Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Ago18

Nos últimos anos, o maior negócio do meio jurídico foi a indústria da delação premiada na Lava Jato

Talis Andrade

industria_da_delacao_premiada moro.jpg

 

 

Pela primeira vez, o DCM e o Jornal GGN, duas das marcas mais conhecidas do jornalismo digital, vão participar juntos de um projeto de crowdfunding.

 

Nos últimos anos, o maior negócio do meio jurídico foi a indústria da delação premiada na Lava Jato.​

 

Advogados foram contratados por honorários milionários, de dezenas de milhões de dólares, para oferecer aos clientes o conforto de uma negociação confiável com procuradores e juiz da Lava Jato.

 

Ter a confiança do magistrado passou a ter um valor inestimável. Ao mesmo tempo, surgiram discrepâncias variadas entre as sentenças proferidas, algumas excessivamente duras, outras inexplicavelmente brandas.

 

Tudo isso ocorre no reino de Curitiba, território em que a justiça criminal é dominada há anos pelo grupo que conduziu a Lava Jato, juiz Sérgio Moro à frente.

 

Esse modelo ganha consistência no caso Banestado, em que não houve culpados.

 

As reportagens visarão levantar as origens dessa parceria, as razões de criminosos notórios, como Alberto Yousseff, sempre sair beneficiados, o caso da advogada Beatriz Catapretta e os negócios envolvendo Rosângela Moro e escritórios de advocacia de Curitiba, incluindo as relações entre ela e Marlus Arns, consolidadas no período em que ambos atuavam para a APAE do Paraná.

 

Um capítulo especial será dedicado ao aprofundamento das revelações do advogado Rodrigo Tacla Durán, que teria sido procurado pelo também advogado Carlos Zucolotto Júnior, amigo de Moro, com uma oferta de venda de facilidades na Lava Jato, com um acordo de delação premiada em condições mais favoráveis.

delação premiada fábrica.jpg

 

MATÉRIAS PUBLICADAS

 
  Jornal GGN - A Procuradoria do Rio de Janeiro começa a se aproximar do esquema da indústria da delação premiada, com os novos depoimentos de...
 
A descoberta foi da Operação Lava Jato do Rio de Janeiro, não a de Curitiba. O repórter, Ricardo Galhardo, que não faz parte dos grupos de policiais...
 
Breve apanhado de corrupção na Lava Jato: Indícios fortíssimos  Por Nilo Filho "Criar dificuldades para vender facilidades" 1. Ao apontar...
 
Na série sobre a delação premiada, do GGN e do DCM, foi detalhada a participação da Trafigura na corrupção da Petrobras. Uma das 50 maiores empresas...
 
Jornal GGN - O Diário do Centro do Mundo e o GGN lançam nesta terça (30), no Youtube, o documentário "A Indústria da Delação Premiada", que aborda...
 
Dentro do projeto que une o Jornal GGN e DCM, "A Indústria da Delação Premiada", Joaquim de Carvalho traz mais uma reportagem sobre os personagens de...
 
Dentro do projeto que une o Jornal GGN e DCM, "A Indústria da Delação Premiada", Joaquim de Carvalho traz mais uma grande reportagem diretamente de...
 
Dentro da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, um vídeo de Joaquim de Carvalho,...
 
Dentro da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, um vídeo de Joaquim de Carvalho, de...
 
Dentro da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, os principais documentos que...
 
Dentro da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, uma análise de Joaquim de Carvalho do...
 
Mais uma postagem da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM. Outras matérias da série...
 
A 11ª postagem da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM. Outras matérias da série podem...
 
Na décima postagem da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, João Santana e Mônica...
 
Na nona postagem da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, um aprofundamento nos...

 

Na oitava postagem da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, a dissecação das delações...
 
Na sétima postagem da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, um aperitivo do que será o...
 
Na sexta matéria da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, um passeio pela delação de...
 
Na quinta matéria da série sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, um mistério ainda não...
 
Na quarta matéria da séria sobre a indústria da delação premiada da Lava Jato, feita em conjunto pelo Jornal GGN e o DCM, destacamos os principais...
 
