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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Ago21

Nove grandes erros que os militares brasileiros nunca reconheceram

Talis Andrade

 

ditadura lei casta elite.png

 

 

Está na hora de as Forças Armadas entenderem que não são tutoras da sociedade brasileira, a quem devem desculpas por erros graves que listo aqui.

16
Ago21

Bolsonaro reclama de “vazamento” de mensagem sobre golpe

Talis Andrade

Para Além do Cérebro: Do Jornal El País: Bolsonaro tenta atropelar com  tanques de guerra a derrubada do voto impresso na Câmara e continua a  escalada golpista

 

Na mensagem, enviada para uma lista de transmissão, presidente também convoca apoiadores a se manifestarem em 7 de setembro. O morcego de Bolsonaro pode cancelar o desfile cívico-militar

 

Os golpistas da extrema direita Roberto Jefferson, Sérgio Reis, Oswaldo Eustáquio anteciparam as manifestações golpistas, atacando ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral.

O discurso dessa gentalha fascista é o mesmo de Daniel Silveira. Todos repetem os filhos do capitão candidato a ditador, o 01 senador Flávio Bolsonaro, o 02 vereador federal Carlos Bolsonaro, o 03 deputado Eduardo Bolsonaro. Todos os três filhos repisam o pai, que borra de medo de disputar as eleições de 2022, tendo Lula como adversário. 

Bolsonaro pretende transformar o desfile cívico de Sete de Setembro, Dia da Independência, em uma marcha golpista. Este encosto ruim, bolsonarista, pode determinar o cancelamento da tradicional parada militar. 

Como garantiu o general Hamilton Mourão ao ministro Luis Roberto Barroso, em encontro fora da agenda oficial: as Forças Armadas não apoiam golpe bolsonarista.

 

O presidente Jair Bolsonaro reclamou com auxiliares do “vazamento” de uma mensagem enviada por ele para uma lista de transmissão no WhatsApp na qual fala sobre a necessidade de um “contragolpe”.

Na mensagem, revelada pelo colunista Guilherme Amado, Bolsonaro também convoca apoiadores a se manifestarem em 7 de setembro para mostrar que ele e as Forças Armadas teriam apoio para uma ruptura institucional.

Em conversas individuais com alguns auxiliares que estão na lista de transmissão desde a noite de domingo (15/8), quando o Metrópoles revelou a mensagem, o presidente tem relatado o incômodo com o vazamento.

Em defesa do chefe, auxiliares alegam, nos bastidores, que os materiais compartilhados na lista não representam necessariamente o pensamento do presidente. Alguns deles, dizem, seriam apenas “para reflexão”.

Cláudia Bacelar Batista 
@BacelarBatista
Do jardim de Bozo
ImageO que pensa Damares. Por Jota Camelo
Ricardo Welbert: Charge: menino veste azul e menina veste rosa, diz  ministra Damares Alves
 
 
 
 
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15
Ago21

Fumaça dos blindados velhos da Marinha é a imagem da futilidade de Bolsonaro

Talis Andrade

Gilmar Fraga: a imagem do Brasil lá fora | GZH

 

As instituições estão cercando cada vez mais as pretensões autoritárias e farsescas do presidente e por isso o seu mau humor e desespero aumentam a cada dia

 

 

O recente desfile patético dos blindados velhos da Marinha lançando fumaça em Brasília foi objeto de uma série de memes e piadas nas redes sociais ao mesmo tempo em que causa preocupação no exterior. A verdade é que aquela fumaça se tornou a imagem da futilidade e da debilidade do presidente Jair Bolsonaro, que se vê como dono do Exército e tenta usá-lo para intimidar as instituições. Na realidade, era apenas fumaça que se desfaz. Uma banalidade política, um anúncio de futilidade e debilidade.

A fumaça costuma ser o prenúncio de fogo que devora. No entanto, o fumo exalado por tudo o que envolve o presidente brasileiro, insignificante e ruidoso, está mais para paranoia, alimentada por seus alucinados seguidores com o fumo exalado por seu espírito destrutivo. No final, aquela fumaça dos blindados velhos do Exército não poderá cegar a visão das instituições que com todos os seus defeitos e fragilidades são a garantia de que o Brasil não renunciou a seus valores democráticos que são o fundamento de uma vida pacífica vivida em liberdade.

