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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

24
Jun20

Verdades mentirosas

Talis Andrade

 

por Miguel Paiva

- - -

Na psicanálise moderna a mentira sempre foi uma maneira de defender a própria privacidade. Assim aprendi com meu analista. Quem muito quer saber acaba sabendo o que não é verdade. Desde que não prejudique o outro a mentira sempre foi uma questão a ser discutida seja pelo aspecto moral que pelo aspecto religioso. "Eu não minto" sempre foi um cartão de visitas de quem é ilibado e normalmente não condizia com a verdade. 

A mentira é um recurso, seja ela inocente ou prejudicial.

O que estamos vivendo aqui no Brasil é a descaracterização da mentira boa e inocente para dar espaço somente à mentira do mal, aquela que existe para garantir a vida de quem não tem verdade nenhuma a revelar.

O governo Bolsonaro mente como quem diz a verdade. A mentira virou um discurso despudorado e eles mentem para se garantir no poder e mesmo quando são contestados, o que acontece com muita frequência, quem ouve e acredita não coloca em dúvida. Para a mentira existir e sobreviver precisa de quem acredite nela fervorosamente. Os desmentidos não têm muito charme, são a realidade sem emoção no mau sentido. É como a neurose, as grandes paixões, a vaidade, todos os 7 pecados capitais e a falsidade.  Diante da saúde psicológica ou mesmo da felicidade e da honestidade a neurose é mais charmosa. O desmentido é igual. serve só para corrigir uma inverdade que certamente teve um efeito devastador. 

Então, a linguagem do governo passou a ser a da mentira sem a menor preocupação com os desmentidos que se sucedem. O gado educado ouve só as mentiras e sai ruminando sem dar ouvidos aos desmentidos. A linguagem é a verdadeira ditadura. A linguagem passa a ser arma definitiva em todos os setores. Mesmo com fotos, denúncias, depósitos, gravações telefônicas reveladoras, basta você não querer acreditar naquilo que ouve e não dar importância que tudo vai por água abaixo. A falta de informação do gado bolsonarista acaba sendo o elemento fundamental para que essa informação falsa se estabeleça. 

A linguagem jornalística que vemos hoje também segue uma certa regra de normalidade que acaba distorcendo os fatos. O tempo que perdemos ouvindo nos noticiários que esse governo é normal acaba atrasando o que se pode fazer, democraticamente, para que isso se resolva. O que estamos vivendo, mesmo que o governo tenha sido eleito numa votação cheia de questionamentos, não é normal. Julgar as atitudes dos ministros ou mesmo do presidente dentro de uma ótica de normalidade acaba sendo um alimento para essa rede de mentiras que sustenta o próprio governo.

As empresas jornalísticas oficias têm que manter um certo pudor, entendo, mas não podem prestar o desserviço de dizer que esse é um governo normal. Ter sido eleito não quer dizer que mereça o nosso respeito. O impeachment existe para isso e a presidenta Dilma foi deposta de modo injusto e articulado sem o menor pudor. De novo a linguagem normal  determinava que aquele governo não era normal. A linguagem daquela vez não respeitou. Foi direto ao ponto alimentando quem queria que aquele governo acabasse. Isso prova que a linguagem serve aos interesses de quem a domina. 

Hoje vivemos uma verdadeira batalha entre as mentiras do governo e as notícias dessas mentiras veiculadas pela imprensa normal, digamos assim, e a imprensa real, alternativa, aquela que vai fundo nos fatos e não considera o que estamos vivendo uma coisa normal. Respeitamos a democracia e queremos que Bolsonaro despareça pelos caminhos democráticos mas daí a achar que esse é um governo normal, é demais. Nem ele nem quem o apoia merece ser considerado normal. Temos que dar um basta a essas mentiras oficiais e restabelecer a verdade dos fatos como única notícia que nos interessa. Aí sim, poderemos interpreta-las do jeito que acharmos melhor.

13
Jan20

VALOR DA PALAVRA

Talis Andrade


Nei Duclós

poesia talis ilustração 1.jpg

 


As palavras não valem mais nada
Na notícia nos poderes nas conversas
Perderam a magia nos livros
Ausentaram-se nas profecias
Não dividem mais os pensamentos com o silêncio
São recolhidas no lixo
Palavras de amor perderam o sentido
O entulho se acumula nos espíritos
Assediados pela voz dos catequistas


Só no poema elas assumem o risco
De resgatar o valor oculto
Assim mesmo precisa de ouvidos e leituras
Que rompam a exaustão dos dias

 

(Seleta de Fernando Monteiro)

17
Mar19

Politização do sofrimento alheio: o sadismo na crise da democracia

Talis Andrade

 

Por Clarissa Tassinari e Ziel Ferreira Lopes

Recentemente, reações insensíveis a eventos trágicos têm revelado o que existe de pior em alguns brasileiros. Comentários desumanos tomam conta das redes sociais. Ofensas inimagináveis em desrespeito ao outro chegam a ser proferidas por “influenciadores digitais”. Até mesmo autoridades vêm testando os limites do decoro em suas manifestações. Afinal, o acirramento dos conflitos políticos vem degenerando em sadismo.

É um momento perigoso este, quando a vida pública assume uma dimensão patológica, politizando-se o sofrimento alheio. Um mínimo de humanidade é condição indispensável à convivência. Isso se torna ainda mais importante quando nos referimos ao comportamento de autoridades, que encarnam nossas instituições e seus princípios constitutivos. Por isso, deveriam representar aquilo de melhor a que aspiramos.

Para explicar essa contradição, Hélio Schwartsman[1] levanta uma hipótese (incômoda, mas sensata): no Brasil e no mundo, novas lideranças “não foram eleitas apesar de suas declarações escandalosas, mas, em alguma medida, graças a elas”. Leia mais 

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