Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

09
Dez19

Envolvidos com Flávio Bolsonaro têm sigilo quebrado

Talis Andrade

Por que Sergio Moro acabou com o Coaf?

coaf moro.jpg

 

Em abril de 2019, o Ministério Público do Rio de Janeiro quebrou o sigilo de mais de 90 pessoas e empresas ligadas a Flávio Bolsonaro que podem estar envolvidas nos repasses de grana fácil, nas rachadinhas (pelos laranjas e fantasmas). Há também suspeitas de lavagem de dinheiro com transações de imóveis & diferentes negociatas. Entre as pessoas que tiveram o sigilo quebrado, estão parentes da segunda esposa de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Valle, inclusive o primeiro marido.

por Ana Karoline Silano e Bruno Fonseca, colaborou Caroline Ferrari

Publica

Fabrício Queiroz

Ex-assessor

Em 2018, a COAF identificou movimentações suspeitas — de R$ 1,2 milhão em doze meses — nas contas de Queiroz, que levaram à quebra de sigilo de 95 pessoas e empresas para investigação, sob suspeita de rachadinha e funcionários fantasma. Por ter sido o primeiro alvo das investigações, o esquema ficou conhecido como "Caso Queiroz".

 

Nathália Queiroz (Filha de Fabrício Queiroz)

Ex-assessora

Ex-assessora parlamentar de Jair Bolsonaro (PSL), a personal-trainer trabalhava em uma academia enquanto recebia pelo gabinete, isso sem registro de entrada na Câmara dos Deputados para o exercício da função. Nathalia Queiroz é citada em relatório do Coaf (Conselho de Controle de
Atividades Financeiras), que identificou movimentações financeiras atípicas do policial militar Fabrício Queiroz, seu pai e ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). De acordo com a reportagem da Folha de S. Paulo de abril deste ano, o caso segue sob sigilo e investigado pela promotoria de Justiça.

 

Agostinho Moraes da Silva

Ex-assessor

Agostinho é Policial Militar no Rio de Janeiro. Em depoimento ao GAOCRIM, o policial confirmou que repassava parte do salário para Fabrício Queiroz, porém com a justificativa de ser um investimento no negócio de compra e venda de carros de Queiroz. Outro ponto levantado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, é que Agostinho continuava recebendo como policial, ainda que afastado da função, para cumprir sua carga horária como assessor.

 

Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira
Ex-assessora e tesoureira do PSL RJ

O sigilo foi quebrado para identificar possíveis agentes no esquema de laranjas. O MP alega que apenas quebrando o sigilo dos assessores é possível identificar até onde se estendeu o esquema.

 

Amanda Prado Simoni
Ex-assessora

O sigilo foi quebrado para identificar possíveis agentes no esquema de laranjas. O MP alega que apenas quebrando o sigilo dos assessores é possível identificar até onde se estendeu o esquema.

 

Alessandra Esteves Marins
Ex-assessora

O sigilo foi quebrado para identificar possíveis agentes no esquema de laranjas. O MP alega que apenas quebrando o sigilo dos assessores é possível identificar até onde se estendeu o esquema.

 

Angela Melo Fernandes Cerqueira
Ex-assessora

O sigilo foi quebrado para identificar possíveis agentes no esquema de laranjas. O MP alega que apenas quebrando o sigilo dos assessores é possível identificar até onde se estendeu o esquema.

 

Andrea Siqueira Valle
Ex-assessora

Andrea é irmã de Ana Cristina Valle, ex-esposa de Jair Bolsonaro. O sigilo foi quebrado para identificar possíveis agentes no esquema de laranjas. O MP alega que apenas quebrando o sigilo dos assessores é possível identificar até onde se estendeu o esquema.

 

Ana Amélia Gambazza Gomes Soares
Ex-assessora

O sigilo foi quebrado para identificar possíveis agentes no esquema de laranjas. O MP alega que apenas quebrando o sigilo dos assessores é possível identificar até onde se estendeu o esquema.

 

Ana Maria de Siqueira Hudson
Ex-assessora

Ana é tia de Ana Cristina Valle, ex-esposa de Jair Bolsonaro. O sigilo foi quebrado para identificar possíveis agentes no esquema de laranjas. O MP alega que apenas quebrando o sigilo dos assessores é possível identificar até onde se estendeu o esquema.

 

Claudio Cristina dos Santos Vidal
Identificado na denúncia do MP como compradora do imóvel Av Prado Júnior 297/603

 

Charles Anthony Eldering
Identificado na denúncia do MP como vendedor do imóvel Av Prado Júnior 297/603

 

Catarina Ramos Mota
Ex-assessora

O sigilo foi quebrado para identificar possíveis agentes no esquema de laranjas. O MP alega que apenas quebrando o sigilo dos assessores é possível identificar até onde se estendeu o esquema.

 

Celione da Cruz
Ex-assessora

O sigilo foi quebrado para identificar possíveis agentes no esquema de laranjas. O MP alega que apenas quebrando o sigilo dos assessores é possível identificar até onde se estendeu o esquema.

 

Claudir Gomes da Silva
Ex-assessor

O sigilo foi quebrado para identificar possíveis agentes no esquema de laranjas. O MP alega que apenas quebrando o sigilo dos assessores é possível identificar até onde se estendeu o esquema.

 

Claudionor Gerbatim de Lima (Sobrinho da atual esposa de Fabrício Queiroz)
Ex-assessor

Já esteve lotado no gabinete dos irmãos Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e Carlos Bolsonaro (PSC), como mostrou reportagem do Estadão. A Justiça determinou a quebra do sigilo de Claudionor e investiga a sua participação no esquema de repasse de salário. Ele também é investigado por lavagem de dinheiro no gabinete do ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), entre 2007 e 2018.

