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15
Jul23

Ex-reitores pedem justiça por Luiz Carlos Cancellier, morto em 2017

Talis Andrade
 

 

Luiz Carlos Cancellier -  (crédito:  Ufsc/Divulgação)
Luiz Carlos Cancellier - (crédito: Ufsc/Divulgação)

 

Cancellier tirou a própria vida após ser alvo de operação da Polícia Federal. Após seis anos, o TCU arquivou a representação lavajatista que tratava das supostas irregularidades na UFSC

por Aline Gouveia

Um grupo de 56 ex-reitores de universidades federais do país pedem justiça por Luiz Carlos Cancellier, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que tirou a própria vida após ser alvo de operação da Polícia Federal, em 2017, que apurava supostas irregularidades na universidade catarinense.

Ele chegou a ser preso por obstrução de Justiça na investigação. Cancellier alegava inocência e questionava os métodos aplicados na operação "Ouvidos Moucos". Após quase seis anos do caso, o Tribunal de Contas da União arquivou, na segunda (10/7), a representação que tratava de supostos desvios em contratos de locação de veículos com recursos do programa Universidade Aberta do Brasil, enviados à UFSC.

Para os ex-reitores, Cancellier foi vítima de perseguição pela chamada "Lava-Jato das Universidades" — em referência à operação da PF que investigava desvios e lavagem de dinheiro, e que é alvo de críticas.

"O Reitor Cancellier foi vítima de uma ação ilegal de destruição de sua reputação, após uma representação sobre supostos superfaturamentos em contratos. Por razões até hoje ocultadas, a representação não levou a uma investigação, e sim a uma ação da Polícia Federal que determinou a prisão sumária e sem provas do Reitor, decretada pela então Delegada Erika Marena", diz a nota assinada pelos ex-reitores.

"A linha de ação que gerou os horrores sem precedentes vividos por Cancellier foi aplicada de maneiras diferentes e em inúmeras outras situações impostas a reitores de instituições federais entre 2016 e 2022. Foram conduções coercitivas, negações ao direito de defesa, denúncias junto a órgãos de controle e várias humilhações públicas que causaram sofrimento e adoecimento", acrescentou o grupo.

Após a decisão do TCU de arquivar a representação, o ministro da Justiça Flávio Dino anunciou que vai adotar as providências cabíveis em face de possíveis abusos e irregularidades na conduta de agentes públicos federais. 

Em janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os integrantes da operação Lava Jato tinham responsabilidade pela morte de Cancellier. O petista afirmou que o ex-reitor foi alvo da atuação de uma equipe que buscava "punir antes de investigar".

Segundo o grupo de reitores, a decisão do TCU sobre o caso do reitor Cancellier não é suficiente. Eles cobraram a continuidade de investigações sobre a atuação dos agentes da PF envolvidos na operação, punição dos responsáveis e reparação pública.

"É preciso não só contar mais uma vez a história do Reitor Cancellier mas exigir justiça, para que não seja esquecida e para que não se repita, por seu simbolismo e por representar um período no qual sofremos com as denúncias infundadas. Ao abrir mão de sua vida tragicamente, Cancellier também foi um anteparo e uma proteção aos demais, diante de tanta criminalização", ressaltam os ex-reitores.

