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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Mai20

Bolsonaro ganhou de Moro uma peça publicitária

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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A divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril foi pedida pela defesa de Sérgio Moro como prova da interferência do Bolsonaro na Polícia Federal para proteger filhos, amigos & esquemas milicianos do clã.

Catalogar aquele aglomerado de gângsteres de 22 de abril como uma “reunião ministerial” é um eufemismo para aquilo que mais se parece com um “encontro de alinhamento” do “Escritório do Crime”, a organização miliciana que domina o território de Rio das Pedras, no Rio.

Apesar da escatologia revelada, a decepção com o conteúdo do vídeo, pelo menos no que concerne ao escopo do inquérito criminal conduzido pelo STF, é diretamente proporcional à expectativa que se criou em relação à sua divulgação.

É notável o empenho do jornalismo da Globo em construir um relato pró-Moro. O ex-ministro bolsonarista, entretanto, continua devendo provas robustas para conseguir se livrar de eventual condenação por denunciação caluniosa proposta pela PGR.

O vídeo confirma o que é um consenso do mundo jurídico nacional e internacional: o ex-juiz Moro, que com seus comparsas da Lava Jato corrompeu o sistema de justiça do Brasil, continua não entendendo absolutamente nada sobre o que é uma prova em processo criminal.

No encontro indecoroso da horda de Rio das Pedras teve de tudo, mas só faltou a prova cabal da acusação do Moro, ainda que seja amplamente sabido que Bolsonaro interfere diretamente na PF para salvar a si mesmo e aos seus.

Agora sem o poder que tinha como juiz para aparelhar a Lava Jato – e manipular/chefiar procuradores federais, ministros do STJ e do STF, desembargadores e policiais federais – Moro passou a experimentar dificuldades inauditas na sua carreira de corruptor do sistema de justiça do país.

Em que pese a debilidade da prova específica pretendida por Moro, o encontro de 22 de abril evidenciou que vários integrantes do Escritório do Crime são potenciais candidatos ao banco de réus.

É o caso, por exemplo, do próprio Bolsonaro, que ameaçou armar a população, “porque é fácil ter uma ditadura no Brasil”.

É o caso, também, do ministro Abraham Weintraub, que defendeu a ida dos 11 “vagabundos” do STF para a cadeia; assim como é o caso do ministro Ricardo Salles, que propôs aproveitar o momento de “distração” da imprensa com a pandemia “para passar toda a boiada” de crimes contra o ambiente, a agricultura e a cultura; ou do pinochetista Paulo Guedes, que propôs o crime de lesa-pátria de liquidação do Banco do Brasil na bacia das almas.

Além de se colocar em desvantagem no inquérito no STF, Moro produziu uma potente peça publicitária para Bolsonaro no papel de justiceiro do Brasil. Com esta máscara, Bolsonaro rouba o lugar de Moro e posa de “vítima do sistema” [sic].

Por mais repugnante, asqueroso e indecoroso que possa ter sido aquele encontro de gângsteres em 22 de abril, aquilo é um bálsamo para os bolsonaristas fanatizados.

Aquela linguagem tosca, o dantesco, a perspectiva tacanha da vida e a visão racista de mundo têm enorme ressonância na subjetividade de cerca de 25% a 30% da população brasileira. O que é, enfim, revelador da tragédia em que estamos enfiados.

Por enquanto, Moro ficou na chuva, e produziu uma peça publicitária de alto valor para Bolsonaro. A única coisa que ficou provada neste processo é que o sigilo do vídeo teria sido mais prejudicial a Bolsonaro do que sua publicidade.

19
Out19

Os blefes golpistas de Olavo de Carvalho devem ser levados a sério. Por quê?

Talis Andrade

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por Valerio Arcary

Versão em espanhol

 

 

Na hora mais escura da noite, mais intenso será o brilho das estrelas no céu.
Sabedoria popular persa

A hora mais escura do dia é a que vem antes do sol nascer.
Sabedoria popular árabe

 

A convocação de Olavo de Carvalho a Bolsonaro para assumir plenos poderes, se apoiando nas Forças Armadas e na mobilização de sua base social, depois ecoada nas redes bolsonaristas como um chamado a um novo AI-5, não deve ser subestimada. Trata-se de um escândalo.

