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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

01
Nov20

De vexame em vexame, nos convencemos que o Brasil não tem mais graça

Talis Andrade

aziz bandeira cueca.jpg

 

 

'BUTTOCKS' E CUECA
 
por Luis Fernando Veríssimo
- - -
 
O jornal The Guardian, da Inglaterra, deu a notícia com precisão anatômica: o senador Chico Rodrigues estava com dinheiro entre seus “buttocks”, nádegas. A imprensa brasileira preferiu localizar o inusitado cofre do senador numa vaga “cueca”, que abrange as nádegas, mas, desculpe, não vai tão fundo. Ou o Guardian tem informantes que ninguém mais tem sobre os hábitos do senador, ou está querendo nos anarquizar – ou precisa explicar seu noticiário exclusivo. Ou então o que deve ser estudado é a opção da imprensa nacional pela cueca em vez dos mais desmoralizantes “buttocks”. Por que escolheram a menos desmoralizante?
 
Minha interpretação é que, com o dinheiro escondido nos fundilhos do senador, chegamos a uma espécie de limite de tolerância com nós mesmos. Não nos aguentamos mais. De vexame em vexame, culminando, desculpe, com a história do dinheiro entre os “buttocks”, ou na cueca, nos convencemos que o Brasil não tem mais graça. Não somos mais nem folclóricos, o folclore que nos redimia amargou. Ficamos grotescos, reduzidos às peculiaridades que nos caracterizavam quando éramos simpáticos e hoje só divertem o mundo.
 
Chargistas e humoristas não receberam ordens para maneirar quando afundam, desculpe, no assunto, claro. Estão apenas fazendo o que fazem muito bem, e dinheiro entre “buttocks” ou na cueca do vice-líder no Senado de um governo que iria acabar com a corrupção é um assunto irresistível demais, e as piadas não acabam. Mas imagino que o sentimento que predomina até entre os mais acerbos críticos desse governo é o de tristeza. Uma tristeza imensa, continental, amazônica. O que fizeram do Brasil! Aquele país tão promissor, que fim levou? Para onde o levaram?
 
Eu acho que os vexames começaram junto com o governo Bolsonaro, quando o presidente recém-eleito comentou que um dos seus filhos poderia ser o embaixador brasileiro em Washington – e ninguém reagiu. Tínhamos ali uma medida do homem e uma oportunidade de chamá-lo para a realidade, mas ninguém reagiu. Depois, ficou tarde e multiplicaram-se os vexames.

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24
Out20

Vaza Jato’, a investigação que obrigou a imprensa brasileira a se olhar no espelho

Talis Andrade

Vaza Jato', a investigação que obrigou a imprensa brasileira a se olhar no  espelho | Atualidade | EL PAÍS Brasil

 

Livro retrata os bastidores das revelações do ‘The Intercept Brasil’ que mudaram a forma como os veículos de comunicação cobriam a Operação Lava Jato

Por Regiane Oliveira

O site The Intercept Brasil escolheu o começo da noite de um domingo, 9 de junho de 2019, para divulgar os primeiros textos da série As mensagens secretas da Lava Jato, que abriram as investigações conhecidas como Vaza Jato. Na redação do EL PAÍS, a bomba lançada pelo portal foi tão grande a ponto de interromper o fechamento ―aquela hora do dia agitada em que se retocam os últimos textos para entrar na página. Marina Novaes, editora-adjunta do jornal, e essa repórter que vos escreve, plantonistas daquele final de semana, ficamos atônitas com a falta de “decoro” da estratégia. Por que domingo, colegas? Afinal, as reportagens faziam acusações muito sérias contra a força-tarefa da Operação Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro, na época, já ministro da Justiça do Governo Bolsonaro. Moro aparecia em conversas com os procuradores que acusavam Luiz Inácio Lula da Silva, o que já era suficiente para que a imprensa brasileira tivesse que repercutir o caso. Foi preciso que Carla Jiménez, diretora do jornal, fizesse parte do reforço de edição para vencer o dia. Saímos do plantão com uma certeza: queríamos fazer parte das investigações com base nos vazamentos obtidos pelo site, o que efetivamente aconteceria semanas depois.

