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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

18
Set23

Lava Jato trambiques a granel

Talis Andrade
 

 

Venda da Eldorado Celulose foi assessorada por executivo que iria dirigir a empresa. Reinaldo Azevedo: Lógica da Lava Jato era a mesma das milícias e do esquadrão da morte

 

por Consultor Jurídico

Uma estranha coincidência fica patente no último lote de diálogos divulgados na apelidada "vaza jato" — as conversas de procuradores da República e outros protagonistas interceptadas pelo hacker Walter Delgatti. Trata-se de um conluio que desembocou na maior guerra empresarial em curso no país: a que opõe o grupo J&F e a Paper Excellence, na disputa pela Eldorado Celulose (a maior fábrica de celulose do mundo). 

O palco da cena, em Brasília, é a chamada "operação greenfield", que foi conduzida pelo procurador da República Anselmo Lopes. O sujeito oculto da oração é o empresário Josmar Verillo, que até dias atrás era executivo da Paper Excellence e que, durante anos dirigiu a papeleira Klabin. Sabia-se que Verillo estava predestinado a dirigir a Eldorado, caso a Paper pagasse a segunda metade da compra. O que não se sabia era que ele trabalhou junto ao Ministério Público Federal na costura que levou a J&F a vender a empresa à Paper.

No diálogo divulgado (abaixo), o procurador Anselmo revela que o acordo de leniência do grupo brasileiro fora desenhado junto com a Transparência Internacional — empresa que se apresenta como ONG. Verillo, a essa altura era o representante da Transparência Internacional no Brasil. No momento do diálogo em questão, o consórcio já falava em repactuar o acordo para aumentar as penas impostas ao grupo.

A reportagem não conseguiu contato com os envolvidos, mas o espaço está aberto para eventuais manifestações

 

Sequestro, tortura e resgate

O valor da multa imposta à J&F, que condicionava o acordo, obrigou a venda de empresas do grupo, cujo valor de venda geraria o dinheiro para a compra da alforria oferecida pelo MPF. Ou seja, para não perder tudo, Joesley foi levado a vender a Eldorado, com outros ativos — o que beneficiaria, na transversal, o empresário Josmar Verillo.

Joesley fora afastado do comando do grupo empresarial em outubro de 2016, na esteira das acusações de Anselmo. A venda forçada, chegou a estimar o procurador, geraria algo como R$ 4 bilhões. Em troca, o empresário se livraria do Procedimento Investigatório Criminal (PIC). Para totalizar o pagamento do resgate, seria preciso vender também a Vigor e a Alpargatas.

A imbricação já foi objeto de reportagens do jornalista Luís Nassif, em que se mostrou a versatilidade de Verillo, com manobras que se assemelham a interessante metamorfose de alguém que forjou junto com o MPF um acordo, que levou à venda de uma empresa que ele, se vingasse, seria "o homem certo" para dirigir.

 

O homem das mil caras

Verillo chegou à Transparência por meio de outro gazuá usado para abrir portas em tempos de moralismos exaltados. Ele criou a "Amarribo" uma metralhadora giratória criada para alvejar prefeitos e, segundo alguns deles, extorqui-los. Qualquer pesquisa no google associando "Josmar Verillo" e "Transparência Internacional" revela o que agora ambos os lados querem omitir.

Em outro papel, o executivo da Paper Excellence aparece também nas investigaçõessobre a tentativa de golpe que se esboroou a 8 de janeiro deste ano.

O relato de Nassif é detalhado: "Nas primeiras investigações, passou despercebido o papel da Transparência Internacional", diz ele, apontando para dois episódios controvertidos. "O primeiro, seu envolvimento com a fundação da Lava Jato Curitiba. Os procuradores pretendiam que a TI Brasil se tornasse a grande gestora dos R$ 1,250 bilhão destinados a projetos contra a corrupção. Os outros R$ 1,250 bilhão foram reservados para pagamento de ações contra a Petrobras."

O segundo, relata o jornalista, "foi a contratação de um dos principais parceiros da TI, Josmar Verillo, para fazer o lobby de um empresário da Indonésia, envolvido em vários episódios de corrupção, em demanda contra a JBS brasileira, alvo da Lava Jato".

 

O mal em nome do bem

A família Verillo controla a Amarribo, que, segundo seu próprio site, foi convidada por Deltan Dellagnol para cuidar da fundação que eles pretendiam administrar juntos, com o aporte de 2,5 bilhões (não há referência à moeda) da Petrobras.

A especialidade da Amarribo, empresa travestida de ONG sempre foi a de usar o mote do "combate à corrupção" para explorar incautos. Nassif explica: "De estilo truculento, a Amarribo montou uma estratégia de criminalização de meras irregularidades administrativas" de prefeituras.

