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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

08
Jan21

Narco Estado: traficante, ex-major da Polícia Militar, levava vida dos sonhos na Europa

Talis Andrade

Major Carvalho é condenado a 15 anos por usar laranjas para movimentar R$  60 milhões | O Jacaré

O ex-policial militar Sérgio Roberto de Carvalho, 62, conhecido como Major Carvalho, chefe do bilionário esquema de exportação de cocaína do Brasil para a Europa revelado pela Polícia Federal, levava uma doce vida em Marbella, província de Málaga, o mais belo e famoso balneário da Andaluzia, Espanha.Condenado a 15 anos, major Carvalho vivia em mansão de R$ 13,9 mi em  balneário espanhol – O Jacaré

Carvalho morava em uma casa avaliada em 2,2 milhões de euros. Ele também tinha dois apartamentos em Lisboa, e uma empresa em Dubai, nos Emirados Árabes.

Acontece que Carvalho, em abril último, foi condenado pela 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande a 15 anos de prisão, por crimes de lavagem de dinheiro.

Parte da quantia lavada veio de golpe contra espólio de um milionário, investigado em 2010 na operação Vitruviano, da Polícia Federal.

A juíza de Mato Grosso do Sul que liberou R$ 3,9 milhões do espólio de Olympio José Alves em tempo recorde foi aposentada compulsoriamente.

Em tempo recorde o nome apagado. Ela tá sumida. O major tá sumido.

Punição de magistrado corrupto é uma nababesca aposentadoria precoce. Para um funcionário público que trabalha, uma aposentadoria antecipada um sonhado descanso, um prêmio.

O trabalhador que pega no pesado, com os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro só se aposenta com o pé na cova. E com uma aposentadoria miserável. O valor máximo que pode receber do INSS é R$ 6.101,06 de benefício previdenciário. Eta país desigual e cruel. Desumano. Da casa grande & senzalas. 

Na pm é assim: o praça negro ou pardo, a oficialidade branca (foto). A justiça é praticamente alva que nem a Branca de Neve. 

Sérgio Roberto de Carvalho (ao centro) durante julgamento. (Foto: Arquivo)

"Major" Sérgio Roberto de Carvalho (ao centro) durante julgamento

Após ser acusado de ser um dos maiores narcotraficantes do mundo e pagar fiança de R$ 300 milhões na Europa, o major aposentado Sérgio Roberto de Carvalho recorreu à Justiça de Mato Grosso do Sul para receber R$ 1,320 milhão do Governo do Estado. O pedido foi protocolado no dia 7 de dezembro último.

O curioso é que Carvalho foi declarado morto na Espanha, onde vivia recluso e comandava o tráfico internacional de cocaína. Conforme os advogados, Paul Wouter, nome falso usado pelo ex-militar, teria morrido de covid-19 e teve o corpo queimado. A defesa apresentou o atestado de óbito à Justiça da Espanha.

Na ocasião, ele foi preso em Portugal, onde estava hospedado em resort de luxo com a namorada, acusado de ser o dono de um navio apreendido com 1,7 mil quilos de cocaína. Na ocasião, Paul Wouter pagou parte da fiança de R$ 300 milhões para deixar a cadeia.

O poder financeiro da organização criminosa chefiada Carvalho foi revelada pela Polícia Federal na Operação Enterprise, deflagrada no Brasil e na Europa. Os policiais encontraram uma van com 11 milhões de euro em dinheiro.

Sérgio Roberto de Carvalho acabou ganhando na Justiça o direito de continuar recebendo a aposentadoria como major da Polícia Militar. Condenado por tráfico em 1997, quando houve o flagrante com 235 quilos de cocaína, ele acabou sendo punido com a perda da patente.

O Governo do Estado chegou a suspender o pagamento do benefício ao militar da reserva entre abril de 2011 e novembro de 2015. No entanto, ele ganhou na Justiça o direito de voltar a receber a aposentadoria.

Conforme despacho da ministra Asussete Magalhães, do Superior Tribunal de Justiça, policial reformado não está sujeito à pena disciplinar. Carvalho se aposentou em 1996, após 16 anos de serviço na PM.

Em agosto deste ano, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, negou pedido da Agência de Previdência de Mato Grosso do Sul para rever a decisão favorável ao narcotraficante e manteve o direito ao pagamento da aposentadoria de R$ 11,3 mil por mês.

