Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

17
Mar20

O roteiro completo para os norte-americanos explorar as riquezas do Brasil

Talis Andrade

vaza-jato de rabo preso vaza.jpg

 

V - Vazajato apresenta a prova final da corrupção da Lava Jato

por Luis Nassif

 

Os procuradores da Lava Jato trataram, então, de fornecer todas as informações necessárias para a equipe norte-americana. Explicaram o papel de cada delator. Falou-se de Alberto Youssef, de Paulo Roberto Costa, de Augusto Mendonça Neto, dono da empresa de construção Toyo Setal, de Pedro Barusco, ex-gerente de serviços na Petrobras, de Hamylton Padilha, lobista da Petrobras que atuava na área de aluguel de sondas para perfuração de poços; Ricardo Pessoa, ex-presidente da Construtora ETC Engenharia; e Dalton Avancini, ex-presidente da Camargo Corrêa.

Depois de ser “brifada” sobre vários alvos da Lava Jato, a delegação americana passou dois dias negociando com advogados de delatores-chave. Cada um deles teve meia hora para apresentar seus casos e conversar sobre os termos da colaboração com as autoridades americanas.

No dia 9 de outubro, de férias na Alemanha, Aras alerta Deltan que os americanos poderiam usar as informações em processos no seu país contra cidadãos e empresas brasileiras.

A preocupação demonstra como o chefe da Lava Jato em Curitiba explorou uma zona cinzenta, fazendo soar alarmes na própria PGR.

De nada adiantaram os alertas. Os próprios procuradores se incumbiram de pressionar brasileiros a delatar para o DoJ. Como se depreende da mensagem do procurador Orlando Martello:

“Foi muito interessante e útil para nós trabalhar com vocês e sua equipe na semana passada. Pudemos entender melhor os procedimentos nos EUA, assim como aprender sobre sua expertise em acordos. Com esse conhecimento, agora nós temos mais uma maneira de convencer empresas e indivíduos a revelar fatos: ameaçar informar ‘as autoridades Americanas’ sobre corrupção e delitos internacionais… (risos)”, escreveu Martello, em inglês.

Em seguida, informa os americanos sobre como passar por cima das restrições legais, que obrigam que interrogatórios de brasileiros sejam feitos por autoridades brasileiras.

Primeiro, eles poderiam ouvir os colaboradores da Lava Jato nos Estados Unidos – o que é, para ele (e para Stokes), a melhor ideia, embora parte deles pudesse não aceitar ir voluntariamente para os EUA. E então sugere: “Nós podemos pressioná-los um pouco para ir para os EUA, em especial aqueles que não têm problemas financeiros, dizendo que essa é uma boa oportunidade, porque, embora seja provável que autoridades dos EUA venham para o Brasil para conduzir as entrevistas, as coisas podem mudar no futuro”. Assim seria possível evitar as limitações impostas pela decisão do STF e novas decisões que poderiam se seguir. (Continua)

 

17
Mar20

Dallagnol burlando a lei

Talis Andrade

dallagnolBerzé.jpg

 

IV - Vazajato apresenta a prova final da corrupção da Lava Jato

por Luis Nassif

 

Há inúmeras passagens em que Deltan Dallagnol omite dados das autoridades brasileiras e da imprensa, para burlar a lei. Apesar dos alertas sobre as ilegalidades, especialmente por Vladimir Aras – que aparentava ser o mais centrado dos procuradores da Lava Jato – em nenhum momento se vê um recuo de Dallagnol.

DRCI (departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional) é o órgão do Ministério da Justiça incumbido da formalização dos acordos de cooperação. Quando o diretor fica sabendo da visita dos americanos e solicita informações, o que faz a Lava Jato?

“No mesmo email, enviado para o então chefe do DRCI, eles decidem amenizar o conteúdo da visita e dizer que ela se limita a “reuniões de trabalho”, como “apresentação de linhas investigativas adotadas pelo MPF e pela PF e pelos norte-americanos no caso Lava Jato”, e não “diligências de investigação no Brasil, o que seria irregular”.

Documentos oficiais do Itamaraty obtidos pelo The Intercept contradizem a versão defendida por Dallagnol na resposta ao Ministério da Justiça. Segundo esses documentos o DOJ pediu vistos para pelo menos dois de seus procuradores – Derek Ettinger e Lorinda Laryea – detalhando que eles planejavam viajar a Curitiba “para reuniões com autoridades brasileiras a respeito da investigação da Petrobras” e com advogados dos delatores da Lava Jato. “O objetivo das reuniões é levantar evidências adicionais sobre o caso e conversar com os advogados sobre a cooperação de seus clientes com a investigação em curso nos EUA”.

Ou seja, o Ministério da Justiça queria informações sobre a vista dos americanos. O Ministério das Relações Exteriores tinha em detalhes. E Cardozo se contentou com as não-explicações dadas pela Lava  Jato. E não era pouca coisa. O DoJ mandou o estado maior das investigações ao Brasil, além do chefe Patrick Stones.

Além dele, estavam presentes dois procuradores-chave nos casos da Petrobras e Odebrecht, Christopher Cestaro e Lorinda Laryea. Ambos continuam atuando na divisão de FCPA do DOJ. Em 2017, Cestaro foi nomeado chefe-assistente da divisão e, em julho do ano passado, tornou-se o chefe de FCPA, comandando todas as investigações de corrupção internacional contra empresas americanas e estrangeiras.

