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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

09
Jun22

Civilização ou barbárie? Quem decide é você

Talis Andrade

barbarie vaccari.jpg

 

por Fátima Cleide

- - -

As eleições deste ano não serão fáceis. Elas se darão em um ambiente claramente plebiscitário, em que o eleitorado brasileiro terá o grande desafio de escolher entre a civilização e a barbárie. À primeira vista, dirão alguns que não há dúvidas, que escolheremos a civilização, porque, sendo o Brasil um país majoritariamente religioso, a barbárie não deve encontrar amparo.

Enganam-se os que assim pensam. Somos um país que prima pela democracia. Mas, neste momento, estamos às portas da institucionalização da barbárie. Está no comando central do Poder um projeto político ultraconservador, autoritário, neoliberal, violento e misógino; um projeto que a cada dia desmantela as políticas públicas de inclusão social, privatiza o Estado, faz apologia à violência, desrespeita as pessoas e não tem o mínimo de empatia com a dor do outro – vide o que estamos vivenciando com a Pandemia da Covid-19, que já ceifou a vida de mais de 666 mil vítimas.

Este projeto excludente, preconceituoso e discriminador já existia e as pessoas minimamente informadas sabiam de sua existência. Durante 27 anos, foi representado no Parlamento brasileiro, por uma única pessoa, aquela que desde 2019 ocupa o principal espaço de poder do país.

Durante quase três décadas, sua voz vagava praticamente sozinha nos corredores do Congresso Nacional.

Não são poucas suas falas polêmicas, feitas em entrevistas de rádio e televisão, em programas de TV e em eventos; todas elas, contra mulheres, gays, pessoas pretas, pobres e obesas e a favor da volta do regime militar.

Uma de suas falas de ataque às mulheres é ilustrativa de como se comportava o então deputado federal, agora, presidente da República.

Todos devem se lembrar dos seus xingamentos dirigidos à deputada federal Maria do Rosário (PT/RS) e, pasmem, em discursos proferidos na tribuna da Câmara dos Deputados, em trecho aqui reproduzido: “Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador, no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui pra ouvir”.

Na época, o então parlamentar explicou sua falta de compostura assim: “Ela não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar porque não merece”.

Felizmente, para o meu alento, este projeto do mal que tenta institucionalizar a violência, que está aumentando a fome e a miséria e não esconde seu desprezo às pessoas pretas, pobres, periféricas e não binárias, demonstram todas as pesquisas de opinião, não representa o anseio do conjunto da população brasileira.

Para quem defende a democracia, os direitos humanos e o respeito às pessoas com suas diversidades – de crença, raça/etnia, classe social e orientação sexual -, este pensamento não pode continuar em espaços de poder e de decisão, principalmente, na Presidência da República.

Outro mundo é possível, outro projeto nacional também. É para construir outro mundo e outro projeto e para garantir a civilização que nós, pessoas políticas do campo progressista de Rondônia estamos juntos construindo uma alternativa para apresentar à sociedade de Rondônia, através da Frente Democrática em defesa do resgate da Democracia e da soberania nacional.

O Partido dos Trabalhadores em Rondônia em seu Encontro Estadual, tomou a meu juízo, acertada decisão de continuar construindo e fortalecendo a Frente, afinal, o povo já não aguenta mais conviver com os ditames fascistas no Estado e no Brasil. É nossa responsabilidade ter juízo e disposição de construção para alcançar o objetivo de mudanças que se tornam imperiosas para a vida do povo nesta conjuntura.

Para nós, as eleições de outubro serão decisivas para que tenhamos possibilidade de reconstruir o Brasil e o Estado em patamares democráticos, justos e igualitários.

Eu, juntamente com outras mulheres de luta aceitamos o desafio de participarmos deste processo eleitoral plebiscitário, para, lutando do lado certo da história, defendermos a eleição de Lula que representa para nós, mulheres de luta, a única chance de vencermos o nazifacismo imposto na cultura machista que ceifa vidas de mulheres através da violência e do feminicídio todos os dias.

Para contribuirmos com a construção de um mundo melhor para todas as pessoas, e para ampliar a participação de mais mulheres na política apresentaremos ao eleitorado de Rondônia uma nominata com 2 mulheres concorrendo à Câmara Federal e 5 concorrendo à Assembleia Legislativa, além de homens que também são comprometidos com a construção de uma sociedade de paz e justiça social.