Revela que o bolsonarismo tem como estratégia a subversão do regime político. Um governo de extrema-direita com projeto bonapartista é contraditório com um regime político eleitoral. Não é, necessariamente, incompatível, mas é antagônico.

Há sempre uma dimensão de blefe, ou seja, de ameaça retórica, neste tipo de agitação provocativa, mas é também uma sinalização de que não têm limites, não têm pudores, não têm escrúpulos.

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O AI-5 em dezembro de 1968 foi avaliado, corretamente, como um golpe dentro do golpe. Assim como o golpe de Estado de 1964, o golpe do AI-5 respondia, outra vez, à percepção da cúpula das Forças Armadas de que existiria o perigo de abertura de uma situação pré-revolucionária a partir da onda de ascenso do movimento estudantil, na sequência da passeata dos cem mil no Rio de Janeiro, e de uma onda de levantes operários, depois das greves de Osasco e Contagem. A ditadura militar tinha fobia de estudantes e de operários, e se assustava com a fermentação cultural que não parava de crescer.

Uma combinação de pelo menos três fatores pode explicar estas declarações absurdas. A primeira é a crise da fração bolsonarista com o PSL. As investigações sobre as movimentações financeiras do PSL e a divisão do controle da legenda de aluguel com Luciano Bivar deixam o bolsonarismo inseguro sobre seu futuro. A entrada no PSL foi uma improvisação eleitoral, e agora o bolsonarismo se sente desconfortável. O PSL se tornou um problema. Uma corrente neofascista precisa de um partido para 2020 em que tenha controle absoluto, e terão que encontrá-lo trocando a roda com o carro em movimento. A substituição do líder do PSL Delegado Waldir por Eduardo Bolsonaro é uma iniciativa nessa direção.

Em segundo lugar, o bolsonarismo quer responder às iniciativas que virão do STF (Supremo Tribunal Federal). Não somente quanto ao destino da votação sobre a prisão em segunda e terceira instâncias, ou somente após o trânsito final pelo STF, mas também quanto à votação do pedido de Habeas Corpus apresentado pela defesa de Lula, sustentado na suspeição de Moro. A sinalização é de que o bolsonarismo está disposto a ir às ruas, e se dirige abertamente aos generais, se a liberdade de Lula for conquistada.

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A sinalização é de que o bolsonarismo está disposto a ir às ruas, e se dirige abertamente aos generais, se a liberdade de Lula for conquistada

 

Um terceiro fator a ser considerado é o desgaste lento, porém, crescente, do governo diante da burguesia e da classe média, mesmo estando muito seguros da aprovação da reforma da Previdência no Senado semana que vem. A economia brasileira anda de lado há três anos, depois do mergulho de 2015/16 que sacrificou mais de 7% da capacidade produtiva instalada. Os mais otimistas adiam para 2024 a retomada do patamar de 2014. Uma década perdida.

A rigor, não parece haver perigo real e imediato de uma tentativa de autogolpe ou insurreição militar no Brasil. Nenhuma fração importante da burguesia está hoje considerando um projeto de quartelada para impor um regime bonapartista para garantir os ajustes econômico-sociais necessários ao reposicionamento do Brasil no mercado mundial.

Tentar prever o que poderá acontecer é impossível, porque o volume de variáveis a serem consideradas é inalcançável. Não podemos lutar contra perigos imaginários. Devemos nos concentrar na luta contra os perigos imediatos. Agitar, portanto, a iminência do perigo de um autogolpe seria alarmismo. Alarmismo só serve para disseminar medo, insegurança, pânico e, finalmente, desmoralização. Não há perigo iminente de golpe. Isso se explica, essencialmente, porque não há perigo de revolução. Um golpe, por enquanto, não é necessário.

A ausência de um amplo e radicalizado movimento de resistência da classe trabalhadora e de seus aliados que ameace a dominação da burguesia faz com que as grandes empresas e bancos não apoiem uma intervenção militar.

Entretanto, diminuir o perigo que o governo Bolsonaro representa para as liberdades democráticas seria miopia política grave. A radicalização neofascista da retórica do bolsonarismo não deve ser ignorada. Só a mobilização de massas da classe trabalhadora e da juventude tem a força social capaz de derrotá-lo.