Esta é a terceira reportagem da série sobre a indústria da delação premiada na Lava Jato, feita em parceria entre o Jornal GGN e o DCM e financiada...
 
Esta reportagem é a segunda da série financiada através de um crowdfunding feito em parceria entre o Jornal GGN e o DCM Como a delação premiada está...
 
Esta reportagem é a primeira da série financiada através de um crowdfunding feito em parceria entre o Jornal GGN e o DCM. Outras virão. Obrigado pelo...

 

 

02
Jul18

Quanto mais crimes aparecem, mais solto e rico Alberto Youssef

Talis Andrade

paixao-youssef- charge de paixão.jpg

 

 


Livre na Operação Lava Jato – alívio que conseguiu por fazer delação premiada -, o emblemático Alberto Youssef, chefe da máfia libanesa, foi condenado pelo juiz Joaquim Pereira Alves, da 3.ª Vara Criminal de Maringá, por envolvimento em desvios na Prefeitura da cidade do interior do Paraná. Youssef pegou apenas 5 anos, 1 mês e 20 dias por ‘apropriar-se de bens ou rendas públicas, ou desviá-los em proveito próprio ou alheio’ (violação reiterada 25 vezes ao artigo 1º, inciso I, do Decreto Lei nº 201 de 1967). A condenação foi revelada pelo site Maringá Post.

 

Aconteceu na terra de mando da governadora Maria Aparecida Borghetti, do seu marido ministro de Michel Temer, o deputado federal Ricardo Barros, e da filha deputada estadual Maria Victoria Borghetti Barros, celebrada com um casamento ostentação.  

 

Veja que ousadia, ou gostinho de vingança, ou certeza de impunidade: Youssef assaltou a prefeitura da terra natal de Sergio Moro. 

 

Nesta ação, Youssef teve extinta a punibilidade pelo crime de associação criminosa.

 

Informam os jornalistas Julia Affonso e Ricardo Brandt: 

 

Antes de ser capturado pela Lava Jato, Youssef foi detido três vezes, envolvido em esquemas de desvios na administração estadual e municipal entre 2000 e 2003.

 

No ano seguinte, o doleiro foi capturado no primeiro grande escândalo de corrupção, como um dos operadores das contas CC5 (de não residentes), usadas para remessa ilegal de mais de R$ 30 bilhões ao exterior, na década de 1990, por meio do antigo Banco do Estado do Paraná, o Banestado.

 

Em 2005, ele fechou um dos primeiros acordos de colaboração da Justiça brasileira, como o Ministério Público Federal de Curitiba, homologado pelo, até então, desconhecido juiz Sérgio Moro. Dos sete anos que pegou, cumpriu 1 e meio.

 

Voltou às ruas e ao crime. Foi preso em 2014 pela Lava Jato e perdeu os benefícios da delação no caso Banestado. Seis meses depois, fechou novo acordo, desta vez com a força-tarefa da Lava Jato.

 

Neste processo, o Ministério Público do Paraná apontou desvios de R$ 15.425.175,17 na Prefeitura de Maringá entre 1993 e 1996, durante a segunda gestão do prefeito Said Felício Ferreira. As fraudes, segundo a Promotoria, eram feitas ‘por meio da emissão de cheques, sacados da conta corrente do município de Maringá, em nome da Caixa Econômica Federal’ em nomes de ‘laranjas’.

 

A denúncia foi recebida em 2 de abril de 2003. A sentença foi proferida em 31 de agosto deste ano e condenou também Olga Youssef, irmã do doleiro. Ela teria sido funcionária do doleiro, responsável por uma casa de câmbio em São Paulo, e recebido valores desviados.

 

Youssef disse à Justiça que tinha uma empresa de investimentos e sua renda mensal era de R$ 400 mil. O doleiro relatou que em 2003 fez um acordo com a Justiça de Maringá e fez vários depoimentos. Segundo Youssef, o então diretor de Contabilidade e Finanças da Prefeitura, Luis Antônio Paolicchi, repassava a ele pagamentos através de desvios feitos no Executivo de Maringá. Paolicchi morreu e foi excluído da ação penal.

