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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Out21

Um banqueiro e dois golpes

Talis Andrade

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por Cristina Serra

O portal de notícias Brasil 247 publicou o áudio de animada conversa entre o banqueiro André Esteves e um grupo de clientes. É uma aula sobre os donos do poder no Brasil, entrecortada por risadas típicas de quem está ganhando muito dinheiro, ainda que o país esteja uma desgraça. 

O banqueiro faz questão de exibir sua influência junto às mais altas instâncias do poder político, com uma mistura de cinismo e boçalidade envernizada, própria de quem se acha educado só porque sabe usar os talheres. Esteves jacta-se de seu prestígio junto ao presidente da Câmara, Arthur Lira. Gaba-se do acesso ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a ponto deste tê-lo consultado sobre o nível da taxa de juros, atitude que é um escândalo de relações carnais entre o público e o privado. 

Vangloria-se de ter influenciado a decisão do STF favorável à independência do Banco Central, informando ter conversado com alguns ministros antes do julgamento. Só não revelou quais. E expõe o motivo de tanto empenho. Se Lula for eleito, “vamos ter dois anos de Roberto Campos”. Esteves considera que Bolsonaro, se “ficar calado” e trouxer “tranquilidade institucional para o establishment empresarial”, será o “favorito” em 2022. 

Em tortuosa análise sobre o Brasil, Esteves compara o impeachment de Dilma Rousseff ao golpe de 1964: “Dia 31 de março de 64 não teve nenhum tiro, ninguém foi preso, as crianças foram pra escola, o mercado funcionou. Foi [como] o impeachment da Dilma, com simbolismos, linguagens, personagens da época, mas a melhor analogia é o impeachment da Dilma.” 

A comparação é um insulto aos milhares de presos, perseguidos, torturados e assassinados na ditadura, mas o raciocínio de Esteves faz sentido ao aproximar (talvez sem querer) as duas datas infames: 1964 e 2016 foram golpes. A conversa desinibida do banqueiro desnuda, de maneira explícita, um país refém de meia dúzia de espertalhões do mercado financeiro. 

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29
Mai21

Livro revela os pecados da Igreja Universal

Talis Andrade

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Quando foi lançado, em 1995, o livro Nos bastidores do Reino, do ex-pastor Mário Justino, provocou um terremoto na Igreja Universal do Reino de Deus, que enfrentava uma crise institucional, com seu líder – o “bispo” Edir Macedo – envolvido em denúncias graves e debatendo-se com as consequências de uma prisão. Justino chegara a um posto importante na hierarquia da igreja e, desencantado, decidira contar a história de sua vida junto aos principais dirigentes. A igreja conseguiu na justiça a proibição do livro, 22 dias depois de ele ter chegado às livrarias.

É este livro que a Geração Editorial relança agora, com todo o seu conteúdo explosivo, uma nova apresentação do autor e a íntegra da decisão judicial que o liberou. Como escreveu o publisher Luiz Fernando Emediato na apresentação, “este é um livro sobre crimes, purgação e redenção – um livro transformador. Mais que desvendar os segredos da Igreja Universal do Reino de Deus e de alguns de seus  “pastores”, seu autor conta a história de um ser humano – ele mesmo – que sonhou com o paraíso, visitou o inferno e de lá saiu vivo e renovado”.

A reedição transcreve a íntegra da decisão da mesma juíza que o proibiu, Daise Fajardo Nogueira Jacot. Ela reviu sua decisão e concluiu não ter encontrado no relato de Justino nenhuma calúnia, injúria ou difamação.

“O escritor não se voltou contra a Igreja nem contra a religião, mas tão-somente denunciou comportamentos, aliás já antes denunciados por outros dissidentes, por intermédio de vários outros meios de comunicação”, afirma a juíza. Na decisão em que revoga a censura, Daise Jacot ressalta também que nenhum dos pastores e bispos citados foi à Justiça exigir reparação. E que Justino escreveu a obra nos limites de sua “liberdade de manifestação de pensamento e expressão”.

A Igreja Universal tentou de todos os modos impedir a circulação do livro. Primeiro – ao saber que seria lançado – ofereceu ao autor, por intermédio de um advogado, um milhão de dólares para ele desistir. Diante da negativa, ofereceu a mesma quantia à editora, para ela “engavetar” o livro até Justino morrer (ele estava com teste positivo para HIV, numa época em que ainda não havia o coquetel anti-Aids).

Qual era o temor do ”bispo” Edir Macedo e seus seguidores? “Eles eram revelados em toda a sua miserável humanidade”, diz Emediato. “Pessoas comuns, cruéis, gananciosas, vendendo ilusões principalmente para pobres e se divertindo, nos bastidores, com a ingenuidade das pessoas que estavam enganando. Mas eles venceram, naquela época, e continuam vencendo. Em 25 anos o império cresceu. A “Igreja” cresceu não só do ponto de vista do negócio, mas também criou braços no Congresso, na economia, nos meios de comunicação. Um verdadeiro polvo.”

