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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Mar21

Contra-senso e destruição: A contribuição brasileira

Talis Andrade

 

Por Liszt Vieira 

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O Sono da Razão Produz Monstros (Goya)

 

O economista sueco Gunnar Myrdal, vencedor do Prêmio Nobel, foi indicado pela ONU para coordenar uma grande pesquisa sobre racismo nos EUA nos anos 40 do século passado. O resultado foi o livro “An American Dilemma: The Negro Problem and Modern Democracy”, publicado em 1944 com quase 1.500 páginas.

Entre os inúmeros levantamentos, estudos e análises, chamou a atenção de alguns observadores na época a afirmação de que os maiores racistas, os que mais discriminavam os negros no sul do EUA não eram os brancos ricos, mas sim os brancos pobres. A razão disso é que eles necessitavam da inferioridade dos negros para sua autoestima. Se os negros passassem a ter os mesmos direitos, os brancos pobres não se sentiriam mais superiores a ninguém, e isso os desesperava.

Ressalvadas as diferenças no espaço e no tempo, e respeitadas as devidas proporções, vimos algo parecido no Brasil durante o governo Lula que, com políticas sociais progressistas, diminuiu a desigualdade. A classe média viu os ricos ganharem dinheiro e se afastarem, enquanto os pobres aumentaram sua renda e se aproximaram. Esse sentimento de frustração está na raiz do preconceito da classe média contra Lula e o PT. No fundo, é a recusa da proposta de reduzir a desigualdade social. Para esses segmentos, o ideal é que os pobres continuem pobres para que eles permaneçam tranquilos, sentindo-se superiores.

É verdade que também a elite econômica recusa a redistribuição de renda para reduzir a desigualdade e apoia qualquer idiota que não se atreva a mudar o status quo. No atual governo Bolsonaro, essa situação foi agravada com a radical política neoliberal que se apropria do orçamento público, destinando a maior parte ao mercado financeiro e transferindo, assim, renda dos pobres para os ricos. As verbas para saúde, educação, pesquisa científica, cultura, meio ambiente são vistas como despesas improdutivas e não como investimento.

O fato de a popularidade de Bolsonaro continuar na faixa de 25 a 30% de apoio se explica por diversas razões. Uma delas é que o discurso do candidato e agora presidente se dirige não à razão, mas às emoções, ao preconceito arraigado, ao sentimento de frustração que se autoalimenta com ódio e repulsa aos que são considerados seres inferiores: mulheres, negros, gays, índios e, em estágios mais avançados de preconceito, intelectuais, judeus, imigrantes, estrangeiros etc.

Essas pessoas rejeitam o discurso baseado em fatos da realidade e só aceitam aquilo que querem ouvir. Esse é o segredo do sucesso da indústria de fake news gerenciada pela empresa Cambridge Analytica que manipulou as eleições do Brexit no Reino Unido em junho de 2016, de Trump nos EUA em novembro de 2016 e de Bolsonaro no Brasil em novembro de 2018. Por outro lado, é forçoso reconhecer que a razão crítica do iluminismo nem sempre levou à emancipação dos dogmas, e frequentemente foi incapaz de impedir a exploração e a submissão.

O avanço da extrema direita em várias partes do mundo mostrou o enfraquecimento da civilização iluminista baseada na razão e na ciência, muitas vezes impotentes para conter a avalanche de falsas notícias explorando o machismo, racismo, homofobia, misoginia, rejeição dos direitos humanos e a superstição pré-moderna que apoia teorias conspiratórias e rejeita a ciência, espalhando informações absurdas como terra plana e coronavirus criado em laboratório, por exemplo.

A derrota de Trump nos EUA foi um golpe forte nessa política de “pós verdade” baseada em fake news que, entretanto, ainda vigora no Brasil. Se é verdade que a negação da pandemia e a sabotagem da vacina foram políticas oficiais de governo ano passado, observamos que a necropolítica oficial do governo Bolsonaro se desmoralizou ainda mais este ano com o agravamento do número de casos e óbitos por Covid. O Brasil é o segundo país do mundo em número de mortes e candidato a ser campeão mundial com a reversão da tendência de aumento de óbitos nos EUA com o atual governo Biden.

O que não se enfraqueceu foi a política em curso de destruição ambiental no Brasil e no mundo. No caso brasileiro, a devastação ambiental foi agravada pelo ethos fascista de um governo que tenta sem cessar destruir os princípios e as instituições democráticas. O objetivo é “passar a boiada”, destruir os recursos naturais visando a lucro.

Já em 2010 o cientista brasileiro Carlos Nobre alertava que a cada hora 9 mil pessoas se somam à população mundial - que passou de 1,5 bilhão em 1.900 para mais de 7 bilhões hoje. Em cada hora, 4 milhões de toneladas de CO2 são emitidas, 1.500 hectares de florestas são derrubados no mundo, aumentando o efeito estufa, e 3 espécies entram em extinção. ( Planeta Sustentável - 28/05/2010).

No Brasil, segundo os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), tivemos na Amazônia em 2020 a maior alta de queimadas dos últimos treze anos, desde 2007 (Veja, 1/7/2020). Entre janeiro e agosto de 2020, quase 3,5 milhões de hectares do bioma amazônico queimaram e o desmatamento da Amazônia registrou aumento significativo em mais de 10% em relação ao ano anterior, configurando a taxa de desmatamento mais alta dos últimos 12 anos. No Pantanal, os incêndios devoraram 29% da sua cobertura, afetando seriamente a vida silvestre. No sul do país, tivemos números inéditos de área queimada nos Pampas.

As mudanças climáticas e a perda da biodiversidade já desencadearam um processo de destruição de recursos naturais que ameaça as condições de vida humana no planeta. Segundo Paul Crutzen - Prêmio Nobel de Química 1995 - já entramos em uma nova época geológica - o Antropoceno - em que o homem começa a destruir suas condições de existência no planeta. “A influência da humanidade no planeta Terra nos últimos séculos tornou-se tão significativa a ponto de constituir-se numa nova época geológica” (Paul Crutzen).

Em 2002, o historiador John McNeill alertou que a humanidade vem se aproximando perigosamente das “fronteiras planetárias”, ou seja, os limites físicos além dos quais pode haver colapso total da capacidade de o planeta suportar as atividades humanas. (Something New Under the Sun, McNeill, 2002). Os eventos climáticos extremos não cessam de confirmar sua advertência: secas, inundações, desertificação, falta d’água, temperaturas excessivas, desastres naturais, refugiados ambientais.

A situação é tão grave que já se fala na possibilidade de colapso da atual civilização. Afinal, a Terra conheceu 5 extinções em massa antes da que começamos agora a presenciar. A mais notória foi há 250 milhões de anos: começou quando o carbono aqueceu o planeta em 5ºC, acelerou quando esse aquecimento liberou metano, outro gás de efeito estufa, e quase destruiu toda a vida na Terra. Com exceção da extinção dos dinossauros, todas as extinções envolveram mudanças climáticas causadas por gases de efeito estufa (A Terra Inabitável, Uma História do Futuro, David Wallace-Wells).

