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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

27
Mai19

Movimentos populares protestam contra truculência policial no Rio: PAREM DE NOS MATAR

Talis Andrade

texto e fotos Alcyr Cavalcanti

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Milhares de manifestantes se concentraram no Posto Oito em Ipanema na manhã desse domingo (26) para protestar contra a política de segurança que tem frequentemente desrespeitado os mais elementares direitos da cidadania. O recente episódio da morte do músico que voltava com sua família de uma festinha infantil e do catador de papel também alvejado quando tentava prestar socorro causou uma enorme comoção em toda sociedade.

 

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Foi na prática uma matança, pois pessoas inocentes foram alvejadas com oitenta e três tiros de uma quantidade excessiva de disparos.Foram metralhados por soldados ao que parece despreparados, que dispararam mais de duzentas vezes.
 
A política de segurança adotada pelo Estado sob as ordens do recém eleito governador Wilson Witzel que basicamente manda primeiro atirar para depois perguntar parece trazer uma volta de tempos sombrios à moda do "Velho Oeste" ao estilo dos filmes de bangue bangue, Em seus discursos o governador manda atirar de preferência  na "cabecinha"  e tem ordenado voos rasantes de helicópteros com atiradores que disparam tentando alvejar possíveis narcotraficantes  aterrorizando crianças em horário escolar e pessoas que saiam para o trabalho.
 

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A política de confronto que tem sido adotada não tem resolvido o problema da violência e tem ao contrário aumentado a violência dos narcotraficantes  causando em muitas vezes mortes de civis que nada tem a ver com isso. O resultado do número crescente de inocentes vitimados por ações desastradas é inadmissível e exige uma solução imediata com menos truculência e mais investigação para melhores resultados.

 

27
Mai19

Em dia de micareta fascista, negros gritam: PAREM DE NOS MATAR!

Talis Andrade

gilmar negro extra.jpg

 

 
 
Enquanto apoiadores de Jair Bolsonaro foram às ruas de várias cidades do País neste domingo, 26, defender pautas que atentam contra a democracia, como o fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, no Rio de Janeiro, milhares de pessoas protestaram contra a matança da população negra e moradora de periferias cariocas.
 

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O ato Parem de Nos Matar reuniu milhares de pessoas nas ruas de Ipanema e foi organizado por movimentos em defesa do povo negro, de mães de vítimas da violência policial e movimentos sociais. O ato protestou criticou a política de segurança pública adotada pelo governo de Wilson Witzel (PSC) que já resultou em 434 apenas no primeiro trimestre de 2019, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).
 
Entre as lideranças ouvidas pelo 247 está a coordenadora do Movimento Negro Unificado no Rio de Janeiro, Fátima Monteiro. Ela conta que sob o argumento da "guerra às drogas", as polícias do governo do Rio de Janeiro, comandado por Wilson Witzel estão cometendo um verdadeiro genocídio.
 
"Foi declarado um estado de guerra nas favelas. Nós mulheres negras vivemos 24 horas com medo que nossos filhos saiam na própria favela. Quando a polícia entra na favela, ela entra atirando indiscriminadamente", disse Monteiro. "O projeto de extermínio da população negra está em curso. E hoje mais do que nunca ele tem avançado", afirmou.
 
A manifestação também contou com apresentações artísticas de MC Leonardo, Filhas de Gandhi, de alunos da Biblioteca Parque, Slam da Poesia, Coletivo Favela Tem Voz, entre outros. Parlamentares também marcaram presença no atividade, como as deputadas federais Benedita da Silva (PT-RJ) e Jandira Feghali (PC do B), a deputada estadual Renata Souza (Psol-RJ) e o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP).
 
 

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Fonte: 247/ Tribuna da Imprensa
15
Mai18

Lutar para que haja vida digna para todos e não só para alguns à custa dos outros

Talis Andrade
A grandeza de um político se mede pela grandeza de sua causa. E a causa tem que ser produzir vida para todos a começar pelos que menos vida têm

Leonardo Boff: Encontro com Lula na prisão. Espiritualidade e política

 

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A longa espera para ver o amigo. A tentativa dos juizes Carolina Lebbos e Sergio Morro de humilhar Leonardo Boff e Lula 

 

No dia 7 de maio cumpriam-se 30 dias de prisão do ex-presidente Lula. Foi-lhe concedida pela primeira vez receber a visita de amigos. Tive a honra de ser o primeiro a encontrá-lo pela amizade de mais de 30 anos e pela comunhão de causa: a libertação dos emprobrecidos e para reforçar a dimensão espiritual da vida. Cumpri o preceito evangélico:”estava preso e me visitaste”.