 

cacinho moro coaf.jpg

Era finalidade do Coaf: "Reunir, processar e analisar informações, base para abertura de processos pelo Ministério Público". Fica explicada a pressa de Bolsonaro e Moro

 

Estamos no ABC da lista. A seguir os nomes de D a L. É um mundão de gente. Olha que a lista não apresenta ninguém do Escritório do Crime, sediado no Rio das Pedras, milícia dos Queiroz, o Fabrício chefe de gabinete de Flávio, segurança e motorista de Jair, e Élcio, que dirigiu o carro para o pistoleiro Ronnie Lessa metralhar Marielle Franco.

Pela lista o entendimento da pressa de Sergio Moro, a mando do Presidente, mudar o nome do Coaf (Conselho de Controle de Atividade Financeira) por meio de medida provisória.

O Coaf foi criado pela Lei 9.613/1998, que tem como atividade principal verificar indícios da Lavagem de Dinheiro. Em sua primeira formação, integrava a estrutura do Ministério da Fazenda, com a missão de produzir inteligência financeira e promover a proteção dos setores econômicos contra a lavagem de dinheiro.

A transferência do Conselho para o Banco Central (BC) é uma “aberração administrativa” sem paralelo no Brasil e no mundo. A avaliação é do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, que participou de audiência pública interativa sobre a Medida Provisória (MP) 893/2019. A matéria transforma o Coaf, antes ligado ao Ministério da Economia, na Unidade de Inteligência Financeira (UIF), agora vinculada administrativamente ao BC.

— O Coaf e o BC são órgãos de mesmo nível hierárquico, um subordinado ao outro. O BC e o Coaf são órgãos de segundo escalão que costumam estar vinculados à Presidência da República ou a ministro de Estado. A vinculação do Coaf ao BC significa uma redução da importância do Coaf do ponto de vista administrativo — afirmou o ex-ministro da Fazenda.

Maílson ressaltou que o Coaf é resultado do Acordo de Viena, assinado pelo Brasil, e compõe um sistema internacional de troca de informações que se relaciona com órgãos similares de todo o mundo com o objetivo de aperfeiçoar o combate à lavagem de dinheiro.

— Por que nos Estados Unidos a unidade de inteligência financeira não é vinculada ao Banco Central americano? Porque não faz o menor sentido. O Banco Central é um órgão regulador do sistema financeiro, que tem a responsabilidade de assegurar a estabilidade da moeda e do sistema financeiro. O Coaf é conhecido pela qualidade do serviço que presta, tem sua qualidade atestada por instituições que tratam do mesmo assunto nos Estados Unidos — afirmou.

Maílson da Nóbrega insistiu que a transferência do Coaf para o BC é uma medida “impensada”, adotada pelo governo “sem discussão e conveniência”.

— A pressa foi tanta que eles não se deram ao trabalho de verificar que ‘unidade de inteligência financeira’ é denominação genérica desses órgãos, é como mudar o nome de Brahma para cerveja — afirmou.

O ex-ministro da Fazenda ressaltou ainda que a atividade do Coaf é "estranha" às funções do BC, que constitui um órgão que “nada tem a ver” com inteligência financeira.

— O fato de regular o sistema não significa que o BC tem atividade semelhante à inteligência financeira, a qual consiste em reunir, processar e analisar informações, base para abertura de processos pelo Ministério Público. O BC não é nada disso. As responsabilidades do BC são cumpridas por meio da política monetária, regulação e fiscalização. Nada a ver com inteligência financeira. Quem falou que o Coaf parece com o BC disse uma bobagem — afirmou.

Ao concluir sua exposição, Maílson recomendou a rejeição da MP.

— A melhor atitude dessa comissão é propor a rejeição dessa extemporânea e equivocada MP. Essa é uma MP esquisita e surpreendente. Essa vinculação é um enorme retrocesso. É um claro e inequívoco desvio de função, significa consumir energia da diretoria e dos funcionários do BC, em vez de aplicá-la no que é mais nobre. O BC pode sair chamuscado disso. As questões políticas envolvendo a coleta de dados pelo Coaf pode repercutir negativamente na gestão e na imagem do BC, o que afeta o seu papel de regulador eficiente — afirmou.

O debate contou com a participação de servidores da autoridade monetária, que também questionaram a eficácia da proposição. O presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central, Paulo Lino Gonçalves endossou as palavras de Maílson da Nóbrega.

— O ideal seria recusar integralmente a MP, inconveniente, mal feita, e que trará problemas nos próximos anos — afirmou.

Gonçalves ressaltou ainda que o BC goza hoje de “reputação excelente” e está “blindado” contra indicações externas, mas apontou pontos que considera “preocupantes” na MP.

— A escolha dos membros do Conselho Deliberativo da UIF será feita pelo presidente do BC entre brasileiros com reputação ilibada, sem remuneração. Isso já é uma porta aberta para todo tipo de ingerências. A UIF lida com dados protegidos pelo sigilo da pessoa física e jurídica. Ninguém melhor que servidores públicos de carreiras especializadas para lidar com esses dados. Eles estariam protegidos das pressões em razão de suas prerrogativas, como a estabilidade e as regras definidas na Lei 8.112 [de 1990, que institui o regime jurídico dos servidores públicos civis da União e das autarquias]. Como transferir a jurisdição do Coaf do Ministério da Economia para o BC, que nem sequer teve sua autonomia consolidada? — questionou.

O presidente da Associação Nacional dos Analistas do Banco Central, Henrique Seganfredo, disse que a entidade está apreensiva com “a possível vinda de agentes sem a devida experiência e conhecimento, como costuma ser em cargos de livre nomeação”.

— Qual será a autonomia técnica dessa UIF sendo dominada por pessoas sem vinculação e ligadas ao BC, que hoje não goza de independência? A casa não está arrumada para esse rearranjo. Hoje temos mais perguntas que respostas — concluiu.

