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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

05
Nov23

O mundo não entende por que brasileiros estão presos em Gaza

Talis Andrade

Brasileiros viraram refens? 

Israel respondeu com agressividade e vulgaridade ao Brasil

 

por Marcelo Zero, 247

 

Começa a crescer a suspeita de que os brasileiros retidos em Gaza viraram uma espécie de reféns do governo de extrema-direita de Israel.

Com efeito, tal governo poderia estar usando esses brasileiros para fazer um revide político, relativo ao empenho do Brasil em buscar uma pausa humanitária e um cessar-fogo em Gaza, algo que Israel interpreta, equivocadamente, como uma ação em prol dos interesses do Hamas e contra seu direito à autodefesa.

Tal suspeita cresce porque não há nenhum motivo técnico, jurídico ou burocrático para que esses brasileiros não sejam retirados de lá imediatamente.

Em primeiro lugar, esses brasileiros são muito poucos. São apenas 34, muitos deles mulheres, crianças e idosos.

Em segundo lugar, a lista dos brasileiros foi amplamente divulgada para as autoridades israelenses e egípcias há bastante tempo. Provavelmente foi a primeira lista de estrangeiros em Gaza a ficar pronta. Ao menos umas duas semanas. Tempo mais do que suficiente para fazer checagens de segurança.

Em terceiro, o governo brasileiro providenciou, também há bastante tempo, toda a logística para trazê-los ao Brasil. O ônibus para levá-los até o aeroporto e o avião para transportá-los até o território nacional estão a postos há muitos dias. Nenhum deles ficará no Egito mais do que algumas horas. Portanto, do ponto de vista dos interesses egípcios, esses brasileiros não representam risco algum.

Ressalte-se que o governo brasileiro vem negociando arduamente a saída desses brasileiros há semanas, em todos os níveis diplomáticos. O próprio presidente Lula está diretamente envolvido nas negociações.

Desde o dia primeiro deste mês já saíram, em média, cerca de 500 estrangeiros por dia de Gaza, a maioria estadunidenses e seus aliados. Hoje, mesmo (sexta-feira), saíram cerca de 100 britânicos. Porém, os 30 minguados brasileiros continuam lá e o governo brasileiro continua sem resposta e sem explicações.

E, quando não há respostas às perguntas e explicações e motivos concretos, as suspeitas políticas crescem.

Diplomacia não é, evidentemente, o forte do atual governo de extrema-direita de Israel. Tampouco dos EUA.

Em 2014, quando houve outra intervenção militar de Israel em Gaza, com grande número de mortos de civis, o Brasil, em protesto, chamou seu embaixador um Tel-Aviv para consultas.

Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, acusou o Brasil de ser “parte do problema e não da solução” do conflito israelo-palestino e um “anão diplomático”.

Aparte a agressividade e a vulgaridade quase anedótica da resposta, a reação do governo israelense suscitou algumas perguntas.

Quem é o “anão diplomático” nessa história? O Brasil, que apoia as resoluções da ONU e as tentativas de negociação, ou os governos de direita de Israel, que as descumprem sistematicamente, manifestando desprezo pela comunidade internacional? Quem não apoia a aplicação do Direito Internacional Humanitário?  O Brasil que, com muito esforço, conseguiu construir uma Resolução equilibrada e viável no CSNU, ou os EUA, que a vetaram por interesses políticos menores?

O mundo sabe as respostas a essas perguntas.

O que o mundo e o Brasil não conseguem entender é porque os cidadãos brasileiros continuam presos em Gaza.

01
Nov23

Lula promove repatriação de brasileiros da guerra colonial e racista de Israel

Talis Andrade
 
 
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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, conversou por videoconferência, na quinta-feira última (26/10), com uma família de brasileiros que se encontra na Faixa de Gaza, aguardando a abertura da fronteira com o Egito para ser repatriada.

Eles relataram seu cotidiano de escassez de água, energia, alimentos e medicamentos, além de bombardeios e mortes, em grande parte de crianças. Manifestaram seu desejo de serem repatriados tão logo quanto possível.