Hoje, lançamos carbono na atmosfera a um ritmo 100 vezes mais rápido do que em qualquer época anterior ao início da industrialização. Metade do carbono lançado à atmosfera devido à queima de combustíveis fósseis foi emitido apenas nas últimas três décadas. Mantendo o atual padrão de emissões, chegaremos a mais de 4º C de aquecimento até o ano 2100. Isso significa que muitas regiões do mundo ficariam inabitáveis devido ao calor direto, à desertificação e às inundações. Pelas projeções das Nações Unidas, teremos 200 milhões de refugiados do clima até 2050. Outras estimativas são ainda mais pessimistas: 1 bilhão de pobres vulneráveis sem condições de sobrevivência (A Terra Inabitável, David Wallace-Wells).

O célebre cientista e divulgador naturalista britânico David Attenborough alertou que a humanidade enfrentará uma sexta extinção em massa neste século, se não abordar a mudança climática e a superexploração dos recursos do planeta. Em seu novo livro, A Life on Our Planet, Attenborough prevê um futuro de inundações, secas e acidez do oceano, caso a Terra não seja salva a tempo.

A civilização do combustível fóssil ameaça a sobrevivência humana no planeta. Produz calor letal, fome pela redução e encarecimento da produção agrícola, destruição das florestas por incêndios, esgotamento da água potável, morte dos oceanos, tufões, inundações, ar irrespirável, pragas, colapso econômico, conflitos climáticos, guerras, crise de refugiados.

Um Relatório da Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (CBD), publicado em 16/9/2020, informou que a taxa da perda de biodiversidade não tem precedentes na história e as pressões estão se intensificando. O risco é o surgimento de novas doenças desconhecidas. À medida em que a natureza é degradada, surgem novas oportunidades para a disseminação de doenças devastadoras, como a Covid-19, alertou o Relatório. O documento denuncia ainda o gasto de cerca de US$ 500 milhões em subsídios governamentais concedidos nos últimos 10 anos para a produção de combustíveis fósseis, fertilizantes e pesticidas que contribuem para o declínio da biodiversidade. E destaca também o lançamento de 260 mil toneladas de resíduos plásticos nos oceanos.

O homem é o único animal que destrói seu habitat, o que coloca em questão sua racionalidade enquanto homo sapiens. Entre os fatores que causaram o colapso de civilizações, o primeiro deles é a destruição ambiental – o ecocídio, nos lembra escritor Jared Diamond, autor do famoso livro Colapso - Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso. Existe hoje uma a crescente campanha global para criminalizar o ecocídio e responsabilizar governos e corporações por negligência ambiental com o objetivo de salvaguardar nosso planeta (Carta Maior, 28/2/2021).

Os fatores para um possível declínio da humanidade estão visíveis: as mudanças climáticas, a degradação ambiental, as desigualdades econômicas e governos autoritários, cegos à razão e à ciência, e exterminadores dos direitos. O atual Governo brasileiro preenche todos esses requisitos, cumprindo promessa de Bolsonaro: “Vim para destruir, não para construir”. Trata-se de importante contribuição ao “capitalismo tardio” e seu perverso modelo neoliberal que não apenas exploram a maioria da população mundial, mas também ameaçam a sobrevivência humana na Terra.

19
Jul20

Coringa comemora com Bolsonaro a entrega da Petrobrás aos gringos!

Talis Andrade

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por Emanuel Cancella

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Cheguei para ajudar outro palhaço, o Bozonaro.

Ele tem tudo a ver com o que digo, por exemplo: “Eu mudei juro que vou fazer tudo pior dessa vez” (5).

O Bozo é tão porreta que, quando deputado, falava em fuzilar 30 mil brasileiros, e com sua política de combate a Covid-19 Já matou mais de 70 mil (13).

Ele deputado falava em fuzilar FHC porque vendeu a Vale do Rio Doce e as reservas petrolíferas brasileiras e agora, como presidente, faz pior (6):

-  Bozonaro  vendeu a BR Distribuidora para os EUA do tio Sam e ainda demitindo 600 petroleiros e centenas de contratados e os que ficaram tiveram redução de 30% nos salários (7).

- Bozo quer entregar o pré-sal para Tio Sam ou seus aliados. Bozo já fez o mega leilão do pré-sal,  mas ele considerou um fracasso porque a Petrobrás ficou com a maior parte. Então, para que isso não aconteça mais, Bozo está mudando a lei dos leilões da ANP e, da próxima vez, vamos seguir  a orientação do primeiro diretor geral da ANP, David Zylbersztajn, genro de FHC: “O Petróleo é Vosso!”   (8,9,10)

- Bozonaro vai vender metade das refinarias da Petrobrás. Imagine, em 12 meses, o Brasil pagou, aos EUA, R$ 25 BI em importação de gasolina e diesel. Já pensou quanto vamos pagar quando vendermos a metade das refinarias da Petrobrás? (11,12).

Mas o que Bozo está fazendo com os petroleiros é show. Esses palhaços precisam ser torturados, já que desenvolveram tecnologia inédita no mundo, que permitiu a descoberta do pré-sal e recebeu o terceiro prêmio da OTC, o equivalente ao “Oscar” da indústria do petróleo, em Houston, nos EUA.  E agora esses ousados ganharam o 4º “Oscar” (15,16).O presidente se torna o vilão do momento em animação sarcástica do Manhattan Connection

A política implementada pelo Bozo, no fundo de pensão Petros, é satânica. Então esses mesmos petroleiros, que foram premiados nos EUA pela descoberta do pré-sal, muitos deles estão em tratamento psíquico e 10 se suicidaram (14)!

Isto principalmente porque Petroleiros, ativos e aposentados, estão pagando no mínimo com 13% de seus salários, e por 18 anos, por rombo na Petros,  mesmo sem esses petroleiros nunca terem sido gestores do Fundo. E as direções, da Petrobrás e da Petros, ainda querem transformar esse pagamento em vitalício.

Ma isso só está sendo possível porque Bozo colocou, para presidir a Petrobrás, os carrascos de Mariana e Brumadinho: Roberto Castello Branco, que foi diretor da Vale por 15 anos, hoje é presidente da Petrobrás. E Cristiane Marsillac, que trabalhou na Vale, de 2006 a 2009, foi nomeada presidente da Transpetro (1,2). 

E eles conseguiram esses cargos de Bolsonaro, na Petrobrás, mesmo sendo oriundos da Vale e sendo suspeitos de crime de responsabilidade no maior acidente ambiental do Brasil, quiçá do mundo, que foram os de Mariana e Brumadinho, com 272 mortos (3,4).