 

“Confessa que o Paolicchi que era secretário da Fazenda de Maringá, quando ele fazia os desvios, ele lhe repassava os valores; que não sabia que o Paolicchi desviava os valores; que o Paolicchi era seu cliente, ele repassava os valores que ele desviava; que tomou conhecimento disso mais tarde”, narrou.

 

À Justiça de seu Estado natal, o doleiro afirmou que ‘quando fez o acordo com o Sérgio Moro, em 2003, acabou englobando um acordo geral, englobando municípios e governo do estado’. Youssef se referiu à delação no âmbito do caso Banestado.

 

Em alegações finais, Youssef ‘pleiteou’ a suspensão da ação penal, pelo prazo de 10 anos, ‘nos termos de colaboração premiada’, solicitou uma declaração judicial de que o doleiro já está cumprindo a pena, e de consequência a extinção da punibilidade e o reconhecimento da atenuante da confissão espontânea.

 

Na sentença, o juiz anotou que, ‘em delação premiada, Alberto Youssef mencionou ter sido movimentado cerca de R$ 245 milhões no período de um ano’.

 

“E, conforme demonstrado nos autos, Alberto Youssef utilizava de “laranjas” para efetuar as movimentações financeiras ilegais, sendo que dentre essas pessoas figurava até mesmo sua irmã, Olga Youssef. Insta registrar que, o acusado Alberto Youssef se aproveitou do fato de sua cunhada, a denunciada Cristina (falecida), que possuía retardo mental, para lhe repassar uma procuração com poderes para realizar movimentações bancárias”, afirmou o juiz.

 

Para o magistrado, ‘Alberto Youssef não mediu esforços e escrúpulos para disfarçar as movimentações financeiras ilícitas, envolvendo até mesmo familiares na ilegalidade, com a ajuda de Paolicchi e Said (ambos falecidos)’. 

 

Said Felício Ferreira, o prefeito corrupto, faleceu em 4 de julho de 2010. O advogado de Youssef, Antonio Figueiredo Basto, considerado o mais caro do Brasil. Conforme denúncias, Basto cobrava taxas de proteção de doleiros. 

 

28
Jun18

Segundo herói da Lava Jato denunciado por corrupção de 700 mil de vantagens indevidas. Outros estão na agulha

Talis Andrade

joesley marcello.jpg

 

 

A  Lava Jato se transformou em uma máquina de fazer dinheiro. Advogados estão ganhando milhões com delações mais do que premiadas. O advogado que mais negociou delações foi acusado de cobrar mesada de doleiros. Outro doleiro denunciou o sócio da banca de advocacia de Rosangela Moro de cobrar 5 milhões de dólares para dar um jeitinho em um processo que investiga a corrupção do governo Beto Richa, tucano de estimação da corriola de Curitiba.

 

A Justiça Federal do Distrito Federal aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o ex-procurador da República Marcello Miller e o empresário Joesley Batista.

 

Miller (vide link) é acusado receber oferta de vantagem indevida de R$ 700 mil para ajudar o J&F (grupo do qual a JBS faz parte) a obter informações para fechar acordo de delação premiada. Segundo a acusação, Joesley Batista e o ex-diretor jurídico da JBS Francisco de Assis e Silva ofereceram promessa de vantagem indevida a Miller e à advogada Esther Flesch "para que o primeiro, ainda que potencialmente, praticasse atos de ofícios em seu favor".

 

A advogada Esther Flesch e o ex-diretor também se tornaram réus.

 

O primeiro bandido herói denunciado foi o japonês da Federal, Newton Ishii, envolvido com contrabando e outros crimes.  Inclusive venda de informações secretas. 

 

Disse o exemplar policial, preso e solto, e perdoado, que togado e polícia possuem anistia antecipada para todos os crimes: A Lava Jato “diminuiu a cultura do país de achar que é melhor levar vantagem em tudo.” Piada do japa bonzinho

 

 

 

01
Jun18

O submundo de Paulo Preto: ameaças a testemunhas e fuga da filha para exterior

Talis Andrade

aroeira paulo preto solto.jpg

 

por Mauro Lopes

---

Paulo Preto voltou à prisão nesta quarta-feira (30), por algumas horas. Ficamos sabendo que a razão seria a de “descumprimento de decisão judicial”. A expressão, corrente em todas as mídias, escondeu da opinião pública o tenebroso submundo do operador do PSDB, que faz o “lado b” dos tucanos causar calafrios.

