longa trajetória nos rios do Amazonas, onde os Pazuello têm histórico familiar e empresarial relacionado à logística.

POLÍCIA APREENDEU PASTA DE COCAÍNA, ARMAS E FITAS COM CENAS DE SEXO

O texto do Estadão, disponível somente no acervo do jornal, continuava descrevendo o flagrante. Alberto estava com as adolescentes J.F.C., de 14 anos, e J.L.F.C., de 17 anos. A vítima mais velha estava beijando os pés do empresário quando a polícia entrou, conforme o relato da delegada. “Com ele, foram apreendidas uma escopeta, pistola automática, cocaína em pó e pasta, maconha, uma filmadora e fitas com cenas de sexo das garotas”.

Alberto Pazuello foi para o presídio sob a acusação de porte de drogas e de armas, estupro, atentado violento ao pudor e cárcere privado. Era a segunda vez em que ele era preso. No ano anterior, contava o Estadão em 1996, outra adolescente de 17 anos tinha sido mantida em cárcere privado: “O empresário a deixou cinco dias com os braços amarrados ao exaustor da sauna da casa. A mão direita da jovem teve de ser amputada”.

O segundo flagrante foi possível porque duas pessoas — uma delas, uma adolescente de 14 anos — fugiram da mansão, um dia antes da prisão, e denunciaram Alberto. “C.E.P. foi estuprada, já temos o laudo”, dizia à reportagem uma segunda delegada, Catarina Torres, da Delegacia de Crimes Contra a Mulher. Na 7ª Delegacia do Amazonas, então comandada por Vera Lúcia Oliveira, J.L.F.C. se viu em um vídeo com lágrimas nos olhos: “Ele me forçava com uma arma e me torturou”.

Seriam só crimes praticados por um indivíduo, até hoje sócio do irmão em empresas da família, ou os fatos estavam ligados a um determinado contexto político? O texto da Folha, assinado por André Muggiati dias após a notícia do Estadão, e investigações posteriores sobre Alberto Pazuello mostram que a segunda hipótese foi a mais levada em conta na época.

As notícias do Estadão, em 30 de maio de 1996, estavam relacionadas: Alberto Pazuello era investigado em várias frentes. (Imagem: Reprodução)

 

Título da Folha no dia 4 de junho de 1996: “Testemunha liga empresário a grupo de extermínio do AM“. A grafia do sobrenome continua errada, mas novamente se trata do irmão e sócio do ministro. Vejamos o início do texto:

— Uma testemunha relacionou o empresário Alberto Pazzuelo, preso desde o último dia 28, a um grupo de extermínio que, segundo ela, atua em Manaus (AM). A testemunha, cujo nome vem sendo mantido em sigilo, depôs na semana passada na polícia e no Ministério Público. É uma ex-empregada, que trabalhou na casa de Pazzuelo por três meses. Ela identificou oito policiais como integrantes do grupo, auto-intitulado “A Firma”.

O que era A Firma?

CRIMES FORAM INVESTIGADOS POR COMISSÃO DA CÂMARA

Em 1996, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados fez uma série de viagens de apoio às investigações contra essas quadrilhas. Os parlamentares tiveram destaque nas investigações contra a Scuderie Le Cocq, criada no Rio de Janeiro e que na época tinha forte atuação no Espírito Santo. O presidente da comissão era o então deputado federal Hélio Bicudo (PT-SP), falecido em 2018, que havia se destacado nos anos 70 como promotor de Justiça no combate ao esquadrão da morte de São Paulo.

Foi o próprio Bicudo que esteve em Manaus, como líder da caravana da comissão. A situação era vista como muito grave pelos próprios parlamentares. O ex-deputado federal Nilmário Miranda (PT-MG) lembra que o grupo tinha vínculos com a elite econômica do município e diversos tentáculos dentro dos três poderes do estado. Havia suspeitas de ligação do próprio secretário de Segurança Pública — hoje também falecido — com a Firma, além de pelo menos um deputado estadual. Um radialista ligado a eles divulgava as ações do grupo.

Como acontecia com outros desses grupos, a criação vinha sob o argumento de combater a criminalidade fora do sistema judicial. No entanto, como lembra Miranda, os próprios grupos passam a cometer outros crimes. A Firma era acusada de manter uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes na Amazônia. Um desembargador chegou a ser apontado como um dos clientes da rede.

Hoje procurador de Justiça aposentado, o promotor Carlos Cruz teve papel central nas investigações contra o grupo. “Foi um caso muito difícil, a gente recebia muitas ameaças e teve até ciladas”, conta. O apoio da comissão nacional e até de organismos internacionais foram importantes para o prosseguimento das investigações. “O ativista de direitos humanos argentino Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz em 1980, esteve em Manaus e aproveitou para se reunir comigo para falar sobre o assunto”, recorda.

EX-EMPREGADA CONTOU TER VISTO DOIS ASSASSINATOS NA CASA DO EMPRESÁRIO 

O nome de Alberto Pazuello apareceu nas investigações pela primeira vez graças ao depoimento a Cruz de uma ex-empregada de sua casa. Ela apontou um compartimento secreto na casa do empresário, que seria usado para guardar grandes quantidades de drogas. E contou ter presenciado dois assassinatos no local. A polícia encontrou diversas marcas de balas nas paredes do quintal. A trabalhadora reconheceu oito policiais como integrantes do grupo.

Quando a testemunha depôs, Alberto estava na cadeia, durante inquérito conduzido pelo delegado Wilsomar Grana. O Jornal do Commercio do dia 23 de junho de 1995 fez o seguinte relato (novamente o sobrenome Pazuello está com grafia incorreta) sobre a prisão dele, no dia anterior, em sua mansão no Parque das Laranjeiras:

— Ao dar voz de prisão a Alberto, este recebeu os policiais civis a bala, e a polícia militar enviou ao local uma tropa da Polícia de Choque, que conseguiu a mansão [sic], desarmar e deter o revoltado Pazzuello.

Enquadrado por porte de armas e de drogas, Alberto Pazuello era apresentado nessa reportagem como o dono da firma J. Leite. É a mesma empresa, a J. A. Leite Navegação, da qual ele se tornou sócio no ano passado, junto com o ministro Eduardo Pazuello e outros irmãos, como mostrou a Agência Sportlight.

O empresário foi solto no mesmo dia, por decisão de um desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ele ficou foragido por dez meses, até ser preso novamente em maio do ano seguinte, graças a uma denúncia anônima. Na ocasião, o empresário se declarou “inocente” e afirmou que as pessoas estavam “mentindo para prejudicá-lo”.

Do período, resta um processo que Pazuello responde no 2º Tribunal do Júri de Manaus por homicídio, sem qualquer decisão nesses 25 anos. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público estadual do Amazonas, um dos motivos para a demora foi que alguns documentos do processo foram perdidos e estão tendo de ser restaurados nos autos.

