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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

18
Jul23

Eduardo Bolsonaro compara professor a traficante de drogas em evento pró-armas em Brasília

Talis Andrade

Deputado disse que os pais precisam estar atentos a professores doutrinadores e que eles podem ser piores do que quem sequestra crianças para o tráfico. Dino determina que PF analise discurso

Por Poliana Casemiro e Isabela Camargo, g1

Durante um discurso em um evento pró-armas em Brasília, Eduardo Bolsonaro comparou professores a traficantes de drogas.

A fala ocorreu no domingo (9) em um ato na Esplanada dos Ministérios. No caminhão do evento, o deputado discursou e citou a doutrinação nas escolas como algo pior do que o aliciamento para o tráfico.

“Se nós, por exemplo, tivermos uma geração em que os pais prestem atenção na educação dos filhos. Tirem um tempo para ver o que eles estão aprendendo nas escolas. Não vai ter espaço para professor doutrinador tentar sequestrar as nossas crianças. Não tem diferença de um professor doutrinador para um traficante de drogas que tenta sequestrar os nossos filhos para o mundo do crime. Talvez até o professor doutrinador seja ainda pior porque ele vai causar discórdia dentro da sua casa, enxergando opressão em todo o tipo de relação”. (Veja no vídeo acima)

A teoria da doutrinação em escolas fez parte do discurso bolsonarista.

O vídeo foi publicado nas redes de Eduardo. Após a repercussão da fala, o ministro da Justiça, Flávio Dino, disse nesta segunda (10) que determinou à Polícia Federal analisar o discurso de Eduardo Bolsonaro para "identificar indícios de eventuais crimes, notadamente incitações ou apologias a atos criminosos."

A fala foi criticada por parlamentares. O blog apurou que Guilherme Boulos (PSOL-SP) vai pedir a cassação de Eduardo Bolsonaro pela associação de professores a criminosos. O líder do PSOL na câmara disse que vai entregar ainda nesta segunda-feira (10) o pedido de cassação na Comissão de Ética.

Tabata Amaral (PSB-SP) criticou a fala e disse que crenças como a do deputado contribuem para a desvalorização da categoria.

“Essa fala de Eduardo Bolsonaro deixa clara sua ignorância e mau-caratismo. São falas como essa que contribuem para que o Brasil seja um dos países que menos valoriza seus professores. Nojento!”.

A deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) disse que acionou a Procuradoria Geral da República (PGR) por " crimes com danos coletivos aos professores brasileiros". "Não pode ficar impune!", escreveu em sua conta nas redes sociais.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) disse que vai buscar "os meios legais" contra as falas do deputado. "A educação é o principal caminho para que o Brasil possa alcançar desenvolvimento sustentável e soberania, com justiça social. E os professores são construtores desse futuro", disse a entidade em nota.

14
Jun23

Arthur Lira aceita pedido do PL Mulher presidido por Michelle Bolsonaro e abre processo de cassação contra 6 deputadas progressistas

Talis Andrade
 
Deputadas denunciam tentativa deliberada de intimidar o trabalho das mulheres na Câmara - Pablo Valadares / Câmara dos Deputados


(Videos) Violência de gênero dos presidentes da Câmara e do PL Homem Valdemar da Costa Neto afasta mulheres da política partidária no Brasil

 

 
por Valmir Araújo
Brasil de Fato 

 

As mulheres ocupam apenas 18% das cadeiras na Câmara dos Deputados, porém representam 63% dos parlamentares que enfrentam processos de cassação de mandato no Conselho de Ética. Apenas na última semana seis deputadas progressistas foram parar no Conselho de Ética depois que o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), aceitou o pedido do PL protocolado dias antes, mesmo havendo pedidos mais antigos contra parlamentares homens, que estão parados na Mesa Diretora.

A representação do PL tem como base os discursos das deputadas com críticas aos colegas durante a votação do PL 490, que trata sobre marco temporal para demarcação de terras indígenas. Foram incluídas as deputas Célia Xakriabá (PSOL-MG), Érika Kokay (PT-DF), Fernanda Melchionna (PSOL-RS); Juliana Cardoso (PT-SP), Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Talíria Petrone (PSOL-RJ). Juliana e Tarília já respondiam a processos no Conselho por críticas que tinham feito aos deputados do PL.