Como a ação acabou transitando em julgado, a defesa do major ingressou com ação de execução de sentença. Os advogados Túlio Ton Aguiar e Leila Pompeu de Carvalho pedem o pagamento de R$ 1,320 milhão, sendo R$ 516,6 mil que deixou de ser pago em benefícios e R$ 813,8 mil de juros e correção monetária.

A decisão do pagamento caberá à 4ª Vara de Fazenda Pública de Campo Grande.

A Polícia Federal não acredita que o major Carvalho tenha morrido em decorrência da covid-19. De acordo com a corporação, os principais indícios são de que não existe corpo para comprovar a morte.

Julgamento de ex-major em maio de 2011 em processo derivado da operação Las Vegas (Foto: Francisco Júnior/Arquivo)

Julgamento de ex-major em maio de 2011 em processo derivado da operação Las Vegas (Foto: Francisco Júnior/Arquivo)

Major Carvalho foi preso pela primeira vez em 1997, quando já estava no quadro da reserva dos oficiais da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) – a carreira do policial militar durou 16 anos, ingressou na PM em 25 de janeiro de 1980 e se aposentou em 28 de maio de 1996.

Sérgio Carvalho foi pego em um hotel no Guarujá (SP), depois que 237 kg de cocaína foram flagrados em aeronave pronta para decolar de sua propriedade, a Fazenda Cordilheira, em Rio Verde de Mato Grosso (MS). Pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico ele foi condenado a 15 anos de prisão.

Em 2007 e 2009, quando já cumpria pena em regime semiaberto, voltou a ser preso por envolvimento em jogos de azar, alvo das operações Xeque-Mate e Las Vegas, que colocaram “na mira” da Polícia Federal 140 PMs.

Em 2010, virou notícia durante a Operação Vituvriano, também da PF, que apurou uma fraude ao espólio de José Olímpio, que morreu sem deixar herdeiros. Carvalho seria o chefe da quadrilha que tentava ficar com a herança do milionário, que vivia em São Paulo e morreu em 2005, deixando uma fortuna estimada em mais de R$ 100 milhões. 

08
Ago20

Morre o bispo Pedro Casaldáliga, referência na luta pelos direitos humanos e contra a ditadura brasileira

Talis Andrade

Pedro Casaldáliga, bispo-emérito da diocese de São Félix do Araguaia (MT)

 

O catalão tinha 92 anos e havia sido hospitalizado por problemas respiratórios em estado de saúde “muito sério”. O ‘Bispo do Povo’ se instalou no Brasil desde 1968 e trabalha pelos direitos dos camponeses sem terra e indígenas

Para seus admiradores, ele era o bispo da cidade. Para seus inimigos, o bispo vermelho. Ninguém ficou indiferente à figura de Pedro Casaldáliga, bispo emérito da diocese de São Félix do Araguaia, onde dedicou sua vida na luta pelos direitos dos camponeses e povos indígenas da Amazônia brasileira. O líder religioso morreu às 9h40 deste sábado, 8 de agosto, na cidade de Batatais (no interior do Estado de São Paulo), depois de ser hospitalizado por problemas respiratórios. Ele tinha 92 anos e teve a doença de Parkinson por alguns anos, pelos quais viveu isolado no Mato Grosso. Suas aparições públicas eram cada vez mais raras devido a dificuldades crescentes na fala e coordenação motora. “O teste para o covid-19 deu negativo”, disse na ocasião em que foi internado a mensagem publicada no site das associações de Araguaia com o Bispo Casaldáliga e a ANSA.

Filho de camponeses da cidade catalã de Balsareny, claretiano e sacerdote ordenado na Espanha, Pere Casaldáliga (seu nome em catalão) veio para o Brasil como missionário em 1968. Ele estava fugindo da Espanha franquista, mas desembarcou em um país que começava a viver os anos mais difíceis de sua ditadura militar (1964-1985). Ele se estabeleceu em São Félix do Araguaia, onde em 1971 foi nomeado o primeiro bispo da diocese local. O espanhol ilustre nunca retornou à sua terra natal por medo de deixar o Brasil e ser detido pelos militares de seu país em seu retorno.