 

moro coaf.jpg

 

coaf queiroz .jpg

 

 

 

24
Abr19

Major Ronald Paulo Alves Pereira, milionário construtor de prédios e mais prédios da milícia intocável do Rio de Janeiro

Talis Andrade

Rio-das-Pedras.jpg

 

 

Morreram no desabamento de dois prédios, em Muzema, 23 pessoas. 
Dos oito feridos, três permanecem internados.


A Prefeitura anunciou que vai demolir imediatamente pelo menos três prédios no condomínio Figueiras do Itanhangá, que ficam ao lado dos dois que desabaram. Mais 15 prédios deverão ser demolidos, pois não possuem licença de construção.


Onde a milícia Escritório do Crime foi arranjar milhões e milhões de reais para construir prédios e mais prédios?


Será que a polícia quer saber mesmo de onde saiu tanto dinheiro?


Desabamentos em Muzema são tragédias anunciadas, massacres que permanecerão impunes.

 

Quase toda a quadrilha, que atua no Rio das Pedras, principalmente em Muzema, já foi presa na Operação os Intocáveis. A justiça estadual faz que não sabe. O juiz Bretas, da justiça federal e da lava jato, faz que não sabe. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, faz que não sabe. O prefeito Crivella faz que não sabe. Vereadores do governo e da oposição nem aí. Deputados estaduais e federais do governo e da oposição nem ai. Os três senadores do Rio calados, cúmplices pelo silêncio covarde e oportuno e governista. 


Nada mais governo, mais oficial, mais PM, mais Assembléia Legislativa do RJ, mais Câmara Municipal do RJ, que a milícia Escritório do Crime.

neilima milicia.jpg

 

Transcrevo do G1:

Os prédios que desabaram em Muzema, no bairro do Itanhangá, na Zona Oeste do Rio, foram construídos pela milícia, segundo a prefeitura. O chefe da milícia na região, segundo investigações do Ministério Público, é o major Ronald Paulo Alves Pereira, um dos alvos da operação Os Intocáveis, preso no início do ano.

ronald paulo alves pereira, major pm.jpg

ronald paulo alves pereira vulgo maj ronald ou tar

ronald paulo alves pereira preso operação os int

 

Os criminosos dominam a venda de imóveis irregulares na região — além de praticar agiotagem e venda ilegal de serviços como luz, gás e TV a cabo. O major também é investigado por envolvimento no Escritório do Crime — grupo de matadores profissionais suspeito de executar várias pessoas no Rio.

 

A Prefeitura afirma que os prédios que caíram eram irregulares e que mandou interditá-los, mas uma liminar da Justiça impediu a demolição. Paralelamente, a Polícia Civil diz que a região é explorada pela milícia.

 

Temos investigações na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente que essas organizações criminosas vêm atuando com grilagem, desmatamento, parcelamento irregular de solo e diversos crimes ambientais", disse o delegado Antonio Ricardo à TV Globo em outubro.
 
 
 
 
18
Abr19

Construção de prédios em Muzema tem 'muito capital envolvido'. Vinte mortos no desabamento de dois prédios

Talis Andrade

 

 

FERNANDO FRAZÃO/AGÊNCIA BRASIL
Desabamento em Muzema

São mais de 100 horas de buscas. Bombeiros utilizam britadeiras e até cães farejadores . Chegam a 20 as mortes confirmadas

 

RBA – Depois do desabamento de dois prédios na Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, no último dia 12, chegam a 20 as mortes confirmadas até o momento. A suspeita é de que os imóveis tenham sido construídos e vendidos irregularmente pela milícia que atua no local.

Enquanto a contagem de vítimas sobe, as investigações caminham a passos lentos. "Eles passaram a invadir terrenos para comercializa-los e construir neles. Você tem um aumento na construção de prédios irregulares em toda a região oeste, o que impressiona é que são muitos prédios, e isso é indicação de que há muito capital envolvido, gente aplicando seu dinheiro (em construções irregulares) para ganhar mais ainda", afirmou a antropóloga Alba Zaluar, em entrevista à repórter Viviane Nascimento, da TVT.

No cenário do desastre, o trabalho segue com cuidado, sem excluir a possibilidade remota de sobreviventes. Já são mais de 100 horas de buscas entre os escombros e os bombeiros utilizam britadeiras e até cães farejadores na procura por vestígios.

Nos arredores é fácil identificar que o perigo está longe de ser afastado. Pedras e barrancos podem não resistir à próxima chuva. Apesar disso, a expansão não para. Pelas inúmeras obras no caminho, o número de prédios na região – 118 – vai aumentar.

Alba considera uma mostra do poder das milícias. "Têm uma penetração muito grande no estado e existe um comprometimento de pessoas que estão nos três poderes: Judiciário, Legislativo e no Executivo. Quão profunda é essa penetração também não se sabe", disse.

Entre os moradores sobra medo dos milicianos. A resistência à imprensa é grande, e o discurso costuma ser elogioso as condições de moradia. "Morar aqui é bom, nunca tinha visto as crianças brincarem em outro lugar como aqui", relata a dona de casa Tânia Maria Pereira.

Há também revolta com o descaso do poder público. "Aqui a gente tá abandonado pela prefeitura. A gente tem que trabalhar pela própria moradia, porque se for esperar pelo governo vamos morrer pagando aluguel", lamenta a moradora Cláudia de Lima.

18
Abr19

QUEIROZ: CHEFE DE GABINETE DO DEPUTADO FILHO DO PRESIDENTE BOLSONARO, E HÓSPEDE DE LUXO DOS PODEROSOS MILICIANOS

Talis Andrade

 

bolsonato queiroz laranja.jpg

flavio queiroz 3.jpg

neilima queiroz.jpg

 

Por Helio Fernandes

___


Antes da eleição e posse do "capitão" foi acusado de inúmeras irregularidades. Todas no gabinete do deputado Bolsonaro. Denunciadíssimo pela COAF, que queria ouvi-lo inicialmente pela movimentação de 1 milhão e 200 mil reais. Tudo em "dinheiro vivo". Jamais apareceu. De longe deu "explicações" sem a menor veracidade ou credibilidade.


