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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Ago20

Conceito e funcionamento de fake news

Talis Andrade

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II - As fake news e a política 

por Edneide Arruda

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Termo que representa uma prática muito antiga, as fakenews podem ser conceituadas, de forma genérica como “se fosse contar uma mentira com algum objetivo, nada mais que uma calúnia, um boato ou uma difamação”, conforme o site Descomplica (2019).

Sem precisão sobre o período histórico em que esse termo passou a ser usado, o site o associa a outro termo, também muito presente nos dias atuais, a pós-verdade (post truth), usado, pela primeira vez, em 1992, pelo dramaturgo sérvio-americano Steve Tesich, em referência a uma situação na qual apelos à emoção e às crenças pessoais são mais capazes de influenciar opiniões do que fatos objetivos. Trata-se de crença maior naquilo que um(a) familiar, um(a) amigo(a) ou ídolo fala, do que o que veiculam os tradicionais meios de comunicação.

O advento da Internet e de suas ferramentas tem impulsionado a produção de conteúdo com mais liberdade de comunicação e sua veiculação com muito mais rapidez. Neste novo universo, as fakenews se proliferam com sucesso impressionante, afirmando suas pós-verdades, e causando enormes prejuízos à ciência, à política, à educação, ao conhecimento e até mesmo à própria vida.

É que outro fenômeno do mundo digital se une às fakenews e às pós-verdades: são as “bolhas virtuais”, ambiente onde se escondem pessoas que, cultuando suas crenças e afetos, podem escolher por afinidades outras pessoas com as quais desejam se comunicar. Assim, fechadas em bolhas e duvidando da mais nítida realidade, passam a evitam qualquer opinião contrária às suas, pois, a “verdade” do círculo em que vivem já lhes basta.

Não sabem estas pessoas que a mensagem que acabam de receber de um(a) amigo(a), familiar ou vizinho(a), pode não passar de desinformação, manipulação, adulteração de fatos ou de uma simples piada. Descomplica (2020) mostra que, na tentativa de contribuir com este debate, a jornalista Claire Wardle, tenta agrupar as fakenews em sete categorias, a seguir, expostas:

Sátira ou paródia: não possui intenção de causar mal, mas tem potencial de enganar;

Falsa conexão: quando imagens, títulos e legendas dão falsas dicas do que realmente é o conteúdo;

Conteúdo enganoso: utilização enganosa de uma informação contra um assunto ou uma pessoa;

Falso contexto: conteúdo original compartilhado em um contexto falso;

Conteúdo impostor: quando afirmações falsas são atribuídas a fontes reais, geralmente pessoas;

Conteúdo manipulado: informação verdadeira manipulada para enganar;

Conteúdo fabricado: conteúdo completamente falso com o objetivo de gerar desinformação e causar algum mal.

Para entender como as fakenews se expandem com tanta rapidez, é importante saber que para propagar produtos e sugerir páginas e pessoas a serem seguidas, curtidas e compartilhadas, as redes fazem uso de regras matemáticas. Assim, fazem um inventário para saber o que os(as) internautas gostam, curtem, compartilham, quem seguem etc. Com estes dados, as redes indicam amigos(as) e produtos de consumo.

O mesmo tipo de inventário é feito para determinar a disseminação de notícias falsas, compradas, encomendadas ou fabricadas, e são espalhadas por uma determinada empresa que, usando robôs e bots (serviço automático), fazem chegar a milhões de pessoas uma mentira ou piada a respeito de um(a) candidato(a), um governo, uma autoridade, uma lei. (Continua)

22
Ago20

As fake news e a política

Talis Andrade

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por Edneide Arruda

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Está na Câmara dos(as) Deputados(as), o texto-base do PL 2630/2020, do senador Ângelo Coronel (PSD/BA), que visa combater a disseminação das fake news (notícia falsa) nas redes sociais. De autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania/SE), o Projeto de Lei, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet – já apelidado de “PL das Fake News” -, foi aprovado pelo Senado Federal, no último dia de junho, em sessão remota, depois de adiamentos e debates.

