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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Ago18

O processo ioiô de Sergio Moro quase parando de tão cansado, apesar de três meses de férias remuneradas

Talis Andrade

Juiz recua e se declara incompetente para julgar desvios em pedágios em "uma só rodovia" no Paraná de Luiz Fernando Wolff de Carvalho

 

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Esse processo ioiô, que vai e volta para as mãos de Sergio Moro, trata da corrupção das empresas Triunfo e Econorte, propriedades de parentes da esposa de Sergio Moro. O principal acionista, um corrupto envolvido no esquema de PC Farias, que foi chefe do tráfico de cocaína. A coca transportada no famoso avião "Morcego Negro". Esse mando de PC Farias teria sido substituído pelo paranaense Alberto Youssef, capo da máfia libanesa, hoje solto na buraqueira, e podre de rico, bote podre nisso. Youssef aparece na quadrilha "rodoviária". O processo de "uma só rodovia", mas com vários bandidos célebres. O principal sócio majoritário das empresas possui um grau de parentesco não definido com Rosangela Wolff Moro. Se tio ou primo-irmão. Se são duas pessoas ou uma. Se existe um Luiz Fernando Wolff Carvalho. E outro Júnior. Cousa que Moro não está nem aí. E há a convicção de que o sogro de Moro trabalhou para essas empresas como mestre de obras. 

 

Por Felipe Luchete

Depois de declarar que “não faria sentido” dispersar provas envolvendo operadores já investigados na operação “lava jato”, o juiz federal Sergio Moro voltou atrás nesta segunda-feira (11/6) e abriu mão de julgar processos sobre suposto esquema de propinas envolvendo uma rodovia do Paraná. Ele alegou excesso de trabalho e baseou-se em voto derrotado no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

 

Assim, a chamada 48ª fase da “lava jato” — que fez buscas na sede do governo estadual e resultou na prisão de seis pessoas em fevereiro deste ano, mesmo sem ligação com denúncias na Petrobras —, deve passar agora para outra vara criminal de Curitiba, ainda indefinida.

 

O caso envolve a suspeita de que uma concessionária tenha superfaturado despesas e simulado contratos para esconder repasses de vantagem indevida, o que teria inclusive aumentado as tarifas de pedágio de forma artificial. A investigação chegou primeiro à Vara Federal de Jacarezinho (PR), mas o juízo preferiu encaminhar os autos a uma das varas especializadas em lavagem de dinheiro.

 

Moro quis assumir os processos em novembro de 2017, pois disse ter encontrado “pontos de conexões probatórias óbvios” no uso de atividades dos operadores Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran. [O Adir Assad assinou delação premiada. Para o Tacla Durán, ninguém ousa investigar, um sócio da esposa de Moro pediu uma propina de cinco milhões de dólares por uma delação. A corriola de Curitiba já fabricou mais de mil colaborações premiadas. Precisamente 1060 delações. Uma indústria. Tem dez vezes mais delatores soltos que presos presos. Se alguém ousar apresentar os nomes dos delatores é um catálogo. Mas nenhum santo roga por transparência. É "uma só rodovia" que atravessa a escuridão ] 

 

O juiz reconheceu na época que atividades em outros estados poderiam ser distribuídas a outros juízos pelo país, porém considerou insensato impedi-lo de analisar os indícios de crimes em Curitiba, com entregas de dinheiro por lá e em benefício de agentes públicos da própria cidade.

 

O advogado José Carlos Cal Garcia Filho, que representa um dos acusados, questionou no TRF-4 a competência de Moro, assim como a defesa de outro envolvido, representado por Rodrigo Muniz Santos. A maioria da 8ª Turma analisou os argumentos em maio deste ano, porém considerou inadequada a via eleita — pedido de Habeas Corpus, em vez de exceção de incompetência.

 

O relator, desembargador federal João Pedro Gebran Neto, ficou vencido ao reconhecer que o inquérito originário não apresenta qualquer relação com a Petrobras.

 

Muito trabalho


Quase um mês depois do julgamento, foi Sergio Moro quem reconsiderou o próprio entendimento. Na decisão desta segunda, ele disse que já está sobrecarregado com “as persistentes apurações de crimes relacionados a contratos da Petrobras e ao Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht”. Cansado, mas não pára com as viagens para participar de eventos nacionais e internacionais.

