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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

04
Nov18

Há duas aberrações nos atos políticos de Sérgio

Talis Andrade

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Moro no Governo era o óbvio; mas o Ministério dele é outro

 

Ministério das Minas e Energia: esse deveria ser o órgão oferecido pelo presidente a Moro. (Explicaremos isso adiante.)

 

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por Marconi Moura de Lima Burum

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O juiz Sérgio Moro é de longe o membro do Poder Judiciário mais político que já existiu na República. Desde que deflagrou, em 2014, a primeira operação da sequência da Lava-Jato, o magistrado tem posto em xeque a lógica e a técnica do Direito num jogo tão ardiloso que assustaria Maquiavel em seu esforço de teorizar a política, tal como o fez tão brilhantemente. Não há nos dias de hoje alguém que opere mais as artimanhas do jogo do poder quanto o Juiz Moro.

 

Até aí não haveria qualquer tensão: a política é direito de todos. No entanto, há duas aberrações nos atos políticos de Sérgio Moro. A primeira é que, aos membros da magistratura é antiético e ilegal agir politicamente enquanto existir vínculo de trabalho. Para "fazer" política, ele deveria pedir, no mínimo, sua aposentadoria frente ao Judiciário [1].

 

O segundo é bem mais grave: Moro usou de sua independência como órgão da Justiça para servir [2] aos interesses de multinacionais do petróleo a fim de enfraquecer as ações da empresa Petrobrás na Bolsa de Valores, consequentemente, serem vendidas a preço de banana para estas empresas estrangeiras. E, por coincidência (#SQN), a deposição da Presidente da República, Dilma Rousseff, que sempre sinalizou a proteção do Pré-sal [3] como riqueza estratégica à soberania nacional e às futuras gerações, abriu caminho para assumir o governo um "entreguista", o vice, Michel Temer, que sempre foi aliado aos interesses do mercado estrangeiro.

 

(Não me aterei às decisões de Moro neste texto. Isso deverá ser objeto de sua pesquisa, caro Leitor. Todavia, preste atenção que tudo que o magistrado faz em relação à Petrobrás, cada decisum, faz a nossa empresa afundar cada dia mais no Mercado.)

 

Não se trata este texto de uma contra-política a Moro, tampouco de especulação evasiva sobre a geopolítica global. Uma simples pesquisa do cidadão mais curioso, cruzando alguns dados na internet, fará perceber que este magistrado está constantemente viajando para os EUA (e não é para fazer compras em Nova Iorque). Trata-se de um agente indireto de operações de sabotamento das estruturas, do conteúdo e das riquezas nacionais a fim de contemplar os interesses da Shell e de outras grandes empresas sobre o nosso petróleo.

 

Apresento aqui perguntas que teimam em não sair do pensamento deste autor: Moro boicota a Petrobrás para ganhar algum dinheiro a mais destes estrangeiros? O juiz tem muita raiva das instituições e da sociedade brasileira (pois seus atos – o tempo provará – sabotam também a capilaridade das instituições e da civilização brasileira), e luta para fragiliza-las? Este magistrado é algum agente secreto, contratado pela CIA e infiltrado nas instituições brasileiras? Ou é apenas um político egoísta, em cuja ambição ultrapassa todos os limites razoáveis para alimentar sua sede pelo poder (que aliás, ele abusa com deleites de prazer, de sua autoridade, e ninguém, absolutamente nenhuma instituição controla seus abusos)?

 

Estas perguntas serão respondidas apenas nos livros de História do Brasil. O problema são seus atos que farão retroceder a independência e a força do Brasil diante as grandes nações uns 100, ou 200 anos, e as consequências práticas para a sociedade será o aleijamento estrutural das futuras gerações.

 

Pior que, por medo ou outra coisa, estes atos do pseudo herói-juiz são homologados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), destarte, se vestem de oficialidade e terminam por obter a anuência da Grande Mídia a partir da frágil cognição crítico-social de nosso povo. Ou seja: são crimes – de lesa pátria – que cometem(os) hoje para punir nossos filhos, netos e bisnetos.

 

Dito isto, podemos retornar à ironia, todavia, mais ainda: à pragmática da epígrafe deste texto: o Sérgio Moro "oficializar" sua entrada na política não era uma novidade para quem a isto estuda. Trabalhar com o presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, também não seria uma [boa] nova, haja vista que é este político que constantemente presta continência para a bandeira dos EUA, o que mostra sua submissão aos "americanos". O que chamou minha atenção é que o Ministério adequado ao Moro seria o das Minas e Energia, assim consolidando sua sequência de ajudar a entregar a preço de fim de feira nosso petróleo e as demais riquezas deste País. E o lamentável disso tudo é que o povo brasileiro comemora sua desgraça como a boiada que, indo para o matadouro, segue a fila na disciplina da mortificação.

 

Como diz minha amiga Edinalva Benício, uma moça simples da roça, e que ampliou ainda mais seus horizontes cognitivos ao se tornar estudante de Pedagogia da Universidade Federal de Tocantins (UFT-Arraias): "Eles nos cozinharão em pouco fogo. E assim farão conosco o que eles quiserem".

 

O "Eles" de minha sábia amiga são os políticos do Sistema: Moro, Bolsonaro, Aécio, Temer etc. O "nos cozinharão em pouco fogo", refere-se a nos iludir com suas palavras de "salvação", cujo entorpecimento atingiu sobremaneira até alguns cidadãos mais atentos à política. Agora, de tudo, o mais grave é: "farão conosco o que eles quiserem", inclusive acabar com a maior parte das riquezas que nos pertencem, porém, que não temos o direito de arrancar das futuras gerações por nossa ignorância civilizatório-coletiva.

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[1] Moro, antes de cometer suas metas políticas, deveria ter seguido o exemplo de Flávio Dino, ex-juiz e atual governador do Maranhão; de Marlon Reis (o juiz "da proposta da Lei do Ficha Limpa), que foi candidato a governador pelo Tocantins nessa eleição; e do governador eleito do Rio de Janeiro, que também é juiz. Ambos tiveram de sair do Judiciário para cumprir o que determina a Constituição da República.

 

[2] Mesmo que indiretamente, ajudou sua esposa, em cujo escritório de advocacia de sua sociedade presta serviços à empresa Shell petroleira.

 

[3] Pré-sal: uma das maiores descobertas dos últimos séculos. Trata-se das maiores reservas de petróleo do Brasil e uma das maiores do mundo. Ainda não foi possível estimar a quantidade de óleo encontrada nas costas marítimas brasileiras, entretanto, a potência é tão grande que abriu o horizonte à ganância das empresas estrangeiras, que têm comprado apoios no Congresso Nacional brasileiro para que se aprove leis de abertura destes poços à exploração internacional.

 

[4] Bolsonaro afirmou, com seu slogan de campanha que o Brasil deve estar "acima de todos". Contudo, ao prestar continência o tempo inteiro à bandeira dos EUA, mostra-se mais uma de suas mentiras; ele não é patriota, tampouco, nacionalista, assim como seu novo ministro, Sérgio Moro.