:: Mulheres na berlinda: a violência política de gênero e o alcance dos casos no Brasil do ódio ::

As deputadas alegam que há uma tentativa deliberada de intimidar o trabalho das mulheres na Câmara dos Deputados.

“A representação do PL é uma nítida e ineficaz tentativa de nos intimidar e tem um forte componente sexista. Nós não vamos recuar e seguiremos ainda mais fortes na defesa dos direitos dos povos indígenas e de todo o povo brasileiro”, destacou Érika Kokay.

A parlamentar do Distrito Federal lembrou que o PL, autor da representação que pede cassação dos mandatos, é o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro que foi denunciado na Organização das Nações Unidas (ONU) por crimes contra os povos indígenas.

“Foi com indignação que reagi à representação do PL pedindo a cassação do meu mandato por denunciar o genocídio indígena que representa o projeto do novo Marco Temporal”, acrescentou a deputada.

:: Mães na política: luta vem mudando cenário de dificuldades históricas ::

Além das seis deputadas do campo progressista outra parlamentar com processo no Conselho de Ética é Carla Zambelli (PL-SP). Por outro lado, quatro homens enfrentam pedidos para cassação de mandato: Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e José Medeiros (PL-MT), Márcio Jerry (PCdoB-MA) e Nikolas Ferreira (PL-MG).

O Brasil de Fato DF entrou em contato, por e-mail, com a Assessoria de Imprensa da Câmara dos Deputados para saber sobre a tramitação e motivos da celeridade na aceitação dos pedidos, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta. O espaço está aberto para futuras manifestações.

 

Cassação coletiva

 

Esta é a primeira vez nos últimos vinte anos que foi apresentado no Conselho de Ética da Câmara um pedido de cassação coletiva. No entanto, na segunda-feira (12), o PL solicitou a retirada da tramitação do pedido de cassação coletiva e apresentou seis pedidos de perda de mandato individuais contra as parlamentares. A solicitação também foi atendida pelo presidente da Casa, Arthur Lira.

“Agora, querem entrar individualmente contra cada uma de nós. A coletividade os assusta. Seja individual ou coletivo, seguiremos juntas, nos apoiando e ecoando nossas vozes”, afirmou a deputada Célia Xakriabá após a mudança, em suas redes sociais.

"O que é inusitado é que a Câmara acaba dando uma celeridade maior a esses processos do que a outros que estão lá há muito tempo de pessoas que nitidamente cometeram crimes. A peça, se você espremer, essa representação que eles fizeram, só sai dali misoginia, só sai dali violência política de gênero e violência contra os povos indígenas", destacou Érika Kokay.

 

Violência de gênero

 

Para a professora e pesquisadora do Instituto de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (Ipol/UnB), Michelle Fernandez, o episódio pode ser classificado como violência de gênero. “Me parece um caso de violência de gênero sim, com o claro intuito de desestimular a participação de mulheres nas esferas de poder”, analisou a cientista política.

A pesquisadora lembrou que o parlamento brasileiro tem uma das menores taxas de representação feminina da América Latina e classificou a política partidária do Brasil como “hostil para as mulheres”.

“Não é nenhuma novidade que nós temos um legislativo que desestimula a participação de mulheres e que oferece esse tratamento machista”, afirmou Michelle Fernandez. Segundo ela essa tentativa de cassação se caracteriza por um ímpeto silenciar as mulheres que é muito comum nos espaços de poder do Brasil.

19
Abr23

Deputado do PT fala em "facada fake" e Eduardo Bolsonaro parte para a briga

Talis Andrade
 

 


Momento em que o deputado Eduardo Bolsonaro parte para cima do deputado Macron na Comissão de Trabalho da Câmara — Foto: Reprodução/ TV Câmara

Momento em que o deputado Eduardo Bolsonaro parte para cima do deputado Macron na Comissão de Trabalho da Câmara 

Eduardo Bolsonaro parte para cima de petista: 'Te enfio a mão na cara'

 

Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se envolveu, nesta quarta-feira (19), em nova baixaria na Câmara dos Deputados.

