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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

21
Set21

A terceira via e o uso da ideologia, slogans e símbolos de Bolsonaro

Talis Andrade

Bolsonaro mantém no governo o slogan nazista da campanha: "Deus acima de todos. Brasil acima de tudo".

Diante da apologia da violência, do ódio, a divindade de Bolsonaro da Teologia da Prosperidade é bem primitiva, e renovada pela a xenofobia, o racismo, a homofobia, a misoginia nazistas. 

Pela exibição do ministro Marcelo Queiroga, esta semana em Nova Iorque, o deus Priapus, evocado com a apresentação do dedo do meio. 

O gesto de arma com os dedos, símbolo da campanha de Bolsonaro a presidente, outro signo fálico, considerado representativo dos templários, relacionado a BaphometBafomete ou ainda Bafomé, uma representação de satã criada pelo Papa Clemente V na perseguição aos templários. 

Teve propaganda de Bolsonaro em que ele aparece como cruzado no combate "Deus acima de todos" contra o comunismo, a corrupção, religiões indígens e afro-brasileiras, e pecaminosos costumes como o kit gay, a mamadeira de piroca, o aborto. 

Pode ser uma imagem de 1 pessoaBolsonaristas organizam caravanas para ocupar Câmara em Brasília e  pressionar deputados a eleger Lira

Eliminados os templários, o culto a Bafomé passou a ser associado aos judeus, mas recentemente ao ocultismo, à maçonaria, que motivou o ataque de Adelio Bispo de Oliveira a Bolsonaro. 

Anderson Bahia escreveu em 13 de outubro de 2018: Muita gente anda espantada como a representação de algumas ideias, consideradas toscas, ganharam tanta força recentemente. Que a maioria da população concorda com a frase “bandido bom é bandido morto”, já se sabe há algum tempo. Mas daí a arma feita com os gestos das mãos virar uma onda no país e, pior, ser um dos principais símbolos do candidato que lidera as pesquisas para a Presidência da República parece um absurdo para alguns.

No esforço de entender como isso se deu, algumas respostas vão surgindo. Uma delas é dizer que há uma ascensão das ideias fascistas na sociedade. Sugere que a violência se legitima como prática social e se apoia na ampliação do clima de intolerância que insiste ganhar o tom de “novo normal” do Brasil. Fatos recentes como o assassinato de Moa do Katendê e da jovem que teve uma suástica marcada por canivete em seu corpo parecem corroborar essa compreensão.

Não se pode negar o crescimento do fascismo, mas também não é possível atribuir a ele a resposta única ou principal para o fato da arma ter se tornado um símbolo na proporção que virou. Acreditar nisso é deixar de considerar outros fatores.

Em 3 de setembro de 2017, quase um ano antes da campanha eleitoral para presidente, Kiko Nogueira observava o "drama das pistolinhas de Eduardo Bolsonaro", o filho 03 de Jair Bolsonaro: 

Em suas “Conferências Introdutórias sobre Psicanálise”, Sigmund Freud incluiu em suas interpretações dos sonhos as armas como símbolos da genitália e, em particular, do pênis.

“Todas as armas e ferramentas são símbolos do órgão masculino: por exemplo, martelo, arma, revólver, punhal, espada, etc”, escreveu.

Abaixo, o desabafo que o deputado Eduardo Bolsonaro fez no Facebook relatando seu drama com seus chaverinhos nos aeroportos:

PRECONCEITO CONTRA CHAVEIROS!!!

Preciso falar com vocês algo que tem me incomodado. Não será uma confissão tipo Sandy e Júnior, mas foi algo que me atingiu profundamente. Em minhas andanças por aí passei por um aeroporto em que a funcionária do raio-x quis encrencar com meus chaveiros de arminhas pendurados em minha mochila. Um revolverzinho de ferro e uma pistolinha de borracha (foto) , ambas com alguns centímetros de comprimento. Sem a minha permissão ela saiu abrindo o zíper da minha mochila e tratando de esconder os chaveiros dentro da mochila. Perguntei o porquê daquilo e ela disse ser uma norma que era proibido ter no aeroporto qualquer coisa que lembrasse uma arma. Eu falei algo que na minha cabeça era óbvio – mas talvez para ela não fosse – disse que aqueles chaveirinhos não atiravam, que ninguém acharia que era um objeto ameaçador.

Ela insistiu, disse que poderia sujar para ela caso alguém visse e etc. Vendo tamanho abismo decidi ser impossível seguir numa argumentação, falei que aquilo estava ferindo meus princípios, minha pessoa, minha moral, tudo – falei isso para evitar de falar outras coisas – tirei os chaveiros escondidos de dentro da mochila, deixo-os a mostra novamente e simplesmente saí dali. Não xinguei, não resmunguei, não fiz cara feia, não queria estressar a menina, apenas saí. Mas saí com vontade de sair do Brasil também. Ridículo uma pessoa se prestar àquilo. Se fosse um chaveiro de metal imitando folha de maconha ou uma genitália de borracha certamente eu não teria tido esse problema…Líder evangélico critica silêncio após Bolsonaro imitar arma em ato cristão  - UOL Notícias

O sinal dos dois dedos eram usados antes das armas de fogo, do descobrimento da pólvora. Antecede ao deísmo judaico, ao surgimento do cristianismo e do islamismo. Impressionantemente chefes de igrejas, beatas e crianças passaram a exibir o sinal dos dois dedos que, na Idade Média, os tribunais religiososos puniriam com as torturas de Ustra, as fogueiras da Santa Inquisição. 

Em uma imagem recente, vide os códigos ocultos de polêmica escultura de Bafomé nos Estados Unidos.(AP)

O crescimento da ultra direita como política ou religião, que apela para os mais baixos instintos inconscientes, não é só um fenômeno do bolsonarismo, realisticamente um movimento internacional pela presença dos propagandistas de Trump, viagens internacionais de Bolsonaro a países governados por ditadores ou pela extrema direita, visitas de lideranças alemãs ao Palácio do Planalto, a supremacia branca e a multiplicação de cédulas nazistas, principalmente no Sul e Suldeste, a transformação das escolas do Paraná em miniquartéis. 

Steve Bannon participou da campanha presidencial. Outros agitadores da extrema direita estiveram no Brasil, nas semanas que antecederam as manifestações golpistas de 7 de Setembro: Jair Bolsonaro se reuniu com dois membros da cena conspiracionista e negacionista da pandemia na Alemanha. Vicky Richter e Markus Haintz, ligados ao Querdenken ("pensamento lateral" em alemão), movimento que organizou no último ano protestos contra as medidas do governo alemão para frear a pandemia de covid-19. Em abril, o serviço de inteligência interno alemão colocou setores do movimento sob vigilância nacional por suspeita de "hostilidade à democracia e/ou deslegitimação do Estado que oferece riscos à segurança".

Em julho, o presidente recebeu no Planalto a deputada alemã de ultradireita Beatrix von Storch. Filiada à AfD, Von Storch é uma figura influente da ala arquiconservadora e cristã do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que tem membros acusados de ligações com neonazistas. Uma organização ligada ao partido também chegou a ser colocada sob vigilância dos serviços de inteligência alemães no início do ano. Neta do antigo ministro das Finanças de Adolf Hitler, Von Storch ficou conhecida na Alemanha por publicações e afirmações xenófobas.

Priapus.jpg

Deus Priapus exibindo o dedo do meio

Em 2 de junho de 2019, a Folha de S. Paulo publica reportagem sobre a "obsessão fálica" do presidente. Uma impetuosidade que atinge os quatro filhos e membros do governo. 

Em 17 de junho de 2020, a secretária de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, tinha a visão de que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tinha um pênis na porta.Internet especula o que seria o "pênis" da Fiocruz, dito por Mayra Pinheiro  na CPI da Covid | Lu Lacerda | iG

"É um órgão que tem um poder imenso, porque durante anos eles controlaram, através do movimento sanitarista, que foi todo construído pela esquerda, a saúde do país”, disse a capitã Cloroquina. 

A imprensa da Espanha publicou. Eliane Brum, em 19 de junho de 2019, no El País, alertou: "Ei, Bolsonaro, até o pênis está diminuindo". A excelente jornalista pretendeu chamar a atenção dos bolsonaristas: "as liberar agrotóxicos numa velocida inédita, o governo envenena o Brasil". 