 

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27
Out18

“O muro é a ditadura”. Por Eleonora de Lucena

Talis Andrade

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Ninguém poderá dizer que não sabia. É ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando. Por Eleonora de Lucena

 

 

Eleonora de Lucena, durante dez anos (2000/2010) editora-executiva da Folha de S. Paulo, publica hoje no jornal paulista um artigo que orgulha o jornalismo e desanca os covardes o os oportunistas, na imprensa, na política e no empresariado.

 

“O muro é do candidato da ditadura, da opressão, da violência, da destruição, do nojo”, resume assim a imperdoável atitude dos que acham que críticas, ainda que várias delas justas, a um partido possam justificar quem assiste omisso o risco da morte da democracia, da liberdade e do convívio civilizado.

 

Compartilho pela grandeza do texto, compartilho pelo que resta de dignidade de uma profissão que me chamou, ainda jovem, pelo que podia fazer pela liberdade.

 

Não adianta pedir desculpas daqui a 50 anos

 

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por Eleonora de Lucena, na Folha

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Ninguém poderá dizer que não sabia. É ditadura, é tortura, é eliminação física de qualquer oposição, é entrega do país, é domínio estrangeiro, é reino do grande capital, é esmagamento do povo. É censura, é fim de direitos, é licença para sair matando.

 

As palavras são ditas de forma crua, sem tergiversação – com brutalidade, com boçalidade, com uma agressividade do tempo das cavernas. Não há um mísero traço de civilidade. É tacape, é esgoto, é fuzil.

 

Para o candidato-nojo, é preciso extinguir qualquer legado do iluminismo, da Revolução Francesa, da abolição da escravatura, da Constituição de 1988.

 

Envolta em ódios e mentiras, a eleição encontra o país à beira do abismo. Estratégico para o poder dos Estados Unidos, o Brasil está sendo golpeado. As primeiras evidências apareceram com a descoberta do pré-sal e a espionagem escancarada dos EUA. Veio a Quarta Frota, 2013. O impeachment, o processo contra Lula e sua prisão são fases do mesmo processo demolidor das instituições nacionais.

 

Agora que removeram das urnas a maior liderança popular da história do país, emporcalham o processo democrático com ameaças, violências, assassinatos, lixo internético. Estratégias já usadas à larga em outros países. O objetivo é fraturar a sociedade, criar fantasmas, espalhar medo, criar caos, abrir espaço para uma ditadura subserviente aos mercados pirados, às forças antipovo, antinação, anticivilização.

 

O momento dramático não permite omissão, neutralidade. O muro é do candidato da ditadura, da opressão, da violência, da destruição, do nojo.

 

É urgente que todos os democratas estejam na trincheira contra Jair Bolsonaro. Todos. No passado, o país conseguiu fazer o comício das Diretas. Precisamos de um novo comício das Diretas.

 

O antipetismo não pode servir de biombo para mergulhar o país nas trevas.

 

Por isso, vejo com assombro intelectuais e empresários se aliarem à extrema direita, ao que há de mais abjeto. Perderam a razão? Pensam que a vida seguirá da mesma forma no dia 29 de outubro caso o pior aconteça? Esperam estar livres da onda destrutiva que tomará conta do país? Imaginam que essa vaga será contida pelas ditas instituições –que estão esfarrapadas?

 

Os arrivistas do mercado financeiro festejam uma futura orgia com os fundos públicos. Para eles, pouco importam o país e seu povo. Têm a ilusão de que seus lucros estarão assegurados com Bolsonaro. Eles e ele são a verdadeira escória de nossos dias.

 

A eles se submete a mídia brasileira, infelizmente. Aturdida pelo terremoto que os grandes cartéis norte-americanos promovem no seu mercado, embarcou numa cruzada antibrasileira e antipopular. Perdeu mercado, credibilidade, relevância. Neste momento, acovardada, alega isenção para esconder seu apoio envergonhado ao terror que se avizinha.

 

Este jornal escreveu história na campanha das Diretas. Depois, colocou-se claramente contra os descalabros de Collor. Agora, titubeia – para dizer o mínimo. A defesa da democracia, dos direitos humanos, da liberdade está no cerne do jornalismo.

 

Não adianta pedir desculpas 50 anos depois.

 

 

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24
Out18

General Golbery e a volta da tigrada

Talis Andrade

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por Marcelo Zero

 

A possível eleição de Bolsonaro poderá ser mais destrutiva que a ditadura de 1964.

 

Ele, que defendeu ontem a prisão ou a expulsão de opositores, assumiu sua face mais sinistra.

 

Bolsonaro é o descendente direto daquilo que o General Golbery denominava de “a tigrada”. Esse era o pessoal militar encarregado diretamente dos órgãos de inteligência e da repressão aos opositores políticos do regime.

 

Era o pessoal que vigiava, perseguia, torturava, sequestrava e matava. Era gente da direita mais extrema, de menor nível intelectual, que se encarregava de fazer o trabalho sujo para o regime.

 

Era também um pessoal difícil de controlar, selvagem, que se opunha a quaisquer concessões para suavizar a ditadura e dar-lhe uma aparência de civilidade. Queria o extermínio de toda a oposição, desde os pequenos grupelhos que haviam aderido à luta armada aos opositores democráticos e de consciência. Para eles, todos eram comunistas a serem varridos do mapa, como fala hoje o capitão Bolsonaro.

 

Quando Geisel iniciou o processo da “abertura lenta, gradual e segura”, a tigrada deu trabalho. Se opôs ferrenhamente às pequenas concessões a um mínimo de civilidade e continuou a torturar e matar quaisquer opositores, mesmo os mais pacíficos.

 

A luta surda entre os moderados e a linha-dura (a tigrada) continuou por alguns anos. Com o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, que teve ampla repercussão internacional, Geisel resolveu demitir Ednardo D`Ávila, chefe do Segundo Exército e um dos expoentes da linha-dura. Mais tarde, conseguiu demitir Silvio Frota, o grande chefão da tigrada e da linha-dura.

 

Mesmo após a abertura, a tigrada continuou a dar trabalho. Planejaram até atentados que fariam centenas ou milhares de vítimas inocentes, como o do Rio Centro, que felizmente não concretizou, pois a bomba explodiu literalmente no colo dos terroristas.

 

Pois bem, Bolsonaro tem a mesma mentalidade extremamente retrógrada e violenta da “tigrada” de antanho. Por isso, elogia torturadores, como Brilhante Ustra, diz que a democracia não vale nada, que a ditadura errou porque matou pouco, que se deveria matar pelo menos umas 30 mil pessoas no Brasil, inclusive inocentes. Argumenta que o Congresso deveria ser fechado, que as mulheres devem ganhar menos que os homens, que os índios não deveriam ter um centímetro de terra, que os negros quilombolas não servem nem para procriar e uma série de outras barbaridades.

 

Admirador da ditadura e da tortura, misógino, homofóbico e racista, Bolsonaro, em suas quase três décadas de medíocre e obscuro político profissional, que sempre se beneficiou das benesses do sistema, nunca votou a favor do povo trabalhador. Ao contrário, sempre se alinhou com os ricos, com os poderosos, e apoiou os piores projetos do Temer, como a Emenda Constitucional Nº 95 e a reforma trabalhista que aniquilou os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.