 

Segundo a decisão judicial, a volta do tucano à gaiola foi necessária para "assegurar a instrução criminal". Palavras neutras, que nada revelam. Você não deve saber, mas o motivo da volta de Paulo Preto voltou à cadeia deve-se ao fato de recorrentemente ameaças testemunhas que deporiam contra ele.

 

O operador do PSDB tem R$ 121 milhões de bons motivos na Suíça para ameaçar as testemunhas do processo contra ele.

 

Em audiência no dia 18 de maio, segundo o Ministério Público Federal, uma testemunha cujo nome está sob segredo para sua segurança pessoal estava chorando quando "fez contato telefônico" com o MP "com medo de vir à audiência, pois temia que algo lhe acontecesse e temia encontrar os réus". Não bastou ameaçar uma das testemunhas. Paulo Preto ameaçou a mãe de uma investigada no processo. Mulheres, todas as ameaçadas pelo “macho” Paulo Preto.

 

É este o padrão de comportamento do ex-homem de ouro de Serra, Alckmin e Aloysio Nunes no processo a que responde por desvios de R$ 7,7 milhões em reassentamentos para obras do Rodoanel Trecho Sul, entre os anos de 2009 e 2011 (nos governos José Serra e Geraldo Alckmin). O valor seria pagamento de propina para o PSDB.

paulo e curriola .jpg

 

 

Se Paulo Preto ameaça testemunhas por “irrisórios” R$ 7,7 milhões, o que não faria por R$ 121 milhões.

 

Bem, então você pode pensar, “nossa, mas é uma surpresa essa coisa de coação de testemunhas, é muito grave, ainda bem que a Justiça agiu rapidamente”.

 

Pois é.

 

Mas o assunto já era conhecido nos tribunais. Não é a primeira vez que Paulo Preto ameaça testemunhas com o conhecimento do Poder Judiciário. Foi exatamente por este motivo que ele foi levado à cadeia em 5 de abril.

 

Mas quem foi em seu socorro? Ele mesmo, Gilmar Mendes, indicado ao STF por Fernando Henrique Cardoso e um dos principais quadros do PSDB no país, amigo-irmão de José Serra. No dia 11 de maio, Gilmar mandou soltar Paulo Preto porque, viu falta de "comprovação" das ameaças a testemunhas. Menos de uma semana depois de solto, o operador tucano voltou às ameaças.

 

E ainda teve a cara de pau (ou o bico de tucano) de conceder uma entrevista que foi um show de cinismo e fanfarronices, tripudiando sobre a Justiça, graças à proteção oferecida por Gilmar e todo o esquema do PSDB. Na entrevista, garantiu que ficaria de bico calado, para alívio da nação emplumada.

 

Basta de Paulo Preto?

 

Não. Tem mais.

 

Paulo Preto foi recolhido ao xilindró nesta quarta na companhia da filha, Tatiana Arana Souza Cremonini. Durante sua primeira estada na cadeia, de pouco mais de um mês, o terror dos tucanos quanto à delação de seu operar devia-se à preocupação de Paulo Preto exatamente com a filha e seu receio de ela ser arrastada ao processo. Ele estava a ponto de delatar para manter Tatiana longe de toda a história sórdida quando foi salvo pelo gongo Gilmar. Agora, ela está no olho do furacão.

paulo-preto-tatiana-filha.jpg

FREGUÊS - Paulo Preto, com a filha Tatiana: salvo por Gilmar Mendes outra vez (Jefferson Coppola/ VEJA)

 

Filha de tucano tucaninha é. São dois os motivos para a prisão de Tatiana Cremonini, a filha: ela vinha agenciando advogados para testemunhas de acusação, para transformar o processo contra o pai numa farsa; e preparava-se para embarcar em viagem às Ilhas Maldivas, paraíso fiscal localizado no Oceano Índico. Detalhe: o paraíso fiscal não tem acordo de extradição com o Brasil. Pelo visto, a tucana preparava-se para levantar asas e não mais voltar –para um paraíso fiscal, onde costumam-se guardar (esconder) milhões e milhões de dólares de operações ilegais. Viagem curiosa essa.

