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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

17
Abr18

A nudez de Roberto Justus candidato a presidente

Talis Andrade

O cara que invadiu o telefone de Marcela Temer pegou mais de 6 anos de cadeia. Está preso com nome trocado em local desconhecido, e nenhum defensor dos direitos humanos aparece para revelar a verdadeira identidade do coitado. Talvez seja o único caso de preso brasileiro, depois da ditadura militar, que foi julgado sem o nome de pia e/ou registro civil.


O ministro Alexandre de Morais, que prendeu o sujeito, botou um codinome no portador das fotos íntimas de Marcela que aparece no processo, também, com nome trocado.


Só não tem nome escondido nessa peça da alta justiça, a juíza que bateu com a vara no lombo do preso: Seis de cadeia, sentenciou a magnânima magistrada.


Nesses tempos de golpe, possívelmente o preso virou arquivo morto. Indigente morto sem nome numa sepultura sem lage.


Nestes tempos de golpe, 131 camponeses, líderes dos sem terra, foram trucidados no governo de Temer. No Rio de Janeiro, com um general interventor, paramilitares assassinaram a vereadora Marielle Franco. 

 
Depois do caso das fotos íntimas de Marcela, temos entre os presidenciáveis a bela esposa de Roberto Justus, cuja nudez jamais será castigada. Nem a de Justus, um dos candidatos de Temer.

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Justus, no Programa do Porchat, comentou sobre a possível reeleição do ex-presidente Lula.

 

“Você vê o programa do PT, o Lula falando que o Brasil precisa dele de volta. O que está aqui, o que nós herdamos, 13 milhões de desempregados, a maior crise institucional e política da história do país foi fruto de 12 anos de PT. Ele ajudou bastante essas pessoas, mas numa ilusão: quebrou o país”, disse o empresário ao apresentador.

 

Justus também fez uma promessa polêmica: “Eu sou o primeiro a dizer: se ele voltar, eu pulo do Brasil. Eu mudo do país. Não vou investir no país com um cara desses”, prometeu.

 

Esse palhaço do Justus é uma mistura de Faustão com Huck. É um Bial rico, apresentador do reality show O Aprendiz e A Fazenda, da Rede Record, dos bispos Macedo e Crivella, comprada a Sílvio Santos, com dinheiro do dízimo e do tráfico de drogas da Colômbia.


A TV Record, por sua vez, é a antiga TV Corcovado, comprada com dinheiro "emprestado" de PC Farias, mais de 4 bilhões. Novamente dinheiro do tráfico de drogas, que envolve a família da esposa de Moro. Aliás, um tráfico que Moro não quis ou impediu que fosse investigado, desviando a lava jato de suas origens, que era justamente investigar o tráfico de drogas e diamantes.


Esses partidos de esquerdas são muito incompetentes, ou temem apontar as sujeiras da República do Paraná. Tem muito delegado envolvido com drogas no Paraná e Santa Catarina, com jornalistas jurados de morte e exilados, porque denunciaram. Como acontece com as milícias no Rio de Janeiro, forças paramilitares formadas poe policais da ativa e aposentados ou expulsos do funcionalismo público.

 

 

31
Dez17

#NãoAdotoEsteSilêncio sobre as adoções ilegais da Igreja Universal denunciadas pela TVI de Portugal. Veja todas as reportagens

Talis Andrade

 

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Durante 10 dias, a TVI de Portugal emitiu a série informativa de jornalismo de investigação “O Segredo dos Deuses” denunciando vários casos de adoções ilegais e de tráfico ilegal de crianças por parte da Igreja Universal do Reino de Deus, a IURD.

 

Os casos denunciados deram origem à abertura de um processo no Ministério Público de Portugal, mas as entidades públicas envolvidas nas adoções ilegais, a Segurança Social e a Santa Casa da Misericórdia, bem como a generalidade da classe política, remeteram-se ao silêncio sobre os factos apresentados, que escandalizam todos nós. Isso acontece em Portugal.

 

No Brasil, O Ministério Público nem aí. 

 

Como se pode adotar este silêncio? Um lar ilegal serviu de base para adoções ilegais de crianças por parte dos bispos da IURD, entre os quais estão os netos do poderoso bispo Edir Macedo, dono da Universal, da Record, do Banco Renner.  As crianças foram roubadas às famílias com base em mentiras, falsificações de documentos, omissões deliberadas do interesse das mães nas crianças que eram escolhidas por catálogo fotográfico, o que é ilegal, com base em relatórios falsos de técnicas da Segurança Social, viajando para outros países em jato privado, às escondidas.

 

Veja aqui todas as reportagens de investigação O Segredo dos Deuses.

 

A maioria dos casos tem cerca de 20 anos e só agora as mães das crianças perceberam o que lhes aconteceu. Os filhos desapareceram e ninguém as ajudou. À época, ninguém as quis ouvir.


Também fica evidenciado o racismo. As crianças loiras e de olhos azuis eram as mais cobiçadas.

 

 

22
Dez17

O Segredo dos Deuses: quem é quem na investigação da TVI sobre a Igreja Universal do bispo Edir Macedo

Talis Andrade

“O Segredo dos Deuses”, a primeira série informativa da televisão portuguesa, revela uma rede de adoções ilegais de crianças portuguesas levadas para o estrangeiro por bispos da IURD. À medida que os 10 episódios vão sendo revelados, conheça os principais intervenientes deste enredo:

 

Igreja Universal do Reino de Deus

É uma denominação cristã, evangélica neopentecostal, fundada em 9 julho de 1977 no Brasil.

Chega a Portugal em 1989, compra o cinema império em Lisboa e em 1995 tenta comprar o Coliseu do Porto, o que acaba por causar uma enorme reação popular nas ruas da cidade. Esta pessoa coletiva religiosa defende a teoria da prosperidade e, em Portugal, declara, mais de 30 milhões de euros/ano em ofertas, livres de impostos. Até hoje, nunca divulgaram o número de fiéis que têm no nosso país.

A IURD garante que tem 9 milhões de fiéis espalhados por 182 países, 320 bispos e cerca de 14 mil pastore.

A Universal tem sido ao longo dos tempos alvo de críticas, controvérsias e de muitos processos judiciais.

O seu fundador e líder Edir Macedo Bezerra é um dos homens mais poderosos do mundo, considerado como o pastor mais rico do Brasil, com um património superior a mil milhões de dólares.

Edir Macedo é dono de um banco no Brasil, do grupo e da TV Record, a segunda maior emissora de televisão no Brasil.

 

 

Edir Macedo Bezerra

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Líder máximo e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Nasceu a 18 de fevereiro de 1945.