 

Ademais, é entreguista, privatizante e quer voltar a uma política externa de alinhamento automático com os EUA. Admirador de Trump, já afirmou até mesmo que entregaria a Base Alcântara para os EUA.

 

Nesse sentido, Bolsonaro é muito pior que os militares reformistas da ditadura, que acabaram prevalecendo.

 

Uma boa parte desses militares, os que seguiam Geisel, tinham uma visão claro do papel que o Estado deveria ter no desenvolvimento brasileiro e eram nacionalistas. Defendiam e estimulavam as empresas brasileiras, estatais e privadas.

 

Ao mesmo tempo, nos tempos de Geisel, o Brasil começou a política externa do chamado “pragmatismo responsável”, que distanciou o país do alinhamento automático ao polo norte-americano da Guerra Fria. O Brasil começou a defender interesses próprios. Assim, o nosso país foi o primeiro a reconhecer, em 1975, a independência de Angola, regida pelos marxistas do MPLA, pois chegou-se à conclusão que isso ajudaria a projetar os interesses brasileiros na África, que saia do colonialismo.

 

Bolsonaro e seu time estão muito longe de terem essas preocupações com a defesa da economia brasileira e com a projeção dos interesses próprios do Brasil no cenário mundial. Bem ao contrário, pregam as privatizações selvagens como solução, desejam implantar políticas ultraneoliberais e submeter o Brasil à órbita geoestratégica dos EUA.

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Além disso são escancaradamente autoritários e violentos. A ditadura de 1964 praticou amplamente tortura. Todo mundo sabia disso. Mas até mesmo os militares da linha-dura tinham vergonha dela e procuravam ocultá-la.

 

Bolsonaro não. Bolsonaro defende a tortura, os sequestros e os assassinatos de forma aberta, até mesmo com orgulho. Para ele, Ustra é um herói. Seu vice, Mourão, o Ariano, vai na mesma linha.

 

Não se enganem, Bolsonaro, se eleito, será difícil de ser controlado. Como Hitler na República de Weimar, tentará assumir um poder absoluto, inconteste.

 

Quando Hitler se livrou dos “políticos antigos” e passou a controlar todas as instituições, a maior parte da população aplaudiu. Deu no que deu.

 

É necessário se entender que o fascismo tupiniquim também saiu do controle. A nossa direita tradicional, que saiu às ruas junto com Bolsonaro, MBL e que tais, na época do golpe, achou, como Hindenburg na Alemanha, que os fascistas podiam ser controlados. Não foram. Nunca são.

 

Uma vez aberta da caixa de Pandora do fascismo, é muito difícil fechá-la. Mesmo para o líder fascista.

 

Como agravante, Bolsonaro será um desastre para a economia brasileira, pois seu projeto é ultraneoliberal. Vai ampliar a destruição dos direitos, vai cortar mais gastos e vai ampliar o entreguismo e as desnacionalizações. Ele quer alegrar o grande capital, nacional e internacional, e agradar seu ídolo, Donald Trump.

 

Isso só poderá ser feito às custas de uma maior exploração dos trabalhadores, o que tenderá a aumentar a miséria e o desemprego.

 

As contradições sociais inevitavelmente vão se agravar e a tensão política irá aumentar. Para compensar, Bolsonaro terá de apresentar alguns resultados na área da política, mais especificamente na área da repressão. Tomará medidas, como a alteração da Lei do Terrorismo, contra “bandidos” e contra movimentos sociais e opositores, os quais serão apresentados, obviamente, como o bode expiatório de seu fracasso econômico.

 

Corre-se, assim, o sério risco da implantação de um “golpe dentro do golpe”, com a geração de uma ditadura mais ou menos dissimulada, tutelada pelos militares, e coonestada por um Congresso extremamente conservador e por um Judiciário em parte conivente com a “restauração da ordem” e com a perseguição aos “vermelhos”.

 

Tudo em nome da “democracia” e do combate ao “caos” e à “corrupção”. Exatamente como em 1964.

 

Bolsonaro não é candidato a presidente. É, assumidamente, pelo que declara de forma pública, um candidato a ditador, que quer prender e expulsar opositores.

 

É uma aberração que envergonha o Brasil perante o mundo civilizado.

 

É a volta da tigrada assassina ao cenário do Brasil.

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09
Out18

Dá para virar

Talis Andrade

 

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 por Marcelo Zero

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Os resultados do primeiro turno, embora chocantes para alguns, face ao crescimento de última hora da candidatura fascista, não chega a ser surpreendente, se levarmos em consideração alguns fatores básicos:

 

1) O principal candidato transformou-se em preso político e foi impedido de concorrer e de falar.

De fato, caso Lula pudesse ter concorrido, como exigiu a ONU, a eleição já poderia ter sido definida em primeiro turno, a favor do PT. Lula, nas últimas pesquisas tinha cerca de 44% das intenções voto. Com ele na disputa, Bolsonaro não passava dos 20%. Lula poderia ter facilmente ganhado a eleição em primeiro turno, "puxando" consigo muitos candidatos a outros cargos eletivos. A situação seria hoje completamente diferente. O Judiciário, dessa forma, deu contribuição inestimável para ascensão do fascismo no Brasil.

 

2) A criminalização da política promovida pela dobradinha Mídia/Lava-Jato enfraqueceu os partidos tradicionais e destruiu o centro político, favorecendo a opção da extrema direita.

O enfraquecimento dos partidos políticos tradicionais, principalmente os do mal chamado centro, já era esperado. Contudo, tal enfraquecimento foi além do esperado e, na reta final da campanha e, especialmente, no dia da eleição, quando muita gente define o voto, houve intensa migração dos votos da direita tradicional para Bolsonaro.

Os votos da direita, pelas últimas pesquisas, somavam algo em torno de 60%. No dia eleição, ficou em torno de 57%. Não houve, portanto, um aumento do voto da direita. O que houve foi uma transferência maciça, de última hora, da direita tradicional para Bolsonaro. Assim, Alckmin definhou de 8% ou 9% para menos de 5%, Marina despencou de cerca de 4% para 1%; Meirelles caiu de 2,5% para 1,2% etc. Ademais, deve ter havido também um efeito band wagon, a tendência das pessoas de votarem no candidato mais bem colocado "para não desperdiçar o voto".

Por seu turno, o campo progressista (Haddad, Ciro, Boulos, etc.) não perdeu votos na reta final. Haddad, por exemplo chegou a quase 30%, superando muitas estimativas.

Mesmo com toda a campanha de ódio e a prisão política do melhor presidente da história do país, o PT fez a maior bancada na Câmara Federal, mesmo perdendo 5 parlamentares da bancada atual, e participa, pela sexta vez, cinco vezes de forma consecutiva, do segundo turno das eleições presidenciais. Afora as segundas colocações que conseguiu em 1994 e 1998.

Ou seja, desde a redemocratização, o PT ou é primeiro ou segundo colocado nas eleições. Repetiu essa proeza por 8 vezes, desde 1989.