ALBERTO É SÓCIO DE EDUARDO PAZUELLO DESDE A DITADURA

Além de irmãos, o empresário e o general são sócios em pelo menos três empresas, duas fundadas e uma adquirida pelo pai deles, o empresário Nissim Pazuello: a J.A. Leite Navegação, a Petropurus Representações e Comércio de Petróleo (uma rede de postos de combustível) e a N Pazuello E Cia Manaus. Além deles, outros irmãos e parentes têm participação nos negócios.

A J. A. Leite foi criada em 1966, mas a última entrada de Eduardo e Alberto Pazuello na sociedade ocorreu no ano passado. O mesmo ocorreu com a N. Pazuello e Cia, criada pelo pai Nissim Pazuello. Em novembro de 1971, Nissim e os filhos — entre eles Eduardo e Alberto Pazuello — apareciam como sócios da S.B. Sabbá – Crédito, Financiamento e Investimento S/A., controlada por Samuel Benayon Sabbá.

Em uma ata, a família aparece representada na empresa por Artur Soares Amorim, chefe de gabinete do ministro do Planejamento, Roberto Campos, durante o governo Castello Branco. Era o início da ditadura no Brasil — o regime apoiado pelos clãs Pazuello e Sabbá — e as famílias multiplicavam seus tentáculos empresariais.

Com pouco mais de 70 anos, Pazuello leva uma vida discreta no Rio de Janeiro, com a maioria das suas redes sociais fechadas e sem menções ao irmão mais famoso. É possível ver algumas críticas antigas a políticos de esquerda, como a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e a ex-senadora Marina Silva (Rede). E, principalmente, muitas menções ao seu time do coração, o Flamengo. Outro ponto em comum com o irmão mais novo, que chega a dar entrevistas com uma máscara rubro-negra.

Tanto Alberto Pazuello — por meio de uma das empresas da família — como o ministro Eduardo Pazuello foram procurados pela reportagem para falar desses casos policiais e da história empresarial da família. Até o momento não houve retorno.

14
Set19

"Estoy preso, pero no me quejo, me siento más libre que millones de brasileños que no comen, no trabajan, no tienen vivienda"

Talis Andrade

Cien minutos en la cárcel con Lula

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Al expresidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, encarcelado en la ciudad de Curitiba, en el sur del país, solo le permiten la visita de dos personas por semana. Una hora. Los jueves en la tarde, de cuatro a cinco. Hay que esperar turno. Y la lista de quienes desean verle es larga... Pero hoy 12 de septiembre, nos toca a Adolfo Pérez Esquivel, premio Nobel de la Paz, y a mí. Lula está en prisión, cumpliendo una pena de 12 años y 1 mes «por corrupción pasiva y lavado de dinero», pero no ha sido condenado definitivamente (aún puede apelar) y sobre todo, sus acusadores no han podido demostrar su culpabilidad. 
 
Todo ha sido una farsa. Como lo han confirmado las demoledoras revelaciones de The Intercept, una revista de investigación on line dirigida por Glenn Greenwald. Lula ha sido víctima de la arbitrariedad más absoluta. Una trama jurídica totalmente manipulada, destinada a arruinar su popularidad y a eliminarlo de la vida política. A asesinarlo mediáticamente impidiendo de ese modo que pudiese presentarse y ganar las elecciones presidenciales del 2018. Una suerte de ‘golpe de Estado preventivo’... 

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Además de ser juzgado de manera absolutamente arbitraria e indecente, Lula ha sido linchado permanentemente por los grandes grupos mediáticos dominantes - en particular O Globo -, al servicio de los intereses de los mayores empresarios, con un odio feroz y revanchista contra el mejor presidente de la historia de Brasil, que sacó de la pobreza a cuarenta millones de brasileños y creó el programa ‘hambre cero’... No se lo perdonan... 
 
Cuando falleció su hermano mayor, Genival ‘Vavá’, el más querido, no le dejaron asistir al entierro, a pesar de ser un derecho garantizado por la ley. Y cuando murió de meningitis su nietecito Arthur, de 7 años, el más allegado, sólo le permitieron ir una hora y media (!) al velatorio... Humillaciones, vejaciones, venganzas miserables... 
 
Antes de poner rumbo hacia la cárcel - situada a unos siete kilometros del centro de Curitiba -, nos reunimos con un grupo de personas cercanas al expresidente para que nos expliquen el contexto. Roberto Baggio, dirigente local del Movimiento de los Sin Tierra (MST), nos cuenta cómo se organizó la movilización permanente que llaman la « Vigilia ». Cientos de personas del gran movimiento « Lula livre! » acampan en permanencia frente al edificio carceral, organizando reuniones, debates, conferencias, conciertos... Y tres veces al día - a las 9h, a las 14h30 y a las 19h -, lanzan a todo pulmón un sonoro: « Bom día!», « Boa tarde!», « Boa noite, Sr Presidente! »... « Para que Lula nos oiga, darle ánimo - nos dice Roberto Baggio -, y hacerle llegar la voz del pueblo... Al principio, pensábamos que eso duraría cinco o seis días y que el Tribunal Supremo pondría en libertad a Lula... Pero ahora estamos organizados para una Protesta Popular Prolongada...» 
 
Carlos Luiz Rocha es uno de los abogados de Lula. Va a verlo casi todos los días. Nos cuenta que el equipo jurídico del expresidente cuestiona la imparcialidad del juez Sergio Moro, ahora recompensado por Bolsonaro con el Ministerio de Justicia, y la imparcialidad de los procuradores... «The Intercept lo ha demostrado», nos dice, y añade: «Deltan Dallagnol, el procurador jefe, me lo ha confirmado él mismo... Me afirmó que ‘en el caso de Lula, la cuestión jurídica es una pura filigrana... el problema es político». Rocha es relativamente optimista porque, según él, a partir del próximo 20 de septiembre, Lula ya habrá cumplido la parte de la pena suficiente para poder salir en ‘arresto domiciliario’... «Hay otro elemento importante, nos dice, mientras la popularidad de Bolsonaro está cayendo fuertemente, las encuestas muestran que la de Lula vuelve a subir... Actualmente, ya más del 53 por ciento de los ciudadanos piensan que Lula es inocente. La presión social va siendo cada vez más intensa en favor nuestro...» 
 
Se ha sumado a nosotros nuestra amiga Mônica Valente, secretaria de relaciones internacionales del Partido de los Trabajadores (PT) y secretaria general del Foro de Sao Paulo. Juntos, con estos amigos, nos ponemos en ruta hacia el lugar de encarcelamiento de Lula. La cita con el expresidente es a las 4 de la tarde. Pero antes vamos a saludar a los grupos de la Vigilia, y hay que prever las formalidades de ingreso en el edificio carcelario. No es una prisión ordinaria, sino la sede administrativa de la Policía Federal en cuyo seno se ha improvisado un local que sirve de celda. 
 