O voto é o instrumento mais democrático que temos para fazermos valer nossa opinião sobre o mundo que desejamos deixar para as próximas gerações, com cidadania, igualdade, diversidade e justiça. Isso é civilização. Quem vai optar por ela é você, eleitor e eleitora.

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08
Jun22

Vozes da diversidade ecoam no jornalismo feito sobre, para e a partir das periferias e favelas brasileiras

Talis Andrade

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Tendo alcançando certa sustentabilidade financeira, parte deste jornalismo insere no mercado de trabalho grupos que historicamente encontram barreiras discriminatórias para acessá-lo. Imagem: acrítica

 

Juliana Freire Bezerra /Objethos

- - -

O Dia da Imprensa aconteceu na última quarta-feira (01/06). Em alusão à essa data comemorativa, o relatório Diversidade, Equidade e Inclusão: “devemos passar do discurso à ação” foi lançado pelo observatório de informação Media Talks. O documento é formado por um conjunto de artigos e entrevistas que discutem práticas concretas de incentivo à diversidade na mídia e como elas podem ser melhoradas, bem como as consequências da falta de pluralidade de visões e opiniões na indústria da comunicação. Especialistas e jornalistas de várias partes do mundo, incluindo o Brasil, foram ouvidos quanto a essa questão.

A jornalista brasileira radicada em Londres e uma das organizadoras do Relatório, Luciana Gurgel (2022, s/p.), explica que a diversidade não é “uma causa que interessa apenas a profissionais de imprensa em busca de oportunidades iguais às de colegas que não fazem parte de grupos minoritários ou historicamente marginalizados na profissão”. Embora esta por si só já seja uma grande questão, a discussão sobre a diversidade compreende também que a qualidade e a pluralidade das informações jornalísticas podem ser maiores ou menores, a depender de quem esteja ocupando os cargos de repórter, fotógrafo, editor, chefia (GURGEL, 2022).

É que, segundo os parâmetros internacionais aprovados pela Unesco em 2005, ações concretas de diversidade na mídia buscam representar a heterogeneidade humana, contidas no pensamento, na cultura, na fala de grupos sociais historicamente silenciados, como as mulheres, pessoas negras, pessoas com deficiência, imigrantes, maiores de cinquenta anos, LGBTQIA+ (GURGEL, 2022). No caso específico do jornalismo, ela pode incidir nas escolhas de outras pautas investigadas, fontes consultadas, formas de apuração, bem como em novas estratégias de apresentação e socialização de informações, que sejam próximas e condizentes com as realidades vivenciadas por aquelas populações.

Embora seja um valioso instrumento nesta direção, uma sólida formação sobre as contradições sociais, em que sejam desenvolvidas também a empatia e a escuta atenta, não pode ser o único caminho percorrido pelo jornalismo para a visibilização de vozes e saberes pouco escutados. Esta questão levantada pelo professor e pesquisador da Universidade Carlos III de Madri, Luis Albornoz, em uma das entrevistas contidas no Relatório do Media Talks, lembra-nos que a diversidade abarca uma discussão já antiga em torno do direito das cidadãs e dos cidadãos de não apenas serem informadas (os), mas também de poderem comunicar suas versões da História. Se nas décadas de 1970 e 1980, a tônica deste debate se dava em torno da democratização dos meios de comunicação social (RAMOS, 2005), hoje compreende também a democratização do acesso aos cargos de decisão de grande parte da mídia, que continua preponderantemente concentrada nas mãos de poucos, em geral de homens brancos da elite econômica.

No contexto brasileiro, o assunto tem repercutido na imprensa tradicional – após pressões sociais -, mas ainda de forma tímida. Concretiza-se nos poucos casos de contratação de profissionais negros nas redações, na inserção de algumas mulheres entre vários homens em uma equipe de decisão do jornal, na busca por ouvir de vez em quando fontes especialistas que comumente não eram consultadas no noticiário televisivo, nos espaços e tempos conferidos a falas mais plurais.