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30
Ago19

Brasil vive um clima de pré-nazismo enquanto a oposição emudece

Talis Andrade

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O silêncio dos que deveriam defender a democracia pode acabar deixando o caminho aberto aos autoritários Moro, Witzel, Doria, que se sentem ainda mais fortes diante de tais silêncios

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O Brasil está vivendo, segundo analistas nacionais e internacionais, um clima político de pré-nazismo, enquanto a oposição progressista e democrática brasileira parece muda. Somente nos últimos 30 dias, de acordo com reportagem do jornal O Globo, o presidente Jair Bolsonaro proferiu 58 insultos dirigidos a 55 alvos diferentes da sociedade, dos políticos e partidos, das instituições, da imprensa e da cultura.

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E à oposição ensimesmada, que pensa que o melhor é deixar que o presidente extremista se desgaste por si mesmo, ele acaba de lhes responder que “quem manda no Brasil” é ele e, mais do que se desfazer, cresce cada dia mais e nem os militares parecem capazes de parar seus desacatos às instituições.

Há quem acredite que o Brasil vive um clima de pré-fascismo, mas os historiadores dos movimentos autoritários preferem analisá-lo à luz do nazismo de Hitler. Lembram que o fascismo se apresentou no começo como um movimento para modernizar uma Itália empobrecida e fechada ao mundo. De modo que uma figura como Marinetti, autor do movimento futurista, acabou se transformando em um fervoroso seguidor de Mussolini que terminou por arrastar seu país à guerra.

nazismo foi outra coisa. Foi um movimento de purga para tornar a Alemanha uma raça pura. Assim sobraram todos os diferentes, estrangeiros e indesejados, começando pelos judeus e os portadores de defeitos físicos que prejudicavam a raça. De modo que o nazismo se associa ao lúgubre vocábulo “deportação”, que evoca os trens do horror de homens, mulheres e crianças amontoados como animais a caminho dos campos de extermínio.

Talvez a lúgubre recordação de minha visita em junho de 1979 ao campo de concentração de Auschwitz com o papa João Paulo II tenha me feito ler com terror a palavra “deportação” usada em um decreto do ministro da Justiça de Bolsonaro, o ex-juiz Sérgio Moro, em que ele defenda que sejam “deportados” do Brasil os estrangeiros considerados perigosos.

 

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Bolsonaro, em seus poucos meses de Governo, já deixou claro que em sua política de extrema direita, autoritária e com contornos nazistas, cabem somente os que se submetem às suas ordens. Todos os outros atrapalham. Para ele, por exemplo, todos os tachados de esquerda seriam os novos judeus que deveriam ser exterminados, começando por retirá-los dos postos que ocupam na administração pública. Seu guru intelectual, Olavo de Carvalho, chegou a dizer que durante a ditadura 30.000 comunistas deveriam ter sido mortos e o presidente não teve uma palavra de repulsa. Ele mesmo já disse durante a campanha eleitoral que com ele as pessoas de esquerda deveriam se exilar ou acabariam na cadeia.

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Inimigo dos defensores dos direitos humanos, dos quais o governador do Rio, Witzel, no mais puro espírito bolsonarista, chegou a afirmar que são os culpados pelas mortes violentas nas favelas, Bolsonaro mal suporta os diferentes como os indígenas, os homossexuais, os pacíficos que ousam lhe criticar. Odeia todos aqueles que não pensam como ele e, ao estilo dos melhores ditadores, é inimigo declarado da imprensa e da informação livre.

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Sem dúvida, o Presidente tem o direito de dizer que foi escolhido nas urnas com 53% dos votos, que significaram 57 milhões de eleitores. Nesse sentido o problema não é seu. Os que votaram nele sabiam o que pensava, ainda que talvez considerassem seus desatinos de campanha como inócuos e puramente eleitoreiros. O problema, agora que se sabe a que ele veio, e que se permite insultar impunemente gregos e troianos começando pelas instituições bases da democracia, mais do que seu, é da oposição.