Sólo entraremos a ver a Lula, Adolfo Pérez Esquivel y yo, acompañados por el abogado Carlos L. Rocha y Mônica Valente. Aunque el personal carcelero es cordial, no deja de ser muy estricto. Los teléfonos nos son retirados. El cacheo es electrónico y minucioso. Solo es permitido llevarle al reo libros y cartas, y aún... porque Adolfo le trae 15.000 cartas de admiradores en un pendrive y se lo confiscan para verificarlo muy atentamente... luego se lo devolverán. Lula está en la cuarta planta. No lo vamos a ver en una sala especial para visitas sino en su propia celda donde está encerrado. Subimos por un ascensor hasta el tercer piso y alcanzamos el último a pie. Al final de un pasillito, a la izquierda, está la puerta. Hay un guardia armado sentado delante que nos abre. En nada esto se asemeja a una prisión - excepto los guardianes -, parece más bien un local administrativo y anónimo de oficinas. Nos ha acompañado hasta aquí el carcelero jefe, Jorge Chastalo (está escrito en su camiseta), alto, fuerte, rubio, de ojos verde-azules, con los antebrazos tatuados. Un hombre amable y constructivo quien tiene, constato, unas relaciones cordiales con su prisionero. 
 
La habitación- celda es rectangular, entramos por uno de los lados pequeños y se nos presenta en toda su profundidad. Cómo nos han confiscado los teléfonos, no puedo sacar fotos y tomo nota mental de todo lo que observo. Tiene unos seis o siete metros de largo por unos tres y medio de ancho, o sea unos 22 metros cuadrados de superficie. Justo a la derecha, al entrar, está el baño, con ducha y váter; es un cuarto aparte. Al fondo, enfrente, hay dos grandes ventanas cuadradas con rejas horizontales de metal pintadas de blanco. Unos toldos de color gris-plata exteriores dejan entrar la luz natural del día pero impiden ver el exterior. En el ángulo izquierdo del fondo está la cama individual recubierta con un cubrecama color negro y en el suelo una alfombrita. Encima de la cama, clavadas en la pared, hay cinco grandes fotografías en colores del pequeño Arthur, recien fallecido, y de los otros nietos de Lula con sus padres. Al lado, a la derecha, y debajo de una de las ventanas, hay una mesita de noche de madera clara, de estilo años 1950, con dos cajones superpuestos, de color rojo el de arriba. A los pies de la cama, un mueble también de madera sirve de soporte a un pequeño televisor negro de pantalla plana de 32 pulgadas. Al lado, también contra la pared izquierda, hay una mesita bajita con una cafetera y lo necesario para hacer café. Pegado a ella, otro mueble cuadrado y más alto, sirve de soporte a una fuente de agua, una bombona color verde esmeralda como las que se ven en las oficinas. La marca del agua es ‘Prata da Serra’.

El otro ángulo del fondo, a la derecha, es el rincón gimnasio, con un banco recubierto de falso cuero negro para ejercicios, gomas elásticas para musculación y una gran caminadora. Al lado, entre la cama y la caminadora, un pequeño calentador eléctrico sobre ruedas, color negro. En lo alto de la pared del fondo, sobre las ventanas, hay un aire acondicionado de color blanco. En medio de la habitación, una mesa cuadrada de 1,20 mts de lado, cubierta con un hule azul celeste y blanco, y cuatro sillas confortables, con reposabrazos, de color negro. Una quinta silla o sillón está disponible contra la pared derecha. Finalmente, pegado al tabique que separa la habitación del cuarto de baño un gran armario de tres cuerpos, color roble claro y blanco, con una pequeña estantería en el lado derecho que sirve de biblioteca. Todo modesto y austero, hasta espartano, para un hombre que fue durante ocho años el présidente de una de las diez principales potencias del mundo... Pero todo muy ordenado, muy limpio, muy organizado... Con su cariño de siempre, con calurosos abrazos y palabras de amistad y afecto, Lula nos acoge con su voz característica, ronca y potente. Viste una camiseta adidas del Corinthians su equipo paulista de fútbol favorito, un pantalon de sudadera gris clarito de marca nike, y unas chanclas blancas de tipo havaianas. Se le ve muy bien de salud, robusto, fuerte: «Camino nueve kilómetros diarios» nos dice. Y en excelente estado psicológico: «Esperaremos tiempos mejores para estar pesimista - afirma - nunca he sido depresivo, jamás desde que nací; y no lo voy a ser ahora».

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Nos sentamos en torno a la mesita, él frente a la puerta, dándole la espalda a las ventanas, Adolfo a su derecha, Mônica enfrente, el abogado Rocha un poco aparte entre Adolfo y Mônica, y yo a su izquierda. Sobre la mesa hay cuatro mugs llenos de lápices de colores y bolígrafos. Le entrego los dos libros que le he traído, las ediciones brasileñas de «Cien horas con Fidel» y «Hugo Chávez, mi primera vida». Bromea sobre su propia biografía que está escribiendo, desde hace años, nuestro amigo Fernando Morais: «No sé cuándo la va a terminar... Todo empezó cuando salí de la Presidencia, en enero de 2011. Unos días después fui a un encuentro con los cartoneros de Sao Paulo... Era debajo de un puente y allí una niña me preguntó si yo sabía lo que había hecho en favor de los cartoneros... Me sorprendió y le dije que, bueno, nuestros programas sociales, en educación, en salud, en vivienda, etc. Y ella me dijo: «No, lo que usted nos dio fue dignidad...» Una niña...! Me quedé impresionado... y lo comenté con Fernando... Le dije: «Mira, sería bueno hacer un libro con lo que la gente piensa de lo que hicimos nosotros en el gobierno, lo que piensan los funcionarios, los comerciantes, los empresarios, los trabajadores, los campesinos, los maestros.... Ir preguntándoles, recoger las respuestas.... Hacer un libro no con lo que yo puedo contar de mi presidencia, sino con lo que la propia gente dice... Ese era el proyecto.... (se ríe) pero Fernando se ha lanzado en una obra titanesca porque quiere ser exhaustivo... Sólo ha escrito sobre el período 1980-2002, o sea antes de llegar yo a la presidencia... y ya es un tomo colosal... porque en ese periodo de 22 años ocurrieron tantas cosas... fundamos la CUT (Central Única de Trabajadores), el PT, el MST, lanzamos las campañas «Direitas ¡ja!», y en favor de la Constituyente.... transformamos el país... El PT se convirtió en el primer partido de Brasil... Y debo aclarar que aún hoy, en este país, sólo existe un partido verdaderamente organizado, el nuestro, el PT». Le preguntamos sobre su estado de ánimo. «Hoy se cumplen, nos dice, 522 días desde mi entrada en esta cárcel, el sábado 7 de abril de 2017... Y exactamente ayer se cumplió un año de cuando tuve que tomar la decisión más difícil, escribir la carta en la que renunciaba a ser candidato a las elecciones presidenciales de 2018... Estaba en esta celda, solito... dudando... porque me daba cuenta de que estaba cediendo a lo que deseaban mis adversarios.... impedirme ser candidato... Fue un momento duro... de los más duros... y yo completamente solo aquí... Yo pensaba: Es como estar pariendo con mucho dolor y sin nadie que te tenga la mano...» Abre el libro Cien horas con Fidel y me dice: «Conocí a Fidel en 1985, exactamente a mediados de julio de 1985... Estaba en La Habana por primera vez participando en la Conferencia Sindical de los Trabajadores de América Latina y del Caribe sobre la Deuda Externa... Yo ya había salido de la CUT, ya no era sindicalista, estaba a tiempo completo de Secretario General del PT y era candidato en las elecciones legislativas del año siguiente... Pero no sólo había sindicalistas en esa Conferencia, Fidel había invitado también a intelectuales, profesores, economistas, y dirigentes políticos... Recuerdo que eran ya como las cinco de la tarde, en el Palacio de Congresos, Fidel presidía y aquello estaba muy aburrido... Entonces Fidel, que yo no conocía personalmente, me mandó un mensaje preguntando si yo iba a hablar... Le contesté que no, que no estaba previsto... Él entonces casi me dio una orden: «Usted tiene que hablar, y será el último, cerramos con usted...» Pero la CUT no quería de ninguna manera que yo tomase la palabra... Así que yo no sabía qué hacer... A eso de las siete de la tarde, desde la presidencia de la mesa, sorpresivamente, Fidel anuncia que yo tengo la palabra... Casi me vi obligado a tomarla, me levanté, fui a la tribuna... y empecé a hablar... sin traducción... hice un largo discurso y terminé diciendo: «Compañero Fidel, quiero decirles a los amigos y amigas aquí reunidos que los Estados Unidos tratan por todos los medios de convencernos de que son invencibles... Pero Cuba ya los venció, Vietnam ya los venció, Nicaragua ya los venció y El Salvador también los va a vencer... ¡No debemos tenerles miedo!» Hubo fuertes aplausos. Bueno, termina la jornada y yo me voy a mi casa que me habían asignado en el Laguito... Y cuando llego... ¿Quién me estaba esperando en el saloncito de la casa? ¡Fidel y Raúl ! Los dos ahí sentados aguardándome... Fidel empezó a preguntarme dónde yo había aprendido a hablar así... Les conté mi vida... Y así fue como nos hicimos amigos para siempre...». «Debo decir, añade Lula, que Fidel, siempre fue muy respetuoso, nunca me dio un consejo que no fuera realista... Nunca me pidió que hiciera locuras... prudente... moderado... un sabio... un genio...» 
 