Segundo Coringa: “Ainda estou sorrindo não porque sou forte, mas porque sou louco” (5). Consulte as anotações 

 

19
Jul20

Militares linha-dura, intervenção e genocídio

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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No mérito, está correta a crítica/denúncia do ministro do STF Gilmar Mendes que provocou a reação irada dos militares.

Em que pese, todavia, a pertinência da associação de militares com genocídio, realidade corroborada pela gestão desastrosa da pandemia por um general da ativa, é incabível a um ministro da Suprema Corte imiscuir-se em disputas políticas ou atuar na arena política – como, aliás, Gilmar fez na dinâmica do golpe para derrubar a presidente Dilma; como, aliás, ele faz ainda hoje; e como, aliás, ele decerto continuará fazendo, enquanto não for encilhado com os freios do recato e do comedimento da Lei e do Código de Ética da Magistratura.

O confronto entre Gilmar e militares expôs a anomalia e o descalabro do sistema. A dominância, na política, não é do povo ou do parlamento, mas de atores sem voto – STF e Forças Armadas [FFAA].

O Congresso é causa e efeito desta anomalia. Se, por um lado, funciona como eficiente despachante da agenda bolsonarista ultraliberal, que é aprovada com rapidez por uma maioria folgada dos representantes da oligarquia; por outro lado, o Congresso é omisso e conivente com a escalada militarista, com o aparelhamento militar do Estado e com a continuidade do governo fascista.

O Exército está associado ao genocídio, é verdade; mas também ao etnocídio e ecocídio praticados pelo governo. Os militares são, também, co-autores da morte da democracia, provocada pela asfixia contínua do pouco que ainda resta do Estado de Direito. Eles são responsáveis, como Bolsonaro, pela barbárie e pela devastação do país.

As Forças Armadas reagiram a Gilmar Mendes não como instituição profissional do Estado, mas reclamando como um Poder constituído [poder militar].

Com Bolsonaro em “modo focinheira” desde a prisão do capataz e gerente financeiro do esquema miliciano do clã, os militares se viram obrigados a se desentocarem do poder oculto de onde comandam o governo para reagirem abertamente, e no “modo Junta Militar”.

A nota oficial, inadequada e inoportuna, não por acaso foi assinada pelo ministro da Defesa junto com os comandantes das 3 Forças. A Constituição não dá guarida para ativismo político dos comandos militares, menos ainda para ataques deles a integrantes da Suprema Corte.

O ministro da Defesa – que melhor se desempenharia sendo um civil, não um general – é responsável pela direção superior das FFAA. É dele, portanto, a única voz, no Executivo, constitucionalmente autorizada a manifestar o sentimento político das 3 Forças.

O incômodo dos comandantes com a crítica/denúncia de Gilmar Mendes é explicável. A associação a crime de genocídio os preocupa, pois poderão ser criminalizados em organismos penais internacionais como o TPI e a CIDH.

Além disso, o surgimento, na Itália, de questionamentos para apurar se a negligência e a imperícia de governantes na pandemia podem ter causado milhares de mortes evitáveis, deve reforçar um paradigma de responsabilização de governos criminosos e irresponsáveis, como é o brasileiro.

Os comandantes também se ofenderam porque não aceitam questionamentos à colonização indevida do poder civil por agentes militares. Eles se julgam aptos [sic] para ocuparem cargos civis, a despeito da incompetência do ponto de vista técnico, gerencial, metodológico, político.

Neste governo, os militares [contingente de mais de 400 mil funcionários públicos pagos para exercerem funções estritas nos quartéis, e não na esfera civil] infestaram a máquina estatal e aparelharam o Estado. Mais de 6 mil membros da “família militar” estão lotados em ministérios, estatais, empresas públicas; afora familiares, amigos, correligionários e áreas de influência. Eles se beneficiam com cargos, renda turbinada, gratificações, privilégios, statusde poder etc.

É compreensível, portanto, o apego deles ao status “conquistado”; isso os mobiliza subjetivamente e politicamente a ambicionarem permanecer muito tempo no poder.

O golpe de 31 de março de 1964 significou uma mudança paradigmática na doutrina das FFAA. Antes de 1964, os militares promoviam intervenções breves e pontuais e, à continuação, devolviam o poder aos civis.

Durante a ditadura, porém, ganhou força a perspectiva que concebe as FFAA como uma força política e um poder apto a exercer a liderança política na condução dos destinos do país. Este pensamento redundou no longo ciclo ditatorial de 21 anos, de 1964 a 1985.

Os generais que mandam no Planalto, como Augusto Heleno e outros, têm como ancestrais políticos e ideológicos os integrantes da chamada “linha-dura” da ditadura, aquela ala que não aceitava a transição lenta e controlada proposta por Geisel para encerrar paulatinamente o regime.

Eles queriam a continuidade da ditadura e da repressão e o aprofundamento do terror de Estado, ao mesmo tempo em que jogavam o país no precipício com endividamento externo brutal, inflação galopante, crescimento pífio, pobreza alarmante e corrupção idem.

A perspectiva intervencionista das FFAA na política e na estrutura de poder, que foi alimentada durante décadas pelos militares ressentidos dos porões da ditadura que nunca desistiram de politizar e ideologizar as tropas nos últimos 35 anos, é a bússola que orienta o projeto de poder de longo prazo acalentado por eles.

O afastamento dos militares [tanto da ativa como da reserva] da máquina civil de governo, assim como o retorno deles aos quartéis para ocuparem-se exclusivamente das suas obrigações profissionais, é uma urgência candente. E é, também, um imperativo ético, se se quiser deter o infame genocídio, etnocídio e ecocídio que está em marcha acelerada.

Às FFAA, que possuem o monopólio de emprego exclusivo das armas para a defesa do território, não é dada a prerrogativa de exercer o poder de Estado ou de atuar na cena política como se fossem partidos políticos ou um Poder próprio, independente e autônomo.

 

15
Jul20

O governo Bolsonaro acabou, porra!

Talis Andrade

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Pandemia indicou caminho para o futuro e mostrou como o capitão é despreparado perante os desafios atuais. Será que teremos um presidente se arrastando até o fim do mandato?

 

 por Thomas Milz/ Deutsche Welle 

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A pandemia do novo coronavírus mostrou para onde o mundo vai. É preciso uma administração ágil e moderna, que aja conforme as necessidades do momento – e não com base em crenças folclóricas e ideologias bizarras. Não há tempo para terraplanismo em tempos de coronavírus! Na área econômica, as empresas vão ter que se posicionar de forma sustentável – tanto social e economicamente como, e esse talvez seja o ponto mais importante, ambientalmente. Não é hora de destruir florestas, portanto.

O governo Bolsonaro foi pego desprevenido pelo vírus. O plano de colocar a economia em trilhos neoliberais acabou. Em vez disso, o governo provavelmente promoverá um programa assistencialista, o Renda Básica, de tamanho maior que o Bolsa Família petista. Fica difícil, também, seguir com os planos de privatizações, tendo em vista que instituições estatais, como o SUS e a Caixa, tiveram um papel fundamental para evitar danos maiores durante a pandemia.