Começou como vendedor de lotaria e atualmente é um dos homens mais ricos e influentes no Brasil.

Bispo evangélico, fundou a IURD em 9 de julho de 1977 no Brasil.

Casou em 1971 com Ester Bezerra, com quem teve duas filhas biológicas - Cristiane Cardoso (1973) e Viviane Freitas (1975) – e adotou Moisés Bezerra.

Em 1990, compra a rede Record de televisão e em 2013 o Banco Renner.

O PRB surge como o braço político ligado à IURD e conquista terreno no Brasil.

Chegou a estar preso em 1992 e atualmente responde num processo que está em investigação em S. Paulo, em que está acusado de charlatanismo, formação de quadrilha para lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A TVI sabe que também está a ser investigado pelo FBI, em Nova Iorque.

Líder carismático defende a vasectomia e o aborto.

 

Ester Bezerra

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Esposa de Edir Macedo. Casaram a 18 de dezembro de 1971. Têm duas filhas, Cristiane e Viviane, tendo adotado mais tarde um rapaz, Moysés Bezerra, que chegou à vida do casal com apenas 14 dias vida, pela mão da sua própria mãe, que o entregou ao bispo para que o criasse.

 

Lar universal

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Através de uma associação de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, foi criado o lar de crianças, que abriu portas a 23 de maio de 1994, na Rua do Zaire, em Camarate, tendo mudado de instalações em 1997, para a Avenida Almirante Gago Coutinho, Lisboa. O lar fazia parte da Obra Social da IURD e funcionou ilegalmente até 2001. Curiosamente, a própria Segurança Social e alguns tribunais encaminharam para lá crianças, que acabaram por desaparecer.

A maioria dos menores chegou pelas mãos de fiéis e mães desesperadas que procuravam ajuda. Posteriormente, o lar dificultava a visita aos filhos e promovia o abandono das crianças, que seguiam para serem adotadas por bispos e pastores da igreja.

O lar funcionou ilegalmente sete anos, sem qualquer fiscalização da Segurança Social. Aqui, contornava-se o normal processo de adoções em Portugal e as crianças que os bispos adotavam eram escolhidas por fotografias.

 

Viviane Freitas

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Filha do bispo Edir Macedo, nasceu no Rio de Janeiro a 18 de janeiro de 1975.

Casou-se com o bispo Júlio Freitas em 1992. Terá tentado adotar no lar da igreja, mas não foi aceite como candidata por não ter idade, nem residência em Portugal.

Escolheu os irmãos Vera e Luís por fotografias. Acabaram a viver consigo, durante anos, sem conhecimento dos tribunais portugueses.

A escolha da filha do bispo promoveu a separação dos irmãos. Vera e Luís foram afastados do seu irmão Fábio.

 

Bispo Júlio Freitas

Bispo Júlio Freitas .jpeg

 

 

Nasceu na Bahia, em 11 de fevereiro de 1973, marido de Viviane Freitas, a filha mais nova do bispo Edir Macedo, com quem casou em 1992.

Enquanto Bispo, era vasectomizado, o que impedia o casal de ter filhos.

Acedeu a ficar com Luís e Vera, que garante serem seu filhos adotivos, mas que, formalmente, não lhe são nada à luz da justiça portuguesa que foi enganada.

 

Alice Andrade

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Nasceu a 4 de março de 1956. É natural de Angola e mãe de duas filhas.

Foi, durante uma década, secretária pessoal do bispo Edir Macedo. Enquanto pessoa da máxima confiança do líder da IURD, serviu como testa de ferro para a adoção dos três irmãos que retirou do lar com uma guarda para entregar à filha de Edir Macedo, nos EUA. Viviane escolhe apenas 2 dos 3 irmãos e Fábio, o mais novo, acaba no Brasil, nas mãos de outro bispo importante da IURD.

Entrou em rota de colisão com a igreja por causa das crianças e foi despedida da igreja. Acionou a justiça americana e acabou por assinar um acordo de confidencialidade com Edir Macedo e a IURD que a obriga a não divulgar o que aconteceu com os menores que levou do lar e a manter silêncio sobre todos os esquemas financeiros da igreja nos quais participou.

Há mais de 4 anos que não vê, nem fala com as crianças que adotou para dar à filha do Bispo Macedo, que acusa de ter “um coração de gelo”.

Casou com um americano e hoje vive em Los Angeles, nos EUA.

 

Vera Andrade

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Nasceu a 23 de março de 1992, natural da Venteira, Amadora. Terá sido retirada da sua casa, com os seus irmãos, por uma técnica da Segurança Social que a entregou no lar ilegal da IURD.

Quando o Bispo Edir Macedo visita a instituição, é escolhida para ser adotada pela sua filha Viviane. Tem dois irmãos, Luís e Fábio, que também foram levados por Alice Andrade, a secretária do bispo Macedo, para os EUA, em avião privado e sem autorização dos tribunais portugueses.

Depois de viver anos com Viviane Cardoso, é devolvida a Alice Andrade, que formalmente é a sua mãe adotiva. Atualmente, é obreira na igreja universal.

 

Luís Andrade

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Nasceu a 17 de março de 1993. Irmão de Vera e de Fábio, é natural da Amadora e foi, juntamente com a sua irmã, escolhido por Viviane e Júlio Freitas, respetiva filha e genro do bispo Edir Macedo.

Foi maltratado nos EUA, ao ponto de a babysitter portuguesa se ter despedido.

Num mês, batizou-se e tornou-se pastor da IURD. Acredita que foi abandonado pela mãe biológica e não contacta com a sua mãe adotiva.

 

Fábio Andrade

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Nasceu a 15 de dezembro de 1994. Natural da Venteira, Amadora, é o irmão mais novo de Vera e Luís.

Foi levado para os EUA por Alice Andrade, mas separado dos irmãos. Viviane não quis ficar com ele e acabou entregue ao Bispo Romualdo Panceiro, com quem viveu durante três anos no Brasil, ilegalmente e à margem dos tribunais portugueses.

Viveu no Brasil com a identidade falsa de Filipe Barbosa Panceiro e viajava com documentos falsos.

Reencontrou os irmãos, Vera e Luís, anos mais tarde quando foi viver com Alice, a secretária do Bispo, que acabou por os adotar a todos.

Faleceu em 2015, sozinho [de overdose], num quarto de hotel em Nova Iorque. Foi Alice quem foi chamada para reconhecer o seu corpo.

 

Bispo Romualdo Panceiro

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É um dos principais bispos da igreja universal e neste momento está à frente dos destinos da IURD em Portugal e na Europa.

