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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Jul21

Os ganhos dos generais Pazuello e Braga Netto

Talis Andrade

 

por Altamiro Borges

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Os generais não têm do que reclamar do "capetão", mesmo perdendo alguns ministérios (de 10 para sete desde o início do laranjal) ou sendo humilhados (“fui atropelado por um trem”, choramingou o defenestrado Luiz Eduardo Ramos). A instituição perde credibilidade, mas os altos oficiais estão bem de vida. Eduardo Pazuello, por exemplo, “recebeu R$ 88,5 mil em diárias extras do Ministério da Saúde em 2020”, relata a jornalista Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. 

Segundo a notinha publicada na quinta-feira (22), o ex-ministro da Saúde recebeu esse valor em diárias e ajuda de custo – que são pagas aos servidores que se deslocam em viagens de trabalho. Os ganhos estão nos documentos enviados à CPI do Genocídio no Senado. "Pazuello ficou por dez meses no Ministério da Saúde. Recebeu, portanto, uma média de R$ 8,8 mil mensais de diárias, engrossando seus vencimentos no cargo". 

A colunista ainda lembra que “o militar seguiu ganhando do Exército – ele é general da ativa. No ano passado, ele recebeu da força um total de R$ 443,4 mil. Pazuello fez jus também a um complemento de R$ 61,1 mil pagos pelo Ministério da Saúde". Eduardo Pazuello, o tal "craque em logística" que é cúmplice do genocida Jair Bolsonaro, entende mesmo é de grana. Os documentos entregues à CPI mostram que ele ainda tem 25% de participação em três empresas: J.A Leite Navegação Ltda., Petropurus Representações e N. Pazuello e Cia Manaus Ltda. 

R$ 100,7 mil de salário líquido

Outro milico que não tem do que chorar é o atual ministro da Defesa, Walter Braga Netto – aquele que adora ameaçar a democracia brasileira e puxar o saco do “capetão”. Os jornalistas Guilherme Amado e Eduardo Barretto revelam no site Metrópoles que o general “recebeu R$ 100,7 mil de salário líquido no mês passado... Além dos habituais R$ 30,9 mil de salário, o general obteve R$ 91 mil de ‘outras remunerações eventuais’”. 

“Questionado, o Ministério da Defesa afirmou que esses valores são uma parcela do 13º salário e pagamentos retroativos desde que o governo Bolsonaro liberou a remuneração acima do teto salarial no fim de abril. Essa nova regra beneficia servidores aposentados e militares reservistas, como Braga Netto e o próprio Bolsonaro”. Esses caras não têm qualquer compromisso com a democracia, com o Brasil ou mesmo com as Forças Armadas. Eles têm compromisso com o bolso!

04
Jul21

Netas e filhas de Médici, Costa e Silva e cúpula da ditadura têm pensão de até R$ 43 mil

Talis Andrade

Quatro presidentes da ditadura militar

 

Filhas e viúvas de sete ex-ministros militares da ditadura também são pensionistas. Em 2020, a União desembolsou R$ 19,3 bilhões para dependentes de militares

 

 
 

O governo federal paga até R$ 43 mil mensais a parentes de ex-presidentes da ditadura militar, como netas, filha, sobrinha e nora. A lista de pensionistas também inclui filhas e viúvas de sete ex-ministros e um ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI). Em 2020, a União desembolsou R$ 19,3 bilhões para dependentes de militares.

O levantamento, baseado em dados inéditos, é fruto da colaboração entre a coluna e a agência Fiquem Sabendo, especializada na Lei de Acesso à Informação, com apoio técnico de Fernando Barbalho e Brasil.io.

O governo federal divulgou a relação completa de pensionistas de militares por ordem do Tribunal de Contas da União, após uma denúncia da Fiquem Sabendo. O tribunal havia determinado que o governo Bolsonaro publicasse na íntegra os dados em janeiro de 2020, o que só aconteceu agora, um ano e meio depois. Os pensionistas recebem esses pagamentos, via de regra, por um direito adquirido. Não há ilegalidade nesses repasses.

O general Emílio Médici presidiu o país de 1969 a 1974. Sua neta, que adotou como filha, recebeu R$ 392 mil como pensionista em 2020. A quantia transferida a Cláudia Candal Médici equivale a R$ 32,6 mil ao mês, em média.