Ficou claro também que colocar militares em pastas como a Saúde ou para fiscalizar as florestas não resolve nada. No lugar dos quadros técnicos prometidos, os militares deslocados para áreas alheias penam para mostrar resultados, enquanto milhares morrem e florestas se vão em chamas. (Não vamos pensar que os militares foram postos em lugares errados propositalmente, ok!)

A tempestade perfeita das pilhas de mortos pela covid-19, da economia em queda livre e do desastre ambiental cada vez mais evidente urge a um plano maior para o país. Mas não haverá tal plano com o atual governo, que não possui nem plano nem visão para o Brasil. Isso fica ainda mais claro quando se olha para a pasta da Educação. Não ter ideia do que fazer nessa área deixa evidente a total falta de visão.

Em vez de moldar o futuro, Bolsonaro está ocupado, desde que assumiu, um ano e meio atrás, com limpar a bagunça dos filhos e do próprio passado mal resolvido. Além das bravatas, ele não tem nada a oferecer.

Os problemas em encontrar quadros adequados para áreas como educação e saúde se explicam também pela falta de base social do atual governo. Grupos de WhatsApp podem até ganhar eleições, mas na hora de recrutar especialistas com uma noção do que fazer, as redes sociais não oferecem ninguém. Na hora de nomear ministros, perfis falsos não entregam nada.

Acontece que uma parte significativa do apoio digital pró-Bolsonaro já se evaporou, nas últimas semanas, de forma instantânea perante as investigações promovidas pela Justiça e principalmente pelo STF. Os 300 do Brasil, que estava mais para 30, agora são zero. Quanto mais Bolsonaro se entregar ao Centrão para se blindar de um impeachment, mais apoio da sua base mais radical deverá perder.

O presidente será um lame duck (pato manco) já na primeira metade do primeiro mandato. Enquanto Bolsonaro é bicado por uma ema, nos jardins presidenciais, seu vice, Hamilton Mourão, tenta tranquilizar investidores e empresários. Teremos, provavelmente, um vice cada vez mais presente e um presidente cada vez mais recuado. Talvez Bolsonaro não caia, mas se arraste até o final do mandato. O governo dele talvez não tenha morrido, mas, de fato, já acabou.

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Enquanto governos social-democratas e o regime autoritário chinês se mostraram capazes de domar o vírus, os líderes da direita raivosa se mostraram perdidos. Comprei recentemente uma camiseta com um desenho de Donald Trump e Bolsonaro, com o presidente brasileiro camuflado de Rambo e a frase "Make Brazil great again" estampada embaixo. Para me lembrar desse tempo esquisito.

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29
Mai20

Tem matado os indígenas (e também camponeses e quilombolas) à bala

Talis Andrade

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V - O Nojo

EL PAÍS
 
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O vírus mata cada vez mais nas aldeias indígenas e vai se espalhando pela floresta amazônica. Quando os invasores europeus chegaram, os vírus e as bactérias que trouxeram com eles exterminaram 95% da população indígena entre os séculos 16 e 17. Há chance de que o novo coronavírus produza um genocídio dessa dimensão caso não exista um movimento global para impedi-lo.
 
Bolsonaro já demonstrou que apreciaria se os indígenas desaparecessem ou se tornassem outra coisa. “Humanos como nós”, nas suas palavras. Humanos vendedores e arrendadores de terra, humanos mineradores, humanos plantadores de soja e de cascos de boi, humanos amantes de hidrelétricas, de ferrovias e de rodovias. Humanos que se descolam da natureza e a convertem em mercadoria.
 

São os povos indígenas que colocam literalmente seus corpos diante da destruição da Amazônia e de outros biomas. Mas parte dos apoiadores de Bolsonaro, que hoje também lideram campanhas de “abertura do comércio” nas cidades amazônicas, tem matado os indígenas (e também camponeses e quilombolas) à bala. O vírus pode completar o extermínio de uma forma muito mais rápida e numa escala muito maior. Basta fazer exatamente o que Bolsonaro está fazendo: nada para protegê-los e tudo para estimular a ruptura das regras sanitárias da Organização Mundial da Saúde; nada para protegê-los e tudo para estimular a invasão de suas terras por garimpeiros e grileiros. O que está em curso é exatamente isso: um genocídio.

E também ecocídio, porque na Amazônia esses entes não andam separados. Como sabemos, os destruidores da floresta não fazem home office. O desmatamento avança aceleradamente, aproveitando a oportunidade da pandemia. Os alertas cresceram 64% em abril, depois de já terem batido recordes no início do ano. Bolsonaro demitiu os chefes de fiscalização do Ibama que estavam tentando impedir o massacre da floresta. Está militarizando tanto a saúde, ao colocar militares em postos importantes do ministério, quanto a proteção do meio ambiente, ao subordinar o Ibama e o ICMBio ao Exército nas ações de fiscalização. Em toda a região, camponeses, ribeirinhos e indígenas denunciam que os caminhões cheios de árvores recém derrubadas não param de atravessar as estradas vindos da floresta. Eles gritam. Mas quem os escuta?

Bolsonaro está transformando (também) a Amazônia num gigantesco cemitério. Ele é tão perverso que usa a pandemia para matar a floresta e tudo o que é vivo. O presidente do Brasil pode se tornar o primeiro vilão da história que, sem poder nuclear, tem grande poder de destruição. Sem floresta amazônica não há como controlar o superaquecimento global. Sem controlar o superaquecimento global o futuro será hostil para a espécie humana. Se a Amazônia chegar ao ponto de não retorno, do qual se aproxima velozmente, seu território poderá se tornar um disseminador de vírus nos próximos anos. 

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22
Fev20

Los otros genocidios

Talis Andrade
 

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Por Jesús González Pazos

El Salto

Recientemente se conmemoró el 75 aniversario de la liberación del campo de exterminio de Auschwitz. A la par de ello, se recordaba y rechazaba, una vez más, el intento de genocidio del pueblo judío a manos del nazismo. La parte negativa es que, una vez más, quedaron ocultos otros genocidios que el régimen nazi pretendió […]

Recientemente se conmemoró el 75 aniversario de la liberación del campo de exterminio de Auschwitz. A la par de ello, se recordaba y rechazaba, una vez más, el intento de genocidio del pueblo judío a manos del nazismo. La parte negativa es que, una vez más, quedaron ocultos otros genocidios que el régimen nazi pretendió durante esos años, como es el caso del pueblo gitano, la comunidad homosexual o los grupos políticos de izquierda.

Posiblemente, el hecho de que estos últimos nunca fueron un lobby político y económico potente está en la base de la explicación de ese olvido continuo a favor del pueblo judío. Pero esa es otra historia.