Veio o 28 de outubro, tirou a "sorte grande" com o "capitão" se transformando em presidente. Aí ficou impune e imune. Em determinado momento, sentindo que estava muito pressionado, (apesar do COAF ser subordinado ao protecionista Sergio Moro) foi descansar em Rio das Pedras, reduto miliciano. Ficou na casa luxuosa do líder maior, durante 9 dias.

 

Já se completaram 100 dias do "capitão" presidente, e o corrupto Queiroz não é incomodado ou chamado para coisa alguma. As milícias aumentaram seu poder e influencia, ganham fortunas com o domínio da construção imobiliária. Os órgãos de comunicação ocupam todos os espaços, com as mortes provocadas por desabamento de prédios construídos com total irregularidade.

bolsonaro queiroz.jpg

 

 

PS- O prefeito Crivella, informa que vai derrubar 3 desses prédios construídos criminosamente.

PS2- Tudo errado. Devia desapropriar todos os prédios construídos pelas milícias.

PS3- Devia mobilizar o MP, (Ministério Publico) e pedir a prisão de todos os milicianos.

PS4- Com urgência e sem demora. Incluindo Queiroz.

18
Abr19

CARNIFICINA DA MILÍCIA. SOBE PARA 18 O NÚMERO DE MORTOS EM DESABAMENTO DE DOIS PRÉDIOS NO RIO

Talis Andrade

floresta.jpg

milicia floresta.jpg

Derrubam o que resta da Floresta Atlântica para construir edifícios de apartamentos. O dinheiro vem do tráfico, do jogo do bicho, das sobras das campanhas eleitorais, da corrupção nos três poderes 

 

 

Akemi Nitahara, repórter da Agência Brasil

___

No início da tarde de hoje (17) foram retirados mais dois corpos nos escombros do desabamento de dois prédios no condomínio Figueiras do Itanhangá, na comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, ocorrido na sexta-feira (12). Segundo informou o Corpo de Bombeiros, trata-se de dois adultos, sendo um homem e uma mulher.

Hoje (17) também foi constatado que uma das pessoas dadas como desaparecidas estava entre os óbitos identificados no Instituto Médico Legal (IML), portanto a estimativa de desaparecidos foi revista para baixo e permanecem as buscas por cinco pessoas.

O trabalho dos bombeiros na Muzema entrou hoje no sexto dia. Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros e secretário da Defesa Civil, coronel Roberto Robadey, o trabalho continua de forma manual até pelo menos sexta-feira (19), pois ainda há a esperança de encontrar sobreviventes entre os escombros.

Estão sendo empregadas britadeiras, cortadeiras e cães farejadores, que indicam os locais onde possa haver pessoas. A equipe completa do Corpo de Bombeiros conta com 11 militares no local, com substituições a cada 12 horas.

Vítimas


O total de vítimas está em 26, sendo oito sobreviventes. Destes, três permanecem internados e cinco já tiveram alta. Entre as vítimas fatais, cinco já foram sepultadas, os corpos de três pessoas de uma mesma família aguardam traslado para o Maranhão e outros oito corpos ainda estão no Instituto Médico Legal. Fora os corpos encontrados hoje, apenas um ainda não foi identificado.

milicia 17 abril.jpg

 

15
Abr19

Juíza que difamou Marielle barrou demolição de prédio no mesmo condomínio de imóveis que desabaram

Talis Andrade

Marília de Castro Neves Vieira, que também atacou Jean Wyllys e Guilherme Boulos, votou contra a demolição de prédios próximos aos que ruíram, favorecendo proprietários milicianos

marilia-desembargadora.jpg

 

Revista Forum - Marília de Castro Neves Vieira, a desembargadora que difamou Marielle Franco com postagem de notícias falsas, além de ter atacado o ex-deputado federal Jean Wyllys e o líder do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) Guilherme Boulos, votou contra a demolição de prédios que se localizam no mesmo condomínio dos edifícios em Muzema, no Rio de Janeiro, que desabaram nesta sexta-feira (12), matando onze pessoas, e os bombeiros trabalham com o número de pelo menos 13 desaparecidos.
 

A desembargadora, inclusive, foi alvo de denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por suas postagens ofensivas.

Boa parte dos prédios do local é irregular e controlada pelas milícias chefiadas pelo major Ronald Paulo Alves Pereira, que já foi homenageado por Flávio Bolsonaro, quando o filho do presidente era deputado estadual.

ronald paulo alves pereira, major pm.jpg

ronald paulo alves pereira maj ronald.png

 

Em sua decisão, a desembargadora afirma que “a edificação de um edifício que conta com quatro andares, possuindo em cada um deles, quatro apartamentos de frente, não se faz de um dia para outro, devendo levar cerca de um ano, no mínimo, para tanto”.

 

13
Abr19

MILICIANO HOMENAGEADO POR FLÁVIO BOLSONARO DOMINA A ÁREA EM QUE DESABARAM OS PRÉDIOS NO RIO

Talis Andrade

 

 
 
Tribuna da Imprensa - Os prédios que desabaram na manhã desta sexta-feira (12) em Muzema, no bairro do Itanhangá, na Zona Oeste do Rio, foram construídos pela milícia, segundo a prefeitura. O chefe da milícia na região, segundo investigações do Ministério Público, é o major Ronald Paulo Alves Pereira, vulgo 'Tartaruga', um dos alvos da operação Os Intocáveis, preso no início do ano
 

ronald paulo alves pereira, major pm.jpg

ronald paulo alves pereira maj ronald.png

ronald paulo alves pereira preso operação os int 

Ronald Paulo Alves Pereira, major da PM homenageado por Flávio Bolsonaro (GloboNews)
 
Os criminosos dominam a venda de imóveis irregulares na região — além de praticar agiotagem e venda ilegal de serviços como luz, gás e TV a cabo. O major também é investigado por envolvimento no Escritório do Crime — grupo de matadores profissionais suspeito de executar várias pessoas no Rio.
 