O marechal Humberto Castello Branco, primeiro presidente da ditadura militar, de 1964 a 1967, é quem mais tem parentes pensionistas. As pensões são pagas a dependentes de um filho, que era militar. Suas três netas — Heloisa, Cristina e Helena Alvim Castello Branco — auferem os valores em nome de seu pai, o capitão Paulo Vianna Castello Branco, filho do ex-presidente. Cada uma das três obteve R$ 92 mil em 2020, uma média de R$ 7,6 mil mensais.

Já o general Ernesto Geisel, que ocupou o Planalto de 1974 a 1979, tem uma sobrinha pensionista, com proventos de R$ 384 mil no ano passado, uma média de R$ 32 mil por mês. Lydia Geisel recebe o recurso em nome de seu pai, o general Orlando Geisel, irmão do ex-presidente e que foi ministro do Exército na gestão Médici, de 1969 a 1974.

Signatário do Ato Institucional nº 5 em 1968, que fechou o Congresso, cassou mandatos e suspendeu direitos, o general Artur da Costa e Silva possui uma nora na lista de pensionistas. Anna Eulina da Costa e Silva recebeu R$ 524 mil em 2020 como dependente de seu marido, Álcio Barbosa, filho do ex-presidente. Em média, auferiu R$ 43,6 mil a cada mês.

Pelo menos outros oito militares de alta patente, também da cúpula da ditadura militar, têm filhas ou viúvas como pensionistas. Um deles é o tenente-brigadeiro Joelmir Campos de Arararipe Macedo, ministro da Aeronáutica entre 1971 e 1979, nas gestões Médici e Geisel. Sua filha, Isis Araripe Souza Oliveira, recebeu R$ 421 mil em 2020, ou R$ 35 mil a cada mês.

O general Fernando Belford Bethlem, por seu turno, foi ministro do Exército no governo Geisel. Sua filha, Maria Regina Bethlem Monteiro, obteve R$ 397 mil em 2020, uma média de R$ 33 mil mensais.

A chefia da Marinha é representada pelo almirante Maximiano Eduardo da Silva Fonseca, que foi ministro da Força no governo Figueiredo, no início dos anos 1980. Sua filha Márcia Palmer Fonseca obteve em média R$ 32,5 mil por mês, um total de R$ 391 mil.

A tabela inclui ainda quatro ministros militares que despachavam no Planalto. Um exemplo é o general Hugo de Andrade Abreu, que comandou o Gabinete Militar de 1974 a 1978, sob Geisel. Duas filhas de Abreu são pensionistas do governo federal. Maria Cecília Abreu de Azevedo Garcia e Maria Christina Procópio de Abreu receberam R$ 203 mil cada em 2020, a uma média de R$ 17 mil por mês.

Seu sucessor foi o general Gustavo Moraes Rego Reis, que possui duas viúvas registradas no sistema. Maria Lydia Mendonça de Moraes Rego Reis recebeu em média R$ 15,8 mil mensais no ano passado, totalizando R$ 190 mil. Leda Horácio de Barros obteve R$ 39,4 mil, apenas em janeiro de 2020.

Em seguida, assumiu a cadeira o general Danilo Venturini, já na gestão Figueiredo, em 1979. Sua viúva, Amarilis Portugal Ferreira Venturini, auferiu R$ 374 mil no ano passado, ou R$ 31,2 mil mensais, em média.

Venturini deu lugar ao general Rubem Carlos Ludwig em 1982, o último ministro do cargo na ditadura. Nos dois anos anteriores, Ludwig havia chefiado o Ministério da Educação. Maria Tereza Ludwig Schneider, sua filha, obteve R$ 379 mil, ou R$ 31,5 mil mensais em 2020.

A despeito de não ter tido status de ministro, o general Octávio Aguiar de Medeiros contava com prestígio no governo Figueiredo. Comandou o Serviço Nacional de Informações (SNI), de 1979 a 1985. Dois ex-presidentes haviam ocupado o posto: o próprio Figueiredo e Médici. Maria Luisa Barbosa Medeiros, filha do general Medeiros, recebeu R$ 398 mil no ano passado, uma média de R$ 33,2 mil ao mês.

filhos de carlota - Sou Petrópolis
 
 
17
Jun21

Comandante da Aeronáutica curte tuítes políticos de Bolsonaro e antiesquerda

Talis Andrade

Comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Baptista Junior

 

Post endossado pelo tenente-brigadeiro comparou medidas sanitárias contra a Covid ao comunismo. Acusou a esquerda de apoiar incestos e pedófilos

 

Depois do general Eduardo Pazuello discursar no comício da motociata no Rio de Janeiro, as manifestações políticas das altas patentes no Exército, Marinha, Aeronáutica e polícias militares passaram a ser costumeiras. E todas rezam ao pé do altar de Jair Messias Bolsonaro. 