Casaldáliga sempre defendeu que a Igreja tinha um forte papel social, tornando-se um dos ícones da Teologia da Libertação. Sua pequena casa rural e pobre era a sede de sua diocese. Ele também não usava a batina tradicional usada pelos padres. Ele preferia jeans e chinelos, como as pessoas normais. Com esse estilo espartano, ele enfrentou a ditadura militar e também o setor mais conservador da Igreja Católica.

No Brasil, ele dedicou sua vida aos mais pobres e vulneráveis, especialmente aos camponeses sem terra e povos indígenas que habitam a Amazônia. Proprietários de terras locais poderosos o ameaçaram de morte em inúmeras ocasiões. Em outubro de 1976, após uma reunião de líderes locais e religiosos envolvidos na luta indígena, sofreu um ataque que resultou no assassinato do padre João Bosco Burnier. Casaldáliga estava ao seu lado durante o atentado criminoso.

Mas nem a perseguição da ditadura nem a ira do Vaticano, especialmente desde o papado de João Paulo II (1978-2005), o desencorajaram de promover dezenas de movimentos sociais na América Latina. Casaldáliga é um dos fundadores do Conselho Missionário Indígena (CIMI) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), duas das mais importantes entidades religiosas do Brasil. Ambas organizações desempenharam um papel importante na transição democrática e na elaboração da Constituição de 1988, marco dos direitos sociais e indígenas no país.

Os conflitos com os setores mais poderosos não terminaram com o fim do regime militar. Ao contrário. Alguns duraram até anos recentes. Em 2012, quando tinha 84 anos e já sofria da doença de Parkinson, o prelado foi forçado a deixar sua casa em São Félix do Araguaia após receber ameaças de morte por sua defesa dos povos indígenas. As autoridades brasileiras o transferiram para um lugar desconhecido por meses diante das ameaças de colonos que ocupavam ilegalmente as terras dos Xavante. Os tribunais brasileiros estavam prestes a concordar com o grupo indígena na disputa que tiveram com os invasores, o que, por sua vez, aumentou a violência na região.

Casaldáliga também passou por cinco processos de expulsão da Igreja. Eles nunca o nomearam cardeal. Em 2003, após completar 75 anos, idade em que os bispos devem disponibilizar a diocese ao papa, ele desafiou a instituição religiosa mais uma vez. O Vaticano imediatamente buscou sua substituição e foi atrás de um sucessor, exigindo que o prelado deixasse a cidade de São Félix antes da chegada do novo bispo. “Se o bispo que me sucede deseja continuar nosso trabalho de dedicação aos mais pobres, posso ficar com ele como sacerdote; caso contrário, procurarei outro lugar onde possa terminar meus dias próximo aos mais esquecidos “, insistiu ele.

Casaldáliga continuou seu trabalho até janeiro de 2005, quando Roma se manifestou novamente. Eles finalmente conseguiram um bispo para a diocese. Uma vez recebeu a exigência da Igreja de deixar a região. E mais uma vez o prelado recusou. Ele ficou trabalhando, com seu substituto e depois com o próximo. Sua morte em São Félix do Araguaia aconteceu como ele esperava: entre os pobres, entre os seus.

18
Jul20

A Renda Básica Universal na América Latina e no Caribe, uma medida de vida ou morte após a pandemia

Talis Andrade

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A pandemia está instalando, com maior ênfase, o debate sobre a possibilidade de garantir uma renda universal para toda a população. Até recentemente, era um slogan de grupos políticos e acadêmicos críticos e hoje faz parte da agenda da governança global.

A reportagem é de Alfredo Zaiat, publicada por Sputinik, 15-07-2020. A tradução é do Cepat.

O Presidente do Fórum Econômico Mundial (Davos), Klaus Martin Schwab, em encontro no qual participa o establishment financeiro e líderes das principais potências, incorporou esta iniciativa à agenda. É claro que essa ação não significa uma revisão ideológica do poder mundial, mas uma reação defensiva na busca de evitar o colapso do sistema, em razão de uma das crises mais graves da história.

Até o FMI está estudando. O diretor do Departamento de Assuntos Fiscais, o português Vítor Gaspar, explicou na última edição do relatório 'Monitor fiscal' que a renda básica universal "é uma das várias ideias que podem ser examinadas em resposta a essa crescente incerteza".