Eduardo perdeu o controle quando o deputado Marcon (PT-RS) disse que a facada sofrida por Jair Bolsoanro em 2018 era fake.  Eduardo disparou: “Facada teu cu, seu viado, filho da puta. Te enfio a mão na cara, perco o mandato, mas com dignidade, coisa que vc não tem".

Dos filhos de Bolsonaro, Eduardo é o 03 deputado federal por São Paulo. O 01 o senador, pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro. O 03, Carlos Bolsonaro, considerado vereador geral do Brasil, por morar em Brasília, onde comandava, no Palácio do Planalto, anexo ao gabinete do pai, o chamado Gabinete do Ódio. Em 2018, o pai presidente, Carlos foi reeleito vereador do Rio de Janeiro. 

Bolsonaro espera eleger o 04, Renan, em 2024, vereador por São Paulo. 

Lira quer frear 'baixarias'

De acordo com o blog da Andréia Sadi, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) quer tomar medidas para frear "baixarias" na Casa.

A presidência da Câmara anda incomodada com as agressões verbais entre oposicionistas e governistas, especialmente em reuniões de comissões com sabatinas de ministros.

A avaliação é de que as baixarias não mancham as imagens dos parlamentares individualmente, mas sim da Câmara. E Lira quer dar um freio nessas situações.

Ao g1, o corregedor da Câmara, deputado Domingos Neto (PSD-CE), informou que busca uma espécie de "acordo de convivência" entre os deputados, para evitar situações de desrespeito e agressões.

29
Mar21

Dudu pintou a cara pra ir pro Farol da Barra em Salvador

Talis Andrade

EUA: Congresso certifica Joe Biden como presidente horas depois da invasão  do Capitólio – CONTEE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em  Estabelecimentos de EnsinoInvasão do Capitólio com vikings e militares é o look da América rachada -  07/01/2021 - Ilustrada - Folha

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) não aprendeu neca de pitibiriba com a invasão do Capitólio, na capital dos Estados Unidos. Participação bolsonarista que precisa ser investigada.

O Zero Três usou as redes sociais para incentivar motins de policiais contra os governadores que adotaram medidas restritivas e de isolamento social para conter o avanço da pandemia de Covid-19. 

"Esse sistema ditatorial vai mudar", tuitou Eduardo Bolsonaro, sinalizando um golpe de Estado. Postagem foi feita na esteira da repercussão provocada pelo surto de um policial militar da Bahia que, neste domingo (28), invadiu a área do Farol da Barra, em Salvador, e efetuou vários disparos de fuzil. Ele foi morto após ser atingido por disparos feitos por outros PMs durante a operação para contê-lo. 

“Aos vocacionados em combater o crime, prender trabalhador é a maior punição. Esse sistema ditatorial vai mudar. Protestos pipocam pelo mundo e a imprensa já não consegue abafar. Estão brincando de democracia achando que o povo é otário. Que Deus conforte os familiares do PM-BA”, escreveu Eduardo Bolsonaro.

Que Deus também conforte os 300 mil brasileiros que morreram vítimas da covid 19, por falta de vacinas, por falta de leitos hospitalares, por falta de oxigênio. E outros milhares e millhares, por falta de emprego.  

O papai Jair Bolsonaro tomou posse em 1 de janeiro de 2019, e nada fez pelos trabalhadores. Eduardo Bolsonaro, imitanto o pai, que foi 28 anos deputado federal, jamais apresentou um projeto em benefício dos sem terra, dos sem teto, dos sem nada, dos que trabalham para receber o salário mínimo do mínimo, o salário do medo e da fome.

O golpe que derrubou Dilma aconteceu em 2016. Cinco anos de poder, dois anos de governo, e os Bolsonaro continuam no palco ameaçando com as trevas do golpe de 1964, e nada de trabalhar (eta vida boa: Papai presidente, o filho Zero Um senador, o filho do meio vereador do Rio de Janeiro, o terceiro filho deputado federal, e o quarto filho lobista do futuro, dos carros elétricos, dos carros voadores).

Dudu cara pintada repete a fala subversiva da bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF), que também utilizou as redes sociais para incitar um golpe da PM contra o governador da Bahia, Rui Costa (PT). “Morreu porque se recusou a prender trabalhadores. Disse não às ordens ilegais do governador Rui Costa da Bahia”, escreveu no Twitter. Dizem que o surto geral estava marcado para o dia 3l próximo, quando o golpe de 1964 aconteceu num dia primeiro de abril.