Escreveu Eliane Brum:

"Pesquisa feita com jovens da bucólica região do Vêneto, na Itália, foi publicada no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, em novembro de 2018. Mas só ganhou repercussão no último fim de semana nas redes sociais no Brasil. Os cientistas analisaram 212 jovens expostos ao veneno, comparando-os a um grupo de controle, de não expostos, de 171. A média de idade era de 18 anos. Embora seja um grupo pequeno, a investigação foi conduzida dentro dos critérios corretos, por uma equipe respeitável. O trabalho aprofunda aspectos que já vinham sendo investigados por outros cientistas. Os jovens expostos aos produtos tinham pênis menores, menor contagem de espermatozoides, menor mobilidade dos espermatozoides e uma redução da “distância anogenital” (distância entre o ânus e a base dos testículos), uma medida que os cientistas consideram uma marca de saúde reprodutiva. A porcentagem de espermatozoides de formato normal no grupo exposto era pouco mais da metade comparada ao grupo de controle. Como os produtos químicos são transferidos das mães para os bebês, é provável que os jovens tenham sido contaminados antes do nascimento.

Como se sabe, a palavra “pênis” é poderosa. Atrai especial atenção nos dias atuais por conta da obsessão de Bolsonaro, que não para de criar oportunidades para falar de pinto e de tamanho de pinto. Os japoneses que o digam. Em 15 de maio, Bolsonaro foi abordado por um homem com traços asiáticos no aeroporto de Manaus. O estrangeiro disse duas palavras: “Brasil” e “gostoso”. O antipresidente reagiu com “Opa!”, levantou os braços, aproximou o polegar do dedo indicador e perguntou: “Tudo pequenininho aí?”.

Dias depois, ao comentar a reforma da Previdência, apresentada ao país como a cura para todos os males da terra com todos os males, afirmou: “Se for uma reforma de japonês, ele (o ministro da Economia Paulo Guedes) vai embora. Lá (no Japão), tudo é miniatura”. No Carnaval, o antipresidente postou no Twitterum vídeo de dois homens fazendo “golden shower” (modalidade sexual em que um urina no outro), para tentar provar que a festa mais popular do Brasil – e que satirizou todas as trapalhadas do seu governo – era uma versão contemporânea de Sodoma e Gomorra. Não colou – e Bolsonaro passou (mais uma) vergonha.

A recorrente referência a pintos segue por mais episódios do que há espaço em um artigo sobre o risco dos agrotóxicos. A inclinação foi amplamente analisada pelo jornalista Naief Haddad, na Folha de S. Paulo de 2 de junho: “De ‘golden shower’; a piada com japoneses, obsessão fálica marca Bolsonaro. Especialistas comentam fixação do presidente com genitais e sexualidade”.

Quando a notícia de que havia um agrotóxico relacionado a redução do tamanho e da largura do pênis repercutiu no Twitter, criou-se a expectativa de que talvez fosse possível chamar a atenção antipresidencial para o que seu governo anda fazendo. Afinal, nada poderia ser mais promissor: pinto e Twitter, duas obsessões de Bolsonaro finalmente juntas. Aparentemente, porém, não completou-se a sinapse no cérebro antipresidencial. Informações que atrapalham as conveniências da família e os lucros dos aliados funcionam como uma espécie de criptonita. Se forem científicas, pior ainda. O fato de jovens poderem estar sofrendo alterações no pênis e na fertilidade já antes do nascimento não parece ser um assunto capaz de interessar Bolsonaro. Importante mesmo é “golden shower” e “piada” com japoneses.

Eliane colocou o título certo, por vários motivos. Em 25 de abril de 2019, Bolsonaro alertava sobre o risco de homens terem pênis amputado por falta de higiene. Falou o presidente:

"Uma coisa muito importante, para complementar aqui. Dia a dia, né, a gente vai ficando velho e vai aprendendo as coisas. Tomei conhecimento uma vez que certos homens ao ir para o banheiro, eles só ocupavam o banheiro para fazer o número 1 no reservado", afirmou o presidente, que em seguida citou um "dado alarmante": mil amputações de pênis por ano no Brasil "por falta de água e sabão".

"Quando se chega a um ponto desses, a gente vê que nós estamos realmente no fundo do poço. Nós temos que buscar uma maneira de sair do fundo do poço ajudando essas pessoas, conscientizando-as, mostrando realmente o que eles têm que fazer, o que é bom para eles, é bom para o futuro deles, e evitar que se chegue nesse ponto ridículo, triste para nós, dessa quantidade de amputações que nós temos por ano", declarou. 

Fazer o numero 1, o numero 2 são eufemismos da nossa língua para ir ao banheiro (fazer as necessidades fisiológicas).
Fazer o numero 1= urinar. Fazer o numero 2= defecar.

Bolsonaro esqueceu que milhões de brasileiros são miseráveis (vide tag) moradores de favelas, de áreas de risco. Residem em casebres sem banheiro, sem água encanada, e não possuem dinheiro para comprar sabão ou sabonete.

Temos os moradores de rua. De acordo com a representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Tatiana Dias, a estimativa entre fevereiro e março do ano passado, momento de eclosão da pandemia, era de 221 mil pessoas. Tudo indica que o número aumentou, como reforça Veridiana Machado, representante do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua (Ciamp-Rua). “Não sabemos quantas pessoas estão em situação de rua, mas com a pandemia, é algo que nos salta os olhos. O número é expressivo, inclusive de crianças nos sinais pedindo dinheiro. Basta ir à rua e ver”, destacou.

O vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (Republicanos), compartilhou nas suas redes sociais um vídeo ironizando as convocações de panelaço contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na noite desta sexta-feira, 15 de janeiro último. Nas imagens, um homem aparece batendo panela com um pênis de plástico enquanto grita "Fora, Bolsonaro".

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) atacou as parlamentares mulheres da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), nesta quinta-feira (8), dizendo que elas são “portadoras de vagina”. 

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) vai protocolar uma representação contra o filho 03 do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e, segundo ela, deputadas de todos os partidos devem endossar o documento.

“Ele agrediu todas as parlamentares, inclusive as do partido dele”, disse Joice.

Eduardo Bolsonaro tuitou: "MENINOS TEM PÊNIS, MENINAS TEM VAGINA". A frase é d um menininho no filme "Um tira no jardim de infância" (Arnold Schwarzenegger, anos 90). Mas se passar hoje na tv causará alvoroço na esquerda que acusaria o guri de transfóbico ou algo do gênero.

Interessante memória cinematográfica juvenil. Transcrevo dois trechos de entrevista de Eduardo Bolsonaro à Thais Bilenky da revista Piauí:

“Ai, meu Deus! Eu escondo esse álbum dele! Deus me livre!” Heloísa Wolf Bolsonaro, mulher de Eduardo, o filho Zero Três do presidente da República, está zangada com o marido. Ele acaba de pegar o book de fotos que fez quando tentou ser modelo na adolescência para mostrá-las à piauí. “Tu vai vazar?”, ela questiona, insistindo que não quer ver as imagens publicadas na imprensa. Nelas, Eduardo aparece com a pele bronzeada e o cabelo loiro em formato tigela, à la Nick Carter, o integrante bonitinho dos Backstreet Boys. Em uma das fotos, está apenas de sunga vermelha, recostado em uma mureta com as pernas cruzadas, em pose insinuante. “Coisa brega!”, reclama Heloísa. Eduardo olha para o seu segurança e dá um sorrisinho, como quem se diverte com o incômodo da mulher. Conta que nunca mostrou à imprensa o álbum de modelo. “Não me chama de homofóbico, mas nessa época sempre tinham uns caras que queriam ou me comer ou dar para mim”, diz ele. Vigilante, Heloísa observa: “Essa tua frasezinha foi anotada, Eduardo.”

