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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

15
Dez19

Preta Rara: "porta-voz das domésticas brasileiras" é o destaque da semana na revista do Le Monde

Talis Andrade

 

A revista do jornal Le Monde destaca o livro da rapper brasileira Preta Rara: "Eu, empregada doméstica", sobre o cotidiano de brasileiras que trabalham em casas de famílias de classes média e alta.

A revista do jornal Le Monde destaca o livro da rapper brasileira Preta Rara: "Eu, empregada doméstica", sobre o cotidiano de brasileiras que trabalham em casas de famílias de classes média e alta. 

A rapper, historiadora, ex-empregada doméstica e escritora Joyce Fernandes, a Preta Rara, é o destaque da semana na prestigiosa revista "M", do jornal Le Monde. A publicação dedica duas páginas às revelações do livro "Eu, empregada doméstica" (editora Letramento), lançado recentemente no Brasil, que representa "o desfecho de um processo de revolta transformado em luta por esta jovem negra de 32 anos".

O primeiro livro de Preta Rara foi escrito três anos após o surgimento da página da rapper de mesmo título no Facebook. Na obra, a "porta-voz das domésticas no Brasil", segundo a revista "M", conta a experiência que viveu como trabalhadora doméstica durante sete anos em Santos, onde nasceu, e centenas de relatos anônimos de outras mulheres, enviados à página que criou na rede social. As situações descritas são humilhantes e demonstram a forma como o Brasil perpetua o ranço colonial, fazendo das negras escravizadas no passado as empregadas domésticas da atualidade.

Entre os abusos descritos estão relatos sobre o trabalho doméstico aos 10 anos de idade; o salário do mês confiscado pela quebra de um cisne de porcelana; a patroa que prende a empregada no quarto quando sai de casa por medo de ser roubada; além de situações vividas por Preta Rara, como não poder se alimentar com a comida que preparou para os patrões. As dificuldades que ela enfrentou para encontrar outro tipo de emprego quando completou 18 anos, simplesmente por ser negra, e os sacrifícios que fez para pagar a faculdade particular e se tornar professora de história também são citados pela revista.

"M" destaca que o Brasil é o país com o maior número de domésticas no mundo, um contingente de cerca de 6,2 milhões de pessoas, segundo o censo do IBGE de 2018, sendo que 78% delas são mulheres negras, como Preta Rara. "Elas não têm outra escolha a não ser pegar a vassoura que antes esteve entre as mãos de suas mães e avós", constata.

 

Maioria ainda desconhece seus direitos

A revista do Le Monde explica que as leis aprovadas em 2012 e 2015, regulamentando a jornada de trabalho de 8h por dia, o direito à hora extra, ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e ao seguro-desemprego às domésticas, tiveram o efeito de uma tempestade para os patrões. "Os avanços foram obtidos graças a duas mulheres do Partido dos Trabalhadores: a então deputada Benedita da Silva e a ex-presidente Dilma Rousseff", destaca a reportagem.

Na campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro se vangloriou de ter sido o único deputado que votou contra a PEC das Domésticas, declaração recebida como uma ofensa pela Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). Creuza Maria Oliveira, presidente da entidade, diz estar convencida que Bolsonaro ganhou muitos votos ao defender os patrões.

Quatro anos após as últimas conquistas, Preta Rara diz que escreveu seu livro para evitar que as domésticas brasileiras continuem a sofrer abusos. Apenas 27% delas trabalham com carteira assinada e a grande maioria desconhece seus direitos, lamenta a rapper.

 

03
Out19

Quem é mais violento, o batedor de carteira que vocês prendem no tronco, ou os vendilhões da Lava Jato?

Talis Andrade

Onde mora a violência?

por João Paulo Rillo

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Uma das imagens que sintetizam a hipocrisia, a cegueira social e a disposição para a violência dos últimos tempos é aquela de um menino negro preso a um poste, nu, exposto ao escárnio público nas ruas da cidade maravilhosa, por supostamente ter furtado uma bolsa ou carteira de alguém.
 

