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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

15
Abr22

Deputado que ameaçou mandar ao inferno “Lula e a esquerda” pode ter que responder por quebra de decoro

Talis Andrade

 
 

 

Por Angieli Maros

Deputados da oposição protocolaram requerimento em que pedem que o deputado Coronel Lee (DC) seja formalmente responsabilizado, responda por quebra de decoro, por fala em sessão do último dia 6 de abril na Assembleia Legislativa (Alep). Na ocasião, o parlamentar usou a tribuna para proferir um rápido discurso imediatamente interpretado como uma ameaça de morte ao ex-presidente Lula e a integrantes da esquerda.

“A última vez que esse bando do MST e da esquerda vieram nos visitar, quiseram conversar com a gente no mato, foram parar no inferno. Então, Lula, mande sua turma falar com a gente de novo. Porém, vocês vão visitar seus amigos que estão lá”, disse o deputado, ex-comandante da Polícia Militar em Cascavel e do Bope no Paraná.

A fala gerou repercussões instantâneas. O PT nacional e os parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa emitiram nota de repúdio pontuando “preocupação com a escalada de violência promovida por parlamentares bolsonaristas, especialmente em ano eleitoral, já que Lula aparece como líder nas pesquisas de intenção de voto”. O novo líder do governo na casa, Marcel Micheletto (PL), também usou a tribuna naquele dia para pedir “respeito”.

O requerimento foi protocolado nesta quarta-feira (14), assinado pelos parlamentares do PT – Arilton Chiorato, Tadeu Veneri, Luciana Rafagnin, Professor Lemos, Requião Filho – e Goura, do PDT. O documento sustenta que, além de ameaça, o discurso afronta a integridade física e impõe ameaça e constrangimento “a uma autoridade presidencial, bem como cidadãos e cidadãs de campo político diferente do espectro político e ideológico do parlamentar”.

Agora, cabe à mesa diretora da Casa decidir se acata ou não o requerimento. Caso aceito, o trâmite pode ser encaminhado pelo Conselho de Ética da Assembleia. Casos de quebra de decoro podem levar, inclusive, à cassação de mandato.

O deputado Coronel Lee respondeu ainda não ter sido informado do pedido e que vai se manifestar posteriormente.

SAIBA MAIS

31
Out21

A máquina de moer esperança

Talis Andrade

bolsonaro campanha.jpeg

 

Parece começou 2022, a tortura do governo militar de Bolsonaro apressou a máquina de moer esperança, apressou o tempo dos nababos proprietários de partidos políticos faturarem grana para uma vida fácil, que se renova a cada dois anos, que temos bilionárias campanhas eleitorais nos anos pares. 

Temos empresários candidatos para sonegar impostos, esquentando notas frias, e coronéis que alugam legendas e vendem partidos inteiros nos pregões das pesquisas falsas.

2022, mais um ano de colheita, de meter a mão nos fundos partidários e eleitorais de mais de trinta partidos, que a justiça eleitoral é tarda e sempre falha na mais valia das conveniências. 

Revela o Correio Braziliense: 

Tal como fazem os ursos, depois de uma longa hibernação no inverno, os proprietários das legendas políticas, aqui no país, vão despertando lentamente, um a um, depois de quase quatro anos em estado de cataplexia profunda, que geralmente ocorre entre uma eleição e outra. Agora partem famintos em busca da manutenção do mecanismo que, mais uma vez, possibilitará a interlocução entre os eleitores e o Estado, de modo a dar continuidade a nossa peculiar engrenagem democrática.

Somente os partidos são autorizados a estabelecer essa ponte entre o cidadão e o Estado, de modo que a eles é conferido todo o protagonismo político que resulta nas eleições. É esse o poder que dá às siglas e aos seus dirigentes um aspecto questionável que extrapola todo e qualquer sentido de cidadania. Os mais de trinta partidos que hoje parasitam o Estado, num autêntico papel de despachantes, utilizam dessa faculdade legal, para, em nome da democracia, auferirem lucros fáceis que depois são rateados entre a cúpula tal como fazem outras empresas privadas.

Eis aqui, em linhas gerais, como funciona a nossa máquina de fazer democracia. O eleitor entra no sistema como matéria-prima bruta a ser processada e refinada pela engrenagem partidária, resultando, adiante, num produto que é a imagem e semelhança da legenda. Muito distante daquilo que desejava o eleitor.

Terminado o pleito, os eleitores, pela falta de um recall, que poderia corrigir falhas desse produto, e que é tão comum hoje nas montadoras de automóveis, é descartado como resíduo ou sucata. Diante de uma situação tão surreal como essa que experienciamos calados, e em que os donos das legendas, mais do que mestres de cerimônia da festa da democracia, se tornam os verdadeiros senhores de todo esse processo, pouco ou nada se pode esperar em termos de evolução e amadurecimento do nosso distorcido modelo de representação.

A questão é saber até quando esse processo enviesado, que coloca a nossa jovem democracia no colo desses velhos magnatas políticos, prosseguirá. O pior é que a nossa jabuticaba, representada pela disléxica Justiça Eleitoral, nada vê de anormal em todo esse processo. E pensar que todo esse degenerado processo eleitoral poderia ser dissipado movendo-se apenas algumas pequenas peças nessa engrenagem perversa. A começar pela possibilidade de eleição com candidatura avulsa, sem vínculos e amarras partidárias. Ou, quem sabe, pela extração de um pequeno parafuso que hoje impede a máquina de cumprir a cláusula de barreira.