Como escreveu o ministro Bruno Dantas, do TCU: “Os ataques à democracia podem ser barulhentos. Ao desfilar, podem parecer vistosos, mas não passam de fumaça: pode ser escura e amedrontadora, mas se dissipa na atmosfera cristalina dos ares democráticos. Blindado é o nosso regime de liberdades, blindados são os nossos valores democráticos, blindado é o nosso plexo de garantias fundamentais, blindado deve ser o nosso compromisso irrenunciável com a Constituição que juramos respeitar, cumprir e fazer cumprir”.

A paranoia do presidente brasileiro, que tenta comprar a cumplicidade do Exército em seus sonhos violentos, pode atemorizar porque a história nos faz recordar tempos sombrios e sangrentos. Porém, depois de analisar a banalidade de um presidente que não só é incapaz de governar, como também até de falar sem cumplicidade com a linguagem vulgar do submundo das latrinas, não é difícil imaginar o seu fim. Sobretudo em um país que ainda conta no mundo e onde as instituições não parecem dispostas a rir de suas provocações e, sim, defender a qualquer preço a democracia e a fidelidade à lei.

A repercussão que a pantomima das forças da Marinha desfilando em frente ao Congresso teve no exterior é, no entanto, o melhor sinal de que o Brasil preocupa e conta no mundo, e que as bravatas golpistas de Bolsonaro começam a preocupar. O Brasil não está sozinho e o personagem que o preside é visto antes como um arremedo de uma ópera cômica.

Resta saber se a loucura do personagem não passa de caricatura e extravagância de mau gosto ou se ele pode acabar não se conformando com a fumaça dos blindados militares e levar a sério seus instintos de morte e devastação. Melhor, então, que as instituições não esperem para ver o fim do drama e busquem a forma mais eficaz e democrática de frear a tempo o que poderia ser impossível amanhã porque sua loucura não tem volta. Loucura que já produziu milhares de vidas que poderiam ter sido salvas, que está fazendo desmoronar uma economia que já foi a quinta maior do mundo, que está envenenando a convivência e destruindo o santuário da Amazônia, uma das maiores glórias e orgulho do país.

É verdade que a votação na Câmara que derrotou as pretensões e obsessões de Bolsonaro pelo voto impresso nas urnas também revelou que hoje o déspota ainda tem apoiadores suficientes no Congresso para impedir um processo de impeachment contra ele. No entanto, a verdade é que as instituições estão cercando cada vez mais as pretensões autoritárias e farsescas do presidente e que por isso o seu mau humor e desespero aumentam a cada dia.

Como escreveu Maria Hermínia Tavares em sua coluna na Folha de S. Paulo, Bolsonaro o colecionador de derrotas: “Quem vê no impeachment a única alternativa para o desastre em curso talvez não perceba que a sociedade organizada e as instituições democráticas estão impondo limites ao candidato tirano”.

É a melhor prova de que as instituições democráticas decidiram armar um cerco às loucuras golpistas do capitão complexado que, além do mais, está manchando o prestígio que as Forças Armadas sempre tiveram, depois da ditadura, na sociedade civil. Prestígio que a fumaça dos tanques desfilando no coração político do Brasil pode acabar sujando.

15
Ago21

Tanques esfumaçados como metáfora dos militares na democracia

Talis Andrade

A festa dos internautas para o desfile de blindados | Lu Lacerda | iG

 

Para compreender a gravidade e o contexto dos velhos tanques no Planalto é necessário olhar com atenção para o papel das Forças Armadas após a Constituição de 1988

 

por PEDRO ABRAMOVAY /El País
 
 

No final do século XVIII, muitos autores achavam absurda a ideia de Forças Armadas permanentes em tempos de paz. Uma extensão do poder do soberano, sempre pronta a servir a instabilidades e opressões, o corpo militar permanente seria, em si, uma ameaça à construção de sociedades democráticas que começavam a surgir na Europa naquele período.