O livro tinha chegado à editora encaminhado por Marcelo Rubens Paiva, acompanhado de um prefácio entusiasmado. “Ninguém será o mesmo depois de conhecer os detalhes da vida de Mário Justino, mas vale a pena correr o risco”, avisou o autor de Feliz ano velho.

Mais que um simples livro de “denúncias”, Nos bastidores do Reino é um profundo mergulho nos abismos humanos. Inocente, cheio de fé e boa vontade, aos 15 anos o autor trocou os estudos e a casa dos pais pela Universal. Negro, inteligente, casado, dois filhos, ele conquistou os chefes da igreja com sua facilidade de expressão e os fiéis com a Bíblia na mão. Transformou-se num grande motor de arrecadação.

Conheceu a opulência, levou vida de rico – mas logo percebeu a ilusão. Não eram a fé e o amor cristão que moviam a “igreja”, que “nada mais era do que uma empresa com fins lucrativos”. E abre o jogo: “Sexo, dinheiro e drogas se confundem, no mesmo púlpito, com orações e salmos de Davi”.

Com suspeita de ter o vírus da aids, Mário Justino sentiu a dor do abandono: Macedo não o amparou. A família foi dilacerada. Desceu ao inferno na Terra. Viveu nas ruas de Nova York, ao lado de mendigos e marginalizados – um doente e drogado condenado à morte. Com desejos de vingança,   comprou uma arma e pensou em matar Edir Macedo. Teve-o na mira, mas não apertou o gatilho.

“Tinha a oportunidade de estourar-lhe os miolos, mas por alguma razão hesitava em fazê-lo”, ele relembra.

O livro teve grande repercussão logo depois de lançado, com notícias sobre suas revelações no Brasil e no exterior. Uma edição foi lançada em Portugal e circulou também na África, onde a Universal estava presente. “A descrição esmiuçada de seu calvário pessoal, com os devidos nomes aos bois, é prova suficiente da sinceridade do autor”, escreveu Barbara Gancia na Folha de S. Paulo. “Em qualquer país sério, essa obra serviria, no mínimo, como estopim para algum tipo de investigação pública”, completou.

“Quando escrevi Nos Bastidores do Reino, em um período de dois meses, em 1993, aos 28 anos, havia em mim certa urgência de contar a história”, diz o autor em nota na reedição do livro. “Com o resultado de um exame de laboratório nas mãos, eu achava que meus dias haviam sido abreviados e que não chegaria aos 30 anos de idade. Pensando assim, eu corria contra o tempo para tentar repor a minha verdade”, acrescenta. Ele completa: “E dessa forma nasceu este livro: como um grito urgente da alma — um desnudamento que, fosse hoje, aos 55 anos, sem o mesmo ímpeto da juventude, talvez não tivesse o ânimo de fazê-lo”.

Qual era o temor do ”bispo” Edir Macedo e seus seguidores? “Eles eram revelados em toda a sua miserável humanidade”, diz Emediato. “Pessoas comuns, cruéis, gananciosas, vendendo ilusões principalmente para pobres e se divertindo, nos bastidores, com a ingenuidade das pessoas que estavam enganando. Mas eles venceram, naquela época, e continuam vencendo. Em 25 anos o império cresceu. A “Igreja” cresceu não só do ponto de vista do negócio, mas também criou braços no Congresso, na economia, nos meios de comunicação. Um verdadeiro polvo.”

O livro tinha chegado à editora encaminhado por Marcelo Rubens Paiva, acompanhado de um prefácio entusiasmado. “Ninguém será o mesmo depois de conhecer os detalhes da vida de Mário Justino, mas vale a pena correr o risco”, avisou o autor de Feliz ano velho.

Mais que um simples livro de “denúncias”, Nos bastidores do Reino é um profundo mergulho nos abismos humanos. Inocente, cheio de fé e boa vontade, aos 15 anos o autor trocou os estudos e a casa dos pais pela Universal. Negro, inteligente, casado, dois filhos, ele conquistou os chefes da igreja com sua facilidade de expressão e os fiéis com a Bíblia na mão. Transformou-se num grande motor de arrecadação.

Conheceu a opulência, levou vida de rico – mas logo percebeu a ilusão. Não eram a fé e o amor cristão que moviam a “igreja”, que “nada mais era do que uma empresa com fins lucrativos”. E abre o jogo: “Sexo, dinheiro e drogas se confundem, no mesmo púlpito, com orações e salmos de Davi”.

Com suspeita de ter o vírus da aids, Mário Justino sentiu a dor do abandono: Macedo não o amparou. A família foi dilacerada. Desceu ao inferno na Terra. Viveu nas ruas de Nova York, ao lado de mendigos e marginalizados – um doente e drogado condenado à morte. Com desejos de vingança,   comprou uma arma e pensou em matar Edir Macedo. Teve-o na mira, mas não apertou o gatilho.