O que nós não sabíamos, é que o colegas do Intercept não haviam planejado lançar a série num domingo. Um dia antes, Glenn Greenwald, fundador do The Intercept, o jornalista que recebeu de um hacker os arquivos com as trocas de mensagens no Telegram de procuradores, alertou Leandro Demori, editor-executivo do site, sobre um problema: a fonte insistia em saber a data de publicação da primeira reportagem por estar interessado em investir na bolsa de valores, e capitalizar com o impacto da divulgação das mensagens. A solução seria publicar quando todas as bolsas estivessem fechadas. “A decisão de lançar a série no domingo resolvia o problema com a fonte, mas criava outro: as matérias ainda estavam em fases de ajustes. Terminá-las a tempo significaria uma guerra contra o relógio”, conta a jornalista Letícia Duarte no livro Vaza Jato ― os bastidores das reportagens que sacudiram o Brasil (Mórula Editorial, 2020), realizado em parceria com a redação do Intercept e lançado nesta semana ― e você pode ler aqui um capítulo da obra.

Letícia Duarte, que não faz parte da equipe do site, foi encarregada de fazer a grande reportagem que abre o livro e responsável por descortinar uma face pouco divulgada das grandes coberturas jornalísticas no país: os bastidores. Desde os contatos iniciais da fonte, que dizia ter invadido celulares de procuradores da Lava Jato, até as crises e os desdobramentos que marcaram a cobertura. No texto sabemos que o contato enviou prints de conversas aleatórias logo no início, incluindo documentos da operação que pediu a prisão de Michel Temer ―o que geraria, no futuro, uma das investigações que o EL PAÍS faria como parceiro da Vaza Jato, tendo como resultado a reportagem Às vésperas do afastamento de Dilma, Lava Jato rejeitou delação que prenderia Temer em 2019, dos repórteres Marina Rossi, Daniel Haidar e eu, juntamente com a editora do Intercept, Paula Bianchi.

Letícia Duarte é egressa do jornal Zero Hora, onde trabalhou por 13 anos, e mestre em Política e Assuntos Internacionais pela Universidade de Columbia, em Nova York, onde mora desde 2018. Dentre seus trabalhos recentes estão a série Democracy Undone, em que investigou os efeitos sociais da ascensão da extrema direita no Brasil, incluindo a entrevista sobre o mentor do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, para a revista The Atlantic. Na reportagem do livro, ela consegue reproduzir o ritmo da cobertura da Vaza Jato, intenso e ao mesmo tempo reflexivo. Tem até um capítulo chamado Fodeu o plantão de todo mundo!. Nada parece ficar de fora das entrevistas realizadas com a equipe do Intercept, a começar pelas dúvidas: “E se a gente olhar essa porra toda e concluir que eles não fizeram nada de errado?” ―é o título de um capítulo. E os medos: “Sempre que tocava o interfone, pensava que era a PF” ―duvido um repórter que tenha tido acesso às mensagens que não tenha pensado a mesma coisa.

Mesmo decisões controversas são abordadas, como a de colocar no ar a primeira reportagem sem ouvir os implicados, o chamado “outro lado” no jargão jornalístico ―o que poderia ter colocado em xeque a credibilidade da publicação na largada. O texto mostra que não faltaram discussões acaloradas dentro da própria equipe quanto a romper essa cláusula pétrea do jornalismo. Por fim, o consenso foi de que seria um risco maior dar chance aos envolvidos de encontrar meios para censurar a publicação, antes mesmo que chegasse ao público. Optou-se por pedir o “outro lado” após a divulgação. “Foi uma das decisões mais sofridas”, conta no livro Alexandre de Santi, editor-adjunto do site.