Lula le pregunta entonces a Pérez Esquivel, quien preside el Comité internacional en favor del otorgamiento del Premio Nobel de la Paz al expresidente brasileño, cómo avanza el proyecto. Adolfo da detalles del gran movimiento mundial de apoyo a esa candidatura y dice que el Premio se anuncia, en general, a principios de octubre, o sea en menos de un mes...Y que según sus fuentes este año será para una persona latinoamericana. Se le ve optimista. Lula insiste en que es decisivo el apoyo de la Alta Comisaría para los derechos humanos de la ONU que preside Michelle Bachelet. Dice que esa es la «batalla más importante». Aunque no lo ve fácil. 
 
Nos cuenta una anécdota: «Hace unos años, cuando salí de la Presidencia, ya me habían propuesto para el Premio Nobel de la Paz. Un día me encontré con la reina consorte de Suecia, Silvia, esposa del rey Carlos XVI Gustavo. Ella es hija de una brasileña, Alice Soares de Toledo, así que hablamos en confianza. Y ella me dijo: «Mientras sigas siendo amigo de Chávez, no creo que puedas avanzar mucho... Aléjate de Chávez y tienes el Premio Nobel de la Paz...» Así son las cosas...» Le pregunto cómo juzga estos primeros ocho meses de gobierno de Jair Bolsonaro. «Bolsonaro está entregando el país, me contesta. Y estoy convencido de que todo lo que está ocurriendo está piloteado por Petrobras... A causa del superyacimiento de petróleo off shore Pre-Sal, el mayor del mundo, con reservas fabulosas, de muy alta calidad... descubierto en 2006 en nuestras aguas territoriales... aunque está a gran profundidad, más de 6.000 metros, su riqueza es de tal dimensión que justifica todo... Hasta puedo afirmar que la reactivación de la IV Flota por parte de Washington, que patrulla a lo largo de las costas atlánticas de América del Sur, se decidió cuando se descubrió el yacimiento Pre-Sal... Por eso, nosotros, con Argentina, Venezuela, Uruguay, Ecuador, Bolivia, etc... creamos el Consejo de Seguridad de Unasur... Es un elemento determinante.

Brasil, prosigue Lula, siempre fue un país dominado por élites voluntariamente sometidas a los Estados Unidos... Sólo cuando nosotros llegamos al poder, en 2003, Brasil empezó a ser protagonista... Entramos al G-20, fundamos los BRICS (con Rusia, India, China y Suráfrica), organizamos - por primera vez en un país emergente - los Juegos Olímpicos, la Copa Mundial de fútbol... Nunca hubo tanta integración regional en América Latina.... Por ejemplo, nuestros intercambios en el seno de Mercosur eran de 15.000 millones de dólares, cuando acabé mis dos mandatos se elevaban a 50.000 millones... Hasta con Argentina, cuando llegué eran de 7.000 millones, cuando terminé de 35.000 millones... Los Estados Unidos no quieren que seamos protagonistas, que tengamos soberanía económica, financiera, política, industrial, y menos aún militar... No quieren, por ejemplo, que Brasil firme acuerdos con Francia sobre los submarinos nucleares... Nosotros habíamos avanzado en eso, con el presidente François Hollande, pero con Bolsonaro se derrumbó... Hasta esa miserable declaración, tan espantosamente antifeminista, contra Monique, la esposa del Presidente de Francia Emmanuel Macron, hay que situarla en ese contexto... El tiempo impartido se termina, hablamos de muchos de sus amigos y amigas que ejercen aún responsabilidades politicas de muy alto nivel en diversos países o en organizaciones internacionales. Nos ruega que les transmitamos a todas y a todos su recuerdo más afectuoso, y agradece su solidaridad. Insiste en lo siguiente: «Digan que estoy bien, como lo pueden constatar. Estoy consciente de por qué estoy preso. Lo sé muy bien. No ignoro la cantidad de juicios que hay contra mi. No creo que ellos me liberen. Si el Tribunal Supremo me declara inocente, ya hay otros juicios en marcha contra mi para que nunca salga de aquí. No me quieren libre para no correr ningún riesgo... Eso no me da miedo... Yo estoy preparado para tener paciencia... Y dentro de lo que cabe, tengo suerte... hace cien años ya me habrían ahorcado, fusilado o descuartizado... para hacer olvidar cualquier momento de rebeldía... Yo tengo conciencia de mi rol...No voy a abdicar... Conozco mi responsabilidad ante el pueblo brasileño... Estoy preso, pero no me quejo, me siento más libre que millones de brasileños que no comen, no trabajan, no tienen vivienda... parece que están libres pero están presos de su condición social, de la que no pueden salir...