Atualmente, é ele quem dirige o culto da igreja de Chelas, com capacidade para 3 mil crentes.

Nasceu a 31 de março de 1959, no Rio de Janeiro. É casado com Márcia Panceiro e foi ele que ficou com Fábio, o mais novo dos três irmãos, retirados do lar da universal e levados para os EUA.

Fábio viveu ilegalmente no Brasil e tinha documentos falsos, com o nome de Filipe, e viveu anos numa confusão de identidades.

 

“Maria”

 

Mãe biológica de Vera, Luís e Fábio. Após uma denúncia de que deixava os filhos sozinhos em casa, a Segurança Social da Amadora retirou-lhe as crianças e entregou-as no lar ilegal da IURD.

Jovem mãe, vítima de violência doméstica, tinha dois trabalhos para conseguir alimentar os filhos e irmãos menores que deixava entregue ao pai dos filhos mas este ausentava-se.

Vera, Luis e Fábio acabam no lar da UIRD, onde deixou de conseguir vê-los e onde lhe negaram o livro de visitas para assinar.

As crianças chamaram a atenção do bispo Macedo e os pais biológicos foram afastados.

O lar mentiu ao tribunal e disse que a mãe abandonou lá as crianças e que nunca os foi visitar e, assim, conseguiu que a guarda dos menores fosse entregue a Alice, a secretária do bispo, que levou os irmãos para a filha do líder da IURD, nos EUA.

“Maria” foi à polícia duas vezes denunciar o roubo das crianças, mas ninguém a levou a sério. Os relatórios do lar dizem que “Maria” era toxicodependente e seropositiva.

A TVI descobriu “Maria”, a mãe que procurava os seus filhos há 22 anos.

 

 

“Ana”

 

Ex-funcionária do lar, escolhida para ser a babysitter de Vera e Luís na casa do bispo Macedo, na Califórnia.

Sai de Portugal a 17 de setembro de 1996, como missionária paga pela IURD, mas na realidade era empregada do bispo e babysitter das crianças.

Assistiu a maus-tratos dos irmãos e resolveu despedir-se e voltar para Portugal, onde começou a procurar a mãe biológica dos menores.

 

Cristiane Cardoso

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Filha mais velha do Bispo Macedo, adotou uma criança do lar da Iurd, contornando o normal processo de adoções em Portugal, e promovendo a separação de dois irmãos.

Filipe Bezerra Cardoso foi separado do seu irmão, Pedro, também ele adotado por outro Bispo da igreja.

Nasceu no Rio de Janeiro, a 31 de Outubro de 1973. Casou com 17 anos, com o bispo Renato Cardoso, e apresenta, ao lado do marido, o programa The Love School – A Escola do Amor - na rede Record.

 

Bispo Renato Cardoso

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Marido de Cristiane Cardoso, a filha mais velha do bispo Macedo e pai adotivo de Filipe.

Nasceu no Rio de Janeiro, a 16 de janeiro de 1972, é considerado um dos mais importantes bispos da igreja universal, sendo apontado pela comunicação social como o sucessor de Edir Macedo.

Além de apresentador, ao lado da mulher, é o autor de diversos livros sobre um casamento feliz.

 

Filipe Cardoso

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Nasceu em Lisboa, em 21 de abril de 1993. Filho adotado de Cristiane e Renato Cardoso, é neto do bispo Edir Macedo e foi entregue no lar da Universal pela avó, em 1996, à revelia da sua própria mãe, que considera que a igreja Universal lhe roubou o filho.

 

Jaqueline Duran Marques

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Foi diretora do lar universal em Lisboa e é mulher do bispo Sidney, que estava em Portugal no final dos anos 90.

O bispo Macedo obrigou-a a adoptar Pedro, o irmão mais velho de Filipe, que tinha uma mancha preta e peluda num braço e que Cristiane, filha do líder da IURD, não quis adotar.

 

Pedro Duran Marques

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Nasceu a 24 de fevereiro de 1990. É irmão biológico de Filipe Bezerra Cardoso e foi adotado por Jaqueline Duran Marques, na altura diretora do lar universal, a mando do bispo Edir Macedo.

Com 6 anos, libertou a sua mãe, que estava sequestrada em casa e era vítima de violência doméstica por parte do pai.

Foi entregue no lar da universal pela avó em 1996, à revelia da sua mãe biológica.

 

“Clara”

 

Mãe biológica de Pedro e Filipe. Foi a avó das crianças que os entregou no lar da IURD. “Clara” foi vítima de maus tratos e foi o filho mais velho que a ajudou a escapar aos abusos do marido.

Pediu ajuda à mãe, devota da Iurd, para cuidar dos netos enquanto ia fazer uma desintoxicação, mas quando regressou a avó tinha entregue os netos no lar da IURD.

Conseguiu visitá-los apenas três vezes. Depois, quando se dirigiu ao lar, já tinham saído para a adoção.

O tribunal afirma que a mãe deu o consentimento para adoção, mas “Clara” nunca foi ouvida ou se sentou num tribunal. Na altura, o seu bilhete de identidade desapareceu, o que explica este falso consentimento em que se enganou o tribunal.

Não sabia do paradeiro dos filhos e continuava a procurá-los nas redes sociais.

 

Bispo Alfredo Paulo

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Foi um dos bispos principais da igreja universal até 2011. Esteve à frente da IURD em Portugal e na Europa entre 2002 e 2009. Foi expulso da IURD por ter sido infiel à mulher e, quando saiu, descobriu que o seu nome estava em muitas das empresas ligadas à igreja.

Hoje, tem um canal de youtube onde denuncia a hipocrisia da cúpula da IURD. Tem milhares de seguidores, na sua maioria ex-fiéis da IURD.

Vive escondido e muda frequentemente de morada por se sentir ameaçado.

A TVI entrevistou-o na Suíça, onde estava refugiado na altura.

No Brasil, a IURD avançou com mais de 80 processos contra si em vários estados e é defendido por um advogado que também é um ex-crente da IURD.

É casado com Teresa Paulo e o bispo Macedo obrigou-os a adotar Lucas, um recém-nascido com 16 dias, no Brasil.

 

Lucas Paulo

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Filho adotivo do bispo Alfredo Paulo, foi criado dentro da igreja universal. Chegou a ser pastor e, quando o seu pai saiu da igreja, foi enviado para o interior das Filipinas, onde passou muito mal.

Foi amigo de Filipe e em adolescente ambos se revoltaram contra a vida da igreja. Denuncia a “imagem da familia perfeita” e a utilização dos “filhos dos bispos” para passar a mensagem da igreja e angariara fiéis e dinheiro.