 

Bem, se você leu que Paulo Preto foi preso por uma inocente expressão, “descumprimento de decisão judicial”, ficou sem saber de nada.

 

Mas a história não acabou... Quem tem Gilmar Mendes tem tudo. O tucano-mor é a garantia de que os emplumados jamais conhecerão o inferno na terra. Enquanto finalizo este soube que há uma hora atrás Mendes mandou soltar Paulo Preto de novo. Ele poderá continuar a ameaçar testemunhas sem qualquer constrangimento. Mendes preza a família e não esqueceu da filha; ela também foi solta. Tem mais: Gilmar suspendeu um interrogatório de Preto que estava marcado para a próxima segunda-feira.

 

O submundo tucano é feito de jogo pesado. Muito pesado.

 

_aliedo gilmar e sua caneta.jpg

 

 

31
Mai18

GILMAR CONTRIBUI COM SENSAÇÃO DE IMPUNIDADE, DIZ PROCURADORA

Talis Andrade

AUTO_thiagolucas2- presos solto gilmar habeas corp

 

 

247 - A procuradora Adriana Scordamaglia, do Ministério Público Federal em São Paulo, criticou a decisão do ministro Gilmar Mendes de mandar soltar novamente o operador do PSDB Paulo Preto, sua filha, Tatiana Arana de Souza, e o ex-diretor da Dersa Geraldo Casas Vilela; para a procuradora, que é integrante da Força Tarefa da Lava Jato em São Paulo, a decisão do ministro alimenta a sensação de impunidade. A fala depois da audiência de custódia da prisão de Paulo Preto, que recebeu a notícia de sua soltura antes mesmo de seu final da audiência de custódia; "Foi uma audiência sui generis, que foi atropelada ao seu final com uma liberdade concedida pela última instância", criticou

 

gilmar mende paulo preto.jpg

 

 

 

 

21
Mai18

Rei das delações é delatado ao MPF do Rio de Janeiro

Talis Andrade

FigueiredoBasto rei das delações.jpg

 Antonio Figueiredo Basto, rei das delações

 

 

Responsável por diversos acordos de colaboração premiada na operação Lava Jato, o advogado criminalista Antonio Figueiredo Basto foi apontado por dois delatores – os doleiros Vinícius Claret (o Juca Bala) e Claudio de Souza (conhecido como Tony ou Peter) de ter recebido mensalmente 50 mil dólares, entre 2006 e 2013 como “taxa de proteção” para livrá-los de supostas acusações de outros investigados ao Ministério Público e à Polícia Federal.

 

Figueiredo Basto atuou na defesa do doleiro Alberto Yousseff, negociou os acordos de Lúcio Bolonha Funaro – tido como principal operador do PMDB – do empreiteiro Ricardo Pessoa, do grupo UTC e de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras.

 

Em delação ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro, Vinícius Claret e Cláudio Souza relataram que entregavam dinheiro ao advogado curitibano e a um cúmplice. O esquema de proteção seria comandado pelo doleiro Dario Messer – intitulado por Alberto Youssef “como doleiro dos doleiros” no Brasil e acusado por coordenar um esquema que movimentou mais de 1,6 bilhão de dólares em 52 países.

 

Também apontaram que Enrico Vieira Machado começou a exigir o pagamento mensal de 50 mil dólares “a fim de possuir proteção da Polícia Federal e do Ministério Público”. Os valores eram entregues em endereços indicados por Enrico e seriam destinados a Figueiredo Basto e outro advogado que não teve seu nome revelado.

