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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

26
Mai19

Lula: "Dallagnol, que está me perseguindo, é um fantoche do Departamento de Justiça dos EUA"

Talis Andrade

lula guatámano lava jato a serviço do império.j

 

Spiegel: A acusação alega que houve um gigantesco sistema de corrupção em torno da Petrobras para financiar os partidos.

Lula: Isso é mentira. Pode ter havido um ou outro caso. A Petrobras é uma grande empresa, que movimentou 30 bilhões de reais, o equivalente a 6,6 bilhões de euros no ano. Acabei de ler um livro sobre a história do petróleo e as políticas associadas de poder. Desde então, estou convencido de que o que acontece no Brasil tem a ver com os interesses das companhias petrolíferas americanas.

 

Spiegel: Você está falando sério?

Lula: Os americanos e a elite brasileira não queriam permitir que os recursos petrolíferos descobertos durante meu governo fossem promovidos apenas por uma participação majoritária na Petrobras. Eles se opõem a investir 75% dos royalties no sistema educacional, para que o Brasil possa finalmente alcançar a diferença de 200 anos. Isso financiará a pesquisa, a tecnologia e o sistema de saúde. É por isso que eles expulsaram minha sucessora, Dilma Rousseff. Então todas as manobras ilegais se seguiram para me impedir de correr novamente. Eles sabiam que eu seria eleito presidente mesmo se estivesse na prisão. O promotor Deltan Dallagnol, que está me perseguindo, é um fantoche do Departamento de Justiça dos EUA.

 

Spiegel: Mas nem todas as alegações são feitas no ar: diz-se que o grupo brasileiro de construção Odebrecht, que está no centro das investigações de corrupção, subornou políticos em toda a América Latina. Você tem um relacionamento muito próximo com a Odebrecht?

Lula: Não. E não me arrependo de qualquer relacionamento que tive com empresas, bancos, empresários e trabalhadores. Eu sempre soube da importância da Odebrecht no Brasil. É bem possível que as pessoas que queriam tirar Rousseff e destruir a Petrobras também estivessem interessadas em esmagar as grandes construtoras brasileiras. Você pode perfeitamente investigar denúncias de corrupção, descobrir corrupção e, se o proprietário da Odebrecht praticar corrupção, ele deve ser preso. Mas a empresa deve continuar trabalhando para criar empregos e prosperidade. Quem se beneficia se as empresas de construção desmoronarem? Quem se importa com o fato de as empresas brasileiras não estarem ativas na África ou em outros países da América do Sul? Os concorrentes na Europa e nos EUA.

 

Spiegel: A elite brasileira que você critica tão duramente cortejou você quando estava no governo.

Lula: Eu sempre disse: eu governo para os ricos e os pobres. Mas todos devem saber que minha preferência pertence àqueles que são os mais necessitados. No final do meu governo em 2010, eu tinha índices de aprovação de mais de 80%. Houve união nacional sobre a minha pessoa.

 

Spiegel: Então, como você explica que hoje você é tão odiado por uma parte da sociedade?

Lula: A mídia do Brasil tem alimentado o ódio desde 2005. Mário Soares, o antigo presidente português, disse-me numa visita: Lula, não entendo isso, você é deus na imprensa estrangeira, você é o diabo na imprensa brasileira. Após as manifestações em massa em 2013, esse ódio tornou-se ainda mais forte. Após a eleição de 2014, que minha sucessora Rousseff venceu por pouco, a oposição inicialmente se recusou a aceitar o resultado. A direita sempre prega: nosso inimigo é o Partido dos Trabalhadores, devemos destruí-lo. Mas eles não tiveram sucesso [Continua]

 

30
Abr19

Bolsonaro indica o direitista Evandro Valadão Lopes, do TRT-1, para ministro do TST

Talis Andrade

 

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ConJur - O presidente da República, Jair Bolsonaro, escolheu o desembargador Evandro Pereira Valadão Lopes para ser ministro do Tribunal Superior do Trabalho, na vaga aberta com a aposentadoria da ministra Maria de Assis Calsing.

Após a indicação, o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ) será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Uma vez aprovado, seu nome será submetido ao Plenário do Senado Federal antes da nomeação.

Tribunal dividido
A escolha dos nomes para a lista tríplice mostrou uma divisão no TST. Dos três, apenas Valadão foi escolhido por maioria de votos. Wilson Fernandes, do TRT da 2ª Região, e Francisco Rossal, da 4ª, foram escolhidos por antiguidade, após a corte se dividir na votação, que é secreta.

Para quem observa os movimentos do TST, a corte está dividida entre ministros de esquerda e ministros mais ao centro ou à direita. O racha começou durante as discussões sobre a constitucionalidade da terceirização e depois se aprofundou com a reforma trabalhista.

Apenas Evandro Valadão tinha o apoio do grupo da chamada direita do tribunal.

20
Mar19

Lava-Jato completa cinco anos expondo cada vez mais seu caráter reacionário

Talis Andrade

Procuradores queriam dirigir fundação direito privado financiada com dinheiro público

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Por André Freire

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Nada mais emblemático sobre o caráter reacionário da Lava-Jato do que a proposta estapafúrdia dos procuradores de Curitiba, com o midiático Deltan Dallagnol à frente, de construir uma fundação de direito privado que se alimentaria financeiramente de verbas públicas, recuperadas de acordos judiciais.