Garante que há as crianças são usadas pela IURD e que muitas desconhecem que são adotadas.

 

Teresa Paulo

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Mulher do bispo Alfredo Paulo, foi obrigada a adotar por ordem do bispo Macedo. É mãe de Lucas Paulo.

 

Nídia Martins

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Advogada do lar, foi ela quem tratou dos processos de adoção dos menores para os bispos e pastores.

Adotou um recém-nascido do hospital S. Francisco Xavier e duas gémeas, no lar da IURD.

As funcionárias dizem que levou Danielle Cristelle e Cristelle Danielle, no mesmo dia em que foram entregues no lar.

A TVI encontrou-a a viver no interior do Algarve e recusou explicar estas adoções.

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O SEGREDO DOS DEUSES. Partidos políticos de Portugal pedem investigação profunda.  

 

 

 

19
Dez17

Segredo dos deuses primeiro video os netos roubados de Edir Macedo para adoção da filha estéril pastora Viviane

Talis Andrade

Os três irmãos roubados à mãe para um lar da IURD

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O casal pastores Viviane e Júlio Freitas ladeados pelos filhos adotivos escolhidos por fotografias em Portugal. Foto propaganda do portal da IURD

 

 

Este é o primeiro episódio de uma série informativa de 10. Conheça esse crime e outros. Conheça a verdadeira história da Igrega Universal do Reino de Deus - IURD/ Veja vídeo aqui

 

Um deles morreu de overdose. 

 

Vinte e dois anos depois, a mãe biológica de três irmãos - Vera, Luís e Fábio - e a babysitter que tratou deles reencontram-se. “Maria”, nome fictício, vai saber por “Ana” que um dos seus filhos faleceu há dois anos.

 

"Este meu filho foi-me tirado... Eu nunca vi este meu filho andar, eu nunca o vi dar os primeiros passos...", desabafa Maria, falando de Fábio.

 

"Maria" vivia na Amadora, ao lado de uma IURD, e, um dia, alguém denunciou que as crianças - de 3 anos, 2 anos e 9 meses, respetivamente - ficavam sozinhas em casa enquanto a mãe ia trabalhar. A Segurança Social retirou-lhe os filhos e enviou-os para um lar ilegal da igreja.

 

"Eu não estava a entregar os meus filhos a ninguém. Eu pedi às assistentes sociais: ajudem-me, metam-nos numa creche porque eu tenho trabalho, ajudem-nos para eles ficarem em segurança, mas sempre foi recusada uma ajuda."

 

Foi dito a "Maria" que podia ver os filhos aos fins de semana e que este seria um "processo gradual" até que os pudesse ter de volta. Em setembro de 1995, as crianças entram no lar. A mãe só os viu uma vez. Depois, desapareceram.

 

“Ana” trabalhava no Lar da Obra Social da Igreja Universal do Reino do Deus quando foi escolhida para tratar de três irmãos que foram levados para os Estados Unidos e ilegalmente afastados dos pais, que foram impedidos de os visitar.

 

O Lar da Igreja é a peça central desta série de 10 episódios que conta em exclusivo como operou em Portugal uma rede internacional de adoções ilegais.

 

Mas antes é preciso conhecer esta igreja e o seu líder. A IURD é uma denominação cristã, evangélica, neopentecostal e foi fundada em 1977, no Brasil.

 

Atualmente, tem nove milhões de fiéis, espalhados por 182 países, 320 bispos e cerca de 14 mil pastores. É liderada por Edir Macedo Bezerra, considerado o pastor mais rico e poderoso do Brasil e com um património superior a mil milhões de dólares.

 

Foi em 1989 que a igreja chegou a Portugal. Começou numa pequena garagem, na Estrada de Benfica, e em pouco anos conseguiu comprar o cinema Império, em Lisboa. Hoje em dia, faz mais de 30 milhões de euros por ano, em ofertas, livres de impostos.

 

Foi também em 1994 que fundou uma obra social, da qual fez parte o lar Universal, uma instituição ilegal, sem licenciamento da Segurança Social, que recebia crianças através de entregas diretas de fiéis, mas também de tribunais e da própria Segurança Social.

 

Um lar que serviu os propósitos de uma igreja cuja ideologia passa pela vasectomia de bispos e pastores.

 

Alfredo Paulo, ex-bispo da IURD, conta à TVI que foi obrigado a fazer uma vasectomia numa clínica clandestina. Como as filhas de Edir Macedo - Cristiane e Viviane - casaram com bispos da IURD, também não podem ter filhos. 

 

É aí que, num breve período da sua história, na década de 90, Edir Macedo incentivou à adoção, uma ordem que se tornou mundial.

 

"O bispo começou a incentivar a adoção, ao ponto de impor, no meu caso, que eu adotasse. Nem eu, nem a minha esposa queríamos adotar", conta Alfredo Paulo, que adotou Lucas Paulo, com apenas seis dias, no Brasil.

 

E é neste lar, em Portugal, que esta história se inicia. Uma história de mães devastadas, filhos levados para o estrangeiro, e segredos com mais de 20 anos.

 

Uma história que só poderia ser conhecida duas décadas depois. Quando ex-funcionários da IURD deixaram a igreja, mas guardaram documentos e provas e conseguem agora testemunhar, sem medo, como foi organizado este esquema, que envolve o líder máximo da igreja, a filha, Viviane, uma mãe e três irmãos.

 

Uma história que começa tragicamente com um lar e uma fotografia de três irmãos, Luís, Vera e Fábio. Uma fotografia entregue a Edir Macedo que os achou perfeitos e os escolheu para "entregar" à filha...

13
Dez17

O SEGREDO DOS DEUSES. Investigação da TVI diz que 'netos' de Edir Macedo foram roubados em Portugal (Veja vídeo)

Talis Andrade

nvestigação da estação alega que a Igreja Universal do Reino de Deus tinha um lar ilegal de crianças em Lisboa, na década de 90, de onde desapareceram vários menores tirados às mães

 

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 Os 'netos' portugueses de Edir Macedo que residem nos Estados Unidos

 

DN/ Portugal - Uma investigação da TVI revela que Edir Macedo, líder máximo da IURD, está envolvido numa rede internacional de adoções ilegais de crianças e que os seus próprios "netos" são crianças roubadas de um lar em Portugal.

 

Segundo a reportagem "O Segredo dos Deuses", que começa hoje a ser transmitida na TVI, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) tinha, na década de 90, um lar ilegal de crianças, em Lisboa, de onde foram levados vários menores, à revelia das suas mães.

