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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

07
Ago23

A "sentada" na música brasileira e seus impasses políticos

Talis Andrade

sentada.png

 

por GG Albuquerque | Imagem: Vitor Fugita

“O que que faz na quarentena?”, nos pergunta Adriana Calcanhotto, com voz séria e monocórdica fazendo passinhos robóticos sobre uma batida funk de Dennis DJ. Na sala branca da sua casa, iluminada por luzes coloridas piscantes e com uma bandeira do Brasil estendida ao fundo, ela encara a câmera fixamente com seus olhos azuis arregalados. E responde à própria pergunta:

 

Senta/

Senta/

Senta/ Senta/

[...] Senta a bunda/ 

Senta a bunda/

Senta a bunda/

[...] Senta a bunda e estuda/

Senta a bunda e estuda/

[...] Senta a bunda e lê, lê/

Senta a bunda e vai à luta.

 

“Para Adriana, o ato de sentar pode transformar o país”, escreve Igor de Albuquerque ao analisar, em Modos de sentar — texto vencedor do concurso de ensaísmo da revista Serrote —, a deserotização da sentada proposta pela cantora. Mas, afinal, por que deserotizar nossas demandas políticas? Por que o estudo e a luta estariam dissociados da energia erótica?

No clipe de Parabéns piranha (tu agora tá formada), Tati Quebra Barraco é uma professora que incentiva a quebra de uma placa de “proibido dançar” instalada numa universidade. Assim, Tati segue um caminho contrário ao tom imperativo de Calcanhotto e nos encaminha a um conhecimento que é avivado pelas capacidades da sentada. Em vez de castração, a luta política torna-se desejante e a revolução tem o calor do erótico como seu principal catalisador:

 

Parabéns, piranha, tu agora tá formada/

Continua estudando mas não esquece da sentada/ [...]                 

Piranha formada com diploma na mão/

Piranhas doutoradas farão revolução.

 

“Nós, professoras e professores, raramente falamos do prazer de eros ou do erótico em nossas salas de aula”, escreveu bell hooks. Como uma colega de sala da funkeira carioca da Cidade de Deus, a norte-americana faz uma análise (auto)crítica do eros e erotismo no processo pedagógico. “Treinadas no contexto filosófico do dualismo metafísico ocidental, muitas de nós aceitamos a noção de que há uma separação entre o corpo e a mente. Ao acreditar nisso, os professores entram na sala de aula para ensinar como se apenas a mente estivesse presente, e não o corpo. Chamar atenção para o corpo é trair o legado de repressão e de negação que nos tem sido passado por nossos antecessores na profissão docente, os quais têm sido, geralmente, brancos e homens. Mas nossos antecessores docentes não brancos se mostraram igualmente ansiosos por negar o corpo. As faculdades predominantemente negras sempre foram um bastião da repressão. O mundo público da aprendizagem institucional é um lugar onde o corpo tem de ser anulado, tem que passar despercebido”.[nota1]

O que hooks e Quebra Barraco nos mostram é que, mais do que um discurso moralista qualquer, a persistência em admoestar o rebolado funk, educar para transformá-lo na “bunda lê lê” que vai à luta por uma suposta pátria nacional revela uma atualização da tentativa de controle biopolítico do corpo negro. Enjaular os movimentos e os passinhos escuros, enquanto Nego do Borel e o DJ Rennan da Penha faziam o Baile da Gaiola, no Rio de Janeiro, cantar, todos os fins de semana: Me solta, porra.

 

Pode chegar, pode chegar/

Que a festa vai começar/

Sabe aonde você tá?/

Naquele lugar que tu ouviu falar/

Aonde tu senta, aonde tu sobe, aonde tu desce, aonde tu rebola/

Sabe aonde você tá?/

É no Baile da Gaiola/

Aaaaai, me solta, porra!//

Deixa eu dançar, deixa eu dançar, deixa eu dançar [...]/           

Aaaaai, me solta, porra!

 

Do funk ao pagodão, passando pelo trap e brega funk, as musicalidades periféricas do Brasil consolidaram um novo imaginário popular sobre a sentada, que efetivamente passou do ato de repousar as nádegas para o movimento sexual. Mas o erotismo que orbita o sentar — bem como sua associação íntima com a mulher negra — está longe de ser novo.

No conto A cadeirinha (1898), o mineiro Afonso Arinos fantasia sobre as sentadas recebidas por uma “cadeirinha azul, forrada de damasco cor de ouro velho”. O escritor excita-se imaginando “as cadeirinhas conduzidas por lacaios de libré, onde as moçoilas e as damas de outrora se faziam delicadamente transportar”. Mas o seu tesão é cortado instantaneamente quando a imaginação o tira das imagens das sinhás carregadas pelos escravizados e o lembra das pretas que “profanaram” o assento: “Alguma mulata velha e alentada, apreciadora da mecha ou do rolão, a refocilar-se na cadeirinha, espalhando a toucinheira das nádegas num dos assentos fronteiriços”.

A racialização da sexualidade e a sexualização do racial foram dispositivos constituintes da colonialidade e do mundo conceitual branco. E se por um lado as culturas musicais negro-periféricas envolvem imaginários e arquétipos sexuais do racismo, o sentido mais profundo desse vocabulário da putaria não está exatamente nos arquétipos, mas sim nos usos criativos que se faz deles. É comum ver, por exemplo, a sexualização do corpo negro ser positivada como poder racializado: “Elas gostam do preto porque o preto faz direito”, gaba-se o baiano O Poeta. “Tu se amarra na pretinha”, canta confiante a MC Rebecca. E onde L7nnon passa, escuta os gemidos de “ai, preto”. Para Osmundo Pinho, existe nas periferias um vínculo entre o antirracismo e a objetificação que dá as condições de uma versão vernácula do antirracismo. A sexualidade e o erótico tornam-se canais de expressão poéticos de um poder que irradia para além do sexual.

“Essa porra aqui/ Não é Tiktok/ Isso é baile funk/ Senta senta e fode fode” — a voz rasgada dos MCs Xangai e Bicho Solto estabelecem uma demarcação: em oposição à lógica algorítmica e dos modelos estabelecidos repetitivamente pelas trends em nossas linhas do tempo, o baile funk é o ambiente — físico e símbolo — de liberação. É deixar as correntes elétricas do desejo passarem embrazadas pelo corpo inteiro.