A ideia não era só um projeto em mente, foi colocada em prática quando, se apoiando num acordo entre a Petrobrás e o governo dos EUA – onde a empresa brasileira pagou uma multa que chegou a quantia de 9 bilhões de reais – eles queriam que a tal fundação, dirigida pelos procuradores, abocanhassem 2,5 bilhões de reais do referido acordo. Acordo, aliás, profundamente nocivo aos interesses nacionais e da nossa maior empresa, que foi construído de forma insistente por membros da Lava-Jato.

Os Procuradores chegaram a afirmar que o tal acordo previa que esta quantia fosse repassada para a sua Fundação privada ou teria que ser devolvida para os EUA. Uma mentira que rapidamente foi desmascarada.

Para justificar este verdadeiro desvio de verbas públicas, que evidentemente deveriam voltar diretamente aos cofres da União, os procuradores afirmam que tal Fundação teria como objetivo promover projetos sociais e iniciativas de combate à corrupção política, evidentemente sob o controle dos chefes da Lava-Jato.

A proposta é tão absurda e escandalosa, que diante da enorme repercussão negativa, foi rapidamente combatida pela Procuradoria Geral da União, que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), sendo proibida por um de seus ministros.

Mas, mesmo descartada, a iniciativa deve ser sempre lembrada, pois ela é reveladora sobre os interesses diretamente políticos dos Procuradores de Laja-Jato, em especial àqueles instalados em Curitiba.

Não pode haver mais dúvidas. A parceria direta da Lava-Jato com o Governo Bolsonaro, garantida pela presença de Moro em um dos principais Ministérios da República, é a confirmação maior do caráter político, parcial e reacionário desta Operação. Transcrevi trechos

 

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18
Mar19

FRACASSA MOBILIZAÇÃO DA EXTREMA-DIREITA CONTRA O STF E A DEMOCRACIA

Talis Andrade

247 - A ofensiva do bolsonarismo contra o Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo (17) foi um fracasso; grupos de extrema-direita como MBL e Vem pra Rua prometeram grandes mobilizações em todo o país contra a Suprema Corte, pedindo "o impeachment" de todos os seus membros, uma possibilidade inexistente nos marcos da Constituição. No entanto, nas principais cidades do País, as manifestações foram marcadas pela presença de apenas dezenas de pessoas. 

Centro-oeste

O fiasco das manifestações começou logo no início da manhã de domingo, em Brasília. Em frente ao STF, um grupo de no máximo 50 pessoas gritava que o "STF era um puxadinho do PT". Em Goiás, a cena não era diferente. Dezenas de pessoas gritavam "fora STF".

Sudeste

O fiasco foi saudado com ironia:

Vídeo incorporado
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São BILHÕES de pessoas nas ruas do RJ nesse momento. O clima de protesto é contagiante!

No Rio de Janeiro apenas  alguns gatos pingados gritavam "vergonha, vergonha nacional", fazendo uma paródia com a música de Ivete Sangalo, como se vê no vídeo acima.

Em São Paulo, nem mesmo as vias fechadas e as "personalidades" do MBL como "Mamãe falei" e Fernando Holiday atraíram a multidão para a causa da Lava Jato e contra o STF. No local, centenas de pessoas aglomeravam-se no vão do Masp para ouvir os jovens de extrema-direita.

Em Belo Horizonte, a manifestação também não ultrapassou a barreira das centenas de pessoas. 

Sul

No sul, região com grande apelo conservador, a manifestação em Florianópolis também seguiu murcha e não passou de 50 pessoas. Já em Curitiba, escreve  Fernando Morais:

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Manifestação pedindo intervenção militar no STF - Supremo Tribunal Federal - reuniu uma dúzia de pessoas em Curitiba neste domingo. Uma das manifestantes, esta senhora só aceitou ser fotografada desde que pudesse exibir o pingente que carrega no pescoço, preso a um cordão: a miniatura dourada de uma submetralhadora Uzi. (Foto Eduardo Matysiak)

O que esta em jogo 

O movimento "pelo fim do STF" ganhou impulso depois que Bolsonaro (presidente da República) postou vídeo de um de seus filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, com ataques ao STF.

O estopim da mobilização da extrema-direita foi a decisão do STF de determinar que os processos relativos a uso de caixa 2 nas campanhas eleitorais sejam julgados pela Justiça Eleitoral e não mais pela Justiça Comum. Na decisão, na última quinta-feira (14), o STF definiu a  competência da Justiça Eleitoral para julgar crimes comuns - como corrupção e lavagem de dinheiro - conexos com delitos eleitorais; no dia seguinte, nesta sexta, em outra contundente derrota da Lava Jato, o STF  suspendeu todos os efeitos do acordo entre a força-tarefa, a Petrobrás e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que previa a criação de uma fundação com R$ 2,5 bilhões. O ministro Alexandre de Moraes disse que os procuradores, liderados por Deltan Dallagnol, "exorbitaram das atribuições que a Constituição Federal delimitou". Leia mais aqui

17
Mar19

Gabriela Hardt deve prestar esclarecimentos ao CNJ sobre perfil homônimo no Twitter

Talis Andrade

Deve informar se tem conhecimento sobre o perfil “juíza Gabriela Hardt sincera”

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Migalhas - O corregedor nacional de Justiça, ministro Humberto Martins, instaurou pedido de providências para que a juíza Federal substituta Gabriela Hardt, da 13ª vara de Curitiba/PR, informe se tem conhecimento da existência de perfil no Twitter denominado “juíza Gabriela Hardt sincera”. O ministro também quer saber se a magistrada tomou "alguma providência para evitar a continuidade de tal prática".