“Tinha a oportunidade de estourar-lhe os miolos, mas por alguma razão hesitava em fazê-lo”, ele relembra.

O livro teve grande repercussão logo depois de lançado, com notícias sobre suas revelações no Brasil e no exterior. Uma edição foi lançada em Portugal e circulou também na África, onde a Universal estava presente. “A descrição esmiuçada de seu calvário pessoal, com os devidos nomes aos bois, é prova suficiente da sinceridade do autor”, escreveu Barbara Gancia na Folha de S. Paulo. “Em qualquer país sério, essa obra serviria, no mínimo, como estopim para algum tipo de investigação pública”, completou.

“Quando escrevi Nos Bastidores do Reino, em um período de dois meses, em 1993, aos 28 anos, havia em mim certa urgência de contar a história”, diz o autor em nota na reedição do livro. “Com o resultado de um exame de laboratório nas mãos, eu achava que meus dias haviam sido abreviados e que não chegaria aos 30 anos de idade. Pensando assim, eu corria contra o tempo para tentar repor a minha verdade”, acrescenta. Ele completa: “E dessa forma nasceu este livro: como um grito urgente da alma — um desnudamento que, fosse hoje, aos 55 anos, sem o mesmo ímpeto da juventude, talvez não tivesse o ânimo de fazê-lo”.

MÁRIO JUSTINO nasceu em São Gonçalo, RJ, em 1965. Foi colunista freelancer do jornal ”The Brasilians”, voltado para a comunidade brasileira em Nova York, onde ainda vive e trabalha na área social

 

Mário Justino, que vive em Nova York como exilado político, não pensa mais em vingança. “A princípio, este livro pretendia ser uma denúncia, um clamor por justiça, mas, à medida que foi sendo concebido, foi assumindo a forma daquilo que realmente é: a trajetória de alguém que, buscando o desconhecido, encontrou a si mesmo”, escreveu ele no novo prefácio. (Por Luiz Fernando Emediato, editor da Geração Editorial. Texto publicado in Direto da Redação, um fórum de debates publicado no Correio do Brasil pelo jornalista Rui Martins)

09
Abr20

Lula: “Os que precisam de liquidez neste momento são pessoas pobres. É quem precisa de liquidez, não o sistema financeiro brasileiro”

Talis Andrade

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Em entrevista à Associated Press, o líder popular brasileiro diz que o presidente cometeu erros em meio à pandemia e está criando um ambiente perigoso para o país. “Bolsonaro, neste momento, é um desastre”, opina.

Em isolamento em casa, apenas alguns meses após sua libertação da prisão, o ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que o presidente Jair Bolsonaro precisa mudar sua abordagem desdenhosa do novo coronavírus ou corre o risco de ser forçado a deixar o cargo antes do fim de seu mandato em dezembro de 2022.

O ex-presidente conhecido como Lula disse em entrevista à Associated Press que o desafio de Bolsonaro contrário à exigência do distanciamento social dificulta os esforços de governadores e prefeitos para conter o vírus.

Ele também argumentou que o Brasil pode precisar imprimir dinheiro para proteger os trabalhadores de baixa renda e manter as pessoas em casa, uma proposta que certamente suscitará preocupações em um país com histórico de hiperinflação e uma moeda em queda.

A sociedade brasileira talvez não tenha paciência para esperar até 2022. A mesma sociedade que o elegeu (Bolsonaro) tem o direito de destituir esse presidente quando perceber que ele não está fazendo o que prometeu

Da Silva, que governou entre 2003 e 2010, no momento em que a economia do Brasil estava forte, reconheceu que é improvável que Bolsonaro atenda aos crescentes apelos da oposição para renunciar e que não há votos suficientes no congresso pelo impeachment.

“A sociedade brasileira talvez não tenha paciência para esperar até 2022”, disse Silva em uma vídeo conferência. “A mesma sociedade que o elegeu tem o direito de destituir esse presidente quando perceber que ele não está fazendo o que prometeu. Um presidente que cometeu erros e está criando um desastre. Bolsonaro, neste momento, é um desastre”.

Algumas pessoas em várias regiões do país que votaram massivamente em Bolsonaro nas eleições de 2018 estão desiludidas com ele, batendo panelas nas janelas de suas casas em protestos que se tornaram regulares nas últimas duas semanas. O presidente subestima o surto, o que o coloca em desacordo com quase todos os 27 governadores do país.

Cerca de 800 pessoas morreram da doença COVID-19 no Brasil até agora e existem quase 16.000 casos confirmados, a maioria dos registrados na América Latina. O Brasil espera um pico nos casos de vírus no final de abril ou início de maio.

No mês passado, Lula elogiou o governador de São Paulo, João Doria, ex-aliado do presidente, por impor restrições destinadas a coibir a disseminação do vírus. Bolsonaro, que frequentemente se refere a Silva como um “ex-presidiário”, disse em uma entrevista de rádio que se sente constrangido quando políticos conservadores que se voltaram contra ele durante a crise recebem elogios do líder de esquerda.