Então vem MC Naninha e anuncia: “Me separei, porra! Tô solteira agora! Aqui no baile de favela eu vou sentar na tua piroca!”. Mais que um hino de boas-vindas à farra e devassidão da solteirice, Naninha parece cantar de uma forma que faz da sua sentada uma arma. Uma arma sua — e só sua. A vibração de suas cordas vocais ao soltar o grito rouco do refrão encarna um tesão vigoroso, autoafirmativo e autocentrado que é capaz de concretizar o impensável. O seu rugido faz tremer também a nós, que sentimos sua voz perfurante. A MC Mari também alimenta a sentada como um dispositivo particular de sua própria força: “Você vai levar uma sentada!”, canta ela com voz gutural em um beat que soa como uma cascata de socos. Em ambos os casos, o tom envolvente e lúdico da sedução funkeira passa longe. Suas vozes parecem tirar da garganta uma força ardente e desconhecida, ainda sem nome, que é movida apenas por uma autodeterminação e uma vontade de colocá-la para fora. Acima de tudo, um poder que está contido nelas.

Em É por isso que sofre, Tati Quebra Barraco — ela de novo, a mamãe da putaria — retorna e aconselha: “Homem é para sentar/ vocês, vocês querem amar”. Os versos lembram outros hits recentes: Não pode se apaixonar e Sentada desapegada. Na primeira, a MC Danny alerta a Xand Avião: “A Danny senta com carinho/ só não pode se apaixonar”. Na segunda, Felipe Amorim e Nattan, dois expoentes do novo forró e piseiro, puxam os versos: “Eu me apaixonei pela mulher certa/ Que gosta da putaria, que gosta do que não presta/ A sociedade tá mal acostumada/ Tem mulher que quer amor, mas a minha só quer botada”. Entra, então, MC Mari, enfatizando sílaba por sílaba: “É só sentada sem amor sentada que não vale nada/ Sen-ta-da de-sa-pe-ga-da”.

Apesar de rondar o mesmo imaginário, as músicas possuem nuances diferentes. Enquanto Danny, Nattan, Felipe e Mari celebram o desapego em si, dentro de um prazer festivo, a música de Tati parece acionar outras coisas mais. Em Sentada desapegada, o sentar fala da/constitui a mulher — é ela que “gosta do que não presta” e que “só quer botada”. Em Por isso que sofre, ao contrário, a sentada é a ferramenta que transforma o homem no objeto — invertendo o que eles mesmos, em muitas outras músicas, gabam-se de ter feito com as mulheres. No filme Suzume (2022), do diretor Makoto Shinkai, uma maldição transforma o mocinho em uma cadeira (sugestivamente, uma cadeira três pernas). Na música de Tati, os caras são propositalmente transformados em cadeiras. Homem é pra sentar.

Em Sentadona, Davi Kneip, MC Frog e o DJ Gabriel do Borel versam sobre aquela que, eles supõem, é a mulher antítese da sentada desapegada. E portanto, aquela que eles (acreditam) que será iludida pelos seus dotes e sua malandragem:

 

Diz que o coração é gelado/

E que nunca emocionou/

Mas todos que ela senta essa mina apaixonou/ 

Quer dar golpe em bandido, logo eu experiente/

Em menos de duas semanas ela se iludiu com a gente.

 

Luísa Sonza interrompe a conversa contando uma outra versão da história em sentaDONA (Remix) s2, feita em parceria com os meninos — “Não fica preocupado se chamei de namorado/ É que contando com você eu acho que tenho mais uns vinte”:

 

Onde eu quico/

Onde eu sento/

Eles me pedem em casamento/

Coração da mãe é grande, eu não tô perdendo tempo//

Sentadona, sentadona, sen-ta-do-na/

Fala que é sem sentimento/

Mas quando eu sento apaixona.

 

Na voz de Luísa, a sentada serve de contranarrativa ao discurso masculino de dominação (pelo afeto) e superioridade (pela ausência dele, o “coração de gelo”). Invertendo a perspectiva, ela nos coloca no seu ponto de vista para exaltar aquela força rascante que arde nas vozes de MC Naninha e MC Mari, destacando os poderes que estão dentro de si. É uma intenção que parece escapar dos modos de sentar de Pipoco, o funknejo de Ana Castela com Melody e DJ Chris no Beat:

 

Nós tá embaçada/

Na galopada/

Nem oito segundo’/

O peão não aguenta com essa sentada [...]/

Meu beijo vai te viciar/

Minha pegada vai fazer você gamar/

Debaixo do meu chapéu não vai mais sair/

Eu sou o combo perfeito pra iludir.

 

Enquanto Luísa Sonza aborda uma espécie de soberania de si e consciência independente (como enfatiza com o “DONA” em caixa alta no título da música), para Ana Castela e Melody a sentada aparenta ser direcionada, sobretudo, ao homem e à conquista dele. É mais um recurso para seduzir e laçar o peão do que a celebração de suas próprias potencialidades. O poder erótico afasta-se de sua potência de autoconexão, do gozo que se sabe capaz de sentir (como descreveu Audre Lorde) e é reificado enquanto artifício para viciar e fazer gamar o peão, mantido sob controle debaixo da aba do chapéu delas.

Nestes contrastes sutis talvez residam os impasses políticos da disseminação indiscriminada do sentar na música atual: uma captura do poder erótico libertador construído coletivamente pelas culturas musicais das periferias brasileiras, deturpado e usado como via de reafirmação das hierarquias de gênero. Sabendo que o capitalismo encontrou e encontrará formas de transformar o “empoderamento” em commodity, podemos nos perguntar: em que contexto a sentada é meio de subversão que expande as possibilidades de experimentação e de sexualidade e em que situação (e para quem) ela voltará a reiterar os papéis de gênero?

Nestes embates, as mulheres negras adotaram o corpo e o movimento como um campo de batalha prazeroso. Uma luta contínua que desata tabus a partir da afirmação dos seus modos de sentar. Funkeira, dançarina e pesquisadora, Taísa Machado ressalta que “a ciência milenar de mexer com os quadris” vai das perspectivas ancestrais até a música contemporânea e exerceu papel fundamental na construção da liberdade e transformação das relações. “Aquelas meninas desenvolveram danças que mudaram o jeito de transar das pessoas. E ninguém considera aquilo um saber”, diz ela em entrevista no livro Afrofunk: A ciência do rebolado. 