Duda, como Eduardo Bolsonaro era chamado na infância e adolescência, cresceu na Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Embora o bairro fosse longe da praia, ele vivia pegando onda. Subiu numa prancha de body-board aos 12 anos, inspirado por Flavio, o primogênito. Um ano depois, interrompeu a prática do novo hobby para ser submetido a uma cirurgia para corrigir uma ginecomastia, que é o crescimento excessivo das mamas em homens. Sofreu na mão dos colegas de escola. Seu apelido virou Buba, o nome de uma personagem intersexual na novela Renascer, exibida pela Rede Globo, em 1993. “Falavam que eu tinha vagina e pênis”, diz. “Eu dava risada. Às vezes caía na porrada.”Vídeo Show | Novelão: Buba guarda um grande segredo em Renascer, de 1993  Assista online | Globoplay

Curioso que numa família racista, homofóbica e sexista, o filho 04, Renan Bolsonaro postou um vídeo em suas redes sociais onde afirma que tem um pai de criação homossexual e negro.

“Domingo é aniversário do meu pai de criação. Ele é homossexual negro. Meu pai botou dentro da minha casa, da nossa casa pra cuidar de mim. No domingo é aniversário dele e vocês vão saber”, disse Renan.

No domingo (20), o filho de Bolsonaro postou a homenagem em seu Instagram: “Marcelo, ao longo desses anos todos, você tem sido um grande amigo para mim. Você me ensinou muito, especialmente a como me tornar uma boa pessoa. Sua empatia e seu carinho são contagiantes, e eu serei eternamente grato a Deus por tê-lo colocado em nosso caminho. Que neste aniversário seu coração possa transbordar com o dobro da felicidade que você trouxe para nossa família! Obrigado por tudo! Parabéns! Felicidades…”, escreveu.

Eliane Brum em outra reportagem explica "Por que Bolsonaro tem problemas com furos":

Em 18 de fevereiro, o antipresidente Jair Bolsonaroprecisava tirar o foco da morte do miliciano Adriano da Nóbrega, pessoa-chave para esclarecer o esquema de “rachadinhas” no gabinete de Flávio Bolsonaro, a relação da família Bolsonaro com as milícias que atuam no Rio de Janeiro e também quem mandou matar Marielle Franco – e por quê. A eliminação de Nóbrega, com vários indícios de execução, voltava a colocar em destaque as relações dos Bolsonaros com as milícias. Era preciso desviar a atenção. Como de hábito, Bolsonaro usou o velho truque: criou um novo fato ao atacar a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo. A repórter, uma das mais competentes da sua geração, estava entre os jornalistas que denunciaram o uso fraudulento de nomes e CPFs para disparos de mensagens no WhatsApp em benefício de Bolsonaro. Uma de suas fontes, Hans River, ao depor na CPMI das Fake News do Congresso, disse que Patrícia teria tentado obter informações “a troco de sexo”, embora as trocas de mensagens entre os dois provem exatamente o contrário. Em sua coletiva informal diante do Alvorada, a mesma em que costuma mostrar bananas para os jornalistas, Bolsonaro atacou: “Ela [Patrícia] queria um furo. Ela queria dar o furo [pausa para risos] a qualquer preço contra mim”.

Este episódio, amplamente divulgado, revela mais do que o truque do manual dos novos fascistas para desviar a atenção do público. Bolsonaro tem problemas com furos. Em vários sentidos. Sua obsessão com o que cada um faz com seu ânus é notória. Está sempre tentando regular onde cada um coloca o próprio pênis. Volta e meia dá um jeito de falar de cocô, como fazem as crianças pequenas. Para ele, a vagina é um furo, visão bastante surpreendente para um homem com mais de 60 anos que já deveria, para o próprio bem, ter conhecido um pouco mais sobre o órgão sexual das mulheres. Chegou a dizer que a Amazônia “era uma virgem que todo tarado de fora quer”. Só um/a psicanalista que um dia recebesse Bolsonaro no seu divã poderia encontrar pistas para o que essa redução da sexualidade a uma coleção de furos – uns feitos para o estupro, outros proibidos para o sexo – significa. Nós, os governados por tal homem, só conseguimos entender que ele tem obsessão por furos, por cocô e por pênis. E que isso determina seu Governo.

No "Ensaio sobre fertilidade e esterilidade na Bíblia hebraica", Suzana Chwarts começa historiando:

"No que diz respeito à fertilidade, Israel é como todas as outras culturas do mundo. O ideal bíblico é o de fecundidade, abundância e multiplicidade – impulsos naturais de todas as civilizações. Este ideal está expresso no Si 128 :3-4 “Sua esposa será como vinha fecunda, na intimidade do seu lar. Seus filhos, rebentos de oliveira, ao redor de sua mesa. Essa é a bênção para o homem que teme o Eterno”. 

Todas as bênçãos de Israel focalizam a abundância e a fecundidade. Em Lv 26 Deus promete que trará

(...) chuvas no seu devido tempo, a terra dará os seus produtos, e a árvore do campo seus frutos (...) comereis vosso pão até vos fartardes, voltar-me-ei para vós e vos farei crescer e multiplicar; depois de vos terdes alimentado da colheita anterior, tereis ainda de jogar fora a antiga, para dar lugar à nova. 

Em Dt 28:4,

bendito será o fruto do teu ventre, o fruto do teu solo, o fruto dos teus animais, a cria das tuas vacas e a prole das tuas ovelhas. Bendito será o teu cesto e a tua amassadeira (...) Deus te concederá abundância de bens no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais, e no fruto do teu solo, este solo que Deus jurou a teus pais que te daria.

Aqui a "Fertilidade" tem a mesma importância que a "Abundância" que os cristãos nos Estados Unidos, na década de 1940, vão propagar como Teologia da Prosperidade, e importada para o Brasil somente na década de 1970.

Em 2015, tendo como fonte o Infomoneya revista Piauí destacava a impressionante riqueza dos pastores brasileiros:

1. Edir Macedo – fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, que também tem templos nos Estados Unidos, é de longe o pastor mais rico no Brasil, com um patrimônio líquido estimado pela Forbes de US$ 950 milhões, ou cerca de R$ 1,9 bilhão.

2. Valdemiro Santiago – fundou sua própria igreja, chamada Igreja Mundial do Poder de Deus, que tem mais de 900 mil seguidores e 4 mil templos. Segundo estimativa da Forbes, seu patrimônio líquido é de US$ 220 milhões, ou aproximadamente R$ 440 milhões.

3. Silas Malafaia – líder da maior igreja pentecostal do Brasil. O pastor está constantemente envolvido em escândalos relacionados à comunidade gay. “Ele é defensor de uma lei que poderia classificar o homossexualismo como uma doença e é uma figura proeminente no Twitter, onde tem mais de 440 mil seguidores”, disse a publicação.

4. RR Soares – é o mais ativo em multimídia entre os pregadores evangélicos. O religioso é compositor, cantor e televangelista. Como fundador da Igreja Internacional da Graça de Deus, Soares é um dos rostos mais conhecidos na televisão brasileira. Com isso, sua fortuna estimada pela Forbes, é de US$ 125 milhões, ou R$ 250 milhões.

5. Estevam Hernandes Filho e sua esposa Sonia – fundadores da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Apóstolo Estevam Hernandes Filho e sua esposa, Bispa Sonia, supervisionam mais de mil igrejas no Brasil e no exterior, incluindo a Flórida. Juntos, o casal tem um patrimônio líquido estimado pelo site em US$ 65 milhões dólares, ou R$ 130 milhões.O objeto inflado durante as manifestações do 7 de Setembro.

O deus da Prosperidade esteve bem representado no grande comício golpista de Jair Bolsonaro no dia 7 de Setembro último. Comentou Juan Arias:

"Um dos muitos detalhes simbólicos foi o surgimento na cena de um pênis gigante com as cores verde e amarelo da bandeira do Brasil, que foi apropriada pelas forças mais golpistas do país. O pênis inflado estava colocado sobre um carrinho vazio de supermercado. Estava rodeado por homens de idade.

Dizem que o presidente não sabe chorar, e muito menos pela dor alheia. Sua melhor identidade é a raiva; seu lema, a destruição; sua vocação, a terrorista; sua sexualidade, misteriosa; seu sonho de poder absoluto depois de ter ameaçado todas as instituições, com o agravante de que essas instituições parecem amedrontadas e acovardadas pelas ameaças fanfarronas do aprendiz de ditador e terrorista.

Melhor, mais simbólico e mais real do que o pênis gigante e grotesco verde e amarelo da avenida Paulista teria sido uma fila de carrinhos vazios de supermercado para simbolizar o drama que aflige e faz chorar em silêncio tantas famílias vítimas da incapacidade de governar de quem há muito deveria estar fora do poder para permitir que o país recupere a esperança que lhe foi tragicamente roubada. E como ensina a psicologia, nada é mais difícil para uma pessoa e para uma nação do que a desesperança que seca a alma e arrasta para a depressão". 