Uma crítica ácida a um corpo militar em tempo de paz foi a grande pensadora Mary Wollstonecraft. Uma das mais interessantes e argutas pensadoras da época —provavelmente de todos os tempos— só não é mais conhecida porque filósofas mulheres não eram levadas a sério no século XVIII. E porque Wollstonecraft desafiava pontos muito essenciais das sociedades ocidentais, como a separação entre a razão e sentimentos. Homens devem ser racionais, mulheres sentimentais. A grande mentira que obriga os homens a esconderem seus sentimentos como se fossem razão e mulheres a esconderem suas razões em forma de sentimentos.

E é nesse contexto que Mary Wollstonecraft analisa que Exércitos permanentes são o oposto de uma sociedade baseada na razão. Alternam entre a obediência cega e uma certa admiração por coqueterias. Botas engraxadas, desfiles, cabelos bem cortados. Futilidades que a sociedade ao longo dos séculos parecia admitir para homens apenas se fossem soldados.

É verdade que os tanques esfumaçados que ocuparam a Esplanada nesta terça-feira, 10 de agosto, estavam longe da tradição de pompas e vaidades militares. Mas era essa a inspiração, sabemos, de quem os desejou ali.

E o desfile, para além da cortina de fumaça, nos obriga a pensar sobre o papel das Forças Armadas em tempo de paz, como se pensava de forma mais livre sobre o tema há mais de 200 anos. Considerando que o Brasil não tem que defender seu território de invasores há mais de 150 anos e contou modestas participações nos conflitos globais nos últimos anos, faz-se necessário pensar: para que servem as Forças Armadas quando não estão lutando contra inimigos externos?

Não vou aqui pregar uma solução costarriquense. O pequeno país da América Central aboliu suas Forças Armadas há mais de sete décadas e desde então tornou-se a mais sólida e próspera democracia da região.

Mas não se pode fingir que não é um problema mal resolvido para o Brasil o pensamento sobre o papel de suas Forças Armadas em tempo de paz. Paz aqui compreendida como a ausência de guerra contra outro país.

Na nossa jovem e instável república, as Forças jogaram sem dúvida um um papel mais desestabilizador e antidemocrático do que o contrário. Sua participação em deposições tentadas e consumadas de presidentes e na repressão à cidadania são marcas indeléveis de sua história. Mas para compreender a gravidade e o contexto dos velhos tanques no Planalto é necessário olhar com atenção para o papel delas após a Constituição de 1988.

Para fazer isso, nada melhor do que ler o indispensável livro da jornalista Natalia Viana, Dano Colateral - a Intervenção dos militares na segurança pública. Natalia faz uma arqueologia da volta dos militares ao poder no pós-88. A primeira novidade é que a jornalista situa, bem mais do que na transição acovardada de 1979, na própria negociação sobre o texto da Constituição a origem da presença bastante desastrada das Forças Armadas nos últimos anos da Nova República.

A inclusão, por pressão principalmente do então Ministro do Exército, da possibilidade de atuação das Forças Armadas em caso de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) mantinha a ideia de um duplo papel das Forças: inimigos externos e perturbadores da ordem interna.

No fundo, a definição de um papel interno resolve um problema de identidade para uma organização que mobiliza tantos recursos e fica, em tempos de paz, sem função clara. Mas cria uma série de outros, como prova o Brasil das últimas décadas.

Em seu livro, Natalia mostra como as Forças foram utilizando as operações de GLO ao longo dos governos da Nova República para ir conquistando relevância política. E, durante o Governo Lula, aparece também a presença no Haiti como outro elemento fundamental de construção de um papel público.

Acontece que, tanto a presença em GLOs quanto o papel no Haiti são marcados essencialmente por uma lógica mais militar do que democrática em sua atuação. A lógica democrática é a de reavaliação constante de erros e acertos. Seja pela imprensa, pela sociedade civil ou pelas eleições, os atores políticos estão constantemente submetidos ao escrutínio público e é esse julgamento público que faz com que as instituições possam aprender com seus erros e produzir futuros melhores.

A lógica militar é a lógica da hierarquia. Como bem disse Wollstonecraft, da obediência cega e da vaidade extrema. Não admite nunca estar errada. A honra militar se ofende ao ser criticada. A ética da democracia é justamente a de reconhecer a falibilidade dos líderes.

participação dos militares na política brasileira é trágica. Foi trágica durante a ditadura (tanto no que diz respeito ao país que entregou nos anos 1980 quanto na violência e repressão empregada) e foi trágica no pós-1988.