Do lado do FBI, George “Ren” McEachern liderou até dezembro de 2017 a Unidade de Corrupção Internacional do FBI em Washington, com mais de 40 agentes, supervisionando todas as investigações de corrupção ligadas à Lava Jato. A agente Leslie Backschies, que também esteve na comitiva, era supervisora da Divisão de Operações Internacionais do FBI no continente e acompanhou de perto todas as investigações no Brasil. Ela atualmente ocupa o antigo cargo de “Ren” e supervisiona os três esquadrões do FBI dedicados a investigar corrupção pelo mundo afora.

ohi semi aberto dallagnol.jpg

 

06
Ago19

‘Governo Bolsonaro é um pesadelo’, diz Sidarta Ribeiro, neurocientista

Talis Andrade

por Maria Teresa Cruz

Ponte

Cientista achou ‘estranho’ ser filmado por militares durante palestra e critica ‘polêmica’ sobre drogas: ‘farmácias vendem maconha há dois anos’

Sidarta Ribeiro fala sobre os cortes do governo federal em encontro na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul | Foto: SBPC/Jardel Ribeiro

 

Não faz nem um mês que o neurocientista Sidarta Ribeiro, um dos mais respeitados em sua área no Brasil, professor titular e vice-diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), esteve em Paraty (RJ) divulgando seu novo livro “O oráculo da noite”, que fala de sonhos. Mas, para ele, no atual momento político que o país atravessa, tem sido difícil sonhar. “A gente está vivendo uma situação catastrófica para a ciência, a educação e o meio ambiente. Isso é um pesadelo, não é um sonho bom”, disse Sidarta, em entrevista à Ponte.

Na última terça-feira (24/7), conforme divulgado em reportagem da Ponte, Ribeiro estava fazendo uma apresentação sobre os riscos para a ciência e tecnologia diante dos cortes do governo federal que afetam em cheio a pesquisa no país, quando foi gravado por militares no auditório da (UFMS) Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. O pesquisador falava como coordenador da Comissão de Financiamento à Pesquisa e de Política Científica da SBPC (Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência), durante o 71º encontro anual da entidade. “Achei a situação inédita, me senti desconfortável pela forma com que eles estavam se comportando, mas mantive o que foi planejado”, afirmou.

Sidarta Ribeiro é cuidadoso ao fazer afirmações sobre a motivação da gravação, mas faz um alerta sobre a versão do Exército, de que os militares estavam na sala e fizeram a gravação por desejo e interesse individual. “A desculpa que eles deram não é implausível. Mas eu acho que se fosse o caso de atitude privada, eles teriam usado o celular para filmar e estariam na cadeira, não ficariam atrás e se locomovendo em cima das pessoas. Quando você está só interessado, você não está preocupado em documentar detalhes. Eles estavam tentando documentar em detalhes”, atestou.

Militares durante a apresentação de Sidarta Ribeiro na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul 

 

O neurocientista manifestou preocupação com as recentes decisões do governo Bolsonaro, que impactam a política de drogas, o livre debate e prevê um cenário catastrófico para a ciência e educação. “Eles não querem o debate. Para eles, o contraditório tem que ser exterminado”, critica. E diagnostica: “Avalio que a maconha para a medicina do século 21 é como o antibiótico para a medicina do século 20”.

Confira a entrevista:

Ponte – Qual a leitura possível do que aconteceu na última terça-feira na SBPC? 

Sidarta Ribeiro – Eu não tenho informação suficiente para saber, ter uma interpretação segura. Mas há três possibilidades. A primeira é considerar que o Exército está falando a verdade, que aqueles quatro agentes estavam lá como indivíduos privados, muito interessados no conteúdo da palestra. A segunda possibilidade é que eles estavam lá por orientação de algum superior para documentar o que era falado, o que acho que é mais provável devido a postura deles, os equipamentos que eles estavam usando, o posicionamento deles na sala, tudo que aconteceu lá sugere isso. A primeira é benigna, a segunda não muito e a terceira é pior, que seria para intimidar, para incomodar a gente.

 

Ponte – Antes de começar a sua apresentação você percebeu o que estava acontecendo ou só se deu conta depois?

Sidarta Ribeiro – Antes de eu começar eles já se posicionaram. Eu olhei, percebi, achei a situação no minimo inédita, já que nunca tinha visto nada parecido, mas, de novo: lá fora estava cheio de militares, eles estavam com um estande. A desculpa que eles deram não é muito crível, mas ela não é completamente implausível. Eu acho que se fosse o caso de atitude privada, eles teriam usado o celular para filmar e estariam nas cadeiras, não ficariam atrás, em pé, se locomovendo em cima das pessoas. Quando você está só interessado, você não está preocupado em documentar detalhes. Eles estavam tentando documentar em detalhes. Teve uma senhora que se levantou e falou que ela era dos anos 60, que só nos anos 60 acontecia coisas assim, se mostrou indignada. Eles ficaram aparentemente constrangidos, sentaram nas cadeiras, mas não foram embora e continuaram ali filmando.

 

Ponte – Você ficou constrangido, pensou em mudar alguma coisa do tema que iria falar?

Sidarta Ribeiro – Eu fiz uma apresentação que foi integralmente formada por documentos, que foram apresentados com imagem. Quando eu percebi aquela situação, me senti desconfortável, mas pensei: isso pode não significar nada. Até porque nós, cientistas, somos patriotas, assim como os militares são patriotas. Eu decidi que não ia fazer ironia, piada, nada, e nem diminuir a carga da crítica. Porque a crítica é forte, mas é uma crítica de toda a sociedade, desse grupo de trabalho que eu estava representando. Estava ali o Glaucius Oliva, a Helena Nader, entre outros e eu basicamente pensei: “vou manter o que foi planejado”.

 

Ponte – Seu último livro “O oráculo da noite” é sobre sonhos. Está dando para sonhar ultimamente?

Sidarta Ribeiro – A gente está vivendo uma situação catastrófica para a ciência, a educação e o meio ambiente. Catastrófica. Integrantes da SBPC foram removidos do Conad [Conselho Nacional de Políticas de Drogas] e do Conama [Conselho Nacional do Meio Ambiente]. Isso é um pesadelo, não é um sonho bom.

Sidarta Ribeiro traz previsões sobre a falta de investimento na pesquisa científica que trará consequências no curto e médio prazo | Foto: Divulgação/SBPC/Jardel Ribeiro

 

Ponte – Sobre essa extinção do Conad, quais as consequências possíveis?