Bolsonaro perder a eleição porque fez um péssimo governo é um julgamento do eleitor. Voto contra Bolsonaro cidadão.

Para que não voltem a ser usados pela misteriosa Terceira Via, a campanha de Lula, para exemplificar, deve ser contra os slogans e símbolos que elegeram Bolsonaro. O ideário. As ideologias da direita, da extrema direita, do nazismo, do fascismo, do integralismo. Para que jamais sejam utilizadas novas cores para propagar antigas mensagens de um Brasil escravocrata, racista, preconceituoso, colorista, fundamentalista, com um militarismo golpista e cruel e um judiciário elitista e parasita. 

 

29
Mai21

Livro revela os pecados da Igreja Universal

Talis Andrade

nosbastidoresdoreino.jpg

Quando foi lançado, em 1995, o livro Nos bastidores do Reino, do ex-pastor Mário Justino, provocou um terremoto na Igreja Universal do Reino de Deus, que enfrentava uma crise institucional, com seu líder – o “bispo” Edir Macedo – envolvido em denúncias graves e debatendo-se com as consequências de uma prisão. Justino chegara a um posto importante na hierarquia da igreja e, desencantado, decidira contar a história de sua vida junto aos principais dirigentes. A igreja conseguiu na justiça a proibição do livro, 22 dias depois de ele ter chegado às livrarias.

É este livro que a Geração Editorial relança agora, com todo o seu conteúdo explosivo, uma nova apresentação do autor e a íntegra da decisão judicial que o liberou. Como escreveu o publisher Luiz Fernando Emediato na apresentação, “este é um livro sobre crimes, purgação e redenção – um livro transformador. Mais que desvendar os segredos da Igreja Universal do Reino de Deus e de alguns de seus  “pastores”, seu autor conta a história de um ser humano – ele mesmo – que sonhou com o paraíso, visitou o inferno e de lá saiu vivo e renovado”.

A reedição transcreve a íntegra da decisão da mesma juíza que o proibiu, Daise Fajardo Nogueira Jacot. Ela reviu sua decisão e concluiu não ter encontrado no relato de Justino nenhuma calúnia, injúria ou difamação.

“O escritor não se voltou contra a Igreja nem contra a religião, mas tão-somente denunciou comportamentos, aliás já antes denunciados por outros dissidentes, por intermédio de vários outros meios de comunicação”, afirma a juíza. Na decisão em que revoga a censura, Daise Jacot ressalta também que nenhum dos pastores e bispos citados foi à Justiça exigir reparação. E que Justino escreveu a obra nos limites de sua “liberdade de manifestação de pensamento e expressão”.

A Igreja Universal tentou de todos os modos impedir a circulação do livro. Primeiro – ao saber que seria lançado – ofereceu ao autor, por intermédio de um advogado, um milhão de dólares para ele desistir. Diante da negativa, ofereceu a mesma quantia à editora, para ela “engavetar” o livro até Justino morrer (ele estava com teste positivo para HIV, numa época em que ainda não havia o coquetel anti-Aids).

Qual era o temor do ”bispo” Edir Macedo e seus seguidores? “Eles eram revelados em toda a sua miserável humanidade”, diz Emediato. “Pessoas comuns, cruéis, gananciosas, vendendo ilusões principalmente para pobres e se divertindo, nos bastidores, com a ingenuidade das pessoas que estavam enganando. Mas eles venceram, naquela época, e continuam vencendo. Em 25 anos o império cresceu. A “Igreja” cresceu não só do ponto de vista do negócio, mas também criou braços no Congresso, na economia, nos meios de comunicação. Um verdadeiro polvo.”

O livro tinha chegado à editora encaminhado por Marcelo Rubens Paiva, acompanhado de um prefácio entusiasmado. “Ninguém será o mesmo depois de conhecer os detalhes da vida de Mário Justino, mas vale a pena correr o risco”, avisou o autor de Feliz ano velho.

Mais que um simples livro de “denúncias”, Nos bastidores do Reino é um profundo mergulho nos abismos humanos. Inocente, cheio de fé e boa vontade, aos 15 anos o autor trocou os estudos e a casa dos pais pela Universal. Negro, inteligente, casado, dois filhos, ele conquistou os chefes da igreja com sua facilidade de expressão e os fiéis com a Bíblia na mão. Transformou-se num grande motor de arrecadação.

Conheceu a opulência, levou vida de rico – mas logo percebeu a ilusão. Não eram a fé e o amor cristão que moviam a “igreja”, que “nada mais era do que uma empresa com fins lucrativos”. E abre o jogo: “Sexo, dinheiro e drogas se confundem, no mesmo púlpito, com orações e salmos de Davi”.

Com suspeita de ter o vírus da aids, Mário Justino sentiu a dor do abandono: Macedo não o amparou. A família foi dilacerada. Desceu ao inferno na Terra. Viveu nas ruas de Nova York, ao lado de mendigos e marginalizados – um doente e drogado condenado à morte. Com desejos de vingança,   comprou uma arma e pensou em matar Edir Macedo. Teve-o na mira, mas não apertou o gatilho.

“Tinha a oportunidade de estourar-lhe os miolos, mas por alguma razão hesitava em fazê-lo”, ele relembra.

O livro teve grande repercussão logo depois de lançado, com notícias sobre suas revelações no Brasil e no exterior. Uma edição foi lançada em Portugal e circulou também na África, onde a Universal estava presente. “A descrição esmiuçada de seu calvário pessoal, com os devidos nomes aos bois, é prova suficiente da sinceridade do autor”, escreveu Barbara Gancia na Folha de S. Paulo. “Em qualquer país sério, essa obra serviria, no mínimo, como estopim para algum tipo de investigação pública”, completou.

“Quando escrevi Nos Bastidores do Reino, em um período de dois meses, em 1993, aos 28 anos, havia em mim certa urgência de contar a história”, diz o autor em nota na reedição do livro. “Com o resultado de um exame de laboratório nas mãos, eu achava que meus dias haviam sido abreviados e que não chegaria aos 30 anos de idade. Pensando assim, eu corria contra o tempo para tentar repor a minha verdade”, acrescenta. Ele completa: “E dessa forma nasceu este livro: como um grito urgente da alma — um desnudamento que, fosse hoje, aos 55 anos, sem o mesmo ímpeto da juventude, talvez não tivesse o ânimo de fazê-lo”.

Qual era o temor do ”bispo” Edir Macedo e seus seguidores? “Eles eram revelados em toda a sua miserável humanidade”, diz Emediato. “Pessoas comuns, cruéis, gananciosas, vendendo ilusões principalmente para pobres e se divertindo, nos bastidores, com a ingenuidade das pessoas que estavam enganando. Mas eles venceram, naquela época, e continuam vencendo. Em 25 anos o império cresceu. A “Igreja” cresceu não só do ponto de vista do negócio, mas também criou braços no Congresso, na economia, nos meios de comunicação. Um verdadeiro polvo.”

O livro tinha chegado à editora encaminhado por Marcelo Rubens Paiva, acompanhado de um prefácio entusiasmado. “Ninguém será o mesmo depois de conhecer os detalhes da vida de Mário Justino, mas vale a pena correr o risco”, avisou o autor de Feliz ano velho.

Mais que um simples livro de “denúncias”, Nos bastidores do Reino é um profundo mergulho nos abismos humanos. Inocente, cheio de fé e boa vontade, aos 15 anos o autor trocou os estudos e a casa dos pais pela Universal. Negro, inteligente, casado, dois filhos, ele conquistou os chefes da igreja com sua facilidade de expressão e os fiéis com a Bíblia na mão. Transformou-se num grande motor de arrecadação.

Conheceu a opulência, levou vida de rico – mas logo percebeu a ilusão. Não eram a fé e o amor cristão que moviam a “igreja”, que “nada mais era do que uma empresa com fins lucrativos”. E abre o jogo: “Sexo, dinheiro e drogas se confundem, no mesmo púlpito, com orações e salmos de Davi”.

