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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

19
Jul21

Picanha, bacalhau, uísque 12 anos e cerveja: a festa dos militares no governo Bolsonaro

Talis Andrade
 
 
As Forças Armadas não se limitaram a consumir milhares de quilos de picanha e garrafas de cerveja ao longo de 2020. Agora aparecem mais de 140 mil quilos de bacalhau com preços que chegam até a R$ 150 o quilo e garrafas de uísque 12 anos e de conhaque – todas compradas a preços muito acima do mercado.
 
A denúncia é do deputado federal Elias Vaz (PSB-GO), que  divulgou as compras identificadas no Painel de Preços do Ministério da Economia. Só de bacalhau foram 9.748 quilos de filé e 139.468 quilos de lombo para os militares. “O lombo é o corte mais nobre do bacalhau, usado para pratos requintados e caros em restaurantes sofisticados, algo muito distante do cardápio da maioria dos brasileiros”, diz o parlamentar.
 

Em uma das compras registradas pelos militares, consta um pedido homologado pelo Comando da Aeronáutica, para aquisição de 500 quilos de lombo de bacalhau, em que o preço de referência usado pelo órgão público foi de nada menos que R$ 150 o quilo. Uma busca na internet indica que o quilo do lombo de bacalhau, comprado no varejo (não no atacado, como as Forças Armadas o fazem), no Extra, custa bem menos da metade do preço, R$ 69,90.  No site atacadista Cota Best, o preço equivale a    do valor comprado pelo Comando da Aeronáutica: R$ 37,70.

Os preços também chamam a atenção em outros casos. O valor informado por quilo de picanha foi de R$ 84,14 (num processo para compra de 13.670 quilos), obtido por meio do Pregão Eletrônico n° 37/2019, concluído em 29 de janeiro de 2020 e conduzido pela Diretoria de Abastecimento da Marinha – no supermercado Extra, a picanha comprada no varejo tem preço de R$ 53,89 o quilo. Já em outro processo, de 62.370 quilos de miolo de alcatra, o quilo custa R$82,37 –no Extra, o preço é R$ 38,99 o quilo, no varejo.

O valor da Bohemia Puro Malte que consta no processo já homologado é R$4,33 e o preço para o consumidor comum, em uma busca rápida por supermercados, é R$2,59, diferença de 67%. A lata de Skol Puro Malte tem valor no processo de R$4 e no varejo a R$2,49, indicando superfaturamento de 48,6%. O governo também está comprando Stella Artois de 550 ml por R$9,05, mais caro que os R$6,99 do supermercado.

“É um poço sem fundo. Quanto mais investigamos, mais absurdos e irregularidades encontramos. Se não bastasse o governo comprar picanha e cerveja, ainda tem o corte mais caro do bacalhau, uísque e conhaque e com indícios de superfaturamento”, diz o deputado, que assina, com a bancada do PSB a representação enviada ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para que investigue os gastos militares.

“Além da PGR, eu e mais nove deputados do PSB vamos levar essas informações ao Tribunal de Contas da União. Também estamos discutindo propor a instalação da CPI das compras do governo na Câmara Federal.” (Do 247)

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Ilustração Jose Cruz

Charge Genildo

01
Abr21

Bolsonaro gastou mais de R$ 2 milhões com férias durante a pandemia

Talis Andrade

Bolsonaro passeia de jet ski em dia que número de mortes por covid-19 passa  deSem máscara, Bolsonaro posa para fotos com banhistas no GuarujáJair Bolsonaro diz que planeja passar o Carnaval em Guarujá - Jornal A  Estância de Guarujá

 

Dados foram solicitados por deputado federal e encaminhados pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e pela Secretaria-Geral da Presidência da República

 

por Sarah Teófilo /Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro gastou ao menos R$ 2,37 milhões em recursos públicos durante as suas férias, entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano. As informações foram solicitadas pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) e encaminhadas pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e pela Secretaria-Geral da Presidência da República. Bolsonaro passou suas férias em São Francisco do Sul (SC) Guarujá (SP), tendo passeado pelo litoral paulista, como Praia Grande.

Segundo ofício assinado pelo ministro-chefe do GSI, general Augusto Heleno, a estimativa é de cerca de US$185 mil em gasto total (ou aproximadamente R$ 975,5, observando a média do dólar no período em US$ 5,19), somando manutenção e combustível, com transporte aéreo em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para os eventos privados do presidente no período em questão.

“As horas de voos alocadas ao transporte do presidente e suas comitivas já estão previamente computadas no planejamento dos custos anuais do comando da Aeronáutica e, portanto, inseridas planejamento no orçamento anual”, informou. Também foram gastos R$202,5 mil com passagens aéreas e diárias a agentes públicos civis e militares, valor inserido no orçamento anual do gabinete do GSI.

Já a Secretaria-Geral da Presidência da República informou que o presidente gastou R$ 1,19 milhão em despesas com hospedagem do presidente, sua família, convidados e toda a equipe de profissionais, alimentação e bebida consumidas por todos, entretenimento (como veículos aquáticos, guias turísticos e outros serviços voltados ao lazer de todos que estavam na viagem) e despesa com locomoção terrestre ou aquática.

“É um tapa na cara do brasileiro. Em plena pandemia, quando o Brasil registrava quase 200 mil mortes, o presidente torrava o dinheiro do povo com passeios”, destacou o parlamentar em texto enviado por sua assessoria. De acordo com ele, os dados foram encaminhados ao deputado quase três meses após apresentar o requerimento aos órgãos do governo.

Elias Vaz ainda pontuou que os gastos se deram justamente no mês em que foi encerrado os pagamentos do auxílio emergencial. “Quando o presidente cortou o auxílio emergencial alegando falta de recursos, teve um gasto milionário com férias. O valor total daria para pagar o benefício de R$300 para cerca de 8 mil pessoas”, afirmou.

O deputado solicitou informações apontando que o período de férias do presidente foram gozadas entre 18 de dezembro do ano passado e 5 de janeiro deste ano. Na verdade, Bolsonaro viajou no dia 19 de dezembro a Santa Catarina, mas uma comitiva chegou antes para preparar o esquema de segurança. No dia, sobrevoou áreas atingidas por chuva no estado, apesar de não constar nada em sua agenda oficial.

Em 23 de dezembro, o presidente retornou a Brasília e teve um encontro com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux. No dia 26, foi para Guarujá (SP), onde passeou pelo litoral. Ao responder à solicitação do deputado, o GSI especificou que os gastos foram com as missões em São Francisco do Sul e Guarujá - ou seja, efetivamente as férias do presidente. Os gastos do GSI envolvem o dia 18 de dezembro, quando Bolsonaro ainda não tinha viajado, mas sua equipe, sim. De qualquer forma, o deputado especifica na solicitação que deseja informações relativas às férias gozadas pelo mandatário.

 

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