Essa oposição, que está muda e parece impotente e distraída, demonstra esquecer a lição da história. Em todos os movimentos autoritários do passado moderno, os grandes sacerdotes da violência começaram sendo vistos como algo inócuo. Como simples fanfarrões que ficariam somente nas palavras. Não foi assim e diante da indiferença, quando não da cumplicidade da oposição, acabaram criando holocaustos e milhões de mortos, de uma e outra vertente ideológica.

Somente os valores democráticos, a liberdade de expressão, o respeito às minorias e aos diferentes, principalmente dos mais frágeis, sempre salvaram o mundo das novas barbáries. De modo que o silêncio dos que deveriam defender a democracia pode acabar deixando o caminho aberto aos autoritários, que se sentem ainda mais fortes diante de tais silêncios.

Nunca existiram democracias sólidas, capazes de fazer frente aos arroubos autoritários, sem uma oposição igualmente séria e forte, que detenha na raiz as tentações autoritárias. Há países nos quais assim que se cria um governo oficial, imediatamente a oposição cria um governo fictício paralelo, com os mesmos ministros, encarregados de vigiar e controlar que os novos governantes sejam fieis ao que prometeram em suas campanhas e, principalmente, que não se desviem dos valores democráticos. Sem oposição, até os melhores governos acabarão prevaricando. E o grande erro das oposições, como vimos outras vezes também no Brasil, foi esperar que um presidente que começa a prevaricar e se corromper se enfraqueça sozinho. Ocorrerá o contrário. Crescerá em seu autoritarismo e quando a oposição adormecida perceber, estará derrotada e encurralada.

Nunca em muitos anos a imagem do Brasil no mundo esteve tão deteriorada e causando tantas preocupações como com essa presidência de extrema direita que parece um vendaval que está levando pelos ares as melhores essências de um povo que sempre foi amado e respeitado fora de suas fronteiras. Hoje no exterior não existe somente apreensão sobre o destino desse continente brasileiro, há também um medo real de que possa entrar em um túnel antidemocrático e de caça às bruxas que pode condicionar gravemente seu futuro. E já se fala de possíveis sanções ao Brasil por parte da Europa, em relação ao anunciado ataque ao santuário da Amazônia.

O Brasil foi forjado e misturado com o sangue de meio mundo que o fizeram mais rico e livre. Querer ressuscitar das tumbas as essências de morte do nazismo e fascismo, com a vã tentativa da busca da essência e pureza da brasilidade é uma tarefa inútil. Seria a busca de uma pureza que jamais poderá existir em um país tão rico em sua multiplicidade étnica, cultural e religiosa. Seria, além de uma quimera, um crime.

Urge que a oposição democrática e progressista brasileira desperte para colocar um freio nessa loucura que estamos vivendo e que os psicanalistas confirmam que está criando tantas vítimas de depressão ao sentirem-se esmagadas por um clima de medo e de quebra de valores que a nova força política realiza impunemente. Que a oposição se enrole em suas pequenezas partidárias e lute para ver quem vai liderar a oposição em um momento tão grave, além de mesquinho e perigoso é pueril e provinciano.

Há momentos na história de um país em que se os que deveriam defender os princípios da liberdade e da igualdade cruzam os braços diante da chegada da tirania, incapazes até de denunciá-la, amanhã pode ser tarde demais. E então de nada servirá chorar diante dos túmulos dos inocentes.

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21
Ago19

De oris et anus

Talis Andrade

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por Adilson Roberto Gonçalves

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A mídia insiste ainda em se esquecer que houve um governo Temer antes do de Bolsonaro, e não do PT. E também apagou de sua memória os fortes indícios de fraude eleitoral em 2018, à luz do que Moro e Dallagnol articularam para forçar a prisão de Lula, impedir sua candidatura e fazer vazamentos ilegais para minar a chapa Haddad-Manuela.

‘Fazer um presidente’ ou ‘formação do bolo presidencial’ são as novas e necessárias conotações escatológicas do final da atividade digestiva, face à incontrolável e inexpressiva verborragia do ocupante do correspondente cargo em Brasília. Essa combinação escatológica e violenta do mandatário da nação produz diálogos como este: Presidente, o que fezes? Presídio um país, responde. Para um povo alvo? Não, tiro o alvo, conclui.