Treinei espiritualmente para viver bem. Não é fácil viver em 15 metros quadrados, vendo a família uma vez por semana

“Estou apenas reconhecendo aqueles que fizeram um trabalho mais eficaz”, disse Da Silva, acrescentando que Doria continuará sendo um adversário político.

Lula, que sobreviveu a um câncer, aos 74 anos, está isolado com sua namorada e dois cães na cidade de São Bernardo do Campo, nos arredores de São Paulo, desde que voltou de uma viagem à Europa. Ele disse que não teve nenhum sintoma do vírus, nem foi testado, e tem encontrado muito poucos políticos. A maioria de suas conversas agora é online.

O ex-presidente disse que seus 580 dias de prisão o ajudaram a lidar melhor com as recomendações de saúde para permanecer em casa. Ele é livre enquanto apela contra condenações por corrupção e lavagem de dinheiro, que, segundo ele, são motivadas politicamente.

“Treinei espiritualmente para viver bem. Não é fácil viver em 15 metros quadrados, vendo a família uma vez por semana”, disse ele. “Agora estou em casa com minha namorada Janja morando comigo. É muito melhor. Eu tenho espaço, pessoas com quem conversar o tempo todo”.

Bolsonaro contestou as recomendações da Organização Mundial da Saúde e de seu próprio Ministério da Saúde sobre distanciamento social e outras medidas para conter o vírus. Ele chamou repetidamente o COVID-19 de “uma gripezinha”.

O ex-presidente da Silva acredita que o Brasil pode precisar imprimir dinheiro para evitar o fechamento de negócios e o caos social. A economia brasileira sofre desde 2015, com cerca de 12 milhões de pessoas desempregadas e três vezes mais pessoas no setor informal e sem trabalho.

Os que precisam de liquidez neste momento são pessoas pobres. Eles precisam comprar sabão, desinfetante para as mãos. É quem precisa de liquidez, não o sistema financeiro brasileiro. Para vencer o coronavírus, precisamos de mais Estado, mais ação das autoridades públicas, de ganhar dinheiro novo e garantir que ele chegue às mãos das pessoas


“Os que precisam de liquidez neste momento são pessoas pobres. Eles precisam comprar sabão, desinfetante para as mãos. É quem precisa de liquidez, não o sistema financeiro brasileiro ”, afirmou. “Para vencer o coronavírus, precisamos de mais Estado, mais ação das autoridades públicas, de ganhar dinheiro novo e garantir que ele chegue às mãos das pessoas”.

A receita de Lula Da Silva contraria a ideologia do governo Bolsonaro, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, formado pela Universidade de Chicago. Após sua nomeação, ele prometeu reduzir o tamanho e a influência do Estado através de vastas privatizações e restringindo empréstimos bancários estaduais.

Desde o surto, houve algum reconhecimento da necessidade de fornecer alívio financeiro. Entre outras coisas, o banco estatal Caixa Econômica Federal reduziu as taxas de juros dos cheques e das parcelas de cartão de crédito, e o governo permitiu que as pessoas retirassem o equivalente ao salário mínimo de um mês das contas de aposentadoria. Também aprovou pagamentos mensais de US$ 117 para ajudar a manter os trabalhadores de baixa renda. Os benefícios devem começar a ser pagos nesta quinta-feira.

Ainda assim, não basta, disse Lula Da Silva. Ele acrescentou que o apoio à possível impressão de dinheiro não é radical, mas uma medida necessária em uma circunstância desesperada.

Em tempos de guerra, você faz coisas que não são normais porque o que importa é a sobrevivência. O coronavírus é um inimigo invisível cuja forma sabemos, mas ainda não sabemos como derrotá-lo


“Em tempos de guerra, você faz coisas que não são normais porque o que importa é a sobrevivência”, disse ele. “O coronavírus é um inimigo invisível cuja forma sabemos, mas ainda não sabemos como derrotá-lo.”

Políticos esquerdistas brasileiros de diferentes partidos, incluindo do Partido dos Trabalhadores, fundado por Lula da Silva, publicaram uma carta na semana passada pedindo a renúncia de Bolsonaro por sua má gestão durante a pandemia. O ex-presidente não assinou, mas disse que suas opiniões são claras.

“Não há saída com Bolsonaro se ele não mudar seu comportamento”, disse ele. “Seria muito mais fácil pedir desculpas, admitir que estava errado, dizer ao povo brasileiro que sente muito”.

MAURICIO SAVARESE e DAVID BILLER, da Associated Press

25
Fev20

A arrecadação milionária das associações de profissionais da Segurança Pública do Ceará

Talis Andrade

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Em São Paulo, Rio de Janeiro, as associações policiais são muitas vezes mais ricas do que as do Ceará. 

O Ceará tem um efetivo de 21 mil 900 pms. 