Lo que ahora nos preguntamos es si dentro de 75 años, quienes entonces caminen por el planeta, tendrán que conmemorar, u olvidarán también, el genocidio de los pueblos indígenas de la Amazonía brasileña. Hay que recordar que son también pueblos sin fuerza política ni económica y, quizás por eso, posiblemente también condenados a la invisibilidad. Sin embargo, la Amazonía se está convirtiendo, con la indiferencia del mundo, en el territorio de un nuevo genocidio. El campo de concentración ahora se llama espacio amazónico y tiene las dimensiones de la inmensa selva que hace de Brasil el quinto país más grande del mundo. El primero en cuanto a la biodiversidad que contiene, que algunos la ven solo como riqueza material. Pero también, el estado que hoy es ya la primera economía de América Latina y la sexta del mundo. Todo ello, ambición económica y potencial biodiversidad hacen que el gobernante ultraderechista Jair Bolsonaro pretenda constituir la selva amazónica como una mezcla de enorme mina a cielo abierto, grandes hidroeléctricas e inmensos campos para la agroindustria (soja, palma…) y ganadería extensiva. Traducido por lo tanto en campo de negocios, luego, campo de exterminio para sus habitantes que no comulgan con esa visión desarrollista.

Los pueblos indígenas son prescindibles en la economía de mercado. Ocupan demasiado espacio, generalmente muy rico en biodiversidad (no solo variedades vegetales y animales, sino también recursos mineros, agua, hidrocarburos, forestales y un largo etc.) y, por lo tanto, obstruyen el desarrollo de un país como Brasil.

Y a esa visión única economicista de la ultraderecha y derecha brasileña se le suma el racismo exacerbado que gran parte de las mismas tienen en su ADN político y social. El presidente Jair Bolsonaro nunca lo ha ocultado y ha llegado a poner públicamente en duda el carácter de seres humanos de los pueblos indígenas. Pero su racismo no solo lo muestra mediante frases inaceptables o insultos sino, lo que es peor aún, lo lleva a la práctica atacando directamente los derechos de estos pueblos en sus territorios reconocidos por la misma legislación brasileña.

Entre las últimas medidas que pretende aprobar y desarrollar está el hecho de permitir la minería y la extracción petrolera, así como los cultivos agroindustriales en las llamadas reservas indígenas que no son sino los territorios de estos pueblos, lo que ha empezado con la quema y tala descontrolada del bosque en este pasado verano. Es fácil imaginar el nivel de devastación de la selva amazónica que esto supondrá y que ya avanza mediante la destrucción de la masa forestal, el agotamiento de la tierra, la apertura descontrolada de carreteras, la contaminación (petróleo, mercurio y otros metales pesados) de aguas y tierras, la desaparición de especies animales y vegetales. El grado de destrucción sería tal que en pocos años podríamos hablar no solo de genocidio, sino también de ecocidio, es decir, de la destrucción ambiental del territorio amazónico.

Para completar este panorama de ataques desenfrenados contra la naturaleza y los pueblos que en ella habitan, otra de las últimas medidas del gobierno brasileño tiene que ver con los pueblos indígenas aislados o de reciente contacto. En la enorme extensión que es la Amazonía aún hoy viven pueblos no contactados o en aislamiento voluntario. En el caso de Brasil, la Fundación Nacional del Indio (Funai) que es el organismo oficial que define las políticas hacia los pueblos indígenas, tiene un departamento específico para estos pueblos aislados.

Pues bien, Bolsonaro acaba de proponer a un evangelizador de indígenas como responsable coordinador de dicho departamento. Como han denunciado múltiples organizaciones y cualquiera puede entender, es aplicar el famoso dicho popular de poner al zorro al frente del gallinero. Ricardo Lopes Dias ha trabajado durante muchos años con la fundamentalista Misión de Nuevas Tribus, organización evangélica estadounidense tristemente famosa en toda América Latina. Continuamente denunciada por servir a los intereses de la política exterior norteamericana y con graves actuaciones e irrespeto hacia los derechos de los pueblos indígenas, lo que ha conllevado incluso su expulsión de algunos países (Venezuela) o acusaciones internacionales de llevar adelante auténticas ”cacerías humanas” (Bolivia y Paraguay) ocasionando muertes y, desde luego, lo que se puede calificar como auténticos etnocidios (destrucción de la cultura de un pueblo).

Y así, para desgracia de la Amazonía, de Brasil y del mundo reunimos un trío de muerte (genocidio, etnocidio y ecocidio) altamente concentrado en el llamado “pulmón verde del planeta”. Pero mientras todo esto no dañe la economía de mercado las élites políticas y económicas seguirán mirando para otro lado, tal y como hace 75 años hicieron las de la Alemania nazi. Como señalábamos anteriormente el desarrollo económico sigue primando en las políticas neoliberales y, aunque los discursos políticos tratan de convencernos de que hay preocupación por los derechos humanos o por la crisis climática, la realidad nos muestra la falsedad de los mismos. Brasil, junto a otros grandes países, responsables directos de la contaminación y la consiguiente destrucción ambiental que ya sufrimos, dijo que no acudiría a la última COP25, celebrada en Madrid, y no pasó nada. Incluso a los que acudieron, pese a su retórica, les costó enormemente alcanzar algunos pequeños acuerdos que no enfrentan la emergencia que ya es la crisis climática. Por eso, por hipocresía, asistimos al genocidio de los pueblos indígenas de Brasil que como el intento que fue del pueblo gitano en la Alemania nazi, quedará olvidado, invisibilizado. El ecocidio de la Amazonía, quizás si tendrá alguna declaración grandilocuente más, pero para entonces también para la naturaleza será tarde.

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01
Jan20

O Brasil sob Bolsonaro, segundo a imprensa alemã

Talis Andrade

Em 12 meses, veículos destacaram derretimento da imagem do país após desmonte de políticas ambientais e queimadas. Suspeitas sobre Flávio Bolsonaro e declarações preconceituosas do presidente também foram abordadas.Symbolbild deutsche Presse Presseschau (picture-alliance/dpa)

Süddeutsche Zeitung: "Irmãos de alma” – sobre a aproximação de Bolsonaro com os EUA e fake news

04/01/2019

"O populista Donald Trump e o extremista de direita Jair Bolsonaro têm tom e estilo semelhantes. Com métodos parecidos, conseguiram conquistar os cargos políticos mais altos no Brasil e nos Estados Unidos. Outra semelhança: supostamente, tanto Trump quanto Bolsonaro tiveram apoio ilegal durante a campanha eleitoral. O chamado escândalo da Rússia nos EUA encontra seu equivalente brasileiro num escândalo envolvendo o serviço de mensagens WhatsApp”, apontou o jornal de Munique.