Sidarta Ribeiro – O Conad já era um órgão em que já éramos minoria, até pela forma como ele era estruturado pela lei 11.343/2006. A sociedade civil tinha menos assentos que o governo. Ou seja, era um local onde não tinha maioria para ganhar nada, mas era um local para expressar ideias, para fazer o exercício do contraditório. No governo Temer não foi fácil nossa relação com o Conad. Houve dificuldade para indicar representante, existia uma má vontade, mas ainda assim nós tínhamos a nossa representação. Mais recentemente, já no governo Bolsonaro, eles aprovaram a nova política de drogas, basicamente de inspiração do Osmar Terra [Ministro da Cidadania], que é uma política de drogas regressiva na nossa opinião. No ano passado, a SBPC aprovou, por unanimidade, que a proibição de drogas é anticientífica e que nos deveríamos regularizar e regulamentar todas as drogas de acordo com seus potenciais benéficos e danosos. Nós éramos uma voz dissonante junto a outras vozes da sociedade, mas éramos minorias. Quando ele faz um movimento para expurgar a sociedade civil do Conad e do Conama, em grande medida, se trata de não ter o contraditório. Não se trata de vencer as discussões, até porque eles sempre tiveram maioria. Se trata de homogeneizar as opiniões, visões. Se trata de algo muito grave quando falamos em política pública. 

 

Ponte – Ainda sobre o debate das drogas, esse ano a Fiocruz divulgou uma pesquisa que ficou embargada no ano passado e que mostra resultados importantes, na contramão de algumas ideias do governo, que tentou desqualificar a instituição. Como vê isso?

Sidarta Ribeiro – A pesquisa da Fiocruz foi um levantamento muito amplo sobre o padrão de uso de drogas no Brasil e ele se segue a outros levantamentos anteriores. Se você observar os números, eles são todos compatíveis, não mudaram radicalmente. Essa pesquisa foi embargada no governo Temer e não tem nenhuma boa razão científica para isso, afinal foi feita com dinheiro público, melhores metodologias, os resultados são compatíveis com resultados anteriores, é bem consistente. O que pega nessa pesquisa é que ela demole a ideia de epidemia de drogas no brasil. Epidemia é uma coisa que se alastra rapidamente e o consumo de drogas não está se alastrando rapidamente pelo país. Isso não está acontecendo. Mas esse discurso de epidemia é para justificar essa nova política de drogas no país, que baseada na internação compulsória, que objetiva dar dinheiro para comunidades terapêuticas religiosas, uma espécie de Lei Rouanet para essas comunidades religiosas. E tem uma coisa grave: se você olhar os números, todo o auê que é feito em cima da maconha e crack, a prevalência dessas drogas é muito baixa. Se houvesse uma epidemia de drogas no Brasil, seria de álcool, já que 66% dos brasileiros já fez uso de álcool. A pesquisa foi embargada por questões ideológicas. 

 

Ponte – E a legalização da cannabis. A discussão atravessa governos, existe há anos e parece não caminhar, apesar de alguns tímidos avanços. A que atribui?

Sidarta Ribeiro – Se você for na farmácia, agora, e pedir um remédio chamado “mevatyl”, você vai ter ali um tarja preta importado que é composto de THC e CDB [Tetrahidrocanbinol e Canabidiol, compostos maconha]. Ele é uma espécie de maconha simplificada, só que ele custa R$ 2.800. Às vezes estou falando disso na universidade e algum aluno diz: “mas professor, isso é polêmico”. E eu rebato: não tem nada de polêmico nisso. Já esta vendendo em qualquer drogaria, há dois anos e ninguém sabe disso direito. As pessoas ficam surpresas. A gente não está discutindo a legalização da maconha. A maconha já está legalizada para quem tem dinheiro. A gente está discutindo o acesso para pessoas pobres e mesmo da classe média. Há três posições sobre o tema hoje no Brasil: tem a posição medieval do Osmar Terra, que é a do Bolsonaro, de que droga é uma coisa ruim, que tem que acabar com a droga, embora com certeza eles comprem remédio na drogaria. Tem a posição da Anvisa, que é a posição do mercado, que defende legalizar desde que seja passando por grandes empresas e encarecendo o produto. E tem a terceira posição que é a posição dos pais de pacientes, dos cultivadores cooperados, que mostra que o extrato da planta contém tudo que é necessário, ele é muito mais eficiente e mais barato. Aquele que custa R$ 2.800, vai sair R$ 30, R$ 50.  O cultivo cooperativizado está sendo utilizado e dando certo na Espanha. 

 

Ponte – Você é a favor de qual para a realidade brasileira?

Sidarta Ribeiro – Essa não é a posição da SBPC, é a posição do Sidarta, certo? Na minha opinião, eu, que sou neurocientista, coordenador científico da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, acho que a melhor solução é permitir o auto cultivo. Eu pessoalmente não sou contra e nem acho viável excluir o mercado, mas a gente tem que garantir o cultivo e produção da maconha medicinal no Brasil a um custo baixo. Se é o Estado que vai fazer isso, maravilha. Se ele não vai fazer, as pessoas têm que poder fazer. Como neurocientista avalio que a maconha para a medicina do século 21 é como o antibiótico para a medicina do século 20. Vai mudar tudo. Da oncologia à geriatria, passando pela neurologia. Aplicação para Parkinson, para câncer. É uma coisa importante demais para deixar apenas nas mãos de grandes empresas multinacionais. Não estou dizendo que elas não têm que participar, mas as pessoas não podem ser obrigadas a comprar delas. E tem algo a ser considerado, existe em curso uma guerra entre o governo e a Anvisa…

 

Ponte – Sim, o ministro Osmar Terra falou que vai acabar com a Anvisa….

Sidarta Ribeiro – Primeiro o governo falou em acabar com a Ancine, agora o Osmar Terra vem a público e fala em acabar com a Anvisa. No fundo, o que eu vejo é que a solução para eles é acabar com o debate, com o contraditório. 