 

As crianças eram entregues diretamente no lar, à margem dos tribunais, por famílias em dificuldades e acabavam no estrangeiro, adotadas por bispos e pastores da igreja de forma irregular e sem direito de contraditório às famílias, adianta a investigação das jornalistas Alexandra Borges e Judite França.

 

 

A TVI descobriu que Edir Macedo "está envolvido nesta rede internacional de adoções ilegais de crianças, e que os seus próprios 'netos' são crianças roubadas do Lar Universal, uma instituição que à época fazia parte da obra social da igreja".

 

Após sete meses de investigação, a equipa da TVI descobriu mães que falam pela primeira vez sobre o caso.

 

Uma mãe conta na reportagem, cujos dois primeiros episódios foram mostrados hoje à imprensa, que os seus três filhos foram adotados sem o seu consentimento.

 

Contou que não a deixavam assinar o livro de registo quando ia visitar os filhos, uma prova que pesa no processo de adoção, e foi descrita pela técnica da Segurança Social como sendo toxicodependente e seropositiva, o que negou, afirmando mesmo que era dadora de sangue.

 

Os dois filhos, diz a reportagem, foram adotados pela filha de Edir Macedo e levados para os Estados Unidos.

 

Segundo um comunicado da TVI relativo à investigação, "um importante membro desta rede chegou mesmo a roubar um recém-nascido à mãe na maternidade e registá-lo diretamente como seu filho biológico".

 

"Isto aconteceu debaixo dos nossos olhos e retrata o esquema que estava montado num lar ilegal", disse o diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, no final da apresentação da reportagem.

 

A situação "atinge a cúpula da IURD", adiantou, sublinhando que "as crianças foram levadas sem que os tribunais ouvissem as famílias das crianças".

 

"O Estado não esteve completamente bem aqui, mas nunca é tarde para repor a verdade"", disse Sérgio Figueiredo.

 

"Não sabemos o papel da Segurança Social e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa", mas "encontrou-se um subterfúgio na lei para fazer estas adoções", comentou, por seu turno, Alexandra Borges.

 

A jornalista afirmou que "em todos estes processos falta o contraditório, o que torna estas adoções grotescas".

 

Alexandra Borges referiu que, apesar de alguns processos poderem já ter prescrito, o que as mães querem é que "os filhos saibam a verdade", que nunca os abandonaram.

 

"Há aqui uma questão moral que ultrapassa tudo que sejam os crimes e há respostas a serem dadas", vincou, sublinhando que estas crianças foram adotadas em Portugal por bispos e pastores, que visitavam o lar regularmente e escolhiam as crianças para adotar.

 

"A impunidade destas pessoas é tanta que algumas provas fomos buscar junto dos blogues deles", adiantou Alexandra Borges.

 

Judite França, coautora da investigação, acrescentou que "não era possível fazer esta investigação se não fosse 20 anos depois".

 

"É uma máquina muito bem oleada em que a decisão vem de cima para baixo e nada é contestado", sublinhou Judite França.

 

Confrontada pela TVI com estas acusações, a IURD limitou-se a dizer que foi um processo legal, mas Sérgio Figueiredo referiu que vai manter a "antena aberta" para que a igreja possa prestar esclarecimentos.

 

O lar abriu em 1994 em Lisboa e foi legalizado em 2001. A IURD acabou por encerrá-lo em 2011, alegando como motivo a crise.

 

Esta é a primeira série informativa da televisão portuguesa e será revelada em dez episódios, sendo o primeiro transmitido hoje a seguir ao "Jornal das 8". Veja aqui 

 

13
Dez17

Igreja Universal manteve rede de adoções ilegais em Portugal e netos de Edir Macedo vieram de esquema

Talis Andrade

 

Neta do dono da Universal.jpgUma neta portuguesa, com certeza

 

Os netos do líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Edir Macedo, um das maiores denominações evangélicas do Brasil presente em quase 200 países, foram ilegalmente adotados em Portugal nos anos 90 como parte de um esquema mantido pela IURD para levar crianças ao Brasil à revelia de suas mães. A informação é parte de uma reportagem da emissora portuguesa TVI, que ouviu a suposta mãe das crianças e a babá que cuidou deles. Segundo jornais e agências do país, o Ministério Público português abriu inquérito para investigar o caso.

 

"Eu nunca vi esse meu filho dar um passo", diz, aos prantos, uma mulher apresentada na reportagem como a mãe de Vera, Luis e Fábio. Segundo a série, que terá dez episódios, as crianças, que então tinham 3 anos, 2 anos e 9 meses, foram foram levadas em 1995 a um abrigo mantido pela Universal em Lisboa após a mãe ter sido denunciada por deixá-los sozinhos em casa enquanto trabalhava. Os três foram levados aos Estados Unidos e, depois, adotados por Viviane Freitas, uma das filhas de Edir Macedo. Outros bispos e pastores teriam também obtido crianças no mesmo lar, que foi regularizado em 2004 e só encerrou as atividades em 2011. A reportagem afirma que a onda de adoções na igreja ocorreu como parte de uma política de Macedo: primeiro ele recomendou vasectomia a pastores e bispos e, depois, passou a orientar adoção. 

 

A Universal afirma ainda que a reportagem é uma tentativa de difamar a instituição porque traz o depoimento de Alfredo Paulo Filho, um ex-integrante da Igreja Universal que saiu do grupo em 2013 e que mantêm batalha legal com Macedo, que denunciou esquema ilegal de remessa de dinheiro.

 

Transcrevi trechos de reportagem do jornal espanhol El País. 

 

Louis Carlos de Andrade e Vera de Andrade, são filhos adotivos de Viviane Freitas, filha de Macedo. Ela vive há muitos anos nos Estados Unidos. Tanto Louis quanto Vera confirmam que nasceram em Portugal, mas viveram a maior parte da vida na América.

 

 

13
Dez17

Uma rede de adoções ilegais envolvendo os netos de Edir Macedo

Talis Andrade

“No caso das adoções ilegais da Igreja Universal, o Estado português também deve ser investigado”

 

por Regiane Oliveira/ El País/ Espanha

 

 

Foram sete meses de investigação em segredo absoluto até que a equipe da emissora portuguesa TVI colocou no ar o primeiro capítulo de uma série de reportagens que denuncia a existência de uma rede de adoções ilegais envolvendo os netos do líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Edir Macedo, um das maiores denominações cristãs do Brasil presente em quase 200 países. Batizada de O segredo dos deuses  , a investigação levou o Ministério Público do país a abrir inquérito para investigar o suposto esquema. As repórteres Alexandra Borges e Judite França, que participaram da investigação, responderam às perguntas do EL PAÍS sobre os bastidores da reportagem.


Pergunta. Como vocês chegaram a esta história?