Um vislumbre dessa transformação foi exibido em horário nobre, em plena TV Globo. A novela Páginas da vida, em 2006, encerrava seus capítulos com depoimentos de uma pessoa real, anônima, contando uma história relacionada ao episódio do dia. Em um deles, uma idosa negra, aos 68 anos, contou como só experimentou um orgasmo aos 45. “Eu fiquei dos meus 14 aos meus 45 anos sem saber o que era isso. Para mim era tudo normal: o homem terminava, eu terminava também”, diz ela, com leveza, mas também seriedade. “Só que aos 45 anos eu ganhei um LP do Roberto Carlos que tinha a música O côncavo e o convexo. Então eu botei na vitrola e fui dormir. E simplesmente, gente, quando eu acordei eu estava com a perna suspensa e a calcinha na mão e toda babada. Aí foi que eu comecei a comentar com as amigas, aí falou assim: ‘Poxa, você gozou!’. Aí foi que eu vim saber o que era o gozo. Aí moral da história: eu sou uma pessoa com 68 anos que o homem pra mim não faz falta”. Certas lutas só são possíveis sentando.

 

NOTA

[nota1] Trecho do ensaio Eros, erotismo e o processo pedagógico, em tradução de Tomaz Tadeu. Publicado em: Guacira L. Louro (org.), O corpo educado: Pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

13
Out22

Mulheres denunciam “loucura” de Damares como método: crucifixo na vagina a serviço do fascismo

Talis Andrade

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Transcreve 247: A ministra Damares Alves quebrou o silêncio e produziu mais uma coletânea de frases risíveis. O perfil "Partido Jairmearrependi" tuitou: "Saindo de sua pausa na carreira, Damares volta a falar besteira ao afirmar que nenhum jovem de direita lhe ofereceu cigarro de maconha e nenhuma meninA enfiou crucifixo na vagina. A ênfase no menina nos fez concluir que os meninOs tiveram a ousadia."

[Nas estórias de sexo de Damares, as personas sempre são meninas, inclusive bebês]

 

Damares Alves fala de relações sexuais com crianças diante de público infantil

Damares Alves (Republicanos) disse em uma Assembleia de Deus em Goiânia, que o atual governo resgatou crianças vitimas de trafico humano

 

por Jamildo Melo/Jornal do Commercio

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A ex-ministra do governo Bolsonaro e senadora eleita pelo Distrito Federal, Damares Alves (Republicanos), disse em uma Assembleia de Deus em Goiânia, que o atual governo supostamente resgatou crianças vitimas de trafico humano.

Damares detalhou o caso, afirmando ter imagens que comprovam o estado em que as crianças chegavam do resgate. "Nós temos imagens de crianças de 4 anos, 3 anos que, quando cruzam as fronteiras, tem seus dentes arrancados para não morderem na hora do sexo oral. (...) Nós descobrimos que essas crianças comem comida pastosa para o intestino ficar livre para a hora do sexo anal", disse.

A plateia para qual a ex-ministra falou estava repleta de crianças. 

A deputada estadual, Elika Takimoto (PT-RJ), criticou através de suas redes sociais a ação de Damares Alves, afirmando que a atitude da senadora eleita se configura como crime. 

Damares que é CONTRA educação sexual em escolas falou em um (aparente) culto que são arrancados dentes de crianças para elas fazerem sexo oral sem morder e que criança é obrigada a comer comida pastosa para fazer sexo anal. Tinha CRIANÇAS na plateia. Isso é crime, senadora!

[Por falar em tráfico humano, Damares foi acusada de sequestrar uma criança indígena, de 6 anos, coincidentemente para tratar dos dentes. Esta criança, hoje adulta, jamais foi adotada por Damares. 

As relações de Damares com essa indígena deveriam ser investigadas sim. É uma "filha de criação" escrava doméstica? ]

 

Deputada defende Damares, ataca Xuxa e relembra filme polêmico

Após oferecer aos seguidores versão completa de filme da década de 1980 gravado por Xuxa, deputada distrital Júlia Lucy apagou comentário

Mulher segura microfone com a mão direita

 
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A deputada distrital Júlia Lucy (União Brasil) usou o perfil pessoal do Instagram, nessa quarta-feira (12/10), para criticar a apresentadora Xuxa Meneghel. Por meio de um abaixo-assinado, a apresentadora pede a cassação de Damares Alves (Republicanos), ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL) e recém-eleita senadora pelo Distrito Federal.
 

Na publicação, a deputada recorda um filme gravado por Xuxa na década de 1980. No longa-metragem, em que interpreta uma prostituta de 16 anos, a apresentadora aparece em uma cena de nudez com um ator de 12 anos. À época, Xuxa tinha 18.

“Agora, a ‘rainha dos baixinhos’ tenta criar uma onda contra a nossa senadora Damares Alves porque se pronunciou quanto ao abuso sexual das crianças da Ilha de Marajó. Faz sentido pra vc?”, questiona a deputada distrital, que incluiu a hashtag “xuxahipocrita” no post.

Em seguida, Júlia Lucy escreveu que poderia compartilhar a íntegra do vídeo com quem enviasse mensagens a ela no privado. No entanto, usuários do Instagram criticaram a postura da deputada. “@julialucydf armazenar e compartilhar conteúdo pornográfico é crime”, escreveu uma seguidora. “Estou sem acreditar”, comentou outra pessoa.

Após a repercussão, a parlamentar excluiu o comentário da publicação. Questionada pelo Metrópoles sobre o caso, Júlia Lucy afirmou que “pensando em evitar a propagação desse tipo de conteúdo”, decidiu apagar a mensagem “para não incentivar essa prática nefasta”.

Veja a publicação:A deputada distrital Júlia Lucy posta frame de filme estrelado por Xuxa,

 

[Julia Lucy exagera ao classificar o filme de pornô. Eu assisti o filme no lançamento e não fiquei com tesão. Parece que o filme deixa Lucy excitada para ela guardar. O filme é de 1982. 