O livro reconta a história que localiza a Vaza Jato como uma cobertura que já garantiu seu lugar na história do jornalismo no país. Ela representa um ponto de inflexão nas publicações sobre a Operação Lava Jato na imprensa. Não que as forças-tarefas de Curitiba, São Paulo e Rio estivessem imunes a críticas. Pelo contrário, não foram poucos os juristas que apontaram excessos nos métodos dos procuradores. A diferença é que, até a Vaza Jato, era Curitiba que dava o tom das coberturas, distribuindo “furos de reportagens”, muitos deles, vazamentos calculados para garantir uma repercussão positiva de suas ações. É preciso lembrar que eles não inventaram a roda. Os vazamentos de informações e as relações de cumplicidade entre jornalistas e suas fontes sempre existiram. A diferença é que, a partir das reportagens da Vaza Jato, foi a Lava Jato que teve que correr atrás do noticiário.

E não demorou muito para que o Ministério Público Federal fechado com a Lava Jato corresse atrás do The Intercept. A Procuradoria-Geral da República denunciou Greenwald e seis hackers pelo roubo das informações. A acusação trouxe de volta o debate sobre o sigilo de fontes, um princípio garantido pela Constituição. Coube ao ministro do Supremo Gilmar Mendes proibir que Greenwald fosse investigado ou responsabilizado pelos dados hackeados. Ainda há capítulos soltos na história. Dois acusados pelo vazamento dos dados, os hackers Walter Delgatti Neto e Thiago Eliezer, que estavam presos desde o ano passado, foram soltos no final de setembro por “excesso de prazo”, devido a anulações de audiências na ação penal na qual são réus. Hoje, aguardam em liberdade, mas sem poder acessar à Internet.

Para se proteger do acosso, o livro mostra que o Intercept conseguiu fazer algo inédito, colocar profissionais concorrentes trabalhando em uma mesma base de dados. Como a pressão da Lava Jato e seus apoiadores era grande sobre o veículo, o site optou em dividir o risco e ganhar escala de produção, ao compartilhar o material. Foi assim que EL PAÍS, Folha de S. Paulo, Veja, Agência Pública, Buzzfeed News, UOL e Band News passaram um tempo no Rio, trabalhando dentro da redação do Intercept, aos pés da movimentada Escadaria Selarón, mergulhados na montanha de material. Estive lá e é verdade que os jornais não competiam entre si. “Quem levantasse a mão primeiro levava”, explicou a editora Paula Bianchi no livro, sobre o modelo de divisão de assuntos, que foram loteados por ordem de chegada.

O Intercept sempre deu o tom dos trabalhos, o que não impediu conflitos, especialmente pelo que, à primeira vista, parecia um excesso de zelo. “A preocupação com a segurança era tanta, e incluía tantos diferentes cenários de risco, que virou até piada na redação. Nascia ali a ‘Editoria de Paranoia”, conta o livro, que ressalta que tinha jornalista parceiro que chegava a trocar de hotel todos os dias no período em que esteve trabalhando no Rio, temendo ser alvo de escutas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Passado o impacto com as regras de segurança ― não discutir as reportagens perto de celulares e não abrir a Internet nos computadores onde eram acessados os arquivo, por exemplo ―, cada repórter tinha acesso ao arquivo de mensagens, e poderia levar para casa as informações pesquisadas em pen drives criptografados.

Essa tensão se refletia na equipe do Intercept. A primeira vez em que Marina Rossi e eu visitamos o jornal, notamos que a turma era estranhamente quieta para uma redação tão jovem. Com o tempo, e a convivência, entendemos que não era uma questão de clima do local de trabalho: aqueles jornalistas viviam um momento de grande apreensão pelos efeitos adversos das reportagens.

O livro fala das ameaças e de episódios como o do Pavão Misterioso, uma conta no Twitter aberta uma semana após a publicação da primeira reportagem que prometia desmascarar a Vaza Jato. A denúncia que mais reverberou nas redes foi de que o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), marido de Glenn Greenwald, teria comprado o mandato de Jean Wyllys por 700 mil dólares, mais uma mesada. O presidente Jair Bolsonaro chegou a sugerir Greenwald tinha pago para receber as mensagens que publicou, e que talvez pegasse uma “cana aqui no Brasil”. E o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro abriu uma investigação sobre movimentos atípicos na conta bancária de Miranda, que tratou o episódio como uma tentativa de retaliação.