 

Süddeutsche Zeitung: "Flávio Bolsonaro e o matador de aluguel” – os problemas do filho do presidente

adriano magalhães da Nóbrega .png

 

04/02/2019

"O senador brasileiro Flávio Bolsonaro é chamado de Zero Um pelo pai. (...) E Zero um se tornou um filho-problema para o novo presidente, apenas um mês depois da troca de governo. Tornou-se público que Flávio Bolsonaro empregou como assessoras, até novembro de 2018, a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega. Nóbrega é considerado um dos principais matadores de aluguel do Rio. Ele é suspeito de ser um dos líderes do esquadrão da morte Escritório do Crime.”

 

Handelsblatt: "O imprevisível" – sobre o estilo do presidente Bolsonaro

28/03/2019

"Desde 1° de janeiro, Bolsonaro governa o Brasil – ou melhor: ele deveria governar. É que o populista de direita se ocupa bem pouco dos reais negócios do governo, que parecem não interessá-lo. Diante da elite econômica internacional em Davos, ele não discursou nem por seis minutos. Muitos no Brasil pensam: ‘ainda bem'. É que, quando Bolsonaro se pronuncia com parcos conhecimentos sobre a futura reforma, difama o Carnaval com vídeos obscenos ou demite seu ministro da Secretaria-Geral da Presidência por pressão de seus filhos, os mercados financeiros ficam nervosos”, publicou o diário econômico alemão.

 

Frankfurter Rundschau: "Cem dias de Bolsonaro: propaganda de direita e constrangimentos” – sobre os primeiros meses turbulentos do presidente

10/04/2019

"Os primeiros três meses do ex-paraquedista Jair Bolsonaro na Presidência ficarão na lembrança do maior e mais importante país da América Latina como constrangedores. Desde tuítes obscenos sobre xixi no carnaval, passando pelo tratamento brusco dado a seus ministros, até decisões sem qualquer sombra de expertise, nada ficou de fora. Quem sofre é o Brasil e a imagem do país”, escreveu o diário de Frankfurt.

 

Süddeutsche Zeitung: "Combustível acabando” – a queda de popularidade Bolsonaro

17/04/2019

"As esperanças que seus apoiadores depositaram nele foram frustradas por Jair Bolsonaro nos seus três primeiros meses. Isso se reflete numa forte queda na sua popularidade. Desde o retorno do Brasil à democracia, em 1985, é a pior avaliação de um presidente depois de três meses no cargo.”

 

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "A jornada errática de Bolsonaro” – sobre o estilo populista de Bolsonaro

12/04/2019

"Em fins de março, Bolsonaro ordenou que fosse celebrado o aniversário do golpe militar, o que causou estranhamento até entre os generais. E um tuíte sobre a decadência moral do carnaval incomodou até mesmo muitos de seus aliados mais próximos – na Bolsa de Nova York, muitos investidores buscaram informações, a sério, sobre o estado de saúde de Bolsonaro”, publicou o jornal de Frankfurt.

 

Bild.de: "Turistas gays são indesejados sob Bolsonaro” – sobre declaração homofóbica do presidente

27/04/2019

"O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou durante um café da manhã com a imprensa na quinta-feira que não quer que seu país se torne ‘um paraíso para turistas gays'. ‘Nós temos famílias', completou Bolsonaro. Interessante é a diferenciação que Bolsonaro também volta a ressaltar agora. Porque, claramente, o político de 64 anos parece não ter problema algum com o turismo sexual em si, contanto que ele se limite ao relacionamento heterossexual. ‘Se quiserem vir aqui fazer sexo com uma mulher, fiquem à vontade', disse Bolsonaro”, publicou o site do principal tabloide alemão.

 

Deutschlandfunk Kultur: "Destruidor ambiental Bolsonaro e o desmatamento na Amazônia” – sobre desmonte de políticas indigenistas

 

29/04/2019

"Os senhores originais das florestas, os povos indígenas, não podem esperar apoio do novo presidente. Bolsonaro tem repetidamente deixado claro que quer desenvolver e explorar a região amazônica. Ele quer criar estradas, suspender ou acabar com regras de proteção ambiental. Do ponto de vista de Bolsonaro, ainda há espaço suficiente na Amazônia para pastagens e plantações de soja. E ele anunciou que não concederá um palmo a mais de terra sequer para os povos indígenas”, informou a emissora alemã.

 

Frankurter Allgemeine Zeitung: "Pelos cidadãos de bem” – sobre ampliação de acesso a armas por Bolsonaro

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09/05/2019

"A simpatia de Bolsonaro pelas armas se manifestou agora num novo decreto: quem tem posse de arma de fogo poderá comprar agora até 5 mil cartuchos (...). Em 2017, houve 63.880 mortes violentas no Brasil. Em nenhum outro lugar do mundo tantas pessoas são mortas por armas de fogo como no Brasil. O país registrou também um aumento acentuado do número de mortos por policiais nos últimos meses. No governo Bolsonaro, não há sinais de uma atenuação da situação – pelo contrário. Na sociedade brasileira circula um chavão: bandido bom é bandido morto.”

 

Die Welt: "O presidente desafortunado” – sobre o derretimento da imagem do Brasil no exterior 

02/07/2019

"A imagem do presidente brasileiro Jair Bolsonaro no exterior é devastadora. [...] A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, juntou-se às fileiras dos críticos do presidente populista de direita. Bolsonaro respondeu com igual clareza e acusou os europeus de ‘psicose ambiental'. Apesar de tudo, Merkel quer fazer negócios com o potencial talhador de florestas”, publicou o jornal conservador de Berlim.

 

Der Tagesspiegel: "Presidente do Brasil demite guardião da Floresta Amazônica” – sobre conflitos com o Inpe

05/08/2019

"Ricardo Galvão é um dos cientistas mais renomados do Brasil. O físico chefiava o Inpe. Agora o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, exonerou Galvão, de 71 anos. A razão é simples: os dados divulgados pelo Inpe não agradam aos extremistas de direita. Eles mostram um aumento dramático no desmatamento ilegal na Amazônia durante seu mandato. O presidente Bolsonaro não quer admitir isso. Ele alega que os dados foram inflados para prejudicar a imagem do Brasil no mundo."

 

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "Bolsonaro depreza financiamento alemão”, sobre suspensão de verba alemã para projetos ambientais no Brasil

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12/08/2019

"Segundo o presidente Jair Bolsonaro, o Brasil não precisa do dinheiro da Alemanha para proteger a Floresta Amazônica. ‘Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso', afirmou Bolsonaro. Bolsonaro quer explorar mais economicamente a Região Amazônica, não demarcar mais áreas de proteção e permitir mais desflorestamento. Bolsonaro é cético das mudanças climáticas e aliado da indústria agrícola.”