Nenhum partido conseguiu isso na história do país. Ante as circunstâncias, extremamente difíceis, não deixa de ser uma façanha política de resistência e resiliência.

Por outro lado, os partidos do golpe perderam bem mais que o PT, ficaram de fora da disputa do segundo turno e se transformaram, no máximo, em siglas médias, medíocres. O MDB, por exemplo, despencou de 66 deputados para 34. E o PSDB colapsou de 54 deputados para 39.

 

3) A crise política-institucional e econômica, criada basicamente pelo golpismo, tende a estimular candidaturas "alternativas" que propõe "soluções" simplistas e de força, como prisão, armamento, destruição de direitos, autoritarismo etc.

Isso ocorre no mundo inteiro. No Brasil não é diferente. A diferença aqui é que a mídia, o Judiciário e os partidos tradicionais cevaram o ovo da serpente do fascismo (algo que jamais aconteceria na Europa), com intuito de derrotar o PT. Agora, o país e sua democracia pagam um preço altíssimo por essa tática suicida e oligofrênica.

 

4) Parece que houve e há ingerência externa nas eleições, com o intuito de beneficiar Bolsonaro

O crescimento de Bolsonaro não pode ser dissociado da intensa e extensa campanha suja de fake news disseminada nas redes socais contra Haddad e outros candidatos progressistas. Trata-se, evidentemente, de uma tática da chamada guerra híbrida, promovida pelas agências de inteligência norte-americanas, em conluio com empresas privadas, como a Cambridge Analytica, para manipular fortemente a opinião pública. A campanha de Bolsonaro, que não tem sofisticação e articulação, deve estar recebendo apoio técnico e logístico para efetuar essa campanha suja a seu favor.

 

5) As candidaturas do campo progressista falharam em traduzir o que concretamente significa fascismo para o "povão"

A crítica contra o fascismo à homofobia, ao racismo, à misoginia etc., embora acertada, repercutiu num eleitorado que já não ia votar em Bolsonaro de qualquer forma. Faltou conquistar um eleitorado que não sabe concretamente o que isso significa.

Portanto, é necessário traduzir o que significa fascismo concretamente para a vida das pessoas. É preciso dizer que Bolsonaro odeia pobres, negros, índios e mulheres, que vai acabar com o 13º e com as férias, com as aposentadorias, com o ensino das escolas, com a saúde, etc.

Além disso, é necessário dizer que ele é acusado de corrupção, que ele é um político tradicional que sempre participou do sistema e nunca fez nada que prestasse, que é um entreguista que bate continência à bandeira americana, que vai entregar a Base Alcântara e o petróleo, que vai vender a Embraer à Boeing, etc.

Bolsonaro é um fenômeno emocional, sem consistência e sem propostas. Ele é uma cria bastarda do golpismo que tomou conta do Brasil. Já foi definido até, por um jornal australiano, como "o político mais repulsivo do mundo".

Há, pois, esperança. Se todas as forças progressistas se unirem, inclusive aquelas do centro, e a campanha for bem feita, há, sim, condições de derrotar o "político mais repulsivo do mundo", que envergonhará o Brasil perante o planeta.

Cerca de 40 milhões pessoas não votaram ou votaram branco ou nulo. Há muito potencial para angariar votos.

Se deixarem Lula falar e participar da campanha, como a ONU exige, a tarefa de derrotar essa ameaça gravíssima à democracia brasileira será muito mais fácil.

Não é hora de ambiguidades e hesitações. Todos os que tem um mínimo de racionalidade sabem bem que Bolsonaro seria um completo desastre. Desastre político, social e econômico. É completamente despreparado e não reúne as condições para reconciliar o Brasil. Ao contrário, com ele, a crise se agravará muito.

A História não perdoará os covardes e os omissos.

 

 

02
Out18

“NENHUM PAÍS SE DESENVOLVE EXPORTANDO PETRÓLEO POR MULTINACIONAIS ESTRANGEIRAS”

Talis Andrade

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Em entrevista exclusiva, o engenheiro Felipe Coutinho, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), foi didático e contundente na defesa da maior e mais importante empresa do país. “Quem pensa que a Petrobrás está quebrada é vítima da ignorância promovida pelos empresários da comunicação, políticos e executivos à serviço das multinacionais do petróleo e dos bancos”, alertou o dirigente.

 

Felipe Coutinho falou dos diversos retrocessos postos em prática pela direção da estatal, verdadeiros crimes de lesa-pátria. Segundo ele, a atual direção da Petrobrás atua para privatizar dezenas de bilhões em ativos até 2021 e beneficiar acionistas estrangeiros. “A privatização desnecessária dos ativos lucrativos e estratégicos, como a malha de gasodutos do Sudeste (NTS) e a alienação de acumulações de petróleo e gás natural promissoras, com Carcará, comprometem o futuro da Petrobrás e do Brasil”, ressaltou o presidente da AEPET.

 

Daniel Mazola entrevista Felipe Coutinho

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Felipe Coutinho, presidente da Aepet

 

 

1 - Com a crise global do capitalismo latente e o declínio do império estadunidense, faça breve analise da conjuntura do setor de petróleo e energia.

Felipe Coutinho: O petróleo é uma mercadoria especial, na medida em que não tem substitutos em equivalente qualidade e quantidade. Sua elevada densidade energética e a riqueza de sua composição, em orgânicos dificilmente encontrados na natureza, conferem vantagem econômica e militar àqueles que o possuem.

A sociedade que conhecemos, sua complexidade, sua organização espacial concentrada, sua produtividade industrial e agrícola, o tamanho da superestrutura financeira em relação as esferas industrial e comercial, foi erguida e depende do petróleo.

O fim do petróleo barato de se produzir e a redução do excedente energético e econômico da indústria petroleira está transformando, aceleradamente, a sociedade.

É necessário garantir a propriedade do petróleo e ficar com seu valor de uso. Atender as necessidades dos brasileiros e erguer a infraestrutura dos renováveis para uma nova organização social.

As maiores multinacionais de capital privado do setor do petróleo não repõem suas reservas na taxa que são esgotadas, têm produção declinante, apresentam resultados financeiros fracos, e perderam boa parte de sua capacidade tecnológica, ao terceirizar suas atividades às empresas prestadoras de serviço. Em uma palavra, definham. Entre as principais causas, a adoção de modelo de negócios baseado em premissas falsas, com objetivo de maximizar o valor para o acionista no curto prazo, com precária visão estratégica ao não compreender o ambiente de negócios, seguindo bovina e consensualmente planos similares baseados em informações de “consultorias independentes”, ao negar restrições socioeconômicas, além de ignorar limites naturais. Caso a Petrobras adote modelo parecido terá o mesmo destino, em breve.

 

2 - Muito se fala na mídia monopolista sobre a dívida corporativa e o endividamento da Petrobras, o que é fato e o que é mistificação? E qual é a melhor forma da Petrobrás reduzir seu endividamento sem se desfazer de ativos importantes?

Felipe Coutinho: Quem pensa que a Petrobrás está quebrada, que a produção do pré-sal é lenta, que o pré-sal é um mico e não tem valor ou que a exportação de petróleo por multinacionais pode desenvolver o Brasil, está sendo enganado. É vítima da ignorância promovida pelos empresários da comunicação, políticos e executivos à serviço das multinacionais do petróleo e dos bancos.