Danos Colaterais reconstrói essa última tragédia. Mostra que a atuação das Forças por GLO, que se acelera ao longo das gestões Dilma Rousseff (2011-2016) e culmina na intervenção militar no Rio de Janeiro, constitui numa coleção de fracassos, marcados pela impunidade absoluta no caso de mortes de civis (chamados de danos colaterais), opacidade de gastos e de avaliações de resultados.

No mesmo sentido vai a atuação no Haiti: extremamente criticada pela sociedade civil local, é tratada como êxito absoluto pelas Forças, incapazes de uma avaliação crítica dos processos.

Esses fracassos claramente subiram à cabeça da geração de generais que estiveram no centro dessas experiências. Comandantes no Haiti, na intervenção fluminense e de GLOs assumem postos-chave no Governo do capitão que tinha por ídolo não os ditadores de 64-85, mas seus porões sangrentos. Reconciliando a geração da inépcia de gestão com o que houve de pior na ditadura.

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O Governo Bolsonaro militarizado é consequência dessa malfadada experiência dos militares com a democracia. Incapazes de se olhar no espelho a não ser para admirar suas fardas, tanques ou caças e submarinos comprados em governos comandados por civis. Incapazes de aprender com os erros, pois reconhecê-los vai contra a honra militar, esse grupo de militares entra no Governo ocupando os espaços civis no meio de uma pandemia. E, mais uma vez, agem com a esperada arrogância incompetente com a qual têm atuado quando chamados a assuntos que, evidentemente, não deveriam competir a militares.

Os tanques esfumaçados que ocuparam a Esplanada não poderiam ser melhor metáfora do desconforto dos militares brasileiros com a democracia.Um teatro que ocorre no dia da votação do voto impresso na Câmara dos Deputados após reiteradas declarações de líderes militares e do presidente da República ameaçando o processo eleitoral. Seria patético, como são os desfiles militares, já nos alertava Wollstonecraft. Mas os danos colaterais à nossa democracia já são sérios demais para que possa ser tratado como mero exercício da vaidade masculina.

12
Ago21

O vexame das Forças Armadas

Talis Andrade

 

por Vanessa Grazziotin /Brasil de Fato

O fato mais grave do vexame que foi nesta terça-feira (10) o tal “comboio” militar de tanques e blindados em frente ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal não foi a postura de Bolsonaro, mas o papel a que se prestaram os Comandantes das Forças Armadas que, mesmo diante de tantos alertas, diante de tantas críticas, mantiveram o evento, aceitando, por ação ou omissão, as decisões inaceitáveis do presidente da República.

A justificativa foi a entrega de um convite ao presidente Jair Bolsonaro, para que ele comparecesse a um treinamento das três forças que ocorrerá a partir do dia 16 no entorno de Brasília, em Formosa, Goiás.

Apesar de inédito, o evento teria passado desapercebido não fosse os contínuos ataques e ameaças do presidente ao Poder Judiciário, ao Poder Legislativo e à própria democracia. Não fosse o fato de que, no mesmo dia a Câmara dos Deputados estava votando a PEC do Voto Impresso, proposta pela qual Bolsonaro tem feito um verdadeiro “cavalo de batalha”. 

Não sem razão, grande parte da sociedade considerou que o desfile foi mais uma tentativa de intimidação, mais uma ameaça à nossa já frágil democracia.

Tendo em vista o clima negativo e de insegurança, as Forças Armadas, e no caso especial a Marinha, de quem, segundo a imprensa, teria sido a iniciativa do tal “desfile de força”, poderiam ter cancelado o evento, seja para jogar terra nas interpretações de que o ato seria uma “provocação”, uma ameaça direta aos membros do Judiciário e do Legislativo ou mesmo para evitar o vexame que tem tomado os noticiários, as redes sociais e os grupos de WhatsApp, que tem ultrapassado as fronteiras nacionais, pois revelou com força, uma força que a nação não tem.

É diante desses elementos que devemos destacar o que de fato está por trás da proposta e da defesa enfática de Bolsonaro a favor do voto impresso para 2022. Ele tem repetido inúmeras vezes: “Ou fazemos eleições limpas no Brasil, ou não teremos eleições”.