 

Cláudio Souza, revelou ainda que a “cobrança da taxa” motivou desentendimentos entre Enrico e Dario, que se recusava a pagar pela suposta proteção. Transcrito do Nocaute

 

Em dezembro de 2013, Enrico endereça carta ao uruguaio Oscar Algorta, do Estúdio Algorta (escritório de advocacia), informando que denunciou Dario as polícias do Brasil, Uruguai, Estados Unidos e Suiça. Carta que foi publicada pelo jornal O Globo, em janeiro de 2014. Ainda dizem que a justiça brasileira vem negociando a delação de Enrico. A delação está virando mesmo uma indústria. 

carta enrico.png

 

15
Mai18

O me engana que eu gosto do juiz Moro e do general Braga

Talis Andrade

Onde residem os ladrões do Brasil?

 

Sergio Moro, um juiz que imita Fernando Color na caça aos marajás, armado com a espada cega da justiça, procura os bruxos no Partido dos Trabalhadores, precisamente no Instituto Lula. Parece o general interventor de Temer, que faz o mesmo intinerário da polícia militar, a buscar os chefes do tráfico de drogas nas favelas dos miseráveis na ex-Cidade Maravilhosa, Capital do Samba, que virou Rock Rio. Quando a droga é transportada no helicoca do senador Perrella e morcegos negros da frota do assassinado PC Farias, que tem Alberto Youssef como sucessor.

 

O general do Exército Walter Souza Braga Netto, que lidera tropas em um regime capitalista, esquece o poder do dinheiro transportado pelos doleiros. Jamais quis ouvir Youssef. Assim como Moro jamais ameaçou os mil vezes milionários políticos do PSDB, Partido da Social Democracia Brasileira.

 

Que palhaçada! Como é possível prender um chefe do tráfico sem ouvir um doleiro? Para realizar a intervenção militar, o general Braga solicitou 4,1 bilhões de reais, o preço de duas hidroelétricas vendidas por Temer, um bilhão a mais do valor que FHC entregou a Vale aos piratas internacionais. 

 

Onde está o dinheiro? Onde residem os bandidos do assalto ao Banco do Estado do Paraná - BanEstado, dos leilões quermesses da Vale do Rio Doce, do Pré-Sal, das hidroelétricas, das estatais de energia, de telefone, de água, de gás, dos tráficos de moedas, de minérios, de ouro, de diamantes, de nióbio, de plantas medicinais, de madeira nobre, de drogas, de armas, de pessoas ...? 

 

Procurem nos endereços dos bilionários, nas ruas mais caras do mundo, nos resorts de luxo, nos paraísos fiscais. Esta semana a imprensa estrangeira revelou que em Fisher Island, a ilha encantada das grandes fortunas dos EUA, dez por cento dos moradores são brasileiros.

 

Fisher Island – Um oásis de primeira classe

 

Por Sandra Prieto

-fisher-island 1.jpg

 

Fisher-Island-2.jpg

 

Fisher Island é uma ilha que se localiza no extremo sul de Miami Beach, logo ao norte do Porto de Miami, e de acesso restrito a moradores, convidados e hóspedes. Nenhuma estrada ou ponte conecta a ilha ao resto da cidade, a única maneira de chegar à Fisher Island é por balsa ou barco. O passeio é tão bonito quanto o lugar. André Agassi, Oprah Winfrey e Julia Roberts estão entre as celebridades que tem casa na ilha.

fisher island drive.jpg

panorâmica.jpg

panoramica2.jpg

 

A ilha foi criada em 1905 por um projeto de dragagem e recuperação da orla de Miami Beach. A construção de Fisher Island começou em 1919, quando Carl G. Fisher, um construtor, comprou a propriedade.

Depois de anos de batalhas judiciais e mudanças de proprietários, o desenvolvimento da ilha foi finalmente iniciado na década de 1980, trazendo uma arquitetura inspirada nos casarões originais de estilo espanhol. Embora não seja mais uma ilha de uma única família, Fisher Island ainda permanece algo inacessível...

tennis-courts.jpg

 

... tão exclusivo quanto foi nos dias iniciais de sua existência, fornecendo um refúgio de muita tranquilidade. A ilha contém mansões, um hotel resort, vários edifícios residenciais, um observatório e uma marina privada.

ilha.jpg

 

vida mansa.jpg

 

 

 

 

14
Mai18

A Lava Jato longe de Fisher Island, o bairro mais rico dos EUA, onde 10% dos moradores são brasileiros