Cenas similares de justiçamento passaram a ser frequentes no novo Brasil de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, os justiceiros.

As aulas dos deuses da moralidade pública eram transmitidas todos os dias durante anos pelas grandes emissoras de rádio e TV do país. Sem o mínimo de reparo crítico de boa parte da patota de jornalistas tropicais.

E o monstro foi crescendo ao embalo de aplausos e panelas histéricas. Não havia sangue, prisões, vazamentos, sofrimentos, delações e condenações suficientes para saciar a gana dessa gente diferenciada que tem a certeza de serem a salvação desse país.

Dessa gente que reza de noite e sonega de dia. Que palestra sobre moralidade, família e bons costumes em suas instituições maçônicas e filantrópicas em um dia e, no outro, trai suas esposas e filhos.

Dessa gente que se vestiu verde e amarelo com panelinhas na mão dizendo que não aguentava mais trabalhar e pagar impostos para o governo, mas, na verdade, não engolia o fim da escravidão das empregadas domésticas proporcionado pelos governos Lula e Dilma.

Dessa gente que hostilizou médicos estrangeiros que vieram com a missão extraordinária de amenizar o sofrimento de mais de 50 milhões de pessoas que não conseguiam ser atendidas a contento, devido ao escandaloso déficit de saúde que temos com nosso povo.

Essa gente diferenciada, infelizmente, fez muita gente trabalhadora votar nesse lixo, nessa síntese de violência, fascismo, estupidez, burrice e ignorância que atende pelo nome de Jair Bolsonaro.

Não se trata aqui de passar o pano em esquemas de corrupção descobertos pela Operação Lava Jato. Muito menos de defender a anulação completa dos processos em investigação. Não! Trata-se de expor seus erros, contradições, desvirtuamento e nocividade ao devido processo legal.

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Será que ninguém dessa gente diferenciada nunca se permitiu desconfiar de uma operação que deixa milhares de corruptos lacaios soltos e prende, sem provas, justamente o político mais popular do país que venceria as eleições (segundo todos os institutos de pesquisa)?

Nunca pareceram estranhos os vazamentos, a ausência de provas, os sucessivos erros e crimes processuais e a atípica agilidade processual no caso desse político, enquanto qualquer outro processo demoraria décadas para se concluir? Não, né? Eu sei que não.

A ausência de compreensão histórica e a cultura escravagista cegam essa gente diferenciada e a colocam em uma dimensão de superproteção, de achar que as violências e os abusos processuais só acontecem contra os pobres e contra os políticos do campo democrático popular.

Por isso que vocês continuam praticando preconceito, racismo e violência contra os pobres. Vocês são covardes, medíocres e capachos de uma ordem econômica cruel e assassina. Vocês são cúmplices e coautores do desmonte do país.

Vocês são bons para exigir autocrítica dos outros, mas jamais reconhecerão o equívoco gigantesco de terem engrossado o caldo do movimento mais irresponsável da história recente do país: o golpe em uma presidente eleita pela maioria do povo.

Vocês metralharam nossa jovem democracia, atearam fogo em nosso frágil estado de direito. Elegeram um sociopata presidente, que nomeou um vendilhão como super ministro da Justiça, treinado pela CIA para entregar nossas riquezas ao império.

Agora não tem mais como disfarçar. Não são mais teorias conspiratórias e convicções dos ”baderneiros” de esquerda, que gritam desesperadamente os escândalos da Lava Jato.

O conluio criminoso desses canalhas foi desmascarado, está em pratos limpos, está tudo lá, escrito, assinado, com suas inconfundíveis digitais criminosas.

Esses trânsfugas tocaram o terror no Brasil para evitarem a continuidade de um projeto de soberania nacional e nos enfiaram goela abaixo uma agenda ultraliberal, que saqueou o Pré-sal, destruiu nossos marcos legais de respeito aos trabalhadores, disparou o preço do gás, óleo e gasolina, aumentou o desemprego, quer saquear os fundos de pensão e destruir nossa seguridade social, e por fim, liberar todas os crimes e  tragédias ambientais possíveis e imagináveis.