 

Embora esteja desde 2015 sem receber outros processos, o titular da 13ª Vara Federal de Curitiba disse que cuida de casos com muita complexidade, “gerando natural dificuldades para processamento em tempo razoável”. Afirmou ainda que, conforme “juízos de conveniência e oportunidade”, é mais recomendável acompanhar o voto do relator no TRF-4, apesar de vencido.

 

A medida, afirma, também encerrará qualquer novo questionamento das defesas sobre a prevenção. O julgador determinou a redistribuição de uma ação penal e processos conexos entre as varas criminais de Curitiba, excluindo-se a própria. Moro, entretanto, manteve válidos os atos processuais já praticados.

 

As defesas queriam que fossem derrubadas as decisões anteriores, mas ele disse que cabe ao próximo juízo decidir o que fazer com os atos antigos.

 

Clique aqui para ler a decisão.

 

 

20
Jun18

Moro se recusa a investigar governo tucano no Paraná

Talis Andrade

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por Matheus Tancredo Toledo


O juiz de primeira instância Sergio Moro, responsável por julgar os casos da “força-tarefa” da Operação Lava Jato em Curitiba, abriu mão de julgar denúncias envolvendo tucanos do estado do Paraná. Alegando “dificuldades para processamento em tempo razoável” devido aos casos envolvendo a Petrobras e a empreiteira Odebrecht, Moro não julgará o ex-assessor da Casa-Civil do governo Beto Richa (PSDB).

 

As denúncias que Moro se recusou a julgar envolvem um suposto esquema que funcionava em torno do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná, por parte dos grupos Econorte e Triunfo, denunciados por lavagem de dinheiro, estelionato e associação criminosa. As fraudes acarretavam pagamento de vantagens indevidas para servidores públicos e enriquecimento ilícito de administradores e funcionários de ambos os grupos, concessionários de rodovias no estado.

 

No mesmo processo está Tacla Duran, ex-advogado da Odebrecht que denunciou a indústria das delações premiadas: Carlos Zucolotto, advogado e amigo do juíz de primeira instância, cobrou cinco milhões de reais em propina para ajudar em um acordo de delação junto ao Ministério Público, abrandando a pena e diminuindo a multa que o réu deveria pagar. Zucolotto, em troca de mensagens, afirmou estar intermediando a negociação com alguém identificado pela sigla DD.

 

 

18
Jun18

Depois de sete meses Moro abriu mão de processo que investiga empresa controlada por familiar. Falta esclarecer o grau de parentesco com o corrupto Luiz Fernando Wolff Carvalho

Talis Andrade

 

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 Luiz Fernando Wolff Carvalho

 

Luiz Fernando Wolff Carvalho, parente da esposa de Sergio Moro, Rosângela Wolff, aparece no noticiário ora como ora como tio, ora como primo-irmão, e primo em segundo grau.

Veja lista de processos ligados a Wolff, presidente da empresa Triunfo, sua ligação com PC Farias, com o governo Beto Richa, inclusive na cobrança de pedágios.

Transcrevo das notícias do Superior Tribunal Federal - STF:

O deputado paranaense José Carlos Martinez (PTB/PR), seu sócio e irmão, Flávio de Castro Martinez, e o empresário, Luiz Fernando Wolff de Carvalho, foram interrogados pelo Ministro Ilmar Galvão, relator da Ação Penal 331. Leia mais aqui sobre o bando ligado a PC Farias do qual também faz parte Eduardo Cunha julgado por Moro. 

 

Escreve Celso Nascimento: Um parentesco que se torna incômodo.

O dono da construtora Triunfo, principal alvo nas investigações que deflagraram a Operação Anel da Integração, o empresário Luiz Fernando Wolff de Carvalho. Ele é primo-irmão da advogada Rosângela Wolff Moro, esposa do juiz Sérgio Moro, que acatou os pedidos de prisão e de buscas e apreensão feitas pelo Ministério Público Federal.

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O empresário, apontado como um dos articuladores de esquemas de superfaturamento e de distribuição de propinas oriundas do sistema de pedágio rodoviários e que, direta ou indiretamente, mantinha ligações com os operadores Adir Assad e Tacla Durán, foragido na Espanha. Outros indícios apontam ligações de Durán com o advogado Carlos Zucolotto, padrinho de casamento de Moro e ex-sócio de Rosângela, que se apresentava como “facilitador” de contatos com o juiz.

Quando surgiram os primeiros rumores sobre estas ligações, Rosângela Moro preferiu encerrar a página que mantinha no Facebook." Leia mais aqui 

 

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Escreve Amanda Audi, em Congresso em Foco: Moro abriu mão de processo que investiga empresa controlada por familiar.