São Paulo, cem mil policiais. Atualmente, em efetivo, é a maior polícia do Brasil e a terceira maior instituição militar da América Latina. 

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27
Dez18

O que o MP está esperando para intimar Queiroz já?

Talis Andrade

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por Alex Solnik

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Ou o Ministério Público do Rio de Janeiro intima imediatamente o Queiróz para depor, ou ficará desmoralizado. Se ele deu entrevista ao SBT, na qual demonstrou boa disposição e nenhum sinal de doença, ficou evidente que enganou o MP ao dar desculpa médica para faltar duas vezes a depoimento.

Depois da entrevista não se justifica mais empurrar o caso com a barriga até depois da posse do patrão de Queiróz.

A entrevista foi um desastre, um enorme tiro no pé.

Para justificar sua movimentação bancária atípica detectada pelo Coaf, Queiróz tentou se vender como um esperto vendedor “informal” de veículos, o que não combina com as fotos de sua casa que saíram nos jornais. Alguém que ganha muito dinheiro nesse tipo de comércio deveria morar num endereço bem melhor.

Essa informação também coloca em dúvida a versão de que seu patrão teria lhe emprestado R$40 mil reais. Quem tem dois bons empregos e ainda é um bem-sucedido comerciante “informal” precisa de empréstimo?

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Indagado sobre os depósitos de salários em sua conta – que é o grande ponto de interrogação - disse que falaria somente ao Ministério Público.

O que o MP está esperando para ouvir suas explicações imediatamente?

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27
Dez18

A farsa continua: Queiroz não apareceu e não deu nenhuma explicação plausível

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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Queiroz continua sumido, para decepção nacional. Ele apenas saiu momentaneamente de algum esconderijo onde está sendo guardado a sete chaves para conceder uma entrevista arranjada, sob medida, para a emissora SBT que, tudo indica, habilita-se a forte candidata a voz oficial do regime nazi-bolsonarista.

É descabido, tecnicamente falando, chamar de entrevista a performance ensaiada do Queiroz no SBT com exclusividade, sem submeter-se ao escrutínio de toda a imprensa.

Mais grave do que a ofensa ao conjunto da imprensa, todavia, é que a atitude do Queiroz representaria 1 insulto à Lava Jato, ao MP, à PF e ao judiciário, de quem fugiu de depor em 2 ocasiões. Neste particular, aliás, Queiroz parece-se com seu chefe Jair, que na eleição fugiu dos debates com Haddad como ele, Queiroz, foge da justiça e da polícia.

Isso, entretanto, parece irrelevante para Deltan Dallagnol, Sérgio Moro e justiceiros da Lava Jato. Afinal, a Lava Jato, sempre valentona e arbitrária contra Lula e o PT, faz de tudo para safar Queiroz, os Bolsonaro e a extrema-direita [ler aqui e aqui].

No falatório no SBT, Queiroz apresentou-se como um sujeito descolado; 1 autêntico carioca malandro. Ele buscou aparentar tranquilidade, sendo logo desmentido pela auto-comiseração de dizer-se alguém com problemas de saúde, com a "calça caindo" devido a suposto emagrecimento súbito e, também, vitimizando-se como alguém que sofre de moléstias que vão de necessidade de cirurgia num ombro, problemas na urina, passando por tosse forte a câncer maligno no intestino. É incrível e sui generis o menu de morbidez que subitamente acometeu Queiroz, até semanas atrás animado em pescarias e churrascadas com os Bolsonaro.

Quanto à suposta "cirurgia invasiva" que o impediu de prestar depoimento ao MP pela segunda vez, nenhuma palavra. Atestado médico – pelo menos por enquanto – nem pensar. E tampouco ocorreu ao SBT perguntar-lhe a respeito.

O blá-blá-blá do Queiroz nem de longe corresponde ao que Flavio Bolsonaro considera ser uma explicação "bastante plausível". Queiroz não renegou a amizade com a família. Muito ao contrário, considera-se o maior amigo do clã.

Ele se refere ao mandato de Flavio como "nosso gabinete". Deixa subentendido que a exoneração em 15/10/2018 [e também a de sua filha "laranjinha" Nathalia do gabinete do Jair no mesmo dia] foi procedimento arranjado [e avisado] para livrar os Bolsonaro da investigação da operação da Lava Jato Onça da Furna no RJ.

Queiroz se empenhou em livrar a cara dos Bolsonaro e rechaçou o apelido de "laranja", embora não tenha explicado o depósito, na sua conta bancária, em alguns casos, de até 99% do salário de funcionários dos gabinetes dos Bolsonaro.

No mais importante, que é o depósito de R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro, Queiroz entrou em flagrante contradição. O COAF apurou depósito de R$ 24 mil na conta da esposa de Jair. Queiroz, contudo, afirma ter efetuado 10 depósitos de R$ 4 mil a título de pagamento de suposto e não documentado empréstimo de R$ 40 mil.