Foi exatamente esse o papel de Moro, Dallagnol e cia.: destruir o que o povo e os trabalhadores construíram.

Pergunto a essa gente diferenciada quem é mais violento: o batedor de carteira que vocês prendem no tronco ou os vendilhões da Lava Jato? Quem causa mais dano ao país?

Só espero que essa gente diferenciada não encontre o jornalista Glenn Greenwald e o prenda pelado em um poste por ter roubado a falsa ilusão que carregavam em suas bolsas de luxo.

Nos encontramos nas ruas!

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28
Set19

O país do “se vira”

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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53 milhões de brasileiros, metade da força de trabalho do país, sobrevive “se virando”.

Não tem emprego, desistiu de procurar ou tem um “bico”, informal, sem carteira de trabalho e direitos.

Depende de subsídios estatais, consome muito pouco, não contribui para a Previdência.

É “apenas” o mesmo que a população da Argentina, Paraguai e Uruguai, somadas.

Como não trabalham ou trabalham precariamente, a renda da população encolhe, mesmo com alguns sinais tímidos de redução do desemprego formal.

Informa o UOL:

Dados da Fundação Getúlio Vargas apontam que, entre o final de 2014 e o segundo trimestre de 2019, a renda do trabalho dos 50% mais pobres da população despencou 17,1%. Nesse grupo, estão 105 milhões de pessoas que ganham até R$ 425 cada uma, por meio do trabalho – sem considerar benefícios assistenciais. No mesmo período, a renda do 1% mais rico, a fatia que engloba 21 milhões de pessoas que ganham entre R$ 5.911 e R$ 11.781 no mercado de trabalho, já cresceu a dois dígitos: 10,11%. A renda dos 10% mais ricos subiu 3% no mesmo período.

E complementa o G1:

Entre 2014 e 2017, o Brasil ganhou um contingente de 6,27 milhões de “novos pobres”, pessoas que perderam o emprego e passaram a viver em situação de pobreza, com renda do trabalho de menos de R$ 233 por mês. Como os salários são a principal fonte de renda das famílias pobres e vulneráveis, a pobreza no Brasil no período mais agudo da recessão aumentou 33%, e o total de pobres no país cresceu para 23,3 milhões, segundo dados do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas.

Agora, olhe os jornais e veja se há algum discurso diferente do “cortar mais”, do desmonte de políticas de investimentos públicos, da simples venda de empresas públicas ou de fazê-las demitir mais pessoal?

Hoje, Jair Bolsonaro disse ao ouvido de seu segurança que um apoiador que lhe pedia ajuda à porta do Alvorada que aquele ali “só pelo bafo, não ia ter emprego”.

Ele e outros milhões não vão ter emprego por bafos muito piores: os dos que fazem os pobres ruminarem a dor e engolirem a fome.

 

16
Out18

PASTORAIS SOCIAIS DA CNBB: BOLSONARO USA DEMOCRACIA PARA DESTRUÍ-LA

Talis Andrade

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Pastorais Sociais, Pastorais do Campo e outras entidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tornaram pública a nota "Democracia: mudança com Justiça e Paz" alertando para possíveis retrocessos sociais com uma eventual eleição de Jair Bolsonaro (PSL); "A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social"

 

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Pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia

 

 

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Et plectentes coronam de spinis, posuerunt super caput eius  (Jo 19, 1)
 
 
 

 

Pastorais Sociais, Pastorais do Campo e outras entidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tornaram pública nesta segunda-feira (15) a nota "Democracia: mudança com Justiça e Paz" alertando para possíveis retrocessos sociais com uma eventual eleição do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).

 

"A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social. Estes candidatos e seus seguidores, que pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia. Em resumo, atacam a democracia pelo desprezo dos seus valores republicanos", diz o texto.