Apesar de abordar diversos aspectos da Vaza Jato, o livro não tenta ser uma obra definitiva, nem poderia. Dois documentários ainda estão sendo realizados sobre a investigação, um pelo cineasta José Padilha ―curiosamente, o mesmo que dirigiu a série O Mecanismo, da Neftlix, considerada uma ode à Lava Jato―, e outro pela cineasta Maria Augusta Ramos ―que dirigiu O Processo, documentário sobre impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. A obra Vaza Jato – os bastidores das reportagens que sacudiram o Brasil, com a reportagem de Letícia Duarte e uma seleção das reportagens da cobertura, funciona mais como um retrato de uma das possíveis dimensões sobre essa investigação que ainda está em curso.

A pandemia refreou os ânimos, mas, semanalmente, a equipe do Intercept ainda vasculha o extenso arquivo em busca de outros achados. Duas reportagens inéditas ―que não estão no material divulgado para a imprensa, incluindo os parceiros― fazem parte do livro. Mas outros capítulos virão. O mais aguardado é o julgamento no Supremo da suspeição de Sergio Moro, no qual as mensagens da Vaza Jato tem um papel importante. Iniciado em dezembro de 2018, o julgamento foi paralisado após um pedido de vista de Gilmar Mendes.

A maior dúvida, no entanto, é sobre o próprio futuro da Lava Jato. O presidente Bolsonaro afirmou recentemente que acabou com a operação porque em seu Governo “não tem mais corrupção”. Voltou atrás, e se justificou, mas isso foi antes do dinheiro na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do Governo no Senado. E o que virá depois, no Brasil de 2020, certamente é uma incógnita.

 

 
 
 
24
Out20

Imprensa internacional repercute 'crime da cueca' de senador pró-Bolsonaro

Talis Andrade

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por Márcia Bechara /RFI
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"Com a mão nas calças", diz a revista norte-americana Newsweek. "Dinheiro entre as nádegas", exclama o jornal francês Le Figaro. "Dinheiro nas cuecas", titula o jornal português Público. "Propina na Bunda", detalha o britânico The Guardian. A imprensa internacional não se cansa de se surpreender com os "plot twist" de personagens do governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Nesse caso, os jornalistas descrevem, às vezes em detalhes minuciosos, o misterioso aparecimento de R$ 30 mil "entre as nádegas" do senador e liderança bolsonarista no Congresso, Chico Rodrigues.

"Senador brasileiro é apanhado com dinheiro na roupa de baixo [underwear, em inglês] durante investigação de fundos desaparecidos da Covid", titula a revista Newsweek nesta sexta-feira (16). Segundo a publicação, o senador brasileiro bolsonarista Chico Rodrigues teria sido "ousado" ao "supostamente tentar esconder fundos do governo". "A polícia encontrou R$ 30.000 em dinheiro escondidos na cueca do líder do estado de Roraima, quando procurava por dinheiro desaparecido para combater o coronavírus", escreve a revista.

Newsweek vai mais longe e cita a publicação portuguesa Revista Crusoé, que teria dado uma descrição mais "vívida" sobre a história. "Para dar uma ideia de como a situação era absurda, algumas das notas recuperadas estavam manchadas com fezes", publica a revista, acrescentando que "foi uma cena de considerável embaraço".

Mais pudico, o jornal conservador francês Le Figaro titula: "Brasil: maços de notas encontrados na cueca de um senador". "Eleito há dois anos prometendo tolerância zero para a corrupção, o líder de extrema direita [Jair Bolsonaro] foi atingido por escândalos que afetaram seus parentes, incluindo seu filho mais velho, Flavio, também senador", lembra o jornal francês, utilizando informações pré-divulgadas pela agência AFP. "Este último é acusado de ter contratado empregados fantasmas para desviar dinheiro público quando foi deputado pelo Estado do Rio de Janeiro, de 2003 a 2018. O próprio chefe de Estado é alvo de investigação por suposta interferência em investigações da Polícia Federal visando seus familiares", relembra o jornal.