O Ministério Público investiga se o Escritório do Crime tem relação com o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. (…)
 
Anos antes de ser preso, o major Ronald foi homenageado em 2004 pelo deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que propôs uma moção de louvor a ele na Assembleia Legislativa do RJ (Alerj).
 
A Prefeitura afirma que os prédios que caíram eram irregulares e que mandou interditá-los, mas uma liminar da Justiça impediu a demolição. Paralelamente, a Polícia Civil diz que a região é explorada pela milícia. (…)
 

tragédia previsível milícia 13 abril.jpg

globo 13 abril.jpg

 

 
26
Mar19

"As milícias são intocáveis. Enfim, temos a milícia no poder. Não precisam mais colocar capuz para matar", diz sociólogo

Talis Andrade

A relação das milícias com o Estado é determinante para o que ela se transformou, uma estrutura de poder absoluta, autoritária, expressiva e crescente

patricia-fachin entrevista josé cláudio alves

 

 

prisão dos dois acusados de estarem envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, “é a exceção de uma regra”, diz o sociólogo José Cláudio Alves à IHU On-Line. “A regra é que membros de milícias são intocáveis, seus negócios se ampliam e eles têm dimensões crescentes desse poder e agora expressam isso a partir do assassinato de pessoas que ocupam cargos no âmbito político e que são contrárias aos seus interesses”, menciona.

Na entrevista a seguir, concedida por WhatsApp, Alves frisa que “a estrutura política e econômica das milícias no Rio de Janeiro hoje começa a ganhar vários outros contornos, que não eram perceptíveis e que agora se manifestam”.

Entre eles, o sociólogo cita a atuação da milícia na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – Comperj em Itaboraí. “Várias empresas terceirizadas estão atuando na construção da obra e a milícia está controlando quem vai trabalhar nessas empresas. Isso já é um passo à frente em relação à atuação das milícias anteriormente: a milícia detecta onde o capital está se manifestando — nesse caso é um capital público em parceria com empresas privadas — e, ao ficar a par da situação, manipula essa informação e passa a controlar de forma violenta o acesso a esse emprego, cobrando taxas e valores das pessoas que querem trabalhar nessas empresas. Assim esses empregados terão que repassar parte dos seus salários para os milicianos. Essa é uma novidade nesse campo no Rio de Janeiro”, informa.

Outra novidade no Rio de Janeiro é a atuação da milícia marinha, que, segundo Alves, atua a partir de informações de que o Ministério da Pesca e Aquicultura não está fornecendo licenças para pescadores. “Essa milícia aborda os pescadores no mar, quando eles estão pescando, exige a licença que o pescador não tem e passa a exigir valores semanais para permitir que o pescador possa continuar pescando. Então, surgiu na costa do Rio de Janeiro essa milícia marítima que passa a controlar os pescadores”, denuncia.

José Alves (Foto: João Vitor Santos | IHU)

José Cláudio Alves é graduado em Estudos Sociais pela Fundação Educacional de Brusque. É mestre em Sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio e doutor, na mesma área, pela Universidade de São Paulo - USP. É professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ.

 
Revista IHU on line
Favela carioca | Foto: Fabritzia Piasensk

 

IHU On-Line - Que avaliação o senhor faz da investigação do assassinato de Marielle e Anderson Gomes, ao longo do último ano, que culminou com a prisão de dois suspeitos de estarem envolvidos com o crime?

José Cláudio Alves – A minha avaliação em relação às apurações e investigação da polícia no caso Marielle é que elas foram muito lentas. Essa demora acaba acarretando uma série de complicações para saber se, de fato, esses são os responsáveis. A princípio parece que os dois presos foram os responsáveis, mas a pergunta que fazemos é quantas pessoas estavam envolvidas nisso e quem são os mandantes envolvidos nesse crime. Muitas questões ficaram soltas e ao longo do tempo elas não foram investigadas nem apuradas, o que gera consequências, como a morosidade da investigação, a dificuldade de ela prosseguir, de averiguar quantos outros suspeitos poderiam ser identificados no processo mas não serão. Paira a dúvida sobre se de fato não haveria indícios mais contundentes e próximos a grupos políticos que hoje ocupam espaço no âmbito federal, se não haveria ligações mais profundas, mas que com a demora da investigação acabam sendo perdidas e apagadas.

Essa demora toda nos faz refletir, mas a prisão dos suspeitos é algo importante e acaba, de outro lado, amortecendo a busca de explicações, acaba sendo uma espécie de cala boca e subterfúgio, e também acaba sendo um alívio para esse sofrimento todo, mas não vejo o processo como algo conclusivo.

 

As notícias divulgadas na imprensa dizem que as investigações do caso Marielle chegaram até o chamado Escritório do Crime, um poderoso grupo miliciano de Rio das Pedras que atua sob encomenda. O senhor tem informações sobre esse grupo?

Não tenho detalhes sobre como o Escritório do Crime atua. Sei que Rio das Pedras é uma favela histórica, muito grande, de imigração de nordestinos, que está na área da zona Oeste do Rio de Janeiro, onde a milícia tem uma presença extremamente forte. Essa é uma das áreas mais antigas, que está na base da formação das milícias no Rio de Janeiro. Por conta disso, há um controle naquela região das áreas em que é possível construir, ou seja, há um limite e uma faixa específica para a compra de terrenos e construção de casas. Esse processo é controlado pela milícia, que tem informações privilegiadas, as quais são obtidas dentro do Estado, já que são os agentes do Estado que circulam nesse âmbito. Esse é um mercado que se expandiu muito naquela região, porque trata-se de uma área onde há muita procura por moradia, porque ela é vinculada a processos migratórios, principalmente de nordestinos.