"Prefiero estar aquí siendo inocente, que fuera siendo culpable... A todos los que creen en mi inocencia, les digo: No me defiendan sólo con fe ciega... Léanse las revelaciones de The Intercept. Ahí está todo argumentado, probado, demostrado. Defiéndanme con argumentos... Elaboren una narrativa, un relato... Quien no elabora una narrativa, en el mundo de hoy, pierde la guerra. Estoy convencido de que los jueces y los procuradores que montaron la manipulación para encarcelarme no duermen con la tranquilidad que tengo yo. Son ellos los no tienen la conciencia tranquila. Yo soy inocente. Pero no me quedo de brazos cruzados. Lo que vale es la lucha". 

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02
Set18

Lula: "Eu sei como é que eu vou passar para a história, já eles eu não sei. Se vão passar como juízes ou algozes"

Talis Andrade

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O Partido dos Trabalhadores contestou o Judiciário em seu primeiro programa eleitoral de candidatos a deputado federal e à presidência da República exibido na TV na tarde deste sábado 1º.

 

Um dia depois do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que por pouco não deixou o partido fora da propaganda eleitoral exibindo Lula como candidato, o PT criticou a prisão política do ex-presidente e mostrou o apoio internacional e nacional tantas vezes já demonstrado a Lula.

 

Entre eles a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, que aparece numa mensagem de texto antes do início do programa. "Mesmo assim, a vontade do povo sofreu mais um duro golpe com a cassação da candidatura de Lula pelo TSE", diz trecho da nota, que acrescenta ainda que "a coligação 'O Povo Feliz de Novo' vai entrar com todos os recursos para garantir o direito de Lula ser candidato".

 

O vídeo mostra também imagens de lideranças internacionais que visitaram Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba, como o Prêmio Nobal da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, além da Vigília Lula Livre, acampada desde que ele foi preso, em 7 de abril, na capital do Paraná.

 

O candidato a vice na chapa, Fernando Haddad, aparece jurando lealdade ao ex-presidente e denunciando perseguição política contra Lula. "Nós vamos com Lula até o fim", afirma. Já Lula também passa sua mensagem: "eu estou na situação de um inocente que está sendo julgado para evitar que esse inocente volte a fazer o melhor governo do Brasil", completa.

 

 

 

17
Ago18

Esquivel, após ele e Amorim visitarem o ex-presidente: “A prisão de Lula é uma ação política, para falsificar a sua imagem”

Talis Andrade

“Quem tira milhões de pessoas da fome constrói a paz”, diz prêmio Nobel após visita a Lula

 

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Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz, e Celso Amorim, chanceler do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visitaram Lula nesta quinta-feira (16/8), na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

 

Durante a visita, eles conversaram com Lula sobre o cenário latino-americano e sobre a postura de subserviência do governo ilegítimo de Temer perante os EUA e sobre a perda da soberania internacional.

 

Esquivel , que já havia tentado visitar Lula, mas foi impedido, afirmou que encontrou o ex-presidente com muito ânimo e força, pensando no país, no povo brasileiro e na América Latina.

 

“A prisão dele é uma ação política, para falsificar sua imagem”, afirmou o Nobel da Paz.

 

Esquivel falou sobre sua preocupação com a volta da fome e da pobreza no Brasil, e sobre a judicialização de governos populares na América Latina, citando os casos de Rafael Correa, no Equador, e Cristina Kirchner, na Argentina.

 

O ativista de direitos humanos afirmou seu compromisso em levar adiante o documento com 300 mil assinaturas requerendo a candidatura de Lula ao Nobel da Paz.

 

“Lula foi o único presidente que tirou da pobreza 36 milhões de brasileiras e brasileiros. É um feito reconhecido. Tirar milhões de pessoas da fome é construir a paz. E a paz, como a democracia, precisa ser construída. Uma democracia se constrói, com igualdade de direitos para todos, mas estamos perdendo o que conquistamos”, disse Esquivel.

 

Ministro das Relações Exteriores nos dois mandatos de Lula, Amorim contou ao ex-presidente os detalhes da visita ao papa.

 

Sobre a política de relações exteriores submissa do governo Temer, Amorim disse que “Lula lembrou todos os esforços que fez pela integração da América Latina, que estão sendo destruídos. Ele está revoltado com a submissão do Brasil aos Estados Unidos, que vem dar ordens sobre com quem devemos relacionar, como se fôssemos vassalos deles. O tempo que um estadunidense vinha dar ordem no Brasil tinha acabado, mas agora voltou. Ele não tem palavras para descrever sua revolta ante esse assédio a nossa soberania”.

 

Amorim lembrou ainda o discurso em que Papa Francisco fala sobre os golpes de estado: “O papa disse, em sua homilia, que hoje em dia os golpes começam com difamação pela grande mídia, depois vem o golpe judiciário e depois vem o golpe em si”.

 

 

 

15
Ago18

O maior registro de uma candidatura da história brasileira

Talis Andrade

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por Betriz Cerqueira

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Depois de 15 dias de greve de fome, Frei Sérgio entrou naquela suntuoso e espaço acompanhado por um médico e recebendo auxílio para se deslocar. Ele, Adolfo Perez Esquivel (prêmio Nobel da Paz) e uma delegação composta por representação dos movimentos sociais, Igrejas, uma deputada do Podemos/Espanha, artistas e juristas fomos todos recebidos pela Presidente do STF, Carmen Lúcia. Para defender a liberdade do Presidente Lula.

 

Esquivel foi contundente e magnífico ao afirmar que Lula é um preso político, vítima de um golpe de estado que depôs a presidenta Dilma Rousseff, golpe que tem a complacência do Poder Judiciário. Destacou o que Lula representa para a América Latina e para o mundo. Ressaltou que democracia e direitos humanos são indivisíveis. Resgatou os golpes de estado com caráter jurídico e outras lideranças que foram seus alvos como Lugo, Rafael Corrêa e Manoel Zelaia. À ministra também lembrou "são 50 anos lutando pela liberdade do povo."

 

A articulação dos juristas pela democracia, através da Carol, resgatou a situação de exceção que vivemos ao lembrar que no Brasil hoje quem é inocente tem que provar a sua inocência e não mais o contrário. Entregou um abaixo assinado com mais de 240 mil assinaturas de intelectuais e juristas do mundo pela liberdade do Lula. Também resgatou todo o diálogo que a articulação tem feito com o Papa Francisco.

 

Pelos movimentos sociais e Frente Brasil Popular eu relatei à ministra um diagnóstico do resultado do golpe de 2016: 28 milhões de pessoas desempregadas ou subempregadas sendo 3 milhões em Minas Gerais, 12 milhões de famílias que já não conseguem comprar um botijão de gás, a educação e saúde que tiveram os investimentos congelados e perdemos o recurso do pré-sal, as pessoas estão perdendo a condição de moradia. Morando na rua como em Belo Horizonte que já são mais de 6 mil pessoas nesta situação! Reafirmamos nosso compromisso de continuar a luta contra o golpe e pela liberdade do Lula. As eleições se ganham nas urnas, não retirando quem tem a preferência do povo de concorrer!