Talis Andrade

* Ilha de Miami Beach é o código postal norte-americano com maior renda per capita do país

 

*Justiça faz que não sabe da vida de luxo dos corruptos que venderam e compraram estatais

 

ilha.jpg

 

 

Fisher Island e Miami Beach (à direita). PALAZZO DEL SOL&DELLA LUNA

 

 

Fisher Island, uma ilha particular ao lado de Miami Beach que só pode ser acessada de balsa, é o código postal mais rico do país mais rico do mundo, os Estados Unidos. A renda média dos seus 1.300 residentes é de cerca de 2,5 milhões de dólares (cerca de 9 milhões de reais) por ano, de acordo com uma análise de dados fiscais nacional realizada pela publicação financeira Bloomberg. Os abastados moradores de Fisher Island, um enclave paradisíaco com sua própria praia de areia branca trazida das Bahamas, ganham em média meio milhão de dólares a mais do que o segundo código postal mais rico, a cidade de Atherton, epicentro de Silicon Valley e sede de grandes empesas tecnológicas como o Facebook. No local, convivem moradores de 37 nacionalidades, mais da metade norte-americanos e em segundo e terceiro lugar brasileiros (10%) e russos (7%).

 

hotel do clube de Fisher Island.jpg

Hotel do clube de Fisher Island. FISHER ISLAND CLUB

 

“Esta ilha já é uma marca que significa máximo luxo, como um iate ou um relógio. É o [relógio] Patek Philippe dos condomínios. Em qualquer lugar de nível do mundo você diz que mora em Fisher Island e não tem de dizer mais nada”, diz a agente imobiliária Dora Puig na cozinha de “puro mobiliário italiano”, que mostra em um apartamento à venda no último edifício construído, o Palazzo Del Sol. Um apartamento de 700 metros quadrados com vista para o mar e design minimalista –“com um toque de vida praiana”, qualifica– cujo preço inicial é de 19 milhões de dólares. Uma cobertura no mesmo edifício acaba de ser vendida por 32 milhões, o máximo que se pagou na ilha –embora o recorde certamente será superado em 2019 por outra do Palazzo Della Luna, um condomínio em construção, pelo qual pedirão 40. O recorde até hoje em Miami é de 60 milhões para uma cobertura duplex. Esta reportagem de PABLO DE LLANO, correspondente do jornal El País, em MIami, continua. Também para causar mais emoções patrióticas, foram alterados os títulos. Galeria de fotos aqui

lago.jpg

Um lago do campo de golfe da ilha. FISHER ISLAND CLUB

09
Mai18

Youssef soltinho da Silva. É uma esculhambação!

Talis Andrade

lava jato leva jeito .jpeg

 

 

A Lava Jato não acabou. Mas para Alberto Youssef, um dos responsáveis por tacar fogo no circo de Brasília, tudo isso parece coisa do passado remoto. Agora a vida segue tranquila.

 

O doleiro, que esteve na carceragem de Curitiba saiu para passar o Natal e o Ano Novo com a família, a esposa doleira, e a filha mais velha também doleira. Depois de delatar quem Moro quis, foi visto, sem medo, almoçando tranquilamente no Madero Prime, na Jaime Reis. Papeava com amigos, livre, leve e… solto.

 

Youssef foi condenado a 122 anos de cadeia. Mas com a delação, ficou menos de três preso. Na delação, Youssef negou que era rei. Disse para Moro: Dario Messer é o doleiro dos doleiros. 

 

Um dos maiores ladrões de todos os tempos, sucessor de PC Farias, chefe dos tráficos de drogas, de diamantes, que a Lava Jato não quis investigar, rei dos doleiros, velho conhecido de Sergio Moro de outros assaltos mais rendosos, Alberto Youssef está livre, leve e solto, vivendo no luxo e na luxúria. A amante de Youssef também é doleira. Registra o principal jornal do Paraná:

Youssef, soltinho da Silva, come com amigos no Madero. Veja que maneiro, este restaurante é de Curitiba, e Youssef deu para a polícia São Paulo como capital de moradia. 