 

Ponte – E podemos falar que isso é uma política de Estado ou mais uma visão individual de alguns personagens do governo?

Sidarta Ribeiro – É a política desse governo.

 

Ponte – Se eu te pedisse para apontar, na sua área de atuação, uma ou duas decisões do governo que considere mais perigosas, o que diria?

Sidarta Ribeiro – A forma com que eles lidam com o meio ambiente, a questão dos agrotóxicos, o desmatamento, a questão indígena, a venda das empresas brasileiras, como a Embraer, o tratamento da educação, como estão lidando com as universidades, o comportamento histriônico do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, esse decreto nº 666 de hoje que permite a expulsão de qualquer estrangeiro, que permite que qualquer estrangeiro seja extraditado baseado numa série de coisas, uma delas é denúncia de órgãos de inteligência. É difícil dizer o que é pior nesse governo. 

 

Ponte – Você mencionou que os cortes não começaram agora, mas que se acentuaram. A que você atribui esse agravamento?

Sidarta Ribeiro – O discurso que nós não temos dinheiro para educação é um discurso neoliberal. É um discurso de que nós somos um país fadado a vender commodities e força bruta de trabalho. Há alguns anos a gente vem vendo um cerceamento, mas agora os cortes são muito mais profundos e têm caráter de de opinião. Algumas universidades estão tendo reitores escolhidos sem a participação da comunidade acadêmica, que nem concorreram. Veio o decreto que o governo poderá interferir nos pró- reitores e reitores de centro. A autonomia da universidade está sendo fortemente ferida. Esse projeto “Future-se”, ele não é exatamente novo e não necessariamente ruim, mas  é muito ruim falar: “a gente vai inventar uma nova maneira de financiar a universidade desfinanciando ela”, descumprindo a constituição. Não dá para defender isso. Se a gente falasse: “Vamos cumprir a constituição e vamos aumentar o aporte através de outras estratégias”, aí tudo bem. Mas isso não é o que esta acontecendo. Estão querendo colocar as universidades sob o comando de organizações sociais, tirando a autonomia de gestão. É uma debate que começou mal. A questão da ciência é uma situação gravíssima. O FNDTC [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], que é a principal fonte de recurso [para desenvolvimento científico], está contingenciado em 90%. A lei não esta sendo cumprida. O CNPq vai parar em setembro, faltam R$ 340 milhões, que eles avisaram que não vão aportar. Serão cortadas 84 mil bolsas. Isso é um evento de catástrofe, de extinção da ciência brasileira e denota um projeto de desmonte do Estado.

 

Ponte – E motivado por quê?

Sidarta Ribeiro – O que posso especular? falta de patriotismo? interesses estrangeiros?

 

Ponte – Muita gente não consegue entender na prática como esses cortes afetarão no médio e longo prazo a vida das pessoas. Como explicar?

Sidarta Ribeiro – As pessoas não percebem que a ciência está em tudo. Elas não percebem que o pré-sal só foi descoberto por causa da colaboração da Petrobras com as universidade, elas não percebem que o programa de álcool passou por pesquisa, então tem carro flex por isso. Elas não percebem que a qualidade e expectativa de vida aumentaram e isso tem a ver com a saúde publica, com o SUS, com pesquisa e com as vacinas da Fiocruz. Elas não percebem que o próprio agronegócio só chegou onde chegou porque foi feita a pesquisa para fazer a fixação de nitrogênio com bactérias. O zika vírus, que a gente teve uma crise e em quatro meses o Brasil tinha dois artigos na Nature e na Science, e tinha a Celina Turchi [uma médica e cientista especialista em epidemiologia das doenças infecciosas] entendendo a relação com a microcefalia. A gente tem um parque tecnológico considerável e estávamos caminhando para sermos os melhores do mundo. De repente, tudo isso está sendo desmontado. A quem interessa? Não é aos brasileiros e brasileiras.

14
Mai19

Clarín: Estados Unidos manejam a Lava Jato para destruir o Brasil e a América Latina

Talis Andrade

justiça- império.jpg

Reportagem jornal Clarín – um veículo independente que faz referência ao Clarín argentino, mas que não tem ligação com o grupo – mostra como o governo norte-americano forma procuradores e influencia no fenômeno do lawfare para derrubar chefes de governo e impor novas lideranças comprometidas com as políticas de austeridade neoliberal 

 

Por El Clarín Chile, com tradução da Carta Maior

Num discurso feito em julho deste ano, no qual felicitava a si mesmo, o subprocurador geral estadunidense Kenneth A. Blanco, que dirigia a Divisão Penal do Departamento de Justiça (porque logo o Secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, o escolheu para encabeçar a Direção de Investigação sobre Delitos Financeiros), se referiu ao veredito condenatório ditado contra o ex-presidente do Brasil, Lula da Silva, como o principal exemplo dos “resultados extraordinários” alcançados graças à colaboração do Departamento de Justiça (DOJ, por sua sigla em inglês) com os promotores brasileiros na operação “anti corrupção” chamada Lava Jato.

A unidade da Divisão Penal do DOJ que colabora com a Lava Jato é a Seção de Fraudes. De novembro de 2014 até junho de 2017, quem dirigia a Seção de Fraudes do DOJ era ninguém menos que Andrew Weissman. Ao deixar essa função, ele foi transferido e passou a formar parte do grupo de choque contra Trump encabeçado pelo Procurador Especial do FBI, Robert Mueller. Weissman tem sido, há muito tempo, o principal assessor de Mueller, e seu histórico de conduta indevida lhe valeu o apelido de “pitbull judicial de Mueller”.

Agora que se está ficando evidente o assalto judicial de Mueller contra a Presidência dos Estados Unidos, com cada vez mais membros de sua equipe ficando expostos por sua corrupção e atos ilegais, é de se esperar que sua operação latino-americana, a Lava Jato, terá a mesma sorte.