Com suspeita de ter o vírus da aids, Mário Justino sentiu a dor do abandono: Macedo não o amparou. A família foi dilacerada. Desceu ao inferno na Terra. Viveu nas ruas de Nova York, ao lado de mendigos e marginalizados – um doente e drogado condenado à morte. Com desejos de vingança,   comprou uma arma e pensou em matar Edir Macedo. Teve-o na mira, mas não apertou o gatilho.

“Tinha a oportunidade de estourar-lhe os miolos, mas por alguma razão hesitava em fazê-lo”, ele relembra.

O livro teve grande repercussão logo depois de lançado, com notícias sobre suas revelações no Brasil e no exterior. Uma edição foi lançada em Portugal e circulou também na África, onde a Universal estava presente. “A descrição esmiuçada de seu calvário pessoal, com os devidos nomes aos bois, é prova suficiente da sinceridade do autor”, escreveu Barbara Gancia na Folha de S. Paulo. “Em qualquer país sério, essa obra serviria, no mínimo, como estopim para algum tipo de investigação pública”, completou.

“Quando escrevi Nos Bastidores do Reino, em um período de dois meses, em 1993, aos 28 anos, havia em mim certa urgência de contar a história”, diz o autor em nota na reedição do livro. “Com o resultado de um exame de laboratório nas mãos, eu achava que meus dias haviam sido abreviados e que não chegaria aos 30 anos de idade. Pensando assim, eu corria contra o tempo para tentar repor a minha verdade”, acrescenta. Ele completa: “E dessa forma nasceu este livro: como um grito urgente da alma — um desnudamento que, fosse hoje, aos 55 anos, sem o mesmo ímpeto da juventude, talvez não tivesse o ânimo de fazê-lo”.

MÁRIO JUSTINO nasceu em São Gonçalo, RJ, em 1965. Foi colunista freelancer do jornal ”The Brasilians”, voltado para a comunidade brasileira em Nova York, onde ainda vive e trabalha na área social

 

Mário Justino, que vive em Nova York como exilado político, não pensa mais em vingança. “A princípio, este livro pretendia ser uma denúncia, um clamor por justiça, mas, à medida que foi sendo concebido, foi assumindo a forma daquilo que realmente é: a trajetória de alguém que, buscando o desconhecido, encontrou a si mesmo”, escreveu ele no novo prefácio. (Por Luiz Fernando Emediato, editor da Geração Editorial. Texto publicado in Direto da Redação, um fórum de debates publicado no Correio do Brasil pelo jornalista Rui Martins)

10
Out20

Fim da Lava-Jato e a nova Arena de Bolsonaro

Talis Andrade

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Por Rodrigo Vianna

- - -

"Não vai ficar pedra sobre pedra".

A frase de Dilma, dita alguns meses antes do Golpe de 2016, ecoa como uma espécie de maldição.

Os golpistas foram soterrados, um a um.

Eduardo Cunha (MDB-RJ), comandante da tropa de choque no Congresso, segue preso. 

Aécio Neves (PSDB-MG) experimenta a morte política em vida, e nesta semana chegou a ser renegado pela candidata do PSDB em Belo Horizonte. 

Os tucanos paulistas José Serra e Aloysio Nunes, fiéis servidores do governo golpista de Michel Temer (MDB), foram denunciados judicialmente e caminham para o ocaso humilhante.

O Golpe de 2016, como se sabe, reuniu várias forças: o lavajatismo de Curitiba, a covardia do PSDB, o oportunismo do MDB... tudo com patrocínio de Washington, e sob auxílio luxuoso da Globo e de seus satélites na imprensa. 

A Globo e o que sobrou da Abril, aliás, também colhem o que plantaram: vivem crise financeira e perdem relevância. 

Faltavam os lavajatistas. 

Nas últimas semanas, Deltan powerpoint Dallagnol disse adeus à ribalta; e Sérgio camisa preta Moro pode dar adeus ao Brasil: a mulher dele anuncia que o ex-juiz sente-se intimidado pelo bolsonarismo que ele e os garotos curitibanos ajudaram a fomentar. 

Nos EUA, certamente, Moro e a conje andarão em agradável cia.

O resumo da opereta é que o poder não se consolidou nas mãos dos golpistas "liberais", mas caiu no colo da extrema-direita - que teve papel marginal (em vários sentidos) no processo de 2016.

A Lava-Jato e Moro, o PSDB e Temer, a Globo com kamels/mervais e outras miniaturas jornalísticas: todos eles perderam importância.

A extrema-direita mostra-se muito mais habilidosa do que supunham tucanos e estrategistas do Jardim Botânico. 

E aí entramos na segunda parte desse artigo...

A Nova Arena

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Em maio de 2020, Bolsonaro flertou com o golpe e com um regime abertamente fascista. Foi contido.

Mas a pandemia deu a ele a chance de livrar-se do lavajatismo, lançando também ao mar alguns incômodos personagens marginais (em vários sentidos): allans, copollas, malafaias, olavos e saras agora choram pelos cantos.

Falta resolver a equação econômica: aparentemente, fica o neoliberalismo, mas sem os "exageros" de Paulo pinochet Guedes.

É como se tivéssemos dois governos Bolsonaro:

- o primeiro ano e meio reuniu lavajatismo, ultraliberalismo, terraplanismo e todo tipo de delinquência moral e política;

- a partir de agora, temos um bolsonarismo "contido" (mas não menos perigoso).

O abraço em Toffoli, a nomeação de Kassio Nunes para o STF e a reunião com os gorduchos garotos da velha política: são símbolos dessa nova fase.

É preciso lembrar que o regime militar de 1964 levou quase dois anos para organizar uma base institucional que só em 1966 passaria a flutuar em torno da Arena - o fiel partido da ditadura reunia caciques regionais, militares, direita tecnocrática e anticomunista, além de uma ampla gama de oportunistas provincianos; nos anos 1980, trocou de nome para PDS.

Bolsonaro parece lançar-se na construção de um novo "Arenão".

Abandona a ideia de um partido ideológico (o tal Aliança Brasil naufragou, não houve coleta de assinaturas suficientes), e prefere abraçar-se com as forças que já estão aí - desde 1500.

No Arenão, cabem: o PP, o PSD de Kassab, o Republicanos de Edir Macedo. 

E, ao que parece, sobra espaço para acomodar o DEM de Maia e Alcolumbre. 

Reparemos que são todos eles "filhotes" do velho partido da ditadura.

O PP é descendente direto da Arena/PDS. Já o DEM é a continuação do PFL (dissidência da Arena/PDS que permitiu eleger Tancredo/Sarney em 1985). O PSD de Kassab por sua vez é uma costela do DEM.

Ao se observar o mapa eleitoral de 2020, nota-se que o "bolsonarismo raiz" (feito de youtubers, pastores oportunistas e militares tresloucados) não mostra tanta força. Já o Arenão ocupa o lugar de MDB e PSDB como representante da direita.

PSD tem boas chances em BH, Campo Grande e Goiânia. DEM pode vencer no Rio e em Curitiba, Florianópolis e Salvador.

O PSDB está forte apenas em Natal e Palmas. E vai precisar suar muito pra manter São Paulo.

Imaginava-se que DEM/PSDB tentariam juntos organizar um "campo intermediário" para concorrer com a esquerda e o bolsonarismo em 2022. Parece que esse meio do caminho será sugado pelo bolsonarismo, num novo arranjo.

Mais do que a sopa de siglas, importa notar que o regime Bolsonaro, sob tutela dos militares e do Centrão, busca institucionalizar-se: consolida-se em parceria com uma direita parlamentar, habilidosa e com amplas ramificações nos municípios.

Se, de um lado, esse Arenão "modera" Bolsonaro, de outro sinaliza para uma estabilização do regime, que ganha assim mais chance de se prolongar para além de 2022.

O que pode atrapalhar esse plano: a economia em frangalhos, o caos social e a derrota de Trump nos EUA. 

Por fim, fica claro que a esquerda colherá poucos bons resultados nas urnas em 2020. 

A saída é manter-se firme, renovar lideranças e voltar ao trabalho de base. Sem abrir mão da herança lulista.