A Igreja Católica liderada pelo Papa Francisco também vem se pronunciado a favor da implementação de um salário universal que compense os efeitos excludentes de uma economia financeirizada.

Vacina
Como a experiência indica, as crises econômicas costumam ser melhor aproveitadas por setores do poder econômico para assentar bases de crescimento organizadas sobre pautas de maior desigualdade. Hoje, esse terreno está em disputa e a bateria de políticas, decisões públicas e comunitárias que estão sendo resolvidas determinará qual será a orientação a emergir dessa crise inédita.

Enquanto não for encontrada uma vacina eficaz para conter o coronavírus e a economia possa retornar a uma certa normalidade, é essencial implementar medidas que atenuem os efeitos da crise nos grupos sociais afetados. Nesse cenário, irrompeu com intensidade a ideia de uma renda básica universal. Seria uma medida paliativa em primeira instância e, em seguida, pode se tornar uma base para ampliação de direitos. É um debate global que não está resolvido.

Transferências

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) propõe que os governos garantam transferências monetárias temporárias imediatas para satisfazer necessidades básicas e sustentar o consumo das famílias.

A médio e longo prazo, o organismo reitera que o alcance dessas transferências deve ser permanente, ultrapassar as pessoas em situação de pobreza e chegar a amplos estratos da população que são muito vulneráveis a cair nela, o que permitiria avançar em direção a uma renda básica universal, para assegurar o direito básico à sobrevivência.

O relatório

O desafio social em tempos de Covid-19 detalha o impacto social e os desafios relacionados que a atual crise teria para os países da América Latina e do Caribe. Este documento propõe uma renda básica de emergência para ser implementada imediatamente, com a perspectiva de permanecer ao longo do tempo de acordo com a situação em cada país.

Isso é relevante, uma vez que se estima que a superação da pandemia levará tempo e as sociedades devem coexistir com o coronavírus, o que dificultará a reativação econômica e produtiva.

"A pandemia tornou visíveis problemas estruturais do modelo econômico e as deficiências dos sistemas de proteção social. Por esse motivo, devemos avançar para a criação de um Estado de bem-estar social com base em um novo pacto social que considere o fiscal, o social e o produtivo", disse Alicia Bárcena, secretária executiva da CEPAL.

Pobreza

A proposta de uma renda básica de emergência seria equivalente ao custo per capita de adquirir uma cesta básica de alimentos e outras necessidades básicas (uma quantia que determina a linha de pobreza de cada país), durante seis meses, para toda a população vulnerável.

A CEPAL calcula que deveria alcançar 215 milhões de pessoas, 34,7% da população regional. Isso implicaria um gasto adicional de 2,1% do PIB latino-americano para cobrir todas as pessoas que se encontram em situação de pobreza este ano.

"A pandemia exacerbou as dificuldades da população em satisfazer suas necessidades básicas. Portanto, é necessário garantir renda, segurança alimentar e serviços básicos a um grande grupo de pessoas cuja situação se tornou extremamente vulnerável e que não necessariamente estavam incluídos nos programas sociais existentes antes da pandemia", afirmou Bárcena.

O que é renda básica universal?

É uma renda periódica paga pelo Estado a cada pessoa, sendo um direito sem quaisquer condições. Essa renda corresponde a uma política social redistributiva. Os governos buscariam, assim, garantir um nível mínimo de renda para todas as pessoas e reduzir as desigualdades sociais.

Diferentemente de outras políticas de assistência social, na renda básica, o direito a essa renda não é determinado pela situação pessoal do beneficiário. Isso porque é considerado um direito pelo simples fato de ser um membro da sociedade.

Dessa maneira, a situação financeira, familiar e pessoal não impediria ninguém de acessar essa renda. No entanto, o valor recebido pode variar dependendo de certos fatores, dependendo das características específicas do programa de renda básica.

A ideia de renda básica universal não está desligada de uma reformulação geral dos critérios operacionais do Estado, da economia e das relações internacionais.

O exemplo da Espanha

O caso mais recente de implementação é a Espanha. O governo aprovou a renda mínima vital no último Conselho de Ministros. É um benefício com o objetivo de cobrir 80% das pessoas em extrema pobreza no país.

É uma medida que pode chegar a beneficiar mais de 850.000 famílias e será um benefício gerenciado através da Seguridade Social. Ao contrário de outros auxílios, é uma medida estrutural e indefinida.