Na descrição do próprio perfil, está sinalizado de que a conta é dedicada aos fãs da juíza e explicita que não se tem qualquer vínculo com a magistrada. A página também declara apoio ao presidente Jair Bolsonaro, citando o slogan de sua campanha eleitoral.

Segundo o ministro, o objetivo do procedimento é esclarecer a situação e tutelar a boa-fé dos cidadãos, que poderiam ser induzidos a acreditar que as postagens refletem posicionamento oficial de integrante da magistratura, "o que é especialmente preocupante em uma época tão pródiga em disseminação de notícias falsas", segundo o ministro.

"Tendo em conta que o referido perfil traz a foto e o nome de uma magistrada, e faz expressa referência à condição de “juíza”, além de utilizar como endereço na conta do twitter o nome da referida magistrada (@GabrielaHardt), tem-se que mesmo a despeito de ter sido adicionado o adjetivo “sincera” no nome do perfil, não é pequeno o risco de pessoas tomarem as publicações feitas nesta conta como sendo efetivamente proveniente de uma magistrada."

Postagens

No perfil, foram publicados os seguintes tuítes: "Galera que tal um movimento popular, pedindo impeachment de todos os ministros do STF, vc topa"; “Urgente: o STF ‘Trabalha’ nos bastidores para tirar Lula, da prisão” e “O STF ACABA DE ENTERRA A LAVA-JATO POR 6 VOTOS A 5”.

A magistrada terá um prazo de 15 dias para prestar as informações solicitadas pela Corregedoria Nacional de Justiça.

Considerações

Segundo Fernando Mendes, presidente da Ajufe, “se cada juiz tiver que justificar abertura de perfil falso, será o caos”. O presidente da Ajufe esclarece ainda que já entrou em contato com o corregedor nacional de Justiça e, que no início da próxima semana, entregará ao ministro os esclarecimentos necessários que demonstram inequivocamente tratar-se de perfil falso.

Veja a íntegra da decisão.

Nota desde correspondente: Perfil falso do máximo agrado da juíza que gosta de ser chamada de "Moro de saia". 

O perfil ativada na campanha presidencial tem o mesmo slogan do candidato Jair Bolsonaro. 

No mais, Gabriela nasceu em uma família que faz política partidária usando o sobrenome Hardt. 

Oligarquia catarinense

Brasil de Fato - A “bolha de privilégios” na qual Gabriela Hardt nasceu foi formada em Indaial, um município do Vale do Itajaí, no estado de Santa Catarina, com aproximadamente 66 mil habitantes. O sobrenome Hardt, ali, está em uma das ruas principais, em avenida, no parque municipal, na escola de educação básica municipal e nas fachadas de uma rede de lojas de departamento e confecções. 

A genealogia de Gabriela remonta à elite política da pequena Indaial: seu bisavô, Frederico Hardt, foi o primeiro prefeito de Indaial, pela Aliança Liberal, entre os anos de 1934 e 1941; também da família, Alfredo Hardt foi prefeito entre 1961 e 1966; já entre 1993 e 1996, o tio da juíza, Frederico João Hardt, assumiu a prefeitura de Indaial, pelo PMDB, com vice do PSDB. 

Na década de 1920, Frederico Hardt começou a construir o império empresarial da família. A Firma Frederico Hardt teve início como uma fábrica de laticínios pioneira na região. Mais tarde, na década de 1940, ampliou o mercado para comercialização de outros gêneros alimentícios, ferragens, louças, tecidos e confecções. Desde a década de 1970, a família é proprietária da Hardt Confecções e das Lojas Hardt, uma rede de lojas de departamento, com mais de 150 funcionários, distribuídas também nas cidades catarinenses de Timbó e Blumenau.

“Essas oligarquias políticas familiares são extremamente conservadoras, com pensamento político sempre de direita, autoritário, o que contribui a explicar o comportamento político da juíza em relação ao processo do Lula”, explicou o professor Oliveira. 

Elite jurídica

Segunda dos três filhos de Jorge Hardt Filho e Marilza Ferreira Hardt, Gabriela nasceu em Curitiba, mas foi criada em São Mateus do Sul, cidade com cerca de 45 mil habitantes, a pouco mais de 150 km da capital paranaense. 

Na cidade interiorana, o pai de Gabriela trabalhou por mais de 20 anos como engenheiro químico em uma unidade de industrialização de xisto da Petrobrás. Já a mãe, foi professora em colégio particular e Secretária Municipal de Educação. 

Quando jovem, Gabriela cogitou seguir os passos do pai e cursou engenharia química por dois anos. Optou, no entanto, por fazer carreira no poder judiciário. Mudou-se para Curitiba e formou-se em Direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a mesma em que Sergio Moro foi professor de Direito Penal e Processual Penal entre 2007 e 2018. 

No ano em que Moro começou a lecionar na UFPR, Hardt foi aprovada em concurso para juíza substituta federal. Entre os 52 aprovados naquele ano, o nome de Gabriela Hardt consta como 49º, com média geral de 6,62. 

Em entrevista à TV da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), em maio de 2017, Hardt diz que “entrou tarde” na magistratura, com 34 anos, já mãe de duas filhas. Antes de chegar à 13ª Vara Federal, Gabriela atuou na Justiça Federal de Paranaguá, litoral paranaense, e foi corregedora da penitenciária federal de Catanduvas.  