A Petrobrás é a maior e mais importante empresa do país. Embora tenha sido vítima de corrupção sempre esteve muito longe do risco de falência. A estatal é uma grande geradora de caixa. Entre 2012 e 2017, a geração se manteve estável entre 25 e US$ 27 bilhões por ano. Também neste período manteve enormes reservas em caixa, entre 13,5 e US$ 25 bilhões, superiores as multinacionais estrangeiras. A capacidade de honrar compromissos de curto prazo sempre foi evidenciada pelo índice de liquidez corrente superior a 1,5.

A dívida da Petrobrás é proporcional às reservas em desenvolvimento do pré-sal e aos investimentos de mais de US$ 250 bilhões, de 2009 a 2014, sendo perfeitamente administrável pela companhia que cresce, tanto na produção, quanto na geração operacional de caixa.

 

3 - Com essa política neoliberal e entreguista, quais consequências a Petrobrás terá no futuro com a política de desinvestimentos?

Felipe Coutinho: A privatização desnecessária dos ativos lucrativos e estratégicos, como a malha de gasodutos do Sudeste (NTS) e a alienação de acumulações de petróleo e gás natural promissoras, com Carcará, comprometem o futuro da Petrobrás e do Brasil.

Com isso se compromete a geração de caixa e se assume riscos empresariais desnecessários com a maior vulnerabilidade a variação dos preços relativos do petróleo e seus derivados.

Também se compromete o futuro da companhia com o abandono da produção dos biocombustíveis que ocupam o mercado dos combustíveis fósseis, dos petroquímicos e fertilizantes que podem agregar valor ao petróleo e ao gás natural.

 

4 - Assange e Snowden foram homenageados pela Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e DH da Associação Brasileira de Imprensa-ABI - em 2013, na gestão Maurício Azêdo - por iniciativa dos conselheiros Jakobskind e Mazola. O que a AEPET tem feito para divulgar os planos secretos da espionagem americana?

Felipe Coutinho: Produzimos artigos, vídeos e seminários que tratam da ingerência dos EUA na disputa pelo pré-sal e a renda petroleira.

Desde a descoberta do petróleo no pré-sal ocorreram eventos geopolíticos e econômicos relevantes. No Brasil contemporâneo, o petróleo e a Petrobras sempre estiveram no centro dos debates entre projetos políticos para o nosso país. Desde a campanha “O Petróleo é Nosso” que interesses contraditórios disputam a narrativa, o senso comum e o poder político para condução nacional. Em 2018, nas eleições gerais, a disputa pelo petróleo e a renda petroleira continua no centro da contenda.

Apresentamos fatos relevantes desde a descoberta do pré-sal (2006) à privatização acelerada do petróleo brasileiro e dos ativos da Petrobras (desde 2016). Destaco:

1) Anúncio da descoberta do pré-sal – 2006

2) 1a extração do pré-sal, em Tupi (atual Lula) – novembro de 2007

3) Roubo dos notebooks e HDs da Petrobras – janeiro de 2008

4) Reativação da Quarta Frota dos EUA – abril de 2008

5) Lei da Partilha do pré-sal – agosto de 2009

6) EUA treinam agentes judiciais brasileiros - outubro de 2009

7) Reunião de executiva da Chevron no consulado dos EUA sobre a reversão da Lei da Partilha– dezembro de    2009

8) Protestos de junho de 2013

9) Brasil e Petrobras são alvos da espionagem dos EUA –2013

10) Operação Lava Jato e “cooperação internacional”- março de 2014

11) Golpe do impeachment da presidenta Dilma Rousseff – maio de 2016

12) Temer assume agenda das multinacionais do petróleo – a partir de maio de 2016

13) Nova política de preços da Petrobras, exportação de petróleo cru, importação de derivados e ociosidade do refino – desde outubro de 2016

14) “Parcerias estratégicas”, o novo codinome da privatização dos ativos da Petrobras – desde 2016

15) Pagamento de US$ 2,95 bilhões aos acionistas da Petrobras nos EUA – janeiro de 2018

16) Pré-sal representa mais de 50% da produção brasileira de petróleo – 2018. Recomendo o artigo e o vídeo: “Eventos históricos da disputa pelo pré-sal e a renda petroleira”.
(https://felipecoutinho21.wordpress.com/2018/04/21/eventos-historicos-da-disputa-pelo-pre-sal-e-a-renda-petroleira/)

 

5 - A imprensa de mercado insiste em usar a Lava Jato para desmoralizar e entregar a Petrobras ao estrangeiro, qual mecanismo pode ser usado para desconstruir essa mistificação sobre a Petrobrás? Qual o melhor meio para disputarmos a opinião pública na defesa das riquezas nacionais, da Petrobrás e Soberania Nacional.

Felipe Coutinho: Temos que disputar o senso comum e a opinião pública em defesa da verdade sobre a Petrobrás. A luta pela verdade deve ter precedência e é revolucionária. O povo não é bobo, pesquisa recente mostrou que 70% dos brasileiros são contra a privatização da Petrobrás, enquanto 78% são contra o capital estrangeiro na estatal.

O melhor campo para a batalha das ideias é a internet porque é mais democrática, acessível e eficiente.

A Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET – é uma fábrica de ideias em defesa da companhia.

É necessário perguntar:

Defender a Petrobrás de quem? De quais interesses?

Em favor de quem?

O que está em disputa é a renda petroleira, a propriedade do petróleo e os objetivos do seu uso.

As multinacionais privadas que são controladas pelo sistema financeiro querem se apropriar da renda petroleira para maximizar seus lucros no curto prazo.

Querem produzir e se apropriar do petróleo aos menores custos e riscos, com total liberdade para exportá-lo.

Os bancos querem financiar os empreendimentos e garantir o recebimento prioritário da maior taxa de juros possível. Quanto maior a velocidade da extração mais rápido se apropriam desta fração da renda petroleira.

As estatais estrangeiras querem garantir a segurança energética de seus países. Querem transferir a renda petroleira na aquisição de bens e serviços. Querem gerar empregos qualificados em seus países.

Outros interesses privados disputam a renda petroleira, os empreiteiros, os licenciadores de tecnologias, os industriais consumidores dos derivados e os comerciantes de combustíveis.

Aos rentistas interessa que o Estado privatize seus ativos e recursos naturais para garantir o pagamento dos elevados juros da dívida pública.

Os políticos traficantes de interesses e os executivos de aluguel servem aos poderosos interesses privados que cercam a Petrobrás, o petróleo brasileiro e a renda petroleira.

Cabe a AEPET defender a Petrobrás destes poderosos interesses antinacionais.

Em favor dos interesses da grande maioria dos brasileiros, dos estudantes, dos trabalhadores e dos aposentados.

Para que nosso país seja soberano e utilize seus recursos e o fruto do trabalho dos brasileiros para o desenvolvimento, com justiça e dignidade social.