A masturbação com crucifíxo é cena de outro filme que deve ter tocado a libido de Damares]

 

Mulheres denunciam “loucura” de Damares como método: crucifixo na vagina a serviço do fascismo

Paradise: Faith

 

Comentários publicados pelo Vio Mundo

Damares é uma atormentada pelo q sofreu, tem alucinações, persegue, oprime, estigmatiza, delira; nos exemplos q dá, as fantasias eróticas, sádicas e cruéis pontificam, c/o uma orgia de suplícios sexo-religiosos só concebidos por uma mente insana. Marcia Denser, escritora, no twitter.

Eu na minha vida JAMAIS soube de uma menina enfiando um crucifixo na vagina. As fantasias sexuais da ministra Damares são porcas demais. Eu não deixaria uma filha minha perto dessa gente. Cynara Menezes, jornalista.

O discurso de Damares Alves é um astucioso exemplo de tecnologia política que usa “sexo” como fator de mistificação. Na perversa Sexologia Política do choque, sexo é arma. Sexo passou a ser tecnologia do poder obscurantista contra o Gênero como fator de esclarecimento. Marcia Tiburi, filósofa.

Damares não é louca muito pelo contrario. É uma mulher extremamente fria, perigosa , capaz de qualquer coisa para alcançar seus objetivos.
Usa a fé das pessoas para convencê-las de suas ideias conservadores e sem ética. Uma sociopata. Biazita Gomes, professora de Filosofia.

Damares Alves: “Estou há quase 24 horas com este público, a maioria jovem, e ninguém me ofereceu um cigarro de maconha e nenhuma menina enfiou um crucifixo na vagina”, ela só esqueceu que essa galera não curte maconha por preferir cocaína, a parte do crucifixo é loucura mesmo. Patrícia Lélis.

A tensão sexual é um dos pilares de uma técnica para obter e manter poder chamada fascismo. Ao dizer que a esquerda introduz crucifixos em vaginas, Damares ensina seu público a temer e a odiar o “outro lado”. Meteoro BR.

 

Cena de masturbação com crucifixo causou escândalo no Festival de VenezaParadise: Faith (2012) - IMDb

 

Por Thiago Dearo 

A comunidade católica está indignada com uma cena do filme do irreverente cineasta Ulrich Seidl, “Paradise: Faith”, apresentado no 69 edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

O escândalo no Festival de Veneza veio três dias após a exibição do filme “Paradise: Faith” (‘ Paraíso: Fé ‘) de Ulrich Seidl, um filme que concorre pelo Leão de Ouro, juntamente com 17 outros filmes.

A cena em que Anna Maria, uma devota católica, chega a se masturbar com um crucifixo, que  ela pega na parede de seu quarto, o carícias, beija com grande intensidade , até que finalmente ela se masturba com o objeto sagrado, já foi qualificado como um dos mais provocantes do cinema contemporâneo.

“A protagonista não entende que a adoração cega por Cristo torna-se um ser desumano, incapaz de sentir amor e comunicar a virtude mais importante cristã: amar o próximo”, disse o diretor.

O filme conta a história de uma mulher totalmente dedicada ao catolicismo, que decide ir de porta em porta em toda Veneza para tentar convencer as pessoas a aderir cristianismo.

A Película de Seidl, segundo os especialistas em cinema, denuncia com uma linguagem irônica o fanatismo religioso, no entanto para alguns católicos, é uma ofensa gratuita contra a comunidade religiosa na Itália, que é um dos países mais católicos do mundo.

O advogado Pietro Guerini, que dirige uma associação de radical católica na Itália, entrou com uma ação contra o diretor do filme, Seidl, a atriz Maria Hofstätter e contra os seus produtores e organizadores da edição 69 do Festival de Cinema de Veneza.

Todos eles “por meio de uma manifestação de uma das cenas blasfemas e ultrajante”, que violou os artigos 403 e 404 do Código Penal da Republica Italiana (“crimes a uma confissão religiosa por degrinir as pessoas e através do desprezo”), diz a ação judicial.

Enquanto isso, Seidl afirmou que não vai pedir desculpas aos católicos. “Eu não tenho nenhuma razão para pedir perdão. Ao invés disso, eu estou feliz. Se por alguma cena mostrada no meu filme é um tabu, isso não significa que não tenho o direito de incluir esta cena no filme”, disse o diretor do polêmico filme, em entrevista, publicada na terça-feira ao jornal ‘The Hollywood Reporter’.

 

Filme com cena de masturbação com crucifixo causa polêmica em Veneza

Image

 

 

O irreverente filme do austríaco Ulrich Seidl, "Paradise faith", que compete pelo Leão de Ouro na Mostra de Veneza, junto com outros 17 filmes, escandalizou nesta sexta-feira (31) com uma cena de sexo com um crucifixo.

"Faith provoca escândalo", afirma o jornal italiano "Coriere della Sera" ao resenhar o filme decididamente anticlerical, protagonizado por uma fervorosa católica que se flagela, usa o cilício, caminha pela casa de joelhos, impreca os pecadores e chega a se masturbar com um crucifixo.

A cena, na qual a católica Anna Maria, uma auxiliar de raio-x, lentamente tira o crucifixo da parede de seu quarto, o acaricia, o beija, torna a beijá-lo cada vez mais intensamente, até que finalmente se masturba com ele sob as cobertas, é certamente uma das mais impressionantes do cinema contemporâneo.

O filme, uma história de excessos místicos na qual inclusive a fotografia do papa Bento XVI é difamada, arrancou risos e foi aplaudido durante a primeira projeção à imprensa especializada e provavelmente gerará reações na Itália, um dos países mais católicos do planeta, e no Vaticano.

Para Anna Maria, o caminho que a levará ao paraíso reside em Jesus, e por isso decide percorrer toda a cidade de Viena com uma imagem da Virgem Maria de cerca de quarenta centímetros nas mãos batendo de porta em porta para convencer as pessoas a se unirem ao cristianismo.

O retorno inesperado após anos de ausência de seu marido, um muçulmano egípcio prostrado em uma cadeira de rodas, termina por reforçar sua fé. "A protagonista não entende que a adoração cega pro Cristo a converte em um ser inumano, incapaz de sentir amor e de comunicar a mais importante virtude cristã: amar ao próximo", comentou o diretor.

O filme, que faz parte da trilogia Paradise (os outros dois são "Paradise: love" e "Paradise: hope"), do diretor Seidl, produzido por França, Áustria e Alemanha, denuncia com uma linguagem irônica o fanatismo religioso.