Na Lava Jato, enquanto cobria férias de Moro, Hardt foi responsável por expedir ordem de prisão ao ex-ministro José Dirceu, em maio deste ano. Depois da exoneração de Moro, a juíza já condenou 10 réus em processos da Lava Jato, entre eles, o ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, e o lobista João Antonio Bernardi Filho. 

Ainda na entrevista à Ajufe, Hardt afirmou que a carreira de juíza “exige sacrifícios de ordem pessoal e familiar, mas é uma carreira gratificante, a gente se sente valorizado”. 

Fechando o círculo

No Facebook, o perfil de Gabriela Hardt é fechado para aqueles que não são amigos. Nas poucas informações públicas, estão fotos de viagens - entre paisagens na Bahia, no Japão e na Colômbia -, fotos com a família e fotos de competições de natação. As páginas curtidas pela juíza passam por políticos como Eduardo Jorge e Marina Silva e vão até fã clubes de influenciadores digitais, como a página “Família Jout Jout”. 

Fora da magistratura, Hardt integra a equipe de maratona aquática do Círculo Militar, um tradicional clube paranaense, fundado por militares em 1934, cujo título para associação custa R$7 mil e as mensalidades, mais de R$ 200.  

Segundo o professor Ricardo Oliveira, a família, a formação e os círculos sociais de Gabriela Hardt explicitam o “ethos do poder judiciário brasileiro”. Ou seja, um conjunto de hábitos e valores sociais, com raízes conservadoras, que tendem a preservar “interesses particulares da classe dominante”.  Os impactos dessa elitização do poder judiciário para a sociedade brasileira, na avaliação de Oliveira, são “autoritarismo, exclusão social, aumento da corrupção e da impunidade”. 

 

 

16
Mar19

“Foi um vexame”, diz Jean Wyllys sobre bate boca com embaixadora do Brasil na ONU

Talis Andrade

 

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O ex-deputado federal Jean Wyllys na Universidade Sorbonne.Foto: RFI Brasil

 

 

O ex-deputado federal considerou um “vexame” para o governo brasileiro a atuação da embaixadora do país na ONU que o interpelou durante a participação em um evento na sede da instituição, na Suíça. A declaração foi feita neste sábado (16), em Paris, durante uma manifestação em homenagem à vereadora Marielle Franco.

 
 
 

Jean Wyllys se referiu ao caso no final de sua conferência e narrou para os participantes o episódio do dia anterior em Genebra. Ele afirmou ter sido “assediado” pela embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo durante sua apresentação em um painel que debatia a ascensão do populismo e novos autoritarismos.

A cena envolvendo o bate boca entre o ex-deputado federal e a embaixadora foi registrada em vídeo pelo jornalista Jamil Chade. As imagens mostram a embaixadora contestando afirmações de Wyllys, que durante sua palestra, entre outros assuntos, atribuiu a vitória de Bolsonaro nas eleições às fake news disparadas durante a campanha e a sua saída do Brasil devido às ameaças de morte que vinha sofrendo.

Depois de ler um texto, a embaixadora é vista se retirando local sem querer ouvir a resposta do ex-deputado, depois de ter seu pedido de direito a réplica negado.

“Não apenas para mim, mas para toda a diplomacia e técnicos da ONU foi uma surpresa uma embaixadora se prestar ao papel de assediar um ativista dos direitos humanos que estava falando em um painel, em uma atividade paralela ao evento principal”, disse Jean Wyllys em entrevista à Rádio França Internacional.

 
 

Segundo ele, a embaixadora pediu direto de réplica para uma fala que ela não ouviu e com um texto que buscava constrangê-lo e encomendado para “dourar a pílula” em relação à imagem internacional do Brasil.

Perplexidade

Jean Wyllys disse ter ficado “perplexo” com a situação e sugeriu que a atuação de Maria Nazareth possa estar vinculada a declarações do presidente Jair Bolsonaro de que removeria do posto embaixadores que não defendam a imagem de seu governo.

“Talvez ela tenha medo de perder seu posto. Ela já vem sendo embaixadora junto à ONU nos governos Lula e Dilma e não tinha esse comportamento. Essa mudança repentina tem que ter uma explicação. Ou medo de perder o posto, portanto os privilégios, ou homofobia. Ela tem que se explicar por que se prestou a esse papel, e também o governo Bolsonaro tem que explicar por que mandou uma embaixadora assediar um ativista de direitos humanos dentro da sede da ONU”, continuou.

“É um vexame. Uma embaixadora não pode se prestar a esse papel. Ela representa o Estado brasileiro e não necessariamente um governo ou a pessoa do presidente da República. Foi vergonhoso porque ela bateu boca e não me ouviu quando eu estava dando uma resposta”, acrescentou.

Quem matou Marielle?

Antes de falar sobre o incidente, Jean Wyllys deu uma conferência no evento “Um ano do assassinato de Marielle Franco – Denunciar a violência de Estado no Brasil”, organizado pela Anistia Internacional França, a Associação Autres Brésils e o grupo Coletiva Marielles. Ele confessou ter muita dificuldade de ver vídeos e fotos de Marielle, mas disse que ela continua viva e se multiplicou em milhões de pessoas que lutam pelas mesmas causas.

Wyllys disse que o assassinato de Marielle está ligado ao “modus operandi” da extrema-direita que destrói publicamente a reputação de seus inimigos por meio de difamação e discursos de ódio. A identificação de dois suspeitos envolvidos na morte da vereadora não é garantia de uma aceleração nas investigações, segundo Wyllys.