Resposta. Nós estávamos investigando outro assunto ligado aos negócios da IURD. Era uma reportagem empresarial sobre suposto enriquecimento ilícito e tropeçamos na história dos netos. Ouvimos que Edir Macedo havia escolhido os filhos adotados por sua filha Viviane [Freitas] e que os meninos eram portugueses. Achamos estranho porque não é fácil uma estrangeira adotar uma criança em Portugal. Além do mais, a legislação portuguesa não permite que se escolha a criança a ser adotada. E fomos investigar.

 

P. Como foi o processo de apuração?

R. Não foi fácil fazer a investigação porque em Portugal os processos de adoção são secretos. Começamos tentando contatar pessoas que saíram da IURD, porque quem está dentro da instituição não fala. Descobrimos que as adoções estavam protegidas por acordos de confidencialidade entre os participantes, para que nenhuma informação sobre o processo viesse a ser conhecida. Contatamos pessoas que trabalharam no lar onde as crianças foram adotadas. São pessoas que perceberam que haviam feito coisas erradas e por isso guardaram documentos da época.

 

 

P. Quais foram as maiores dificuldades?

R. Foram sete meses batendo às portas, juntando informações. Teve mães que morreram lutando pelos filhos. Apuramos que cerca de dez crianças foram adotadas nesse esquema. Algumas já estavam nas rédeas da rede quando a mãe conseguiu resgatá-las. É o caso de uma africana que teve malária e deixou seus filhos no lar da IURD para fazer o tratamento. Quando voltou, eles não queriam entregar as crianças, dizendo que ela precisava de advogado. Mas ela resistiu. Outras mães foram à polícia, mas não foram levadas a sério.

 

P. Por que não?

R. São mulheres vulneráveis, com histórico de problemas, algumas já conhecidas pela polícia. Vítimas de violência doméstica. Sem relações estáveis e cujos pais não queriam saber das crianças. Algumas eram dependentes químicas.

 

P. E como vocês chegaram às mães

R. Chegar às mães foi mais complicado. Algumas pessoas com quem conversamos guardaram o nome das mães e das crianças. Mas não conseguimos encontrar todas. Também entrevistamos a babá portuguesa que viveu nos Estados Unidos quase três anos na casa do Edir Macedo e que nos contou sobre como era a vida das crianças.

 

P. O que vocês descobriram que as levou a entender que as adoções foram ilegais?

R. A filha do bispo escolheu as crianças por fotografia, com base em características que a interessavam, o que em Portugal é proibido. Viviane não esconde essa informação. Em seu blog, ela falava que adotou as crianças porque eram parecidas com Júlio Freitas, seu marido. Em Portugal, a Segurança Social te apresenta a criança, com base em diretrizes como idade. A pessoa que quer adotar e a criança têm seis meses para se conhecerem. Sempre de forma vigiada. Como a IURD era dona do lar, eles não passaram por esse processo e fizeram uma desvinculação forçada dos pais biológicos. Descobrimos um conjunto de mentiras que foi passado para o Tribunal [de Família e Menores de Lisboa], como as crianças serem tipificadas como soropositivos, sendo que a mãe biológica é doadora de sangue. Além disso, o tribunal não sabia que elas seriam levadas em aviões privados para fora de Portugal. Nem que seriam separadas. Viviane ficou com duas crianças e outra foi entregue para adoção de um bispo.

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Viviane e Júlio Freitas 

 

P. Mas o tribunal sabia que as crianças estavam sendo adotadas pela filha de Edir Macedo?

R. O tribunal pensava que estava atribuindo as crianças para guarda de uma portuguesa e não para a filha do bispo. Essa mulher é alguém de confiança do bispo Macedo, uma testa de ferro.

 

P. Como o Ministério Público ficou sabendo da história?

R. Nós tivemos que abrir a história para a Procuradoria porque queríamos ter acesso aos documentos administrativos sobre a adoção. Eles analisaram e informaram que abririam um processo crime, antes mesmo de a reportagem ir ao ar.

 

P. Vocês tentaram falar com os jovens que foram adotados?

R. Claro. Fizemos um pedido na IURD em Portugal. Eles nos passaram o contato com o advogado que representa a IURD. E responderam que as adoções foram legais. Agora estão pedindo direito de resposta e tentando desqualificar o bispo Alfredo Paulo [um dos entrevistados], que por sete anos foi responsável pela IURD em Portugal e outros dezoito países da Europa. Mas ele não sabia do caso. Ele criou um blog e fala sobre a IURD [blog A outra face]. Ele não sabia. Foi surpreendido com o caso de Portugal. Apenas nos contou sua experiência ao adotar e disse que achava que os meninos da Viviane tinham vindo de Portugal.

 

P. Se o caso já se tornou público, por que as mães não aparecem nas imagens?

R. Por proteção, as mães não são identificadas. O MP sabe quem elas são. E a IURD também. O maior problema em Portugal são os fanáticos. Nossa página da Internet está sendo invadida. Acreditamos que por ordens do bispo. Temos provas de que foi um processo ilegal. Mas o caso não é sobre a IURD. Se fosse a Igreja Católica, daríamos a mesma cobertura. Quem levou as crianças é que tem que responder. Não fizeram em benefício da igreja, mas em benefício próprio. Mas é mais fácil se esconder atrás do escudo da IURD.

 

P. Vocês alegam que o lar era ilegal, mas admitem que o próprio departamento de Segurança Social mandava crianças para lá...

R. Esse lar só veio a ter convênio com o Estado a partir de 2004. A própria Segurança Social não sabia que era ilegal. Há uma responsabilidade do Estado português a ser investigada, porque aqui não se pode entregar uma criança do jeito que foi feito.

 

P. Não é a primeira vez que a IURD é envolvida em investigações e nunca houve uma condenação. Qual a expectativa com esse caso?

R. No passado houve tentativas de investigação sobre o dinheiro da IURD em Portugal. Mas nunca deu em nada. Em 1995, lembro que a IURD tentou comprar um cinema no Porto, mas enfrentou resistência local e passaram a fazer as coisas na calada. Desta vez, o MP ficou muito intrigado e deve levar até as últimas consequências. É mais fácil investigar adoção do que o dinheiro. As testemunhas já confirmaram que vão falar em Juízo, mas sabemos que alguns crimes estão prescritos.

 

P. De quais crimes estamos falando?

R. Os meninos foram entregues como encomenda e hoje isso é classificado como tráfico de criança. Mas esse crime não estava tipificado na lei na época. O tráfico de crianças entrou na lei apenas em 2007. Muitos defendem que o que aconteceu foi um sequestro, já que as mães nunca autorizaram a adoção. Mas a investigação vai além de Viviane e Edir Macedo. Agora que saiu a reportagem, estamos recebendo e-mails de pessoas que tinham filhos no lar e eles desapareceram. Com as novas denúncias, continuaremos investigando.