"Somos as tropas de assalto da Igreja" é o lema da comunidade religiosa a qual a protagonista pertence, que encarna a paixão tanto espiritual quanto carnal por Cristo.

O diretor, renomado documentarista, premiado em 2001 em Veneza por seu primeiro longa-metragem "Hundstage", disse ter se inspirado nas peregrinações religiosas para convencer adeptos. "Ela é uma mulher decepcionada com o amor, com os homens e frustrada sexualmente. Sente um vazio interior", explicou.

10
Out22

O bizarro catálogo de perversões sexuais da ministra Damares

Talis Andrade

 

O que gente com uma mente tão doentia vai fazer com suas crianças na escola?

 

Redação Socialista Morena

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A extrema-direita já deu mostras suficientes de possuir uma mente pervertida, capaz de, como diz a psicanálise, projetar nos adversários suas fantasias sexuais mais sórdidas. O auge (e a comprovação) disso aconteceu durante a campanha eleitoral, quando inventaram uma “mamadeira de piroca”, uma mamadeira com um pênis no lugar do bico que seria distribuída em creches (!!), para atacar o opositor Fernando Haddad. Quem em sã consciência imaginaria uma coisa dessas? Só alguém muito pervertido, claro.

Entre os extremistas em ação no novo governo, ninguém parece superar a ministra da Mulher, Direitos Humanos (sic) e da Família, Damares Alves, em reunir as mais bizarras fantasias sexuais em forma de “denúncias” contra a esquerda e os LGBTs. Damares conseguiu superar os grandes clássicos da literatura erótica em termos de perversões. Em menos de dois meses desde que foi alçada ao poder, o catálogo da ministra já reúne as mais doentias teorias sobre sexo já vistas. De onde é que eles tiram estas coisas? Freud explica.

Neste post, elencamos algumas das perversões que a ministra Damares afirmava estar sendo disseminadas aos estudantes, a partir do jardim de infância, nas escolas públicas do país –e, claro, culpava a esquerda por elas. É de se perguntar: o que gente com uma mente tão doentia pretende fazer com suas crianças?

Este post será atualizado à medida em que vierem à tona novas revelações sobre o catálogo de perversões sexuais da ministra.

 

Kit gay

A então assessora do senador Magno Malta foi uma das primeiras fundamentalistas religiosas a falar em “kit gay”. Um manual contra a homofobia, o “Escola sem Homofobia”, que o governo federal, sob o comando do PT (claro), intencionava distribuir nas escolas, foi transformado em um “manual de como se tornar gay” pelos fundamentalistas.

Este singelo documento anti-intolerância seria capaz de fazer qualquer um “virar” homossexual, bastando ter contato com os panfletos. Por incrível que pareça, essa maluquice se espalhou ao ponto de 84% dos eleitores de Bolsonaro acreditarem que ele é real, já que o candidato do PSL usou a mentira em seu horário gratuito na TV e em entrevista ao Jornal Nacional, mesmo após o TSE proibi-lo de apelar à notícia falsa contra Haddad.

A ministra de Bolsonaro afirmou em 2013 que os holandeses começam a masturbar bebezinhos a partir dos sete meses para que se tornem “homens saudáveis sexualmente” e as meninas teriam sua vagina “massageada” na mesma idade para que “tenham prazer na fase adulta”. Os holandeses, claro, souberam da aberração da qual eram acusados e manifestaram sua indignação nas redes sociais.

 

Holandeses masturbam bebês de 7 meses

Damares conseguiu superar os grandes clássicos da literatura erótica em termos de perversões. Em menos de dois meses, o catálogo da ministra já reúne as mais doentias teorias sobre sexo já vistas. De onde é que eles tiram estas coisas? Freud explica

 

Hotéis-fazenda são fachada para turistas transarem com animais

Fala sério! A mulher acha que as pessoas vão com suas famílias para hotéis-fazenda não para descansar e ver a natureza, mas para transarem com bezerros, cabras e galinhas. Curioso que quem admitiu que já fez sexo com animais foi o chefe dela.

 

Meninos de 3 anos chupam o pipi do coleguinha

Segundo a ministra Damares, uma professora de Brasília estaria em um dilema porque um aluno de três anos de idade estaria fazendo sexo oral em outro bebê da mesma idade, mas a diretora a teria admoestado a não fazer nada a respeito porque seria “homofobia”. Só problemas psicológicos (e sexuais) graves podem explicar que alguém acredite que um bebê de três anos possa “chupar o pipi” de outro, como se as escolas fossem lugar de orgia entre crianças. E dizer que se a professora fizesse algo contra isso seria “homofobia”? Mitomania em grau máximo.

 

Dever de casa de meninas de 12 anos é beijar meninos e meninas

Veja aqui mas casos eróticos e sexuais de Damares Alves: Segundo a ministra, eleita senadora do DF, uma professora de Brasília estaria em um dilema porque um aluno de três anos de idade estaria fazendo sexo oral em outro bebê da mesma idade, mas a diretora a teria admoestado a não fazer nada a respeito porque seria “homofobia”. Só problemas psicológicos (e sexuais) graves podem explicar que alguém acredite que um bebê de três anos possa “chupar o pipi” de outro, como se as escolas fossem lugar de orgia entre crianças. E dizer que se a professora fizesse algo contra isso seria “homofobia”? Mitomania em grau máximo.

Revela a mente suja:

Segundo a ministra Damares, uma professora de Brasília estaria em um dilema porque um aluno de três anos de idade estaria fazendo sexo oral em outro bebê da mesma idade, mas a diretora a teria admoestado a não fazer nada a respeito porque seria “homofobia”. Só problemas psicológicos (e sexuais) graves podem explicar que alguém acredite que um bebê de três anos possa “chupar o pipi” de outro, como se as escolas fossem lugar de orgia entre crianças. E dizer que se a professora fizesse algo contra isso seria “homofobia”? Mitomania em grau máximo. Diz mais a mente mais prolixa do que a de Donatien Alphonse François de Sade, de Leopold von Sacher-Masoch:

 

Dever de casa de meninas de 12 anos é beijar meninos e meninas

Ver Jesus no pé de goiaba é fichinha perto disso. O mais impressionante é que Damares é incapaz de exibir qualquer evidência do que fala. Quem acredita numa coisa dessas? Só quem acredita em mamadeira de piroca. Ou quem tem uma mente tão doentia quanto.