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“Eu não sei se elas vão se acelerar ou não, dependem de nós, para que a pressão continue e as investigações não se degenerem. Quando eu estava lá (Brasil), criei na Câmara uma Comissão externa para acompanhar as investigações, agora, aqui fora, vou exercer outro tipo de pressão”, afirmou.   

 

Jean Wyllys durante uma conferência na Universidade Sorbonne. Foto: RFI Brasil

 

Literatura e sobrevivência

Pela manhã, Jean Wyllys deu a palestra de encerramento Universidade Sorbonne de uma jornada de estudos da Primavera Literária Brasileira que tem como lema “Qual Brasil? Qual Literatura?”.

Como referência o título de seu livro “Tempo bom, tempo ruim... identidades, políticas e afetos”, Wyllys relatou para um grupo de estudantes, professores e intelectuais sua trajetória que começou em uma amília pobre do interior da Bahia até a entrada no Congresso, que se refere ao “tempo bom”, quando se tornou o primeiro deputado a entrar na Câmara defendendo abertamente a pauta de direitos da comunidade LGBTQ+.

As referências do ex-deputado ao “tempo ruim” começaram com as mudanças que levaram ao impeachment da presidente Dilma Rousseff e culminaram na chegada ao poder do presidente Bolsonaro, qualificado por ele como “fascista, homofóbico e misógino”.   

Wyllys foi interrompido por aplausos ao lembrar de ter cuspido na cara do então deputado Jair Bolsonaro, que fez um elogio ao coronel Brilhante Ulstra, torturador do regime militar reconhecido pela justiça, ao aprovar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Depois de elogiar o torturador, ele me insultou mais uma vez e meu corpo se cansou de tanta ofensas, injúrias, difamações. Tive uma reação para muitos extremadas, mas para mim, lúcida”, declarou.

O ex-deputado, que anunciou oficialmente a renúncia de um terceiro mandato em 24 de janeiro, afirmou ter tomado a decisão de se exilar no ano passado. “Eu não podia circular em espaços públicos e era insultado e ameaçado por populares. Sempre ouvia: ‘Você não passa de 2019’. O Brasil se tornou inviável para eu viver”, comentou.

“Eu não tenho como colaborar com um tempo bom estando morto. Tenho que colaborar vivo. Por isso, me exilei, para não ter o mesmo destino da minha amiga e companheira Marielle”, afirmou.

 

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13
Mar19

Notícias da ligação de Bolsonaro a suspeitos do crime aterrorizam assessora de Marielle

Talis Andrade

Um ano depois do crime, Fernanda Chaves, a assessora que seguia no carro e sobreviveu, conta ao DN os pormenores daquela noite, quais as suas impressões da investigação e porque, desde então, prefere omitir o seu paradeiro.

 

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No dia 14 de março de 2018, uma rajada de tiros atingiu a viatura onde seguia Marielle Franco, no centro do Rio de Janeiro. A vereadora pelo PSOL (extrema-esquerda), cuja carreira política estava em fase ascensional, morreu no ataque. O motorista Anderson Gomes também. A terceira passageira, a assessora Fernanda Chaves, sobreviveu sem nenhuma consequência física.

Do que se recorda daquela noite?
Tínhamos saído por volta das 21.00 de um evento chamado Jovens Negras Movendo as Estruturas, com jovens negras ligadas ao cinema, à comunicação, à produção. Foi um encontro muito positivo, ficou lotado, e saímos muito satisfeitas. Muito satisfeitas, portanto, entrámos no carro. A Marielle foi para trás, coisa que ela nunca fazia, gostava de ir à frente, porque ela sempre foi muito do tipo copiloto, de reclamar com o trânsito e tal. Nesse dia, ela ainda chegou a abrir a porta da frente, mas atirou as bolsas para lá e brincou com o Anderson, dizendo que ele ia de motorista e ela de madame. Ele então puxou o banco para a frente para lhe dar mais conforto.

Ela queria ficar junto a mim porque precisávamos de escolher fotos do evento e, sobretudo, de combinar uma reunião do dia seguinte que estava a deixá-la ansiosa, já que ela seria proposta como pré-candidata a vice-governadora do Rio pelo PSOL, ao lado do Tarcísio Mota. Penso que ela quis ir atrás, também, porque não queria expor muito essa ansiedade perante o Anderson, até porque ele não era muito íntimo nosso, ele era o motorista substituto.

Estávamos também a falar sobre um artigo dela no Jornal do Brasil, que seria enviado nesse dia e que eu tinha revisto antes de chegar ao evento. Ela perguntou o que eu tinha achado, eu disse que mudara o título e outros detalhes. Vínhamos falando ainda com as famílias por WhatsApp, ela hesitava se passava numa padaria para levar um pãozinho para casa porque a Mónica [companheira de Marielle] estava meio febril e eu falava com o meu marido sobre a minha filha, que também estava febril. E, entretanto, ela ainda comentava sobre o jogo do Flamengo que tinha acabado de começar. Portanto, estávamos as duas com as cabeças baixas a olhar para os celulares quando, de repente, oiço um "eita", algo do tipo, da Marielle, mas não em forma de susto, ainda acredito que a interjeição se referisse a alguma coisa que ela estivesse a ver no celular e não com algo em que ela tenha reparado do lado de fora. Foi nesse momento que chegou a rajada, os vidros estouraram, eu não vi nada, nada, nada, porque os vidros do Anderson eram de película muito escura, a Marielle estava do meu lado ombro a ombro, ela era grande, de cabelo volumoso, tapou-me a visão. O Anderson deu um "ai", um gemido baixo, e eu percebi que as mãos dele soltaram o volante. Puxei então o travão de mão. Entretanto, ainda abaixada, com o rosto entre os bancos da frente e as pernas da Marielle, só pensava que tinha havido um tiroteio, porque naquele lugar, no Carnaval de semanas antes, isso havia acontecido. Por isso, saí rastejando para ver se via alguma movimentação por baixo da porta do carro.