 

P. A reportagem mostra que a política de adoção é algo defendido pela IURD. Por quê?

R. Júlio Freitas e Renato Cardoso, maridos das filhas de Edir Macedo, fizeram vasectomia por orientação da IURD. Mas as filhas do bispo queriam filhos. A saída encontrada por Macedo foi a história de que todos da igreja poderiam adotar. Eles vendem a família perfeita, que, inclusive, ao invés de botar criança no mundo, adota. O lar foi o veículo que eles encontraram para facilitar o processo. A única coisa que não conseguimos explicar é por que adotar em Portugal, se, talvez, eles tivessem mais facilidade no Brasil.

 

 

 

25
Nov17

Atentado do Cairo que matou 235 pessoas e o Brasil

Talis Andrade

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Ensina a História: Nada mais explosivo do que misturar política com religião.

 

Na Europa, as sangrentas guerras religiosas cristãs da Reforma e Contra-Reforma, que ainda perduram nos conflitos entre ingleses e irlandeses. 

 

No Brasil há um atiçamento de protestantes com a destruição de imagens de igrejas católicas e outras religiões.

 

Dessa evangelização do ódio, sempre misturado a um falso puritanismo que convive com meio milhão de prostitutas infantis, a eleição em 2016 de prefeitos evangélicos. 

 

A tomada do poder pelo voto começou em 2014, com a eleição das bancadas da Bíblia nas assembléia legislativas estaduais, Câmara dos Deputados e Senado Federal, que solertemente construíram a base do golpe contra Dilma Rousseff, e hoje perpretam as principais maldades contra a felicidade do povo em geral: o fim dos direitos das mulheres e dos trabalhadores com a reforma escravocrata de Temer, o abençoado pelos pastores evangélicos.

 

Tudo faz parte de uma trama. Todas as crises facilitam a pregação do Apocalipse Final e a anunciação do herói que salva o povo eleito.

 

O projeto eleitoral de 2018, vai além das candidaturas de governador ou vice em todos os Estados. Visa a tomada do poder total, com a indicação do bispo Edir Macedo ou o sobrinho bispo Marcelo Crivella, atual prefeito do Rio de Janeiro, para presidente já ou em 2022.

 

Nada mais perigoso que um povo armado com a Bíblia, o Alcorão, o Torá, anunciando o fim do mundo pela Besta do Apocalipse, ou por um país que possui armas de destruição em massa. E a restauração da Idade de Ouro por um Messias, um Profeta ou um Anjo montado nas nuvens. 

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Terroristas atacaram, nesta sexta-feira, dia consagrado à oração no Islã, uma mesquita lotada de fiéis em Bir al Abed, a oeste da cidade de El Arish, epicentro do ramo egípcio do Estado Islâmico no norte do Sinai.

 

Pelo menos 235 pessoas morreram e outras 120 ficaram feridas no atentado contra o templo muçulmano de Al Rawda.

 

Trata-se de uma das ações terroristas mais sangrentas já registradas no país.

 

Há dois anos, um avião russo com 224 ocupantes a bordo caiu no Sinai devido a uma explosão logo após decolar da cidade turística de Sharm el Sheij, às margens do mar Vermelho. Não houve sobreviventes.

 

Os turistas no Cairo e no Vale do Nilo e a comunidade cristã copta foram alvo de ataques terroristas.

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06
Out17

Igreja Universal do Roubo do Brasil

Talis Andrade

 

por Alexandra Lucas Coelho

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1. Satanás está a bombar. De Porto Alegre ao Rio de Janeiro, de São Paulo a Campo Grande, de Brasília a Jundiaí, o capeta é top. No começo era só o verbo, um templo aqui, outro ali, bradando & brandindo o nome do demo. Mas, com a ajuda do dízimo e da infinita dor humana, hoje é o que se vê: ministros neopentecostais, bancada evangélica no Congresso, “bispos” eleitos prefeitos, aliados desde o tráfico à presidência da república, todos trabalhando para fazer do Brasil o primeiro estado teocrátivo da América 

 

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Setembro-Outubro de 2017, por exemplo. Lá faz Primavera, pá, E, depois de passarem Agosto a excomungar Chico Buarque por conta das letras do novo disco, os neo-cons brasileiros identificaram mais uma frente de batalha: o museu pedófilo, zoófilo e sabe-se lá que mais. Aliás, atalhando, arte com nus ou sexo em geral. Portanto, são neo-cons com dois milhões de anos de atraso. O que seria um problema só deles se não tivessem cada vez mais poder.

 

2. Fui morar no Rio de Janeiro há sete anos. Pouco depois, deu-se o “escândalo” das fotografias de Nan Goldin que deveriam ser expostas na Oi Futuro, braço cultural da empresa de telecomunicações Oi. Primeiro, a Oi “descobriu” que havia fotografias de crianças nuas e pediu à curadora que as retirasse. Nan Goldin aceitou, mas depois a empresa pediu que qualquer fotografia com crianças fosse retirada. Nan Goldin sugeriu que pusessem uma tarjeta a dizer “censurado”. A exposição acabou por ser cancelada.

 

Recém-chegada como era, fiquei perplexa. Uma das principais fotógrafas contemporâneas vetada no Rio. Onde tinha estado o Rio nos últimos 50 anos, para não ir mais longe? Aquele nível de debate estava mesmo a acontecer na capital do fio dental, do show do corpo, do culto das “novinhas”? Sim. Bunda de fora pode, deve, mamilo não. Sim, o Rio de Janeiro — o Brasil — era esse paradoxo da moralidade em que topless podia dar prisão. Tal como mulher que abortava podia ser presa se não morresse. E entretanto estupro seguia sendo mato. E as crianças que obcecavam a classe média, entregues a babás vestidas de branco, as mesmas crianças que tanto tinham de ser defendidas de artistas imorais, podiam morrer nas ruas, e serem chacinadas por milícias, quando eram pobres e negras, o que no Brasil quase sempre coincide. Donde resulta que Satanás deve representar um risco só para crianças brancas, porque as outras já nasceram em risco, mesmo.

 

3. Sete anos depois, estes “escândalos” já não acontecem apenas com empresas. Passaram a acontecer também com instituições sem fim lucrativo, museus públicos, governantes eleitos. E deixaram de ser bissextos para se tornarem diários. Entre Setembro e Outubro, todos os dias houve notícia do bando de inquisidores a que podemos chamar Igreja Universal do Roubo do Brasil: IURB.