 

O ator Osmar Prado questionou à ministra quantos cadáveres ainda teremos como resultados do golpe que estamos vivendo. Lembrou Dona Marisa Letícia, lembrou o reitor Luiz Carlos Cancellier. Reforçou o pedido de todos nós "faça valer a presunção de inocência"! E terminou perguntando "quem tem medo de Luiz Inacio Lula da Silva?"

 

Frei Sergio emocionou todos que tinham coração naquela sala. Da sua profissão de fé disse a ministra de onde vem, as casas que frequenta (do povo pobre e humilde) e diagnosticou: a vida do povo piorou, a estrutura do estado brasileiro está deixando nosso povo no abandono, nossa justiça está ficando desacreditada. Falou representando os outros 6 companheiros que também estão em greve de fome.

 

Esquivel nos disse que em setembro fará o pedido de indicação do Presidente Lula para Nobel da Paz por tudo o que fez de combate à fome em nosso país!

 

A greve de fome dos 7 companheiros continua! A Marcha Lula livre já chegou em Brasília!

 

Esta quarta-feira será o maior registro de uma candidatura da história brasileira pois será feito por milhares de brasileiros e brasileiras em Brasília!

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15
Ago18

DESCONFORTO Cármem Lúcia mostra constrangimento ao receber manifestantes por Lula livre

Talis Andrade
Favorável à prisão após segunda instância, ministra ouviu de religiosos, juristas e do prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel que ex-presidente é ‘preso político’
 
 
 
 
 
COMUNICAÇÃO DA GREVE DE FOME
Audiência com Cármen Lúcia

Audiência no gabinete de Cármen Lúcia durou cerca de uma hora. Grevistas querem ser recebidos

 

por Hylda Cavalcanti, da RBA 

___

Brasília – Irredutível desde o início na decisão de não pautar as ações para avaliar a constitucionalidade de prisão após condenação em segunda instância, a presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, teve de passar por um constrangimento na tarde de hoje (14). A magistrada recebeu em audiência pública um grupo que pediu, entre outras coisas, para adiantar a tramitação dessas ações e disse textualmente que considera o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “preso político” e que “as eleições 2018 estarão ameaçadas, caso Lula não possa ser candidato”.

 

O grupo foi formado pelo prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, por um dos integrantes da greve de fome realizada desde o início do mês pela liberdade de Lula, Frei Sérgio Görgen, pelo ator Osmar Prado e pelo dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile, além de juristas, intelectuais e representantes da sociedade civil. 

 

O recado repassado para Cármen Lúcia poderia até parecer “lugar comum” desde que foi decretada a prisão de Lula, em abril passado. Mas as frases destacadas na audiência de hoje nunca foram ditas de forma solene, oficialmente, durante uma audiência pública para a magistrada que preside a mais alta Corte do país.

 

Ela tentou ser diplomática, mas, segundo assessores do STF presentes, não conseguiu esconder em certos momentos o ar de desconforto.

 

entrevista
Ao lado do ator Osmar Prado e da advogada Carol Proner, Esquivel fala sobre reunião no STF

 

“Não tivemos a intenção de constranger a ministra, mas precisávamos deixar claro nosso entendimento de que é preciso que o Judiciário reconheça Lula como preso político e que as eleições de 2018 estarão ameaçadas caso ele não possa ser candidato, já que está na frente em todas as pesquisas”, afirmou Esquivel. “Viemos mostrar, também, que esta é a visão que o mundo inteiro está tendo do Brasil, principalmente a América Latina: a de país que vive um momento delicado desde o golpe que tirou a então presidenta Dilma Rousseff do poder, num processo de impeachment sem provas concretas até hoje”, acrescentou.

 

Horas antes, foi realizado em frente ao STF, bem próximo do gabinete da ministra – que foi noviça na juventude e é católica fervorosa, do tipo de não faltar à missa aos domingos – um ato religioso “em defesa da democracia e pelo combate à fome”. Os organizadores foram manifestantes que desde segunda-feira (13) estão chegando a Brasília para apoiar, nesta quarta (15), o registro da candidatura de Lula no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

Embora sem destacar sua opinião, Cármen Lúcia – que deixa o comando do tribunal no início de setembro – tentou dar um tom amável ao encontro, procurou mais ouvir do que se manifestar e disse, ao final, que tinha ficado “comovida” com a audiência. Mas, bem ao seu estilo de protelar o que não tem interesse em julgar, tudo o que prometeu foi relatar o pedido feito pelo grupo aos demais magistrados que integram o tribunal para que decidam sobre a votação das ações.

 

Com saúde frágil, o frei Sérgio Görgen, que completa hoje 14 dias de greve de fome, não aguentou caminhar da frente do Supremo até o local onde seria realizada a coletiva com os jornalistas. Ele foi encaminhado, num carro, para a frente do Centro Cultural Banco do Brasil, onde descansou.

 

Além disso, ao contrário de reuniões com governadores e outras autoridades, em que muitas vezes câmeras e repórteres podem entrar para acompanhar a conversa, a audiência teve a presença de jornalistas vetada.

Nobel para Lula

 

Os participantes do encontro lembraram também do pedido para que Lula seja indicado ao prêmio Nobel da Paz. “Ele foi um presidente que teve altos índices de popularidade e levou 36 milhões de pessoas a ter uma vida mais digna. Esperamos que isso alimente o coração da ministra”, afirmou Esquivel.

 

“Viemos até aqui para destacar que é preciso muita coragem de um homem como o Lula, denunciar a situação vivida por ele e o fato de estar onde está. Ele poderia ter pedido para se refugiar em algum outro país, mas preferiu ficar e ser preso para deixar clara sua inocência e o caráter ilegal da sua condenação”, disse Osmar Prado. “No fundo, eu acho que há um grande medo desse pessoal que trabalhou por tudo isso com o alvoroço que a população tem feito em torno do Lula, porque todos sabem que se ele for candidato, ganhará a eleição. Não podemos nos calar. Nosso papel é exigir que a Constituição seja cumprida, que essa prisão seja encerrada e que amanhã a candidatura seja registrada.”

 

Os integrantes do grupo lembraram à ministra que foi levada uma mensagem sobre toda esta situação ao Papa Francisco, recentemente, e este manifestou  preocupação com o Brasil. Ressaltaram, em sequência, que além do caso de Lula, a ação do PCdoB que questiona a constitucionalidade da prisão de condenados em segunda instância, prejudica mais de 150 mil presos no país.

 

Advogados presentes pediram, ainda, para ser respeitado o direito de liberdade de expressão do ex-presidente, que não tem obtido autorização para conceder entrevistas. E afirmaram para a magistrada que a interpretação feita por eles é de que, se existia alguma dúvida sobre o caráter político da prisão, essa dúvida deixou de existir no início de julho.

 

Na ocasião, um desembargador plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) concedeu liminar de soltura para o ex-presidente, mas a ordem foi sobreposta por outros desembargadores e depois pelo presidente do tribunal, por interferência do juiz federal Sérgio Moro.

 

O grupo entregou a Cármen Lúcia manifesto intitulado “Eleição Sem Lula é Fraude”, com mais de 330 mil assinaturas, que tem a adesão de personalidades brasileiras e estrangeiras e denuncia ações do Poder Judiciário para impedir que o ex-presidente seja candidato.