 

12
Ago20

Eduardo Bolsonaro entregou dossiê a americanos

Talis Andrade

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Embaixador “particular” de Bolsonaro nos Estados Unidos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) entregou à embaixada daquele país a cópia de um dossiê que expôs mais de mil supostos militantes antifascistas. A denúncia foi feita pelo autor do dossiê: o deputado estadual Douglas Garcia (PTB-SP).

Garcia foi condenado pela 45ª Vara Cível Central de São Paulo a pagar R$ 20 mil de indenização por danos morais a uma mulher que ele listou como “antifascista”. Essas pessoas, segundo ele, teriam praticado atos violentos e terroristas em manifestação contrária ao governo de Jair Bolsonaro realizada no dia 31 de maio na Avenida Paulista, em São Paulo. No processo, ele afirmou que “o protocolo junto à Embaixada dos Estados Unidos foi feito pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro”.

Bolsonarista ferrenho na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Garcia gravou um vídeo em junho afirmando que havia compilado informações de pessoas que ele considerava antifascistas. Também anunciou que enviara o documento à Polícia Civil, à Procuradoria-Geral da República e à embaixada dos Estados Unidos para investigações cabíveis.

Um dossiê com as mesmas características do anunciado por Douglas acabou sendo divulgado na internet. O deputado, porém, diz que o documento vazado é outro, que não se trata da sua lista e que ele nunca expôs dados das pessoas na internet.

Não é o que concluiu o juiz Guilherme Ferreira da Cruz. Na sua decisão, publicada na quinta (6), o magistrado afirmou que “o réu catalisou e sistematizou, naquilo que ele mesmo chamou de dossiê, uma lista com 700 a 1.000 nomes de pessoas (fotograficamente identificadas) suspeitas de integrarem o tal grupo Antifas”.

A autora da ação contra Garcia afirma que teve nome, fotos, endereço e telefone expostos no dossiê. Para o juiz, o dossiê violou a intimidade dela. Nos próximos dias, outras pessoas que também tiveram dados expostos pretendem ingressar com ao menos mais 20 ações de danos morais.

Para o juiz, a elaboração da lista não é papel de um parlamentar. “Referidas condutas, notadamente a elaboração de dossiês, não se relacionam com o exercício normal e regular do mandato legislativo, cujo titular deve se mostrar à sociedade (em especial àqueles que o elegeram) prudente e equilibrado”, enunciou o juiz. “Afinal, meras suspeitas na sua boca, em razão da credibilidade que o seu cargo lhe outorga, sobretudo no âmbito da comunidade internacional, alçam contornos de verdade quase absoluta, lídima opinião legal de um parlamentar.”

Colega de Eduardo Bolsonaro no Movimento Conservador, Douglas também é investigado no inquérito das fake news conduzido pelo Supremo. Seu chefe de gabinete, Edson Salomão, chegou a ser alvo de busca e apreensão.

O deputado também é alvo de apurações do Ministério Público de São Paulo sobre a veiculação de notícias falsas e ataques a adversários políticos e ao STF. Para os promotores, o deputado atentou contra o Estado Democrático de Direito, “promovendo a intimidação, perseguição e criminalização, disseminando e incitando o ódio, intolerância e violência”.

O Ministério Público apura ainda improbidade administrativa pelo uso do gabinete, em horário de expediente, para a elaboração do dossiê e a realização dos ataques na internet. Recentemente expulso do PSL, Garcia agora integra o PTB, de Roberto Jefferson.

 

Para Zarattini, governo age ilegalmente

O episódio de Garcia foi lembrado pelo deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), líder da Minoria no Congresso Nacional. O parlamentar participava de um debate virtual na Globo News sobre a operação sigilosa da Diretoria de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas (Seopi) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que levantou os nomes de 579 agentes policiais e professores universitários antifascistas.