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A leitura da mídia impressa deste mês dá a dimensão do quanto de pornografia oficial se transformou em política de governo.

Alguns colunistas clamam para que Bolsonaro fale mais, refletindo a descrição do insano instalado na presidência do País. Nesse aspecto, foi emblemático que o editorial do Estadão de 4/8 (“Falta de civilidade”) e o artigo de Fernando Henrique Cardoso (“Falta fazer”), na mesma edição, tenham títulos iniciados pela mesma palavra. Ao governo de Jair Bolsonaro falta o principal: governar. Em sete meses no poder, não lançou um projeto ou realizou um feito próprio, pois até a reforma da Previdência virou protagonismo da Câmara dos Deputados e não do Executivo. Tudo o que foi feito até aqui teve como princípio a desconstrução do que havia sido feito antes: educação, meio ambiente, ciência e tecnologia, políticas sociais e saúde. Nada foi criado ou desenvolvido. Sem qualquer aptidão para a função, é hora de liberar a moita, abusando da escatologia oficial. O pior é que ainda há um terço da população que apoia essa verborragia tresloucada.

Outros colunistas, como Hélio Schwartsman da Folha de S. Paulo, defendem que haja um “cardápio filosófico” com escolhas para a conduta das relações sociais. Porém, tais supostas opções contrastam com a aprovação desse sistema redistributivo às avessas, que tira a aposentadoria do pobre para sustentar sonegadores da previdência, banqueiros e herdeiros de grandes fortunas.

A mídia insiste ainda em se esquecer que houve um governo Temer antes do de Bolsonaro, e não do PT. E também apagou de sua memória os fortes indícios de fraude eleitoral em 2018, à luz do que Moro e Dallagnol articularam para forçar a prisão de Lula, impedir sua candidatura e fazer vazamentos ilegais para minar a chapa Haddad-Manuela. Mas o importante é o falso verniz de que a imprensa “tem na crítica a governantes sua razão de existir”.

Em contraponto, serenidade é o mote do texto que Guilherme Boulos publicou na Folha de S. Paulo, ainda que avoque a necessidade de uma esquerda protagonista e ativista ("A renovação da esquerda", 8/8). Uma nova dimensão do que são as pautas e ações progressistas precisa ser estabelecida, num mundo em que a má prática está superando a boa teoria. Fomos intolerantes por muito tempo com a ignorância e colhemos agora seus nefastos frutos.

 

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19
Ago19

Bolsonaro, Doria e Witzel: brucutus no poder

Talis Andrade

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Por Fernando Brito

O Globo publica hoje uma “coletânea” dos desaforos, agressões e xingamentos presidenciais. É obra alentada, mas não importa o grau da baixaria, nada mais surpreende no ex-capitão, exceto o fato de temo-lo na Presidência da República.

Grosseiro, primário, preconceituoso, simplista, incompetente, autoritário, nepotista, desumano, insensível, sabujo, seriam necessárias páginas para listar defeitos e deformações da figura presidencial. O fato é que estas “qualidades” sempre foram as dele e, portanto, seu poder não se construiu sozinho.

Discute-se muito como pode Jair Bolsonaro arrebanhar tamanho núcleo de fanáticos e , a partir dele, desfechar seu bem-sucedido assalto ao poder.

Fala-se, com razão, nas decepções com o petismo, nos anos de crise econômica, nas manipulações judiciais abjetas conduzidas contra Lula.

Sim, isso explica a existência dos “minions”, dos fanáticos incondicionais, da seita bruta e burra disposta a tudo pelo “Mito”.

Mas isto é pouco e penso que, com a sensibilidade aguda dos artistas, o chargista Renato Aroeira nos dá resposta mais completa no desenho que publica hoje e que reproduzo acima.

O fenômeno Bolsonaro, em muito, se explica quando se percebem seus companheiros de troglodismo estúpido na política, como Wilson Witzel e João Doria.

Representam, cada um a seu modo – ou à sua falta de modos – os três grupos que exponenciaram sua vileza e passaram a conduzira a vida brasileira.