Manifestantes em Brasília

 

Em vários lugares do Plano Piloto, da frente da rodoviária, passando pela Esplanada dos Ministérios ao trecho em frente ao estádio Nilson Nelson, onde muitos estão acampados, camponeses, agricultores, integrantes do MST e manifestantes do PT estão se encontrando, vindos de diversos estados brasileiros para o ato de apoio, amanhã (15), ao registro da candidatura de Lula.

 

Distribuídos por toda a capital do país, os grupos têm agregado estudantes e trabalhadores para as passeatas, provocado confusão no trânsito e até situações inusitadas, dando uma prova do ambiente de estímulo à candidatura do petista.

 

“Tão bonita e tão burra”, gritou para a veterinária Ana Albuquerque um motorista, provavelmente irritado com o tumulto provocado pelas passeatas e contrário à caravana. “Melhor que você, que é feio e golpista”, gritou de volta ela, provocando reação de solidariedade das pessoas presentes, risadas e vaias ao motorista.

 

Conforme informações dos organizadores, já estão em Brasília perto de 8 mil pessoas, mas o grupo tende a ser ampliado até amanhã.

 

Durante a madrugada, o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), se reuniu à marcha numa das rodovias, ao lado de deputados como Benedita da Silva (RJ), Valmir Assunção (BA), Marcon (RS), João Daniel (SE) e Leonardo Monteiro (MG). Segundo Pimenta, o movimento é uma prova de que “nada pode parar o povo que toma as rédeas do seu destino”. “Lula é muito mais que um líder popular”, afirmou.

 

Ao todo, estão em marcha desde a última sexta-feira no entorno do Distrito Federal, integrantes da Coluna Tereza de Benguela, formada por pessoas da Amazônia e do Centro-Oeste; das Ligas Camponesas, formada por nordestinos; e da Coluna Prestes, formada por moradores do Sul e Sudeste.

 

De acordo com um dos coordenadores da coluna Ligas Camponesas, Antonio Rodrigues, a ação, que se concentrará amanhã na Esplanada dos Ministérios, representa a retomada dos movimentos populares por mais democracia e pela realização de eleições que contem com todos os representantes da população, numa referência a Lula.

 

15
Ago18

Ato inter-religioso reúne Nobel da Paz em apoio a Lula e solidariedade a grevistas

Talis Andrade

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O Ato inter-religioso que contou com a presença do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel e de parlamentares da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara, marcou a manhã desta terça-feira (14) em mais uma das ações dos ativistas dos movimentos sociais em greve de fome desde o dia 31 de julho. O ato de fé e esperança ocorreu na Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Estamos aqui para orar juntos e pedir que Deus nos acompanhe e dê força aos companheiros que estão em greve de fome para pedir justiça, verdade e liberdade ao companheiro Lula”, afirmou Pérez Esquivel.

O deputado Patrus Lula Ananias (PT-MG) – que falou em nome da bancada petista – exaltou o gesto de coragem dos grevistas que estão sem se alimentar há 15 dias em nome da liberdade e democracia. Ele lembrou que essa medida adotada pelos militantes segue o exemplo de Jesus de Nazaré que, segundo ele, fazia greve de fome em solidariedade aos pobres e perseguidos.

“Estamos aqui diante de vocês para agradecer esse testemunho que estão dando pela libertação do maior líder da história política do Brasil, nosso querido presidente Lula, que hoje é um preso político no País”, lamentou Patrus.

 

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06
Jun18

ESQUIVEL: Lula presidente "mudaria o panorama latino-americano, coisa que os Estados Unidos não querem"

Talis Andrade

O arquiteto e ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, de 86 anos, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1980, reiterou suas críticas à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que define como “golpe de Estado no Brasil”. As suas opiniões foram expressas nesta terça-feira (5) em Roma, durante a apresentação do “Apelo à resiliência e à esperança nas lutas por justiça e por democracia no século XXI”. A cerimônia, feita com o líder budista e escritor japonês Daisaku Ikeda, tem o objetivo de despertar a consciência dos jovens.

 


 

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por Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

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O ativista e criador da associação Serviço Paz e Justiça, que promove uma cultura de não-violência baseada nos direitos humanos, confirmou em entrevista exclusiva à RFI Brasil que vai apresentar em setembro a candidatura de Lula ao Prêmio Nobel da Paz em 2019. A campanha, lançada por Esquivel em abril pelo site Change.org, já conseguiu 309 mil assinaturas.

 

“Lula tirou mais de 36 milhões de brasileiros da pobreza. Ele também deu dignidade à vida dessas pessoas, além de educação e saúde. A dignidade é o primeiro passo para a liberdade. O que Lula fez é único na história”, afirmou.

 

Esquivel também falou do seu afeto pelo país. “O Brasil é a minha segunda pátria. Estive preso em São Paulo durante a ditadura militar brasileira e fui libertado graças à intervenção do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Conheci Lula há muitos anos, por volta de 1981, quando ele era dirigente sindical no ABC”, lembra.

 
 

“Hoje os grandes problemas do Brasil são a pobreza, a marginalidade e a violência. Estive com os companheiros e companheiras de Mariella Franco. É uma gente maravilhosa que tenta superar a pobreza através da solidariedade.”

 

Lula é um preso político de um governo ilegítimo

 

Na última vez que esteve no Brasil, em 18 de abril deste ano, Esquivel pediu autorização, junto com o teólogo Leonardo Boff, para visitar Lula na Polícia Federal de Curitiba. Na ocasião, a juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela custódia do ex-presidente, negou o consentimento.

“Vou pedir de novo aos juízes a autorização para visitar Lula na próxima vez que eu for ao Brasil. Estão tentando destruí-lo. Somente permitem que ele tenha contato com sua família e com os advogados”, lamenta. “O golpe contra Dilma Rousseff foi para neutralizar Lula. Sergio Moro não tem nenhuma prova para colocá-lo na prisão”, denuncia Esquivel.

 

“É preciso explicar isso aqui na Europa porque há uma versão equivocada feita pela grande mídia, que é cúmplice no golpe de Estado contra Dilma Rousseff e Lula. É preciso trabalhar para mudar esta mentalidade porque Lula é um preso político de um governo ilegítimo.”

 

Apelo aos jovens

Segundo Esquivel, a solução seria a candidatura de Lula à Presidência da República nas próximas eleições em outubro – decisão que cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Se Lula conseguisse ser candidato e vencesse no Brasil, isso mudaria o panorama latino-americano, coisa que os Estados Unidos não querem”, decreta.

 

“Passei pela prisão, pela tortura, sobrevoei a morte e sou um sobrevivente. Não me mataram por causa das campanhas internacionais da Europa, da América Latina, dos Estados Unidos e do Canadá. Até a família Kennedy fez um pedido a favor da minha liberdade e de minha vida, caso contrário eu seria um desaparecido a mais”, declara. “Hoje posso contar o que aconteceu comigo, mas muitos companheiros não tiveram a mesma chance”.