Como se sabe, Weissman foi retirado da equipe de caça às bruxas porque transcendeu à luz pública sua parcialidade a favor de Hillary Clinton. Agora cada vez que se menciona a Weissman na imprensa estadunidense é para fazer referência à profunda corrupção que inunda o Departamento de Justiça e o FBI.

As ex-presidentas do Brasil e da Argentina, Dilma Rousseff e Cristina Fernández de Kirchner, respectivamente, denunciaram na semana passada que os líderes nacionalistas e progressistas de todo o continente estão sendo submetidos sistematicamente ao que denominam lawfare, o uso da lei como arma de guerra, com o propósito de impor mudanças de governo e instalar chefes de Estado comprometidos com as políticas de austeridade neoliberal que vão destruindo a região. O discurso de Blanco demonstra que por trás do tal lawfare estão os mesmos interesses imperiais que buscam dar um golpe de Estado em seu próprio país, depor o presidente Donald Trump do seu cargo e instalar alguém ainda mais fiel aos interesses do mercado.

juiz _equilibrista.jpg

 

Em discurso mais recente, Blanco se jactou do papel do DOJ em toda esta farsa, durante um evento chamado Diálogo Interamericano, na palestra “Lições do Brasil: Crise, corrupção e cooperação global”. Na ocasião, Blanco deu as boas-vindas ao seu amigo Rodrigo Janot, quem foi há até pouco tempo, e durante anos, o Procurador Geral da República do Brasil, e um dos principais sicários da Lava Jato.

“É difícil imaginar, na história recente, uma melhor relação de cooperação que esta entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e os procuradores brasileiros. Esta cooperação nos ajudou de forma substancial com uma série de temas públicos que agora estão resolvidos, e continuamos juntos em uma série de investigações”, afirmou Blanco.

“A cooperação entre o DOJ e o Ministério Público brasileiro levou a resultados extraordinários. Só em 2016, por exemplo, o FBI e a Lava Jato estiveram cooperando e se coordenaram nas resoluções de quatro casos relacionados com a Lei sobre Práticas Corruptas no Exterior (FCPA por sua sigla em inglês), ligado às empresas Embraer, Rolls Royce, Braskem e Odebrecht. O caso da Odebrecht em particular é notável, devido ao seu alcance e sua extensão”, continuou Blanco, que também lembrou que “os procuradores brasileiros conseguiram um veredito condenatório contra o ex-presidente Lula da Silva, acusado de receber subornos da empreiteira OAS em troca de contratos com a Petrobras. Casos como este são os que colocaram o Brasil no topo do ranking dos países que trabalham para combater a corrupção tanto dentro quanto fora do país”.

Blanco revelou, nesse discurso, que a cooperação entre o DOJ e os procuradores brasileiros é tão grande que “operam inclusive fora dos processos formais, como nos tratados de assistência judicial mútua”, que consistem em simples ligações telefônicas de uns para outros, para trocar informações ou solicitar evidências driblando as formalidades legais quando é necessário.

Procuradores e promotores de toda a região entram e saem dos escritórios do Departamento de Justiça estadunidense (o mexicano Raúl Cervantes, quem Blanco considera um “bom amigo”, a panamenha Kenia Porcell”, e muitos outros na Colômbia, no Equador e em vários países do continente) para falar sobre as ações “contra a corrupção”, segundo o discurso do subprocurador. Embora o mesmo não tenha citado os juízes Claudio Bonadio e Sérgio Moro – responsáveis pelas condenações a Lula da Silva e Cristina Fernández de Kirchner, respectivamente – sabe-se que ambos também são parte desse esquadrão de elite judiciário, e figuras centrais da nova política de choque para o continente.

assédio justiça.jpg

 

15
Abr19

Lava-Jato, Marcelo Bretas e os cursos no FBI

Talis Andrade

bretas moro.jpg

moro bretas gravatas vermelhas.jpeg

bretas moro petrobras.jpg

 

 

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:
 
As relações entre o Judiciário brasileiro e o Departamento de Justiça resultou na Lava Jato, conforme já mostramos aqui, inclusive mencionando documentos do Wikileaks.

Desde 2015 havia indícios claros dessa cooperação e da maneira como juízes e procuradores do Paraná se valeram do álibi do combate à corrupção para destruir a engenharia nacional, especialmente as empresas que competiam com grupos americanos na América Latina e África.

No Rio, a Lava Jato teve igualmente um viés econômico nítido, que não pode ser atribuído unicamente à ignorância e exibicionismo de procuradores e juiz despreparados. A maneira como investiram contra o BNDES, contra o financiamento da exportação de serviços, seguiu a mesma lógica de desmonte da economia do grupo do Paraná.

Agora, documentos divulgados mostram que o juiz Marcelo Bretas – o Sérgio Moro do Rio de Janeiro – participou de cursos nos Estados Unidos, inclusive no FBI, nas vésperas de estourar a Lava Jato no Rio de Janeiro.

De janeiro a março de 2015, Bretas frequentou o programa Visiting Foreign Judicial Fellows do Centro Judiciário Federal. Teria trabalhado em um artigo sobre o sistema legal dos EUA, e a maneira como equilibra as necessidades da aplicação da lei com os direitos individuais de privacidade. 

Pouco depois, explodia a Lava Jato carioca. 

***
 

demolidor petrobras.jpg

 

05
Abr19

Dallagnol confessa que agiu contra os interesses e as leis do Estado

Talis Andrade

A quem serve o coordenador da Lava Jato no MPF: ao Brasil ou aos EUA?

 

dallagnol DD .jpg

 

 

por Umberto Martins

In 247

___

É reveladora, e também deveria ser considerada preocupante, a informação divulgada pelo procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato no Ministério Público Federal, durante evento realizado pelo jornal O Estado de São Paulo na segunda (1º/4). Tentando explicar o inexplicável acordo pelo qual seria criada uma fundação associada à Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba para administrar uma fortuna de R$ 2,5 bilhões provenientes da Petrobras, ele sugeriu que a iniciativa foi uma exigência dos EUA.

