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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

15
Jul22

Por que o machismo mata mais as negras

Talis Andrade

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Enquanto as taxas de homicídios entre as brancas diminuem, as de mulheres e meninas negras tiveram uma alta de 19,5% em dez anos; Djamila Ribeiro explica por que

 

O “Mapa da Violência 2015 – Homicídios de mulheres no Brasil” mostra um assustador incremento nas taxas de homicídios de mulheres negras. Nas periferias, a desconfiança da rede de proteção e da polícia é grande e muitas vezes dificulta o atendimento das mulheres em situação de violência, como mostra a reportagem “A fogueira está armada pra nós”. Para refletir sobre isso, a Pública entrevistou a feminista Djamila Ribeiro, mestre em Filosofia Política.Maioria das mulheres vítimas de homicídio no Brasil é negra | Partido dos  Trabalhadores

O Mapa da Violência de 2015 mostra que entre 2003 e 2013 as taxas de homicídio de brancas caíram de 3,6 para 3,2 por 100 mil – queda de 11,9% –, enquanto as taxas entre as mulheres e meninas negras cresceram de 4,5 para 5,4 por 100 mil, aumento de 19,5%. Com isso, a porcentagem de vítimas negras, que era de 22,9% em 2003, cresce para 66,7% em 2013. O que esses dados estão nos dizendo?

Os dados evidenciam que as políticas públicas de combate à violência contra a mulher não estão atingindo as mulheres negras, ou seja, não se está pensando na realidade dessas mulheres, que são maioria no Brasil, na hora de criar [essas políticas]. Isso aponta para o que as feministas negras vem dizendo há décadas: não se pode universalizar a categoria mulher, mulheres são diversas, e as mulheres negras, por conta do machismo e racismo, acabam ficando num lugar de maior vulnerabilidade social. Um outro problema é que o próprio movimento feminista parece ainda não ter entendido que as questões das mulheres negras não podem mais ser tratadas como apêndices, precisam ser centrais. É preciso romper com essa tentação de universalidade que exclui.

 

A rede de proteção está falhando mais com as mulheres negras?

É necessário racializar as políticas de gênero. A mulher negra vem sendo violentada desde o período colonial, estupros foram cometidos sob a égide da miscigenação. Criaram-se os estereótipos da mulher negra como a “boa de cama”, “quente”. Essas violências, que também são confinadores sociais, desumanizam essa mulher.

 

Você acha que as mulheres moradoras de periferias confiam na polícia e no Estado para fazer essa proteção? Pergunto isso porque essa é uma fala recorrente das meninas e mulheres com quem conversamos nos bairros pobres de São Paulo: de que o Estado e a polícia estão na periferia não para proteger, mas para incriminar. Como você enxerga esse cenário?

Sim, muitas mulheres negras periféricas não confiam na polícia e no sistema judiciário, até porque esse braço do Estado vem exterminando seus filhos, companheiros. Dos jovens de 15 a 29 anos que são assassinados no Brasil, 77% são negros. Mulheres periféricas convivem diariamente com essa realidade violenta. E o sistema judiciário, do modo como está posto, não é uma questão de justiça, e sim de poder. Muitas sequer tem condições de acessá-lo. Isso não quer dizer que as leis criadas, como a Maria da Penha e a do feminicídio, não são importantes. Isso quer dizer que esse sistema tem limites, acaba atingindo as mulheres que possuem privilégios sociais, haja vista que diminuiu em 10% o número de assassinatos de mulheres brancas.

 

E sobre a prevenção da violência contra a mulher? Acredita que a gente tem hoje políticas públicas de prevenção ou elas são mais voltadas à punição?

É preciso pensar em políticas de prevenção, a gente continuar lutando por uma educação não sexista nas escolas, o que pode, a longo prazo, promover uma transformação de mentalidade. Em alguns estados, há programas voltados para homens agressores, o que considero positivo.

 

Por que as mulheres continuam morrendo no Brasil?

As mulheres continuam morrendo no Brasil porque as violências muitas vezes são naturalizadas; muitas realidades, como a das mulheres negras, por exemplo, sequer foram nomeadas ou foram tardiamente. E não se resolve um problema que sequer é nomeado. E eram nomeados pelas mulheres negras, mas essas mulheres demoraram a ser vistas como sujeitos políticos. O machismo e o racismo estruturam todas as relações sociais, e é preciso existir um debate maduro em relação a isso. Tanto machismo como racismo são institucionais, e por isso ainda encontramos muita dificuldade para combatê-los. In Pública,15 de março de 2016

FALE SEM MEDO - Violência doméstica contra as mulheres negras cresce no país

26
Jun22

O efeito nocivo da pregação do auto-golpe de Bolsonaro para impor uma ditadura militar

Talis Andrade

 

O Tribunal Superior Eleitoral precisa realizar uma campanha nacional de crença na Democracia. Mostrar porquê as urnas são confiáveis. As campanhas são necessárias,  pela propaganda de descrédito do presidente Bolsonaro que pretende instalar uma ditadura militar, e pelo discurso da extrema direita nazi-fascista, que prega uma guerra civil, que todo golpe tem listas estaduais de presos políticos e listas de lideranças marcadas para morrer. 