Decerto que o teor do projeto aprovado no Senado não é uma unanimidade e, por isso mesmo, requer um debate aprofundado. Se de um lado, parlamentares festejam sua aprovação; de outro, ativistas acusam o projeto de conter regras prejudiciais à privacidade, à proteção de dados, ao acesso à internet, à transparência e à liberdade de expressão.

Ao que indica a conjuntura atual, a Câmara não terá como fugir de debate tão crucial para a democracia brasileira. Em junho, pesquisa realizada pelo Ibope revelou que 90% dos(as) brasileiros(as) são a favor da existência de uma lei que combata as fake news nas redes sociais (Terra, 2020).

No início de junho, a rede social Facebook anunciou ter removido uma série de contas falsas por violação às normas da plataforma. Segundo reportagem de Congresso Em Foco (08.07.2020), as contas são ligadas ao gabinete do presidente da República, Jair Bolsonaro, e de seus filhos Flávio Bolsonaro (senador pelo Republicanos/RJ) e Eduardo Bolsonaro (deputado federal pelo PSL/SP).

Em nota, o diretor de Cibersegurança do Facebook, Nathaniel Gleicher, afirmou: “Identificamos essa atividade como parte de nossas investigações sobre comportamento inautêntico coordenado no Brasil a partir de notícias na imprensa e referências durante audiência no Congresso brasileiro. Ainda que as pessoas por trás dessa atividade tentassem ocultar suas identidades e coordenação, nossa investigação encontrou ligações a pessoas associadas ao Partido Social Liberal (PSL) e a alguns dos funcionários nos gabinetes de Anderson Moraes, Alana Passos, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro” (Facebook, 2020).

Em junho, pesquisa realizada pelo Ibope revelou que 90% dos(as) brasileiros(as) são a favor da existência de uma lei que combata as fakenews nas redes sociais (Terra, 2020).No mesmo mês, reportagem da agência Globo (2020) noticiou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) estaria no encalço de ativistas antidemocráticos que fazem ataques ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF), tendo rastreado o caminho do dinheiro que financia manifestações antidemocráticas, bem como parlamentares que estariam usando dinheiro público para divulgar os atos em redes sociais.

De acordo com O Globo (Idem), usando cotas parlamentares a que têm direito, os(as) deputados(as) federais Bia Kicis (DF), Guiga Peixoto (SP), Aline Sleutjes (PR) e General Girão (RN), repassaram R$ 30,3 mil para a InclutechTecnlogia, empresa de Sérgio Lima, responsável por cuidar da marca do Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro está criando.

As investigações revelam que a ativista Sara Giromini e seu grupo ‘300 pelo Brasil’ arrecadaram R$ 10 mil, coincidentemente às vésperas dos ataques antidemocráticos ao prédio do STF. Para a PGR, sites bolsonaristas faturaram verbas públicas para transmitir discursos do presidente durante atos contra a democracia.

Também em junho, reportagens veiculadas em vários veículos noticiaram que aComissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, criada em 2019, pelo Congresso Nacional para investigar a produção e disseminação de notícias falsas na internet, revelou, em relatório, ter identificado nada menos que 2,065 milhões de anúncios, pagos com verba pública da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Estes anúncios foram encontrados em sites, canais de YouTube e aplicativos de celular (Metrópoles, 2020).

Atentas a toda esta movimentação, as deputadas federais petistas Maria do Rosário (RS) e Luizianne Lins (CE) apresentaram Projeto de Lei (PL 2854/2020) que visa impedir a monetarização (obtenção de receitas) de sites e canais na internet que disseminem notícias falsas ou sem comprovação científica sobre tratamento de saúde relativos à Covid-19 ou ainda conteúdo de ódio ou de preconceito racial, misógino, religioso, de LGBTfobia e xenofobia(PTCâmara,2020). O projeto estende igual proibição a sítios eletrônicos ou aplicações na internet com apologia ao regime militar ou à extinção de poderes da República. (Continua)

 

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