 

Stern – "Brincando com fogo”, sobre a visão ambiental de Bolsonaro em meio às queimadas

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29/08/2019

"Se você quer saber como o homem realmente encara questões ambientais, basta ver seu histórico. Em janeiro de 2012, Bolsonaro foi flagrado pescando ilegalmente em uma reserva marinha na costa do Rio de Janeiro. Um funcionário do Ibama, José Morelli, lhe aplicou uma multa de 10 mil reais. Para Bolsonaro, então deputado federal, essa foi a ocasião para uma vendeta sem precedentes: Após sua eleição como presidente, ele passou a difamar o Ibama como uma mera "indústria de multas". No final de março, o servidor Morelli – a essa altura atuando como fiscal na Amazônia – foi exonerado do cargo”, escreveu a revista alemã.

 

Süddeutsche Zeitung: "Bolsonaro só entende a linguagem dura”, sobre a necessidade da comunidade internacional agir para conter queimadas

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01/09/2019

"Frequentemente o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, é comparado a Donald Trump. Isso é injusto porque, ao lado do brasileiro, o presidente americano parece um cavalheiro. Isso foi vivenciado nesta semana por Emmanuel Macron. Depois de ter criticado o fraco combate aos incêndios na Amazônia, o francês teve que aguentar insultos a sua mulher por parte de Bolsonaro nas redes sociais. Esse é um nível ao qual nem mesmo Trump desceu.

Não. O presidente do Brasil não é um Trump tropical. Ele pertence a uma categoria dos que glorificam a violência, como o presidente filipino, Rodrigo Duterte, ou de intransigentes autocratas, como o venezuelano Nicolás Maduro.”

 

Die Tageszeitung: "Até os joelhos nesta lama negra” – sobre a falta de ação do governo na crise ambiental no litoral do Nordeste

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22/10/2019

"Um vazamento de óleo se espalha na costa nordeste do país. No início de setembro apareceram as primeiras manchas negras. Atualmente mais de 160 praias em nove estados foram afetadas. Para o Brasil, a catástrofe ambiental ocorre no pior momento possível. Após os incêndios florestais na Amazônia e as críticas internacionais à política ambiental, o governo está abalado. Mais uma vez, ele não agiu rápido o suficiente. O presidente Jair Bolsonaro é acusado de falta de ação”, apontou o jornal berlinense.

 

Der Spiegel: "O mestre-demolidor” – sobre o derretimento da imagem do Brasil no exterior

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26/10/2019

"Faz um ano que Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial no Brasil. Desde janeiro ele desempenha as funções do cargo, e é raro um chefe de Estado que tenha danificado a imagem de uma nação de forma tão veloz e duradoura quanto ele. O Brasil, que por muito tempo foi um país emergente em ascensão, é hoje um obscuro Estado pária, em que fanáticos conservadores travam uma campanha de guerra contra um inimigo que só existe na própria imaginação”, descreveu a revista semanal alemã.

 

Tagesspiegel: "Sob suspeita” – sobre reação de Bolsonaro a reportagem que ligou sua família ao caso Marielle

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31/10/2019

"O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ficou furioso. Ele xingou os meios de comunicação, descrevendo a Globo, a maior empresa de mídia do país, como ‘imprensa porca, nojenta, canalha e imoral'.  Deve ter acontecido muita coisa para o presidente do Brasil se levantar pouco antes das 4h da manhã de sábado na Arábia Saudita para gravar um vídeo de 23 minutos. Bolsonaro negociou um acordo com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman no montante de 15 bilhões de dólares. Por tal, Bolsonaro esperava, aparentemente, elogios da mídia brasileira. Mas a TV Globo jogou uma bomba durante seu principal noticiário”, publicou o jornal de Berlim.

______________

[Transcrito da Deutsche Welle, a emissora internacional da Alemanha, que produz jornalismo em 30 idiomas]

03
Nov19

E se manchas de petróleo nas praias do Nordeste fossem um aviso dos deuses?

Talis Andrade

Resíduos de petróleo também podem ser um alerta da decadência política, social e humana que o país está enfrentando

02
Nov19

“Contaminação por óleo no Nordeste deixará sequelas no ecossistema marinho, na saúde e economia local”

Talis Andrade

Geocientista e biólogo explicam como os componentes químicos do óleo são capazes de matar espécies marinhas, impossibilitar pesca e turismo e causar graves doenças, como câncer, nos seres humanos

 

Jovem retira na terça-feira o óleo que atingiu praia de Itapuama, no litoral sul de Pernambuco.

Jovem retira na terça-feira o óleo que atingiu praia de Itapuama, no litoral sul de Pernambuco.TERESA MAIA

 

pesadelo ambiental que o Nordeste brasileiro vive provavelmente se estenderá pelos próximos anos. O petróleo derramado no oceano Atlântico atinge o litoral há quase 60 dias e tem potencial para danificar, em alguns casos de forma permanente, tanto o ecossistema marinho como a economia local e a saúde humana. É o que explicam, em entrevista ao EL PAÍS, o geógrafo e geocientista Tiago Marinho, doutorando da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e o biólogo André Maia.

Os especialistas consultados por El País acreditam que o Brasil já vive a maior tragédia ambiental de sua história. "O nível de contaminação química do petróleo é gritante, altíssima. Em águas isso se torna ainda pior, porque é conduzida para outros locais por causa das correntes marinhas. Essa é a maior preocupação", explica Marinho, que estuda a influência dos elementos no ecossistema e na vida do ser humano, além de ser ativista da ONG Greenpeace. "Vamos entrar agora numa fase de monitoramento dos ambientes costeiros, algo que demora de seis a nove meses de investigação. Ao menos durante esse tempo é recomendável evitar as áreas que tiveram contato com o óleo", alerta. Nesta quinta-feira, o Governo de Pernambuco anunciou que vai investigar, em conjunto com oceanógrafos da UFPE, a extensão do dano causado pela tragédia. Além dessa tarefa investigativa, há algo ainda mais urgente a ser feito: tentar evitar que o piche chegue a outros lugares, como o santuário de Abrolhos ou Fernando de Noronha, explica o geocientista.

O petróleo é um combustível fóssil que possui mais de 200 hidrocarbonetos. O benzeno, por ser cancerígeno, é considerado o mais tóxico de todos. Ainda que o piche que chega às praias seja retirado, esses componentes químicos continuam circulando pela corrente marítima sem que ninguém perceba a olho nu. "O cenário otimista é que algumas dessas áreas não tenha a presença do benzeno, mesmo as que tiveram algum contato com o óleo", explica Marinho. "O pessimista é a contaminação por benzeno. O ser humano não pode tomar banho se houver 0,7 mg por litro de água. A praia ficaria então imprópria para banho e para a pesca". Somente o processo investigação poderá definir o nível de contaminação de cada praia afetada. Assim, os danos ambientais no litoral no Nordeste ameaçam se estender para o turismo, a pesca e a culinária, pilares fundamentais da economia local. O desastre ambiental pode facilmente se tornar econômico e social.