 

#PropinaNaBunda

Incisivo, o britânico The Guardian vai direto ao ponto: "Polícia encontra dinheiro escondido entre as nádegas de aliado de Bolsonaro". "Os brasileiros compartilharam a notícia nas redes sociais com a hashtag viral #PropinaNaBunda (A Bribe up the Bum, em inglês). Muitos sugeriram que o achado seria lembrado 'nos anais da história' ", diverte-se o jornal, com o típico humor inglês. 

Já o jornal português blico lembra que "[o senador Chico Rodrigues] está há mais de 30 anos na política, 20 dos quais como deputado federal e era um companheiro frequente de Bolsonaro". "A relação entre os dois parlamentares era tão próxima que Bolsonaro chegou a descrever esse período de camaradagem na Câmara dos Deputados como 'quase uma união estável'", publica.

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22
Out20

Veríssimo: Bolsonoro é o governo do vexame continuado e sem graça

Talis Andrade

 

247 - "De vexame em vexame, culminando, desculpe, com a história do dinheiro entre os 'buttocks' ou na cueca, nos convencemos de que o Brasil não tem mais graça", afirmou o escritor Luis Fernando Verissimo em sua coluna publicada no jornal O Globo

"Não somos mais nem folclóricos, o folclore que nos redimia amargou. Ficamos grotescos, reduzidos às peculiaridades que nos caracterizavam quando éramos simpáticos e hoje só divertem o mundo".

De acordo com o escritor, "os vexames começaram junto com o governo Bolsonaro, quando o presidente recém-eleito comentou que um dos seus filhos poderia ser o embaixador brasileiro em Washington — e ninguém reagiu". 

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20
Out20

Ernesto Araújo, o lunático do Itamaraty, cumpre agenda de capacho dos EUA

Talis Andrade

Nando Motta

 

por Jeferson Miola

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No dia em que governantes, políticos, líderes internacionais, oposicionistas do MAS [Movimiento Al Socialismo] e até mesmo o mercenário Luis Almagro/OEA felicitaram Luis Arce pela eleição à presidência da Bolívia, o chefe bolsonarista do Itamaraty cumpriu agenda de servidor e capacho dos EUA.

Toda tarde da agenda do lunático Ernesto Araújo nesta 2ª feira [19/10], 1º dia após a eleição realizada no país vizinho, foi inteiramente dedicada à abordagem de assuntos de interesse dos EUA na região.

Tratam-se, aliás, de interesses estrangeiros que ofendem o princípio da integração hemisférica estabelecido no artigo 4º da Constituição, que diz que “A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”.

O lunático do Itamaraty, um vassalo estadunidense, não encontrou tempo nem mesmo para emitir uma breve nota de felicitação a Luis Arce. Mas, em compensação, teve todo tempo do mundo para despachar assuntos agendados pelo governo imperial do Norte – ao qual ele e sua “exótica” equipe servem com devotada subserviência e capachismo.

Às 13:30h, por exemplo, o lunático do Itamaraty ocupou-se do “Evento à margem da Assembleia-Geral da OEA sobre as causas estruturais da crise na Venezuela”; ou seja, discutiu e coordenou ações para desestabilizar e interferir na realidade interna do país fronteiriço.

Em seguida, às 16h, o lunático reservou tempo para um “Telefonema com o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo”, seu homólogo e patrão imediato.

No horário das 18:15h a agenda do lunático do Itamaraty foi reservada para a “Assinatura do Protocolo ao Acordo de Comércio e Cooperação Econômica entre os Governos do Brasil e dos EUA Relacionado a Regras Comerciais e de Transparência” – seja lá o que isso significa, que tem cheiro de ser algo desfavorável ao Brasil.

E, finalmente, a agenda do lunático do Itamaraty das 18:30h foi reservada para “Reunião com o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert O’Brien, e delegação” – órgão de espionagem e inteligência sediado na Casa Branca e vinculado diretamente ao presidente dos EUA.