Os comerciantes daquela região iniciaram o processo de financiamento das milícias para impedir que o tráfico de drogas acessasse aquela comunidade. Logo, aquela é uma área onde a atuação da milícia é muito consolidada e movimenta muitos recursos. A busca por um dos envolvidos no Escritório do Crime, Adriano de Nóbrega, revelou que a mãe e a esposa dele trabalharam como assessoras de Flávio Bolsonaro enquanto ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. O próprio Flávio também fez várias comendas de homenagens à atuação de milicianos no estado do Rio de Janeiro. Então, há uma vinculação forte dessa milícia com a estrutura do poder político dos Bolsonaros. Tudo indica isso, haja vista a situação da esposa e da mãe do Adriano de Nóbrega, o qual parece ser uma das lideranças do Escritório do Crime.

Desde o início eu sabia que havia o “dedo da milícia” e a prática típica de execução primária de grupos de extermínio, e que isso levaria aos negócios e aos interesses econômicos de políticos que a milícia estabelece a partir daquela região, mas numa rede que é muito maior do que Rio das Pedras. Então, toda essa rede pode ter algum grau de envolvimento no assassinato de Marielle, na sua organização, na sua proteção e no seu financiamento. Demorou um ano para se dar um retorno muito pífio desse caso, que foi a prisão de duas pessoas. Essa é uma estrutura muito mais ampla e com muito mais relações, uma rede muito maior que deveria ser revelada e apresentada nesse quadro.

 

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, disse que os presos pela morte de Marielle e Anderson Gomes serão convidados a fazer delação premiada na nova fase da investigação, que quer chegar aos mandantes do crime. Nos últimos anos há uma série de debates jurídicos e políticos acerca da necessidade ou não da delação premiada na investigação de crimes. Como o senhor avalia esse tipo de medida para este caso específico para se chegar aos mandantes do crime?

Não tenho uma reflexão muito consolidada sobre o estatuto da delação premiada. O que me impressiona é que existe uma dimensão organizada do crime a partir do Estado e, portanto, parece que facilmente seria possível ter acesso ao que esses grupos fazem, como atuam de forma organizada dentro do Estado, mas o que se vê é que os que investigam e buscam a justiça estão numa ratoeira, como se tivessem que se esconder desses grupos. Ou seja, não se tem uma atuação clara, consistente e firme da conduta das investigações, e aí se buscam subterfúgios, como delações premiadas. Me impressiona muito o poder que esses grupos têm e a fragilidade da estrutura do judiciário frente a esse poder, a ponto de ele próprio se ver encurralado, em busca de delações premiadas para algo que é escancarado, que está nas ruas.

lega-se que é preciso ter uma delação premiada para poder avançar na investigação e isso virou uma possibilidade. Se os efeitos disso fossem reais e trouxessem à baila toda essa rede e fizessem uma atuação em rede a ponto de dar um baque significativo nessa estrutura e restringi-la... mas até agora não vi nada disso acontecer. Pelo contrário, cada baque que essa estrutura sofre é pequeno, o que permite a sua rápida recomposição muito facilmente.

 

Qual é o poder político das milícias que atuam no Rio de Janeiro hoje? Quem faz parte dessa estrutura?

O braço político tem se ampliado desde as últimas eleições no campo federal, principalmente, e estadual, com a eleição, se não de milicianos diretamente eleitos, de bancadas de partidos de ultradireita, partidos conservadores e partidos vinculados a uma lógica fundamentalista religiosa, permitindo a eleição de uma bancada fundamentalista, conservadora e voltada para a lógica de que “bandido bom é bandido morto”. Nesse sentido, a bancada da bala se ampliou muito no Rio de Janeiro, projetando figuras simplesmente insignificantes, ignoradas pela população daqueles que atuavam politicamente, que vieram numa onda extremamente conservadora projetadas por esse discurso do aumento da violência, aumento da execução sumária, da prática da eliminação do outro, da lógica do armamento, e tudo isso tem ampliado o poder político desses grupos.

Isso é visível no Rio de Janeiro, e os reflexos já estão sendo vistos pelo aumento do número de operações policiais com chacinas, com mortes de pessoas, o aumento de desaparecidos forçados. E o mais preocupante são as subnotificações: não está ocorrendo registro de homicídios e desaparecidos; eles não estão sendo registrados por conta da lógica do medo associada à lógica da violência crescente da instituição Estado e do aparato policial. Isso tem um efeito de repressão a todo e qualquer registro de atos violentos e perdas de direitos. A tendência é esse cenário piorar e fortalecer ainda mais esses grupos em termos políticos naquela região. Tenho dito que cinco décadas de grupos de extermínio se reverteram em 70 a 75% da votação que Bolsonaro e a extrema direita que se associou a ele obtiveram na última eleição na Baixada. Isso não é uma surpresa; foi algo construído ao longo das últimas cinco décadas, se contarmos tudo que aconteceu desde a ditadura empresarial militar no Brasil. É sob essa égide que vivemos ainda.

 

Atuação das milícias

A estrutura política e econômica das milícias no Rio de Janeiro hoje começa a ganhar vários outros contornos, que não eram perceptíveis e que agora se manifestam. Vou dar alguns exemplos. Um deles é em Itaboraí, uma cidade metropolitana do Rio de Janeiro, onde está sendo construído o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro - Comperj, cujas obras do governo federal estavam paradas e foram retomadas recentemente. Várias empresas terceirizadas estão atuando na construção da obra e a milícia está controlando quem vai trabalhar nessas empresas. Isso já é um passo à frente em relação à atuação das milícias anteriormente: a milícia detecta onde o capital está se manifestando — nesse caso é um capital público em parceria com empresas privadas — e, ao ficar a par da situação, manipula essa informação e passa a controlar de forma violenta o acesso a esse emprego, cobrando taxas e valores das pessoas que querem trabalhar nessas empresas. Assim esses empregados terão que repassar parte dos seus salários para os milicianos. Essa é uma novidade nesse campo no Rio de Janeiro.