 

Responsável pela Operação Lava Jato em Curitiba (PR), o juiz federal Sérgio Moro abriu mão, na última segunda-feira (11), do processo que apura esquema de corrupção nos contratos de pedágio no Paraná durante a gestão do governador Beto Richa (PSDB). Ele alegou excesso de trabalho e que o caso não tem relação direta com a Petrobras, cujo esquema de corrupção é o objeto central das investigações do petrolão. Mas não citou que tem relação de parentesco com o presidente do conselho administrativo do grupo Triunfo, a principal empresa investigada por suspeita de fraudes nos contratos de pedágio.

 

A esposa de Moro, Rosângela Wolff Moro, é prima em segundo grau de Luiz Fernando Wolff de Carvalho, que ocupa o posto mais alto na Triunfo. O conselho está acima dos diretores-executivos e é responsável por decidir questões estratégicas do grupo, que controla a Econorte (concessionária de pedágio do Paraná alvo da investigação) e o aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), entre outros empreendimentos.

 

 

A relação de parentesco foi levantada pelo professor Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que pesquisa a genealogia da elite paranaense para detectar conexões. Ele conta que Rosângela e Luiz Fernando têm os mesmos bisavôs: Bernardo Wolff e Silvina do Amaral Wolff.

 

Além disso, Rosangela e Luiz Fernando são primos distantes de Beto Richa e Rafael Greca de Macedo, atual prefeito de Curitiba. “Todos descendem de Manoel Ribeiro de Macedo, um potentado do início do século 19″, informou o professor da UFPR ao Congresso em Foco.

 

Suspeição

Moro não é impedido de julgar o caso, pois o Código do Processo Penal (CPC) proíbe apenas a atuação de magistrados em casos com partes que têm até três graus de parentesco de si ou do cônjuge. Nesse caso, o parentesco é maior que isso. Especialistas consultados pelo Congresso em Foco, porém, acreditam que ele deveria se declarar suspeito. O CPC diz que há suspeição quando o juiz tem algum tipo de proximidade com alguma das partes do processo.

 

“Ele [Moro] deveria se declarar suspeito neste caso e em qualquer outro que houver relação de amizade com os envolvidos”, afirma Alvaro Quintão, presidente do Sindicato dos Advogados do Rio de Janeiro. Para ele, o juiz declinou do caso para evitar questionamentos sobre o parentesco.

 

A Operação Integração, como foi batizada, apura ilegalidades na relação entre concessionárias de pedágio do Paraná e o Departamento de Estradas de Rodagem do estado. Segundo a investigação, os serviços de pedágio entraram em acordo com o órgão estadual para cobrar tarifas elevadas de forma ilegal. A ação é um desdobramento da Lava Jato. O elo era a atuação dos mesmos operadores financeiros, como Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran.

 

 

Via assessoria de imprensa, Moro negou que o parentesco tenha relação com sua decisão de recusar o processo. “As razões da declinação da competência da Operação Anel da Integração estão escritas na decisão da exceção de incompetência. Parentescos remotos e pessoas que o juiz não conhece não têm qualquer relevância”, diz a nota.

 

No despacho, Moro cita falta de vínculo do processo com a Petrobras. “A ação penal 5013339-11.2018.404.7000 não tem como objeto acertos de corrupção em contratos da Petrobras, o que, juntamente com as posteriores revelações e crimes praticados no âmbito do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, constitui o cerne da Operação Lava Jato, sendo também razoável o entendimento de que a separação dos processos não geraria grandes dificuldades para o processo e julgamento, já que as provas podem ser compartilhadas entre as Varas Criminais Federais de Curitiba.”

 

Excessos

Em outro trecho, fala sobre excesso de trabalho: “Outra questão diz respeito à sobrecarga deste juízo com as persistentes apurações de crimes relacionados a contratos da Petrobras e ao Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht. O número de casos é elevado, bem como a complexidade de cada um, gerando natural dificuldade para o processamento em tempo razoável”.