Diante da lentidão das autoridades, milhares de pessoas vêm enfrentando o trabalho quase impossível de limpar as praias com as próprias mãos, muitas vezes sem qualquer tipo de proteção. Em Pernambuco, muitas delas tiveram que buscar clínicas e hospitais por causa de sintomas de intoxicação. "A curto prazo, essas toxinas causam dor de cabeça, náuseas, vômitos, dificuldade respiratória, dermatites e doenças de pele", explica o biólogo André Maia. O problema maior, porém, é que o benzeno é conhecido sobretudo por ser cancerígeno. "A longo prazo, essas pessoas podem ter problemas de origem respiratória, neurológica, circulatória e câncer. Essas pessoas deverão ser monitoradas pelo Governo pelos próximos 20 anos, para que se saiba os impactos do vazamento na saúde pública", opina.

O contato imediato com o óleo também faz com que espécies marinhas como corais, mariscos e peixes morram sufocados. “Pela quantidade de óleo que cai, é muito difícil salvar as estruturas que vivem nos corais. O que se percebe de morte na praia é uma pequena parte, uma proporção de 1 para 10”, explica Maia, que trabalha com a reabilitação e soltura de animais silvestres através de seu projeto, o Trilogiabio, e em parceria com órgãos ambientais e estaduais. “Isto é, se uma espécie morre no litoral, significa que 10 estão sofrendo ações piores em alto mar”, completa.

Outras espécies, mesmo que não morram, vão absorver o benzeno e outras toxinas liberadas na água. "Quando não morrem, seres como ostras, mariscos ou sururu, muito comuns em Pernambuco, filtram todo esse material, que vai se acumulando. Uma pessoa que se alimenta pode ter um problema de saúde sério associado a essa contaminação", explica Marinho. Maia complementa e explica como toda a cadeia alimentar pode acabar intoxicada: "Os animais que morrem intoxicados afundam em alto mar. Só que há outras espécies que se alimentam desses seres mortos. E aí esse produto começa a entrar na cadeia alimentar, realizando um processo que chamamos de biomagnificação [acúmulo progressivo de substâncias]", explica. E exemplifica: "Uma alga contaminada é comida por um peixe pequeno contaminado, que é comido por um peixe maior também contaminado, e assim sucessivamente. O final da cadeia é onde vai se acumular a maior quantidade de toxinas. E o final dela somos nós".

Leia mais: Como lidar com a contaminação

 

02
Nov19

Por que Bolsonaro não vai a Buenos Aires?

Talis Andrade

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247 (versão em português)

 

 

O presidente do Brasil anunciou que não irá à posse à posse do presidente e da vice presidente da Argentina, Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, que se realizará dia 10 de dezembro próximo. Tradicionalmente os presidentes dos dois países compareciam à posse de seus colegas, além de que a primeira visita ao exterior de cada um deles se dava ao país vizinho.
 

O anúncio do presidente do Brasil é feito depois de suas declarações em relação às eleições argentinas, suas expectativas de que os candidatos vencedores não triunfassem e, dado o resultado adverso para ele, de que os argentinos se teriam equivocado e que se arrependeriam. Declarações feitas desde um governo que perdeu pelo menos 2/3 do apoio eleitoral que o elegeu em eleições marcadas pela manipulação de robôs e fake news. Ele afirma, como se sua ausência causasse dano à cerimônia da posse ou como se sua ausência fosse notada e lamentada.

Ao contrário, imediatamente o ministro de relações exteriores do governo Macri rejeitou as palavras do presidente brasileiro, antes inclusive que o novo presidente eleito também o fizesse. Mas por que Bolsonaro decidiu não ir à posse do novo governo do principal parceiro econômico e político do Brasil?

Antes de tudo, porque ele pode imaginar o tipo de recepção que teria, caso comparecesse. Sua imagem externa é a mais rejeitada de todas as existentes no mundo atual, personificando o que de pior existe. Desde a responsabilidade pelos incêndios na Amazônia até a contaminação das praias do Nordeste brasileiro, sem que o governo, em nenhum dos casos, tenha se empenhado em combater as catástrofes ecológicas. Ao contrário, tratou de se valer dos desastres, seja para expulsar os povos indígenas ou para tentar culpar o governo da Venezuela pela contaminação de petróleo nas praias brasileiras.

Não bastasse isso, o presidente do Brasil se notabilizou pelas posições desqualificadoras dos defensores dos direitos humanos, dos direitos das mulheres, dos negros, dos LGBT, dos ecologistas, como se caracterizou pela política de expropriação dos direitos dos trabalhadores, dos recursos para políticas sociais, pela intensificação da privatização de recursos públicos. Da mesma forma que, na política internacional, participou ativamente da ações que tratam de isolar o governo da Venezuela.

O presidente brasileiro sabe que o novo governo argentino caminha na direção exatamente oposta à do seu governo. Fernandez já anunciou que a Argentina sairá do Grupo de Lima, constituído para agir contra o governo da Venezuela. Os novos governantes argentinos foram eleitos com a crítica radical do modelo econômico similar de Macri e de Bolsonaro e de seus desastrosos efeitos sociais, com a estagnação econômica e os índices recordes de desemprego nos seus países.

O atual presidente brasileiro se mostrou sumamente incomodado com a visita que Alberto Fernández fez ao Lula antes ainda da sua eleição como novo presidente da Argentina e as reiteradas menções ao Lula Livre. Ele sabe que as relações entre o Brasil e a Argentina nunca foram tão boas como desde que o Lula e o Nestor Kirchner estabeleceram os acordos que levaram ao período de maior fortalecimento dos processos de integração regional e de intercâmbio econômico entre os dois países.

O atual presidente do Brasil soube que ainda no dia em que a Câmara de Deputados votava o impeachment da Dilma, ela recebeu telefonema de Mauricio Macri expressando sua solidariedade a ela. Sabe como não foi com comodidade que Macri o recebeu na Casa Rosada e o ouviu fazer pronunciamentos que nem sequer a direita argentina tolera.

Se quiser, uma vez mais, adular o presidente do país ao qual ele beija a bandeira, se deu mal também, com a fraternal conversa telefônica que tiveram Trump e Alberto Fernández, com o presidente norte-americano não apenas oferecendo-se a ajudar na renegociação argentina com o FMI, como prevendo que o novo presidente terá um mandato excepcional. Dia 10 de dezembro o atual presidente do Brasil vai assistir por televisão a extraordinária festa do povo argentino.

Ele pode supor como seria recebido, se estivesse ali, como seria sua recepção em Buenos Aires, no meio daquela imensa festa popular, que consagra a derrota e o fracasso do seu amigo, Macri, e a vitória de Alberto Fernández e de Cristina. Imagina como sua figura, sua presença, seria o alvo concentrado do repúdio a tudo o que ele representa, assim como a exaltação do Lula Livre.

Por tudo isso, ele anunciou que não vai à posse, para a qual nem sequer foi convidado e seria um convidado mal visto, deslocado, fora do contexto, em uma festa que consagra exatamente o oposto do que ele e seu governo representam. 

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