“Nessa questão do dossiê, o Ministério Público do Rio Grande do Norte iniciou uma ação em abril visando policiais antifascistas, depois vimos o deputado estadual Douglas Garcia divulgar uma lista de mil pessoas antifascistas, depois a gente assiste a propostas de inclusão na lei como organização terrorista dessas organizações antifascistas, e agora a gente vê esse relatório da Seopi. A gente está preocupado com essa ação por parte de vários órgãos que atenta contra a liberdade de opinião e manifestação. Isso é grave”, elencou Zarattini. “No Brasil não é crime ser antifascista, crime é ser fascista”, concluiu o deputado.

Em 2019, com Sergio Moro ministro da Justiça e da Segurança Pública, um dos primeiros atos do presidente foi transformar a Seopi em um serviço de informação, por meio de um decreto. Antes, a Secretaria tinha a missão de intermediar ações policiais. “Esse decreto, que foi feito no início do governo, vai contra a própria lei. É um decreto ilegal”, afirma Zarattini. “E o que a gente está vendo agora são mais tentativas de reforçar essa atividade irregular de inteligência”.

O governo Bolsonaro gastou 68% a mais com ações de inteligência e segurança institucional do que a média verificada na gestão de Michel Temer. Ao todo, foram R$ 90,9 milhões. Esse ano, os gastos alcançaram R$ 41,7 milhões no início de agosto, segundo levantamento do jornal ‘ O Globo’.

Em 30 de junho, foi publicado no ‘Diário Oficial da União’ o Decreto 10.445, que criou, no âmbito da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Centro de Inteligência Nacional (CIN), com um quadro formado por servidores não concursados.

O relatório do Ministério da Justiça, os gastos crescentes com vigilância e a criação do Centro da Abin dão concretude às declarações que vieram à tona com a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, quando Bolsonaro cobrou relatórios diários de inteligência da Polícia Federal e disse que tinha um sistema “particular” de informação. Na manhã de 22 de maio, quando a reunião ministerial foi tornada pública, Bolsonaro teria cogitado com ministros fechar o Supremo.

Na sexta (7), em sessão virtual da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso Nacional, o ministro da Justiça, André Mendonça, admitiu que a Seopi produziu um dossiê sobre 579 policiais que se declararam antifascistas na internet.

Um dia após afirmar ao Supremo que a pasta não persegue adversários políticos do governo e não investiga ninguém, Mendonça confessou: “Fui me deparar pela primeira vez com um relatório de inteligência justamente em função deste caso concreto, o relatório existe”, afirmou ao grupo de 12 deputados e senadores que participaram do encontro, sigiloso.

Segundo Zarattini, o ministro não chegou a mostrar documentos relacionados à investigação dos servidores. Ele respondeu a muitas das perguntas, mas, segundo o parlamentar, “teve suas evasivas”. “Foi bom ter acontecido (a audiência), porque isso dá um freio nessas tentativas. O próprio Bolsonaro falou sobre um órgão de inteligência. Pelo menos a gente coloca o pé no freio”, avalia.

Zarattini considera que as repostas de Mendonça deveriam ser públicas. Mas, como houve um acordo para a reunião ser realizada em sigilo, seria “um constrangimento” tratar de todas as respostas. “O fato é que fizemos vários questionamentos. Ele respondeu a todos do jeito dele, algumas sim outras não. E nós nos posicionamos de forma contrária a toda tentativa de transformar órgãos de inteligência em órgãos de investigação e repressão, principalmente contra funcionários públicos que expressam opinião”.

O ministro minimizou a gravidade da situação e disse que é natural que o Governo monitore eventos que possam resultar na intervenção de agentes de segurança pública. Mendonça citou relatórios produzidos por secretarias do Ministério da Justiça, entre 2013 e 2016 – durante a gestão Dilma Rousseff – para acusá-la de também monitorar adversários. Em nota oficial, a ex-presidente rechaçou a insinuação.

“Nunca, jamais, no governo Dilma Rousseff ou mesmo no governo Lula, relatórios de inteligência serviram para fichar adversários políticos. O Ministério da Justiça nos dois governos do PT jamais criminalizou organizações sociais ou militantes políticos”, afirmou Dilma.

“Os serviços de inteligência do Estado brasileiro não devem e nem podem rastrear e catalogar adversários políticos de presidentes ou governos. Isso é próprio de governos autoritários ou neofascistas como o de Jair Bolsonaro” prosseguiu a ex-presidenta.