Bolsonaro é uma fusão do militarismo tosco, do policialismo, dos recalques e rancores de parte de uma classe média baixa, que precisa atribuir a alguém a sua incapacidade de ascensão e escolhe o inimigos os que lhe dita o ‘senso comum”: os pobres, os negros, os nordestinos, os políticos, os governantes, todos eles reunidos sob os anátemas de “bandidos”, indolentes ou corruptos. Quando não os enquadram assim, vão todos para uma categoria vaga de anticristãos: os comunistas, os gays, os drogados…

É gente que trata como heresia qualquer dissensão sobre as suas verdades absolutas e prontas, que ejetam em frases conclusivas com as quais se protegem de qualquer indagação ou tentativa de argumentação: raciocinar é o mesmo que conceder à dúvidas e dúvida um pecado a ser permanentemente exorcizado.

Doria é o retrato da pobreza cultural que se grassa entre a elite rica no Brasil. Onde o cardigã substitui a inteligência, o ganhar dinheiro preenche qualquer necessidade de saber, onde Miami tomou o lugar dos museus de Paris mas, ao contrário das oligarquias que prevaleceram nos dois primeiros terços do século passado, não há mais qualquer simpatia pela construção de uma cultura brasileira através da literatura, das ciências sociais, das artes. Basta-lhes a construção de “celebridades”.

Como estofo, basta-lhe o brilho dos salões e tudo rescende a transitoriedade: seus negócios são rápidos, engordado por “tacadas”, aplicações, investimentos que, ao contrário dos dos velhos capitães de indústria, não guardam mais relação entre dono e propriedade: são executivos, já não vivem de produzir nem mesmo como donos.

Por último, Witzel encarna o troglodismo estatal: o dos juízes, dos procuradores, o das “autoridades” que transformaram – e ainda estão transformando – o Estado brasileiro numa máquina de repressão e de repressão, onde as razões absolutas de “combate ao crime” justifica e coleta apoio às maiores brutalidades contra os pobres.

São os ferozes condutores das matilhas policiais e usam da ferocidade para esconder a ignorância, a incapacidade de serem, como deveriam, ser condutores da civilização, do progresso, da felicidade social. Uma dezena de negros mortos numa viela passa a ser mais importante, como ato de governo, que mil crianças em boas escolas, que mil pacientes bem atendidos na rede pública, que mil famílias terem uma casa digna, pois a missão essencial do estado e o sorvedouro de seus recursos é, e deve ser, a miragem da segurança pública, como se a selva pudesse ser um lugar seguro.

Os três se apresentam como candidatos a 2022, para que o Brasil continue “avançando” para a pré-história.

Na nossa capacidade de reunir humanidade e lucidez é que reside a chance de terem sido um acidente e não uma fatalidade.

 

17
Ago19

Bolsonero e São Sergius Morus unidos na destruição de órgãos de Estado

Talis Andrade

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O imperador "Bolsonero" no traço do cartunista Nani, publicado na página do artista: nanihumor.com

 

por Reinaldo Azevedo

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E aí? Morominions e bolsominions estão satisfeitos? E os nefelibatas que julgavam possível uma convivência civilizada com Jair Bolsonaro, na suposição de que ele se deixaria moldar pelas instituições? E os idiotas que viam em Sergio Moro a chance de haver um xerife incorruptível no comando do Ministério da Justiça e da Segurança Pública?

Em oito meses, o que se tem é desordem, entropia e desfiguração de organismos de Estado em benefício dos interesses pessoais da dupla — que, para surpresa só dos desinformados, estão em choque.

Moro pôs o aparelho do Estado para caçar hackers, num esforço desesperado para tentar abafar as revelações devastadoras feitas pelo site The Intercept Brasil. Contou com o apoio do grupo de comunicação mais poderoso do país, o que só ampliou a dimensão do ridículo. Inútil. Bolsonaro, por sua vez, se move para ter o controle da Polícia Federal no Rio na esperança de blindar, no que lhe for possível, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o filho que era chefe do desaparecido Fabrício Queiroz.

Fala-se aqui de desastre institucional.