Ou seja, o que quer Jair Messias não são eleições limpas, o que ele quer é permanecer no poder, seja de que forma for. Portanto o voto impresso é apenas uma desculpa, um meio para Bolsonaro seguir na sua tentativa de macular as eleições.

O desespero e o desequilíbrio de Bolsonaro crescem conforme cresce a sua desaprovação e rejeição, demonstradas a cada nova pesquisa sobre as intenções de votos da população para 2022.

Bolsonaro vê o poder escorrer de suas mãos. Mais do que isso, diante de tantas denúncias contra si e sua família, o presidente vê a sua própria liberdade e de seus filhos ameaçadas após a conclusão de seu mandato, teme pelo que pode acontecer, pois sabe perfeitamente que muitas provas de seus malfeitos já estão em posse do Poder Judiciário.

O resultado da votação na Câmara nesta terça (10), sobre o voto impresso, que apesar de contar com a maioria dos votos (229 x 218) só não saiu vencedor porque não atingiu 1/3 (308), exigidos para a aprovação de uma Emenda Constitucional é uma clara demonstração de que Bolsonaro ainda tem muita força política no parlamento e que o tal orçamento “paralelo“ está a pleno vapor.

De nossa parte precisamos seguir defendendo a democracia, unir as mais amplas forças em torno da defesa do Estado de Direito, barrando e esvaziando as ameaças que cotidianamente o presidente faz contra nosso país. 

Mas precisamos também seguir lutando e defendendo o Brasil das pautas antipopulares e entreguistas de Bolsonaro, pautas essas que contam, lamentavelmente, com o apoio da maioria dos congressistas, que acabaram de aprovar por exemplo, a privatização dos Correios, que já aprovaram as reformas trabalhista e previdenciária, que tantos direitos retiraram da nossa gente e tanto sofrimento e pobreza vem gerando e espalhando por todo o país. 

O Brasil real que precisamos defender é o Brasil livre das pautas antidemocráticas e antipopulares de Bolsonaro.

 
11
Ago21

'Tanque' dos anos 1970 e blindados da Guerra do Vietnã: o que foi exibido no desfile da Marinha para Bolsonaro

Talis Andrade

Veículo blindado da Marinha com Congresso ao fundo

Veículos foram exibidos em dia de votação delicada no Congresso

 

 

  • por André Biernath e Rafael Barifouse /BBC News 

 

O desfile da Marinha pela Esplanada dos Ministérios e pela Praça dos Três Poderes nesta terça-feira (10/8), em Brasília, ficou marcado por veículos que soltavam uma fumaça preta que não estamos mais acostumados a ver atualmente.

De acordo com especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, isso se deve ao fato de esses transportes serem antigos e usarem tecnologias ultrapassadas.

"Muitos desses carros de combate têm motor a diesel, que solta muita fumaça", complementa o pesquisador Expedito Carlos Stephani Bastos, coordenador da ECSB/Defesa, entidade que faz publicações sobre veículos militares.

"É óbvio que quanto mais antigo o veículo, mais isso se agrava. Imagina os modelos produzidos nos anos 1980 e 1990, quando não existia essa preocupação ecológica?", diz Nelson Ricardo Fernandes da Silva, major da reserva do Exército e analista do portal Gestão de Risco.

De forma geral, os veículos militares que passaram pela capital se dividem em três grandes grupos: os "tanques", os veículos blindados de transporte de pessoal (conhecidos pela sigla VBTP) e os lançadores de mísseis.

Os tanques

Os veículos que tinham um canhão no topo são os modelos SK-105 Kürassier, que começaram a ser produzidos na Áustria a partir dos anos 1970.

Aqui vale uma pequena ressalva: a palavra "tanque" não é tecnicamente correta.

"Esses veículos são chamados de tanques porque na época da Primeira Guerra Mundial os britânicos desenvolveram esse tipo de viatura e não queriam que os alemães soubessem", contextualiza João Marcelo Dalla Costa, especialista em veículos blindados e ex-professor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

"Daí eles diziam que iam entregar 50 tanques de lavar roupa em tal local, quando na verdade estavam falando de veículos blindados de combate", completa.

Os SK-105 Kürassier são usados no Brasil exclusivamente pelo Corpo de Fuzileiros Navais, uma das forças que integram a Marinha e que vão participar dos treinamentos de um exercício militar, a Operação Formosa, ao longo dos próximos dias.