“É intolerável que movimentos antifascistas sejam criminalizados. Isso é terrível numa democracia, mas o Brasil vive fora da institucionalidade democrática há mais de quatro anos, desde o impeachment sem crime de responsabilidade”, concluiu a nota.

Sobre a criação do CNI, Zarattini disse considerar “muito perigoso” o que está ocorrendo. “Nós já vimos várias vezes na história do Brasil o atropelo dos direitos individuais por esse tipo de ação. No Brasil a história da chamada inteligência é muito ruim, é uma história do atropelo dos direitos políticos de manifestação e de opinião”.

 

Oposição quer mais explicações

Com apoio de deputados e senadores da oposição, o líder da Minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), protocolou no fim de semana requerimento de convocação de André Mendonça. A ideia é que o ministro explique em Plenário a produção de dossiês.

A ação de devassar clandestinamente a vida de cidadãos caracteriza-se como “espionagem política”, opinou Randolfe no requerimento. Segundo ele, essa é uma “postura antirrepublicana, que remete aos tempos sombrios do regime de exceção que vitimou a sociedade brasileira e a própria nação por mais de duas décadas” e viola deveres constitucionais de legalidade, impessoalidade, publicidade e moralidade impostos ao gestor público.

“O que se vê é um aparelhamento estatal em prol de perseguições políticas e ideológicas a partir de uma bússola cujo norte é o governante de plantão: quem dele discorda merece ser secretamente investigado e ter sua imagem exposta em dossiês ‘da vergonha’ perante suas instituições laborais”, alegou Randolfe no requerimento.

No requerimento, o líder da Minoria esclarece que Mendonça já se manifestou sobre o assunto na CCAI, mas foi evasivo e não convenceu parlamentares. “É preciso trazer ao escrutínio público a prática subversiva da ordem normativa pátria, pavimentando o caminho para a responsabilização dos gestores que usam de seus cargos para promover abusos e ilegalidades”, defendeu.

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28
Nov19

Entenda em cinco pontos como TRF-4 afronta o STF para perseguir Lula

Talis Andrade


8ª Turma do tribunal da extrema direita desrespeitou decisão do Supremo sobre alegações finais em ações penais com delatores, combina pena e desmoraliza ainda mais a Justiça brasileira

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A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) mostrou, nesta quarta-feira (27), que continua sendo teleguiada pelos interesses de Sérgio Moro, ministro da Segurança Pública de Bolsonaro, em perseguir Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão dos três desembargadores – João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Carlos Eduardo Thompson Flores – revela que apesar da liberdade, o ex-presidente ainda não teve direito a um julgamento justo, imparcial e que avalie, estritamente, a questão jurídica dos processos.

O que se viu no tribunal em Porto Alegre foi mais uma distorção do Estado Democrático de Direito. Por isso, se faz necessário entender em cinco pontos como o TRF-4 põe em risco a Justiça brasileira, uma vez que faz uso político do Judiciário para perseguir e condenar Lula, sem que nenhuma prova tenha sido apresentada até hoje. E mais, na véspera do julgamento, o ministro Paulo Guedes ameaçou o Brasil com a volta do AI-5. 

TRF-4 afrontou o Supremo Tribunal Federal

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João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Carlos Eduardo Thompson Flores deixaram claro, nesta quarta (27), que não respeitam o Supremo Tribunal Federal (STF). Ao ignorarem a questão preliminar sobre a ordem das alegações finais das partes do processo, ainda na primeira instância, os três desembargadores mostraram desprezo ao que foi decidido pelo STF. A Corte determinou a anulação de sentenças em que réus delatados e delatores tenham se manifestado ao mesmo tempo, como ocorreu na decisão da juíza Gabriela Hardt, então responsável da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Além disso, a 8ª Turma afrontou os ministros também no que diz respeito à competência que foi firmada pelo Supremo em relação às delações de Odebrecht especificamente em relação ao sítio de Atibaia.