Bolsonaro meteu a mão grande na Polícia Federal. Antecipou a saída do superintendente do Rio, Ricardo Saadi; atacou o desempenho profissional do delegado — o que foi refutado em nota oficial pela direção da PF —; recusou o nome de Carlos Henrique Oliveira, escolhido pela direção-geral para o lugar de Saadi, e tentou impor o de Alexandre Silva Saraiva.

Valentão como de hábito, bateu no peito:
"Quem manda sou eu, vou deixar bem claro. Eu dou liberdade para os ministros todos, mas quem manda sou eu".
Achando que truculência pouca é bobagem, emendou:
"Quando vão nomear alguém, falam comigo. Eu tenho poder de veto, ou vou ser um presidente banana agora? Tenho que saber o que está acontecendo, ainda mais no meu estado".

A fala resume tudo. Sob Bolsonaro, a PF deixa de ser uma polícia do Estado e passa a ser uma polícia do governo. Nunca se viu nada nem remotamente parecido desde a redemocratização. A partir de agora, todos os brasileiros têm o direito de desconfiar da independência do órgão e motivos para supor que, sob certas circunstâncias, ele pode servir como aparato repressivo do mandatário.

Tudo indica que, na raiz do descontentamento, está o caso Fabrício Queiroz. Ainda que a investigação esteja a cargo do Ministério Público, diligências podem e devem ser feitas pela PF. E, como vimos, o presidente julga ter o direito "de saber o que está acontecendo no seu Estado". Pois é… No que concerne às investigações conduzidas pela PF, ele não tem.

E Moro? Assiste calado a esse espetáculo grotesco, agarrado ao cargo, buscando salvar o próprio pescoço.

A Polícia Federal é subordinada, do ponto de vista administrativo, ao Ministério da Justiça. Com o caos instaurado na PF, o ministro preferiu dedicar seu tempo à mobilização de prepostos e aliados, inclusive na imprensa, para malhar o projeto, já aprovado por Senado e Câmara, que muda a lei que pune abuso de autoridade.

Como se nota, o Brasil é um país imune a abusos, não é mesmo?

Vale dizer: enquanto o ministro da Justiça tenta detonar um texto que impede políticos, procuradores, juízes, delegados e outras autoridades de se comportar como tiranos nas instâncias do Estado sob o seu comando ou influência, Bolsonero, o imperador, destrói a independência da PF, que foi se consolidando desde o fim da ditadura — fim com o qual Bolsonero jamais se conformou, é bom que nos lembremos. Sua reverência a Brilhante Ustra evidencia que tinha apreço pelos porões do regime, não por seu legalismo, ainda que autoritário.

Mas nem tudo se resume a esse espetáculo de truculência. Bolsonaro também tem seu lado lírico: quando faz digressões sobre excrementos.

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15
Ago19

Bolsonaro não tira o cocô da boca. Gostou da nova categoria política

Talis Andrade

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247 - O jornalista Reinaldo Azevedo, colunista de direita, bateu duro em Jair Bolsonaro, após uma declaração grotesca dele em Parnaíba (PI), onde afirmou que vai acabar com o "cocô" no Brasil, em referência a comunistas.

"Que tipo de político no mundo associa adversários a excrementos e anuncia que pretende exterminá-los? Agora ele não tira mais o cocô da boca. Gostou dessa nova categoria política", escreveu o jornalista em seu blog.

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Azevedo também lembrou que Bolsonaro foi ao município para inaugurar uma escola militar do SESC, que ainda não está pronta, que pode levar o seu nome.

"O batismo acabou numa ação judicial porque a lei proíbe que se dê nome de pessoas vivas a empreendimentos públicos. O argumento dos que defendem a iniciativa é que o SESC pertence à iniciativa privada. Ocorre que o terreno pertencia ao município", destacou o jornalista. 

"Para tentar legalizar a homenagem, a Câmara Municipal doou o terreno ao SESC em sessão relâmpago. Mas a questão continua sub judice".

 

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12
Ago19

Bolsonaro dá a solução para salvar o meio ambiente: o seu cocô

Talis Andrade

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A fala de Jair Bolsonaro (PSL) sugerindo, em entrevista a um repórter, que ele fizesse cocô dia sim, dia não para ajudar a diminuir a poluição no planeta está dando o que falar nas redes sociais.