"O que existiu foi uma autorização condicionada à política oficial norte-americana", revelou. "Os EUA frisaram que o dinheiro não poderia ficar com a União Federal porque a União Federal é controladora da Petrobras". Mas será que Dallagnol ainda não se deu conta de que é um funcionário público pago pelo Estado brasileiro? E muito bem pago, por sinal.

 

Privilégios e mordomias

Além de um salário de cerca de R$ 33 mil, ele embolsa uma verba extraordinária de R$ 6.659 todo santo mês, incluindo auxílio moradia, muito embora seja proprietário de imóveis em Curitiba, inclusive oriundos do programa Minha Casa, Minha Vida. Parafraseando o jornalista Boris Casoy. poderíamos chamar isto de "pouca vergonha". Trata-se de um cidadão privilegiado, um espertalhão que goza de mordomias condenáveis enquanto posa de guardião da moral nacional.

Como funcionário público brasileiro não poderia incorrer em ilegalidades para criar uma fundação cujo objetivo é a administração de R$ 2,5 bilhões, sendo que na realidade pelo menos metade deste dinheiro seria usado para fins políticos e particulares pelos integrantes da força tarefa, personalidades cuja vocação reacionária e direitista é pública e notória. Todavia, Dallagnol confessa que agiu contra os interesses e as leis do Estado que paga seus salários e mordomias porque os EUA assim queriam e determinaram: "frisaram que o dinheiro não poderia ficar com a União Federal" e ele teria batido continência. Que poderes tem os EUA, uma potência estrangeira, para determinar quem pode e quem não pode manipular dinheiro que, tendo origem numa estatal, devem ser considerados públicos?

 

Golpes e guerra híbrida

A negociação dos recursos em questão continua envolta na obscuridade, assim como o conjunto das relações perigosas estabelecidas entre os heróis da Lava Jato e Washington, que reclamam investigações mais sérias e aprofundadas. A operação organizada e conduzida pela chamada República de Curitiba foi peça fundamental da engrenagem golpista que culminou na deposição de Dilma Rousseff, na condenação e prisão política de Lula e na eleição de Jair Bolsonaro.

A empreitada não teria sucesso sem o concurso da rede global de espionagem montada pelo poderoso império. Foi o que municiou a Lava Jato, com informações colhidas ilegalmente espionando a presidenta Dilma, ministros e assessores do seu governo e grandes empresas brasileiras, entre elas a Petrobras e a Odebrecht. A visita do ex-juiz Sergio Moro, hoje um funcionário de Bolsonaro, à sede da CIA em Washington é emblemática neste sentido.

As informações colhidas pelos espiões norte-americanos também têm sido largamente utilizadas contra políticos de esquerda e líderes latino-americanos que o imperialismo enxerga com hostilidade e trata como inimigos.

Não há exagero nas análises que veem nos acontecimentos políticos que sacodem o continente ao longo dos últimos anos a estratégia de uma guerra híbrida movida pelos EUA para recuperar o domínio da região, cujo pano de fundo é o duelo geopolítico com a China e a Rússia. Isto hoje parece mais claro com o acirramento da luta de classes na Venezuela, onde Pequim e Moscou respaldam o governo de Maduro enquanto os EUA apostam suas fichas num golpe de Estado liderado pelo deputado Juan Guaidó.

 

As lições da história

É à luz deste contexto histórico mais amplo que se desenrola e deve ser analisada a novela da Lava Jato, cujos resultados objetivos favoreceram sobremaneira os interesses e a estratégia imperialista dos EUA. Entre esses favores destacam-se a destruição das grandes empreiteiras brasileiras, sérias concorrentes dos monopólios estadunidenses abatidas na operação, a multa bilionária extorquida da Petrobras, a abertura do pré-sal e a deposição de um governo considerado hostil, acompanhada da prisão de Lula e eleição de um direitista fanático fã número 1 de Donald Trump ao mais alto cargo da República brasileira.

O maior de todos os prêmios colhidos pela Casa Branca foi a mudança radical da política externa brasileira, que começou com Temer mas adquiriu uma qualidade superior com a dupla Bolsonaro/Araújo. Uma política infame que deixa o Brasil inteiramente a reboque dos desígnios imperialistas dos EUA num momento de franco declínio da sua hegemonia em todo o mundo e decomposição da ordem capitalista institucionalizada nos acordos de Bretton Woods (1944).

Não se sabe se é apenas o espírito de vira-lata, descoberto por Nelson Rodrigues, que explica o comportamento temerário da República de Curitiba, exaltada e glorificada pela mídia hegemônica, mas que – embora blindada - acabou flagrada com as mãos na botija quando já estava se apropriando sorrateiramente dos R$ 2,5 bilhões extorquidos pelos EUA da nossa Petrobras.

A verdade é que não há saldo positivo da Lava Jato. Para a economia foi um desastre que subtraiu em torno de 2,5% do PIB, agravando a recessão iniciada em 2015, segundo estudo feito à época pelo Grupo de Economia & Soluções Ambientais da Fundação Getúlio Vargas, além de extraordinários benefícios ao capital estrangeiro. Milhões de empregos foram destruídos, de forma que o número atual de desempregados e subocupados chega a quase 30 milhões.

A história ensina que a política imperialista dos EUA, inaugurada no século 19, sempre contrariou os interesses dos povos e das nações na América Latina e igualmente no Oriente Médio, na Ásia, África e Europa. No Brasil, atuaram e atuam ostensivamente, aliados às forças sociais mais obscurantistas e reacionários para combater as organizações progressistas e sabotar o desenvolvimento nacional. Foram as "forças subterrâneas" denunciadas por Getúlio Vargas, levado ao suicídio em 1954, enviaram uma frota para garantir o golpe militar de 1964, que depôs João Goulart, e deixaram fortes impressões digitais no golpe de Estado de 2016, travestido de impeachment.