 

Você confia na urna eletrônica? Veja a opinião dos eleitores do DF, segundo pesquisa Metrópoles/Ideia

 

Em Brasília, 46,6% acreditam na lisura do instrumento eletrônico. Outros 43,7% dos eleitores dizem não confiar no equipamento

 

 

Em meio às constantes dúvidas levantadas sobre a credibilidade das urnas eletrônicas, o brasiliense se divide na hora de dizer o que pensa a respeito da confiabilidade do equipamento. Segundo pesquisa exclusiva Metrópoles/Ideia, para 46,6% dos eleitores do Distrito Federal, o aparato é seguro. Outros 43,7% afirmaram não confiar no instrumento de voto popular.

Como a margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais para mais ou para menos, há empate técnico nas opiniões. Mesmo assim, os dados apontam que um em cada quatro brasilienses não confia na forma como são apurados os votos nas eleições.

Pesquisa Metrópoles/Ideia urnas eletrônicas no DF

 

Esse o resultado do discurso de ódio de Bolsonaro, que dia sim dia não faz uma ameaça golpista, afirmando que as urnas não são confiáveis, e comprando, com o orçamento secreto, o Congresso, o centrão, e oferecendo aos militares armas e uma vida boa e fácil com filé, picanha, salmão, vinhos, licores, Viagra, próteses penianas de 25 cm e lubrificante íntimo, enquanto a população civil passa fome, são 33 milhões com fome. 

 

QUEM TEM MEDO DO VOTO DO POVO?

CAMPANHA CONTRA O VOTO E A DEMOCRACIA

 
04
Nov21

O que é racismo estrutural?

Talis Andrade

calos latuff consciencia negra.jpg

 

 

Entenda o termo e como combater o problema na prática

27
Nov20

Morte de João Alberto relança debate sobre racismo no Brasil, segundo Libération

Talis Andrade

 

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RFI - A morte brutal de João Alberto Silveira Freitas no Brasil continua repercutindo na imprensa francesa. O jornal Libération publica nesta segunda-feira (23) uma matéria sobre a onda de revolta provocada pelo assassinato do homem negro, espancado por dois seguranças de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre, na última quinta-feira (19). O caso relançou o debate sobre o racismo no Brasil, diz o jornal progressista.

O Brasil “tem agora seu George Floyd" diz o texto assinado pela correspondente do Libération em São Paulo, Chantal Rayes, que ressalta que os negros são as principais vítimas da violência policial e de homicídios no país.

A reportagem lembra todos os detalhes do assassinato e das investigações que estão em andamento. A cena foi filmada e "as imagens são insuportáveis", garante a jornalista.

Segundo a filosofa Djamila Ribeiro, entrevistada pelo diário, o país "julga natural" a violência cotidiana contra negros e mestiços. Por isso, o fato da morte de Joao Alberto ter sido estampada na primeira página dos jornais brasileiros é excepcional.

Os protestos provocados pela morte de George Floyd nos Estados Unidos influenciaram e reposicionaram o debate sobre o racismo no Brasil, estima a ombudsman da Folha de São Paulo, Flávia Lima, citada por Libération.

 

Onda de indignação atravessou fronteiras

Além das manifestações que ganharam as ruas das principais cidades do país, aos gritos de “Carrefour assassino” ou “Carrefour racista”, a indignação ultrapassou as fronteiras do Brasil. O movimento americano Black Lives Matter reagiu e pediu no Twitter o boicote internacional da marca francesa. "Mais uma vida negra perdida" se insurgiu, "devastado", o campeão de Fórmula 1 Lewis Hamilton.

O Carrefour também reagiu falando em "tragédia incalculável" e prometendo combater o "racismo estrutural". O presidente do grupo francês, Alexandre Bompard, fez até um tuíte em português pedindo uma "revisão completa da formação dos agentes de segurança" do grupo. Libération explica essa iniciativa indicando que o caso João Alberto não é isolado. Há vários precedentes de violência contra clientes negros nas unidades do Carrefour no Brasil.

Já na cúpula do Estado brasileiro, reina a negação. Depois de Hamilton Mourão afirmar, “sério”, que "não existe racismo no Brasil", Bolsonaro, que “quase nunca concorda com seu vice-presidente”, aquiesceu.

Eleições municipais

No entanto, "não vemos homens brancos espancados até a morte", contesta o ativista e universitário Thiago Amparo nas páginas do diário. Os dados são eloquentes, 75% das vítimas de mortes violentas no país são negras ou mestiças enquanto essa população representa "apenas" 56% dos brasileiros.

Resta saber se a onda de indignação criada pelo assassinato de João Alberto terá um impacto nas urnas e garantirá a vitória da esquerda no segundo turno das eleições municipais, no domingo 29 de novembro, questiona o Libération.

- - -

Nota deste correspondente: A candidata Manuela D'Ávila foi injusta, desonestamente acusada pela extrema direita, como responsável pelos protestos expontâneos em várias capitais do Brasil contra a política racista do Carrefour. 

Veja as lidas de extrema baixaria aqui e aqui , para melar a campanha contra o abandono de Porto Alegre, cidade que depois do dia das eleições entrará em isolamento, sem hospitais para os novos casos de coronavírus. São milhares de contaminados nas populações das periferias. É a cidade do não tem. O pobre não tem acesso ao teste. Não tem acesso a um leito. Não tem acesso à entubação.

Sempre sobra para o povo. Em 2021, não terá vacinação em massa. Leia aqui

 

Manuela 65 on Twitter: "Temos compromisso com a construção de uma cidade  antirracista! #AgoraÉManuela65 #vira65… "

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