 

Deslocamentos

O processo do qual Sérgio Moro abriu mão foi enviado para o juiz da 23ª Vara Federal, Paulo Sergio Ribeiro. A determinação de Moro atendeu a pedido dos advogados de defesa para que a ação fosse remetida para a Vara de Jacarezinho, onde a investigação começou. Leia mais aqui

 

Sete meses de Anel da Integração

 

Indaga Cíntia Alves: Moro sabe há 7 meses que não era o juiz da Operação Integrada. Por que insistiu?
Em despacho de dezembro de 2017, Moro deixou claro que sabia que a corrupção de agentes do governo Richa não tinha conexão com Petrobras, mas insistiu em ser o juiz do caso "provisoriamente"

 

O Sergio Moro de dezembro de 2017 fazia questão de julgar um processo que tem como pano de fundo um esquema de corrupção nos pedágios do Paraná - incluindo funcionários do governo Beto Richa (PSDB) - que teria usado como operadores financeiros dois conhecidos da Lava Jato: Adir Assad e o desafeto público do juiz, Rodrigo Tacla Duran. Mas o Sergio Moro de junho de 2018, generosamente, decidiu atender ao apelo dos réus da chamada Operação Integrada e retirou-se de campo. A pergunta inicial é: por quê? 

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Carlos Nasser 

 

Que fez Moro nesses 7 meses? Escreve Cíntia Alves: Anulou o depoimento de Carlos Nasser, da Casa Civil de Beto Richa desde 2013. O testemunho descartado afirmava que o dinheiro encontrado em contas de uma das empresas de sua família seria destinado à campanha de Richa. Moro anulou afirmando que ninguém leu os direitos de Nasser antes de interrogá-lo. A decisão será mantida?

 

Em menos de quatro meses, o juiz Sergio Moro tomou três decisões favoráveis ao réu Carlos Felisberto Nasser, informa Vinícius Segalla. Vide benesses aqui.

 

Sobre o porquê do afastamento repentino de Moro, o Paraná Portal revelou, nesta semana, um provável motivo: sua esposa, a advogada Rosângela Moro, é prima em segundo grau do presidente do conselho administrativo do Grupo Triunfo. Ou sobrinha.  O empresário não foi denunciado pelo Ministério Público Federal e Moro negou, à reportagem, que tenha se declarado suspeito por causa do parentesco "distante". Leia mais aqui

15
Jun18

Ao anular depoimento de testemunha contra Richa, Moro protege correligionários na “cara dura”, denuncia Paulo Teixeira

Talis Andrade

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Sérgio Moro e Beto Richa: correligionários?

 

Três dias antes de rejeitar ser o julgador de um caso de corrupção envolvendo o governador Beto Richa (PSDB), do Paraná, o juiz Sérgio Moro anulou o depoimento da principal testemunha do processo. Alegando sobrecarga de trabalho – talvez agravada pelas constantes viagens para receber prêmios de empresas beneficiadas pela destruição da economia brasileira promovida pela operação Lava Jato – e falta de relação do caso com a Petrobras, Moro fez questão de anular o depoimento de Carlos Nasser, ex-assessor da Casa Civil do governo paranaense, antes de remeter o processo para outro juiz.

 

Nasser prestou depoimento em dezembro de 2017, quando ocorreu a 48ª fase da Lava Jato, destinada a investigar o pagamento de propinas pelo Grupo Triunfo, acionista da concessionária Econorte, a diretores do Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná. No depoimento, de acordo com o Paraná Portal, Nasser disse que, se houve depósito da Triunfo em sua conta bancária, foi dinheiro para campanhas políticas.

 

Para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), a decisão de Moro é gravíssima e deixa ainda mais explícita a sua relação íntima com o PSDB. “Todo mundo sabe e já se falou muito das relações de Sérgio Moro com o PSDB do Paraná, das relações de amizade, da proximidade desse juiz com políticos do PSDB. Agora surge essa notícia, que é gravíssima e precisa ser investigada. Na cara dura ele protege os seus amigos, ou melhor, os seus correligionários”, denunciou Teixeira.

 

O parlamentar paulista, que é advogado, também criticou os tribunais superiores que não revertem as violações cometidas por Moro. “O juiz Sérgio Moro não tem qualquer autoridade que consiga freá-lo. O TRF-4 homologa as barbaridades que ele pratica. O STJ, principalmente o relator da Lava Jato no STJ, Félix Fischer, homologa igualmente as barbaridades que Sérgio Moro pratica. O mesmo acontece com o relator da Lava Jato no Supremo, Edson Fachin. Essa Justiça não é para todos”, disparou.