Será uma rede de seguridade permanente para os mais vulneráveis e o dinheiro investido nessa medida é estimado em cerca de 3 bilhões de euros por ano.

A proposta na Argentina

A Argentina é um dos países da região onde se está definido um esquema de renda básica universal. O ministro do Desenvolvimento Social, Daniel Arroyo, informou que esse benefício estará vinculado ao mundo do trabalho.

Afirmou que não está pensando nisso como uma renda básica no "modelo europeu", que não é mais que um problema de renda, mas considera necessário acrescentar a complexidade que a situação argentina demanda: associá-la ao trabalho de quem recebe o dinheiro.

Arroyo sustenta que o problema social argentino não pode ser entendido sem o relacionar ao trabalho, renda e acesso a serviços, e que separar um do outro é um erro.

A base para implementar a renda básica na Argentina está dada nas 9 milhões de pessoas que recebem a Renda Familiar de Emergência, uma medida preparada no início da pandemia para atender setores vulneráveis.

Redistribuição

Um documento de pesquisa do Instituto de Pensamento e Políticas Públicas afirma que o poder da renda universal ou da renda cidadã ou de qualquer outro instrumento que permita democratizar a renda ao conjunto da população pode atrapalhar as relações de poder capitalistas.

O economista italiano Andrea Fumagalli explica que a renda como amortecedor e proteção social intervém na redistribuição da renda, uma vez que a riqueza produzida se distribui entre os fatores de produção que contribuíram para sua criação.

A diferença é fundamental para deixar claro que a reivindicação de renda básica incondicional é uma reivindicação social e sindical que afeta diretamente o processo de organização da produção e do trabalho.

Proteção

Para articular a proteção social a curto, médio e longo prazo, a CEPAL ressalta que, além de implementar medidas imediatas para responder à emergência, é necessário superar desafios operacionais, como a bancarização da população, o preenchimento de registros sociais, atualizá-los e interconectá-los.

A médio e longo prazo, deve ser garantido o exercício dos direitos através do fortalecimento do Estado de bem-estar e da provisão universal de proteção social, da introdução de um sistema de assistência, da implementação gradual e da busca e mecanismos inovadores de financiamento sustentável.

"Em vista das grandes lacunas históricas que a pandemia agravou, a CEPAL reitera que é hora de implementar políticas universais, redistributivas e de solidariedade com uma abordagem baseada em direitos", afirmou Alicia Bárcena.

"Gerar respostas emergenciais, a partir da proteção social, para evitar uma grave deterioração das condições de vida é inevitável na perspectiva de direitos e bem-estar", acrescentou, concluindo que "construir o Estado de bem-estar e sistemas de proteção social universais é chave para evitar mais uma década perdida” na América Latina e no Caribe.

 

04
Jun20

Até na Justiça dos Estados Unidos Tacla Duran derrota Sergio Moro

Talis Andrade

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A jornalista Mônica Bergamo com o título

"PGR vê credibilidade em relato de

acusador de Moro

por vitórias judiciais no exterior",

publica hoje na Folha de S. Paulo, que "Augusto Aras já recebeu documentos e perícias". Diante dos fatos, não tem como lavar as mãos como fizeram, por corporativismo e lavajatismo, os seus antecessores Rodrigo Janot e Raquel Dodge.

O portal 247 publica: Em 2017, o advogado Tacla Duran, hoje exilado na Espanha, disse à Folha que fez pagamentos a um advogado amigo de Moro que prometeu suavizar sua situação na Lava Jato.

Os procuradores estão impressionados com o fato de Duran ter conseguido vitórias importantes nos EUA e na Espanha em relação à Lava Jato, informa a jornalista Mônica Bergamo em sua coluna na Folha de S.Paulo.

O fato de os dois países terem sistemas jurídicos sólidos reforça a credibilidade de Duran. Preocupado com a reabertura do caso, Moro reage dizendo que Duran é um criminoso sem credibilidade. 

O mesmo Moro como juiz aceitou como verdadeiros os depoimentos de Alberto Youssef, chefe da Máfia Libanesa dos tráficos internacionais de moedas, drogas, pedras preciosas, que denunciou Leo Pinheiro, que denunciou o ex-presidente Lula, que preso, impedido de ser candidato, garantiu a eleição de Jair Bolsonaro, candidato a presidente da Polícia Federal, do MPF, dos juízes e desembargadores da lava jato. Idem a delação de Antonio Palocci, como peça de propaganda política.  