Outra novidade é a milícia marítima, que atua a partir de informações de que o Ministério da Pesca e Aquicultura não está fornecendo licenças para pescadores há três anos ou mais. Essa milícia aborda os pescadores no mar, quando eles estão pescando, exige a licença que o pescador não tem e passa a exigir valores semanais para permitir que o pescador possa continuar pescando. Então, surgiu na costa do Rio de Janeiro essa milícia marítima que passa a controlar os pescadores.

Uma terceira forma de ampliação das milícias é o controle de serviços médicos nos hospitais públicos no Rio de Janeiro. Escutei que no Hospital Geral de Bom Sucesso, um hospital federal, a milícia controla quem acessa e quem tem direito aos serviços do hospital e cobra taxas por isso. Então, isso também é uma inovação. A venda de drogas também passou a ser utilizada pela milícia como uma forma de trabalho e atuação. A milícia não só aluga pontos de drogas para facções do tráfico, mas agora faz a própria venda da droga. Então, o leque de atuação das milícias se amplia e todo esse leque de atuação tem seu braço político.

 

Qual é a relação das milícias com o Estado?

relação das milícias com o Estado é determinante para o que ela se transformou nos dias de hoje, uma estrutura de poder absoluta, ampla, autoritária, expressiva e crescente no Rio de Janeiro. Tenho dito que a milícia atua com duas faces que são determinantes: a legal e a ilegal.

A face legal da milícia é a condição de ter acesso a informações privilegiadas do Estado a respeito de terras, propriedades, monopólios de comércios, pagamentos de impostos, sobre operações policiais que blindam a milícia de prisões; tudo isso faz parte da dimensão legal. Também faz parte dessa dimensão o fato de a polícia operar o judiciário na sua ponta com investigações, repressões, ou seja, o processo jurídico inicial envolvido na dimensão do judiciário é controlado pela polícia e seus agentes e isso dá mais poder aos milicianos.

A face ilegal, que é a face criminosa, assassina, torturadora, totalitária, obstrui qualquer tipo de contestação do seu poder que mata e executa quem se contrapõe a ela. A milícia só tem esse poder todo graças à dimensão legal das informações e dos postos que esses agentes ocupam dentro do Estado.

Assim, a face legal e a ilegal se complementam e se projetam uma na outra, criando uma estrutura totalitária, fechada, blindada, intocável. A prisão desses dois acusados é a exceção de uma regra. A regra é que membros de milícias são intocáveis, seus negócios se ampliam e eles têm dimensões crescentes desse poder e agora expressam isso a partir do assassinato de pessoas que ocupam cargos no âmbito político e que são contrárias aos seus interesses.

A meu ver a milícia tem dimensões mais poderosas e mais amplas do que eu poderia ter imaginado há algum tempo. As milícias crescem velozmente por dentro do Estado e se beneficiam dessa dupla face da mesma moeda, a face legal e a ilegal. O ilegal é o Estado. Por mais que o Estado se reconheça como legal e trabalhe com essa concepção para todos nós, o determinante aqui é a dimensão ilegal, que ultrapassa a dimensão do legal, ampliando os poderes do Estado e dando a ele uma face cada vez mais totalitária, absoluta, irresistível, incontornável e capaz de controlar massas e espaços geográficos ao longo do tempo, de uma forma como nós vivemos hoje. Essa face ilegal amplia o poder do Estado, não restringe o seu poder. Não é o anti-Estado, o poder paralelo, mas sim a presença multidimensional de um Estado autoritário, totalitário e ditatorial. Nós nunca saímos da ditadura; saímos da ditadura oficial para a ditadura dos grupos de extermínio e milícias, que é a forma que opera hoje nessas regiões e no Rio de Janeiro. Essa estrutura submete todos nós a esse controle e poder da tortura e da execução sumária.

 

Como o senhor avalia o pacote anticrime encaminhado à Câmara pelo novo governo, que aposta em três vias: combate a crimes de corrupção, combate ao tráfico de drogas e combate a crimes de violência?

pacote do Moro vai na contramão de toda a minha avaliação e de tudo que venho falando ao longo dos anos. O pacote anticrime se insere na lógica totalitária, ditatorial e autoritária da estrutura policial, que é a base de alimentação do crime organizado expresso na milícia. Moro, ao defender os princípios do próprio Bolsonaro, como o excludente de ilicitude, alega que o agente de segurança, numa condição de estresse e sem controle do ambiente e do momento em que está atuando, permite a ele o uso da violência letal, do assassinato e homicídio como forma de solução daquelas questões, eximindo aquele policial de responsabilidade.

Na verdade, isso era tudo que esses grupos apoiadores dessa estrutura política ideológica da extrema direita queriam. Eles não vão mais precisar colocar capuz para matar; vão matar como milicianos. Agora, eles podem matar de cara limpa e vão dizer que estavam no cumprimento do seu dever, sob forte tensão. Trata-se da ampliação e explosão de um processo que já está em crescimento e expansão. É isso que nos assusta, porque irá gerar dimensões mais graves e desrespeitosas dos direitos da população. Esse pacote também aumenta a punitividade, amplia a dimensão de encarceramento, amplia as penas, o que é uma grande ilusão, porque é na dimensão penitenciária que se dá a organização dessas grandes facções.

Encarcerar e prender não vai resolver o problema. Pelo contrário, hoje as facções operam pelo sistema penitenciário. É preciso fazer o contrário: desmontar essas estruturas, esvaziá-las e tratar as drogas não como problema de polícia, mas de saúde e de educação. É preciso desmilitarizar a polícia para que o policial dialogue com a população e construa uma lógica política de proteção, para que o policial não seja o agente que mais mata e que mais morre. Então, é preciso reformular a estrutura e não reforçá-la e ampliá-la. De outro lado, é preciso investir em políticas públicas que possam proteger essa população mais frágil. Não vemos isso. Vemos a perda e a destruição dos direitos dos trabalhadores. Esse pacote do Moro avança no caminho inverso do que deveria ser. Esses grupos vão se fortalecer mais ainda com essas medidas.