 

AUTO_jarbas lava jato.jpg

Tem mais doleiro solto do que preso. O rei Youssef leva jeito que estudou direito  

08
Mai18

Moro e Youssef juntos no desvio de 134 bilhões de dólares para o exterior que beneficiaram os caixas 2 de Álvaro Dias, Lerner, Bornausen e Tv Globo

Talis Andrade

MORO E YOUSSEF: PERSONAGENS DE UMA LONGA HISTÓRIA 

sergio_moro121_banestado.jpg

 

por Paulo Muzell, no Sul21

 

Os dois são paranaenses, quarentões. Sérgio Moro de Maringá, Alberto Youssef de Londrina. O primeiro vem de uma família de classe média alta, filho de professor universitário, formou-se cedo em direito, fez pós-graduação, tornou-se juiz federal, estudou no exterior. O segundo, o Youssef não teve a mesma sorte. Filho de imigrantes libaneses pobres, aos nove anos já vendia pastéis nas ruas de Londrina. Muito esperto, ainda guri, pré-adolescente, já era um ativo sacoleiro. Precoce, antes de completar 18 anos já pilotava monoplanos o que lhe possibilitou uma mudança de escala, um considerável avanço nas suas atividades de contrabandista e doleiro. Com menos de trinta anos tornara-se um bem sucedido “homem de negócios”, dono de poderosa casa de câmbio, especialista em lavagem de dinheiro e remessa ilegal de dólares para o exterior. Em meados dos anos noventa operava em grande escala repassando recursos que “engordavam” o caixa 2 das campanhas de políticos importantes do Paraná e de Santa Catarina, dentre eles Álvaro Dias, Jayme Lerner e Jorge Bornhausen.

 

Alberto Youssef foi, também, figura central na transferência ilegal de bilhões de dólares oriundos de atividades criminosas e de recursos desviados na farra das privatizações do governo FHC.

 

Cr$ 500 bilhões desviados

mais 42 bilhões de prejuízo

com o leilão do BanEstado

 

 

 

Em novembro de 2015, o jornalista Henrique Berangê publicou na revista Carta Capital uma instigante matéria com o seguinte parágrafo inicial: “O juiz Sérgio Moro coordena uma operação que investiga sonegação de impostos, lavagem de dinheiro, evasão de divisas intermediadas por doleiros paranaenses. Foram indiciados 631 suspeitos e remetidos para o exterior 134 bilhões de dólares, cerca de 500 bilhões de reais.” Operação Lava Jato, 2014? Não, ele se referia ao escândalo do Banestado ocorrido no final dos anos 90. A privatização desse banco estatal comprado pelo Itaú segundo estimativas trouxe um prejuízo de no mínimo 42 bilhões de reais aos cofres públicos do país. Mas antes do banco ser vendido, sua agência em Nova York foi o porto seguro dos recursos bilionários para lá transferidos pelos fraudadores.

 

Moro lento complacente no

maior episódio de corrupção

da história da bandidagem 

 

Na segunda metade dos anos noventa através das contas CC5 o então presidente do Banco Central Gustavo Franco escancarou as portas para uma sangria de recursos que daqui migraram para engordar as polpudas reservas de empresários, políticos, grupos de mídia no exterior. Sem dúvida o maior episódio de corrupção da história do país.

 

Foi aberta uma CPI no Congresso, virou pizza; o Banco Central boicotou as investigações e a imprensa silenciou. Só a Globo enviou 1,6 bilhões de dólares, mais de 5 bilhões de reais. Além das grandes empreiteiras na lista dos fraudadores lá estavam também outros grupos da mídia: a editora Abril, o Correio Brasiliense, a TVA, o SBT, dentre outros. A justiça foi convenientemente lenta, os crimes prescreveram, só foram punidos alguns integrantes da “arraia miúda”. Ironias da história: a corporação Globo, futura “madrinha” de Moro cometeu os mesmos ilícitos que mais tarde seriam por ele denunciados na operação Lava Jato. Desta vez, porém, as diligências policiais e ações judiciais não foram arquivadas e Moro pôde posar de “campeão na luta contra a corrupção, herói nacional.” (Continua)

 

delatores premiados por moro.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D