Não por acaso, é justamente na práxis dos jornalismos desvinculados da imprensa tradicional e gestados por uma equipe dirigente com outro perfil, que as possibilidades de associar Direito ao Trabalho e Direito à Comunicação, tão caros à temática da diversidade, acontecem de forma mais robusta no país.  Em especial, destaca-se no Brasil o trabalho desenvolvido pelo jornalismo profissional feito sobre, para e a partir das periferias e favelas brasileiras. Tendo alcançando certa sustentabilidade financeira para remunerar seus profissionais e assumindo como critério fundamental a contratação de pessoas provenientes das periferias e favelas brasileiras, parte deste jornalismo insere no mercado de trabalho grupos que historicamente encontram barreiras discriminatórias para acessá-lo. Fortalecem este movimento em torno da diversidade nas redações as iniciativas jornalísticas Voz das Comunidades, Nós, mulheres da Periferia, Desenrola e não me enrola, Periferia em Movimento, Favela em PautaAlma Preta, Amazonia Real, Agência Mural.

Das mãos e das mentes dos (as) Sujeitos (as) Periféricos (as) e Favelados (as) (pessoas negras, indígenas, brancas, jovens e experientes, femininas e masculinas), que dirigem, coordenam e produzem esse jornalismo, nascem histórias pouco contadas sobre as periferias e favelas brasileiras. Com o olhar apurado e sensível de um (a) morador (a) favelado (a) e/ou periférico (a), os (as) jornalistas destas iniciativas revelam que aquelas realidades não se resumem à violência, à pobreza e ao tráfico de drogas como historicamente foram retratadas. Visibilizando pautas, personagens, fontes, que até então eram desconhecidas publicamente, geram conhecimentos plurais sobre os diversos Brasis existentes no nosso país e mostram que a cultura periférica e favelada é pura potência, dinâmica em termos econômicos, intelectuais, políticos, artísticos. Faz parte do compromisso histórico deste jornalismo também denunciar a ausência e os desmandos do Estado nestas realidades. Complexificando e por muitas vezes corrigindo a imprensa comercial, por conhecerem intimamente as realidades sociais a que se reportam, iniciativas com esse perfil se aproximam dos preceitos e princípios estabelecidos pelo Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, como a defesa dos Direitos Humanos. Ciente da relação entre a diversidade da força produtiva e a qualidade dos produtos jornalísticos, a Agência Mural de Jornalismo das Periferias, em São Paulo, disponibiliza em seu site uma declaração sobre essa questão.

“Nossa rede de correspondentes comunitários é formada por dezenas de comunicadores que moram ou cresceram em bairros de 36 distritos e em 17 cidades da região metropolitana de São Paulo. Temos entre 18 e 60 anos e somos de diferentes credos e religiões, etnias e raças, gênero e orientação sexual, além de possuirmos formação em várias áreas — jornalismo, publicidade, secretariado, economia, entre outros. Como uma agência de jornalismo, a diversidade em nossa redação colabora para que a nossa apuração e produção jornalística considerem, respeitem e promovam a pluralidade de visões de mundo que constrói a identidade das periferias paulistanas. Como moradores de lugares onde os índices de desenvolvimento humanos (IDH) são baixos, buscamos expor realidades além das violências sofridas — habitualmente exploradas na imprensa tradicional — e contar histórias a partir de perspectivas que não são consideradas oficiais: a dos cidadãos (residentes nas localidades onde o correspondente também mora)”

Redações diversas como essa, com cargos de decisões ocupados por pessoas que historicamente estiveram fora deles por motivações racistas, homofóbicas ou de discriminação de gênero, classe e/ou território, têm, portanto, a potencialidade de gerar cumulativamente versões múltiplas, e não únicas, sobre o que ocorre no mundo. E embora seja válido o argumento de que não há como garantir no plano individual que, ao ocupar um cargo de poder, alguém detentor de uma característica específica – seja quem for – irá caminhar no sentido do aprofundamento democrático, é certo que, coletivamente, as chances de redações diversas e inclusivas contribuírem na prática para o avanço do aprendizado social acerca das lutas por cidadania são altíssimas. O jornalismo feito sobre, para e a partir das periferias e favelas brasileiras tem escancarado isto e ao que parece a imprensa tradicional brasileira tem muito a aprender com ele.

30
Mai20

Somos signatários do Estamos Juntos. Você pode integrar essa frente ampla

Talis Andrade

 

 

por Reinaldo Azevedo
 

Caras e caros,

Sou signatário do manifesto "Estamos Juntos", cuja íntegra segue abaixo.