 

Crianças a partir de 10 anos recebem espelhinhos na escola para aprender a se masturbar

Segundo Damares, nas escolas de Rondônia as crianças a partir de 10 anos recebiam cartilhas e, junto com elas, um espelhinho para aprender a se masturbar olhando suas vaginas. Provas disso? Zero.

 

Livros didáticos redirecionam crianças para sites pornô

Essa merecia um processo: segundo a ministra, livros didáticos aprovados e distribuídos pelo Ministério da Educação redirecionam crianças para sites pornô. Nas provas aplicadas a estudantes, professores perguntariam a crianças de 9 anos: “O que é boquete?” As editoras e autores atacados por Damares deviam pedir indenização, além dos professores e dos pais das crianças. Que tipo de gente ela acha que são os professores do Brasil para permitir uma coisa dessas? Que tipo de pais não zelam pelo que seus filhos aprendem na escola? Talvez pais como a ministra, acusada de pegar a filha  dos outros sem autorização.

 

Meninas enfiam crucifixo na vagina

Em um congresso de extrema direita financiado com dinheiro público na capital paulista, espécie de versão fascista do Foro de São Paulo, Damares se espantou por nenhum jovem ter lhe oferecido maconha ou alguma menina ter enfiado um crucifixo na vagina. Onde a ministra anda? Ou melhor, onde a cabeça da ministra anda? Ela está pensando que crucifixo é vibrador?

Assistam a este documentário do canal Meteoro sobre Damares Alves:

10
Out22

Damares Alves ministra escondeu a prostituição infantil

Talis Andrade

Cartaz contra a Pedofilia | Portfolio

Brasília uma cidade enferma. Elegeu uma mentirosa, sexualmente doente. Temas preferidos de seus discursos: estupro, incesto, práticas sexuais com crianças e adolescentes. Ministra dos Direitos Humanos, da Família, da Mulher, da Criança, do Adolescente, Damares Alves nada fez.

Veja neste post reportagem: Vítimas de exploração sexual, crianças com a infância negada falam com Cabrini. As fantasias eróticas de Damares escondem a brutal realidade: o Brasil possui 500 mil crianças prostitutas infantis.

Seus brinquedos são substituídos por drogas e armas. A fantasia dá lugar a um mundo de crimes e violência, onde a infância é negada. Vítimas de exploração sexual, crianças revelam uma realidade obscura no Brasil. De grandes metrópoles, ao litoral do Nordeste e estradas do país. Inclusive a presença de estrangeiros, atraídos pelo turismo sexual, a promessa de sexo fácil e impunidade. 

A danação é que Damares esquece que as crianças e adolescentes são vítimas, são escravas sexuais. 

Os cafetões, os proprietários de prostíbulos oferecem drogas para entorpecer o corpo das crianças, a dor das penetrações na estreita vagina e dos sangramentos no ânus.

Para Damares: “Tem abuso que é prazeroso para a criança porque o pedófilo sabe como tocar. O abusador sabe onde tocar, e às vezes desperta prazer. O nosso corpo foi feito para o prazer". 

Damares tem uma mente doentia

cynara menezes
@cynaramenezes
ela inventa um monte de sujeira que só pode sair de uma mente doentia. metade dos vídeos desse post onde denunciei as perversões de damares em 2019 eles já tiraram do ar
Damares conseguiu superar os grandes clássicos da literatura erótica em termos de perversões. Em menos de dois meses, o catálogo da ministra já reúne as mais doentias teorias sobre sexo já vistas. De onde é que eles tiram estas coisas? Freud explica. Leia mais aqui
Ricardo Caco Garcia Oliveira
"Tem que ser investigada": Damares é cobrada por omissão em suposto caso de "crianças que têm dentes arrancados para sexo oral"
Solange LulaLulaa Sem medo de ser feliz! Lu
@SolangeFerrer
alo @STF_oficial @gilmarmendes @alexandre isso é muito serio voces precisam tomar conhecimento do esta mulher fala, se for verdade precisa ser apurado e se for mentira ela precisa ser punida por isso, é muito serio, isso causa terror
 

Acontece na terra do presidente da Câmara dos Deputador, Arthur Lira, que indicou mais de 300 milhões do orçamento secreto:
 

 

05
Set22

“O André é nosso irmão”, diz mãe da criança ‘abraçada’ por pastor André Vitor

Talis Andrade

Pais da criança defendem Pastor André Vitor: "pessoas maldosas tiram coisas  de onde não existe" - VEJA VÍDEO - Polêmica Paraíba - Polêmica Paraíba

Pastor André Vitor e pais da criança

 

Wesley Safadão usou as redes sociais para defender o amigo, o pastor André Vitor, de acusações de assédio sexual contra uma menina menor de idade. 

O ato aconteceu dentro da casa do cantor e captado por um vídeo, que foi publicado nos stories do Instagram.

Os seguidores de Safadão estranharam a aproximação do pastor na direção de uma menina de biquíni.

Ele a abraça por trás e a deixa desconfortável, imediatamente se afastando do homem. 

 

André Vitor é irmão gêmeo de outro pastor: Samuel Vagner. Juntos, os dois ministram em igrejas diferentes. Samuel é da Comunidade Cristã Videira, tem mais de 400 mil seguidores nas redes sociais e ministra por lá há 12 anos. André é amigo íntimo da família de Wesley Safadão e sempre aparece em eventos e comemorações do artista.

Em setembro de 2018, André Vitor publicou um vídeo pedindo votos para Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República na época.

Ele apela a todos os “cidadãos de bem” para que votem no ex-capitão, pois ele acabaria com a corrupção.

O pastor ainda se diz contra a “ideologia de gênero” e a “erotização precoce das nossas crianças”.

Ele chegou a se reunir, em 2019, com a ministra Damares Alves, que no ano passado comandou a campanha de violência contra uma criança de 10 anos que engravidou após ser estuprada.

André Vitor disse que está sofrendo uma injustiça.

“Hoje eu acordei com uma noticia revoltante, absurda, indigna que me embrulhou o estômago”, iniciou o pastou em seu pronunciamento.

De acordo com o religioso, a imagem foi tirada fora do contexto.

Os pais da criança também saíram em defesa de André.