O jornalista narra que, quando publicou um dos primeiros textos sobre o esquema, ele recebeu um e-mail da TI avalizando a conduta de Verillo — "uma atitude impensável para um órgão que se pretendia anticorrupção. Tempos depois, participei de um evento no qual a representante da TI era a própria sobrinha de Verillo, que se apresenta no Twitter como fundadora da TI Brasil. Depois, se soube que coube a Verillo trazer a TI para o Brasil."

Veja a troca de mensagens entre os procuradores em que Anselmo Lopes revela a parceria da "greenfield" com a turma de Verillo:

30 Oct 17

15:23:58 Paulo confirmado TCU dia 7?

15:28:20 Paulo Caríssimos, boa tarde! Em razão de falta de tempo para escrever esta mensagem, acabei não narrando a vocês uma reunião que a FT Greenfield teve com o Presidente do TCU na semana passada, para tratar do acordo de leniência da J&F. Em suma, fomos (eu, Sara e Frederico Siqueira – não confundir com Frederico Paiva, rs) lá recebidos pelo presidente Raimundo Carreiro e equipe técnica do Tribunal. De início, eles expuseram que receberam com um pouco de surpresa o ofício nosso para que eles aderissem ao acordo ou participassem das tratativas de eventual aditamento/repactuação, mas registraram o apreço que trabalho interinstitucional que nossa FT tem desenvolvido desde o início. Chegando nossa vez de falar, fizemos uma narração geral de todo o histórico do acordo de leniência e de suas principais cláusulas, bem como explicamos a ideia dos projetos sociais como reparação social, ideia compartilhada pela Transparência Internacional. Explicamos que a ideia central da adesão institucional não é limitar a atuação da instituição aderente, mas sim conferir mais segurança ao fluxo de informações e provas, bem como garantir a produção de novas provas e elementos de convicção pelo relacionamento direto entre a instituição aderente e os colaboradores. Igualmente, registramos que a possibilidade de aditamento do acordo (com o acréscimos de condições mais rigorosas em decorrência do surgimento de novos fatos) é uma janela de oportunidade para que todas as instituições parceiras da FT Greenfield possam participar diretamente da formulação de regras pro acordo de leniência, incrementando nosso nível de interação e cooperação e conferindo maior legitimidade social ao acordo. Em resposta, o Presidente do TCU e equipe disseram que a iniciativa é bem-vinda, mas eles talvez tenham dificuldade formal de aderir ao acordo ou participar do aditamento, considerando o papel revisor do TCU nos acordos firmados pela CGU. Afirmaram respeitar nosso acordo, mas apresentaram essa dificuldade. O Presidente do TCU mostrou-se até mais flexível à adesão, entendendo o documento somente como um acordo para acesso à prova; a equipe técnica é que se mostrou mais resistente. Como encaminhamento da reunião, ficaram os técnicos capitaneados por Rafael Jardim com a missão de estudar o documento (modelo de adesão institucional) e propor alterações que possam dar mais conforto à participação do TCU no processo em questão. Com o desenrolar de novos andamentos, volto a enviar informações para vocês. Grande abraço, Anselmo

15:39:49 Paulo lembrando... não foi na leniência, mas na colaboração dos Batista, que o TCU já decidiu o seguinte:

15:39:49 Paulo https://www.conjur.com.br/2017-jul-05/tcu-afasta-clausula-delacao-jbs-cita-joesley-bndes

18:21:29 Paulo chegou a minutar alguma coisa para o TCU? não sei se vc entendeu a questão dos compartilhamentos já efetivados, qq coisa me pergunta... não adianta ver apenas o que tem ofício pq passamos as chaves, e inclusive as chaves estão na página...

19:24:12 Deltan Paulo, tá na escuta?

19:30:19 Deltan Acho que entendi... estou minutando, mas cada hora uma coisa passa na frente, como sempre.

19:30:46 Deltan acabei de acabar de enviar os subsídios que o Ministro Paciornik pediu sobre colaboraçoes... agreguei bastante ao que o Fábio mandou. Temos que tratar bem ali, afinal, revisa nossos casos rsrsrs

19:30:58 Deltan agora vou ver uma demanda sobre as 10 medidas urgente

19:31:38 Deltan E volto a ver, ainda hoje espero, o negócio do TCU, mas vou me basear na nota técnica (e não naquele super estudo imenso), aprovetiando que tá alinhavada... qq coisa em contrário, grite

19:48:29 Paulo Blz, tenho aula agora!

21:12:55 Deltan PG, pedido de palestra do citibank... acho ruim aceitar um desses pago porque tem chance de irmos pra cima, ou Vc acha frescura?

21:14:52 Paulo não sei se tem alguma coisa do citibank, mas se tiver melhor não aceitar mesmo...

21:15:03 Paulo mas não descartaria o setor financeiro inteiro, apenas por ser banco

22:54:09 Deltan Robinho disse que não tem, mas to meio assim...