As Forças Armadas compraram 17 unidades no final dos anos 1990, e elas chegaram ao país a partir de 2001.

Desfile de veículos militares em Brasília

 

Fumaça de veículos em Brasília chamou atenção

 

"O Brasil foi um dos últimos a adquirir esse modelo e entrou em acordos e negociações que estavam sendo feitos pelos fabricantes com alguns países da África", lembra Bastos, que também foi professor da Universidade Federal de Juiz de Fora.

A Áustria já abandonou esse tipo de tanque há quase 30 anos, mas ele continua em operação na Argentina, na Bolívia, no Brasil, em Botsuana, no Marrocos e na Tunísia.

"Trata-se de um veículo que já está obsoleto, e a Marinha quer substituir essa frota", aponta Bastos.

Sobre sua atuação no campo de batalha, o Kürassier tem a função de "caçar" unidades das forças opositoras.

"É um tanque leve, que pode ser transportado em navios. O objetivo dele é identificar e destruir os tanques inimigos", explica Costa.

"E, pela quantidade de fumaça que vimos, imagino que [o blindado que desfilou hoje] seja muito velho", avalia o especialista.

"Já andei nesses blindados e, na hora em que vi aquela fumaça, imaginei que o comandante deveria estar se borrando, com medo de que o veículo parasse na frente do presidente. Aquela fumaça preta significa que o motor está desgastado, a ponto de estourar e deixar o comandante na mão", completa.

Os blindados de transporte

Durante a passagem das tropas pela Praça dos Três Poderes, também foi possível notar a presença de veículos sem um canhão no topo: esses são os VBTP, responsáveis por transportar soldados e oficiais de uma forma relativamente segura de um ponto até outro.

E há vários modelos com tamanhos e formatos diferentes na frota dos Fuzileiros Navais brasileiros.

O M113, por exemplo, é usado desde a época da Guerra do Vietnã, que durou entre 1959 e 1975. Uma de suas características visíveis é a presença da lagarta, aquela esteira que substitui as rodas convencionais e permite a locomoção por terrenos acidentados.

Os especialistas destacam que os blindados usados no Brasil não são os mesmos da década de 1960 e passaram por uma série de melhoramentos e atualizações. Mesmo assim, eles continuam ultrapassados diante das várias opções disponíveis em outras partes do mundo.

Outro blindado que deu as caras em Brasília foi o AAV-7A1, também conhecido como Clanf (ou Carro sobre Lagarta Anfíbio), de origem americana.

Ele também tem as esteiras, mas é bem maior e pode até se locomover na água — daí o "anfíbio" no nome.

"Sua função durante uma batalha é desembarcar primeiro e garantir a defesa de uma certa localização para outras tropas virem em seguida", explica Costa.Desfile de veículos militares em Brasília

O terceiro tipo que apareceu no desfile foi o Piranha 3, de fabricação suíça e disponível no mercado há pelo menos cinco décadas.

Ao contrário dos outros, ele tem pneus e tração nas oito rodas.

"Ele é bastante adequado para fronteiras terrestres e áreas de selva, que estão presentes em muitas das fronteiras de nosso país", destaca Luiz Guilherme de Oliveira, professor da Universidade de Brasília (UnB) e autor de artigos sobre tecnologia militar e blindados.

Alguns desses veículos trazem metralhadoras e lançadores de granadas.

"Esse armamento serve apenas para fazer a autoproteção daquela unidade. Mas hoje em dia esse tipo de defesa pode ser facilmente superado por aeronaves pequenas e drones", conta Bastos.Veículos militares desfilam em Brasília

 

Blindados desfilaram diante do Palácio do Planalto

 

Os lançadores de foguetes

Por fim, um terceiro componente do arsenal da Marinha brasileira exibido para Bolsonaro foi o Astros II, um sistema de lançadores de foguetes produzido pela empresa brasileira Avibras.

"Essa é a nata da tecnologia militar brasileira, o que temos de mais avançado junto com o veículo blindado Guarani [que não integra os treinamentos de Formosa]", avalia Costa.

"Hoje, nossos foguetes têm entre 30 e 80 km de alcance, mas está em processo de construção um equipamento com 300 km de alcance, que permitirá defender toda a nossa região costeira", informa o especialista.

