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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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26
Jul20

Sete dicas de Luis Fernando Verissimo para quem gosta de escrever

Talis Andrade

 

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Por Marcelo Dunlop

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1. Escreve bem quem lê bem

Em palestras e entrevistas, Luis Fernando Verissimo sempre evoca o primeiro mandamento para quem pretende colocar suas histórias no papel: “Escreve bem quem lê bem”. No caso do cronista de 83 anos, “ler bem” significa ter lido um bocado. Além de seu livro predileto, O grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald, e da Bíblia (um clássico), Verissimo devorou craques da literatura como Jorge Amado, Jorge Luis Borges, Agatha Christie, Carlos Drummond, Érico (também conhecido como “Pai”), Gustave Flaubert, Graciliano Ramos, Ernest Hemingway, James Joyce, Clarice Lispector, Herman Melville, Vladimir Nabokov, Edgar A. Poe, os Rubem (o Braga e o Fonseca), Mary Shelley e lá vai lombada. Destaque ainda para dois de seus humoristas favoritos: Millôr Fernandes e Evelyn Waugh.

 

2. Clareza

Na célebre crônica publicada no início dos anos 1980, “O gigolô das palavras”, Verissimo ensinava: “Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer ‘escrever claro’ não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, comover…)”. O segundo mandamento de Verissimo, portanto, é: seja claro. O conselho vale principalmente para quem tenta fazer humor: “Quando o leitor não entende o que um jornalista escreveu, a culpa é sempre do jornalista”, LFV disse, em outra crônica.

 

3. Professor: Pelé

Além de aprender com os autores que lia e conhecia na sala de estar de casa, muitos deles amigos de Érico Verissimo, Luis Fernando teve um professor incomum: mestre Edson Arantes de Nascimento. Como Verissimo explicou, em citação no seu Verissimas: “Sempre achei que o melhor professor de português do Brasil foi o Pelé. Quem o viu jogar ou hoje vê os seus teipes sabe que o Pelé jamais fez uma jogada que não fosse parte de uma progressão para o gol. O sentido de tudo que o Pelé escrevia com a bola no campo era o gol. O drible espetacular era apenas circunstancialmente, com perdão do longo advérbio, espetacular, porque ele existia em função do objetivo final. A lição para escritores é: defina o seu gol e tente chegar lá como o Pelé chegaria, com poucos mas definitivos toques, sem nunca deixar que os meios o desviem do fim. E se, no caminho para o gol, você fizer alguma coisa espetacular, esforce-se para dar a impressão de que foi apenas por obrigação.”

 

4. Respiração

Na impagável crônica “Carta do Fuás”, o cronista que está celebrando 50 anos de carreira revela uma de suas principais preocupações estilísticas: deixar o pobre leitor respirar. “Faz parte da arte de escrever a distribuição sagaz de espaços abertos, como os jardins nas casas”, explica LFV. “Assim respira o texto e respira o leitor. Toda arquitetura, de pedra ou palavra, deve ter aberturas bem-postas por onde circule o ar e cure-se a opressão.”

 

5. O maior pecado

Há apenas duas práticas que Verissimo sempre desaconselha aos escritores iniciantes: redigir com raiva e ser repetitivo. Numa de suas citações (presente no livro Verissimas), o autor gaúcho prega: “O pecado que um escriba mais teme é o da redundância”.

 

6. Vocabulário e intimidade

Sobre a escolha das palavras, Verissimo é prudente: “Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras.” A vantagem é que aumentar o vocabulário é uma missão simples: basta ler os seus autores prediletos.

 

7. Polimento em dose cavalar

Em sua longa entrevista no livro Conversa sobre o tempo, Verissimo explica aos amigos Zuenir Ventura e Arthur Dapieve como vê o ofício da escrita: para ele, a ideia de uma crônica ou livro martela tanto o autor que é impossível resistir, e ela acaba no papel. Na mesma entrevista, LFV compara o estilo de cada autor com a história do hábil escultor que fez um magnífico cavalo de mármore. Ao ser perguntado como conseguira tamanha perfeição, respondeu: “Escolhi a pedra, as ferramentas e tirei tudo o que não era cavalo.” Para Verissimo, “escrever é tirar tudo o que não é cavalo.”

 

16
Jun20

Assine e compartilhe o manifesto em defesa de Aroeira e da liberdade de expressão

Talis Andrade

 

Artistas e intelectuais lançaram um manifesto em defesa do cartunista Renato Aroeira, após o governo Jair Bolsonaro, por meio do ministro da Justiça, André Mendonça, pedir à Polícia Federal um inquérito com o objetivo de investigar uma charge em que uma cruz vermelha de um hospital é transformada em suástica, símbolo do nazismo. 

De acordo com o manifesto, "ao dizer que um desenho de humor leva perigo à integridade do Estado, o ministro expressa um delírio fanático e alimenta as fantasias totalitárias dos criminosos que promovem ataques crescentes contra a democracia no Brasil". Abaixo o autoritarismo

Nós, artistas, escritores, jornalistas, cientistas e professores, que não podemos viver e trabalhar sem democracia e liberdade, repudiamos frontalmente a declaração do Sr. Ministro da Justiça, André Luiz Mendonça, que ameaçou instaurar inquérito contra o grande artista gráfico Renato Aroeira. 

O ministro viu ameaças à "segurança nacional" (sic) numa charge em que Aroeira ironiza as falas do Presidente da República incitando seus seguidores a invadirem e filmarem hospitais. Ao dizer que um desenho de humor leva perigo à integridade do Estado, o ministro expressa um delírio fanático e alimenta as fantasias totalitárias dos criminosos que promovem ataques crescentes contra a democracia no Brasil.

Não aceitamos mais delírios obscurantistas. Não aceitamos intimidações. Abaixo o autoritarismo. 

E amparados no Artigo Quinto da Constituição Brasileira, dizemos "não" à censura, em solidariedade ao artista Renato Aroeira e ao jornalista Ricardo Noblat, que postou a charge em seu “Blog do Noblat”. 

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