“O André frequenta nossa casa, quase que diariamente, e o que ele nos ensina é muito amor, muito conhecimento que ele nos traz, quando a gente vê essas coisas acontecendo a gente estranha, porque é uma coisa cotidiana nossa, o abraço a um filho a uma filha. A gente confia nele”, diz o pai da criança.

A mãe da menina também defendeu o amigo.

“Eu acho isso um absurdo, acho isso inaceitável. O André é um grande homem de Deus”, falou ela.

01
Mar20

Últimas notícias sobre o clitóris

Talis Andrade

Últimas notícias sobre o clitóris

 

 

As mulheres têm o privilégio de possuir o único órgão humano com a exclusiva função de proporcionar prazer. Mas tão precioso recanto do corpo foi esquecido, repudiado, menosprezado e, ainda hoje, é mutilado. Trata-se de um símbolo da história feminina. Esqueça toda propaganda contra da ministra Damares. Faça com Ana Alfageme, uma viagem de exploração ao centro do gozo erótico. Aqui

 

27
Dez19

Para entender o fascismo dos impotentes

Talis Andrade

Filósofo italiano adverte: “nova” ultradireita lembra apenas na aparência os regimes totalitários do passado. Seus partidários trocaram o entusiasmo por desesperança e ressentimento. Um apocalipse se aproxima – e ele pode ser bom…

armário direita nazismo integralismo .jpg

Direita Assanhada

Franco Berardi entrevistado por Juan Íñigo Ibáñez | Tradução: Rôney Rodrigues 

O filósofo italiano Franco Berardi, referência na esquerda europeia, avalia as causas que levaram ao fortalecimento da ultradireita, as divergências no feminismo e como a conexão tecnológica ameaça acabar com a ironia na linguagem e a sedução.

No início de agosto de 2017, tudo estava pronto para que Franco “Bifo” Berardi apresentasse sua performance “Auschwitz na Praia” na feira de arte alemã documenta 14. No último minuto, os curadores da exposição decidiram cancelar a proposta do acadêmico bolonhês: várias organizações reclamaram que a situação dos imigrantes era incomparável com a enfrentada pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Ao fim, a performance foi substituída pela leitura pública do poema de “Bifo” que inspirou o trabalho original, além de um debate aberto sobre a crise dos migrantes na Europa.

Apesar disso, Berardi seguiu insistindo – ferreamente – no paralelismo entre as condições que enfrentam os refugiados que dia após dia chegam à costa europeia, com os seis milhões de judeus assassinados durante o nazismo. E foi ainda mais longe: equiparou o contexto político atual – marcado pelo crescimento da extrema-direita – com o que tornou possível a ascensão do nazismo na Alemanha.

Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, os resultados para a ultradireita passaram longe do triunfo significativo que alguns prenunciavam e, no fim das contas, os grandes vencedores foram os partidos ecologistas. No entanto, 21 coalizões ultraconservadoras ganharam assentos e aumentaram em 10% seus representantes no Parlamento Europeu. E, enquanto os tradicionais partidos socialistas e de centro-direita perderam a maioria absoluta – e, por isso, já não podem mais formar uma “grande coalizão” –, as propostas de Marine Le Pen, Matteo Salvini e Nigel Farage – líder do partido do Brexit – conseguiram impor-se na França, Itália e Reino Unido. Da mesma forma, na Hungria, Polônia e Suécia também se consolidaram forças de extrema-direita e antieuropeias.

Apesar de esse avanço eleitoral ser aparentemente modesto, para muitos analistas o discurso de populistas xenófobos goza hoje de excelente saúde, chegando, inclusive, a “infiltrar-se” por dentro das social-democracias nórdicas: na Dinamarca, a centro-esquerda liderada por Mette Frederiksen acaba de recuperar o poder com base na promessa de implantar uma forte política anti-imigração.

Hitler-e-Bolzo helio almeida.jpg

 

Por que o senhor considera que a derrota de Hitler não foi o fim do nazismo na história da Europa nem do mundo?

Antes de tudo, a dinâmica social que tornou possível a onda neorreacionária contemporânea (do Brexit a Trump, de Duterte a Bolsonaro) é a mesma que levou à vitória de Hitler em 1933. Hitler ganhou porque convenceu os trabalhadores empobrecidos e humilhados na Alemanha de que não eram trabalhadores derrotados, mas guerreiros brancos e arianos.

O nazismo substitui o devir social pela identidade nacional. É o que está acontecendo nessa época de Trump; é o que acontece hoje na Europa: os trabalhadores, empobrecidos pela máquina financeira e humilhados pela esquerda neoliberal, rebelam-se em nome da identidade, da raça, da nação. Os humilhados, como classe social, se reafirmam como classe guerreira.

Em relação ao que está acontecendo na região do Mediterrâneo: é um verdadeiro holocausto que se desenvolve diante dos olhos da população europeia. Todos os dias, estamos matando homens e mulheres que vêm da Síria, do Afeganistão, da África. Todos os dias deportamos pessoas que estão fugindo das guerras que os europeus e norte-americanos provocaram aos torturadores da Líbia e da Turquia.

Alguém disse que não se pode comparar os seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas. 30 mil não parece ser suficiente… Vamos esperar que cheguem a seis milhões?

O nazismo de hoje tem uma dimensão planetária: os “judeus de hoje” são milhões de pessoas que o colonialismo humilhou e que tentam escapar de seus campos de extermínio.

O senhor apontou que o auge da extrema-direita se dá em consonância com a obsessão pela “identidade”. Por que isso é problemático na política?

A política é fundada na escolha de alternativas, é baseada no pensamento, na estratégia racional. A identidade é o contrário da liberdade, é o contrário da escolha. Sou branco, sou negro, sou muçulmano, sou cristão… A política não tem nada a ver com o “ser”, mas com o devir.  

Quando a política é pensada em termos de “ser”, a guerra se torna inevitável. O fascismo sempre é baseado na confusão de que a política é a expressão de uma identidade.

Embora muitos rotulem os partidos e governos de extrema-direita de “fascistas”, o senhor diz que essa categoria não é suficiente. Por quê?

O fascismo histórico do século XX foi a expressão de jovens que lutavam pela supremacia nacional e racial, mas baseados em uma visão futurista, expansiva e eufórica. Não se pode entender o fascismo italiano, e tampouco o alemão e o japonês, sem a referência a esse futurismo, a afirmação agressiva de um futuro glorioso. Hoje nada disso existe. Não há exuberância juvenil futurista na onda neorreacionária atual.