Como estava tudo muito silencioso, comecei a chamar pessoas na rua, que se aproximaram, sem entender também o que tinha acontecido. Não encontrava o meu celular, perdido no carro, e pedi para uma senhora chamar uma ambulância. Disse, "por favor, avise que é uma vereadora!". Mas ao dizer isso as pessoas começaram a tirar fotografias, a filmar, a gerar caos. A polícia chegou então ao local para isolar a área, já eu tinha visto o meu celular a piscar no chão do carro e por isso conseguido ligar para o meu marido e para um colega da coordenação do mandato. Para mim, àquela hora, a Marielle estava apenas desmaiada. É que eu sentia-me tão inteira, tão bem, apesar do sangue e dos estilhaços na cara, que não concebia que ela e o Anderson pudessem estar algo além de desmaiados. Nessa hora, o agente via rádio informou à minha frente "são dois mortos por tiro e uma sobrevivente". Foi dessa forma que eu soube que a Marielle estava morta. Esse foi um dos piores momentos de todo este processo. Antes eu estava muito nervosa, trémula, abalada mas esforçando-me para ficar racional. Quando ouvi aquilo ali foi difícil não me descontrolar porque não tinha ninguém com quem dividir. E estava preocupada porque sempre trabalhei com a realidade da polícia do Rio e de repente via-me com vários agentes num lugar isolado, escuro. Lembro-me de que os agentes não tinham identificação no uniforme...

A ambulância, entretanto, chegou mas eu não queria deixar a cena. Os polícias até diziam "você não está sozinha, está aqui a polícia, você não confia na polícia?", o que gerou uma espécie de "saia justa". Mas o meu colega da coordenação e o meu marido entretanto chegaram e convenceram-me a entrar mesmo na ambulância. Acabei por recusar ir para o hospital e fui diretamente para a delegacia na Barra da Tijuca prestar depoimento durante toda a madrugada.

Porque acha que a queriam matar?
A Marielle foi morta por causa do seu pensamento: foi um crime político. E a extrema-direita tem que ver com esse crime bárbaro. E as milícias estão ao serviço da extrema-direita. Basta ver quem são os políticos que as homenageiam e quem são os políticos que elas ajudam a eleger. É assustador. E o Brasil tem de dar uma resposta para o mundo. Transcrevi trechos 

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10
Mar19

Juízes e promotores, formados pelos serviços de inteligência, transformam os países da América Latina em quintais dos Estados Unidos

Talis Andrade

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Os Estados Unidos sempre atuaram nos países das Amerias do Sul, Central e México via serviços de inteligência (espionagem), ofertando dinheiro para combater a fome (Usaid, Aliança para o Progresso), comprando políticos, financiando campanhas de parlamentares (Ibad). 

Todos esses programas visavam manter governos da direita, pelo voto democrático - um idealismo utópico que foi quebrado com a eleição de Allende, no Chile, e de Jango no Brasil. 

Em 1961, a Escola das Américas decidiu pela formação de ditadores militares. 

Foi quando retornaram os marechais.

A ditadura militar no Brasil durou de 1964 a 1985. Não demorou muito para o povo votar em governos da esquerda:

Lula e Dilma, no Brasil.

Nestor Kirchner (2003) e Cristina Kirchner, na Argentina.

Rafael Correa (2007) no Equador.

Evo Morales (2006) na Bolívia.

Fernando Lugo (2008 - 2012) no Paraguai.

Hugo Chaves (1999) e Nicolás Maduro (2013), na Venezuela. 

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Para derrubar presidentes (Lugo, Dilma), para conspirar golpes (Maduro e Morales), para evitar o retorno de presidentes de esquerda como Lula (que continua preso), Rafael Correa (que tentaram prender), Cristina (ameaçada de ser presa), os Estados Unidos nestes novos tempos, novas armas, usam a justiça, que no Brasil tem o nome fantasia de Lava Jato, que elegeu Jair Bolsonaro presidente. 

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Os Estados Unidos facilitaram meios de encher os cofres dos justiceiros da direita.

Para a presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), o acordo bilionário firmado entre o MPF (Ministério Público Federal) de Curitiba, a Petrobras e autoridades dos EUA, para a criação de uma fundação evidencia a trama para "entregar informações estratégicas e acabar com nossa soberania"

Em uma postagem nas redes sociais, Gleisi anexou um trecho da reportagem do site Conjur que destaca a proximidade da relação entre investigadores brasileiros e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

"Em maio de 2018, o advogado Robert Appleton, ex-procurador do DoJ, disse em entrevista à ConJur que as relações entre as autoridades de persecução penal do Brasil e dos EUA hoje são, em regra, informais. O compartilhamento de provas, evidências e informações, diz ele, é feito por meio de pedidos diretos, sem passar pelos trâmites oficiais — essa etapa é cumprida depois que os dados já estão com os investigadores, segundo Appleton", diz um trecho da reportagem.

