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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

06
Set19

“Qual é o problema do governo brasileiro? Bando de grosseiros”, reage ex-ministra de Sarkozy a ofensa de Guedes

Talis Andrade
media
A ex-ministra da Educação de Nicolas Sarkozy, Valérie Précresse.Wikipedia

 

Várias lideranças da oposição na França, da esquerda radical à extrema direita, demonstraram indignação nesta sexta-feira (6) após o ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, dizer que a esposa do presidente francês, Brigitte Macron, era "realmente feia". Os protestos vieram de nomes como Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, até  Florian Philippot, da extrema direita, passando por Valérie Précresse, da direita conservadora francesa.

 

"O presidente disse isso, e essa é a verdade, essa mulher é realmente feia", disse Paulo Guedes, um ministro peso pesado do governo brasileiro, depois dos recentes comentários de Jair Bolsonaro sobre a esposa de Emmanuel Macron, um fato que provocou indignação na França e no Brasil. O ministro da Economia brasileiro pediu posteriormente desculpas por esta "piada".

Mas o episódio não passou em brancas nuvens na França. Nesta sexta-feira, a ex-ministra da Educação de Nicolas Sarkozy e atual presidente da região de Ilê-de-France, Valérie Précresse, não se conteve em seu Twitter, e exclamou: “Mas qual é o problema com o governo brasileiro? Depois de Jair Bolsonaro, o ministro da Economia? Bando de grosseiros! Quando eles insultam Brigitte Macron, são todas as mulheres francesas que se sentem insultadas”, publicou, incluindo uma hashtag em português: #Vergonha.

Valérie Pécresse@vpecresse
 

C’est quoi leur problème au gouvernement Brésilien? Après Jair Bolsonaro, le ministre des finances? Bande de soudards grotesques! Quand ils insultent Brigitte Macron, c’est toutes les femmes françaises qui se sentent insultées #Vergonha #AvecBrigitte http://www.leparisien.fr/politique/brigitte-macron-de-nouveau-insultee-par-un-ministre-bresilien-06-09-2019-8146575.php 

Brigitte Macron de nouveau insultée par un ministre brésilien

Après les remarques déplacées du président Bolsonaro, c’est cette fois, le ministre de l’Economie brésilien qui a lancé en public que l’épou

leparisien.fr
 

Em uma mensagem também no Twitter, endereçada à Brigitte Macron, o líder do partido França Insubmissa (LFI), Jean-Luc Mélenchon, garantiu que os brasileiros que conheceu estão "indignados com a grosseria de seus líderes" em relação à primeira-dama. "Como eu", acrescentou o chefe da LFI, em viagem pela América Latina. "Quem insulta você é quem aprisiona Lula inocente. Saiba que sentimos repulsa por tais brutos", continua Mélenchon.

 
 

Campeonato mundial dos misóginos

Para a eurodeputada Agnès Evren, "no campeonato mundial dos misóginos, machistas e insultantes, os ministros brasileiros merecem a medalha de ouro, que vergonha!". O presidente do partido ultraconservador France Débout, Nicolas Dupont-Aignan, julgou o comportamento dos líderes brasileiros "indigno e inaceitável!". Florian Philippot, ex-braço direito de Marine Le Pen e presidente de Os Patriotas, também twittou "Que baixeza" .

Jair Bolsonaro já havia causado alvoroço ao publicar no final de agosto, antes de se retirar, um comentário de um post ofensivo no Facebook sobre o físico de Brigitte Macron, no meio da batalha entre Brasília e Paris sobre os incêndios na Amazônia. Leia mais:

 

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Paulo Guedes e Maria Cristina: ministro da Economia e sua mulher em “As Rainhas” .

Foto: Cecilia Mendes de Almeida

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua irmã, Elizabeth, ambos com vínculos com a educação privada e a distância

 
10
Mai19

O grande golpe no ensino público

Talis Andrade

ensino universidade tacho.jpg

 

Por Jaime Sautchuk
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O corte nos orçamentos das universidades, escolas federais e instituições de pesquisa em todo o Brasil, que já anda navegando na casa dos bilhões de reais, não é um lance econômico pontual, passageiro. É um plano muito bem urdido de eliminação do ensino público e gratuito e das ciências no país.

Faz parte da estratégia das elites conservadoras, a direita hoje no poder, que quer privatizar até o último recurso do Estado e acabar com todo e qualquer direito social dos trabalhadores e do povo pobre no país. E mostra as caras de quem faz o que e com que intenções. 

Na Educação, por exemplo, preenche os espaços com empresas privadas de ensino, numa tarefa desempenhada por Elizabeth Guedes, vice-presidente da Associação Nacional de Universidades Privadas (Anup), que representa os interesses de grandes monopólios educacionais, como Anhanguera, Estácio, Kroton, Uninove e Pitágoras. Pura coincidência, talvez.

Elizabeth é irmã do chefão da economia no Governo, Paulo Guedes, o ministro ultraliberal de Bolsonaro. Ela apoia a transferência das universidades para a pasta de Ciência e Tecnologia, como o chefe do governo quer, que devem sair da responsabilidade do Ministério da Educação e Cultura (MEC), que os detentores do poder pretendem enfraquecer e até acabar.

Como defensora do interesse dos empresários da educação, Elizabeth já advogou disparates como Ensino à Distância (EaD) para cursos de saúde, algo feito sob medida para aumentar os lucros, demitindo professores e reduzindo os custos de infraestrutura. Mas, segundo Elizabeth, “O setor particular de ensino superior é o que tem mais avançado em qualidade.” 

paulo guedes ensino .jpg

 



As medidas privatistas da dupla conseguiram acordar o movimento estudantil, que viu nelas motivos pra grandes manifestações estudantis em todo país. O primeiro exemplo foi no próprio Colégio Militar do Rio de Janeiro, que fez 130 anos na segunda-feira passada, e comemorou com a presença do presidente da República. Em frente ao colégio, porém, os estudantes demonstravam sua indignação em animada manifestação. “Não vai ter corte, vai ter luta”, diz um bordão do movimento. 

O ato militar, no entanto, chamou a atenção a outro aspecto da questão. É que os colégios militares ficarão de fora dos cortes orçamentários promovidos pelo governo federal. Uma vez mais, só entram as escolas subordinadas ao MEC.

Grandes escolas federais de todo o país já demonstraram os efeitos das medidas oficiais. No Rio, o Colégio Pedro II, a mais antiga escola pública brasileira, reagiu com firmeza aos cortes, emitindo nota pública e promovendo reuniões de conselheiros na tentativa de reverter os cortes, mas em vão.

Também as universidades federais já demonstram os efeitos da sangria. Elas já vinham sendo atingidas por medidas restritivas do governo de Michel Temer, mas agora são mais diretamente afetadas pela fúria privatista da direita, que já ostenta resultados em todas elas, seja na redução do quadro de professores e outros funcionários, paralização de obras, extinção de programas e assim por diante.

O alvo principal é a produção de artigos e pesquisas científicas, especialmente na área de Ciências Humanas. A proibição de disciplinas como Filosofia faz parte desse roteiro de medidas restritivas, que são reveladoras. Apenas 2% dos universitários manifestam interesse por essa disciplina, mas ela forma “comunistas”, no entender do guru do presidente, o astrólogo Olavo de Carvalho. Por isso, é perigosa.

 

ensino rebeldia sistema cortes bolsonaro.jpg

 

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