Ex-reitores assinam nota

  • Amaro Henrique Pessoa Lins – UFPE, 2003-2011
  • Ana Dayse Rezende Dórea - UFAL, 2003-2011
  • Ana Lúcia Almeida Gazzola – UFMG, 2002-2006
  • Angela Maria Paiva Cruz - UFRN, 2011-2019
  • Arquimedes Diógenes Ciloni - UFU, 2000-2008
  • Carlos Alexandre Netto – UFRGS, 2008-2016
  • Celia Maria Silva Correa Oliveira - UFMS, 2008-2016
  • Cleuza Sobral Dias – FURG, 2013-2020
  • Dilvo Ristoff – UFFS, 2009-2011
  • Eliane Superti – UNIFAP, 2014-201
  • Felipe Martins Muller - UFSM, 2009-2013
  • Fernando Antonio Menezes da Silva - UFRR, 2000-2004
  • Gustavo Oliveira Vieira – UNILA, 2017-2019
  • Gilciano Saraiva Nogueira – UFVJM, 2015-2019
  • Helio Waldman - UFABC, 2010-2014
  • Helvécio Luiz Reis – UFSJ, 2004-2012
  • Jefferson Fernandes do Nascimento - UFRR, 2016-2020
  • Jesualdo Pereira Farias - UFC, 2008-2015
  • João Carlos Salles Pires da Silva - UFBA, 2014-2022
  • João Carlos Brahm Cousin – FURG, 2005-2012
  • José Carlos Ferraz Hennemann - UFRGS 2004-2008
  • João Luiz Martins - UFOP, 2005-2013
  • José Arimatea Dantas Lopes - UFPI, 2012-2020
  • José Henrique de Faria - UFPR, 1994-199
  • José Ivonildo do Rêgo - UFRN, 1995-1999 e 2003-2011
  • José Geraldo de Souza Junior - UnB, 2008-2012
  • José Rubens Rebelatto – UFSCar, 1996-2000
  • Josué Modesto dos Passos Subrinho - UFS, 2004-2012 e UNILA, 2013-2017
  • Marcone Jamilson Freitas Souza - UFOP, 2013-2017
  • Malvina Tuttman - UNIRIO, 2004-2011
  • Maria Beatriz Luce - Unipampa, 2008-2011
  • Maria Lúcia Cavalli Neder – UFMT, 2008-2016
  • Maria Stella Coutinho de Alcântara Gil – UFSCar, 2008
  • Mauro Del Pino – UFPel, 2013-2017
  • Naomar Almeida Filho - UFBA, 2002-2010 e UFSB, 2013-2017
  • Nelson Maculan Filho – UFRJ, 1990-1994
  • Newton Lima Neto – UFSCar, 1992-1996
  • Nilma Lino Gomes – Unilab, 2013-2014
  • Odilon Antonio Marcuzzo do Canto - UFSM, 1993-1997
  • Orlando Afonso Valle do Amaral - UFG, 2014-2018
  • Oswaldo B. Duarte Filho - UFSCar, 2000-2007
  • Paulo Burmann – UFSM, 2013-2021
  • Paulo Gabriel Soledade Nacif – UFRB, 2006-2013
  • Paulo Márcio de Faria e Silva - UNIFAL-MG, 2010-2018
  • Paulo Speller – UFMT, 2000-2008; UNILAB, 2010-2013
  • Pedro Angelo Almeida Abreu - UFVJM, 2007-2015
  • Reinaldo Centoducatte – UFES, 2011-2020
  • Ricardo Berbara – UFRRJ, 2017-2021
  • Roberto Ramos Santos - UFRR, 2004-2012
  • Roberto Leher – UFRJ, 2015-2019
  • Roberto de Souza Salles – UFF, 2006-2014
  • Sebastião Elias Kuri - UFSCar, 1988-1992
  • Silvio Luiz de Oliveira Soglia - UFRB, 2015-2019
  • Soraya S. Smaili - UNIFESP, 2013-2021
  • Targino de Araújo Filho - UFSCar, 2008-2016
  • Valéria Heloísa Kemp – UFSJ, 2012-2016
03
Jun23

DPF Érika Marena acusada de fraudar novo depoimento (vídeos)

Talis Andrade

Na operação Ouvidos Moucos surge a denúncia que a delegadan Erika forjou depoimentos também (Foto: reprodução da TV)

 

por Marcelo Auler

- - -

Principal responsável pela operação policial Ouvidos Moucos – e, consequentemente, pelo suicídio, em 2 de outubro de 2017, de Luiz Carlos Cancellier de Olivo, então reitor afastado da Universidade Federal de Santa Cataria (UFSC) – a delegada federal Erika Mialik Marena foi acusada, no ultimo dia 26 de abril, em audiência na 1ª Vara Federal de Florianópolis, presidida pela juíza Janaina Cassol Machado, de modificar o depoimento de uma testemunha ouvida no inquérito.

Não foi a primeira vez que a mesma delegada teve seu nome envolvido em possíveis falsificações de depoimentos em inquéritos policiais. Os primeiros casos surgiram com a Vaza Jato que revelou diálogos, pelo Telegram, entre os membros da Força Tarefa de Curitiba da Operação Lava Jato. Em janeiro de 2016, os procuradores Deltan Dallagnol e Orlando Martello Júnior comentaram através do aplicativo que a delegada Erika “lavrou termo de depoimento como se tivesse ouvido o cara, com escrivão e tudo, quando não ouviu nada… Dá no mínimo uma falsidade…” A existência desses diálogos foi noticiada amplamente, inclusive pelo site Conjur na reportagem – Polícia Federal forjou depoimentos para ajudar ‘lava jato’, mostram diálogos – e pelo 247  Delegada Erika Marena, que comandou operação contra Cancellier, ex-reitor que se matou, falsificou depoimento na Lava Jato, em fevereiro de 2021.

O mesmo diálogo dos procuradores nas mensagens levadas ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal pela defesa do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, indicou que outros casos de falsificação de depoimentos podem ter ocorrido. Naquela conversa por aplicativo, Martelllo Júnior escreveu: “o mesmo ocorreu com padilha e outros. Temos q chamar esse pessoal aqui e reinquiri-los. Já disse, a culpa maior é nossa. Fomos displicentes!!! Todos nós, onde me incluo. Era uma coisa óbvia q não vimos” (sic).

A nova modificação de depoimento, desta feita na Ouvidos Moucos, foi apontada pela administradora Simone Machado Moretto Cesconetto. Ela atuou como tutora de alunos no curso de graduação em administração do programa de Ensino a Distancia (EaD). A Polícia Federal de Santa Catarina, tendo à frente a delegada Érika, investigava uma suposta organização criminosa supostamente constituída por professores e servidores da UFSC. Falava-se em um desvio de R$ 3,3 milhões no EaD.