 

Como o senhor avalia o fato do caso Marielle ter ocupado outros espaços, chegando até mesmo ao Carnaval?

O fato de Bolsonaro ter postado imagens quase pornográficas, se referindo ao carnaval nessas dimensões, comprovam o efeito que o carnaval trouxe para o país inteiro em termos da crítica, da afronta, da insubordinação e da resistência a essa dimensão da extrema direita no poder. Bolsonaro expressa isso tentando fazer do carnaval o mesmo discurso de mentira, de dissimulação e destruição que ele fez na época da campanha eleitoral do ano passado, como ele fez com a campanha que as mulheres iniciaram do #EleNão. Ali foi feita a mesma estratégia: foram montadas fake news com imagens de mulheres nuas e em situações diferenciadas em relação à tradição moral e familiar que esses grupos defendem, para desqualificar as manifestações. Até que ponto ele vai conseguir resultados, mantendo essa estratégia? A impressão que dá é que ele está se lixando para o que a sociedade faz; ele não quer governar. Ele quer dilapidar, quer destruir, assassinar e investir em dimensões conservadoras, em perdas de direitos, em redução do papel da mulher na sociedade, na diminuição de direitos de gays, lésbicas, travestis, quer aprofundar a dimensão do racismo contra as populações negras e indígenas. Ele é uma bomba de hidrogênio de efeito devastador que elimina as divergências e oposições. Ele é a expressão disso.

Enfim, temos a milícia no poder. Ela chegou a se consolidar numa dimensão municipal, estadual e federal, numa dimensão mais crescente. É esse meu diagnóstico. Essa dimensão do que ocorre no carnaval é a expressão da resistência, a expressão aguerrida de luta popular em espaços em que o povo está para expressar a sua inconformidade com tudo que vem acontecendo.

Espero que esses espaços se ampliem na sociedade como um todo, que a verdade vença, supere esse ódio, mentira, covardia e essas execuções sumárias de um Estado totalitário e de uma sociedade que se sujeita a esse totalitarismo. Espero o retorno à consciência, à solidariedade, à lucidez, à compaixão, aos direitos e à proteção dos mais fracos, e não esse Estado dilapidado. Isso não pode ser feito com ilusões: hoje esse Estado é algoz de toda a população brasileira e a milícia é a expressão mais brutal e violenta desse torturador que está na nossa frente. Esse é o dilema que a sociedade terá que enfrentar.

 

 

02
Mai18

Incêndio da antiga sede da Polícia Federal a maior grita e a conspiração do silêncio nos incêndios das favelas pelos coronéis do asfalto

Talis Andrade

fav1.jpg

 

fav2.jpg

 Juan Arias: "As favelas que choram sangue de fogo"

 

"A precariedade da habitação nos grandes centros urbanos brasileiros não é novidade. Mais de 400 mil domicílios da capital paulista estão em favelas e 385 mil, em loteamentos irregulares. Quase 30 mil famílias recebem auxílio-aluguel da prefeitura de São Paulo, mas os altos valores na região central da cidade, que concentra as melhores ofertas de emprego, serviços e lazer, engole a renda das famílias mais pobres", denuncia o conservador Gazeta do Povo em editorial, e acrescenta:

 

"Mas há um problema urbano ainda mais urgente a ser resolvido, que são as pessoas em situação de rua, muitas delas em uma condição de miserabilidade da qual dificilmente poderão sair sozinhas. Em São Paulo, o último levantamento oficial da prefeitura, divulgado em abril de 2016, apontou 15.095 pessoas morando nas ruas, a maioria na região central. Os últimos números nacionais sobre o tema, de 2008, identificaram 31 mil pessoas nessa condição. Uma pesquisa do Ipea, extrapolando dados demográficos de 2015, estima hoje essa cifra em cerca de 100 mil. A falta de dados consistentes dificulta diagnósticos e soluções".

 

João Doria (PSDB), que abandou o cargo de prefeito para ser candidato a governador, disse nesta terça-feira que o prédio que desabou após um incêndio no centro da capital paulista abrigava uma facção criminosa. “A solução é evitar as invasões, o prédio foi invadido, e parte dela por uma facção criminosa”, disse. 

 

Acontece que Doria tem um passado de grileiro do asfalto, um afoito invasor de terrenos super, super valorizados.

 

O candidato a presidente Guilherme Boulous declarou: “Nossa solidariedade às famílias ocupantes que sofreram com incêndio e desabamento do edifício em São Paulo. Querer culpar os sem-teto pelas condições precárias do imóvel é de uma perversidade inacreditável. Ninguém ocupa porque quer, mas por falta de alternativa”.

doria cafageste .jpg

 

doria grileiro.jpg

 

 

Boulous denuncious os cortes no orçamento da habitação. "No ano de 2017, o governo Temer destinou apenas 9% dos valores previstos com moradia no orçamento. A faixa mais afetada foi a de baixa renda, que compreende famílias que recebem até 1.800 reais. Enquanto isso a Caixa Econômica ampliou o limite de financiamento para imóveis de luxo, uma completa inversão de prioridades".

 

São Paulo possui 2 mil 627 favelas. Os terrenos dessas favelas são cobiçados pela especulação imobilária que conta com os despejos coletivos da justiça ou faz como Nero: manda incendiar. Publiquei em 2012:

 

Em 4 anos, São Paulo registrou mais de 500 ocorrências de incêndios em favelas

 

fogo no barraco.jpg

gilberto-kassab-e-os-incendios-nas-favelas-de-sp.g

 Gilberto Kassab quando prefeito e a especulação inflável

 

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub