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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Ago19

Lava Jato driblou lei para obter dados fiscais, apontam mensagens

Talis Andrade

Conversas obtidas pelo Intercept mostram que força-tarefa buscou informações da Receita sem requisição formal, inclusive em ações contra Lula. Contato no órgão seria Roberto Leonel, atual chefe do Coaf indicado por Moro

Deltan Dallagno.jpg

Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, teria sido um dos procuradores a acionar Leonel

 

DW - Mensagens analisadas pelo jornal Folha de S. Paulo e pelo site The Intercept Brasil sugerem que procuradores da Operação Lava Jato usaram o aplicativo de mensagens Telegram para buscar dados sigilosos da Receita Federal de maneira informal, driblando assim os limites legais.

As conversas, obtidas pelo Intercept e reveladas pelo site e pela Folha neste domingo (18/08), apontam que integrantes da força-tarefa em Curitiba solicitaram, em diversas ocasiões nos últimos anos, informações fiscais de suspeitos sem requisição formal e sem que a Justiça tivesse autorizado a quebra do sigilo fiscal dessas pessoas.

O contato dos procuradores dentro da Receita Federal, segundo as mensagens, era o auditor fiscal Roberto Leonel, que chefiou a área de inteligência da Receita em Curitiba até 2018 e, no ano seguinte, se tornou presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no governo de Jair Bolsonaro.

"As mensagens examinadas pela Folha e pelo Intercept mostram que a força-tarefa estabeleceu com Leonel uma relação de trabalho tão próxima que recorreu a ele até para verificar hipóteses dos investigadores, sem que houvesse elementos objetivos para justificar o acesso a dados do Fisco", escreve o jornal paulista.

Folha deixa claro que as mensagens analisadas não permitem saber se Leonel atendeu aos pedidos dos procuradores da Lava Jato, mas indicam que o auditor da Receita era o primeiro a ser consultado quando a operação recebia dicas de terceiros ou não contava com informações suficientes para pedir a quebra de sigilo à Justiça.

Em 2016, por exemplo, a força-tarefa fez várias solicitações desse tipo durante as investigações envolvendo reformas realizadas por empreiteiras em um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, caso que levou à segunda condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo as conversas, de janeiro a março de 2016 os procuradores pediram informações sobre uma nora de Lula, o caseiro do sítio frequentado pelo petista, o patrimônio de seus antigos donos e compras que Marisa Letícia, mulher do ex-presidente, teria feito na ocasião.

"Vcs checaram o IR de Maradona? Não me surpreenderia se ele fosse funcionário fantasma de algum órgão público (comissionado)", escreveu o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato em Curitiba, segundo a Folha e o Intercept. "Pede pro Roberto Leonel dar uma olhada informal."

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Dallagnol se referia ao caseiro Elcio Pereira Vieira, conhecido como Maradona. A mensagem de 15 de fevereiro de 2016 sugeria que fossem pesquisadas as declarações anuais de Imposto de Renda do funcionário do sítio em Atibaia.

Cerca de uma semana depois, o então juiz Sergio Moro, responsável pela operação em primeira instância no Paraná, autorizou a quebra do sigilo fiscal de Elcio. Segundo a Folha, no processo envolvendo o sítio não há informações da Receita sobre o caseiro.

Antes disso, em agosto de 2015, o procurador Roberson Pozzobon sugeriu acionar Leonel após notícias de que um sobrinho de Lula havia feito negócios em Angola com ajuda da Odebrecht. "Quero pedir via Leonel, para não dar muito na cara, tipo pescador de pesque e pague rsrsrs", teria escrito o procurador em diálogo com Dallagnol.

Também envolvendo o ex-presidente, o procurador Athayde Ribeiro Costa teria dito em setembro de 2016 que pediu a Leonel para verificar se seguranças de Lula haviam comprado uma geladeira e um fogão em 2014. A hipótese da força-tarefa era de que os eletrodomésticos teriam sido levados para um tríplex no Guarujá, no litoral paulista.

Segundo a Folha, Ribeiro Costa enviou a Leonel os nomes de oito seguranças que trabalhavam para Lula e duas lojas. Também não se sabe se a solicitação foi atendida.

No processo sobre o tríplex no Guarujá, que levou à primeira condenação do petista e pela qual ele cumpre pena na prisão, a conclusão foi de que a empreiteira OAS comprou os eletrodomésticos que equiparam o apartamento, e não o ex-presidente.

Advogados consultados pelo jornal paulista explicam que a lei brasileira permite que procuradores do Ministério Público solicitem dados à Receita Federal durante investigações, mas esses pedidos devem ser formais e fundamentados. Já uma autorização da Justiça é necessária em caso de solicitações muito abrangentes, afirmam.

Leonel no Coaf

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Roberto Leonel foi indicado para o Coaf pelo próprio Moro, que deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça no governo Bolsonaro.

Leonel, contudo, está com os dias contados na presidência do órgão. Ele deve deixar o cargo assim que o Coaf for transferido do Ministério da Economia para o Banco Central, conforme anunciou Bolsonaro. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a mudança deve ser oficializada pelo presidente nos próximos dias, bem como anunciado o nome do futuro chefe.

A versão oficial do governo é de que a transferência do Coaf para o Banco Central visa reduzir a influência política no órgão, que identifica ocorrências suspeitas e atividades ilegais no sistema financeiro. Mas o anúncio coincidiu com declarações de Leonel que deixaram o governo insatisfeito.

Leonel criticou, por exemplo, uma decisão tomada em julho pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que determinou a suspensão de todos os inquéritos que usam dados compartilhados por órgãos de controle sem autorização judicial prévia.

A decisão atingiu todos os processos que tramitam em qualquer instância da Justiça em que dados bancários de investigados tenham sido enviados por esses órgãos, como o Coaf, sem que o Poder Judiciário tenha autorizado previamente.

Toffoli atendeu a um pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, investigado pela Justiça do Rio de Janeiro. Em dezembro do ano passado, um relatório do Coaf apontou movimentação financeira atípica por parte de Fabrício Queiroz, ex-assessor parlamentar de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio.

À época da decisão do STF, Leonel afirmou que a determinação de Toffoli – que favorece o filho de Bolsonaro – comprometeria o sistema de combate ao crime de lavagem de dinheiro no país.

Escândalo de mensagens

vem pra rua dallagnol leonel.jpg

Cartaz do Vem pra Rua, um movimento criado para agitar o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e realizar o terrorismo da Lava Jato contra partidos de esquerda e desmoralizar os opositores nos Três Poderes, notadamente no STF

 

Desde 9 de junho, o Intercept e outros veículos parceiros estão divulgando uma série de reportagens que colocam em questão a imparcialidade da Lava Jato, a maior operação contra a corrupção no país.

O escândalo envolve o ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro e membros da força-tarefa. As apurações apontam que Moro teria orientado procuradores da operação, indicado linhas de investigação e adiantado decisões enquanto era juiz responsável por analisar os processos do caso em primeira instância.

A Constituição determina que não haja vínculos entre juiz e as partes em um processo judicial. Para que haja isenção, o juiz e a parte acusadora – neste caso, o Ministério Público – não devem trocar informações nem atuar fora de audiências. Se confirmadas, as denúncias indicam uma atuação ilegal do antigo magistrado e dos procuradores.

 

06
Ago19

No El País, a pá de cal da Vaza Jato em Deltan

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Deltan Dallagnol, na interpretação de todos os analistas de política, estava já liquidado pelas mensagens reveladas pela Lava Jato. Seu fim, formalmente, se daria no dia 13, quando o Conselho Nacional do Ministério Público julgaria duas representações contra ele e, ao que tudo indica, aplicar-lhe-ia uma pena de suspensão.

Agora, dificilmente chega até lá, com a revelação de diálogos obtidos pelo The Intercept e verificados pelo El País,que os publicou agora há pouco.

Neles, Dallagnol encabeça um a trama para obter ilegalmente dados e informações bancárias sobre o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, apelando inclusive a autoridades da Suíça que forneceram informações sobre Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, apontado como coletor de dinheiro para o PSDB:

Liderados por Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, procuradores e assistentes se mobilizaram para apurar decisões e acórdãos do magistrado para embasar sua ofensiva, mas foram ainda além. Planejaram acionar investigadores na Suíça para tentar reunir munição contra o ministro, ainda que buscar apurar fatos ligados a um integrante da Corte superior extrapolasse suas competências constitucionais, de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem. A estratégia contra Gilmar Mendes foi discutida ao longo de meses em conversas de membros da força-tarefa pelo aplicativo Telegram enviadas ao The Intercept por uma fonte anônima e analisadas em conjunto com o EL PAÍS.


Na guerra aberta contra o ministro do Supremo, os procuradores se mostraram particularmente animados em 19 de fevereiro deste ano. “Gente essa história do Gilmar hoje!! (…) “Justo hoje!!! (…) “Que Paulo Preto foi preso”, começa Dallagnol no chat grupo Filhos do Januário 4, que reúne procuradores da força-tarefa. A conversa se desenrola e se revela a ideia de rastrear um possível elo entre o magistrado e Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, preso em Curitiba num desdobramento da Lava Jato e apontado como operador financeiro do PSDB. Uma aposta era que Gilmar Mendes, que já havia concedido dois habeas corpus em favor de Preto, aparecesse como beneficiário de contas e cartões que o operador mantinha na Suíça, um material que já estava sob escrutínio dos investigadores do país europeu.

Em vários trechos das mensagens, Dallagnol e outros procuradores ironizam e debocham da regra legal de que não poderiam investigar um ministro do Supremo sem autorização do Tribunal:

Vai que tem um para o Gilmar…hehehe”, diz o procurador Roberson Pozzobon no grupo, em referência aos cartões do investigado ligado aos tucanos. A possibilidade de apurar dados a respeito de um ministro do Supremo sem querer é tratada com ironia. “vc estara investigando ministro do supremo, robinho.. nao pode”, responde o procurador Athayde Ribeiro da Costa. “Ahhhaha”, escreve Pozzobon. “Não que estejamos procurando”, ironiza ele. “Mas vaaaai que”. Dallagnol então reforça, na sequência, que o pedido à Suíça deveria ter um enfoque mais específico: “hummm acho que vale falar com os suíços sobre estratégia e eventualmente aditar pra pedir esse cartão em específico e outros vinculados à mesma conta”, escreve.

As mensagens, diz o jornal, “apontam para uma busca sistemática de Dallagnol por maneiras de afastar o ministro do Supremo das ações da Lava Jato assim como o hoje presidente da Corte, José Carlos Dias Toffoli.

Sonho que Toffoli e GM acabem fora do STF rsrsrs”, comenta. O procurador chega a mobilizar assistentes para produzir um documento com “o propósito de mostrar eventuais incongruências [de Mendes] com os casos da Lava Jato”. E, ao longo de anos, insiste nas possibilidades de pedir a suspeição do ministro e encampar um processo de impeachment. Os colegas, entretanto, ponderam sobre a ideia de partir para a via do impedimento político e a iniciativa acaba não saindo do papel”.

A longa matéria e as transcrições dos diálogos estão com acesso aberto no El País.

Não tem mais meias palavras, o que se fazia em Curitiba era uma conspiração.

 

04
Ago19

Gilmar Mendes: Lava jato, “um jogo de compadres” que se tornou “uma organização criminosa”

Talis Andrade

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por Fernando Brio

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Republico, a seguir, trechos da longa entrevista do ministro Gilmar Mendes, onde fica claro que o Supremo está exigindo ações disciplinares contra Deltan Dallagnol, que admite sanções éticas contra Sérgio Moro – “Acho que o próprio corregedor do CNJ errou ao arquivar a investigação com o argumento de que o juiz já não era mais juiz” – e que existe espaço para a revisão do processo que condenou o ex-presidente Lula a partir dos diálogos revelados pela Vaza Jato, ao dizer que a jurisprudência afirma que a prova, mesmo ilícita, pode ser usada para inocentar.

O ministro não economizou na dureza das palavras: diz que a força tarefa chefiada por Dallagnol fazia “um jogo de compadres” e que se tornou “uma organização criminosa para investigar pessoas”.

Mas não é só: Gilmar diz que, com os R$ 2 bilhões que ia receber da Petrobras, a fundação organizada por Deltan Dallagnol ia “fazer chover” e sustentar blogs de apoio, que a Lava jato interferiu em todo o contexto eleitoral e avançou sobre a questão da parcialidade de Moro: “Não pode haver força-tarefa entre membros do Ministério Público e juiz.”

Veja os principais recortes da entrevista dada aos repórteres Ana Dubeux, Helena Mader e Leonardo Cavalcanti:

Como o senhor viu as revelações relacionadas a esse movimento do procurador Deltan Dallagnol em relação a pessoas próximas ao senhor, como à sua mulher e ao ministro Dias Toffoli?

É claro que com constrangimento. Mas, de certa forma, se vocês acompanharem as minhas falas ao longo desses meses e anos, vocês perceberão que há alguma coisa de premonição. Eu até já disse que sou meio profeta, porque as coisas que eu falo acontecem. Então, de certa forma, eu imaginava que essas coisas estavam ocorrendo. Claro que, quando a realidade se manifesta, a gente também toma um choque. Mas é uma atitude das mais sórdidas e mais abjetas que se pode imaginar. Por que se queria investigar Toffoli ou a mim? Por que nós fizemos algo errado? Não, porque nós representávamos algum tipo de resistência às más práticas que se desenvolviam. É uma coisa tão sórdida que fala dos porões. Onde nós fomos parar?
 

O senhor vai tomar alguma atitude prática em relação a esse episódio?

Nós estamos discutindo essas questões. A meu ver, coisas como essas não ocorrem se o sistema tem um modelo de autoproteção e de correção. O que faltou aqui? Faltaram os órgãos correcionais. O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) não funcionou bem, o CJF (Conselho de Justiça Federal) não funcionou bem, o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) não funcionou bem. Faltou chefia, supervisão.
 

Ainda falta?

Estamos falando do que ocorreu. Aqui faltou supervisão, houve um autonomismo, um independentismo, e produziu-se isso que aí está. E isso é só o que a gente sabe; não sabemos de tudo. Não se falou nada sobre delações.

Isso coloca em xeque tudo que foi feito?

Não, não, acho que é importante separar isso. É óbvio que, ao se criticar as operações, não se pode compactuar com o malfeito, com corrupções. Agora, com certeza, coloca em risco o sistema, e pode trazer consequências para os seus eventuais processos.
 

O CNMP já arquivou ações apresentadas sobre o tema…

Recentemente, o corregedor, que é um bom profissional, arquivou as primeiras representações dizendo que elas se louvavam em ato ilícito, porque houve envolvimento de hackers. Primeira coisa que se tem que fazer é separar. A gente tem falado isso sempre. Tem que separar a questão do hackeamento, que é deplorável, lamentável, e precisa ser punido, se houve, claro. Como tudo indica que houve, essas informações existentes precisam ser explicadas.
 

Por parte de quem publicou também?

Não, precisam ser explicadas por parte de quem as produziu. Veja que vivemos um fenômeno semelhante, e vocês de Brasília acompanham isso de forma privilegiada, à questão dos vazamentos. Os vazamentos são crimes por parte do agente público. Não obstante, vocês publicam. Nós estamos há quatro ou cinco anos nessa questão da Lava-Jato. Nisso, deploravam sempre os vazamentos, que vinham da procuradoria. A toda hora, isso estava estampado nos jornais. Precisamos aprimorar isso, acho que inclusive devemos agravar a pena e tratar desse tema com maior seriedade. Mas só para dizer que temos que separar as duas questões. O funcionário público tem que dar explicação sobre o conteúdo daquilo que ele produziu. Na verdade, isso não deveria ter existido. Não pode haver força-tarefa entre membros do Ministério Público e juiz.
 

O senhor avalia que existe algum interesse específico neste caso?

A impressão que eu tenho é que se criou no Brasil um estado paralelo, se a gente olhar esse episódio (do Deltan e Toffoli), para ficarmos ainda nas referências que o procurador faz. Dizer “eu tenho uma fonte na Receita e já estou tratando do tema”, significa o quê? Significa “estou quebrando o sigilo dele”. No fundo, um jogo de compadres. É uma organização criminosa para investigar pessoas. Não são eles que gostam muito da expressão Orcrim? “Eu tenho um amigo na Receita que já está fazendo esse trabalho”. Veja bem, qual é esse trabalho? De quebra de sigilo.
 

Mas, pela origem dessas informações, o senhor acha que eles podem ser processados por esses vazamentos?

Eu acho que a gente pode tirar lições disso, aprendermos. Faltou cabelo branco lá, faltou gente que tivesse noção. Se a gente olhar os fatos, é um grupo de deslumbrados.
 

O senhor inclui, nesse grupo de deslumbrados, o ministro Sérgio Moro?

Não quero fazer personalizações, nem falar de nomes. Mas, na verdade, aquilo é um erro coletivo, a Lava-Jato como um todo, e que já tinha se manifestado em outras operações. Eu acompanho isso desde 2002. Se vocês olharem, por exemplo, participei intensamente do caso Satiagraha, Daniel Dantas, e tudo mais. À época, o juiz De Sanctis e o delegado Protógenes eram os santos da época. Em geral, essas pessoas surgem, vão ao céu e depois são enterradas melancolicamente.
 

O senhor acha que se perderam na vaidade, por terem se transformado em super-heróis da sociedade?

Não. Aconteceu uma série de coisas. A mídia que, em geral, os celebra até o céu, depois não os leva para o inferno. Normalmente, se dá um silêncio obsequioso. Por quê? Porque ela (mídia) foi cúmplice no processo. Se vocês quiserem lembrar, vamos lembrar de Luiz Francisco. Algum de vocês fala de Luiz Francisco? Não, mas era o personagem que passava informações, e, quando ele caiu em desgraça, morreu de morte morrida, sem que ninguém mais dele falasse. Então, essa é uma questão, e acho que nós temos que aprender a encerrar esse ciclo desses falsos heróis e apostar na institucionalização. O combate à corrupção continua importante, o combate à criminalidade também, mas veja, essa gente tinha ganho uma importância tão grande que eles tinham se tornado um poder. “Ah, mas isso não pode fazer porque contraria a Lava-Jato.” “Ah, isto o outro não pode fazer porque contraria a Lava-Jato.” As 10 medidas que a Lava-Jato concebeu…
 

E o projeto de se criar uma fundação para gerir R$ 2 bilhões?

Seria uma das maiores fundações do mundo. Eu vivo em Portugal, lá tem a fundação Calouste Gulbenkian, que investe 100 milhões de euros por ano, faz chover em Portugal. Só os R$ 2 bilhões dessa fundação seriam mais de R$ 400 milhões, fariam chover no Brasil.
 

E a história seria outra hoje se a fundação fosse adiante?

Com certeza. Quantos blogs isso ia sustentar, e era para isso, se diz claramente.
 

O senhor acha que esses fatos envolvendo a Lava-Jato vão resultar em algo, ou será apenas aprendizado?

Acho que nós temos que estimular os órgãos competentes a fazerem o seu papel. Acho que o próprio corregedor do CNJ errou ao arquivar a investigação com o argumento de que o juiz já não era mais juiz. Mas, antes de chegar a essa conclusão, deveria ter feito todas as investigações que o próprio CNJ pode fazer. Porque, se não tiver nenhum efeito, pelo menos terá efeito de caráter pedagógico, subsidiará novas normas para essa relação entre juiz, promotor, delator, delegado. Então, acho que isso é importante. O CNMP, que é um pouco o primo pobre do CNJ, precisa funcionar mais. Por que? Porque hoje temos notícias muito maiores de abusos mais frequentes na esfera do MP e pouca coisa acontece.
 

Como o senhor avalia as palestras que os procuradores ministram mediante pagamento? Há um conflito de interesses ou não?

Talvez. Eu acho que deve haver realmente algo claro. Vocês sabem bem que eu sou professor há muito tempo, e conheço essa temática. Não vejo na magistratura esse agenciamento de palestras nessa dimensão, normalmente convidam as pessoas para dar palestras, aulas, conferências, e, quando muito, se oferece uma remuneração simbólica por algumas horas-aula. Naquela dimensão, é algo realmente muito incomum. Usando uma linguagem do mundo publicitário, os “400k” são algo que realmente, eu, que sou um modesto professor que só vendi, dentro do curso de direito constitucional, 100 mil exemplares, não recebo isso. Na verdade, não recebo nada, faço palestras sem cobrar. Não cobro por nenhuma.
 

Naquele caso, havia palestras para bancos, e até para uma empresa investigada pela própria Lava-Jato.

Tudo isso cai no tema que estou dizendo, sobre a nova institucionalidade. Acho que precisa disciplinar. Eu acho que todos nós, tenho até dito isso, vamos sair mais fortes disso. Acho que, institucionalmente, vamos sair mais fortes.
 

O senhor imagina que a opinião pública criou heróis? Como convencer a sociedade de uma lei como essa que o senhor está sugerindo?

Eu tenho a impressão de que nós temos que conversar, dizer isso claramente. É interessante quando as pessoas criticam uma lei de abuso de autoridade, que impõe limites a um delegado, um promotor, ou juiz, porque é como se dissesse “mas isso vai restringir minhas atividades”. Mas o quê? Significa que você precisa ter o direito de cometer abuso? De eventualmente fazer uma pequena tortura? Então, é preciso dialogar com a opinião pública. As pessoas, na verdade, só conseguem avaliar isso quando elas, de alguma forma, internalizam isso, e sabem que essa violência pode ser perpetuada contra elas.
 

O senhor acredita que esses fatos que ocorreram em Curitiba, que inclusive envolvem um ex-candidato à Presidência, podem ter interferido nos resultados das eleições?

Eu tenho a posição de que as eleições sofreram efeitos. É evidente. Porque o sistema político todo foi afetado por isso. E, se a gente olhar pontualmente, houve ações diretas no Mato Grosso do Sul, em Goiás, em Curitiba. Mas, independentemente disso, toda essa questão, a inelegibilidade, as imputações, as acusações, na verdade, mudaram o cenário político.
 

Foi um efeito intencional ou um reflexo da influência dos fatos na eleição presidencial?

Não, tem um efeito contextual, geral. Se a gente olhar hoje, os candidatos ligados à Segurança Pública lograram uma votação expressiva, beneficiários desse contexto. Não faria esse tipo de análise específica, eu acho que a operação Lava-Jato já levou por si só a afetar o sistema político, até muito antes da eleição, e, de certa forma, definiu quem poderia e quem não poderia ser candidato.
 

No ano passado, na iminência do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, o general Villas-Boas chegou a tuitar falando que a força estava atenta à sua missão institucional. As Forças Armadas influenciam no Supremo ou exercem algum tipo de pressão no Supremo?

Não acredito que o tribunal tenha votado por conta do tuíte do general, e não vejo competência nas Forças Armadas para deferirem limites de competência do STF. Isso não está escrito no texto constitucional. Se alguém está fazendo essa leitura, é uma leitura extravagante.

Mas o senhor acredita que o general extrapolou um pouco a sua competência ao se manifestar na rede social?

Eu tenho a impressão de que o Brasil viveu uma embolada institucional. Muita confusão, em que os papéis ficaram trocados. Nós mesmos devemos ter cometido erros nesse contexto. É importante que agora as coisas sejam chamadas pelo nome e que todos nós trabalhemos em função de uma reinstitucionalização.
 

Com a prisão dos suspeitos de hackear os celulares, entre outros acontecimentos recentes, o senhor acha que já tem materialidade suficiente para analisar se houve um julgamento justo?

É uma questão que vamos ter que analisar com muita cautela. É um contexto muito peculiar que tem que contemplar inclusive o fato de o ex-juiz, que condenou o ex-presidente Lula, depois ter aceito um convite para ser ministro do governo adversário. Isso é um elemento que aparece inclusive nos questionamentos internacionais.
 

As provas, mesmo que de origem ilícitas, podem ser usadas pela defesa, podem ser argumentadas no processo?

Esse é um debate que vamos ter que travar. É evidente que a prova ilícita é repudiada pelo texto constitucional, a pergunta que sempre se faz é se a prova ilícita pode ser usada para isentar alguém de responsabilidade, para absolver alguém, e nós temos algumas respostas parciais em relação a isso. Por exemplo, quando alguém grava uma conversa quando ele está sendo constrangido, ameaça de extorsão, ou uma gravação ambiental para uma defesa. Com posições desse tipo, a jurisprudência constrói uma resposta positiva.
 
03
Ago19

Deltan precisa ser preso urgentemente!

Talis Andrade

 

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Por Kiko Nogueira
 

Nova leva de diálogos da Vaza Jato mostram Deltan Dallagnol mandando investigar o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, visto como inimigo da causa.

Dallagnol buscou informações sobre as finanças pessoais do atual presidente do STF e da mulher dele, Roberta Rangel, além de evidências que os ligassem a empreiteiras. 

“Caros, a OAS trouxe a questão do apto do Toffoli?”, diz ele, em 13 de julho de 2016, aos procuradores que negociavam com a empresa acordo de colaboração.

“Que eu saiba não”, responde o promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes, de Brasília.

“Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela”, pede Dallagnol.

Recorreu à Receita Federal para levantar informações sobre o escritório de advocacia de Roberta.

Gilmar Mendes também estava na mira.

“Tem uma conversa de que haveria recebimentos cruzados pelas esposas do Toffoli e Gilmar”, conta Deltan ao procurador Orlando Martello.

“Tem mta especulação. Temos a prova disso na nossa base? Vc teve contato com isso?”

A Folha aponta que os magistrados STF não podem ser investigados por procuradores da primeira instância.

Segundo a Constituição, só com autorização do próprio tribunal, onde quem atua em nome do Ministério Público Federal é o procurador-geral da República.

Pelos critérios da operação que comandava com Sergio Moro, Dallagnol já estaria em cana. Preventiva na cabeça.

Já falei disso e repito aqui: se fosse o que prega, já teria pedido demissão.

Fosse o Brasil sério, estaria atrás das grades.

Ele precisa ser preso, entre outros motivos, antes de terminar de destruir as provas de seus crimes.

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02
Ago19

Sem competência para investigar um integrante do STF, Dallagnol perseguia o ministro Toffoli

Talis Andrade

Segundo mensagens publicadas pela Folha de S.Paulo, Deltan queria também influenciar na indicação da vaga do STF, investigando o atual corregedor nacional de Justiça, que era, segundo ele, cotado para o cargo

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Migalhas - Nesta que é uma das mais graves revelações acerca dos vazamentos da Lava Jato, descobre-se agora que o procurador Deltan Dallagnol, sabidamente incompetente para investigar um ministro do Supremo, teria desde 2016 remexido na vida do ministro Dias Toffoli, atual presidente do STF, e de sua esposa. É o que revelam novas mensagens divulgadas hoje, quinta-feira, 1º, pelo The Intercept Brasil e pela Folha de S.Paulo.

Segundo a Folha, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba – cargo que imediatamente deve lhe ser retirado – teria ilegalmente buscado informações sobre finanças pessoais do ministro. Deltan ainda usava o cargo e a posição para questionar integrantes da PGR acerca de documentos que ligassem o ministro e sua esposa a empreiteiras. Como se não bastasse na atabalhoada sanha persecutória, Dallagnol teria recorrido à Receita Federal para levantar informações sobre o escritório de advocacia da esposa do ministro.

Parecia ser desnecessário dizer, mas o fato é que no nosso livrinho – nossa tão combalida Carta Magna – não permite que procuradores que atuam na 1ª instância, como é o caso de Dallagnol e dos demais integrantes da força-tarefa, possam investigar um ministro do STF. Irá agora Dallagnol falar em desconhecimento da lei? Ou a lei, que era para todos, não lhe serve?

Vamos abaixo trazer os diálogos veiculados que, até prova em contrário, atestam o uso arbitrário do poder do representante do parquet. Aliás, representante que em boa hora o parquet deveria perceber que não o representa, e que tisna o bom trabalho da instituição, a qual prima pela legalidade e correção.

Antes do conteúdo, é preciso ainda dizer que a investigação, conquanto ilegal, atestou a idoneidade do ministro e de sua esposa, uma vez que tendo fuxicado na vida e nas finanças do ministro e do escritório de advocacia da esposa, não encontrou uma nesga de irregularidade.

toffoli-investigação-coaf.jpg

 

Confira a íntegra dos diálogos:

__________

Em julho de 2016, Dallagnol consultou os colegas que negociavam um acordo de colaboração com a empreiteira OAS para saber se tinham informações sobre Toffoli.

t13.jul.2016

Deltan Dallagnol - 22:36:58 - Caros, a OAS trouxe a questão do apto do Toffoli?

Sérgio Bruno Cabral Fernandes - 22:55:26 - Que eu saiba não. Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela.


Semanas depois, Deltan procurou Eduardo Pelella, chefe de gabinete do então PGR, Rodrigo Janot, para trocar informações sobre o ministro. Ele estava interessado na reforma que Toffoli havia feito em sua casa em Brasília, com participação da OAS.

t27.jul.2016

Deltan - 22:16:07 - Pelella, segundo informações, Toffoli é sócio oculto do primo, [...], no [...]. Este Resort situa.se em [...].


t28.jul.2016

Pelella - 04:56:29 - Opa!!!

[...]

Deltan - 22:09:59 - Pelella, queria refletir em dados de inteligência para eventualmente alimentar Vcs. Sei que o competente é o PGR rs, mas talvez possa contribuir com Vcs com alguma informação, acessando umas fontes. Vc conseguiria por favor descobrir o endereço do apto do Toffoli que foi reformado?

Pelella - 23:16:05 - Foi casa
23:16:09 - Consigo sim
23:16:15 - Amanhã de manhã

Deltan - 23:21:39 - ótimo, obrigado!

Citação
PGR: o procurador-geral da República, Rodrigo Janot


t4.ago.2016

Deltan - 20:05:09 - Pelella consegue ainda o endereço do Toffoli?

Pelella - 20:30:31 - Sim
20:30:34 - Perai
20:49:55 - SHIN [...] cnj [...] casa [...]


Em agosto, a revista Veja publicou reportagem sobre a reforma na casa de Toffoli, com base na delação do empreiteiro Léo Pinheiro. O vazamento causou mal-estar no STF e levou a PGR a suspender negociações com a OAS. Mesmo assim, os procuradores continuaram buscando informações sobre finanças pessoais de Toffoli e do escritório de advocacia da esposa do ministro, Roberta Rangel.

t21.ago.2016

Orlando Martello - 14:44:00 - A respeito do Toffoli, peçam pesquisa para a Spea de pagamentos da OAS para o escritório da esposa do rapaz q terão mais alguns assuntos para a veja
14:44:36 - Não é nada relevante, mas acho q da uns 500 mil

Deltan - 15:58:35 A RF tá olhando... Mas isso eu não sabia

Citações
Spea: Secretaria de Pesquisa e Análise da Procuradoria-Geral da República
RF: Receita Federal


t26.ago.2016

Martello - 09:10:04 - Esposa do Toffoli; não do gilmar. Sim, prestação de serviços do escritório de advocacia dela para, acho, OAS. Só estou em dúvida se foi para a OAS ou outra empreiteira, mas quase certeza de que foi para a oas. Fatos de 2009 ou 2010. Não me recordo bem. Jonathas pode fazer esta pesquisa.

Deltan - 10:02:15 - Tem uma conversa de que haveria recebimentos cruzados pelas esposas do Toffoli e Gilmar. Tem mta especulação. Temos a prova disso na nossa base? Vc teve contato com isso?
10:02:25 - Aí é diferente rs

Martello - 12:20:46 - Não. Não tenho nada sobre isso.
12:21:23 - achei o que me mandaram.
12:21:30 - Achei uma procuração do toffoli e da mulher dele, representando Queiroz Galvão no tcu... Então eles podem ter recebido pagamentos em 2009, ano que tem quebra fiscal por aí. Nós vamos tratar isso com toda a gravidade que merece. ele tinha que ter se declarado impedido... Não pode ajudar só a achar esses pagamentos?? Com certeza tem algum pagamento em 2009 pela Queiroz Possíveis favorecidos: TOFFOLI E TELESCA ADVOGADOS ASSOCIADOS S C CNPJ [...] TOFFOLI RAVANELLI E MASSULA ADVOGADOS ASSOCIADOS ME CNPJ [...] JOSE ANTONIO DIAS TOFFOLI CPF [...] ROBERTA MARIA RANGEL CPF [...] RANGEL ADVOCACIA CNPJ [...]

Martello - 12:22:10 - É sobre a queiroz galvão e não sobre a oas

Deltan - 13:53:13

Martello - 14:50:43 Mas olha que não pedi pesquisa em relação a OAS!!!

Citações:
Gilmar: Gilmar Mendes, ministro do STF
TCU: Tribunal de Contas da União


Meses depois, com Léo Pinheiro preso e as negociações da delação da OAS ainda sem perspectiva de retomada, Deltan sugeriu a Pelella o uso de informações fornecidas pelo empreiteiro para barrar a indicação do ministro Humberto Martins, do STJ, para uma vaga que estava aberta no STF.

t27.jan.2017

Deltan - 16:31:38 - Pelella, é importante o PGR levar ao Temer a questão do Humberto Martins, que é mencinoado na OAS como recebendo propina...
16:32:00 - Melhor checar antes o conteúdo do anexo, para lembrar certinho
16:32:06 - Vou checar e já falo, aliás

Pelella - 16:34:00 - Beleza
16:34:14 - Deixa com “nós”
16:34:20 - Td certo por aí?

Deltan - 19:54:32 - Opa, tudo certo... e por aí?
20:01:10 - Não tá nos anexos, mas iriam entregar. Só não lembramos se era corrupção ou filho... vou ver se alguém lembra e qq coisa aviso, mas já cabe a ponderação pq seria incompativel


t3.fev.2017

Deltan - 16:29:29 - Pelella, não esquece por favor a questão do Humberto Martins do STJ (o nome dele continua cotado)


Vazamentos

Migalhas reuniu, em site exclusivo, todas as informações e desdobramentos dos vazamentos envolvendo a operação Lava Jato. Acesse: vazamentoslavajato.com.br

moro-provas-fugiu.jpg

 

 

01
Ago19

Deltan virou “hacker” do Supremo, revelam diálogos

Talis Andrade

pressao dallagnol hacker do stf.jpg

por Fernando Brito

---

Deltan Dallagnol tem de ser afastado imediatamente de suas funções de coordenador da Operação Lava Jato.

As mensagens reveladas hoje, em mais um capítulo da apuração do The Intercept, em conjunto com a Folha, não revelam apenas um comportamento aético do procurador, mas o cometimento de crimes.

Violou as funções legais, ao investigar não um fato, mas diretamente pessoas, no caso os ministros José Carlos Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo, usurpou funções que seriam apenas da Procuradoria Geral da República e violou, com a cooperação dos funcionários da Receita postos à sua disposição, o sigilo fiscal de ambos.

A capa infamante de Veja sobre o atual presidente do Supremo, numa história que veio depois a mostrar-se falsa, foi gestada e produzida por ele.

Deltan ultrapassou todos os limites para retaliar quem, no Supremo, não ratificava automaticamente as ações de Curitiba e os desígnios de Sérgio Moro.

Sua invasão aos dados fiscais dos dois ministros é pior, sob qualquer aspecto, que o crime cometidos pelos “hackers de Araraquara”, não apenas porque ele é um agente de Estado violando a lei como usa, para isso, os órgãos da Administração Pública como instrumentos.

hacker esconderijo.jpg

 

A história está detalhada na Folha e no The Intercept e não preciso repeti-la aqui, bem como o leitor e a leitora pode facilmente entendê-la pela transcrição dos diálogos.

O que importa, agora, é ver quais serão ( e se serão) as providências tomadas pela Procuradoria Geral da República e pelo Conselho Nacional do Ministério Público diante das evidentes transgressões legais de Deltan Dallagnol e outros procuradores.

Aqui, os diálogos completos.

hacker moro.jpg

 

16
Jul19

Toffoli suspende investigações contra Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz

Talis Andrade

toffoli bolsonaro milícia cia.jpg

 

247 - A pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, suspendeu todos os inquéritos que tramitam em todas as instâncias da Justiça que tenham partido de dados detalhados compartilhados por órgãos de controle, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), sem prévia autorização judicial. A investigação está sendo realizada pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ).

A medida aumenta as críticas sobre " blindagem" do Judiciário à família Bolsonaro. Em maio, Toffoli teve um encontro com o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, para firmar o chamado "pacto" dos três Poderes. Por sua vez, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, tem se esquivado desde o início do ano de comentar as ligações da família de Bolsonaro com milicianos e as movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador. 

bolsonaro milicia laranjal .jpg

 

26
Jun19

O STF É INACREDITÁVEL, INVIÁVEL, INCOMPREENSÍVEL

Talis Andrade

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por Helio Fernandes



"DEMOCRACIA EM VERTIGEM"
 
Assisti ontem, na Netflix, esse filme da jovem Petra Costa. Excelente
do principio ao fim. Ideia, direção, roteiro, do impeachment da
presidente Dilma à prisão do ex-presidente Lula.Todos os fatos que
aconteceram desde a reeleição da Dilma. E do processo do Aécio Neves,
que não se conformou com a derrota.
 
Os fatos que nos agradaram ou revoltaram nos últimos 4 anos, são
mostrados, lembrados ou relembrados, como aconteceram e quando
aconteceram. A conspiração parlamentar coordenada e executada por Aécio
Cunha e Temer é um momento importante da traição e da Historia.
O filme é de 2018. E não será exibido nos cinemas.
 
O STF É INACREDITÁVEL, INVIÁVEL, INCOMPREENSÍVEL

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Depois de terem marcado o julgamento de Lula para 1 de agosto,(já que
julho será totalmente do recesso, que começa depois de amanhã) ontem
terça, ás 3 da tarde decidiram, SOBERANAMENTE, julgar o HC do
ex-presidente.
 
A surpresa foi total quando se soube que Gilmar Mendes LIBEROU a
Segunda Turma para julgar imediatamente o HC. Só os 5 ministros
ficaram sabendo, os outros 6,(que completam o STF) só tomaram
conhecimento depois.
 
Essa Segunda Turma é historicamente ditatorial. Durante um longo
tempo, Gilmar, Lewandowski e Dias Toffoli, libertavam ou mantinham
presos de acordo com a VONTADE deles. Com Toffoli FEITO e não ELEITO
presidente, garantiam que a composição mudaria totalmente.
 
Toffoli foi substituído por Carmen Lucia, de formação, convicção e
votação (nos mais diversos casos inteiramente diferente de Toffoli) o
que permitiu que muitos analistas e especialistas,sentenciassem: " 3 a
2 agora, nunca mais ou não antecipado", como acontecia nos tempos de
Toffoli.
 
Foram julgados, ontem, 2 HC impetrados por Lula. O primeiro foi
recusado pelo ministro Fachin, relator da Lava-Jato. Foi coerente,
pois sempre votou contra. O que não significa que tenha sido justo.
 
Antes das 5 da tarde já havia devolvido.
 
Faltava o outro HC, esse demorado e retardado, na expressão sem
exorbitância da palavra.
 
(Às 4 da tarde, o Canal Bloomberg, dos 13 anos eleito prefeito de Nova
Iorque) informava: "por 3 votos a  2 , Lula perde o segundo HC 
e continua preso".
 
Muita confusão, falta de disposição para terminar um julgamento que
vem do ano passado. E é o próprio STF que complica tudo. Muitas vezes
fica a impressão que não querem mesmo chegar a um resultado.
 
O ministro Gilmar Mendes apresentou proposta de liberdade PROVISÓRIA
para Lula, até que o julgamento termine definitivamente. Depois de
quase 2 horas, por 3 a 2, Lula continua preso. O voto decisivo foi de
Carmen Lucia.
 
Nenhuma surpresa. Durante todo o tempo em que presidiu o STF, ela se
recusou a pautar julgamento que poderia favorecer  o ex-presidente.
 
Falta decidir a parcialidade ou imparcialidade do então juiz Sergio 
Moro.
 
PS- E qualquer que seja o resultado, caberá recurso para o plenário.
 
PS2- Não se sabe quando terminará. Por causa disso, a liberdade

 

PROVISORIA, justíssima.
19
Jun19

Nem precisou de tanques para Toffoli tremer: bastou um soco na mesa

Talis Andrade

Eduardo-Bolsonaro-ameaca- fechar -STF.jpg

 

 

por Ribamar Fonseca

---

O soco que o general Heleno deu na mesa durante um café da manhã de Bolsonaro com jornalistas, que deixou amedrontados os profissionais da imprensa presentes e fez tremer o ministro Dias Toffoli – que até mudou a pauta do STF – revelou  o seu surpreendente desequilíbrio, até então bem disfarçado por uma aparente serenidade. E deixou bastante claro o seu ódio a Lula que, a exemplo do capitão-presidente, gostaria que fosse condenado à prisão perpétua. Felizmente essa pena não existe na legislação brasileira, para desespero do general, que vai ter de curtir o seu ódio ao ex-presidente até descobrir que esse sentimento faz muito mais mal a si do que ao líder petista, que pode deixar a prisão a qualquer momento. Afinal, depois das revelações do site The Intercept sobre as ações políticas criminosas da gang da Lava-Jato para impedir Lula de voltar ao Poder, facilitando a eleição de Bolsonaro, além da nulidade do processo que o condenou os fatos denunciados também podem provocar a anulação do pleito. E o general pode perder a boquinha. Para isso basta que os membros do Tribunal Superior Eleitoral tenham aquilo roxo, como diria Collor, para tomar a decisão.

A verdade é que a explosão de fúria do general aconteceu na hora errada e na direção também errada. Um café da manhã com a imprensa, que se pressupõe uma reunião destinada a oferecer ao presidente uma oportunidade para se confraternizar com os jornalistas, certamente não é o momento mais adequado para semelhante demonstração de desequilíbrio. Em segundo lugar, ele deveria ter demonstrado essa indignação pública não contra Lula, que está preso e não tem como se defender, mas contra Bolsonaro, quando demitiu o seu colega general Santos Cruz, da Secretaria de Governo, por ter contrariado o desejo do seu guru, o astrólogo Olavo de Carvalho, de receber R$ 400 mil para ter um programa de televisão na EBC. O indignado general, no entanto, ficou quieto, sem um gesto em defesa do seu companheiro de farda, preferindo não colocar o seu emprego em risco. O general, ao que parece, teve medo do capitão, numa inversão da pirâmide da hierarquia militar. Aliás, não apenas ele, mas todos os generais que integram o primeiro escalão do governo parecem que estão mais preocupados em manter os seus cargos do que com o país, uma vez que aceitam sem um gemido sequer a entrega de nossas riquezas aos americanos, inclusive a Embraer e a base espacial de Alcântara. Em recente entrevista à TVT Lula, que não esconde sua preocupação com a destruição da nossa soberania, chegou a dizer: “General que não é nacionalista não merece ser general”. 

lula sobe.jpg

 

Além da explosão de fúria, acompanhada de um soco na mesa, o general Heleno ainda disse que “tinha vergonha de Lula ter sido presidente do Brasil”. Vergonha de quê, general? A esmagadora maioria do povo brasileiro se orgulha de Lula e inclusive queria que ele voltasse à Presidência da República, conforme pesquisa de intenção de votos às vésperas das últimas eleições presidenciais, o que só não aconteceu por causa da manobra de Moro. E sabe, por que, general? Simplesmente porque o líder petista foi o melhor presidente que este país já teve, tirou mais de 40 milhões de brasileiros da linha de pobreza; tirou o Brasil do mapa da fome, conforme certificado pela própria ONU; abriu as portas das universidades para pobres e negros; criou o Bolsa-Família de importância vital para a sobrevivência de muitas famílias; colocou o país  entre as grandes nações do planeta; tornou o nosso país uma importante peça no tabuleiro mundial. E nunca humilhou nenhum militar, muito menos general. Muito pelo contrário, teve um excelente relacionamento com os militares, inclusive investindo na modernização das Forças Armadas, entre outras coisas viabilizando a construção de um submarino nuclear. Vergonha de quê, general? Só se for da farsa montada pela gang da Lava-Jato para impedi-lo de voltar ao Palácio do Planalto. 

Todo mundo – todo o mundo mesmo – já sabe que o ex-juiz Sergio Moro e sua turma da Lava-Jato atuaram como uma organização política criminosa, inclusive manipulando as informações vazadas à imprensa, para impedir Lula de concorrer às últimas eleições presidenciais porque sabiam que ele seria eleito no primeiro turno. Usaram de todas as artimanhas, inclusive com a participação da mídia, que se tornou cúmplice das suas ações criminosas, para anular qualquer possibilidade do ex-presidente se defender, chegando até à crueldade de usar a morte da sua mulher, dona Marisa Letícia, para atingi-lo. Por tudo isso, os Advogados pela Democracia já pediram a prisão de Moro, Dallagnol e todos os que participaram da farsa, acusando-os dos crimes de formação de organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação e violação do sigilo funcional. Diante disso, pergunta-se: por que até agora ninguém tomou nenhuma providência para punir os criminosos? Estão esperando o quê? O CNJ e o Supremo se mantêm em silêncio, acovardados, sobretudo depois do soco na mesa do general Heleno e até mesmo no Congresso Nacional não se fala mais na CPI para apurar as denúncias. Enquanto isso a Globo e as milícias virtuais de Bolsonaro estão empenhadas na tarefa de desqualificar as revelações do The Intercept, tentando convencer os parvos de que os criminosos não são os atores da Lava-Jato, mas os supostos hackers que teriam invadido os celulares do ex-juiz e procuradores. 

O que mais surpreende é a postura de homens maduros, grisalhos, de formação jurídica e ocupando altos cargos defenderem Moro sob a alegação de que ele trouxe “novo padrão jurídico e ético” para o combate à corrupção. Para eles, infringir as leis, em especial a Constituição, é um “novo padrão jurídico e ético”. O ministro Edson Fachin e o ex-presidente do STF, Carlos Velloso, por exemplo, pensam assim, conforme suas próprias declarações, o que nos leva a concluir que se todo o pessoal do Judiciário tiver o mesmo pensamento então a Justiça está mesmo perdida e só resta apoiar o filho do presidente Bolsonaro, que ameaçou fechar a Corte Suprema apenas com um cabo e um soldado, certamente porque aquela Corte não está cumprindo o seu papel de guardiã da Constituição. Percebe-se que a paixão política, o inexplicável ódio a Lula embotou o raciocínio desse pessoal. Para eles, afora Moro, ninguém mais neste país combateu a corrupção. Todos os outros magistrados seriam, então, negligentes? Ou cúmplices? Um absurdo. Ao que parece eles estão com a cabeça cheia das manchetes da grande mídia, que transformou Moro em super-herói e condenou Lula por antecipação. E não conseguem ver nada além dessas manchetes, o que depõe contra a sua inteligência.

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O jornalista Glenn Greenwald deve publicar logo o seu material mais explosivo, de modo a obrigar a quem de direito tomar as providências necessárias para punir os crimes praticados pelo pessoal da Lava-Jato. Se demorar muito eles vão acabar encontrando um meio de impedir a divulgação do restante do material sobre os bastidores da força-tarefa, para alivio de todos os envolvidos, inclusive dos membros do TRF-4 e dos tribunais superiores, que endossaram todas as ações do ex-juiz, numa ação coordenada. Sequer leram as centenas de páginas do processo e a argumentação da defesa do ex-presidente, já comparecendo aos julgamentos com os votos prontos, aparentemente combinados. Tudo, portanto, não passou de um teatrinho para enganar os trouxas. Em recente entrevista Lula disse que deseja apenas que os juízes leiam o processo e apontem qual o crime que cometeu, pois em mais de dois anos de rigorosa investigação os policiais não encontraram o desvio sequer de dez centavos. Precisamente por isso, por absoluta falta de provas, foi que Moro e sua turma inventaram aquela história do triplex, pois era fundamental tirar o petista das eleições. Na verdade, a decisão sobre a condenação de Lula já estava tomado no Departamento de Justiça norte-americano, antes mesmo da instalação da Lava-Jato. Enquanto isso, os verdadeiros ladrões, aqueles que confessaram o roubo, estão soltos, desfrutando do dinheiro roubado. 

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31
Mai19

BAIXARIA DE BOLSONARO: TRANSFERE NAMORADA DE LULA PARA FOZ, A 630 KM DE CURITIBA

Talis Andrade

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Rosângela da Silva, Janja, 40 anos

 

A imprensa noticiou que o ex-presidente Lula estava namorando a socióloga Rosângela da Silva, que trabalha na Itaipu Binacional há 16 anos, no escritório de Curitiba.

Se ela quiser continuar na empresa terá que se mudar para Foz do Iguaçu, a 630 km da capital do Paraná, onde Lula está preso, condenado pelo ministro da Segurança Pública de Bolsonaro, Sérgio Moro.

A transferência da funcionária foi assinada pelo diretor-geral brasileiro da usina, Joaquim Silva e Luna, que foi indicado ao cargo em fevereiro, pelo vingativo e perseguidor presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Bolsonaro traça o perfil partidário do Superior Tribunal de Justiça:

Pelo perfil dos nossos ministros, ele [Lula] não terá chance no que depender de nós, não terá chance de conseguir sua liberdade na forma da lei”, declarou o presidente.

Em discurso durante café da manhã nesta quinta-feira (30), o presidente Jair Bolsonaro disse que a Justiça está "ao nosso lado", ao se referir a presença do presidente do STF, Dias Toffolli.

A declaração foi durante encontro com deputadas federais e senadoras, no Palácio do Planalto. Bolsonaro disse que o presidente do Supremo "tem sido uma pessoa excepcional" desde que ele chegou ao Palácio do Planalto.

"A força do Executivo e do Legislativo juntos, com todo o respeito ao Dias Toffoli (risos), é muito forte. E é muito bom nós termos aqui a Justiça ao nosso lado, ao lado do que é certo, ao lado do que é razoável e ao lado do que é bom para o nosso Brasil", afirmou o presidente, segundo reportagem do jornal O Globo.

Bolsonaro disse ainda que está interessado em fazer um país que vá no sentido certo. "E nós juntos agora, juntamente com o Poder Judiciário, atingiremos esse objetivo, porque acima de tudo nós temos Deus no coração", acrescentou.

Lula-ta- namorando .jpg

 

Em 28 de outubro último, discursando por telefone celular para manifestantes reunidos na avenida Paulista, Bolsonaro mandou um recado para Lula:

“Seu Lula da Silva, vou te dizer uma coisa: você vai apodrecer na cadeia”.

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