É no mínimo curiosa a declaração do subprocurador geral dos EUA, Kenneth A. Blanco, sobre a condenação do ex-presidente Lula, à qual se referiu (num discurso pronunciado em julho de 2017) como o principal exemplo dos "resultados extraordinários" alcançados graças à colaboração do Departamento de Justiça do seu país com os promotores da Lava Jato. Seria uma danosa ingenuidade acreditar que a intervenção dos imperialistas em assuntos domésticos do Brasil é guiada pelo nobre objetivo de combater a corrupção, aperfeiçoar a democracia e favorecer o desenvolvimento nacional, como sugerem os próceres da República de Curitiba.

As ligações perigosas da Lava Jato com o imperialismo demandam uma investigação mais rigorosa e profunda. Não se deve naturalizá-las em em nome do combate à corrupção. Quanto ao procurador Dallagnol, autor de um famoso e bizarro Power Point sobre Lula, ele precisa esclarecer se é um privilegiado funcionário do Estado brasileiro, a cujas leis e normas deve obediência, ou se segue ordens superiores provenientes dos EUA.

jejum pra lula ser preso DD dallas.jpg

 

27
Fev19

RJ investiga policiais suspeitos de atuar como agentes duplos para milícias

Talis Andrade

PM-Adriano-da-Nóbrega-Milicia.jpg

Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão da PM-RJ, foragido da Justiça

 

247 - Um levantamento divulgado pelo Portal UOL revela que nos últimos 15 meses houve suspeita de vazamentos de informações sigilosas em ao menos cinco operações de enfrentamento a grupos paramilitares no Rio. Uma destas operações envolve o principal suspeito de ter executado a tiros a vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista, Anderson Gomes, na noite de 14 de março passado: o ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) Adriano da Nóbrega, que segue foragido da Justiça há cerca de um mês.

Um dos alvos da operação "Os Intocáveis", o ex-oficial caveira - como são chamados os policiais que passam pelo curso do Bope - contaria com uma rede de proteção formada por agentes da lei infiltrados em batalhões e delegacias do Rio para se manter longe da prisão.

O episódio mais recente de infiltração aconteceu no último dia 14, quando dois policiais militares foram presos por suspeita de terem antecipado à milícia chefiada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, informações sobre uma operação "Volante" desencadeada pela Polícia Civil na Zona Oeste do Rio. As equipes foram às ruas para tentar cumprir 20 mandados de prisão, sendo que dez deles em nome de suspeitos que já estavam presos. Apesar disso, apenas um homem foi detido na ação policial.

A reportagem de Sérgio Ramalho aponta ainda que interceptações telefônicas mostraram que o trabalho acabou prejudicado pelo PM Marcelo Tinoco Petuquio, que teve uma conversa telefônica captada pelas escutas autorizadas pela Justiça. No diálogo, ele dava detalhes sobre a operação a um interlocutor ligado ao grupo paramilitar. Além dele, também foi detido o sargento Marcelo Costa Brito, lotado no Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), apontado como chefe da milícia de Rio da Prata, em Campo Grande. O grupo do PM tem ligação com a "Liga da Justiça", milícia chefiada por Ecko.

Em 22 de janeiro, durante a operação "Os Intocáveis", apenas cinco dos 13 mandados de prisão foram cumpridos pelos policiais civis envolvidos na ação, sendo que dois dos presos são oficiais da PM, o major Ronald Paulo Alves Pereira e o tenente aposentado Maurício Silva da Costa. Caso permanecessem foragidos, ambos perderiam prerrogativas, dentre elas, salário e aposentadoria. No dia seguinte, dois outros suspeitos foram detidos, elevando para sete o número de mandados cumpridos.

Além do ex-capitão Adriano, outro que conseguiu escapar da operação foi o presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba. Em um trecho da denúncia encaminhada pelo Ministério Público à Justiça consta a informação de que Beto Bomba tinha acesso a dados privilegiados sobre operações policiais realizadas nas localidades sob influência de milicianos e, com isso, alertava seus aliados com antecedência. Veja a vida de Adriano Magalhães da Nóbrega e suas ligações com o senador Flávio Bolsonaro aqui

wellington da silva braga ecko.jpg

 

agentes duplos .png

Milícia de Itaguaí tinha cemitério clandestino para enterrar inimigos

ecko.jpg

A polícia descobriu que a milícia que atua em Itaguaí, Região Metropolitana do Rio, e é um braço da comandada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, tinha um cemitério clandestino para enterrar “inimigos”. Segundo as investigações da Polícia Civil, pelo menos 10 corpos foram enterrados no local.

quadrilha de ecko.png

 

 

Milícia é máfia. Esses grupos são compostos em parte por agentes da lei, que atuam como agentes duplos, servindo ao crime organizado enquanto recebem salários para proteger o cidadão

Marcelo Freixo (PSOL-RJ), deputado federal

 

 

 

 

04
Nov18

Há duas aberrações nos atos políticos de Sérgio

Talis Andrade

moro agente.jpg

 


Moro no Governo era o óbvio; mas o Ministério dele é outro

 

Ministério das Minas e Energia: esse deveria ser o órgão oferecido pelo presidente a Moro. (Explicaremos isso adiante.)

 

moro agente LuizGE.jpg

 

 

por Marconi Moura de Lima Burum

___

O juiz Sérgio Moro é de longe o membro do Poder Judiciário mais político que já existiu na República. Desde que deflagrou, em 2014, a primeira operação da sequência da Lava-Jato, o magistrado tem posto em xeque a lógica e a técnica do Direito num jogo tão ardiloso que assustaria Maquiavel em seu esforço de teorizar a política, tal como o fez tão brilhantemente. Não há nos dias de hoje alguém que opere mais as artimanhas do jogo do poder quanto o Juiz Moro.

 

Até aí não haveria qualquer tensão: a política é direito de todos. No entanto, há duas aberrações nos atos políticos de Sérgio Moro. A primeira é que, aos membros da magistratura é antiético e ilegal agir politicamente enquanto existir vínculo de trabalho. Para "fazer" política, ele deveria pedir, no mínimo, sua aposentadoria frente ao Judiciário [1].