Se o Congresso tivesse o mínimo de decência, convocaria o lunático do Itamaraty para prestar contas desta agenda oficial de trabalho colocada a serviço de uma potência estrangeira e paga com verbas dos impostos arrecadados junto ao povo brasileiro.

 
19
Out20

Não tem corrupção no governo? E Cuecagate é o que?

Talis Andrade

 

por Alex Solnik

- - -

O caso do senador das cuecas, o Cuecagate, tem esse lado humorístico, esse viés Porta dos Fundos, que todo mundo adora, mas é muito mais sério do que isso porque envolve corrupção no governo, sim.

Essa conversa do Bolsonaro de que não é corrupção no governo dele não é verdade.

Ele próprio confirmou que os ministérios fazem parte do governo e os indícios de corrupção da qual o senador Chico Rodrigues emergiu como a ponta do iceberg estão no ministério da Saude.

Os R$17 mil (segundo as mais recentes informações) que estavam na sua cueca são parte da verba de R$13,9 bilhões que o ministério da Saúde deveria ter distribuído para emendas parlamentares a todos os senadores, a fim de serem utilizados para combate ao covid-19.

Aprovada em março pelo Congresso Nacional, a verba deveria obedecer a critérios de distribuição, tais como a quantidade de doentes nas cidades, a disponibilidade de leitos UTI, etc, mas, em vez disso, foram privilegiados os aliados de Bolsonaro, cada um tendo recebido R$30 milhões.

O dobro do que os senadores têm direito a receber por ano.

Parlamentares do PT e da Rede foram excluídos da partilha.

O senador Chico Rodrigues, que iria receber R$20 milhões, reclamou e acabou recebendo R$30 milhões, apesar de ser ficha suja: seu mandato de governador de Roraima foi cassado, em 2014, por gastos irregulares na campanha de 2010, em que se elegeu vice e posteriormente substituiu o titular.

Mesmo ficha suja, foi escolhido por Bolsonaro para ser vice-líder do governo. Eram amigos de mais de duas décadas, o que os dois assumem num vídeo que circula nas redes, no qual Bolsonaro diz que os dois têm “quase uma união estável”.

A Polícia Federal já flagrou uma de suas negociatas, com a empresa Quantum, que forneceu testes rápidos de covid-19 para Roraima com sobrepreço de R$1 milhão.

Não só o senador tem que ser – e está sendo – investigado. Também o ministério da Saúde demanda um pente-fino.

Por que não foram seguidos na distribuição da verba os critérios determinados pelos parlamentares? Por ordem de quem? Por que a distribuição não contemplou a todos? Como a verba foi empregada?

O outro elo que une Bolsonaro ao cuecagate é Léo Índio, primo de um dos filhos do presidente, que tinha o segundo maior salário no gabinete do senador.

A princípio, pensei que ele perderia o emprego. Depois me convenci que não, pois o suplente de Chico Rodrigues é seu filho e seu filho não iria demitir um parente de Bolsonaro.

Mas eis que o próprio Léo Índio se demitiu ainda ontem, desistindo de uma boquinha de R$22 mil mensais.

É claro que não vai ser difícil para ele arrumar outra colocação no mesmo patamar, mesmo em tempos de pandemia.

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19
Out20

Senador da cueca rica deixa nu o governo em seu discursão anticorrupção

Talis Andrade

 

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por Gilvandro Filho

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O governo blindado contra a corrupção alardeado por Jair Bolsonaro é uma grande farsa. Na terra em que o rebanho bovino está no centro de tudo –  do “boi bombeiro” que combate incêndio na mata, ao gado que venera e obedece seu mito por mais que seja absurdo o pretexto deste apoio e à boiada de leis ilegais no campo incentivada por ministro de Estado – achar que o governo e seu entorno são puros e imaculados quando o assunto é passar a mão na coisa pública é, digamos, conversa para boi dormir. Chega um fato e desmente.