Existe correlação entre o desenvolvimento humano e o consumo de energia per capita. O consumo no Brasil é próximo ao do Paraguai, é cerca de seis vezes menor em relação aos EUA e quatro vezes menor do que a Noruega.

Também existe relação entre o consumo de energia e o crescimento econômico.

Nosso desenvolvimento depende da produção do petróleo na medida das nossas necessidades e em suporte ao progresso do Brasil.

Agregar valor ao petróleo, desenvolver uma indústria forte e diversificada, planejar a distribuição da renda petroleira através do desenvolvimento tecnológico e da produção de bens e serviços especializados.

Utilizar a renda petroleira para levantar a infraestrutura da produção dos biocombustíveis e das energias potencialmente renováveis.

Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais estrangeiras.

Nenhum país, continental e populoso como o Brasil, se desenvolveu exportando petróleo cru ou matérias primas.

 

 

01
Out18

LAVA JATO DESTRUIU INFRAESTRUTURA NO PAÍS, AFIRMA PRESIDENTE DA TRIUNFO

Talis Andrade

O empresário e presidente da Triunfo - uma das principais empresas de infraestrutura do país - Carlo Bottarelli afirma que a operação Lava Jato destruiu a engenharia do país e comprometeu de maneira severa a infraestrutura brasileira, provocando um 'hiato' que pode se arrastar pelos anos subsequentes; ele diz: "nós fomos afetados indiretamente, tivemos [operações de] busca e apreensão, mas nenhuma sentença (...) Fizemos investigação interna, criamos política interna, analisamos contratações. O tempo vai dizer. Precisava mexer. Precisava destruir?"

 

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247 - O empresário e presidente da Triunfo - uma das principais empresas de infraestrutura do país - Carlo Bottarelli afirma que a operação Lava Jato destruiu a engenharia do país e comprometeu de maneira severa a infraestrutura brasileira, provocando um 'hiato' que pode se arrastar pelos anos subsequentes. Ele diz: "nós fomos afetados indiretamente, tivemos [operações de] busca e apreensão, mas nenhuma sentença (...) Fizemos investigação interna, criamos política interna, analisamos contratações. O tempo vai dizer. Precisava mexer. Precisava destruir? Não sei".

 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Bottarelli aponta caminhos e denuncia retrocessos em curso, em função de uma operação mal organizada e desconectada da realidade logística brasileira:

 

Sobre o contrato da Triunfo com o Porto de Santos, o empresário diz: "o contrato de concessão por sua natureza é imperfeito. Um contrato de 25 anos de duração tem que estar suficientemente adequado a receber flexibilidade. Existe uma rigidez, que nasce da lei de licitações, que limita a expansão de contratos de obras. No entanto, alguns órgãos de controle e o judiciário expandiram essa rigidez para as concessões. Criou-se um engessamento".

 

Bottarelli comenta ainda como funciona um contrato de concessão: "uma das críticas é que há uma cultura excessiva de fazer aditivos nos contratos. Mas esse é o contrato imperfeito. Se o aditivo está correto e respeita o interesse público, qual o problema? Mas acha que houve abusos de empresas que contaram com esses aditivos na hora de dar lances mais competitivos no leilão, pensando: eu ganho, depois renegocio? Não acho. Ninguém faz isso. Ninguém joga no risco. Porque tem o risco de não renegociar, que é muito alto, e aí você amarga 25 anos de contrato. Isso é uma cultura de obra.

(...)

O que precisa ser feito para melhorar? Precisa fortalecer as agências, delimitar a atuação dos órgãos de controle. Tem que criar algum mecanismo de controle para o erro imperfeito, o cara tem direito de errar sim, desde que não tenha dolo. É um campo muito complexo de falar hoje em dia porque hoje a temática é de caça às bruxas e busca de culpados. Mas a pessoa tem direito de errar, o erro existe, é da natureza humana".

 

 

01
Out18

BOEING JÁ QUER TRANSFERIR PRODUÇÃO E EMPREGOS DA EMBRAER PARA OS EUA

Talis Andrade

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A Lava Jato e o governo de Temer destruíram a infra-estrutura, a engenharia, privatizou estatais, desnacionalizou grandes empresas, transformando o Brasil no país das montadoras e oficinas. Remember os casos da Braskem, da Embraer,  da entrega das refinarias da Petrobras, dos estaleiros, da Base de Alcântara de lançamento de foguetes.

 

Escreve Rui Daher: "Estão entregando tudo, de forma descarada, inescrupulosa, assassina, por que tira a cidadania e a dignidade dos mais pobres. Enquanto Temer compra políticos, Meirelles vende patrimônios, e assim se fazem de putas". 

 

Escreve D. Aroeira: O Temer PMDB/PSDB e sua quadrilha anunciaram no dia 23 de agosto de 2017 um plano de realizar, imediatamente, 57 novas privatizações. Entre os itens colocados à sanha dos monopólios transnacionais neste último pregão, estão portos, aeroportos, rodovias e até mesmo a Casa da Moeda. Em setembro de 2016, menos de um mês após assumir o gerenciamento semicolonial do país, já havia anunciado outras 34 privatizações. Dentre os monopólios que se beneficiaram da privataria de Temer e sua quadrilha estão empresas alemãs, francesas e suíças."

 

 

Ribamar Fonseca: "E os traidores infiltrados nos três poderes estão transferindo para as mãos do Tio Sam a Petrobrás fatiada, o pré-sal, a Eletrobrás, a Embraer, a indústria de carne, a base espacial de Alcântara, parte da Amazônia e o nosso espaço aéreo, entre outras coisas. A dominação norte-americana, no entanto, é muito mais ambiciosa, pois pretende, também, o controle de nossas Forças Armadas. Há um antigo projeto do governo dos Estados Unidos de transformar as Forças Armadas dos países da América Latina, especialmente do Brasil, em milícias, deixando para o seu exército a defesa do território continental. O primeiro grande passo para isso já foi dado, com a intervenção no Rio de Janeiro, que transformou o nosso exército em policia."

 

Para Cerqueira Leite, a política internacional brasileira “tem reflexo na capacidade de pensarmos sobre a questão da ciência e tecnologia”. Hoje, segundo ele, essa política é de “submissão na aceitação do capital internacional como uma espécie de domínio no Brasil. O país, define, “já é meio colônia”. “Estamos acompanhando os países mais atrasados no mundo na questão da consciência da importância da ciência e tecnologia para o bem-estar do povo, para o desenvolvimento econômico, para tudo que é importante para o prestigio de um país. Atualmente os ministérios que mandam no Brasil são os que comandam o dinheiro e eles não perceberam importância da ciência e da tecnologia. Infelizmente os cortes do governo nos últimos dois anos foram muito significativos e comprometeram trabalhos já em andamento e novos possíveis ganhos em competência e qualidade”. Cerqueira Leite identifica nesse desleixo do governo com a ciência uma “psicologia de vira-lata”. “O Brasil acha que não tem o direito de concorrer, de se auto-afirmar”.