Para explicar a movimentação financeira muito acima do seu salário em apensas 1 ano, Queiroz assim se define: "sou um cara de negócios, faço dinheiro", e justifica seu espírito empreendedor fazendo trambique de carros.

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Recibos, transações no DETRAN, comprovantes de compra e venda etc para sustentar estapafúrdia versão, entretanto, não foram apresentados. Detalhe: o primeiro amigo dos Bolsonaro trabalha com a família há quase 30 anos, o que supõe que sua atividade de "cara de negócios" e empreendedor arrojado que "faz dinheiro", seja ainda mais extensa.

A farsa continua. Queiroz não apareceu; ele apenas se pronunciou desde algum esconderijo e não deu nenhuma explicação "bastante plausível", como alega Flavio Bolsonaro.

A pergunta do samba "Onde está o Queiroz?" [ouvir aqui], de autoria de Zé Barbosa Júnior continua, portanto, sem resposta.

Afinal, Onde está o Queiroz?

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27
Dez18

Inventa outra, Queiroz

Talis Andrade

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por Alex Solnik

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Isso de que a movimentação atípica em sua conta bancária se deve a seus negócios com automóveis, que foi o que o ex-PM Fabrício Queiroz disse agora há pouco em entrevista exclusiva ao SBT, lembra muito a história do Renan Calheiros com venda de gado que ninguém sabia que ele tinha e de Eduardo Cunha com venda de carne enlatada para a África. Não tem pé nem cabeça.

O que está documentado e provado, portanto, até agora, é que ele recebeu em sua conta os salários de quem trabalhava no gabinete de Flávio Bolsonaro. É isso o que ele tem que contar: como e por que e por ordem de quem esses salários iam para a sua conta e o que ele fazia com eles. E também falta explicar porque ele foi demitido entre o primeiro e o segundo turnos depois de 34 anos de serviços prestados ao futuro presidente.

Seria melhor ter ficado calado a contar essa lorota, ainda mais numa entrevista ao SBT, que já definiu sua posição a favor de Bolsonaro ainda durante a campanha. Colunistas que vinham questionando o sumiço de Queiroz não vão se dar por satisfeitos. Não adianta apenas aparecer, era preciso aparecer e contar uma história minimamente plausível. Essa não resiste à menor análise. Não vai colar.

Inventa outra, Queiroz!

 

 

27
Dez18

Queiroz gagueja, fala, mas a história segue mal-contada

Talis Andrade

 

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A entrevista “dócil” de Fabrício Queiroz a Debora Bergamasco, arranjada pelo SBT não convenceu ninguém.

Não posso, claro, colocar em dúvida que tenha problemas de saúde, mas não saber dizer o nome do hospital onde esteve internado é demais.

Assim como não dizer nada sobre os motivos da movimentação financeira.

A história da “compra e venda” de automóveis é descrita como algo de seu passado de “fazedor de dinheiro”, mas não é a isso que ele atribui os movimentos de dinheiro vivo em sua conta, diretamente.

E ainda que fossem, não explicaria o movimento “picado” de dinheiro, não ultrapassando os R$ 5 mil que soam o alarme do COAF.

A não ser muito “caidinho”, carro por menos de R$ 5 mil é negócio de ferro velho.

Aliás, não é crível que quem compra e vende tantos automóveis não fosse conhecido de todos por esta atividade.

Não se movimenta R$ 1,23 milhão de reais em um ano sem saber apontar, ao menos, uma operação de peso – a venda de um apartamento, por exemplo.

Ou se é compelido a “ir viver numa comunidade” com renda de “R$ 23, 24 mil” por mês, mesmo pagando pensão alimentícia.

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Residência de Fabrício Queiroz em favela

 

Fabrício alegou que não dizia o que eram os depósitos “em respeito” ao Ministério Público e sinalizou que seu depoimento será em meados ou final de janeiro, depois dos das filhas e da mulher, no dia 8.

Não se sabe o que faz o Ministério Público que não pede ao menos a abertura de um inquérito e a quebra do sigilo bancário de Fabrício, nem que seja para impedir a montagem de “histórias plausíveis”.

Porque na entrevista ele não apresentou uma que fosse digna de credibilidade, embora, repito, não se possa fazer juízo de seu estado de saúde.

Tenho a impressão que o tiro saiu pela culatra e vai deixar inúmeras pontas soltas para qualquer repórter competente.

Se a imprensa quiser, claro.

Assista a entrevista de quase 23 minutos em que nada de concreto é provado, sempre com documentos “que vou lhe dar depois”, mas que não são mostrados em momento algum.

 

04
Jul18

Odebrecht disse que deu 13 milhões para Lula, e o burro do Moro cego de ódio acreditou

Talis Andrade

13 milhões entregues de uma só vez, em uma pasta

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Temos de tirar o chapéu para a inteligência de Marcelo Odebrecht. Até agora, entre todos os torturados em Curitiba com a única finalidade de jogar Lula na prisão, foi o único a conseguir sua liberdade gozando a cara do fascista Sérgio Moro.

