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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

08
Out21

Nani fez charges com a Velha Senhora

Talis Andrade

Chargista Nani critica a virtude de ser politicamente correto | Arte do  Artista | TV Brasil | Cultura

Nani Humor: PENA DE MORTE NO BRASIL

Charge – Angelo Rigon

AINDA ESPANTADO: A Charge do Dias - Solidariedade à morte

Nani Humor: Dr. Alzheimer

Nani Humor - Página inicial | Facebook

 

Nani é um dos maiores nomes do humor brasileiroNani é um dos maiores nomes do humor brasileiro

 

por Lê

Ei, você conhece essa pessoa aí da foto? O nome dele é Ernani Diniz Lucas, mais conhecido como Nani. Ele é um dos maiores cartunistas da história do país, com trabalhos publicados em jornais, revistas e na TV.

Os cartuns de Nani marcaram presença em diversos locais. Só para citar alguns: Última HoraJornal da GloboO DiaO PasquimEstado de MinasO PingenteDiário de Notícias,Tribuna da ImprensaO Cartoon e revista MAD.

Ao longo da carreira, foi reconhecido por autoridades do humor, no Brasil e no exterior. Entre seus prêmios, estão os dos salões do humor de Niterói, Piracicaba e Montreal.

Sabe de onde ele é? Esmeraldas, uma cidade que fica pertinho de Belo Horizonte. Sabe qual é sua idade? Bem, ele nasceu em 1951. Então, ele tem… ah, você faz as contas por aí.

Como Nani se tornou um dos maiores do cartum?

Nani é um defensor da independência do artista. Para ele, o humor não pode ser partidário. “Quando você faz humor dirigido, vira cartilha”, disse, em entrevista.

Pelo mesmo motivo, reconhece a irreverência no trabalho do chargista: “A gente vota um dia num candidato… Ele tomou posse, a gente tá fazendo charge contra no outro dia”, brinca.

Ele começou a carreira em 1971, fazendo charges para o jornal O Diário, de Belo Horizonte. A sua forma de humor ácido chamou a atenção de vários editores, inclusive de outros estados.

Com isso, se mudou para o Rio de Janeiro, cidade pela qual já era apaixonado. No Rio, fez parte de uma turma que só tinha “gente pequena”. Olha só: Henfil, Jaguar, Adail, Tarso de Castro, entre outros.

Desde que começou a desenhar, Nani sonhava em trabalhar nO Pasquim, que publicava as charges de seus ídolos. O que conseguiu, fazendo mais de 30 cartuns por dia no jornal (claro que a maior parte não era publicada).

É dele a tirinha Vereda Tropical, publicada em diversos jornais pelo Brasil. Criada na década de 1980, a tira satirizava a situação política e social brasileira da época e (infelizmente) permanece atual.

Livros de Nani para crianças e jovens

 

Além das charges, cartuns e tirinhas, Nani é roteirista de TV. Ele já escreveu para os programas Escolinha do Professor Raimundo,Casseta & PlanetaZorra Total e Sai de Baixo.

Aliás, seus desenhos já apareceram em forma animada nos plim plins dos filmes e séries da TV Globo. Entre seus livros, há títulos para o público adulto e infantil. Confira algumas obras infantojuvenis de Nani.

Abecedário hilário

Antologia de poemas leves e bem-humorados, seguindo a ordem alfabética. Cada trecho contém versos que começam com a mesma letra: “Yara, a sereia, dança no / YouTube o / Yê, yê, yê.” Já imaginou uma cena dessas?

A bruxinha do bem

Como seria o cotidiano de uma pequena bruxa que ainda está aprendendo a fazer feitiços? A bruxinha desse livro se empenha em desenvolver sua arte e, enquanto isso, sempre ajuda alguém e faz magia de mentirinha.

Feliz e orgulhoso, envaidecido mesmo

Coletânea com 32 contos curtos sobre vários assuntos. Claro, todos eles têm boas doses de humor, sagacidade e nonsense. Os desenhos dão sacadas interessantíssimas para os textos.

Gabriel da Conceição Bicicleta

Titã é um cachorro que não gosta da forma que se chama. Para seu novo nome, junta as palavras que mais ouve, o que explica o título esquisito do livro. Depois de tanto andar, ele se torna prefeito da Cidade dos Cachorros.

O espírito de porco

O espírito de porco adora atazanar o dia a dia das crianças e dos adultos. O texto é uma forma de incentivo ao leitor. Dessa forma, ele fica atento e não se deixar levar pelos conselhos absurdos do espírito de porco.

O que dizem as palavras

O livro apresenta a escrita como uma espécie de jogo, que estimula a imaginação e a criatividade do leitor. As palavras se transformam em cartuns, propondo uma brincadeira inteligente e carregada de sentidos.

Tem outra palavra na palavra

Esse é o livro mais recente de Nani, que sempre brinca com as palavras e convida o leitor a fazer o mesmo. Aqui, no entanto, a brincadeira vai além e mexe com as letras que compõem cada palavra.

Como você viu, Nani é um ícone do humor nacional, em suas diversas formas, produzindo conteúdo para todas as idades. Em seus livros infantojuvenis, traduz temas importantes com uma leveza que atrai jovens e crianças.