 

247 - Antes que o Brasil volte a ter um governo legítimo, a Boeing corre para acelerar a transferência de tecnologia e produção da Embraer para seu território. Já estão em andamento planos para a instalação nos Estados Unidos de uma linha de produção do cargueiro militar KC-390, uma das obras-primas da aviação mundial. O setor de aviões militares não fazia parte do acordo original de venda da Embraer, mas com com o governo golpista o Brasil perdeu a soberania e a empresa americana alastra seus tentáculos e tende a absorver a integralidade da empresa brasileira. Com isso, voam para os EUA empregos, produção e tecnologia.

 

O KC-390 é um dos projetos aeronáuticos mais elogiados do mundo. Ainda em fases de testes e certificação, ele atende a funções múltiplas em logística e pode ser usado para transporte de cargas, abastecimento, remoção de feridos e mais uma série de aplicações complexas.

 

A reportagem do jornal Valor destaca que o "relatório recente do Bank of America, assinado por Ronald Epstein, um dos mais respeitados analistas do setor aéreo, trazia a informação sobre o plano de levar o KC aos EUA. A Embraer não quis comentar. Mas o Valor apurou que, em conversas com analistas de ações fora do Brasil, os executivos da Embraer têm falado genericamente sobre essa negociação em curso".

 

 

 

28
Set18

Documentário mostra como a Lava Jato destruiu a economia em poucos meses

Talis Andrade

 

 

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Um documentário publicado na última sexta (12), no Youtube, mostra como a Lava Jato destruiu parte considerável da economia brasileira nos últimos anos, fabricando heróis que imprimem na opinião pública a ilusão de que a operação é necessária a uma limpeza profunda da corrupção sistêmica no governo federal, sem deixar perceptível a agenda oculta.

 

Em questão de meses, as grandes empresas nacionais tiveram suas obras paralisadas, levando milhares de trabalhadores ao desemprego e à falta de perspectiva quanto a retomada.

 

Quem ganha com a quebra da indústria nacional?

 

O governo Temer abriu as portas a multinacionais interessadas em ocupar o lugar das empreiteiras derrubadas pela Lava Jato.

 

A privatização das estatais, a desnacionalização das grandes empresas justificam o golpe jurídico-parlamentar que derrubou Dilma Rousseff, prendeu o presidente Lula da Silva e promoveu o governo vassalo de Michel Temer, chefe do quadrilhão do MDB. 

 

 

 

 

 

28
Set18

EFEITOS DA LAVA JATO NA PETROBRÁS: ESTÃO ENTREGANDO O PRÉ-SAL PUNINDO A CATEGORIA E MATANDO APOSENTADOS E PENSIONISTAS!

Talis Andrade

 

por EMANUEL CANCELLA 
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O clima de golpe na Petrobrás se manifestou quando a direção do Sindipetro-RJ, em 14 Julho 2016, fez o enterro simbólico do tucano Pedro Lalau Parente e de toda a sua diretoria (20). Isso em frente à empresa, no Edifício Senado (Edisen), Centro do Rio
 

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Além do enterro, denunciei, enquanto diretor do Sindipetro/RJ e da Federação Nacional dos Petroleiros - FNP, formalmente, a omissão da Lava Jato quanto à gestão criminosa dos tucanos FHC e Pedro Lalau Parente, isso em novembro de 2016, até hoje sem resposta. Veja a íntegra da denúncia (1).

 

A Partir daí, toda a diretoria do Sindipetro-RJ foi interpelada por Pedro lalau Parente em dezembro de 2016 por um dos mais renomado advogado criminais do Brasil, que é o Dr Nilo Batista (9).

 

Cheguei a fazer um livro, enquanto diretor do Sindipetro-RJ e da FNP: A Outra Face de Sérgio Moro – Acobertando os tucanos e Entregando a Petrobrás.  Antes do lançamento do livro, fui intimado pelo MPF, num claro intuito de cancelar o lançamento, mas o livro saiu.

 

Fui intimado duas vezes, em um ano, pelo MPF, a pedido do juiz Sergio Moro, alegando que eu estaria ofendendo o funcionário publico juiz, Sérgio Moro. Agora o MPF me ameaça por crime de calúnia. Estou aguardando a sentença. Veja o teor das intimações (17 a 19).

 

Apesar dessa ação truculenta de Pedro Parente e da Lava Jato contra o Sindipetro-RJ, as Federações, Associações e demais sindicatos de petroleiros se calaram em relação à Lava Jato, basta ver seus boletins e páginas eletrônicas.

 

O tucano Pedro Parente, mesmo sendo réu em ação que deu um rombo bilionário na empresa em 2001, conseguiu assumir, com total omissão da Lava Jato, a presidência da Petrobrás (2).

 

Enquanto os petroleiros aposentados e aposentados pagam em seus contra cheques por um rombo que não fizeram, Pedro Lalau Parente, que deu um rombo de R$ 5 BI a Petrobrás, além de não pagar o “Rombo”, ainda pune os petroleiros.

 

Continuando acobertado pela Lava Jato, Pedro Lalau Parente fez muito mais: “vendeu” o campo gigante de Carcará do pré-sal ao preço de um refrigerante o barril de petróleo. Pedro Lalau Parente também “vendeu” a petroquímica de Suape ao preço de 5 dias de faturamento (3 a 6).

 

Na gestão de Pedro Lalau, a direção da Petrobrás pagou R$ 2 BI ao banco J.P. Morgan de um empréstimo que só venceria em 2022. Pasmem! Pedro lalau é sócio do banco!  (7,8)

 

Dizendo combater a corrupção, na verdade o resultado de sua ação na “Petrobras é que ela vai pagar R$ 3,4 bi para encerrar investigações sobre corrupção nos EUA” (14). Petrobrás já tinha pago R$ 10 BI aos acionistas americanos e agora paga mais R$ 3,4 BI (15).

 

E agora vamos entregar aos acionistas holandeses outros bilhões: “A Petrobras confirmou nesta quarta (19) que a Corte Distrital de Rotterdam decidiu favorável à ação coletiva (class action) proposta pela Stichting Petrobras Compensation Foundation contra a companhia brasileira e outros co-réus na Holanda, mas sem análise do mérito” (16).

 

Nessa entrega a acionistas americanos e holandeses, fica a suspeição de conluio da Lava Jato com os EUA e contra o Brasil, quando lembramos:

 

- A Lava Jato chamou os procuradores americanos para investigar a Petrobrás e foi ela que permitiu a ida do larápio da Petrobrás, o ex-diretor da companhia, Paulo Roberto Costa, para testemunhar em tribunais americanos contra a Petrobrás (10,11).

 

- A Lava Jato sabe, tanto quanto os americanos que abocanham nosso patrimônio, que a causa da queda das ações da Petrobrás não foi a corrupção. Tanto que o valor das ações caíram para todas as petroleiras do mundo, não só na Petrobrás.

 

A Shell, por exemplo, com a queda do preço do petróleo em 2015 teve o maior prejuízo em 16 anos (11).

 

Essa queda foi uma manobra dos EUA, junto a Arábia Saudita, que resultou numa maior oferta de petróleo no mercado internacional, fazendo o barril de Petróleo despencar de cerca de US$ 100 para US$ 25.  Essa queda do preço do barril de petróleo, estimulada pelos EUA, em 2015, foi para prejudicar seus desafetos politico  os grandes produtores como principalmente, Irã, Rússia, Venezuela e Brasil (12,13).