 

Ao contrário do que possa ter parecido ontem, dia marcado por um turbilhão de denúncias e delações, Odebrecht na verdade deu a Lula um verdadeiro atestado de inocência ao dizer que havia entregue ao ex presidente 13 milhões em propina, pagos de uma só vez, em dinheiro.

 

Inebriado ou alucinado de alegria com o tamanho da quantia, Sérgio Moro não prestou atenção no detalhe: "o dinheiro foi entregue a Lula em uma pasta"- disse Marcelo. E Moro deve ter saído da sala de audiência dando pulinhos de alegria.

 

Pulando de alegria , também, pelo fato de ter permitido o vazamento exclusivo e ao vivo de tal depoimento para O Antagonista, sabidamente sucursal da TV Globo, que junto ao juiz caiu também no ridículo.

 

TORRE DE DINHEIRO

Para se ter uma ideia, O dinheiro que Marcelo Odebrecht disse que deu a Lula, em cash , seriam 130.000 notas de 100. Supondo que cada nota tenha a espessura de 0,11 mm, essas notas empilhadas são = 130000 x 0,11 mm = 14.300 mm, ou seja, era uma pilha de 14,3 metros de altura. Mesmo que divididos em 6 vezes, seria uma pilha de 2,38 metros de cada vez.


Levar Lula a um julgamento calcado nessa "acusação" exigiria a instalação de uma enorme tenda de lona sobre o tribunal, dando-lhe a verdadeira caracterização de um circo.

 

Não é atoa que Marcelo Odebrecht comandou o grande império de sua família, tenham lá suas críticas quem as tiver. Inteligência não lhe falta e tem ainda uma coisa da maior importância: foi leal à verdade e digno com Lula, pois em vez de complicar a vida desse já tão perseguido ídolo do povo brasileiro, inocentou-o com uma piada.
(Ricardo Eugenio)

22
Jul17

O brasileiro salário mínimo gasta 30 por cento do que recebe com impostos indiretos

Talis Andrade

Alguns fatos estupefacientes sobre os impostos no Brasil

 

Enquanto os 10% mais pobres chegam a gastar quase 30% dos seus rendimentos com impostos indiretos, os 10% mais ricos gastam cerca de 10%. Mesmo considerando-se os impostos diretos, os pobres ainda pagam proporcionalmente mais impostos.

 

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                                          Rico e pobre, por Agim Sulaj

 

 

por Felippe Hermes

 

Tudo à sua volta tem impostos. Da energia elétrica que você consome para ler esse texto até a roupa que está vestindo nesse momento.

Mas o sistema tributário brasileiro possui diversas bizarrices, das quais você provavelmente não faz a mais mínima ideia.
É um sistema complexo, desigual, cheio de brechas, gigante pela própria natureza e que tende a piorar nos próximos anos se tudo continuar nesse ritmo.

Entender toda essa legislação tributária não é tarefa simples: custa tempo, dinheiro e é algo literalmente pesado.

A seguir, sete fatos que você não sabia, mas deveria saber, sobre os impostos brasileiros. Do filme pornográfico ao livro dos recordes.

 

1) Pagamos mais impostos em remédios do que em revistas e filmes pornográficos

 

Sim, isso mesmo.

Enquanto revistas eróticas sofrem uma taxação de 19%, nossos remédios possuem uma carga tributária de incríveis 34%. Além de dar prioridade ao conteúdo adulto, nosso sistema tributário ainda nos trata pior do que animais: segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), medicamentos veterinários possuem uma carga tributária de 13%, quase um terço dos impostos embutidos em remédios de uso humano.

 

2) A complexidade do nosso sistema tributário concorre por um recorde no Guinness World Records

 

Além das injustiças e distorções provocadas pelo nosso sistema tributário, a sua complexidade atua como um entrave para empreendedores — e essa burocracia gera custos.

Anualmente, as empresas brasileiras gastam 2.600 horas para cumprir suas obrigações tributárias. É o pior resultado entre 189 países. Estamos atrás até mesmo de países como a Venezuela (792 horas), a Nigéria (956 horas) e o Vietnã (872 horas). Mesmo o penúltimo colocado, a Bolívia, dá uma surra no Brasil: 1.025 horas.

Mas para onde vai tanto tempo?

Um advogado resolveu correr atrás do número exato dessa burocracia toda. Foram quase 20 anos compilando as leis tributárias de municípios, estados e da Federação. O resultado: um livro de 7,5 toneladas, 2,21 metros de altura e 41 mil páginas contendo todas as normas tributárias do país, escritas em fonte tamanho 22.

Atualmente, o livro concorre na categoria de mais pesado e com mais páginas do mundo. Ao todo, o trabalho custou R$ 1 milhão — dos quais, 30%, foram gastos com impostos.