 

Paulo Teixeira lembrou que existe na Câmara uma comissão parlamentar de inquérito, pronta para ser instalada, que vai apurar irregularidades na chamada “indústria de delações” da Lava Jato. “Assim que ela for instalada, a CPI poderá investigar também esse fato relacionado a esse assessor da Casa Civil de Beto Richa. Um depoimento com essa força probatória, de repente ser anulado pelo juiz Sérgio Moro, conhecido de todos nós, sabidamente partidário, perseguidor do PT, certamente é algo para ser investigado”, afirmou o deputado.

 

A justificativa de Moro para anular o depoimento de Nasser foi uma questão formal. Segundo o juiz, “não foram, aparentemente, pelo menos isso não consta na degravação, tomadas as cautelas próprias para advertir o investigado de seus direitos, entre eles o de permanecer em silêncio e o de asssistência a um advogado prévia e durante o interrogatório”.

 

Curioso que esse tipo de cautela não foi observada, por exemplo, quando Moro divulgou de forma ilegal conversas entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para citar um único exemplo de irregularidade cometida pelo juiz celebridade.

Rogério Tomaz Jr. com informações do Paraná Portal

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É a primeira vez em 5 anos de Lava Jato que Moro se recusa a julgar um processo. É mais fácil deixar para um juiz menos famoso arquivar o processo contra Beto Richa na calada da noite, assim como fizeram no caso do helicoca: um juiz mineiro que ninguém conhece arquivou tudo e ninguém foi preso.

 

Moro travou investigações contra a irmã de Aécio, que foi delatada por ter conta com 10 milhões em Nova Iorque, contra Sergio Guerra, ex-presidente do PSDB que foi gravado pedindo propina, e contra diversos outros tucanos.

 

Quando alguma delação contra o PSDB era feita, a Lava Jato ignorava. Em 5 anos nenhum membro do PSDB foi preso, julgado ou condenado por Moro, que segue em sua rotina de viagens para ir a festas e eventos no exterior, mas alega "excesso de trabalho". Plantão Brasil

 

14
Abr18

Greca, o "quase vomitei com cheiro de pobre", pretende expulsar de Curitiba os acampados por Lula

Talis Andrade

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O prefeito de Curitiba Rafael Greca (PMN) quer expulsar o ex-presidente Lula da cidade de Curitiba, onde ele está mantido preso político, desde o último sábado (7). 

 

Greca é aliado do ex-governador Beto Richa (PSDB) e a posição da Prefeitura de Curitiba coincide com as dos manifestantes do fascista MBL (Movimento Brasil Livre).


Um dos motivos para o pedido de expulsão de Lula seria para facilitar o reparo dos cílios nos semáforos do entorno da PF, informa o jornalista Esmael Morais. 

 

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Greca é primo de Rosângela Wolff. A Gazeta do Povo fala do pio Rafael, quando menino: "Passava as tardes jogando bets ou desbravando os porões e sótãos dos casarões da família. De formação católica, o menino também foi coroinha das igrejas do Rosário, da Ordem e da Catedral. Gostava da liturgia e das procissões que movimentavam o bairro. Era primo de segundo grau dos bispos Dom Jerônimo Mazzarotto e Dom Antônio Mazzarotto, que ao perceber a articulação do menino, quiseram que ele seguisse a vida religiosa. “Um dia, eles vieram me buscar. Só não me levaram, porque eu me escondi debaixo da cama”, relembra.

 

Na campanha de prefeito, Greca confessou: quase vomitou com “cheiro de pobre” ao ajudar um homem.

 

Berço de ouro, mentalidade autoritária: a “árvore genealógica” da Lava Jato

 

Os vínculos familiares são determinantes para se entender as dinâmicas dos campos político e judiciário no Brasil. Professor do Departamento de Ciência Política e Sociologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ricardo Costa de Oliveira afirma que a origem social dos indivíduos está relacionada a uma série de privilégios, hábitos e visões de mundo compartilhadas.

 

A última pesquisa dele foi publicada esta semana na revista Núcleo de Estudos Paranaenses (NEP). O artigo “Prosopografia familiar da operação Lava Jato e do ministério Temer” foi assinado em conjunto com outros três pesquisadores: José Marciano Monteiro, Mônica Helena Harrich Silva Goulart e Ana Christina Vanali.

 

O texto apresenta uma biografia coletiva do juiz de primeira instância Sérgio Moro, dos 14 membros da força-tarefa nomeados pela Procuradoria-Geral da República e de oito delegados da Polícia Federal que atuam no caso, além de ministros indicados pelo presidente golpista Michel Temer (PMDB).