Para Gleisi, "esta é maior evidência de que o recurso da pretensa Fundação do MP é a propina que a turma da Lavajato recebeu dos EUA para entregar a Petrobrás". "Essa é corrupção e lavagem de dinheiro de todo esse processo da força tarefa! Entregar informações estratégicas e acabar com nossa soberania", completou.

Este serviço sujo de espionagem, de lesa-pátria era realizado com o dinheiro sujo para um suposto combate ao tráfico de drogas. Agora o entreguismo vem sem realizado por juízes e promotores.

O portal Conjur, o mais respeitado site jurídico do País, revela detalhes do acordo firmado entre a força-tarefa da Lava Jato, a Petrobras e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Em troca dos R$ 2,5 bilhões que serão entregues pela estatal a uma fundação capitaneada pela República de Curitiba, chefiada por Deltan Dallagnol, a estatal irá repassar informações comerciais sigilosas e suas patentes ao governo norte-americano. Ou seja: a Petrobrás não é mais brasileira e o Brasil passa a ser oficialmente uma colônia. 

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Por Fernando Martines, do Conjur – Ao que tudo indica, a "lava jato" se tornou um canal para o governo dos Estados Unidos ter acesso aos negócios da Petrobras. A multa de R$ 2,5 bilhões que será desviada do Tesouro para um fundo gerido pelo Ministério Público Federal, na verdade, inicialmente seria paga ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ). Em troca do dinheiro vir para o Brasil, a Petrobras se comprometeu a repassar informações confidenciais sobre seus negócios ao governo norte-americano.

Em troca de dinheiro da Petrobras ficar no Brasil, empresa garantirá aos EUA acesso a informações comerciais sigilosas, inclusive patentes, mostram acordos

Tudo isso está previsto no acordo assinado pela estatal brasileira com o DoJ em setembro de 2018, conforme notou reportagem do site Jornal GGN. O acordo diz que a Petrobras pagaria US$ 853 milhões de multas para que não fosse processada pelos crimes de que é acusada nos EUA. Só que em janeiro foi divulgado que boa parte desse dinheiro será enviado ao Brasil — clique aqui para ler o acordo, em inglês.

A grande jogada é que o dinheiro deveria ir para o Tesouro. Pelo menos é o que vem decidindo o Supremo Tribunal Federal sobre a destinação das verbas recuperadas pela "lava jato". E o acordo da Petrobras com o MPF prevê o depósito do dinheiro numa conta vinculada à 13ª Vara Federal de Curitiba e gerido por uma fundação controlada pelo MPF — embora eles jurem que apenas vão participar do fundo. 

A parte principal do acordo com o DoJ trata das obrigações da estatal brasileira de criar um programa de compliance e um canal interno de relatórios de fiscalização. Mas os anexos é que tratam do principal: o destino do dinheiro em troca das informações sobre as atividades da Petrobras.

"Os relatórios provavelmente incluirão informações financeiras, proprietárias (de patentes), confidenciais e competitivas sobre os negócios (da empresa)", diz uma cláusula do acordo com o DoJ.

E a intenção parece mesmo ser transformar dados sobre a estatal em ativos do governo americano: "Divulgação pública dos relatórios pode desencorajar cooperação, impedir investigações governamentais pendentes ou potenciais e, portanto, prejudicar os objetivos dos relatórios requeridos. Por essas razões, entre outras, os relatórios e o conteúdo deles são destinados a permanecer e permanecerão sigilosos, exceto quando as partes estiverem de acordo por escrito, ou exceto quando determinado pela Seção de Fraude e a Secretaria (Office), pelos seus próprios critérios particulares, quando a divulgação promoveria o avanço da execução das diligências e responsabilidades desses órgãos ou que seja de outra forma requeridos por lei", afirma o termo do acordo. 

A interferência do DoJ vai até o ponto de quem pode ou não ser funcionário e diretor da Petrobras. "A companhia [Petrobras] não irá mais empregar ou se afiliar com qualquer um dos indivíduos envolvidos nos casos desta ação. A companhia deve se engajar em medidas corretivas, incluindo repor seus diretores e a diretoria executiva".

MPF e DoJ
A relação entre investigadores brasileiros e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos parece já ser algo maduro. Em maio de 2018, o advogado Robert Appleton, ex-procurador do DoJ, disse em entrevista à ConJur que as relações entre as autoridades de persecução penal do Brasil e dos EUA hoje são, em regra, informais.

O compartilhamento de provas, evidências e informações, diz ele, é feito por meio de pedidos diretos, sem passar pelos trâmites oficiais — essa etapa é cumprida depois que os dados já estão com os investigadores, segundo Appleton.

NSA
Nunca é demais lembrar que o esquema de espionagem internacional de larga escala montado pelo governo dos EUA voltou suas baterias contra o Brasil e, especialmente, a Petrobras.

Documentos divulgados em 2013 por Edward Snowden, ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), mostraram que as comunicações da ex-presidente Dilma, do Ministério de Minas e Energia e da Petrobras foram monitoradas pela NSA.

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À época, Snowden disse que a espionagem tinha como alvo as tecnologias envolvidas na exploração de petróleo na camada do pré-sal. De acordo com as reportagens feitas pelo jornal The Guardian e pela TV Globo na época, o programa da NSA tinha o objetivo de proteger os EUA de ameaças terroristas. No caso do Brasil, no entanto, os objetivos eram puramente comerciais.