 

3) Não bastasse a complexidade existente, todos os dias são criadas mais 46 leis tributárias

 

Desde a promulgação da Constituição de 1988, o Brasil criou 320.343 leis tributárias. Sim: trezentos e vinte mil, trezentos e quarenta e três leis tributárias.

Levando-se em conta o número de dias úteis no período, foram criadas 46 novas leis todos os dias, segundo um levantamento do IBPT.

Se continuarmos nesse ritmo, nossa complexidade tributária só tende a piorar e complicar ainda mais os negócios do país, que já precisam seguir 40.865 artigos legais para poderem funcionar.

 

4) Nosso atual imposto de importação é maior que o da União Soviética na década de 1980

 

Você leu certo, camarada. Em 1988, a União Soviética fez uma reforma tributária e de comércio exterior, com a intenção de atrair investimentos externos. O limite de participação estrangeira em negócios, por exemplo, saiu dos 49% para 80%. Junto a essa reforma, o governo também promoveu uma abertura comercial, permitindo a importação de diversos produtos e fixou as tarifas de importação para eles, que variavam de 1% (para itens de necessidade básica, como alimentos) até 30%, em casos de itens como eletrodomésticos.

A liberação econômica mais tarde ajudaria a acabar com a censura no país e levaria a União Soviética a um colapso econômico.

Em contraste, hoje os brasileiros pagam um imposto de importação de 60% do valor do produto. As taxas ainda podem ser maiores dependendo de impostos estaduais, como o ICMS, cobrado em cima do valor do produto após a taxa de importação. Como em alguns estados o ICMS pode chegar a 18%, a tarifa total sobre a importação pode totalizar 89% do valor da mercadoria.

 

5) Nosso sistema tributário é o mais injusto do mundo, por diversas razões

 

Não existe exatamente um ranking de sistemas tributários mais injustos; porém, se existisse, o Brasil teria boas chances de figurar nas primeiras colocações.

Primeiramente, nosso retorno sobre os impostos é o pior entre 30 países analisados pelo IBPT — posição que ocupamos por 5 anos consecutivos. Com um retorno tão baixo, o sistema tributário brasileiro força o contribuinte a pagar para a iniciativa privada, quando possível, por alguns serviços como educação e saúde. Os que não podem pagar ficam relegados a serviços públicos de péssima qualidade.

Para piorar, um estudo do IPEA demonstrou que, quanto mais na base da pirâmide, mais impostos proporcionalmente o cidadão paga de acordo com sua renda: enquanto os 10% mais pobres chegam a gastar quase 30% dos seus rendimentos com impostos indiretos, os 10% mais ricos gastam cerca de 10%. Mesmo considerando-se os impostos diretos, os pobres ainda pagam proporcionalmente mais impostos.

A solução, claro, não é aumentar as taxas do topo da pirâmide: os ricos brasileiros já deduzem uma porcentagem da renda muito próxima da de países desenvolvidos — e eles, é claro, vão sempre repassar essas taxas para o resto da população.

Por que não, então, cobrar menos dos outros degraus da pirâmide?

 

6) Não fosse a sonegação, teríamos a 3ª maior carga tributária do planeta

 

Que a carga tributária do Brasil é alta, todo mundo sabe. Mas, apesar de figurarmos na 22ª posição no ranking mundial, a carga de impostos do país está muito distante de sua realidade: aparecemos no ranking ao lado de diversos países europeus ricos. Se levarmos em conta todos os países do continente americano, saímos ainda pior na foto: somos o primeiro lugar entre todos os países da região, incluindo a América do Norte.

Mas a triste realidade poderia ser ainda pior, não fosse a sonegação. Isso mesmo, a sonegação.

Segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), em 2014, o país deixou de arrecadar R$ 501 bilhões por conta da sonegação. O que pouco se fala, no entanto, é que, caso esse valor tivesse sido de fato pago pelos pagadores de impostos, o governo teria arrecadado impressionantes 2,3 trilhões de reais no período: 46% do nosso PIB, que ficou em R$ 5,5 trilhões ano passado de acordo com o IBGE.

Com uma carga tributária tão alta, tomaríamos o 3ª lugar na fila dos países que mais cobram impostos no mundo, perdendo somente para a Eritréia (50%) e a Dinamarca (48%).

Isso, claro, excluindo-se os dois países que são pontos fora da curva na arrecadação de impostos: a Coreia do Norte (100%) e o Timor Leste, que arrecadou 227% do PIB.

 

7) Existe um imposto escondido que você paga sem saber

 

Há um imposto ainda mais perverso com os mais pobres, o qual, mensalmente, corrói sua renda sem que eles tenham como escapar. Esse imposto é a inflação.

Como o Nobel de Economia Milton Friedman argumentava, a inflação nada mais é do que um imposto escondido — ele acontece quando o governo injeta na economia mais dinheiro do que a demanda pode suportar. Leia mais saber como os bancos multiplicam o dinheiro sem contar a agiotagem dos juros sobre juros

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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