 

A IURB tende a prosperar num país como o Brasil porque vive da vulnerabilidade alheia, como todos os oportunistas. A desigualdade de origem favorece-a. O descaso do Estado é um combustível para ela. Onde as pessoas estiverem ao deus-dará, ela é pastora, recolhendo o dízimo. Com o projecto de ter um presidente. Tudo o que não lhe interessa, como governante, é que as pessoas se emancipem. Uma arte desafiadora, perturbadora, fora da caixa, será sempre sua inimiga. Alvo permanente.

 

A sequência de acontecimentos deste último mês — ou deveríamos dizer retrocedimentos — não é um acaso.

 

4. Primeiro foi o cancelamento em Porto Alegre, sul do Brasil, da exposição “Queermuseu — Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, que reunia 270 peças de 85 artistas, entre os quais Lygia Clark, Alfredo Volpi ou Cândido Portinari. Inquisidores indignados, liderados por um colectivo intitulado Movimento Brasil Livre (MBL), protestaram contra conteúdos “pedófilos”, “zooófilos”, além do desrespeito a Cristo, e o Santander Cultural encerrou a exposição.

 

Vale a pena ler o comunicado do Santander para confirmar o nível de auto-ajuda a que se chegou: “Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana.” Representação confundida com apologia. Necessidade confundida com propósito. Motivação confundida com efeito. E que raio será a reflexão positiva? E o elevador da condição humana, será hidráulico? Ou terá ascensorista?

 

Tanto equívoco sobre arte e criação dá preguiça. Começar por onde? Pintura rupestre, a Bíblia, a Lolita do Nabokov, aquela passagem de “Em Busca do Tempo Perdido” sobre incesto homossexual? Proust, Joyce, Sade, só putaria. Os gregos em geral. Pompeia, claro. O Renascimento, cheio de pénis e mamilos. A própria da Capela Sistina. Se dependesse da IURB, não veriam a luz do dia. Nenhuma criança seria exposta ao David de Michelangelo. Sobretudo rapazes. Perante tamanho esplendor ainda dariam em “gays”, e era preciso curá-los.

 

5. Sim, porque ainda o Brasil não recuperara do caso Santander houve essa decisão nazi da Justiça do Distrito Federal que permite que os gays sejam tratados como doentes. Um juiz liberou a “cura gay”: isto aconteceu em Setembro de 2017. E aconteceu num país em que gays, LGBT em geral, são constantemente atacados, por vezes mortos. Portanto, um juiz veio dar força de lei à intolerância, à discriminação, à violência. Quem xingava e maltratava está mais autorizado para o fazer.

 

6. Mas não saia do seu lugar, porque segue-se o “escândalo” da performance “La bête”, com um artista inteiramente nu. É verdade, em 2017, quando os woodstockers já estão bem grisalhos ou foram desta para melhor, isso foi notícia no Brasil. E foi notícia porque os zelosos da imoralidade não tiveram dúvidas morais em tornar viral um vídeo que mostra uma mãe com uma filha observando o artista nu, e a criança a tocar-lhe no tornozelo. Horror, pedofilia! Pior, com dinheiro dos contribuintes porque isto se passava numa mostra no Museu de Arte Moderna de São Paulo. O museu ressalvou que havia três avisos sobre nudez, mas inquisidores foram manifestar-se lá, exigindo o encerramento, agredindo funcionários.

 

E o delírio avançou em dominó. Um ministro veio dizer que aquela cena da performance era crime. Um deputado, inflamado, criou a sua própria versão da performance: “Um marmanjo completamente nu de mãos dadas com três ou quatro crianças fazia uma apresentação cultural. O acto daquele pilantra, que estava nu no museu de artes modernas, não é só um ataque à moral do povo brasileiro, mas é para mexer com o subconsciente dos tarados do Brasil.” Ouvindo isto, outro deputado lembrou ao plenário que o deputado indignado fora flagrado a ver pornografia no telefone em plena votação da reforma política, e se defendera alegando que os amigos lhe mandavam “muita sacanagem”. O primeiro deputado tentou agredir o segundo. Um terceiro evocou com saudade instrumentos de tortura da ditadura, lamentando não poder usá-los no artista da performance. “Se aquele vagabundo fosse fazer aquela exposição (...) ia levar uma 'taca' que ele nunca mais iria querer ser artista e nunca mais iria tomar banho pelado.”

 

7. Como isto é contagioso, em Campo Grande (capital do Mato Grosso do Sul), deputados denunciaram uma exposição por pedofilia e obscenidade. Em Jundiaí (São Paulo), um juiz proibiu uma peça com uma atriz transgénero no papel de Jesus. Em Brasília, um deputado visitou o Museu Nacional Honestimo Guimarães por ter “recebido denúncias de que o local abrigava ‘conteúdo semelhante ao do Santander Cultural”.

 

Entretanto, no Rio de Janeiro, o Museu de Arte do Rio (MAR) anunciou que receberia a exposição “Queermuseu”, censurada no Santander de Porto Alegre. Mas o prefeito da cidade, Marcelo Crivella — “bispo” da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho do chefão Edir Macedo — produziu um vídeo para anunciar que não, que o Rio não quer uma exposição pedófila e zoófila. E não resistiu a uma pilhéria: “Saiu no jornal que ia ser no MAR. Só se for no fundo do mar. Por que no Museu de Arte do Rio, não."

 

Resultado, o conselho que define a programação do MAR deliberara pela vinda da exposição, mas o prefeito deu ordem contrária e o museu é municipal. O MAR já declarou que não receberá a exposição.

 

8. Perante tudo isto, curadores, pensadores, artistas não ficaram parados, houve abaixo-assinados e outros movimentos. Entre muitos contributos para o debate, pareceram-me essenciais os que contrariam a ideia de uma guerra simétrica, como se duas partes estivessem a tentar impôr-se. Falso. Há uma parte em guerra, impondo cancelamentos e censura, como sistema. Quem não quer ver, não vê, protesta, critica. O que se está a passar no Brasil é outra coisa. É impedir a arte de existir, os outros de acederem a ela. Tudo em nome do bem, e vade retro satanás.

 

9. Esta semana, em Brasília, uma mãe de 47 anos foi ao cinema com a filha de 20, saíram do filme abraçadas. Um homem insultou-as como casal “gay”, depois bateu na cara da rapariga, a ponto de ela guardar um olho negro. Certamente ambas o provocaram com gestos suspeitos. E no Brasil de 2017, perante suspeita do maligno, um homem não é de ferro.

 

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