“É só você deixar de comer menos um pouquinho. Você fala para mim em poluição ambiental. É só você fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também.”, disse ao jornalista.

 

Assim que a declaração veio à tona, os internautas usaram seus perfis no Twitter para debochar da solução do presidente da república.

 

“Se o Bolsonaro prometer cumprir a sua ‘ideia’ de cocô dia sim, dia não, acho uma ótima medida. Vocês já imaginaram ficarmos 24hs sem as merdas que ele faz?”, disse uma seguidora. “A proposta do Bolsonaro para preservar o meio ambiente: ‘Fazer cocô um dia sim, um dia não.’ Então fecha a boca, Bolsonaro”, sugeriu outro.

Na sequência de sua fala gastrointestinal, Bolsonaro defendeu o planejamento familiar como forma de controlar o crescimento populacional.

 

“O mundo, quando eu falei que cresce mais de 70 milhões por ano, precisa de uma política de planejamento familiar. Você olha as pessoas que têm mais cultura têm menos filhos. Eu sou uma exceção à regra, tenho cinco. Mas como regra, é isso”, declarou.

 
William De Lucca@delucca
 

Repórter - É possível crescer com preservação?
Bolsonaro - É logico que sim.
Repórter - Como?
Bolsonaro - Só você deixar de comer um pouquinho e fazer cocô dia sim, dia não, que melhora nossa vida também.

Vídeo incorporado

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11
Ago19

Bolsonaro sugere 'fazer cocô dia sim, dia não' para reduzir poluição ambiental

Talis Andrade

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O presidente Jair Bolsonaro surpreendeu um grupo de repórteres nesta sexta-feira (9) ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de haver desenvolvimento com preservação ambiental.

Ele disse que, quando se fala em poluição ambiental, "é só você fazer cocô dia sim, dia não que melhora bastante a nossa vida".

Bolsonaro deu a declaração ao conceder uma entrevista para repórteres que o aguardavam na entrada do Palácio da Alvorada, residência oficial, no momento em que se dirigia a uma cerimônia no Clube do Exército.

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Durante a entrevista, o presidente foi questionado se é possível o país preservar o meio ambiente e se desenvolver economicamente.

 

  • "Presidente, é possível crescer com preservação?", indagou um jornalista.
  • "Sim, é lógico que sim", respondeu o presidente.
  • O jornalista, então, pergunta: "Como? Se tem que alimentar e..."
  • Antes de a pergunta ser concluída, Bolsonaro afirma: "É só você deixar de comer menos um pouquinho. Quando se fala em poluição ambiental, é só você fazer cocô dia sim, dia não que melhora bastante a nossa vida também, está certo?".

 

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11
Ago19

A escatologia no poder

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Você pensava que Jair Bolsonario ia parar no primeiro degrau da escatologia com a história do “golden shower”?

Não, ele passou, como dizia a minha avô aos netinhos pequenos, do “Número 1” para o “Número 2”, sugerindo ao repórter que o entrevistava que “fazer cocô dia sim, dia não” é uma forma de preservar o meio-ambiente.

— É só você deixar de comer menos um pouquinho. Você fala para mim em poluição ambiental. É só você fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também.

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Além de um idiota, um porco.

Como não dá para falar sério de um sujeito assim, eu peço licença a Reinaldo Azevedo para roubar o bordão “Momento Cultural” de seu programa de rádio.

É que escatologia tem dois sentidos, o mais conhecido deles o de estudo sobre as fezes, as quais, segundo Bolsonaro, devem ser racionadas para a salvação da Terra, que vem do grego skór, pelo genitivo skatós.

Mas também é escatologia, com outra origem grega (éskhatos, éskhaton, extremo, finala especulação , em geral mística-teológica, do que se passaria ao chegar-se ao “fim do mundo”, à extinção da vida.

E não é o fim do mundo um presidente da República dedicar-se à asneiras deste tipo? Até desperta dúvidas se os competentes médicos que o atenderam religaram corretamente os intestinos.

Pode ser que em algo ele tenha razão: se o presidente falasse apenas dia sim, dia não, melhoraria “bastante a nossa vida também”.

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A arte de cheirar dedo. A arte de cheirar cus

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