Encontrei-o como o conhecemos fora da prisão: rosto, cabelo e barba, apenas levemente mais magro. Os que queriam vê-lo acabrunhado e deprimido devem se decepcionar. Está cheio de ânimo e de esperança. A cela é um amplo quarto, muito limpo, com armários embutidos, banheiro e chuveiro numa área fechada. A impressão é boa embora viva numa solitária, pois, à exceção dos advogados e dos filhos, só pode falar com o guarda de origem ucraina, gentil e atento, que se tornou um admirador de Lula.Traz-lhe as marmitas, ora mais mais quentes ora mais frias e café, sempre que solicita. Lula não aceita nenhum alimento que os filhos lhe que trazem, porque quer se alimentar como os demais presos, sem nenhum privilégio. Tem seu tempo de tomar sol. Mas ultimamente, enquanto o faz, aparecem drones sobre o espaço. Por precaução Lula logo vai embora, pois não se sabe qual seja o propósito destes drones, fotografá-lo ou, quem sabe, algo mais sinistro.

O importante foi a conversação de natureza espiritual na qual se misturavam observações políticas.. Lula é um homem religioso, mas da religiosidade popular para a qual Deus é uma evidência existencial. Encontei-o lendo um livro meu, “O Senhor é meu pastor”,(da Vozes) um comentário do famoso salmo 23 o mais lido dos salmos e também por outras religiões. Sentia-se fortificado e confirmado, pois a Bíblia geralmente critica os pastoes políticos e exalta aqueles que cuidam dos pobres, dos órfãos e das viúvas. Lula se sente nesta linha, com suas política sociais que beneficaram a tantos milhões. Não aceita a crítica de populista, dizendo: eu sou povo e vim do povo e oriento o mais que posso a política para ele.

Na cabeceira da cama há um crucifixo. Aproveita o tempo de reclusão estrita para refletir, meditar, rever tantas coisas de sua vida e aprofundar as convicções fundamentais que dão sentido a sua ação política, aquilo que sua mãe Lindu (que a sente como um anjo protetor e inspirador) sempre lhe repetia: sempre ser honesto e lutar e mais uma vez lutar. Vê nisso o sentido de sua vida pessoal e política: lutar para que haja vida digna para todos e não só para alguns à custa dos outros. A grandeza de um político se mede pela grandeza de sua causa, disse enfaticamente. E a causa tem que ser produzir vida para todos a começar pelos que menos vida têm. Em função disso não aceita derrotas definitivas. Nem quer cair de pé. O que não quer é cair. Mas manter-se fiel a seu propósito de base e fazer da política o grande instrumento para ordenar a vida em justiça e paz para todos, particularmente aos que vivem no inferno da fome e da miséria.

Esse sonho possui grandeza ética e espiritual inegável. É à luz destas convicções que se mantém tranquilo, pois diz e repete: vive desta verdade interior que possui força própria e vai se revelar um dia. “Só quero”, comentava, “que seja depois de minha morte, mas ainda em meu tempo de vida”. Indigna-se profundamente por causa das mentiras que divulgam contra ele e sobre elas montaram o processo do triplex. Pergunta-se, como podem as pessoas mentirem conscientemente e poderem dormir em paz? Faz um desafio ao juiz Sérgio Moro: “apresente-me uma única prova sequer, de que sou dono do triplex de Guarujá. Se aprensentar renunciarei à candidatura à presidência”. Recomendou-me que passasse esse recado à imprensa e aos que estão no acampamento:“Sou candidatíssimo. Quero levar avante o resgate dos pobres e fazer das política sociais em prol deles, políticas de Estado e que os custos que são investimentos entrem no orçamento da União. Irei radicalizar estas políticas para os pobres, junto com os pobres e dignificar nosso país”.

A meditação o fez entender que esta prisão possui um significado que transcende a ele, a mim e às disputas políticas. Deve ser o mesmo preço que Gandhi e Mandela pagaram com prisões e perseguições para alcançarem o que alcançaram. “Assim creio e espero”, dizia, “que é o que estou passando agora”.

Eu que entrei para anima-lo, saí animado. Espero que outros também se animem e gritem o “Lula livre” contra uma Justiça que não se mostra justa.

 

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