Pelo andar do andor esse partidarismo promete virar uma zona, um cabaré, quando aparecer o primeiro lulista (que tem, tem) nas forças armadas, prometendo voto, ou pedindo "comida no prato" dos civis, dos sem terra, dos sem teto, dos sem nada. 

indignados fome é terrorismo.jpg

 

Escrevem Guilherme Amado e Eduardo Barretto no Metrópoles: O comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, curtiu no Twitter um post de Jair Bolsonaro exaltando um protesto a seu favor. Em outra publicação endossada pelo comandante, medidas sanitárias contra a Covid foram comparadas ao comunismo e a esquerda foi acusada de permitir incestos.
 

“Que desistam todos os que querem ver o povo distante de mim, ou que esperam me ver distante do povo. Estou e estarei com ele até o fim. Boa noite a todos!”, escreveu Jair Bolsonaro, em 9 de maio, provocando mais uma aglomeração sem máscaras durante a pandemia. O comandante da Aeronáutica curtiu o post.

Comandante da Aeronáutica no Twitter

Em 10 de junho, o tenente-brigadeiro Baptista Junior deixou o like em um tuíte que acusou a esquerda de apoiar incestos e pedófilos, e comparou medidas sanitárias de controle da Covid ao comunismo.

“Já notaram que quem apoia a esquerda… acha usuário de drogas normal… pedófilos normais, incesto permitido, aborto normal, ladrão normal, corrupto normal, mas tacham que um único homem que não faz nada disso é ruim? Quem são essas pessoas?”, dizia a publicação do usuário Paulo Roberto, identificado como PauloRo96052381. Roberto emendou com uma imagem que trazia o símbolo comunista:Comandante da Aeronáutica no Twitter

Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares que nega o racismo no país, recebeu curtidas do comandante em diversas ocasiões. Em 23 de abril, citou “pretos que se vitimizam, choram por bobagem e sempre culpam os brancos”. Em 9 de junho, Camargo acusou a esquerda de infligir aos negros um “loop infinito do sofrimento”.

Comandante da Aeronáutica no Twitter

 

Comandante da Aeronáutica no Twitter

Outros bolsonaristas, como Ernesto Araújo e Carla Zambelli, também tiveram publicações apoiadas pelo chefe da Força Aérea Brasileira. Em 24 de abril, o ex-chanceler acusou a política externa brasileira de corrupção na América Latina. Em 13 de maio, a deputada bolsonarista disse, sobre a pandemia, que “alguns preferem construir palanque sobre cadáveres, eu prefiro comemorar a esperança”.

Comandante da Aeronáutica no Twitter

Comandante da Aeronáutica no Twitter
 
Também sobrou para o STF. Em 4 de junho, o tenente-brigadeiro gostou de um post em que a deputada estadual paulista Janaina Paschoal dizia que o inquérito dos atos antidemocráticos “nem deveria ter sido instaurado!”. A investigação, que tramita no Supremo, atinge em cheio os aliados de Jair Bolsonaro.
 

Já em 9 de junho, o comandante curtiu uma publicação de Salim Mattar, ex-secretário de Paulo Guedes, que criticou uma declaração de Luís Roberto Barroso sobre o voto impresso. “Agora o STF tem que validar as leis aprovadas pelo Parlamento?”, ironizou.

Comandante da Aeronáutica no Twitter

Nesta sexta-feira, a deputada extremista Bia Kicis, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, disse que o comandante teria votado na parlamentar e elogiado sua atuação. Uma semana antes, o Exército livrou o general Eduardo Pazuello de punição após dividir um palanque com Jair Bolsonaro.

A coluna questionou a Aeronáutica se a deputada dizia a verdade; se, em caso negativo, o comandante corrigiria a parlamentar; se algum processo disciplinar seria aberto para apurar o caso; e qual era o posicionamento da Força Aéra Brasileira sobre o episódio, mas não obteve resposta.

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