 

Ela pertence a essa importante família política e jurídica do Paraná, que é o grande clã Macedo, e também é parente de dois desembargadores.

 

O aspecto mais relevante do artigo diz respeito aos vínculos da operação Lava Jato com a elite econômica do Paraná. “Este seleto grupo de indivíduos forma parte do 1% mais rico no Brasil, e muitos até mesmo do 0,1% mais rico em termos de rendas”, descrevem os pesquisadores.

 

Políticos defensores da ditadura civil-militar e indivíduos que atuaram no sistema de justiça durante o regime também aparecem na “árvore genealógica” da Lava Jato. O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, por exemplo, é “filho do ex-deputado estadual da ARENA Osvaldo dos Santos Lima, promotor, vice-prefeito em Apucarana e presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, em 1973, no auge da ditadura, quando as pessoas não podiam votar e nem debater livremente”, segundo o texto. O pai de Carlos Fernando, assim como os irmãos, Luiz José e Paulo Ovídio, também atuaram como procuradores no Paraná.

 

O professor Ricardo Costa de Oliveira conversou com a reportagem do Brasil de Fato e debateu os resultados da pesquisa. Confira os melhores momentos da entrevista:

 

Brasil de Fato – O que há em comum na biografia de todos os personagens da operação Lava Jato analisados no artigo?

Ricardo Costa de Oliveira – Todos eles pertencem à alta burocracia estatal. Há alguns, da magistratura ou do Ministério Público, que ganham acima do teto [salarial do funcionalismo público, equivalente a R$ 33,7 mil por mês]. Com suas esposas e companheiras, eles estão situados no 0,1% mais ricos do país.

Quase todos são casados com operadores políticos, ou do Direito. Você só entende os nomes entendendo a família. É uma unidade familiar que opera juridicamente, opera politicamente.

 

O juiz de primeira instância Sérgio Moro é um desses exemplos?

O juiz Moro é filho de um professor universitário, mas também é parente de um desembargador já falecido, o Hildebrando Moro. A mulher do Moro, a Rosângela [Wolff], é advogada e prima do Rafael Greca de Macedo [prefeito de Curitiba]. Ela pertence a essa importante família política e jurídica do Paraná, que é o grande clã Macedo, e também é parente de dois desembargadores.

Outro parente influente de Rosângela é Luiz Fernando Wolff de Carvalho, do grupo Triunfo, bastante ativo nas atividades empresariais e na política regional, sempre envolvido com problemas jurídicos.

 

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O artigo ressalta as coincidências entre a Lava Jato e o caso Banestado [que investigou o envio ilegal de 28 bilhões de dólares ao exterior]. Como isso ajuda a entender o papel da força-tarefa e do Judiciário nas investigações sobre os contratos da Petrobras?

Boa parte deles também estiveram no [caso] Banestado. Foi uma operação que desviou muito dinheiro e apresentou uma grande impunidade.

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Tudo em família

Coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol é filho de outro procurador de Justiça, Agenor Dallagnol. O procurador Andrey Borges de Mendonça, que também atua na operação, é irmão do procurador Yuri Borges de Mendonça. Outro membro da força-tarefa, Diogo Castor de Mattos, é filho de um ex-procurador de Justiça, Delivar Tadeu de Mattos. O tio de Diogo, Belmiro Jobim Castor, foi secretário de Estado várias vezes no Paraná nos anos 1970 e 1980. Leia mais 

 

Um parentesco que se torna incômodo

por Celso Nascimento

 

O dono da construtora Triunfo, principal alvo nas investigações que deflagraram a Operação Integração, é o empresário Luiz Fernando Wolff de Carvalho. Ele é primo-irmão da advogada Rosângela Wolff Moro, esposa do juiz Sérgio Moro, que acatou os pedidos de prisão e de buscas e apreensão feitas pelo Ministério Público Federal.

 

O empresário é apontado como um dos articuladores de esquemas de superfaturamento e de distribuição de propinas oriundas do sistema de pedágio rodoviários e que, direta ou indiretamente, mantinha ligações com o operador Tacla Durán, foragido na Espanha. Outros indícios apontam ligações de Durán com o advogado Carlos Zucolotto, padrinho de casamento de Moro e ex-sócio de Rosângela, que se apresentava como “facilitador” de contatos com o juiz.

 

Quando surgiram os primeiros rumores sobre estas ligações, Rosângela Moro preferiu encerrar a página que mantinha no Facebook.

 

 

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