 

 

16
Mai20

Premiê espanhol quer mais um mês de estado de emergência

Talis Andrade

 

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou neste sábado (16/05) que vai pedir ao Parlamento mais um mês de prorrogação do estado de emergência no país, mas ressaltou que espera ser esta a última extensão da medida, que dá poderes extraordinários ao governo para manter as regras de confinamento que já vigoram há dois meses no país.

Antes, Sánchez recebeu apoio parlamentar para extensões de duas semanas no estado de emergência, que entrou em vigor em 14 de março e expira em 24 de maio.

"Se o governo perceber que o estado de emergência pode ser suspenso mais cedo, faremos isso também ", prometeu o premiê. Atualmente, as medidas de bloqueio da Espanha devem ser suspensas em quatro fases.

Segundo os planos do governo, os espanhóis não poderão sair de sua província natal até o final de junho. Uma data ainda não foi definida para abrir a fronteira para turistas.

Sánchez vem perdendo apoio da população especialmente em Madri, onde residentes permanecem sob as mais estritas ordens de controle de movimento, chamadas "fase zero".

Diferente da maioria das outras partes do país, habitantes da capital espanhola não podem se encontrar do lado de fora ou beber ao ar livre em um café ou bar.

O governo disse que Madri, juntamente com Barcelona, ​​permanecerá na fase zero até que certos critérios sejam atendidos, como uma queda de novos casos.

A chefe do governo regional de Madri, a conservadora Isabel Diaz Ayuso, acusou neste sábado o primeiro-ministro socialista de estar ilegalmente restringindo as liberdades e "levando a região da capital à ruína".

"Somos reféns que estão sendo amordaçados", disse ela. Apesar da atual proibição de aglomerações, tem havido protestos nas ruas contra o governo espanhol há quase uma semana.

As autoridades de saúde relataram 102 mortes confirmadas por covid-19 no país neste sábado, elevando o número de mortos na Espanha para 27.563. Há mais de um mês, a Espanha tinha mais de 900 mortes diárias antes das medidas de bloqueio para um surto que teve 276.505 infecções confirmadas no país.

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13
Mai20

Mulher de 113 anos sobrevive à covid-19 na Espanha

Talis Andrade

Considerada a mulher mais velha da Espanha, María Branyas, de 113 anos, sobreviveu à batalha contra a covid-19, que havia contraído em abril. A informação foi divulgada nesta terça-feira (12/04) pelo asilo Santa Maria del Tura, onde Branyas vive há 20 anos, na cidade de Olot, na Catalunha.

Branyas recebeu o teste negativo para o coronavírus nesta segunda-feira, segundo sua filha Rosa, que a definiu como "uma mulher forte e positiva".

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21
Abr20

Tempos de peste e fome. ONU alerta para aumento da fome no mundo.

Talis Andrade

por El País

135 milhões de pessoas sofriam de fome aguda antes do coronavírus. Mais da metade, 73 milhões, na África, de acordo com o Programa Mundial de Alimentos (WFP na siga em inglês), da Organização das Nações Unidas. O órgão pede que os Governos não abandonem sua população mais vulnerável em meio à pandemia, para que dê condições das pessoas se alimentarem enquanto precisam ficarm em quarentena.

"Existem países com um grande número de pessoas pobres que não têm uma boa dieta; e quando você não está bem nutrido, seu sistema imunológico fica mais fraco", observa o economista-chefe das Nações Unidas. "E seus sistemas de saúde são muito, muito precários. Estamos falando de países de 12 milhões de pessoas para quatro ventiladores ou menos de 50 leitos de UTI. Esta é a realidade deste mundo. Por isso, estamos realmente preocupados com esses lugares. Sim não estamos preparados, o que acontecerá lá? ", diz Arif Hussein, economista-chefe do WFP e diretor de pesquisa.