O presidente Lula falou da operação de repatriação montada pelo governo brasileiro e ressaltou que serão feitos todos os esforços possíveis para que voltem e permaneçam no Brasil em segurança. Assegurou que manterá o avião presidencial a postos no Cairo, para ser acionado assim que a fronteira for aberta, e que ampla operação de acolhimento está montada no Brasil, sob a coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Lula também ressaltou que tem expressado especial preocupação sobre a situação dos brasileiros em Gaza nas conversas que tem mantido com líderes da região - os dirigentes dos Emirados Árabes Unidos, de Israel, da Palestina, do Egito, da França, da Rússia, da Turquia, do Irã, do Catar e do Conselho Europeu.

 
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O embaixador do Brasil junto à Autoridade Palestina, Alessandro Candeas, presente à videoconferência, salientou que diversas famílias brasileiras estão em casas alugadas pela representação do Brasil, na proximidade da fronteira com o Egito, recebendo assistência emergencial.

A conversa foi acompanhada pelo ministro-chefe da SECOM, Paulo Pimenta, pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e pela assessoria especial de Relações Internacionais da Presidência.

01
Nov23

Governo federal resgata mais 33 brasileiros que estavam na Cisjordânia

Talis Andrade

 

Expectativa o voo de repatriação decole de Amã, na Jordânia, ainda nesta quarta-feira

 

247 - Uma nova fase da Operação Voltando em Paz foi executada na Cisjordânia na manhã desta quarta-feira (1), resultando no resgate de 33 brasileiros de 12 famílias. A iniciativa, organizada pela Representação Brasileira em Ramala, teve como objetivo repatriar cidadãos manifestando interesse em deixar a zona de conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas. 

“Os veículos foram identificados com a bandeira do Brasil. Para fins de segurança, as placas, trajetos e listas de passageiros foram informados às autoridades da Palestina e de Israel", explicou o embaixador Alessandro Candeas. A caravana, composta por 12 homens, 10 mulheres, 11 crianças e seis idosos, foi transportada de 11 cidades da Cisjordânia para Jericó em três veículos, entre ônibus e vans alugadas, onde realizaram os trâmites migratórios.  >>> Primeiros estrangeiros e palestinos feridos deixam Gaza rumo ao Egito. Brasileiros não são liberados

Em seguida, o grupo seguiu para a fronteira com a Jordânia, sendo direcionado até Amã em um ônibus fretado pelo Governo Brasileiro. A operação culminará com o embarque em uma aeronave da Presidência da República, com destino à Base Aérea de Brasília e posterior distribuição para Foz do Iguaçu, São Paulo, Florianópolis, Recife, Rio de Janeiro, Fortaleza, Curitiba, Goiânia, Brasília e Porto Alegre.

Com este resgate, a Operação Voltando em Paz, liderada pelo Governo Federal, já repatriou 1.446 passageiros em nove voos vindos de Israel e Jordânia. O esforço inclui 1.443 brasileiros, três bolivianas e 53 animais de estimação.

Enquanto isso, um grupo de 34 brasileiros na Faixa de Gaza aguarda autorização para cruzar a fronteira com o Egito, visando outro voo da Força Aérea Brasileira (FAB). A fronteira foi aberta pela primeira vez desde o início do conflito nesta quarta-feira, permitindo a saída de palestinos feridos e estrangeiros. 

Além dos esforços de repatriação, a diplomacia brasileira, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, continua empenhada em negociar ajuda humanitária, um cessar-fogo e a abertura de fronteiras para o retorno seguro dos brasileiros. As iniciativas incluem diálogos com líderes de diversos países desde o início do conflito em outubro. 

25
Ago23

BRICS-Plus, a incontornável nova ordem mundial

Talis Andrade
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidentes dos países amigos do BRICS, posam para foto oficial após a reunião do grupo, no Sandton Convention Centre. Joanesburgo – África do Sul.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidentes dos países amigos do BRICS, posam para foto oficial após a reunião do grupo, no Sandton Convention Centre. Joanesburgo – África do Sul. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

 

por Carol Proner

247

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O BRICS ampliado tornou-se realidade. Dos mais de 40 pedidos de ingresso em diferentes níveis de formalização, foram admitidos seis novos membros com mandato a partir de 2024. Com Arabia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia e Argentina, o grupo de 11 países representará 36% do PIB mundial em paridade de compra e 46% da população do planeta, tornando-se o arranjo econômico mais impactante em produção de petróleo, gás natural e alimentos.