A batalha será longa. O inimigo parece tosco, mas tem muita capacidade de construir novas alianças, repaginando velhas arenas.
16
Set20

MP está convencido que o prefeito usava a Igreja Universal para lavar o dinheiro roubado

Talis Andrade

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CRIVELLA CHEFÃO DO QG DA PROPINA

As trocas de mais de 1.949 mensagens interceptadas pela polícia entre o empresário e lobista Rafael Alves e o prefeito Marcelo Crivella, além da conversas entre Rafael e o ex-marqueteiro do prefeito, Marcelo Faulhauber, não deixam dúvidas das ligações estreitas do prefeito com o “Quartel General” da Propina, instalado numa sala da Riotur, órgão dirigido até março deste ano por Marcelo Alves, irmão de Rafael. Todas as empresas que tinham interesses na administração pública do Rio tinham que se entender – leia-se pagar propina – com Rafael no QG.

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Durante uma operação de busca e apreensão da polícia realizada em março, na primeira fase da Operação Hades, Rafael Alves, tinha quatro celulares: o que entregou voluntariamente, dois apreendidos no carro na garagem e um escondido sob uma pilha de roupas, encontrado somente quando tocou durante a operação. Para surpresa de todos era o prefeito Marcelo Crivella, que ligou as 7:30h da manhã para o comparsa perguntando o que estava acontecendo na Riotur, onde outra ação policial se desenrolava.

Somente uma empresa investigada por sua ligação com o “QG da Propina”, a Assim Saúde, pagava de propina para o esquema de Marcelo Crivella R$ 1,5 milhão por mês para intermediar o fornecimento de planos de saúde a servidores municipais, afirma o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O contrato da Assim Saúde com a prefeitura era de R$ 210 milhões. Denúncia aponta que pagamento da propina foi negociado por Rafael Alves.

A abertura do histórico de ligações dos aparelhos confiscados mostrou que entre maio de 2016 e março deste ano, o prefeito e o empresário trocaram 1.949 mensagens, prova da ligação entre ambos e da extensão do esquema pelo qual são investigados. A comunicação entre os dois muitas vezes era cifrada, dificultando a compreensão de terceiros. Boa parte do conteúdo dos celulares foi apagada, mas os investigadores conseguiram recuperá-la.

Toda a investigação começou na Operação Câmbio Desligo, que prendeu o doleiro Sérgio Mizrahy. Ele disse em depoimento que não sabia se o prefeito carioca estaria envolvido no “QG da Propina”. Mas informou que as “empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas”, afirmou Mizrahy.

A operação Hades começou no dia 10 de março, quando foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão com base nos depoimentos do doleiro. Foi nesta operação que Crivella ligou para Rafael e acabou falando com o delegado. Na última quinta-feira (10), já de posse de informações mais robustas sobre a participação de Crivella no esquema, foi feita a operação de busca e apreensão na sede do governo e na residência do prefeito.

LAVAGEM NA UNIVERSAL

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Paralelo às investigações do QG da propina, o Ministério Público detectou, através de um relatório do antigo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), uma movimentação suspeita da Igreja Universal, dirigida pelo Bispo Macedo, que seria tio ou primo de Marcelo Crivella, de R$ 5,9 bilhões. Numa das mensagens Rafael ao marqueteiro de Crivella, ele aparece dizendo que seria capaz de revelar às autoridades “todos os esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro que ocorrem no governo”, com a “direta participação de Marcelo Crivella, sua família e a igreja”.

Com isso nas mãos, o MP tem fortes suspeitas de que Crivella esteja usando a Igreja Universal para lavar dinheiro. A suspeita veio depois da seguinte troca de mensagem de Rafael. “Nego destrói um político. Eu mexo com uma igreja”, diz. Depois, ele prossegue, segundo os investigadores: “só não quero que mexa com meu irmão ou seja meu espaço”. Por fim, Rafael Alves afirma: “Fazendo isso eu destruo ele igreja. etc.”

As mensagens revelam também que Rafael e Crivella tiveram períodos de desavenças. Rafael não aceitava quando tinha dificuldades em emplacar seus negócios junto à Prefeitura. Em uma outra ocasião, o lobista e operador de Crivella escreveu que o prefeito é “1 falso de duas caras, que na frente é uma coisa e por trás é outra”. Também se irritou com a possibilidade de o irmão deixar a Riotur. Marcelo foi exonerado depois da 1ª fase da operação Hades.

Em um outro episódio uma descoberta irônica. Crivella também era “zero um”. Em uma troca de mensagens com o doleiro Sérgio Mizrahy, em 2018, o lobista Rafael Alves, faz cobranças sobre o atraso de um determinado pagamento e se inspira em Bolsonaro dizendo que o valor seria direcionado ao “Zero Um”. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro, o “Zero Um” neste caso não é Flávio, mas sim o prefeito Marcelo Crivella. “Já não é a primeira vez que isso acontece. Isso é vacilo! Parada para o Zero Um. Vamos aguardar”, escreveu Rafael Alves.

JUÍZA DERRUBOU SIGILO DA INVESTIGAÇÃO

Em seu despacho autorizando a operação, a desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, do Primeiro Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça fluminense, detalhou as suspeitas que recaem sobre prefeito, apontando ‘não só a ciência, mas a anuência e suposta participação’ do mesmo em um esquema criminoso que segundo o Ministério Público do Rio ‘atua sobre praticamente todas as áreas da Prefeitura’ – necessitando dessa maneira do Chefe do Executivo Municipal. A juíza também decidiu tirar o sigilo do processo que investiga Crivella.

O despacho que abriu a ofensiva na última semana lembra que a primeira operação que mirou o ‘QG da propina’, a ‘Hades’, Crivella não foi alvo de buscas, uma vez que não se dispunha, ainda de indícios robustos de sua participação no esquema criminoso investigado.

No entanto, seu relacionamento ‘patente ‘com Rafael Alves, apontado como gerente do QG da propina, levou os investigadores a entenderem que o prefeito não ‘só anui com os esquemas criminosos, mas deles participa, chegando, inclusive, a assinar pessoalmente documentos a fim de viabilizar os negócios do grupo criminoso’.

O Ministério Público apontou que no dia da primeira fase ostensiva das investigações, Crivella ligou para Rafael Alves para perguntar sobre um mandado de busca que era cumprido na Riotour. No entanto, o telefonema foi atendido pelo delegado que estava na residência do empresário também cumprindo ordem judicial na referida operação.

TELEFONE ESCONDIDO TOCOU: ERA CRIVELLA

Tal aparelho, segundo a desembargadora Rosa Helena, foi encontrado escondido sob uma pilha de roupas, dentro do quarto de Rafael Alves, e ‘continha enorme quantidade de dados comprometedores’. No celular foram encontradas 1.949 mensagens trocadas entre o empresário e Crivella, ‘muitas delas contendo linguagem cifrada, deixando transparecer que seu conteúdo não poderia ser tratado por meios de comunicação convencionais, e via de regra terminavam com marcações de encontros presenciais, seja em prédios da Prefeitura, seja na residência do Prefeito’.

“O teor das conversas entabuladas pela dupla em muitas vezes ganha tom alarmante, escancarando que Rafael Alves tem clara ascendência sobre o Prefeito Marcello Crivella, a ponto de exigir, incisivamente, que o ouça antes da tomada de qualquer decisão”, registra a decisão.

Segundo Rosa Helena, as conversas identificadas no celular de Rafael mostram que o empresário tratou da campanha eleitoral de Crivella como uma “banca de negócios da qual pretendia colher frutos, que, segundo ele mesmo afirmou, não se traduziriam na obtenção de cargos ou status e sim no ‘retorno do investimento’ por ele realizado”. “Em outras palavras, pretendia obter retorno financeiro por meio de sua influência na Prefeitura do Rio de Janeiro, o que evidentemente só é possível mediante a prática de crimes”, frisa ainda a magistrada.

O despacho da desembargadora registra ainda que a suposta conivência de Crivella com os planos de Rafael Alves é ‘nítida’, tendo em vista as diversas ocasiões em que o prefeito tomou atitudes caracterizadas como ‘esdrúxulas’ a pedido de seu apoiador de campanha. Rosa Helena destaca que o ‘ilegítimo porém inegável poder de mando de Rafael Alves sobre o grupo criminoso é notório’. O empresário é chamado de ‘homem bomba’ por outros integrantes do grupo criminoso – ‘em expressa alusão aos seus conhecimentos sobre o funcionamento de toda engrenagem criminosa que envolve o Prefeito e os demais membros da organização’.