 

De acordo com a nota, "nosso Brasil pode ter divergências, porém sem ódio". "Há necessidade do crescimento da economia com diminuição da desigualdade. Com base nestes valores, temos o dever fraterno de alertar a todos os nossos concidadãos e concidadãs, para que sua escolha no 2º turno contemple os princípios aqui defendidos e o candidato que os representa, integrante de uma ampla frente democrática pluripartidária, para assegurar um futuro de Justiça e de Paz para o Brasil".

 

 Os ricos estão cada vez mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres

 

Há trinta anos a Constituição Federal entrou em vigor. Os constituintes objetivaram instituir "um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias".

 

No processo eleitoral em curso, um movimento antidemocrático fere estes valores supremos assegurados pela Constituição e apela ao ódio e à violência, colocando o povo contra o povo. Demoniza seus opositores, classifica-os de comunistas e bolivarianos, menospreza a população do nordeste brasileiro e tenta semear o ódio e o medo. Esta atitude já se concretiza por meio de agressões e assassinato contra os que manifestam posições divergentes.

 

A Constituição sai ferida com esta intolerância que nega a diversidade do povo brasileiro, estimula preconceitos e incentiva o conflito social. Estes candidatos e seus seguidores, que pregam a tortura e a pena de morte, sustentam que as mulheres podem ter menos direitos que os homens, usam de violência contra a população LGBT, discriminam negros, índios e quilombolas com insultos, racismo e xenofobia. Em resumo, atacam a democracia pelo desprezo dos seus valores republicanos.

 

O candidato deste movimento quer se valer de eleições democráticas em sentido contrário para dar legalidade e legitimidade a um governo que pretende militarizar as instituições, garantir impunidade aos abusos policiais, armar a população civil e reduzir ou cortar programas de direitos humanos e sociais. Em poucas palavras, é o abandono do Estado Democrático de Direito.

 

O Brasil é um país de desigualdades sociais profundas em que os ricos estão cada vez mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres. Estes candidatos antidemocráticos atendem às imposições do sistema financeiro e da política neoliberal que atacam direitos sociais, ambientais e o patrimônio do país. As possíveis consequências deste programa são: o fim do décimo terceiro salário, a diminuição do Bolsa Família, a extinção das cotas nas universidades e a privatização sumária das estatais. Na verdade, tais medidas constituem a intensificação do Governo Temer, que está produzindo desemprego, sofrimento e abandono da população.

 

Tais políticas, já receberam veemente condenação do reconhecido líder mundial, o papa Francisco: "Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata." (Evangelii Gaudium, 53).

 

Este movimento apoia um candidato que pretende ser um político novo, salvador da pátria, que está no Congresso há quase trinta anos, trocou de partido oito vezes e não aprovou um projeto sequer para melhorar as condições de vida do nosso povo, votando contra todas as políticas sociais que beneficiariam os trabalhadores e trabalhadoras, principalmente, os mais pobres.

 

Por tudo isso, nós, integrantes de organizações da sociedade civil, portadores da convicção da inafastável dignidade da pessoa humana, fundamento dos direitos humanos, não podemos nos omitir. Respeitamos todos aqueles que, por motivos variados, tenham votado no 1º turno sem atentar para estes valores, mas queremos dialogar francamente com todos. A possibilidade de se instalar um governo como esse movimento deseja, retoma o passado de ditadura já superado.

 

Nosso Brasil pode ter divergências, porém sem ódio. Há necessidade do crescimento da economia com diminuição da desigualdade. Com base nestes valores, temos o dever fraterno de alertar a todos os nossos concidadãos e concidadãs, para que sua escolha no 2º turno contemple os princípios aqui defendidos e o candidato que os representa, integrante de uma ampla frente democrática pluripartidária, para assegurar um futuro de Justiça e de Paz para o Brasil.

Brasília, 15 de Outubro de 2018

Cáritas Brasileira
CBJP - Comissão Brasileira Justiça e Paz
CCB - Centro Cultural de Brasília
CIMI - Conselho Indigenista Missionário
CJP-DF - Comissão Justiça e Paz de Brasília
CNLB - Conselho Nacional do Laicato do Brasil
CPT - Comissão Pastoral da Terra
CRB – Conferência dos Religiosos do Brasil
FMCJS - Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
OLMA - Observatório De Justiça Socioambiental Luciano Mendes De Almeida
Pastoral Carcerária Nacional
Pastoral da Mulher Marginalizada
Pastoral Operária
SPM - Serviço Pastoral do Migrante

27
Set18

Bolsonaro e a PEC das domésticas

Talis Andrade

 

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por Juliane Furno

___

Na série de entrevistas realizadas pelo Jornal Nacional com os principais candidatos à Presidência da República, me chamou particularmente a atenção as declarações de Jair Bolsonaro do PSL quando questionado sobre ter sido o único deputado federal a votar contrário a PEC das domésticas em 2013.

 

Sobre a resposta do candidato presidenciável há duas questões importantes que quero tratar aqui: a primeira é a ignorância e o completo desconhecimento de Bolsonaro sobre os efeitos da PEC das domésticas sob a categoria, e a segunda é a externalização de um projeto de Brasil em que as relações servis e pessoalizadas de trabalho seguem como u modelo a ser seguido, fazendo regredir nossos avanços sociais à décadas atrás.

 

Bolsonaro afirmou ser contrário à equiparação dos direitos das trabalhadoras domésticas aos demais trabalhadores formais – sobre o que legisla a PEC – porque essa medida causaria desemprego. Esse foi exatamente o mesmo argumento utilizado pelos conservadores de plantão em 1972, quando passou a ser obrigatório o registro em carteira das empregadas domésticas. Segundo ele “Foi para proteger. (…) Muita gente teve de demitir porque não teria como pagar. Muitas mulheres perderam emprego pelo excesso desses direitos”.

 

Vamos analisar rapidamente essa relação. Em primeiro lugar, a PEC das domésticas regulamenta apenas um conjunto de direitos dos quais ainda estavam de fora as domésticas – particularmente o recolhimento do FGTS e INSS pelo empregador. Portanto, a PEC das domésticas só vale para o conjunto das trabalhadoras que já são registradas. Olhando essas alíquotas, que são de 8% cada uma delas para um salário mínimo, o acréscimo final – na simulação de um salário de 900 reais – é de um pouco mais de 100 reais.

 

Ou seja, não me parece razoável creditar à PEC das domésticas o aumento do desemprego das empregadas domésticas, uma vez que 100 reais a mais não é – efetivamente – um alto custo para o empregador – por outro lado, é de grande diferença para a empregada, que poderá gozar a dignidade da aposentadoria e do Fundo de Garantia. Dessa forma, o argumento de que muitos empregadores demitiram porque não teriam como pagar não é nada razoável!

 

Em segundo lugar, os empregadores não demitiram! Basta olhar os dados mais recentes sobre o mercado de trabalho para ver que entre 2015 e 2017 o emprego doméstico – ao lado do trabalho por conta própria – foram as únicas ocupações com saldo líquido positivo de emprego para as mulheres! Ou seja, o trabalho doméstico tem um comportamento anticíclico. Nos governos Lula e Dilma, quando o desemprego estava baixo e a economia crescendo, o empregado doméstico perdia participação no mercado de trabalho. Em períodos de crise econômica é apenas no trabalho doméstico que muitas mulheres desempregadas encontram possibilidade de reinserção laboral.

 

Essa é a reflexão quanto ao que chamei de ignorância e desconhecimento do candidato sobre o tema. No que tange ao seu projeto de país, a análise é simples. Bolsonaro comunga com aqueles que desejam a volta do Brasil servil.

 

Não regulamentar nem profissionalizar o trabalho das empregadas domésticas é a principal forma de manter esse trabalho na condição de serviçal, de agregado da família, relembrando a organização familiar do século XIX! Além disso, na medida em que persiste o desemprego e aumenta a oferta de mulheres se dispondo ao trabalho doméstico, menores se tornam seus salários. Pela Lei da oferta e da procura: quando mais oferta de mão de obra no mercado por menor preço é negociada a sua contratação.

 

Essa é mais uma faceta do golpe. Mulheres, especialmente as negras, retornam ao seu lugar de origem, submetidas a baixos salários, jornadas extenuantes e ausência de direitos trabalhistas.

 

Com Bolsonaro e seu projeto neoliberal de flexibilização ao máximo dos direitos trabalhistas é a volta do Brasil servil de novo.

 

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02
Set18

Doria quer que processo de ex-empregada doméstica tramite em sigilo, mas Justiça nega

Talis Andrade

Ex-prefeito baseou pedido no fato de ser candidato a governador de São Paulo. Para juiz, solicitação não encontra respaldo legal

 

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por Kalleo Coura

___



O juiz substituto Walter Rosati Vegas Junior, da 53ª Vara do Trabalho de São Paulo, negou dois pedidos do ex-prefeito de São Paulo e candidato ao governo do estado paulista João Doria (PSDB) para que um processo trabalhista tramite em segredo de Justiça.

 

Três dias depois de o JOTA ter revelado a reclamação trabalhista movida por Josefa dos Santos, o candidato pediu que o processo se tornasse sigiloso. Josefa alega ter sido demitida, após doze anos de serviços prestados, durante o período de suspensão do contrato de trabalho em razão de afastamento médico.

 

Doméstica demitida, pós doze anos de serviços prestados, em razão de afastamento médico

 

 

 

O juiz substituto Walter Rosati Vegas Junior, da 53ª Vara do Trabalho de São Paulo, negou dois pedidos do ex-prefeito de São Paulo e candidato ao governo do estado paulista João Doria (PSDB) para que um processo trabalhista tramite em segredo de Justiça.

 

Três dias depois de o JOTA ter revelado a reclamação trabalhista movida por Josefa dos Santos, o candidato pediu que o processo se tornasse sigiloso. Josefa alega ter sido demitida, após doze anos de serviços prestados, durante o período de suspensão do contrato de trabalho em razão de afastamento médico.

 

 

 

 

12
Jun18

Quando uma empregada doméstica ganha uma indenização estipulada em mais de 1 milhão de dólares

Talis Andrade

Nem preciso dizer que não foi um justa sentença da justiça brasileira que sempre favorece os ricos 

 

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Fainess Lipenga, 39 anos

 

Quando Lipenga tinha pouco mais de 20 anos, assinou o contrato de um salário mensal de 980 dólares, dois dias de descanso por semana, férias e o pagamento de horas extras.

 

A patroa Kambalame ordenou a Lipenga que dormisse no porão para não “contaminar” os demais moradores. Os horários combinados não foram respeitados, e ao final de um tempo a empregada se viu trabalhando das 5h30 às 23h, pelo equivalente a 2,54 reais por hora. A patroa reteve seus documentos, não a inscreveu na previdência social e a deixou incomunicável. “Eu escutava quando ela falava com meus pais, mas ela cortava o telefone quando saía”, conta, uma década depois do ocorrido.

 

Numa madrugada de 2007, Lipenga saiu para não voltar mais. Conseguiu chegar a um hospital, onde foi diagnosticada com tuberculose e depressão. Quando estava internada, recebeu uma visita. “Adivinha quem era? Minha patroa. Não sei como soube onde eu estava. Achei que estava livre, mas continuava sendo uma escrava”, descreve. Lipenga, depois de se recuperar superficialmente, foi encaminhada a um albergue de indigentes. Kambalame apareceu novamente. “Não sei como fazia. O refúgio ficava a duas horas do hospital”, conta, após anos sem conseguir tirar essa dúvida.

 

Finalmente, Lipenga encontrou uma organização sem fins lucrativos da faculdade de direito de um universidade, que a ajudou.

 

Em 2014, Lipenga moveu uma ação judicial contra a ex-patroa por perdas e danos, acusando-a de violar o contrato e lhe infligir angústia emocional proposital. "A senhora Kambalame claramente abusou da sua posição de poder sobre a senhora Lipenga para lhe causar um severo sofrimento emocional", disse o juiz.

 

A indenização estipulada foi de mais de 1 milhão de dólares. 

 

Katherine Soltis, advogada, explica que as mulheres são frequentemente alvo de abusos trabahistas. “É difícil conseguir cifras de quantas são, porque muitos nunca chegam a denunciar que são vítimas de tráfico trabalhista, justamente por não conhecerem seus direitos”. É isso que Fainess Lipenga quer mudar. Ela agora é consultora em conscientização sobre exploração trabalhista e assessora advogados, funcionários judiciais, médicos etc.. “Não é fácil falar, eu sei. Mas é preciso superar os medos, é hora de dizer chega.” Leia mais. Pense na reforma trabahista de Temer e no valor das indenizações da justiça do trabalho do Brasil. Transcrevi trechos. Leia mais para conhecer essa hodierna história humana do capitalismo cruel e escravocrata 

04
Mai18

Conheça o delegado fascista Gastão Schefer que invadiu o acampamento Lula Livre em Curitiba

Talis Andrade

Veja vídeo do delegado provocador, arruaceiro e vândalo 

 

 

 

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Equipamento de som quebrado por um delegado da Polícia Federal e filme. O delegado Gastão Schefer usou policiais como capangas e escudos. Filme e foto de militantes do PT acampados 

 

O candidato foi candidato a deputado federal derrotado, pelo PR, e teve como bandeiras de campanha o fim da menoridade penal, e a liberação do porte e da venda de armas. 

 

O delegado Gastão Schefer usou as seguintes  no seu blog de campanha

 

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 O fascista do Schefer é contra a PEC das domésticas

 

Vejas os argumentos safados do delegado:

 

Não vão ser somente as donas de casa que vão arrancar os cabelos. Estas vão ter que pagar mais 20% sobre o salário da doméstica (...), além de implementação imediata de outros direitos, como  jornada de trabalho de 44 horas semanais e jornada diária máxima de 8 horas de trabalho, o pagamento de hora extra correspondente a 50% da hora trabalhada, a proibição de trabalho noturno, perigoso, insalubre e a admissão de menores de 18 anos.

Ao contrário da jornada de trabalho das domésticas, a jornada dos juízes do trabalho deve aumentar. Em uma relação de trabalho, como de domésticas, é muito difícil controlar a carga horária realizada, descanso para almoço, horários de entrada e de saída, ainda mais porque, em geral as domésticas trabalham sozinhas. Em outras palavras, devem aumentar o número de ações trabalhistas, com resultados incertos.

As próprias domésticas vãos ser afetadas negativamente.

Como se não bastasse, vai virar história aquela empregada que morava na casa do patrão. Como a possibilidade de perder a casa em uma ação trabalhista, por horas extras infindáveis, poucas pessoas vão se arriscar a ceder um quarto. Ou seja, a pessoa que antes tinha direito a uma moradia, agora vai ter que arcá-la com seu próprio salário.

 

Falso moralista Schefer mentir na prestação de contas ao TRE

 

Na prestação de contas de sua campanha para deputado federal, Schefer avaliou sua casa em R$ 80 mil. Em sites de venda de imóveis, as casas no local variam de R$ 200 mil a R$ 3 milhões.

 

O delegado segue páginas da pistola taurus 938, de campanhas do armamento, sendo membro dos grupos “Curitiba contra o PT”, “Pena de morte sim” e “A nossa bandeira não é vermelha”.

 

Questionada por jornalistas, a Polícia Federal disse que o ataque ocorreu fora da PF e que não tem relação com o cargo do delegado. “Problemas decorrentes de morar na vizinhança, nada a ver com PF. Eventual apuração cabe à PC [Polícia Civil].” 

 

A Polícia Militar, no entanto, diz que os envolvidos foram encaminhados à PF, que teria assumido a ocorrência. Gastão atacou o acmpamento Lula LIvre na hora do expediente da Polícia Federal, acompanhado de outros policiais.

 

 

 

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