Trata-se de um texto em defesa de valores que não são relativos nem têm outro lado: democracia, estado de direito, tolerância, diversidade e civilidade.

Como somos muitos, é certo que temos divergências. Mas tudo o que nos divide fortalece os fundamentos de uma sociedade aberta e plural.

Esses valores estão hoje sob constante ataque. Não precisa haver golpe de estado para que se dê a corrosão da democracia.

Leia o manifesto. Se você está junto e comunga desse entendimento, pode ser signatário do texto clicando aqui. O site apresentava instabilidade ao longo do dia. 

MANIFESTO ESTAMOS JUNTOS 

Somos cidadãs, cidadãos, empresas, organizações e instituições brasileiras e fazemos parte da maioria que defende a vida, a liberdade e a democracia.

Somos a maioria e exigimos que nossos representantes e lideranças políticas exerçam com afinco e dignidade seu papel diante da devastadora crise sanitária, política e econômica que atravessa o país.

Somos a maioria de brasileiras e brasileiros que apoia a independência dos poderes da República e clamamos que lideranças partidárias, prefeitos, governadores, vereadores, deputados, senadores, procuradores e juízes assumam a responsabilidade de unir a pátria e resgatar nossa identidade como nação. 

Somos mais de dois terços da população do Brasil e invocamos que partidos, seus líderes e candidatos agora deixem de lado projetos individuais de poder em favor de um projeto comum de país.

Somos muitos, estamos juntos, e formamos uma frente ampla e diversa, suprapartidária, que valoriza a política e trabalha para que a sociedade responda de maneira mais madura, consciente e eficaz aos crimes e desmandos de qualquer governo.

Como aconteceu no movimento Diretas Já, é hora de deixar de lado velhas disputas em busca do bem comum. Esquerda, centro e direita unidos para defender a lei, a ordem, a política, a ética, as famílias, o voto, a ciência, a verdade, o respeito e a valorização da diversidade, a liberdade de imprensa, a importância da arte, a preservação do meio ambiente e a responsabilidade na economia. Defendemos uma administração pública reverente à Constituição, audaz no combate à corrupção e à desigualdade, verdadeiramente comprometida com a educação, a segurança e a saúde da população.

Defendemos um país mais desenvolvido, mais feliz e mais justo. Temos ideias e opiniões diferentes, mas comungamos dos mesmos princípios éticos e democráticos. Queremos combater o ódio e a apatia com afeto, informação, união e esperança.

Vamos #JUNTOS sonhar e fazer um Brasil que nos traga de volta a alegria e o orgulho de ser brasileiro.

 

13
Mai18

Abolição da escravidão em 1888 foi votada pela elite evitando a reforma agrária

Talis Andrade

Amanda Rossi
Da BBC 

escravos plantação café.jpg

Escravos trabalham em uma plantação de café no Brasil

 

Em 13 de maio de 1888, há 130 anos, o Senado do Império do Brasil aprovava uma das leis mais importantes da história brasileira, a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão. Não era apenas a liberdade que estava em jogo, diz o historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores pesquisadores da escravidão no Brasil. Outro tema na mesa era a reforma agrária.


O debate sobre a repartição das terras nacionais havia sido proposto pelo abolicionista André Rebouças, engenheiro negro de grande prestígio. Sua ideia era criar um imposto sobre fazendas improdutivas e distribuir as terras para ex-escravos. O político Joaquim Nabuco, também abolicionista, apoiou a ideia. Já fazendeiros, republicanos e mesmo abolicionistas mais moderados ficaram em polvorosa.

 

"A maior parte do movimento republicano fechou com os latifundiários para não mexer na propriedade rural", diz Alencastro. Foi aí que veio a aprovação da Lei Áurea, sem nenhuma compensação ou alternativa para os libertos se inserirem no novo Brasil livre. "No final, a ideia de reforma agrária capotou".


Nesta entrevista para a BBC Brasil, o historiador fala ainda sobre a origem da violência do Estado atual contra os negros, afirma que a escravidão saiu da pauta e passou a ser vista como um passado distante, apesar de não ter acabado há tanto tempo assim, e critica o uso da palavra "diversidade" para se referir aos negros. "Falar de diversidade é considerar que os negros são uma minoria, como nos Estados Unidos. Mas no Brasil eles são a maioria. É muito mais que diversidade, é democracia".