 
26
Jul20

Sete dicas de Luis Fernando Verissimo para quem gosta de escrever

Talis Andrade

 

verissimo.jpg

 

Por Marcelo Dunlop

- - -

1. Escreve bem quem lê bem

Em palestras e entrevistas, Luis Fernando Verissimo sempre evoca o primeiro mandamento para quem pretende colocar suas histórias no papel: “Escreve bem quem lê bem”. No caso do cronista de 83 anos, “ler bem” significa ter lido um bocado. Além de seu livro predileto, O grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald, e da Bíblia (um clássico), Verissimo devorou craques da literatura como Jorge Amado, Jorge Luis Borges, Agatha Christie, Carlos Drummond, Érico (também conhecido como “Pai”), Gustave Flaubert, Graciliano Ramos, Ernest Hemingway, James Joyce, Clarice Lispector, Herman Melville, Vladimir Nabokov, Edgar A. Poe, os Rubem (o Braga e o Fonseca), Mary Shelley e lá vai lombada. Destaque ainda para dois de seus humoristas favoritos: Millôr Fernandes e Evelyn Waugh.

 

2. Clareza

Na célebre crônica publicada no início dos anos 1980, “O gigolô das palavras”, Verissimo ensinava: “Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer ‘escrever claro’ não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, comover…)”. O segundo mandamento de Verissimo, portanto, é: seja claro. O conselho vale principalmente para quem tenta fazer humor: “Quando o leitor não entende o que um jornalista escreveu, a culpa é sempre do jornalista”, LFV disse, em outra crônica.

 

3. Professor: Pelé

Além de aprender com os autores que lia e conhecia na sala de estar de casa, muitos deles amigos de Érico Verissimo, Luis Fernando teve um professor incomum: mestre Edson Arantes de Nascimento. Como Verissimo explicou, em citação no seu Verissimas: “Sempre achei que o melhor professor de português do Brasil foi o Pelé. Quem o viu jogar ou hoje vê os seus teipes sabe que o Pelé jamais fez uma jogada que não fosse parte de uma progressão para o gol. O sentido de tudo que o Pelé escrevia com a bola no campo era o gol. O drible espetacular era apenas circunstancialmente, com perdão do longo advérbio, espetacular, porque ele existia em função do objetivo final. A lição para escritores é: defina o seu gol e tente chegar lá como o Pelé chegaria, com poucos mas definitivos toques, sem nunca deixar que os meios o desviem do fim. E se, no caminho para o gol, você fizer alguma coisa espetacular, esforce-se para dar a impressão de que foi apenas por obrigação.”

 

4. Respiração

Na impagável crônica “Carta do Fuás”, o cronista que está celebrando 50 anos de carreira revela uma de suas principais preocupações estilísticas: deixar o pobre leitor respirar. “Faz parte da arte de escrever a distribuição sagaz de espaços abertos, como os jardins nas casas”, explica LFV. “Assim respira o texto e respira o leitor. Toda arquitetura, de pedra ou palavra, deve ter aberturas bem-postas por onde circule o ar e cure-se a opressão.”

 

5. O maior pecado

Há apenas duas práticas que Verissimo sempre desaconselha aos escritores iniciantes: redigir com raiva e ser repetitivo. Numa de suas citações (presente no livro Verissimas), o autor gaúcho prega: “O pecado que um escriba mais teme é o da redundância”.

 

6. Vocabulário e intimidade

Sobre a escolha das palavras, Verissimo é prudente: “Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras.” A vantagem é que aumentar o vocabulário é uma missão simples: basta ler os seus autores prediletos.

 

7. Polimento em dose cavalar

Em sua longa entrevista no livro Conversa sobre o tempo, Verissimo explica aos amigos Zuenir Ventura e Arthur Dapieve como vê o ofício da escrita: para ele, a ideia de uma crônica ou livro martela tanto o autor que é impossível resistir, e ela acaba no papel. Na mesma entrevista, LFV compara o estilo de cada autor com a história do hábil escultor que fez um magnífico cavalo de mármore. Ao ser perguntado como conseguira tamanha perfeição, respondeu: “Escolhi a pedra, as ferramentas e tirei tudo o que não era cavalo.” Para Verissimo, “escrever é tirar tudo o que não é cavalo.”

 

16
Jun20

Assine e compartilhe o manifesto em defesa de Aroeira e da liberdade de expressão

Talis Andrade

 

Artistas e intelectuais lançaram um manifesto em defesa do cartunista Renato Aroeira, após o governo Jair Bolsonaro, por meio do ministro da Justiça, André Mendonça, pedir à Polícia Federal um inquérito com o objetivo de investigar uma charge em que uma cruz vermelha de um hospital é transformada em suástica, símbolo do nazismo. 

De acordo com o manifesto, "ao dizer que um desenho de humor leva perigo à integridade do Estado, o ministro expressa um delírio fanático e alimenta as fantasias totalitárias dos criminosos que promovem ataques crescentes contra a democracia no Brasil". Abaixo o autoritarismo

Nós, artistas, escritores, jornalistas, cientistas e professores, que não podemos viver e trabalhar sem democracia e liberdade, repudiamos frontalmente a declaração do Sr. Ministro da Justiça, André Luiz Mendonça, que ameaçou instaurar inquérito contra o grande artista gráfico Renato Aroeira. 

O ministro viu ameaças à "segurança nacional" (sic) numa charge em que Aroeira ironiza as falas do Presidente da República incitando seus seguidores a invadirem e filmarem hospitais. Ao dizer que um desenho de humor leva perigo à integridade do Estado, o ministro expressa um delírio fanático e alimenta as fantasias totalitárias dos criminosos que promovem ataques crescentes contra a democracia no Brasil.

Não aceitamos mais delírios obscurantistas. Não aceitamos intimidações. Abaixo o autoritarismo. 

E amparados no Artigo Quinto da Constituição Brasileira, dizemos "não" à censura, em solidariedade ao artista Renato Aroeira e ao jornalista Ricardo Noblat, que postou a charge em seu “Blog do Noblat”. 

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