É destaque na imprensa de todo o mundo que o BRICS segue aberto a novas candidaturas desde que sejam cumpridos requisitos de admissibilidade aprovados nesta 15ª Cúpula realizada na África do Sul. Contrariando fortes interesses do mundo unipolar, o Bloco criado em 2011 aparece como resposta aos fracassos e falhas constatadas nas organizações multilaterais de comércio e de finanças associadas ao sistema ONU e sequestradas pelas amarras da dolarização e das sanções econômicas coercitivas unilaterais.  

O Brics é, portanto, uma realidade tendencialmente expansiva e, com a mediação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), certamente vai acelerar o surgimento de uma nova arquitetura financeira mundial.

Não surpreende que a imprensa hegemônica no Brasil noticie a expansão do Bloco com os habituais clichês e preconceitos alinhados ao “atlantismo” ou ao imperialismo. Para entender a importância do que está por vir, é preciso diversificar as fontes de informação. Como ponto de partida, vale ouvir os pronunciamentos dos líderes para entender que o que se pretende tem a ver com a sobrevivência de países em desenvolvimento diante da constatação de que estão em franco encolhimento econômico, social e humano.

Para usar uma régua de medida da própria ONU, dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) rumo a 2030, metade estão atrasados e a outra metade sofre estagnação ou retrocesso. Esse foi o argumento de Lula no encerramento da Cúpula em Joanesburgo e ele tem absoluta razão. De fato, os medidores de direitos humanos e de democracia regridem de forma generalizada em todo o mundo. Os extremismos e a violência explodem em diversos lugares e mais uma vez estamos sob ameaça de uma guerra nuclear.

De modo geral, a ONU nunca esteve tão questionada quanto aos seus objetivos e métodos de preservação da paz. O sistema de segurança, criado para evitar conflitos armados, já bastante desgastado pelo uso das falsas operações de intervenção humanitária, está atualmente inviabilizado pelo enfrentamento entre membros e pelas amarras de funcionamento que demandariam a refundação do mecanismo. Por outro lado, os propósitos organizativos e universais da Carta de São Francisco sucumbem diante da insistência de alguns em restaurar a lógica da guerra fria e da guerra contra o terror.

É inútil evitar o tema da instrumentalização dos organismos internacionais e suas estruturas financiadas por potências interessadas, castigando sociedades inteiras submetidas a sanções e bloqueios ilegais. Esta já seria uma razão suficiente para que diversos países procurassem outro sistema de organização que lhes fosse mais favorável, aliando emergência de paz à emergência climática.

Tem razão Lula quando diz que o combate à mudança do clima é uma oportunidade de repensar o modelo de financiamento, comércio e desenvolvimento. Tem mais razão ainda quando repete o que disse na Cúpula da Amazônia, realizada em Belém, que a transição energética não pode repetir a relação de exploração colonial.

Segundo a posição brasileira, o mundo precisa de soluções que diversifiquem e agreguem valor à produção econômica com responsabilidade social, ecológica e climática. E esse tema traz para o centro do debate o papel dos grandes produtores de petróleo e gás para viabilizar a inadiável transição energética.

Países em desenvolvimento com biomas florestais abundantes estão prontos para ensinar ao mundo desenvolvido formas sustentáveis de ampliar a produtividade agrícola, gerar renda e oferecer proteção social, e essa é a proposta que será desenvolvida a partir da gestão estratégica das bacias da Amazônia, do Congo e do Borneo-Mekong mencionadas no discurso brasileiro.

Como se vê, as críticas generalizadas à expansão do BRICS, além de distorcidas, perdem a chance de reconhecer o papel do Brasil na liderança internacional. A começar pela Presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, a cargo de Dilma Rousseff, deveríamos ser capazes de reconhecer que, por onde passa, Lula e sua equipe contaminam de otimismo e esperança os fóruns e as agendas internacionais.

O Brasil vai assumir a presidência do G20 e já anuncia que vai recolocar a redução das desigualdades no centro da agenda internacional, bem como o tema dos bancos públicos e fundos públicos para o fortalecimento da democracia.

Tendo sido realizado na África, o encontro dos BRICS foi a oportunidade para o Brasil anunciar a retomada das parcerias com o Sul Global e os projetos com o continente africano e uma nova agenda de cooperação entre os países que têm vínculo histórico e raízes comuns.

É nesse sentido que a expansão do BRICS é inevitável e, apesar da diversidade política e cultural na gestão de direitos e da democracia nos diversos países e continentes, pode representar um ajuste inovador e de futuro diante de uma ordem internacional desgastada e em franco declínio.

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