 

Resumindo, a tese dos tribunais americanos, alimentada por Moro, é de que o motivo da queda do valor da ação da Petrobrás seria a corrupção na Empresa, o que não é verdade, tanto que as ações de todas as petroleiras no mundo caíram.

 

“Documentário mostra como a Lava Jato destruiu a economia em poucos meses” (22).

 

Enquanto isso, petroleiros da ativa, aposentados e pensionistas estão pagando, em 18 anos, um rombo do fundo de pensão que, segundo a Petros, é de R$ 27 BI. Muitos aposentados e pensionistas estão morrendo por conta desse desconto, que chega a 13% do salário no contracheque.

 

Morrem decepcionados com a direção da Petrobrás e da Petros, e muitos por não terem dinheiro nem para comprar remédio.

 

O triste é constatar que a gestão desses petroleiros foi responsável pelo desenvolvimento de tecnologia inédita no mundo que permitiu a descoberta do pré-sal. O pré-sal garante o abastecimento de petróleo ao país no mínimo nos próximos 50 anos. Por essa descoberta, a Petrobrás ganhou pela terceira vez o prêmio da OTC, considerado o “Oscar” da Indústria do petróleo (21).

 

Enquanto a Petrobrás é premiada no mundo pela descoberta do pré-sal, os  petroleiros no Brasil são castigados e vão pagar por um rombo ou erro dos gestores, se é que houve.

 

Fonte:

1http://www.apn.org.br/w3/index.php/nacional/8685-petroleiro-protocola-denuncia-contra-operacao-lava-jato  

2https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2016/06/presidentes-da-petrobras-e-do-bndes-sao-reus-em-acao-por-rombo-bilionario-9872.html

3https://www.cartacapital.com.br/revista/977/a-venda-do-pre-sal-um-desastre-para-o-brasil

4https://www.redebrasilatual.com.br/economia/2018/06/governo-temer-vende-mais-tres-areas-do-pre-sal-a-multinacionais

5http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/127/escandalo-da-petroquimica-de-suape-a-pasadena-de-temer

6https://www.brasildefato.com.br/2016/08/25/promocao-do-pre-sal-barril-a-preco-de-refrigerante

7https://dinheirama.com/blog/2018/05/26/petrobras-pagou-r-2-bilhoes-para-socio-de-pedro-parente/

8https://www.brasil247.com/pt/247/poder/356221/Banco-presidido-por-s%C3%B3cio-de-Pedro-Parente-recebeu-R$-2-bi-da-Petrobras.htm

9https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=2201420444155051389#editor/target=post;postID=6488952977864446344;onPublishedMenu=template;onClosedMenu=template;postNum=1;src=postname

10https://jornalggn.com.br/noticia/em-video-procurador-dos-eua-admite-parceria-informal-com-a-lava-jato

11https://www.brasil247.com/pt/247/economia/266338/Costa-vai-ajudar-EUA-em-a%C3%A7%C3%A3o-contra-Petrobras.htm

12https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/petrobras-vale-hoje-quase-sete-vezes-menos-que-no-auge-de-sua-cotacao-em-2008/

13http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/barril-de-petroleo-da-opep-cai-para-us-25-o-menor-preco-em-12-anos.html

14https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/09/petrobras-vai-pagar-r-34-bi-para-encerrar-investigacoes-sobre-corrupcao-nos-eua.shtml

15https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2018/02/parlamentares-vao-a-justica-contra-entrega-de-r-10-bi-por-presidente-da-petrobras

16https://www.esmaelmorais.com.br/2018/09/a-lava-jato-segue-detonando-a-petrobras-tribunal-holandes-aceita-acao-contra-estatal-brasileira/

17http://www.viomundo.com.br/denuncias/moro-intima-petroleiro-por-possiveis-praticas-de-crime-contra-a-honra-de-servidor-publico-federal.html

18http://emanuelcancella.blogspot.com.br/2017/12/mandado-de-citacao-e-intimacao-contra_6.html

19http://emanuelcancella.blogspot.com/2018/08/ata-de-audiencia-do-dia-070818.html

20http://www.apn.org.br/w3/index.php/nacional/8237-petroleiros-realizam-enterro-simbolico-do-presidente-e-diretoria-da-petrobras

21https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Petrobras-Maior-premio-da-industria-de-petroleo-e-gas-offshore-mundial/4/32840

22https://jornalggn.com.br/noticia/documentario-mostra-como-a-lava-jato-destruiu-a-economia-em-poucos-meses

 

28
Set18

Vender Embraer para a Boeing fere soberania nacional

Talis Andrade

A empresa brasileira Embraer e a estadunidense Boeing estão tentando fechar um acordo de compra desde o final de 2017. O governo entreguista de Michel Temer disse que autorizaria a venda somente após as eleições, para não contaminar a disputa eleitoral

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Sputnik - A Boeing está disposta a pagar US$ 3,8 bilhões por 80% de uma joint-venture com a Embraer criada para operar no segmento de aviação comercial. A área de Defesa da Embraer continuaria como exclusividade da companhia nacional.


A medida, contudo, pode sufocar o setor, já que os recursos da aviação comercial respondem pela maior parte do faturamento da ex-estatal brasileira. Em 2016, a divisão de aviação comercial e executiva representou 85% do lucro líquido de R$ 21,43 bilhões da Embraer.

 

Para Hebert Claros, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e funcionário da empresa, a venda da Embraer representa um "ataque à soberania nacional".

 

 

Nós não estamos tratando de qualquer empresa, a Embraer não fabrica qualquer tipo de produto. Ela fabrica aviões, é um produto de alto valor agregado, de alto valor tecnológico e estratégico para um país, nenhum outro país da América Latina faz aviões como a Embraer. Nós achamos que deixar uma empresa desse tamanho na mão dos americanos é perigoso para a soberania do próprio país

 

 

Outro ponto levantado pelo diretor do sindicato é que a Embraer ficaria totalmente refém dos rumos da política externa dos Estados Unidos.

 

"A Boeing tem total controle sobre o conselho administrativo. A Embraer só teria poder de voz, nem poder de voto ela teria. Nossa preocupação é que se amanhã, em uma possível guerra comercial, a Boeing achar que não vale mais a pena investir no Brasil, ela simplesmente pode escolher fechar a fábrica", explicou.

 

O Ministério Público do Trabalho (MPT) promoveu uma audiência pública na semana passada em São José dos Campos, para discutir a possibilidade de demissões com a fusão da Embraer e da Boeing. Segundo estimativa do MPT, o negócio pode levar ao fechamento de cerca de 26 mil vagas diretas e indiretas ligadas à planta da empresa brasileira.


As demissões resultariam da transferência da produção de aeronaves para outros países. Hebert Claros estima que para cada emprego da Embraer são gerados de 7 a 9 empregos indiretos.

 

"Fica mais claro o que o sindicato tem alertado, de que não é uma joint venture, é uma entrega da Embraer. O sindicato vai encaminhar como proposta para os trabalhadores a mobilização direta para defender os empregos", completou.