Deprimido, o reitor suicidou-se

Após ser preso indevidamente, Cacellier Oliva entrou em depressão eapelou ao suicidio. Foi homenageado na UFSC. (Foto: reprodução)

 

Desencadeada em 14 de setembro de 2017, a operação Ouvidos Moucos repetiu os moldes da Lava Jato curitibana: prisão dos suspeitos antes mesmos de serem chamados a se explicar. Foram presos seis professores e o reitor Cancellier, que sequer era acusado de corrupção. Falou-se que ele estaria interferindo nas investigações, o que jamais foi provado.

Algemado nas mãos e nos pés, obrigado a trajar um macacão comum aos presidiários ao passar a noite no presídio, afastado do cargo e impedido de ingressar no campus, Cancellier, mesmo tendo sido solto no dia seguinte e apesar de toda a solidariedade que recebeu, entrou em depressão. Em conseqüência, em 2 de outubro, jogou-se do sétimo andar do Shopping Beira mar, no centro de Florianópolis. No bolso um bilhete com a explicação: “Minha morte foi decretada quando fui banido da universidade”.

Responsável pela operação, a delegada logo depois foi transferida para Sergipe, com a promoção ao cargo de superintendente. Uma sindicância do próprio DPF concluiu que não houve irregularidade alguma na ação que comandou e levou o reitor ao suicídio.

No governo Bolsonaro, foi levada pelo ex-juiz Sérgio Moro para o ministério da Justiça. Nomeada diretora do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional da Secretaria Nacional de Justiça, perdeu o cargo junto com a queda de Moro. Retornou para a Superintendência do Departamento de Polícia Federal do Paraná (SRDPF-PR), onde atua na Delegacia de Repressão a Entorpecentes.

O relatório final do inquérito policial da Operação Ouvidos Moucos indiciou 23 pessoas, mas o Ministério Público Federal denunciou apenas 13, entre eles o filho de Cancellier, Mikhail Vieira De Lorenzi Cancellier. Este e mais dois réus terminaram por fazer um acordo com o Ministério Público. Comprometeram-se a pagar cestas básicas para instituições de caridade. [Continua]

O jornalista Paulo Markun fala do seu novo livro Recurso final: A investigação da Polícia Federal que levou ao suicídio de um reitor em Santa Catarina, que conta a história do suicídio do reitor José Carlos Cancellier, da UFSC, depois de ter sido vítima de uma operação abusiva e esdrúxula da Polícia Federal e do Ministério Público promovida sob a vigência da Lava-Jato.

Bob Fernandes comenta o documentário "Em nome da Inocência: Justiça".  Documentário sobre o suicídio de Luiz Carlos Cancellier. Dirigido por Sergio Giron e Edike Carneiro. 

Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Cancellier se matou há dois meses. Depois de ser preso sem acusação formal, sem ser réu e sem ter sido ouvido pela justiça.

Foi preso, posto nu, submetido à revista íntima.

Solto foi proibido de entrar na Universidade.

Prisão arbitrária. Sob suspeita de tentativa de obstruir uma investigação. De um caso de 10 anos antes da sua gestão.

Nos dias da prisão, escândalo nacional: "Roubalheira", "80 milhões"... Um pedaço de fato e muita mentira.  A Operação da Polícia Federal se chamou "Ouvidos Moucos". Ou seja: Ouvidos Surdos. Passados quase 60 dias, silêncio sobre a sequência de erros e sobre Cancellier. Nem um pio de agentes de Estado. E não foram poucos os chamados a operar. Da Polícia Federal, 105 policiais para prender Cancellier e mais seis. O documentário elenca os que, entendem os autores, teriam se envolvido em decisões. O corregedor na Universidade, e "adversário político" de Cancellier, Rodolfo Hickel do Prado. A delegada Erika Marena, ex-estrela na Operação Lava Jato, e a Juíza Janaína Machado. Nunca é demais lembrar: algo como 40% dos 620 mil presos do Brasil não têm culpa formada. Fosse Cancellier um pobre da periferia nem ouviríamos falar. Nessa tragédia, ilegalidades em nome do combate à corrupção. E segue se multiplicando o ferir a lei em nome da lei. Some-se a dribles na lei por parte de quem aplica a lei. No serviço público o teto salarial é o dos ministros do Supremo: R$ 33.763. Incontáveis reportagens Brasil afora: há juízes que, ao menos uma vez por ano, recebem mais de R$ 100 mil. Resultado de penduricalhos acrescidos ao salário. Tudo, claro, tornado dentro da lei. Mas tudo profundamente imoral se feito por qualquer cidadão dito "comum".  Sempre a certeza dos "Ouvidos Moucos", dos olhos vendados e do temor reverencial.

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