A onda neorreacionária de hoje é um fenômeno de senescência (envelhecimento biológico). Não importa que muitos jovens tenham votado na direita: são jovens sem futuro, sem euforia, sem esperança e sem glória. O horizonte contemporâneo é de impotência; e a impotência é a origem da vingança.

Em 2018, intelectuais e artistas francesas assinaram uma carta que acusava o feminismo anglo-saxão, especificamente o movimento #MeToo, de provocar uma “caça às bruxas” que conduziria a um novo “puritanismo” sexual. Que opinião você tem sobre esse cisma dentro do feminismo?

O movimento #MeToo foi um acontecimento importante de denúncia do poder (masculino) implícito dentro da sexualidade contemporânea. Concordo. Mas a dinâmica cultural que o #MeToo desencadeia coincide com uma visão puritana que tem um papel importante na história do movimento feminista mundial, mas sobretudo na base do feminismo norte-americano. A visão puritana se manifesta na rejeição do que é ambíguo e impuro na comunicação erótica e na comunicação em geral.

Naturalmente, frente às condições atuais de violência e de agressividade masculina, a onda de denúncias femininas é necessária e legítima, mas há um grande perigo cultural: a criminalização da ambiguidade, da sedução como jogo linguístico.

O #MeToo é a expressão de uma cultura na qual a sexualidade perdeu toda a relação com a ironia da linguagem, onde a linguagem tem que ser “sim-sim, não-não”, onde o medo reciproco é a única maneira de evitar a violência. É um mundo infernal que corresponde perfeitamente ao inferno de um país onde o que é humano foi suprimido, porque a linguagem foi submetida a um código binário. A binarização da sensibilidade implica na identificação do erotismo com a pornografia.

As denúncias contra o produtor Harvey Weinstein, que desencadearam a onda de crítica feminista nos Estados Unidos, têm que ser contextualizadas dentro da crise política da democracia norte americana, na crise da classe política democrática, no sistema de cumplicidade “clintoniana”. Quem era Weinstein, todos sabiam, mas o poder da democracia liberal e da mídia foram cúmplices de sua violência, que não era só sexual, mas também social, econômica e profissional.

Existe hoje algum coletivo feminista que transcenda a visão puritana?

O movimento “Ni una menos” da Argentina tem um caráter cultural profundamente diferente porque se baseia na ação coletiva das mulheres, não em uma abstrata afirmação de uma verdade e de uma pureza que não existe, mas na palavra da lei.

Nos últimos anos surgiram blogueiros e youtubers de extrema-direita. A que atribui sua proliferação e como isso se relaciona com a ascensão de governos de extrema-direita?

A impotência é o caráter fundamental de identificação das raças brancas. A cultura declinante dos dominadores é ameaçada pela globalização, pela migração e, ao mesmo tempo, pelo superpoder da técnica e das finanças.

Impotência é uma palavra que se refere à potência política perdida, mas também à potência sexual. A depressão massiva, a precariedade e a ansiedade contemporânea tem produzido um efeito de impotência psíquica e sexual massiva que se manifesta como agressividade antifeminina.

A guerra civil global contemporânea é, antes de mais nada, uma guerra contra as mulheres. Em seu livro Muerte a los normies [sem tradução no Brasil], Angela Nagle explica muito bem o papel que a cultura dos “homens beta” (machos pouco assertivos com as mulheres e que foram relegados, involuntariamente, do mercado sexual) está desenvolvendo uma onda neorreacionária.

Nos anos que antecederam o triunfo de Trump, muitas subculturas da web, vinculadas a alt right, utilizaram memes como “Pepe, o Sapo” que, de forma irônica e cínica, conseguiram atingir milhares de homens jovens, “trolls” da raça branca e com sensibilidade política indefinida. Que implicações éticas e cognitivas tem a estética dos memes?

Em condições de aceleração e intensificação da infosfera, o tempo de elaboração cognitiva se faz cada vez mais breve e restrito. Por isso, a faculdade crítica, como a capacidade de discriminar o que é verdadeiro e falso, fica confusa e obscurecida. Não temos tempo para analisar intelectualmente, nem para elaborar emocionalmente, os estímulos que chegam a nossa mente. Consequentemente, as formas de comunicação mais eficientes são as que substituem a razão crítica com a velocidade da síntese memética.

Em seu livro Os meios de comunicação como extensão do homem (1964), Marshall McLuhan escreveu que, quando a simultaneidade eletrônica substitui a sequencialidade alfabética, a faculdade mitológica substitui a cultura social e a razão crítica. O meme é a expressão midiática do pensamento mitológico que – como o inconsciente freudiano – não conhece o princípio de não contradição, não conhece a irreversibilidade temporal, não conhece a crítica nem a temporalidade histórica.

O senhor mostrou-se incrédulo diante das fake news e declarou que não constituem um fenômeno novo. A que atribui a crescente tendência a acreditar e difundir notícias e informações falsas?

As notícias falsas não são, naturalmente, um fenômeno novo; sempre houve informação mal-intencionada na história dos meios. O volume de notícias faltas aumentou hoje porque aumenta, em geral, a quantidade de informações que circulam na infosfera digital.

A aceleração e intensificação da infosfera é a causa de um pânico comunicacional que se manifesta como uma incapacidade de distinção consciente. E as estratégias do pensamento crítico são ineficazes no contexto desta “tempestade de merda”, nas palavras do filósofo sul-coreano Byung-Chil Han

Em La segunda venida [sem tradução no Brasil], seu mais recente livro, o senhor mergulha no vocabulário teológico para tentar desvendar os motivos por trás do descontentamento social atual. Que propostas o senhor oferece para superar o caos que nos rodeia? E a que potencial “vinda” o senhor se refere?

Acreditamos que ingressamos em uma época apocalíptica em seu sentido duplo; uma época de catástrofe e uma época de revelação. Não se pode evitar o apocalipse porque as tendências apocalípticas já estão se manifestando. Só podemos preparar a segunda vinda. E não me refiro a segunda vinda de Jesus Cristo porque não sou religioso. Refiro-me a segunda vinda do comunismo, mas não na forma totalitária em que se manifestou durante o século passado.

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