Alencastro é hoje professor da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. É também professor emérito da universidade de Paris Sorbonne, onde lecionou por 14 anos, e autor do livro "O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul". Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

 

BBC Brasil - Como entender que o Brasil tenha sido o último país a abolir a escravidão nas Américas?

Luiz Felipe de Alencastro - O Brasil foi o último porque foi o que mais importou africanos - 46% de todos que foram trazidos coercitivamente para as Américas. Esse volume assombroso de africanos que chegou aqui acorrentado era considerado como uma propriedade privada. Isso cria uma dinâmica em que a propriedade escrava era muito importante. Muita gente tinha escravos. Nas cidades havia gente remediada que tinha um ou dois escravos. Os estudos mostram que a propriedade escrava no Brasil era muito mais difundida que na Jamaica ou no Sul dos Estados Unidos. Assim, muita gente, e não só os fazendeiros, achava que o país ia se arruinar se parasse de trazer africanos. Quase tudo dependia do trabalho escravo e da chegada dos africanos.


O Haiti é um caso limite, porque é primeiro país americano que chega à independência, com uma revolução feita pelos escravos (iniciada em 1791). É a única insurreição de escravos que chega ao poder no mundo. Já nos outros países em volta do Brasil, a escravidão não era importante. E era importante no Sul dos Estados Unidos.


BBC Brasil - Qual a diferença do processo de abolição no Brasil e nos Estados Unidos, em 1863?
Alencastro - No Brasil, a escravidão não era como nos Estados Unidos. Lá, a escravidão era regional, no Sul. No restante do país, havia uma economia agrícola independente e movimentos abolicionistas. Já no Brasil a escravidão era nacional, no país inteiro, e não havia um setor camponês independente. Por isso, o abolicionismo não tinha como crescer em regiões circunvizinhas às zonas escravistas. Como foi nos Estados Unidos? O norte do país, não escravista, elegeu Abraham Lincoln, do partido republicano, e que era contrário à expansão do escravismo nos novos territórios dos EUA e buscava uma solução negociada para extingui-lo nos estados onde ele existia. Isso causou a ruptura dos estados sulistas com a União. Ocorreu então uma guerra civil para acabar com a escravidão, uma guerra sangrenta, que traumatiza até hoje o país. Aqui não existia nenhuma parte do território em que a escravidão fosse ilegal. Então, mesmo que houvesse 60 escravos no Amazonas na mão de alguns senhores, esse grupo fechava com o partido escravocrata no Parlamento. Havia uma espécie de união nacional em torno do tráfico negreiro e da escravidão. Leia mais 

 

família escrava estados unidos.jpg

Fotografia de família escrava nos Estados Unidos, data desconhecida

28
Nov17

Racista jornal O Globo chama noivado de branco com filha de negra de diversidade

Talis Andrade

O racista jornal O Globo dos irmãos Marinho escandalizado com a quebra da unicidade branca na monarquia:

 

"Noiva do príncipe britânico Harry, Meghan Markle leva DIVERSIDADE à família real: é atriz, filha de negra, feminista e divorciada".

 

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De um jornal racista a preocupação com a diversidade étnica. A única diversidade para destacar: Que Meghan é católica e vai casar com um evangélico presbiteriano.

 

Governador Supremo da Igreja de Inglaterra (em inglês: Supreme Governor of the Church of England) um título possuído pelo monarca britânico, que dá direito de liderar a Igreja. Mesmo que a autoridade do monarca não seja total, a situação ainda é muito relevante para a Igreja e ainda mais como simbólica. O Governador Supremo nomeia formalmente os altos membros da Igreja sobre o conselho do primeiro-ministro do Reino Unido, que, por sua vez, é aconselhado por líderes da Igreja.

 

Coisa que o vassalo jornal brasileiro esqueceu, um jornal espanhol informa na legenda de uma fotografia.

 

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Os jornais da Inglaterra preferiram lembrar que o amor é o amor. Simplesmente

 

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Ela simplesmente tropeçou & caiu na minha vida...

 

 

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Um casamento real como nenhum outro

 

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Ela é a única!

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