 

O segundo é bem mais grave: Moro usou de sua independência como órgão da Justiça para servir [2] aos interesses de multinacionais do petróleo a fim de enfraquecer as ações da empresa Petrobrás na Bolsa de Valores, consequentemente, serem vendidas a preço de banana para estas empresas estrangeiras. E, por coincidência (#SQN), a deposição da Presidente da República, Dilma Rousseff, que sempre sinalizou a proteção do Pré-sal [3] como riqueza estratégica à soberania nacional e às futuras gerações, abriu caminho para assumir o governo um "entreguista", o vice, Michel Temer, que sempre foi aliado aos interesses do mercado estrangeiro.

 

(Não me aterei às decisões de Moro neste texto. Isso deverá ser objeto de sua pesquisa, caro Leitor. Todavia, preste atenção que tudo que o magistrado faz em relação à Petrobrás, cada decisum, faz a nossa empresa afundar cada dia mais no Mercado.)

 

Não se trata este texto de uma contra-política a Moro, tampouco de especulação evasiva sobre a geopolítica global. Uma simples pesquisa do cidadão mais curioso, cruzando alguns dados na internet, fará perceber que este magistrado está constantemente viajando para os EUA (e não é para fazer compras em Nova Iorque). Trata-se de um agente indireto de operações de sabotamento das estruturas, do conteúdo e das riquezas nacionais a fim de contemplar os interesses da Shell e de outras grandes empresas sobre o nosso petróleo.

 

Apresento aqui perguntas que teimam em não sair do pensamento deste autor: Moro boicota a Petrobrás para ganhar algum dinheiro a mais destes estrangeiros? O juiz tem muita raiva das instituições e da sociedade brasileira (pois seus atos – o tempo provará – sabotam também a capilaridade das instituições e da civilização brasileira), e luta para fragiliza-las? Este magistrado é algum agente secreto, contratado pela CIA e infiltrado nas instituições brasileiras? Ou é apenas um político egoísta, em cuja ambição ultrapassa todos os limites razoáveis para alimentar sua sede pelo poder (que aliás, ele abusa com deleites de prazer, de sua autoridade, e ninguém, absolutamente nenhuma instituição controla seus abusos)?

 

Estas perguntas serão respondidas apenas nos livros de História do Brasil. O problema são seus atos que farão retroceder a independência e a força do Brasil diante as grandes nações uns 100, ou 200 anos, e as consequências práticas para a sociedade será o aleijamento estrutural das futuras gerações.

 

Pior que, por medo ou outra coisa, estes atos do pseudo herói-juiz são homologados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), destarte, se vestem de oficialidade e terminam por obter a anuência da Grande Mídia a partir da frágil cognição crítico-social de nosso povo. Ou seja: são crimes – de lesa pátria – que cometem(os) hoje para punir nossos filhos, netos e bisnetos.

 

Dito isto, podemos retornar à ironia, todavia, mais ainda: à pragmática da epígrafe deste texto: o Sérgio Moro "oficializar" sua entrada na política não era uma novidade para quem a isto estuda. Trabalhar com o presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, também não seria uma [boa] nova, haja vista que é este político que constantemente presta continência para a bandeira dos EUA, o que mostra sua submissão aos "americanos". O que chamou minha atenção é que o Ministério adequado ao Moro seria o das Minas e Energia, assim consolidando sua sequência de ajudar a entregar a preço de fim de feira nosso petróleo e as demais riquezas deste País. E o lamentável disso tudo é que o povo brasileiro comemora sua desgraça como a boiada que, indo para o matadouro, segue a fila na disciplina da mortificação.

 

Como diz minha amiga Edinalva Benício, uma moça simples da roça, e que ampliou ainda mais seus horizontes cognitivos ao se tornar estudante de Pedagogia da Universidade Federal de Tocantins (UFT-Arraias): "Eles nos cozinharão em pouco fogo. E assim farão conosco o que eles quiserem".

 

O "Eles" de minha sábia amiga são os políticos do Sistema: Moro, Bolsonaro, Aécio, Temer etc. O "nos cozinharão em pouco fogo", refere-se a nos iludir com suas palavras de "salvação", cujo entorpecimento atingiu sobremaneira até alguns cidadãos mais atentos à política. Agora, de tudo, o mais grave é: "farão conosco o que eles quiserem", inclusive acabar com a maior parte das riquezas que nos pertencem, porém, que não temos o direito de arrancar das futuras gerações por nossa ignorância civilizatório-coletiva.

ykenga moro agente.jpg

 

..................

[1] Moro, antes de cometer suas metas políticas, deveria ter seguido o exemplo de Flávio Dino, ex-juiz e atual governador do Maranhão; de Marlon Reis (o juiz "da proposta da Lei do Ficha Limpa), que foi candidato a governador pelo Tocantins nessa eleição; e do governador eleito do Rio de Janeiro, que também é juiz. Ambos tiveram de sair do Judiciário para cumprir o que determina a Constituição da República.

 

[2] Mesmo que indiretamente, ajudou sua esposa, em cujo escritório de advocacia de sua sociedade presta serviços à empresa Shell petroleira.

 

[3] Pré-sal: uma das maiores descobertas dos últimos séculos. Trata-se das maiores reservas de petróleo do Brasil e uma das maiores do mundo. Ainda não foi possível estimar a quantidade de óleo encontrada nas costas marítimas brasileiras, entretanto, a potência é tão grande que abriu o horizonte à ganância das empresas estrangeiras, que têm comprado apoios no Congresso Nacional brasileiro para que se aprove leis de abertura destes poços à exploração internacional.

 

[4] Bolsonaro afirmou, com seu slogan de campanha que o Brasil deve estar "acima de todos". Contudo, ao prestar continência o tempo inteiro à bandeira dos EUA, mostra-se mais uma de suas mentiras; ele não é patriota, tampouco, nacionalista, assim como seu novo ministro, Sérgio Moro.

 

moro capacho agente.jpg

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D