8ª Turma do TRF-4 ignora ‘copia e cola’ de Hardt

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Como estão alinhados com os interesses de Moro, em perseguir Lula, Gebran Neto, Paulsen e Thompson Flores simplesmente ignoraram que a sentença da juíza Hardt está repleta de erros e plágio. Os três desembargadores fingiram não perceber que a magistrada usou o mesmo texto da sentença do processo do triplex. Hardt copiou, principalmente, o trecho em que trata da dosimetria da pena, no qual um parágrafo inteiro é idêntico ao escrito pelo ex-juiz em 2017.

Além disso, toda a condenação feita pela juíza tem como única referência as palavras de um delator, que foi generosamente beneficiado, e também duplicado por Hardt. Curiosamente, no entanto, os três desembargadores anularam, no início do mês, uma sentença da juíza por ter copiado e colado argumentos de uma peça processual sem indicação da fonte, indicando que foram de sua autoria, em um caso similar ao do ex-presidente. Pelo visto, para a 8ª Turma, contra Lula vale tudo.

Trapalhadas do procurador do MPF

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Como se não bastasse as manipulações do magistrados envolvidos no caso, o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Maurício Gotardo Gerum protagonizou um dos episódios mais vergonhosos da categoria. No dia 2 de outubro deste ano, o STF determinou que os réus delatados tem o direito de fazer as alegações finais do processo após os réus delatores. Após a decisão do Supremo, Gerum protocolou no TRF-4 um pedido de anulação da sentença de Hardt, justamente porque os advogados de Lula haviam acusado o erro na ordem. No dia 19 deste mês, no entanto, o procurador – provavelmente pressionado – voltou atrás do pedido e ainda pediu aumento da pena.

Para completar a confusa atuação, durante a sustentação oral no TRF-4, o representante do MPF teve a incrível capacidade de culpar Lula pela existência de defensores do terraplanismo e até mesmo por alguns políticos fazerem referência a ditadores e torturadores. Pelo visto, como não consegue apresentar nenhuma prova de crime contra o ex-presidente, Gerum resolveu culpar Lula por qualquer coisa.

Desembargadores do TRF-4 fazem política

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Desde o julgamento do caso do tríplex ficou claro que os três desembargadores da 8ª Turma não atuam juridicamente, mas sim fazem política com o Judiciário. É só lembrarmos das declarações de Thompson Flores, que elogiou a sentença dada pelo então juiz Moro, antes mesmo de ter recebido e lido o processo. No julgamento desta quarta (27), ele e os outros dois colegas ignoraram completamente a questão jurídica e recorreram a argumentos políticos, segundo o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula. O defensor lembrou ainda que o caso foi julgado 19 dias após o ex-presidente ter deixado a prisão onde ele ficou 580 dias ilegalmente detido e em tempo recorde, mais uma vez.

É fundamental lembrarmos ainda que Gebran Neto, que é o relator da Lava Jato no TRF-4, se encontrou com o procurador Deltan Dallagnol em diversas ocasiões para combinarem a condenação de réus, conforme mostrou reportagem do Intercept na série da Vaza Jato.

Aumento de pena confirma perseguição

O sítio não é e nunca foi de Lula. A família Bittar, amiga de longa data da família da Silva, é comprovadamente, com registro em cartório e comprovação de pagamentos bancários, a proprietária do imóvel. Durante depoimento, ao ser questionada pelo ex-presidente, Hardt admitiu que Lula não é o proprietário do imóvel. Tanto não é do ex-presidente, que Bittar pediu à Justiça Federal para vender o sítio, conforme noticiou a Folha de S. Paulo. Além disso, Agenor Franklin Medeiros, executivo da OAS, foi apontado pela acusação de ter oferecido vantagens indevidas decorrentes dos contratos com a Petrobras, mas questionado em juízo, afirmou que jamais ofereceu ou prometeu qualquer vantagem a Lula.

Por esses e outros motivos, o aumento de pena determinado pela 8ª Turma confirma a perseguição de que Lula é alvo. Se no caso do tríplex, o aumento teve o objetivo de evitar a prescrição, no caso do sítio revela que os desembargadores buscam a todo custo manter a caçada a Lula, ainda que não haja prova de crime algum. É válido lembrar que o STF deve julgar em dezembro o habeas corpus da defesa do ex-presidente que pede que seja declarada a suspeição do ex-juiz Moro.

 

 

 

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