Espanha autoriza crianças a fazerem caminhadas “curtas”, acompanhadas de um adulto

A partir da próxima segunda-feira, 27 de abril, crianças de até 12 anos de idade poderão sair às ruas acompanhadas por um adulto, uma saída que será para uma "curta caminhada”, segundo informou o Governo espanhol. Ainda não será permitido ir a parques. Entre 12 e 18 anos, os menores têm autorização para saírem sozinhos, também sob a condição de que sejam passeios rápidos e que todos os cuidados sejam tomados. Na Espanha

Desde que o decreto do estado de alarme começou na Espanha, em 14 de março, 8,3 milhões de menores estão trancados em suas casas, proibidos de sair. Nas últimas semanas, houve pedidos para facilitar o estrito confinamento de crianças, que, segundo um relatório da Plataforma pelos Direitos da Criança, são as mais difíceis do mundo, seguidas pelas da Itália (onde, como na França ou na Alemanha, eles podem sair com restrições). Apenas crianças com transtorno de espectro autista tinham autorização para sair acompanhadas, com identificação, mas ainda assim pais e cuidadores relataram ter sofrido agressões verbais nos passeios com os filhos.

Trump ameaça “suspender a imigração” aos EUA devido à pandemia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou "suspender a imigração" para o país para, segundo ele, "proteger o emprego dos grandes cidadãos americanos". O mandatário norte-americano atribuiu à crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus para tomar sua decisão, que deve ser executada via decreto. 

O anúncio de Trump ocorreu via Twitter, mas não ficou claro a que o presidente estava se referindo, se essa ordem existe e se tal ação é viável. A covid-19 já causou mais de 42.000 mortes nos Estados Unidos e infectou 787.901 pessoas.

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18
Abr20

Espanha deve ampliar quarentena

Talis Andrade

 

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse neste sábado que pedirá ao Parlamento uma terceira ampliação do prazo de quarentena por mais 15 dias. O país, que vive uma das piores epidemias de covid-19 em todo o mundo, deverá manter as medidas de isolamento até o dia 9 de maio.

Sánchez afirmou que avalia relaxar as restrições às crianças, que poderão sair de casa a partir do dia 27 de abril, ainda que em caráter "limitado e sujeito a condições para evitar a contaminação", explicou, sem fornecer maiores detalhes.

A Espanha, que está sob quarentena desde o dia 14 de março, permitiu nesta semana a reabertura de alguns setores da economia, incluindo a indústria. Entretanto, a maior parte da população ainda deve permanecer em suas casas, podendo sair apenas para necessidades essenciais, como comprar alimentos.

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10
Abr20

Espanha distribuirá máscaras no transporte público a partir de segunda-feira

Talis Andrade

 

por Regina Oliveira

El País

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A Espanha mudou oficialmente sua posição sobre as máscaras de proteção. O retorno ao trabalho na segunda-feira, decretado após a prorrogação do estado de alarme no Congresso, deverá ser feito, preferencialmente, com o uso desta proteção para quem estiver viajando de transporte público. Isso foi anunciado nesta sexta-feira pelo ministro da Saúde, Salvador Illa. Para facilitar, o Governo anunciou que distribuirá máscaras no metrô, ônibus e "pontos onde seu uso é recomendado".

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08
Abr20

Mortes na Espanha sobem pelo segundo dia

Talis Andrade

DW – O número de mortos em 24 horas na Espanha aumentou pelo segundo dia consecutivo. O país registrou mais 757 óbitos nesta quarta-feira, em comparação com 743 no dia anterior. As cifras são muito menores do que o recorde de 950 mortes registrado em 2 de abril, mas mostram que a crise do novo coronavírus ainda está longe de terminar no país.

Ao todo, a Espanha soma agora 14.555 mortos por covid-19 – o segundo maior número do mundo, depois da Itália. Há suspeitas, no entanto, de que esse balanço oficial esteja subestimando uma realidade ainda mais traumática.

Em Madri, por exemplo, a diferença entre o número de enterros reportados nas últimas duas semanas de março e o número de mortos pelo vírus foi substancialmente maior do que o número de mortos no mesmo período em 2018. Isso sugere que algumas vítimas da pandemia podem não ter sido computadas no balanço oficial.

As infecções também seguem crescendo: foram mais de 6 mil casos confirmados nesta quarta-feira, elevando o total de infectados a 146.690. A Espanha tem mais casos do que qualquer outro país europeu. No mundo, fica atrás apenas dos Estados Unidos, com quase 400 mil infecções.

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