Fosse mesmo contra a corrupção, o governo não se prestaria a aparelhar – eita, termo bom para se usar com os outros –  instituições como a Polícia Federal. Ou não usaria a Procuradoria Geral da União para tentar forçar o STF a jogar para debaixo do tapete processos que envolvem presidente, parentes e aderentes. Também não sairia ameaçando jornalistas quando eles, cumprindo seu dever de ofício, perguntam por que o faz-tudo da família, o ex-assessor Fabrício Queiroz, deu R$ 89 milhões à primeira-dama, do nada. Nada disso bate com austeridade, vamos lá.

Dizer, agora, que não tem nada com o escândalo do até hoje de tarde vice-líder do governo no Senado, Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado pela Polícia com 30 mil reais sob a cueca e à altura das nádegas, é mais que uma desfaçatez. É, no mínimo, uma deslealdade. É jogar às feras um amigo fiel a quem indicou pessoalmente para a vice-liderança do governo na Câmara Alta. Um sujeito “boa gente” e querido pela família a ponto de topar empregar em seu gabinete Leonardo Rodrigues de Jesus, um primo-irmão-melhor amigo de Carlos Bolsonaro, filho do presidente – “Léo Índio” como é popularmente conhecido, exerce um cargo comissionado SF02, de Assessor Parlamentar, pelo qual recebe um belo salário líquido de R$ 16.986,56 (R$ 22.943,73 bruto).

O presidente Jair Bolsonaro perde, com o episódio, uma parte importante do seu discurso, declamado ufanissimamente por alguns dos seus colaboradores mais abnegados como é o caso do vice Hamilton Mourão que também diz por a mão no fogo pela honestidade do governo. Fica estranho e politicamente insustentável fazer cara de paisagem numa hora dessas. Ou será fácil convencer o distinto público de que outras cuecas tão ricas e recheadas não existem e não serão descobertas a qualquer hora?

Chico Rodrigues com sua método pouco usual de fazer poupança foi flagrado pela PF. E deixou nu o discurso moralista no governo Bolsonaro.

- - -

Nota deste correspondente: O senador Chico deve ser substuído pelo filho Pedro Arthur Ferreira Rodrigues. O Brasil tem que acabar com a incestuosa safadeza do nepotismo eleitoral. Sabidamente quase todos os senadores possuem parentes como suplentes. São esposa, filho, genro, irmão. Uma suruba familiar.

pedro arthur e chico.jpg

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A família presidencial bem exemplifica o nepotismo eleitoral: Zero zero presidente Jair Bolsonaro, 01 senador Flávio Blosonaro, 02 vereador Carlos Bolsonaro (eleito desde os 17 anos no lugar da mãe), 03 deputado federal Eduardo Bolsonaro.

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15
Out20

Um chute na bunda dos demagogos

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Menos importa, salvo para chacotas, o local onde teria sido encontrado dinheiro desviado pelo Senador Chico Rodrigues, vice-líder do governo Bolsonaro, com o qual o presidente dizia ter “quase uma união estável”.

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Porque chacota, mesmo, é um governante dizer que “acabou a corupção”, como se acabar com a corrupção fosse apenas o resultado de uma vontade e não de uma política – que jamais será perfeita – de organização da máquina pública.

Publica e, aliás, também das empresas privadas, que gastam milhões com duas estruturas: o tal compliance, que combate seus desvios internos e o “planejamento tributário”, que se dedica a encontrar caminhos para burlar seus deveres de pagar imposto.

O episódio de Chico Rodrigues serve, apenas, para ilustrar, de maneira grotesca, o tipo dos homens que se elegeram na onda “anticorrupção”, a começar da família presidencial, envolvida em um já inegável tráfico de comissões recolhidas de seus nomeados.

Prometer “voadoras” em políticos corruptos é mais que demagogia barata. Foi, neste caso, um chute de Bolsonaro em si mesmo, mesmo que venha a dar um pé no lugar onde o senador guardou o dinheiro surrupiado.

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15
Out20

Polícia encontrou dinheiro nas nádegas do senador Chico Rodrigues e sujo de fezes (vídeos)

Talis Andrade

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