“Tanto que é conhecido como ‘Trump’ e garganteia seus feitos aos mais diversos interlocutores, que não se acanham em lhe pedir favores a serem concretizados, em grande parte das vezes, pelo próprio Prefeito, que estranhamente parece ceder placidamente às suas solicitações, inclusive a fim de favorecer empresários específicos, autorizando a burla à ordem cronológica de pagamentos devidos pelo Tesouro Municipal”, registra a decisão da desembargadora.

O carro onde estavam os dois celulares apreendidos pela polícia havia também joias, relógios e uma bolsa com R$ 50 mil. Para o Ministério Público, seria “uma espécie de veículo de fuga”, ou seja, pronto para permitir que Rafael fugisse. Ele alegou que tudo dentro do veículo era de Shanna Harrouche Garcia, sua ex-mulher e filha do bicheiro Waldemir Paes Garcia, o Maninho. Ao que parece, ele percebeu que já não havia garantias de que Crivella pudesse protegê-lo.

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11
Jun20

PODERES IMPUROS

Talis Andrade

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Colaboração transnacional mostra lobby e estratégias de grupos religiosos e ultraconservadores durante a pandemia de coronavírus na América Latina


por Nelly Luna Amancio, Kennia Velázquez, Gloria Ziegler, Andrea DiP, Mariama Correia

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“É muito provável que, com essa vacina [que está sendo desenvolvida contra a Covid-19], queiram colocar dentro do nosso corpo um nanochip com geolocalização”, disse há algumas semanas o pastor argentino Alberto Savazzini, aspirante à presidência do Peru, admirador de Jair Bolsonaro e líder da organização Deus é Amor (I.D.E.A, da sigla em espanhol), uma pequena igreja evangélica localizada na cidade de Buenos Aires. A declaração de Savazzini expõe um dos pontos que os grupos religiosos mais fundamentalistas da América Latina têm reforçado durante a pandemia, apelando para o medo e para a culpa: o coronavírus foi inventado em laboratório, a vacina que está em desenvolvimento será um instrumento de controle da humanidade e essa crise é o resultado de uma série de pecados.

Um dos principais traços desta crise sanitária é a incerteza. Sem cura específica, com tratamentos clínicos experimentais, conhecimento progressivo sobre o vírus e com unidades de tratamento intensivo em colapso, milhares de mortos e uma crescente crise econômica para os tantos que ficaram sem emprego por conta das medidas de isolamento, organizações fundamentalistas religiosas têm se utilizado do contexto para difundir medidas e ações que colocam, inclusive, a saúde das pessoas em risco. Seus líderes têm questionado as medidas sanitárias e chamado de pecados direitos adquiridos como o aborto legal, o casamento igualitário e a educação com foco em questões de gênero. E neste momento esses grupos têm encontrado ainda aliados perigosos: os movimentos antivacina.

A reportagem registrou ações no Peru, Argentina, Brasil e México que vão desde recomendações antissanitárias, discursos contra direitos adquiridos, falsos remédios e argumentos sem evidência científica que colocam os seguidores em risco, até iniciativas legais para impedir o acesso ao aborto em países onde este é legal. Esta série de reportagens mostra também que as medidas de isolamento não interromperam o pagamento de dízimos. Em todos os países, há uma forte campanha para que os fiéis continuem contribuindo financeiramente, mesmo que tenham sido afetados pela quarentena ou perdido o emprego devido às medidas restritivas.

Além da agenda política, duas ações promovidas por algumas dessas organizações colocaram em risco a saúde dos fiéis. No Brasil e no Peru, quando os casos de Covid-19 ainda não haviam chegado aos dolorosos números atuais – mais de 30 mil e 4 mil mortos, respectivamente –, um grupo de igrejas evangélicas continuou realizando cultos massivos e recomendando aos fiéis a fé como a única cura. “Não se preocupem com o coronavírus, porque essa é a tática de Satanás”, chegou a dizer o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus, organização investigada por lavagem de dinheiro e fraude de mais de US$ 765 milhões arrecadados de dízimos de seus fiéis.

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Não só estimularam a aglomeração massiva de pessoas como também divulgaram falsos remédios nas semanas seguintes. “Vou te ungir com álcool em gel, com nardo puro, e você estará pronto para vencer o coronavírus”, disse Héctor Aníbal Giménez, fundador da igreja Cumbre Mundial de los Milagros e um dos pastores evangélicos mais conhecidos da Argentina. No México, o deputado do estado de Sonora pelo Partido de Encuentro Social, organização política de centro-direita fundada pelo ex-pastor evangélico Hugo Eric Flores Cervantes, chegou a dizer que a Covid-19 “não é tão grave como dizem” e “que pode ser curada tomando chá de canela de manhã, ao meio-dia e à noite”. (Transcrevi trechos. Leia mais)

 

 

07
Abr20

Quantos ventiladores pulmonares o governo militar de Bolsonaro mandou para Itália?

Talis Andrade

 

 

Chegou a hora da morte de milhares de brasileiros. Faltam máscaras. Faltam testes para saber quem está infectado. Faltam medicamentos. Faltam UTIs. Faltam médicos. Faltam enfermeiros. Faltam leitos. Tudo falta. Desde Temer que o SUS vem sendo sucateado. Bolsonará é a pá de terra. Até a primeiro morte por coronavírus a cantilena era uma só: a privatização da saúde. Dos hospitais. Das faculdades de medicina.

Esse Mandetta com Bolsonaro sucatearam o SUS. Os dois deviam ser julgados como genocidas.

Quantos vão morrer no Brasil sem testes de coronavírus?

Nem máscara tem para o povo, e para os que trabalham nos serviços de saúde.

Bolsonaro mandou respiradores pulmonares para a Itália, porque o governo de lá é da direita. O safado com essa "caridade" vai matar quantos brasileiros?

Vamos ter mortes por falta de medicamentos.

Essa estória de jejum é conversa fiada para desviar o foco. 

Coronavírus uma gripezinha para quem tem alimentação, medicamentos, UTI equipada, bons médicos, enfermeiros, laboratórios etc. Sem terra, sem teto, sem nada não vai disputar na tapa... esse luxo de sempre, todo esse luxo de branco que reside nos palacetes, nos condomínios fechados.

Escreve Sérgio Moro: "A SENASP/MJSP produziu manual para orientação aos agentes de segurança pública sobre protocolos a serem seguidos em diligências policiais, inclusive na abordagem de pessoas que descumprem medidas sanitárias, durante a epidemia do coronavírus. Cuidar de si e também cuidar dos outros".

O ministro "terrivelmente evangélico" pretende prender o chefe dele Jair Bolsonaro que passou este domingo em jejum trocando ósculo cristão com pastores e fiés das ricas igrejas de Edir Macedo, Malafaia,  R.R. Soares, Marco Feliciano, Valdemiro Santiago. 

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06
Abr20

Bolsonaro e o combate ao coronavírus

Talis Andrade

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) postou nas redes sociais um video convocando a população para jejuar e orar contra o coronavírus, neste domingo (5/3), dia “proclamado”, por ele próprio, como o dia da “Campanha de jejum e oração pelo Brasil”, conforme escreveu na legenda da publicação.

Na filmagem, com a hashtag “Jejum pelo Brasil”, 34 pastores de diferente igrejas evangélicas endossam o pedido de Bolsonaro e classificam o chamado como “proclamação santa feita pelo chefe supremo da nação”.
 
“Os maiores líderes evangélicos desse país atenderam à proclamação santa feita pelo chefe supremo da nação, o presidente Jair Messias Bolsonaro e convocam o exército de cristo para  a maior campanha de jejum e oração já vista na história do Brasil,” diz um trecho.
 
O bispo Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, e a esposa, Ester Bezerra, também aparecem na filmagem. “Nós temos esse clamor pela nação: Deus venha ouvir esse clamor”, disse Macedo.

 

19
Mar20

"Pastor" vende álcool gel ungido por 500 reais a fiéis sujeitos ao risco de coronavírus (VÍDEO)

Talis Andrade

Sergio Moro, ministro da Justiça, vai continuar vendado?

