Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Set21

Trezentos pesquisadores cobram que suprocuradora negacionista corrija parecer sobre máscaras

Talis Andrade

máscara mascarados.jpg

 

 

Sem amparo na ciência, Lindôra Araújo afirmou que não era possível comprovar a eficácia do uso de máscaras no combate à Covid-19

 

 
 
Um grupo formado por 301 pesquisadores brasileiros publicou na sexta-feira (3/9) uma carta aberta contestando as afirmações mentirosas que a subprocuradora Lindôra Araújo fez para descredenciar o uso de máscaras na pandemia. Os signatários da carta, que são professores de epidemiologia em diversas instituições do país, declaram que Araújo cometeu um “imenso equívoco que ultrapassa os limites do seu conhecimento jurídico” e cobram uma retificação do posicionamento emitido pela subprocuradora.
 

Os pesquisadores dizem não haver mais dúvidas de que a efetividade do uso de máscaras como forma de prevenção contra a Covid-19 foi comprovada por estudos epidemiológicos e de outros campos científicos.

“Esta negação é prejudicial não apenas por inserir no processo legal uma informação que é inconsistente com o muito que se acumulou cientificamente sobre o tema, ela pode prejudicar ainda mais a política de prevenção da Covid-19 que o Governo Federal do nosso país tem resistido implementar”, escreveram os signatários.

O documento, que foi protocolado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), conta com assinaturas dos epidemiologistas César Victora, Maurício Barreto, Gulnar Azevedo e Silva e Carlos Augusto Monteiro, entre outros.

Lindôra Araújo declarou no dia 17/8 que não via crime nas aglomerações sem máscara do presidente Jair Bolsonaro e que “não é possível comprovar a eficácia da máscara de proteção”. A manifestação foi enviada pela subprocuradora ao STF em resposta a dois pedidos de investigação contra Bolsonaro por não usar máscaras em aglomerações.Bolsonaro, um presidente provocador e sem máscara - ISTOÉ DINHEIROBolsonaro faz visita surpresa a Araguari sem máscara e provoca aglomeração  | O TEMPO

Bolsonaro tira máscara de criança e reforça sua atuação para disseminar o  vírus da Covid no Brasil (vídeo) - Brasil 247Em evento com aglomeração, Bolsonaro tira máscara de criança - YouTube
Sem máscara, Bolsonaro se aglomera com eleitores e pega criança no colo  após votar no Rio - Eleições 2020 - Extra Online

Bolsonaro no MPF por tirar máscara de criança

por Altamiro Borges

- - -

O número de processos contra o presidente genocida vai crescer nos próximos meses. Nesta semana, a Rede Nacional Primeira Infância (RNPI) ingressou com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) contra o “capetão” por ele ter tirado a máscara de uma criança em mais um evento eleitoreiro no município de Pau dos Ferros (RN).

“A RNPI manifesta por meio da representação e desta nota a sua reprovação pela atitude do Sr. Jair Messias Bolsonaro, Presidente da República, de tirar a máscara de uma criança e solicitar que outra criança tirasse a própria máscara em evento ocorrido no Rio Grande do Norte” na quinta-feira passada (24).Bolsonaro acenou para que a criança tirasse a máscara para recitar a composição(foto: Redes Sociais/Reprodução)

A nota ainda acrescenta: “É lamentável uma atitude dessa num país que já perdeu mais de 500 mil cidadãos para a Covid-19… Completaremos em 2021 o trigésimo primeiro aniversário do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a atitude da autoridade máxima do país é uma clara violação às leis de proteção dos direitos das crianças e adolescentes”.

A entidade lembra que “o artigo 5º do ECA determina que ‘nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais’”.

Hoje, o Brasil se aproxima das 600 mil mortes. 

Pazuello é fotografado andando sem máscara em shopping de Manaus 

pazuello sem máscara.jpg

 

01
Abr20

Não são as caminhonetes em carretada que estão salvando vidas: são as instituições democráticas

Talis Andrade

virus vidro coronavirus .jpg

 

 

III - Coronavírus: Bolsonaro só acredita na ‘ciência’ quando o resultado lhe interessa 

 
 
 
Esse populismo científico hoje se mostra letal. E isso não é privilégio dos autoritários tupiniquins. Donald Trump tem causado constrangimento entre as principais autoridades em epidemiologia que dão suporte às ações do governo norte-americano. Trump é o próprio ignorante orgulhoso – e agora faz jus a esse título defendendo o uso de hidroxicloroquina e azitromicina no combate ao coronavírus.
 

Hidroxicloroquina, em particular, é a mesma substância o que a família Bolsonaro está engajada difundir como possível cura do coronavírus – o que pode ter consequências catastróficas sobre a população brasileira que há muito tempo está exposta à automedicação e ao mercado ilegal de remédios e receitas médicas falsificadas. Mas nem Donald Trump nem Boris Johnson ganham de Jair Bolsonaro quando o assunto é estupidez humana. Nenhum líder do mundo tem sido tão irresponsável, danoso e até genocida do que aquele que ocupa o Palácio do Planalto. Como disse a manchete da revista norte-americana The Atlantic: “O movimento de negação do coronavírus tem agora um novo líder”.

O antídoto contra o populismo científico é um só: a ciência consolidada. Como apontou Mariana Varella, editora-chefe do Portal Drauzio Varella, ao contrário de muitos tópicos em que há disputas de visões, no caso do coronavírus há consensos estabelecidos: 1) isolamento diminui a curva da disseminação e 2) a situação do Brasil será grave.

Quando milhões de vidas estão em risco, não há diálogo com fanáticos. Foram muitas décadas de lutas para que chegássemos a um modelo de democracia que se pretende secular. A tolerância precisa ser zero.

twitter.jpg

 

Nessa mesma direção, a tão comentada saída da CNN Brasil da comentarista Gabriela Prioli não podia ter sido mais acertada. Não dá para opiniões embasadas em evidências debaterem com o achismo como se fosse um debate simétrico. Também foi fundamental a atitude do Twitter em deletar os tuítes de Bolsonaro que exibiam imagens de ele dando as mãos para ambulantes do Distrito Federal. Os representantes da rede social declararam que as publicações iam de encontro às orientações oficiais de saúde pública. O limite da liberdade de expressão é justamente quando ela fere o princípio da honra e da vida. Declarações genocidas precisam ser banidas.

Por outro lado, diante de toda essa tragédia, há de se celebrar que, como bem colocou o cientista político Steven Levitsky, a crise do coronavírus isolou os líderes autoritários. A gente pode sofrer com a repercussão e insanidade de Bolsonaro, mas existe um fato inegável: grande parte da população está confinada, e o presidente está sendo desautorizado por políticos e pela população. Sua legitimidade se corrói ainda mais entre setores que ainda estavam em cima do muro – é claro, que não estou falando do bolsonarista-raiz.

Hoje, à frente do país estão as instituições de pesquisa, as autoridades sanitárias, os meios de comunicação e a sociedade civil que se organiza para garantir a sobrevivência dos mais vulneráveis. Não são as caminhonetes em carretada que estão salvando o Brasil: são as instituições democráticas que, a duras penas, resistem e se engrandecem em momentos de crise.

brasil não pode parar.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub