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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

27
Jul22

Ex-ministros do STF, artistas, acadêmicos, banqueiros e outros assinam carta em defesa da democracia e das urnas eletrônicas

Talis Andrade
Faculdade de Direito da USP divulga carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito! — Foto: Reprodução

Faculdade de Direito da USP divulga carta às Brasileiras e aos Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito! 

 

Por Roberta Giacomoni, g1 SP e TV Globo

Ex-ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), empresários, banqueiros e artistas assinaram uma carta em defesa da democracia e do processo eleitoral após seguidos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra as urnas eletrônicas. A carta e a lista com os nomes foram divulgadas nesta terça-feira (26) no site da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). 

Carlos Ayres Britto, Carlos Velloso, Celso de Mello, Cezar Peluso, Ellen Gracie, Eros Grau, Marco Aurélio Mello, Sepúlveda Pertence e Sydney Sanches são os ex-ministros do STF que assinam o documento.

A carta diz que recentes "ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o Estado Democrático de Direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira".

"Nos próximos dias, em meio a estes desafios, teremos o início da campanha eleitoral para a renovação dos mandatos dos legislativos e executivos estaduais e federais. Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos."

 

"Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições", diz trecho 

Dentre os empresários estão Walter Schalka, presidente da Suzano; Roberto Setúbal, ex-presidente do Banco Itaú; Natália Dias, CEO da Standard Bank; Pedro Moreira Salles, presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco; Pérsio Arida, ex-presidente do BNDES e do Banco Central; Tarcila Ursini, conselheira de administração da EB Capital, entre outros.

Também aparecem entre as assinaturas os artistas Chico Buarque, Arnaldo Antunes, as atrizes Debora Bloch e Alessandra Negrini, os ex-jogadores de futebol Walter Casagrande e Raí, o cineasta João Moreira Salles e padre Júlio Lancellotti, que atua na defesa da população de rua em São Paulo.

As pessoas interessadas em assinar o documento poderão fazê-lo online pelos sites da Faculdade de Direito da USP, da Associação de Juízes Federais, Associação do Ministério Público e do Grupo Prerrogativas.

O conteúdo será apresentado na sede da Faculdade de Direito da USP, no Centro de São Paulo, em 11 de agosto, com Roberta Estrela D'Alva como cerimonialista. A data comemora o aniversário da criação dos cursos de direito no país e coincide com a leitura de manifesto no mesmo local em 1977 para denunciar a ditadura militar, que subtraiu direitos e matou opositores do regime.

 

Clamamos as brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições

Íntegra da carta

 

"Em agosto de 1977, em meio às comemorações do sesquicentenário de fundação dos Cursos Jurídicos no País, o professor Goffredo da Silva Telles Junior, mestre de todos nós, no território livre do Largo de São Francisco, leu a Carta aos Brasileiros, na qual denunciava a ilegitimidade do então governo militar e o estado de exceção em que vivíamos. Conclamava também o restabelecimento do estado de direito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

A semente plantada rendeu frutos. O Brasil superou a ditadura militar. A Assembleia Nacional Constituinte resgatou a legitimidade de nossas instituições, restabelecendo o estado democrático de direito com a prevalência do respeito aos direitos fundamentais.

Temos os poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal.

Sob o manto da Constituição Federal de 1988, prestes a completar seu 34º aniversário, passamos por eleições livres e periódicas, nas quais o debate político sobre os projetos para país sempre foi democrático, cabendo a decisão final à soberania popular.

A lição de Goffredo está estampada em nossa Constituição “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral.

Nossa democracia cresceu e amadureceu, mas muito ainda há de ser feito. Vivemos em país de profundas desigualdades sociais, com carências em serviços públicos essenciais, como saúde, educação, habitação e segurança pública. Temos muito a caminhar no desenvolvimento das nossas potencialidades econômicas de forma sustentável. O Estado apresenta-se ineficiente diante dos seus inúmeros desafios. Pleitos por maior respeito e igualdade de condições em matéria de raça, gênero e orientação sexual ainda estão longe de ser atendidos com a devida plenitude.

Nos próximos dias, em meio a estes desafios, teremos o início da campanha eleitoral para a renovação dos mandatos dos legislativos e executivos estaduais e federais. Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos.

Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições.

Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional.

Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito, aqui também não terão.

Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar ao lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática.

Imbuídos do espírito cívico que lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos as brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições.

No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições.

Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona:

Estado Democrático de Direito Sempre!!!!"

TSE on Twitter: "O Estado Democrático de Direito possui fundamentos que  sustentam o funcionamento e desenvolvimento do Estado e da sociedade. Eles  são importantes para a construção de uma sociedade livre, justa,
24
Jan22

Xadrez do grande negócio de Sérgio Moro com a Alvarez & Marsal

Talis Andrade

 

Peça 1 – a indústria do compliance

Quando se decidiu que o COAF ficaria com o Banco Central, Moro arrancou um decreto de Bolsonaro que permitiu a indicação dos delegados Erika Marena e Márcio Anselmo - do grupo da Lava Jato.

13
Jun19

Flávio Dino: é inaceitável ‘articulação clandestina’ entre Lava Jato e americanos

Talis Andrade

Ex-juiz federal e governador do Maranhão afirma que Sérgio Moro e Dallagnol comercializaram o país

flavio dino.jpg

 

Jornal GGN – Um dos trechos expandidos da troca de conversas entre o ex-juiz Sérgio Moro e o coordenador da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, divulgados nesta quarta-feira (12) pelo site The Intercept Brasil revelam uma articulação não oficializada entre a força-tarefa da Lava Jato e órgãos dos Estados Unidos.

O trecho, de 31 de agosto de 2016, mostra que os procuradores pediram a cooperação das autoridades norte-americanas para prender o advogado brasileiro Tecla Duran. Dallagnol explica que todas as investigações da Lava Jato tinham sido postergadas, enquanto não saísse a denúncia contra o ex-presidente de Lula, menos a operação Dragão, relacionada a Tecla. Isso porque, dependiam de “articulação com os americanos”.

Trechos de troca de mensagens entre Moro e Dallagnol. Fonte: The Intercept

 

“Em processos judiciais não se pode fazer clandestinamente “articulação com os americanos”. Existe um processo legal para que essa “articulação” seja possível. Estamos diante de vendilhões da Pátria. Se fantasiam de verde-amarelo como disfarce para suas ações antinacionais”, escreveu Flávio Dino (PCdoB), ex-juiz federal e hoje governador do Maranhão, em uma rede social.

Flávio Dino 🇧🇷@FlavioDino
 

Em processos judiciais não se pode fazer clandestinamente “articulação com os americanos” . Existe um processo legal para que essa “articulação” seja possível. Estamos diante de vendilhões da Pátria. Se fantasiam de verde-amarelo como disfarce para suas ações antinacionais.

 

O ex-magistrado indica que existe um projeto de poder por trás das ações da operação Lava Jato. No artigo “Como foi montado o golpe do século contra a Petrobras“, publicado aqui no GGN, em 17 de março, o colunista Luis Nassif falou sobre os objetivos dessa cooperação entre a força-tarefa da Lava Jato e os Estados Unidos.

vaza petro brasmorolavajatoeconomiaRibs.jpg

 

A implicação da Petrobras em um esquema de corrupção gerou processos de acionistas nos Estados Unidos. A ex-ministra do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie, é apontada como estrategista de um acordo entre a petroleira e os órgãos americanos Departamento de Justiça (DoJ) e a SEC (o órgão equivalente à nossa Comissão de Valores Mobiliários/CVM).

“[Enquanto isso, Rodrigo] Janot [ex-procurador-geral da República] e o grupo da Lava Jato foram pessoalmente aos Estados Unidos compartilhar provas e delatores contra a Petrobras. Com essa estratégia, a Petrobras deixou de ser tratada como vítima para se tornar ré: esta foi a chave do golpe. Por aí se entende, também, o desmonte implacável da imagem da Petrobras pela Lava Jato”, destaca Nassif.

 

A expectativa das multa a serem aplicadas pela SEC e pelo DoJ à Petrobras, somada a queda nas cotações internacionais de petróleo, que afetou todas as petroleiras, resultaram em uma derrubada tremenda das ações da companhia brasileira.

“Ou seja, parte da queda no valor das ações da Petrobras tem relação direta com a estratégia encampada pela PGR de Janot somada à campanha para apresentar a Petrobras como a empresa mais corrupta do planeta”, arremata Nassif. Logo, as propinas, em si, não tiveram peso nos resultados negativos das ações da Petrobras, uma vez que esse “custo” foi embutido nos preços dos contratos fechados.

“Tudo isso poderia ter sido demonstrado para rebater as pretensões dos escritórios que decidiram processar a Petrobras”, reflete Nassif.

“O acordo [com as autoridades americanas] abriu espaço para um enorme butim, acertado entre três partes: a Petrobras, através de seu presidente Pedro Parente, as autoridades norte-americanas, e a Lava Jato.” Clique aqui para ler a coluna de Luis Nassif na íntegra.

28
Abr19

Substituto de Sergio Moro, Luiz Antônio Bonat um juiz "representante do governo" contra Dias Toffoli e o STF

Talis Andrade

 

"As ligações entre Lava Jato e o Bolsonarismo ficam mais nítidas com o Facebook do juiz Luiz Antônio Bonat, que substituiu Sérgio Moro nos julgamentos da Lava Jato", com esta frase, o grande jornalista Luis Nassif mostra quanto a cópia pode ser pior que o original. Moro escondia que trabalhava para Jair Bolsonaro, Bonat o clone chega ao absurdo de informar que é um "representante do governo".

Eis a capa da página de Bonat, criada no dia 25 de janeiro último, com o slogan nazista de Bolsonaro, e a confissão servil de quem se autodenomina "representante do governo", e não da Justiça.

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Cinco dias depois, dia 30 de janeiro último, a Petrobras depositava, em uma conta secreta da Lava Jato, na Caixa Econômica Federal de Curitiba: 2 bilhões e 500 milhões de reais. O STF proibiu que a corriola da Lava Jato começasse a gasta essa fortuna com eventos e publicidade. Foi o começo de uma briga feroz.  

Deltan DD fundão.png

 

O ataque de Bonat acompanha os procuradores. Notadamente Deltan Dallagnol. Bonat vai mais longe e grita:

#Fora Toffoli

# Fora STF

# STF vergonha

# STF não

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Veja o vídeo uma "Vergonha chamada Dias Toffoli #Fora Toffoli #Fora STF" na página do juiz governista e bolsonarista Luiz Bonat aqui 

Para completar seu adesismo, seu partidarismo, o juiz como duplo de Moro faz a campanha armamentista de bolsonaro e defende o pacote anticrime:

Brasil acima de tudo e Deus acima de todos!🇧🇷

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, fato e texto

 

Os 2,5 bihões da Petrobras os brasileiros estão pagando com os constantes aumentos nos preços do gás de cozinha e da gasolina. Essa grana representa uma parte do dinheiro. São bilhões e mais bilhões. Que a Lava Jato possui outras minas com os acordos de leniência. Uma soma ainda por fazer. Uma fortuna que se desconhece o paradeiro.
 
Os acordos de leniência são botijas de ouro e prata enterradas nos paraísos da Lava Jato. Que também lucra com a indústria de delações premiadas. 
 
O jornalista Luiz Nassif mostra que a Lava Jato não tem nada de brasileira. É uma operação internacional made in USA: 
 

Não se irá entender a articulação de procuradores e juízes punitivistas ao redor do mundo, unidos em torno da bandeira anticorrupção, se não incluir na analise a milionária indústria do compliance (...).

 O jogo é esse. Em um primeiro momento, a cooperação internacional – com procuradores sendo alimentados preferencialmente pelo DHS e Departamento de Justiça dos Estados Unidos – confere enorme poder aos ministérios públicos nacionais destruírem sistemas políticos e outras entidades contaminadas pelo financiamento de campanhas.

Depois, abre um expressivo mercado de trabalho na área de compliance.

É significativo o caso Marcelo Miller – o procurador da Lava Jato contratado pela Trench, Rossi, Watanabe, representando um grande escritório americano, depois de ter sido a parte brasileira nas negociações da Embraer nos EUA. E também da filha de Rodrigo Janot, jovem advogada iniciante contratada por um grande escritório de advocacia para atuar em defesa da OAS, em um julgamento por formação de cartel pelo CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico). E os honorários serão tão maiores quanto maior for o terror infundido pelas ações anticorrupção.

Os Estados Unidos forneceram o modelo. Não é por outro motivo que os maiores beneficiários têm sido grandes escritórios de advocacia e de auditoria norte-americanos (mais à frente, quando o fator Lava Jato se tornar irrelevante, não haverá como o Congresso deixar de abrir uma CPI para analisar os contratos fechados Ellen Gracie com Petrobras e Eletrobras para implantação de sistemas de compliance – consumindo mais recursos do que as suspeitas de propina em cada estatal. (Transcrevi trechos. Leia mais sobre a relação prosmícua entre a indústria do compliance e os procuradores) 

Informa Gabriela Coelho, in ConJur:

O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, decano da operação "lava jato", se aposentou nesta segunda-feira (18/3) aos 55 anos do posto que ocupava desde 1995. O anúncio foi feito ao jornal O Estado de S. Paulo em entrevista sobre seus próximos passos.

Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão. 

 

 

 

 

 
 
 
19
Mar19

Como foi montado o golpe do século contra a Petrobras .

Talis Andrade

Acordo de leniência, sugerido por Ellen Gracie, transformou a Petrobras de vítima em ré

como-foi-montado-o-golpe-do-seculo-contra-a-petrob

 

Por Luis Nassif/Jornal GGN

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A Procuradora Geral da República tem defeitos e virtudes. Os defeitos, dizem, são de temperamento; as virtudes são de caráter. É fechada, centralizadora, discretíssima e tem pouca visão de estratégias políticas. Por outro lado, é técnica, correta, ciosa do interesse público e, especialmente, do papel institucional do Ministério Público.

moro tio sam .jpg

 

Em nome dessa defesa do MP, varreu para baixo do tapete os erros gigantescos cometidos pelo antecessor Rodrigo Janot e pela Lava Jato. E deixou para o último instante o questionamento da excrescência da fundação de direito privado financiada pela Petrobras, em cima de um acordo com autoridades norte-americanas. Só a questionou quando começaram a brotar críticas na imprensa, em uma demonstração da falta de timming sobre o momento de demonstrar sua coragem.

Nessa fundação está a chave da questão, para entender uma série de ações nebulosas de Janot e da Lava Jato nos Estados Unidos.

Deltan Dallagno.jpg

DD pego na mentira

Ouça a explicação de Dallagnoll. Segundo ele, não se está tirando dinheiro da Petrobras, mas apenas impedindo que o valor da multa fique nos Estados Unidos.

Diz também que, como a União é controladora da Petrobras, as autoridades americanas não permitiriam que ficasse com os recursos das multas. Trata a Lava Jato como se fosse a legítima representante, no Brasil, dos interesses das autoridades judiciais americanas, que não confiariam sequer no estado brasileiro.

Há outras fakenews no discurso. Por exemplo, o acordo não está condicionado à criação de uma fundação. Fala em reparação de direitos difusos. E não aponta qual o direito difuso a ser reparado. Além disso, há um Fundo dos Direitos Difusos Lesados, que impede que o Tesouro se aproprie dos recursos.

Falsifica os fatos, também, quando minimiza a influência da Lava Jato na fundação. Caberá aos procuradores e ao juiz escolher as organizações que farão parte do Conselho, assim como colocar representantes em cada área e dar um enorme impulso à indústria do compliance, que terá nos procuradores da Lava Jato os consultores especializados.

Não é a parte mais grave da história.

Vamos entender melhor a partilha do que pode ser chamado de “o golpe do século”, em relação a Petrobras.

 

A montagem do golpe do século

ellen gracie.jpg

 


Coube a Ellen Gracie, ex-Ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) traçar a estratégia do acordo da Petrobras com a SEC (a CVM americana) e com o Departamento de Justiça (DoJ). Ao mesmo tempo em que se iniciavam as tratativas, Janot e o grupo da Lava Jato foram pessoalmente aos Estados Unidos compartilhar provas e delatores contra a Petrobras. Com essa estratégia, a Petrobras deixou de ser tratada como vítima para se tornar ré: esta foi a chave do golpe. Por aí se entende, também, o desmonte implacável da imagem da Petrobras pela Lava Jato.

Foram dois os motivos das quedas nas cotações da Petrobras:

1 - A queda nas cotações internacionais de petróleo, que afetou todas as petroleiras.

2 - A expectativa das multas a serem aplicadas pela SEC e pelo DoJ à Petrobras, em função da estratégia de acordo delineada. Ou seja, parte da queda no valor das ações da Petrobras tem relação direta com a estratégia encampada pela PGR de Janot somada à campanha para apresentar a Petrobras como a empresa mais corrupta do planeta.


As propinas não tiveram peso algum nos resultados da Petrobras, porque embutidas nos preços dos contratos e irrisórias perto do faturamento da empresa. Tudo isso poderia ter sido demonstrado para rebater as pretensões dos escritórios que decidiram processar a Petrobras.

Além disso, aqui mesmo, nosso colunista André Araújo mostrou caminhos alternativos que poderiam ter sido trilhados para evitar essas multas, passando pelos acordos diplomáticos governo a governo.

O acordo abriu espaço para um enorme butim, acertado entre três partes: a Petrobras, através de seu presidente Pedro Parente, as autoridades norte-americanas, e a Lava Jato. O butim foi dividido da seguinte maneira:

1. US$ 2,95 bilhões para um acordo extrajudicial com os acionistas nos EUA, o triplo das previsões mais otimistas de seus advogados. Parte relevante de honorários para escritórios de advocacia. Tudo isso sem que a Lava Jato esboçasse uma reação sequer.

2. US$ 400 milhões para contratação de escritórios para atender às demandas do DoJ na Petrobras. Depois da Petrobras, Ellen Gracie aplicou a mesma estratégia na Eletrobras, alvo da Lava Jato em cima de informações trazidas por Janot na sua visita ao DoJ. E graças às mudanças ocorridas na presidência e no Conselho da empresa, ampliando enormemente o escopo de trabalho dos escritórios contratados.

3. $ 2,45 bilhões para serem administrados por uma fundação montada e controlada pela República do Paraná.

MPF-criou o fundao com pedro parente .jpg

 

Reza o acordo firmado:

A cooperação da Petrobras incluiu a realização de uma investigação interna minuciosa, compartilhamento proativo em tempo real de fatos descobertos durante a investigação interna e compartilhamento de informações que não estariam disponíveis ao Departamento, fazendo apresentações regulares ao Departamento, facilitando entrevistas e informações de testemunhas estrangeiras e coletando, analisando e organizando voluntariamente volumosos evidências e informações para o Departamento em resposta a solicitações, incluindo a tradução de documentos-chave.

Por aí se entende as inúmeras homenagens recebidas pelos bravos integrantes da Lava Jato nos principais centros de lobby dos Estados Unidos e do mundo.

Agora se chegou a um ponto de não retorno, que exigirá da PGR e dos Ministros do STF uma determinação que até agora não demonstraram, em defesa da institucionalidade brasileira, e para impedir a desmoralização final das instituições e a intimidação pelo uso das milícias paraestatais

15
Mar19

Xadrez do grande negócio do combate à corrupção

Talis Andrade

DESTRUIÇÃO DAS INSTITUIÇÕES

A maior ameaça ao país, o quadro que levou à barbárie e ao fenômeno Bolsonaro, foram os poderes amplos conferidos à Lava Jato, a insubordinação de juízes e procuradores de primeira instância, cada qual criando seu território de poder particular

.

02
Dez18

PÁGINA VIRADA Conselho da Petrobras encerra comitê de investigação de apoio à "lava jato" criado por Dilma em 2014

Talis Andrade

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ConJur - O conselho de administração da Petrobras aprovou, na quarta-feira (28/11), o encerramento do Comitê Especial criado em dezembro de 2014 para ser interlocutor das investigações internas feitas pelos escritórios Trench, Rossi e Watanabe Advogados e Gibson, Dunn & Crutcher LLP, que apoiaram a operação "lava jato". Na mesma decisão, foi determinado o fim das investigação conduzidas por escritórios externos.

 

“A Petrobras já virou essa página”, disse a ministra Ellen Gracie, que presidiu o comitê durante os quatro anos de sua existência, durante 4º Encontro de Agentes de Compliance na Petrobras, em outubro. “Havia toda uma gama de especialistas debruçando-se nos problemas da companhia para levantar o que ocorreu e quais as possíveis soluções, além de dar recomendações para se evitar problemas semelhantes”, afirmou a ministra.  

 

O Comitê Especial, composto também por Andreas Pohlmann e pelo diretor executivo de compliance da Petrobras, foi criado para atuar de forma independente, com linha de reporte direta ao conselho de administração da companhia, com atribuições e responsabilidades nas fases de planejamento, condução e conclusão da investigação dos escritórios externos.

 

De acordo com a empresa, as atividades do comitê e escritórios externos passarão a ser executadas, de forma permanente, pela própria Petrobras.

 

A companhia já celebrou acordos para encerramento das investigações do Departamento de Justiça (DOJ) e da Securities & Exchange Commission (SEC), nos Estados Unidos, relacionados aos controles internos, registros contábeis e demonstrações financeiras da companhia. Com informações da Assessoria de Imprensa da Petrobras.

 

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