Clique aqui para ler o acordo entre Petrobras e EUA. Com informações do portal 247

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06
Mar19

MAIOR JORNAL INGLÊS APONTA COMO BOLSONARO RIDICULARIZOU O BRASIL

Talis Andrade

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A quebra de decoro do presidente Jair Bolsonaro ao compartilhar vídeo de conteúdo obsceno no Twitter recebeu amplo destaque do jornal The Guardian, o mais importante da Inglaterra.

O conhecimento do endereço do vídeo na internet levanta a suspeita de que o Presidente talvez seja um viciado em filmes pornôs. Daí sua intimidade com o ator Alexandre Frota, que foi eleito deputado federal por São Paulo com espantosos 150 mil votos.

Isso porque Frota foi convidado, ainda que em tom de brincadeira, para ser ministro da cultura.

"Presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, provocou indignação, nojo e ridicularização depois de tuitar um vídeo pornográfico em uma aparente tentativa de revidar as críticas de seu governo durante o carnaval deste ano", diz o Guardian

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247 - O desatino do presidente Jair Bolsonaro, que postou um vídeo obsceno nas redes sociais para criticar o Carnaval, foi alvo de uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, um dos mais influentes do Reino Unido. No texto, o correspondente para a América Latina, Tom Phillips, destaca que "o presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, provocou indignação, nojo e ridicularização depois de twitar um vídeo pornográfico em uma aparente tentativa de revidar as críticas de seu governo durante o carnaval deste ano".

A reportagem enfatiza que "foliões de todo o país usaram a festa anual de rua como uma oportunidade para protestar contra seu líder extremista que é notório por seus comentários homofóbicos e racistas". Na cidade de Olinda, no nordeste do país, supostamente os banhistas cobriram uma gigantesca boneca de carnaval de Bolsonaro com latas de cerveja, blocos de gelo e palavrões. (...) Festeiros dissidentes de todo o país carregaram imagens de multidões cantando obscenidades em Bolsonaro sob a hashtag #EiBolsonaroVaiTomarNoCu, que educadamente se traduz como #GetScrewedBolsonaro. Os cantos foram ouvidos até no coração do carnaval brasileiro, no Sambódromo do Rio", diz a reportagem.

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A reportagem relembra, ainda, que a polêmica começou na terça-feira (5), quando ainda pela manhã Bolsonaro usou sua conta no Twitter para criticar as manifestações contra e afirmar que "a cultura brasileira foi destruída por décadas de governos com uma inclinação socialista". "Mais tarde naquela noite, Bolsonaro foi mais longe, twittando um clipe sexualmente explícito - supostamente filmado durante um evento de carnaval em São Paulo - que mostrava um homem dando prazer a si mesmo antes de ser urinado por outro", relata o Guardian. (leia mais no Brasil 247). 

O jornal britânico também destaca a reação da população e da mídia à postagem feita por Bolsonaro. "Raiva, perplexidade e uma série de manchetes antes inconcebíveis se seguiram em algumas das principais agências de notícias do Brasil".

A reportagem também observa que "não houve sinal de tal pedido de desculpas na manhã de quarta-feira" e ainda "postou uma segunda mensagem bizarra em que ele se perguntou: "O que é uma chuva dourada?" (leia mais no Brasil 247). A pergunta feita por Bolsonaro está ao ato de urinar no parceiro ou receber jatos de urina do parceiro durante a atividade sexual. Foi com um vídeo do gênero que Bolsonaro tentou atacar a maior festa popular do país.

Leia a íntegra da reportagem do The Guardian sobre o assunto

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05
Mar19

Moro é baixo demais para cair

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Eliane Cantenhêde, no Estadão de hoje, faz a pergunta que toda a mídia tem na boca, mas tem vergonha de fazer, por atingir um ídolo: Sérgio “começa a se arrepender de ter trocado a magistratura pelo governo Bolsonaro? Até quando ele aguenta?”

Ele se refere, claro, à humilhação imposta com a “desnomeação” de uma suplente de Conselheira por rejeição da direita hidrófoba e ordem do prórpio presidente. Tão vergonhosa que o inacreditável Olavo de Carvalho, presidente de honra do Bloco do Cachorro Louco resolveu completar o vexame gravando um vídeo elogiando Moro pela capacidade de recuar, ho Facebook.

Não creio que ele esteja numa situação de arrependimento.

Nem mesmo uma pessoa limitada como o ex-juiz de Curitiba poderia ser ingênua e crer que Bolsonaro também lhe daria inteira liberdade de movimentos ao dar-lhe o posto de Ministro da Justiça. Poderia e poderá dar-lhe o seu “alvo B”, uma cátedra no Supremo Tribunal Federal e, avaliou, permiria manter vivo o que nutre em silêncio, uma eventual candidatura presidencial em 2022 que, paradoxalmente, depende – óbvio – do insucesso do ex-capitão.

Moro já aguentou outras, aguentará essa e fará cara de amuado apenas para garantir, em setembro, que se complete o seu domínio sobre a máquina de perseguição, abocanhando a Procuradoria Geral da República e a possibilidade de contar com toda a linha de acusadores.

Ninguém espere atitudes de indignação ou inconformismo real de Sérgio Moro. Tudo nele é vinculado a um projeto de poder autoritário que suporta chocar por anos a fio, como fez ao “cozinhar” o delator Alberto Yousef para tecer a teia da Lava Jato. Falta-lhe estatura para ser idependente diante dos fortes e respeitoso ante os fracos.

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