Pequenos ajustes nessa máquina de moer esperanças poderiam fazer toda a diferença, como é o caso da introdução da ficha limpa. Melhor ainda seria obrigar todo esse robô gigante a caminhar com seus próprios pés, retirando-lhe as muletas representadas pelo fundo eleitoral e partidário públicos. Talvez, quem sabe, por meio de uma profunda reforma eleitoral, fossem criados apenas quatro partidos com assento no Congresso, distribuídos entre esquerda, direita, centro-esquerda e centro-direita.

São ajustes que o eleitor consciente gostaria de ver implementados, dando um basta definitivo nessa pantomima, que faz das nossas eleições uma festa apenas para os dirigentes partidários e seus grupos.

Humor Político – Rir pra não chorar | Página: 467
07
Nov20

Rio, eleição das balas

Talis Andrade

bolsonaro milicianos arma.jpg

 

 

por Eliane Lobato

- - -

Na quarta-feira 4, uma bala atingiu em cheio a cabeça do candidato petista a vereador Valmir Tenório, 50 anos, conhecido como Valmir Bibi, em Paraty, na Costa Verde do Rio. Ele era garçom há três décadas e concorria ao cargo político pela primeira vez.

Na terça-feira 3, a candidata a vereadora Simone Sartório, 45, (Patriota) teve o carro atingido por um tiro, em Bento Ribeiro, na Zona Norte da capital, quando retornava do comitê de campanha. Simone, que está iniciando a trajetória política, disse à Polícia Militar que o veículo no qual estava o atirador tentou abordar seu carro. 

Na segunda-feira 2, o vereador e candidato à reeleição Jair Barbosa Tavares, 52, (Podemos), o Zico Bacana, foi baleado em Ricardo de Albuquerque, também na Zona Norte, enquanto fazia campanha em um bar. Teve mais sorte que Valmir e menos que Simone: sobreviveu mas uma das 15 balas disparadas pegou de raspão a cabeça. No intenso tiroteiro, morreram duas pessoas e outras duas ficaram feridas. Ex-policial, Zico foi citado na CPI das Milícias, em 2008, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, por suposto envolvimento com um grupo criminoso com ação em favelas. Acabou não sendo indiciado no relatório final da CPI.

Na sexta-feira 30 de outubro, a cabo eleitoral Renata Castro, 40, foi morta por disparos de arma de fogo, em Magé, na Baixada Fluminense. Ela era militante da família Cozzolino, que tem representantes na prefeitura de Magé desde a década de 1980 - entre os quais, a ex-prefeita Núbia, acusada de comandar um esquema de falsificação de documentos e assinaturas de juízes e promotores. Renata vinha denunciando à Polícia Federal as ameaças de morte que recebia e os possíveis mandantes.

Na madrugada de sábado 10 de outubro, Domingos Barbosa Cabral, 57, (PHS), o Domingão, foi assassinado em Nova Iguaçu, também na Baixada Fluminense. Ele foi cercado por homens com toucas ninja e alvo de tiros. Em julho, Domingos foi preso junto com o irmão, o sargento PM André Barbosa Cabral. A acusação do Ministério Público contra André refere-se ao comando de um grupo de milicianos.

Na quinta-feira 1º de outubro, Mauro Miranda da Rocha, 41, (PTC),   também candidato a vereador em Nova Iguaçu, morreu vítima de balas desferidas por desconhecidos enquanto ele estava em uma padaria no bairro Rancho Fundo.  Em 2015, Rocha foi preso por porte ilegal de arma de calibre não permitido.

O envolvimento sangrento de milicianos e traficantes de drogas nas urnas do Rio de Janeiro não é novidade. Mas o aumento vertiginoso, sim.

Segundo dados obtidos no Disque Denúncia pelo Diário do Rio, nas eleições deste ano há registro de quase uma ameaça de morte por dia a candidatos fluminenses.

Um levantamento feito para o relatório parcial do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni), da Universidade Federal Fluminense (UFF), e do Observatório das Metrópoles (IPPUR) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra que a polícia persegue mais os traficantes do que os milicianos. Isso, apesar de, segundo o estudo, os grupos de milícias terem o controle de 57% da área do Rio. 

O estudo mostra que 48% das operações da polícia na cidade são realizadas em áreas do tráfico e apenas 6,5% em territórios de controle miliciano. O grupo criminoso chamado Comando Vermelho é alvo principal: as áreas dominadas pela facção tem seis vezes mais operações policiais que as de milícias, de acordo com a apuração.

A explicação de pesquisadores da UFF e UFRJ apontam que a possível   “proteção” aos crimes de milicianos pode estar ligada à “ativa participação de agentes públicos” nos esquemas ilegais – como policiais civis e militares, parlamentares, grupos de ‘rachadinhas’ do poder público carioca etc. 

flavio bolsonaro milicia.jpg

 

Para se ter uma ideia da gravíssima situação do Rio, basta lembrar que o filho do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), o primogênito e senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) foi denunciado pelo Ministério Público, na terça-feira 3, por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. 

As acusações são resultado de investigações do esquema de ‘rachadinha’ (desvio de salário de assessores para o parlamentar) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando ele era deputado estadual, o que ocorreu por quatro mandatos entre 2003 e 2018. Também foi denunciado o principal assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, acusado de relacionamento com milicianos e de comandar o esquema de ‘rachadinha’.

Impossível não citar o caso de Marielle Franco, a vereadora do PSOL assassinada a tiros, junto com o motorista Anderson Gomes, em 2018. O crime, com repercussão internacional, está até hoje sem solução definitiva mas definitivamente associado à participação de grupos milicianos.

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