31 Oct 17

06:45:08 Paulo Bom se vc ainda pensar em.se candidatar, receber dinheiro.de banco estrangeiro é um prato.cheio p a gleisi te criticar

06:45:17 Paulo Se não, não vejo problema mesmo

15
Jun22

Revista francesa visita cidade onde Bolsonaro cresceu e afirma que presidente não é unanimidade

Talis Andrade

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A reportagem da revista semanal do jornal francês Le Monde foi até Eldorado, onde Bolsonaro passou sua adolescência, para investigar o passado do atual chefe de Estado. AP - Eraldo Peres

A juventude do presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi tema de uma longa reportagem publicada na revista semanal do jornal francês Le Monde. O correspondente do vespertino no Brasil foi até Eldorado, no interior de São Paulo, para tentar entender a história do chefe de Estado e descobriu que nem tudo o que se conta sobre sua trajetória corresponde à versão dos moradores do local.Caverna do Diabo (Eldorado) - ATUALIZADO 2022 O que saber antes de ir -  Sobre o que as pessoas estão falando - Tripadvisor

Caverna do Diabo = Eldorado

 

Com o título “O Eldorado perdido de Jair Bolsonaro”, a revista Mrelata, em sete páginas com texto e fotos, parte da infância e adolescência do atual presidente brasileiro. O jornalista explica que a região, conhecida como Vale da Miséria, foi o local onde o chefe de Estado fez todas as travessuras da juventude, mas também onde inventou “um percurso legendário”.

O correspondente se encontrou com amigos de infância de presidente, como Narcisa dos Santos. Ela conta que, desde jovem, “Palmito”, como Bolsonaro era chamado por causa de sua estatura e sua pele clara, já era ambicioso. Como mostrou certa vez, ao apanhar de Narcisa e gritar, diante da gozação dos coleguinhas, que “se tornaria presidente do Brasil e iria se vingar”.

Aos 11 anos, quando chegou em Eldorado, Bolsonaro era um “brincalhão”, resume o texto. Mas segundo seus colegas, o pré-adolescente muitas vezes era “malvado”. “Ele era terrível (...) Na época, já tinha a língua afiada”, se recorda Narcisa.

História, no mínimo, exagerada

 

A reportagem descreve em detalhes a cidade e suas histórias, lembrando que, nos anos 1970, Eldorado era muito isolada. Enquanto movimentos de resistência pipocavam pelo Brasil em plena ditadura, a cidade do interior estava "afastada das convulsões do país, bloqueada em um conservadorismo católico do passado”. E, segundo a revista, "a cidade não mudou muito" desde então. 

O texto também relata um dos episódios mais emblemáticos da história da pequena Eldorado: a disputa em 1970 entre o grupo de Carlos Lamarca, chefe de uma guerrilha marxista, e a polícia local. Após uma troca de tiros no centro da cidade, o revolucionário fugiu para a mata e, segundo o relato cultivado até hoje nas biografias do presidente, o jovem Jair Bolsonaro, na época com cerca de 15 anos, teria ajudado os militares a encontrar o comunista Lamarca. Esse ato, aliás, teria sido o momento que despertou no atual presidente o fascínio pelo Exército.

“A história é bela. Mas ela é difícil de verificar e, no mínimo, exagerada”, lança a reportagem da revista francesa. “Em Eldorado, ninguém se lembra de ter visto o jovem Palmito dando informações aos soldados”, diz o texto, baseado em relatos de seus amigos de infância.

Bolsonaro atleta? Imagens viralizam e presidente vira piada na web -  25/03/2020 - UOL Notícias

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"Cidade de Bolsonaro não é bolsonarista”

 

No entanto, mesmo com a mitologia em torno do atual presidente e sua juventude, Bolsonaro não é unanimidade em Eldorado, aponta o texto. “Em 2018, o candidato venceu em ‘sua’ cidade com apenas 54,44% dos votos, ou seja, abaixo dos 55,13% obtidos no âmbito nacional”, calcula. 

“A cidade de Bolsonaro não é bolsonarista”, lança o prefeito de Eldorado, Dinoel Pedroso Rocha, entrevistado pela revista. Principalmente porque, “desde que chegou ao poder, o presidente não fez muita coisa pela terra de sua infância”, afirma a reportagem, lembrando que nem mesmo uma ponte, que o atual chefe de Estado prometeu construir para facilitar o transporte sobre o rio Ribeira, saiu do papel.

Apesar de ser conservadora, “a cidade não é um bastião da extrema direita”, enfatiza o texto. Inclusive, deduz a reportagem, na eleição presidencial de outubro que vem, “Lula poderá vencer” em Eldorado, “assim como no resto do Brasil”.   

A revista termina contando uma visita a uma das casas onde viveu Bolsonaro que, transformada em um escritório contábil, hoje está irreconhecível. “Ninguém achou interessante transformá-la em um memorial. Em Eldorado, Bolsonaro parece já fazer parte de uma história do passado”, conclui o texto. da revista M.

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