 

À espera do apoio, nas eleições presidenciais de 2022, dos multimilionários chefes de igrejas, Sergio Moro se faz de morto. De "justiça" só entende uma coisa. Perseguir o presidente Lula e esposa e irmãos. Os parentes de Lula que morrem vão sendo substituídos pelos filhos e netos. São seis anos de guerra da Lava Jato. Uma justiça cara que não tem trabalho outro. Só da Petrobras, os procuradores, chefiados por Deltan Dallagnol, desviaram mais de 2,5 bilhões para uma fundação de eventos e propaganda de combate à "corrupção". Tudo faturado pelas empresas das esposas & amigos sócios de procuradores e juízes. Uma gangue. Uma "organização criminosa". Que precisa de uma auditoria das autoridades (in)competentes. 

247 - Num vídeo espantoso, um charlatão, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, do empresário Edir Macedo, empurra aos fiéis, num culto, um frasco de álcool gel "ungido" pelo valor de 500 reais. 

Em vídeo irresponsável, no último domingo (15), o empresário Edir Macedo, dono da igreja e da TV Record,,  disse que coronavírus é inofensivo, amplificado pela mídia e "tática de Satanás".

Dois dias depois, outro pastor-empresário, Silas Malafaia,  desafiou as recomendações do Ministério da Saúde de evitar aglomerações e afirmou que não cancelará cultos, nem fechará igrejas por causa do coronavírus. O objetivo é manter a arerecadação arrancada aos fiéis.

 

17
Mar20

Se o coronavírus infectar milhares de brasileiros nas próximas semanas, o maior culpado já tem nome: Jair Bolsonaro

Talis Andrade

 

O Brasil é governado por um psicopata que age de forma criminosa, escreve Philipp Lichterbeck

 

Jair Bolsonaro participa de protestos no dia 15 de março

Em 15 de março, Bolsonaro participou de protestos que havia pedido para serem cancelados

 

Antes das eleições de 2018, escrevi aqui sobre a hostilidade do bolsonarismo em relação à ciência. Agora, está comprovado aonde isso leva. Direto para a catástrofe. A situação no Brasil pode muito bem ser comparada à Idade Média na Europa. Naquela época, o fanatismo religioso fez com que fossem esquecidos os conhecimentos dos gregos e romanos no campo da higiene. Um resultado: a peste negra atravessou a Europa e matou milhões que nem sabiam como pegaram a doença, porque o veículo de transmissão – pulgas que passavam de ratos para humanos – era desconhecido.

A covid-19 é a peste negra do Brasil. Se o novo coronavírus fizer com que milhares de brasileiros adoeçam nas próximas semanas e levar não apenas o sistema de saúde, mas também a sociedade brasileira à beira do caos, haverá para isso um principal culpado. O nome dele é Jair Bolsonaro, ele é chefe de Estado de 210 milhões de pessoas e disse que não se importa com o coronavírus. Ele age de forma criminosa. O Brasil é liderado por um psicopata, e o país faria bem em removê-lo o mais rápido possível. Razões para isso haveria muitas. Também não parece mais absurdo que os generais já estejam fartos do caos que o presidente está causando, enquanto uma pandemia ameaça o Brasil.

O problema não é apenas a maldade do presidente, que, por vaidade e cálculo político, coloca em risco a vida de centenas de pessoas e desrespeita acintosamente as recomendações da Organização Mundial da Saúde. É, antes, sua limitação cognitiva. A visão de mundo de Bolsonaro e de seus seguidores é, na sua primitividade, algo difícil de superar. Tudo o que é complexo demais para eles, descrevem como invenção da mídia e dos comunistas. Foi o que o bispo Edir Macedo, chefe da medieval IURD, acabou de dizer, literalmente, sobre o coronavírus.

O colunista da DW Brasil, Philipp Lichterbeck

O colunista da DW Brasil, Philipp Lichterbeck

Já em 2019 foi possível ver até onde a hostilidade à ciência do bolsonarismo pode levar, quando o presidente demitiu um dos cientistas mais respeitados do país ao ficar contrariado com seus dados sobre os incêndios florestais na Amazônia. Isso deveria ter sido um aviso. Porque decisões responsáveis são tomadas com base no conhecimento, e não no delírio. Quando se trata de resolver problemas reais, como a pandemia do coronavírus, a verdade tem uma clara vantagem prática: ela funciona. E, da mesma forma: quem sabe muito, se torna humilde; quem sabe pouco, arrogante. E arrogância é, definitivamente, algo que não falta a este presidente e à sua turma.

Na Europa e, especialmente, na Ásia, vê-se agora como a ciência é importante para lidar com a pandemia do coronavírus. Aumenta novamente a demanda por cientistas e políticos sóbrios, enquanto os populistas, com suas mentiras e teorias da conspiração, são postos de lado. A situação é extrema demais para ser relegada a extremistas. Mas no Brasil, o extremista ocupa o mais alto cargo do Estado.

O governo brasileiro teve tempo suficiente para evitar o pior quando os dois primeiros casos de covid-19 foram notificados em São Paulo. Se o governo cuidasse do bem-estar dos brasileiros, rapidamente teria começado a restringir a vida pública e a preparar a população. Hoje, se conhece, a partir dos exemplos de China, Itália, Espanha e França, a forma rápida e devastadora com que o coronavírus pode se espalhar. Também está claro que isso não interessa ao presidente e a seus seguidores.

O filósofo Harry G. Frankfurt escreve em seu livro On Bullshit (Sobre falar merda) que o "bullshitter" é pior que o mentiroso, porque este último ainda tem pelo menos uma conexão com a verdade que ele nega. Já o bullshitter não se importa com nada. Ele diz qualquer absurdo para agradar seus seguidores e satisfazer sua vaidade.

Se o bullshitter é seu vizinho José ou sua tia Márcia, pode até ser bastante divertido. Mas se o bullshitter é o presidente do Brasil e se, ao mesmo tempo, o país enfrenta uma pandemia, então realmente é possível que venha o pânico contra o qual todos estão alertando. O problema não se chama coronavírus. Ele se chama Bolsonaro. O tempo está voando.

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Philipp Lichterbeck queria abrir um novo capítulo em sua vida quando se mudou de Berlim para o Rio, em 2012. Desde então, ele colabora com reportagens sobre o Brasil e demais países da América Latina para jornais na Alemanha, Suíça e Austria. Ele viaja frequentemente entre Alemanha, Brasil e outros países do continente americano. Siga-o no Twitter em @Lichterbeck_Rio.

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas

 

 

15
Mar20

Edir Macedo diz que coronavírus é inofensivo e papa Francisco reza pelo fim da pandemia (vídeos)

Talis Andrade

 

 

Do Vatican News - Na tarde deste domingo, pouco antes das 16h locais, o Papa Francisco saiu do Vaticano e foi até a Basílica de Santa Maria Maior para rezar diante do ícone de Nossa Senhora Salus populi Romani (protetora do povo romano).

Depois, percorrendo a pé um trecho da "Via del Corso" - no centro de Roma - foi até a Igreja de São Marcelo, onde se encontra o Crucifixo milagroso que, em 1522, foi levado em procissão pelos bairros da cidade para que acabasse a "Grande Peste".

 
 
Folha de S.Paulo
@folha
Vídeo mostra Edir Macedo dizendo que coronavírus é inofensivo e que Satanás e mídia promovem medo 
Vídeo mostra Edir Macedo dizendo que coronavírus é inofensivo e que 'Satanás' e mídia promovem medo...
Imagem mostra pastor apresentando fala de médico que afirma que a doença não mata ninguém
folha.uol.com.br
 
Hildegard Angel
@hilde_angel
Igrejas vazias = menos $$$ na caixinha
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@ivan
Guarde este vídeo. O Sr. Edir Macedo, só pela irresponsabilidade, deveria ser preso.
 
Revista Fórum
@revistaforum
Edir Macedo diz que coronavírus é "tática de Satanás" por interesses econômicos | Revista Fórum
Bispo reproduziu a fala do patologista Ben Schmidt, que diz que coronavírus não causa gripe e não é letal
revistaforum.com.br
 
 

Com a sua oração, afirma o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, o "Santo Padre invocou o fim da pandemia que atinge a Itália e o mundo, implorou a cura para os muitos doentes, recordou as inúmeras vítimas desses dias e pediu que seus familiares e amigos encontrem consolação e conforto. A sua intenção se dirigiu também aos agentes de saúde, aos médicos, aos enfermeiros e àqueles que, com o seu trabalho, garantem o funcionamento da sociedade".

 

 

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