 

Aos jovens de todo o mundo, Adolfo Pérez Esquivel e o Mestre Budista Daisaku Ikeda deixaram o “testemunho à defesa dos Direitos Humanos, da Paz e do Desenvolvimento Sustentável”, documento entregue durante o evento em Roma. De acordo com o Nobel da Paz, o texto é um ato de confiança na capacidade dos jovens de identificar e percorrer novos caminhos e resgatar o legado do passado para enfrentar os desafios do futuro.

 

07
Mai18

Prisão de Lula completa um mês com tiros, pressão da militância e passos do PT sob controle

Talis Andrade


Da sala de 15 metros, ex-presidente segue o cenário político e avisa que dorme sereno. “Não sei se os acusadores dormem com a consciência tranquila que eu durmo"

 

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Apoiadores de Lula perto da carceragem da Polícia Federal em Curitiba. RODOLFO BUHRER REUTERS

 

por Talita Bedinelli/ El País/ Es

 

"Bom dia, presidente Lula!". São 9h e a saudação anuncia o começo do dia na porta do prédio da Polícia Federal em Curitiba, onde Luiz Inácio Lula da Silva foi preso em 7 de abril, após ser condenado a 12 anos e um mês de prisão pela Operação Lava Jato. Há um mês, o tranquilo bairro de Santa Cândida, uma área de classe média, está agitado. Um grupo de apoiadores do ex-presidente se reveza na frente do prédio para manter uma vigília constante que, prometem, só acabará quando o petista for solto. É uma espera. Mas não sem alguma rotina. Após o bom dia, uma tenda móvel montada na rua recebe shows e discussões políticas. Às 19h, um "boa noite, presidente Lula", amplificado por um microfone e uma caixa de som, marca o fim das atividades. Na próxima manhã, tudo recomeçará.


O objetivo do ato permanente, coordenado pelo PT e organizações como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Sem-Terra (MST), é mostrar ao ex-presidente —e dar um recado público— de que ele não está isolado. É difícil, entretanto, que Lula consiga escutá-los. Sua cela, no quarto andar, fica nos fundos do prédio e a única janela se abre para um pátio interno. Nestes 15 metros quadrados, o presidente mais popular do Brasil está sozinho. Cumpre sua pena em uma sala especial, por ter sido chefe de Estado. Há uma cama, um banheiro privativo e uma porta normal, ao invés de grades. Uma vez por dia, durante duas horas, ele toma banho de sol em um terraço.

 

Além de Lula, a sede da PF de Curitiba abriga outros 21 presos no momento. Ela foi pensada para ser um lugar de passagem para detidos geralmente em flagrante. Mas desde o início da Lava Jato, passou a manter de forma mais permanente investigados que negociam delação premiada com a Justiça em troca de redução de pena. É lá que está, por exemplo, Léo Pinheiro, o executivo da OAS cujo depoimento foi determinante para a prisão do ex-presidente —ele afirmou que o triplex do Guarujá pertencia a Lula. E Antonio Palocci, ex-ministro petista, que deve delatar o antigo chefe em breve. Estar ali é mais confortável do que estar em um presídio comum. "Aqui, ao menos, ele tem alguma dignidade", disse o petista Jaques Wagner, após visitá-lo na última quinta-feira.

 

Por isso, a defesa do ex-presidente não pediu ainda sua transferência para um lugar mais próximo da família, como é de costume. Terá até esta segunda-feira para se manifestar sobre dois pedidos de transferência feitos na Justiça. O primeiro, pela Polícia Federal, que diz que o custo de mantê-lo ali é muito alto —cerca de 300.000 reais por mês com a segurança extra dentro e fora do prédio, onde todo o quarteirão está isolado por barreiras policiais. O segundo, pela Prefeitura de Curitiba, que afirma que moradores do entorno do prédio estão incomodados com o barulho dos apoiadores e as barreiras da polícia, que só deixam passar quem mostra comprovante residencial. "É uma dificuldade de entrar e sair que muda nossa rotina", conta o aposentado Antônio Rosa, 69 anos. "Mas o que enche a paciência mesmo é o barulho, esse bom dia, Lula, boa noite, Lula. Aqui sempre foi um lugar calmo".

 

Para a professora de direito penal da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Maíra Zapater, há ainda outro problema em mantê-lo ali: a inadequação do local para a prisão. "Carceragem não é um local pensado para o cumprimento de pena. Ele já está em uma situação sem previsão legal, que é ser preso antes do final dos recursos sem os fundamentos da prisão preventiva, que são risco de fuga e possibilidade de destruição de provas", ressalta ela. A professora também afirma que há uma súmula do Supremo Tribunal Federal que permite que presos preventivos possam fazer atividades para diminuir a pena, como trabalhar e estudar. Mas não há espaço para isso na carceragem de Curitiba. O professor de direito da USP, Gustavo Badaró, entretanto, discorda. "Não há como negar que ele está melhor que em um presídio. E ele poderia exercer trabalho ali porque não precisa ser algo formal. É só dar uma vassoura para ele e mandar ele varrer um espaço", explica.

 

Lula disse: "Estou tranquilo e sereno. Não sei se os acusadores dormem com a consciência tranquila que eu durmo". Às quintas-feiras, ele recebe filhos e parentes de primeiro grau. Mais de uma dezena de conhecidos já tentaram encontrá-lo, entre eles o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, o teólogo Leonardo Boff, e a ex-presidenta Dilma Rousseff. E também um monge budista de Brasília, sem qualquer relação com o ex-presidente. Foram proibidos pela juíza Carolina Lebbos, responsável pela execução penal do petista, com o argumento de que isso poderia inviabilizar o funcionamento da sede da Polícia Federal, um prédio aberto ao público que emite passaportes.

 

A cada dia, chegam e saem delegações de diversos Estados para manter o apoio ao ex-presidente. E todos dormem ali. "Pretendo ficar aqui até ele sair. E quero que isso seja o mais breve possível", afirmou o carioca Richard Faullaber, 63 anos, filiado ao PT desde 1981 e professor voluntário em uma favela. "Lula tirou milhões de crianças da pobreza. O trabalho político é fundamental", explicava ele.

 

Na última semana, a porta do acampamento ganhou uma barricada de proteção. E uma viatura permanente da Polícia Militar na porta. Na madrugada de sábado, 28 de abril, uma pessoa atirou contra os habitantes do acampamento pró-Lula, deixando dois feridos. O sindicalista Jefferson Lima de Menezes foi atingido no pescoço e deixou o hospital apenas na última quinta-feira. "Os tiros começaram e mandamos todo mundo para os fundos do acampamento, para deitar no chão", conta Jocimar Soares, 28. "Hostilidade contra a gente tem todo dia. É comum, diário", diz. Na última sexta-feira, um delegado da Polícia Federal atacou a vigília de Lula na frente da Polícia Federal. Logo após o bom dia, destruiu os aparelhos de som. Caixas substituídas, tudo já estava pronto para o boa noite. Transcrevi trechos 

 

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