Além desses veículos mais "poderosos", o desfile contou com caminhões convencionais, que fazem apenas o transporte das tropas, mas não contam com nenhum tipo de blindagem.

Frota ultrapassada?

Para os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, o fato de muitos veículos serem antigos e terem décadas de uso é algo que está dentro das possibilidades brasileiras.

"É evidente que nossa tecnologia está ultrapassada em relação ao que temos de mais avançado em outras partes do mundo, mas ela é condizente com o potencial bélico dos outros países da América Latina", diz Oliveira.

"Talvez o Chile e a Venezuela se sobressaiam um pouco, já que possuem equipamentos de origem russa", discorda Silva.

Manifestante diante de veículo militar

A falta de verbas parece ser um grande entrave para modernizar esses transportes blindados militares.

"Há muito tempo a Marinha quer substituir esses veículos, mas isso depende de dinheiro e o país atravessa uma situação complicada financeiramente", conta Bastos.

Costa concorda e aponta que o desfile talvez tenha servido para o Corpo de Fuzileiros mostrar que precisa trocar urgentemente seus equipamentos.

"O comandante da Marinha usou essa operação para mostrar ao presidente e à cúpula militar o estado decadente em que se encontram seus veículos", acredita o especialista.

"Os Kürassier, por exemplo, são fundamentais, mas provavelmente devem estar com uma disponibilidade baixíssima. Com certeza eles colocaram os melhores ali para desfilar."

"Se os melhores estão assim, imagina os outros… A maior parte deve estar inutilizada ou num estado que não é apresentável", completa.

A Operação Formosa

O desfile foi considerado sem precedentes na história recente do Brasil: embora a Operação Formosa aconteça todos os anos desde 1988, essa foi a primeira vez que os comboios passaram por dentro de Brasília.

A longa fileira de veículos blindados e caminhões usados no transporte de fuzileiros passou diante de Bolsonaro. Tudo foi transmitido ao vivo na página do presidente no Facebook.

O presidente acompanhou a exibição na porta do Palácio do Planalto ao lado dos três comandantes das Forças Armadas e dos ministros da Defesa, o general Walter Braga Netto, da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno, e da Educação, Milton Ribeiro.

Bolsonaro chegou a convidar outras autoridades e chefes de outros poderes, mas nenhum compareceu.Bolsonaro ao lado de Braga Netto

 

Bolsonaro assistiu ao desfile ao lado do ministro da Defesa, Braga Netto, e de aliados

 

Durante a cerimônia, manifestantes a favor e contra Bolsonaro acompanharam a passagem dos veículos pela Praça dos Três Poderes.

Também foi entregue a Bolsonaro um convite para que ele compareça ao treinamento das Forças Armadas, que será realizado a partir de 16 de julho na cidade de Formosa, em Goiás, a 80 km do Distrito Federal.

O comboio da Marinha saiu do Rio de Janeiro e grande parte dos veículos blindados foi transportada por carreta, segundo Bastos, para facilitar a locomoção por mais de 1,4 mil km.

Os veículos foram então descarregados para que desfilassem diante do presidente, passando também nas proximidades do Congresso Nacional — no mesmo dia em que está prevista a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) do voto impresso.

O evento com a participação de Bolsonaro foi visto por muitos como uma nova ameaça de golpe e uma demonstração de força do presidente no dia em que uma pauta especialmente cara a ele seria apreciada no plenário da Câmara.

Mas o comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, disse que tratou-se de uma "coincidência" de datas.

"Quando se fala em tanque na rua, fala-se de outra coisa. Tanque na rua é tanque para... Lembra tanque para conter manifestações... Não é nada disso. Houve uma passagem de um comboio e uma prestação de contas à sociedade, dando visibilidade ao exercício que está sendo conduzido, e tradicionalmente é conduzido", disse Garnier.

A PEC do voto impresso já havia sido rejeitada por uma comissão especial criada especialmente para avaliar esse tema, mas o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliado de Bolsonaro. fugiu à regra e decidiu levá-la ao plenário mesmo assim.

No entanto, com a oposição da maioria dos partidos à mudança, a perspectiva era de que a matéria mais uma vez fosse rejeitada.

A Marinha divulgou nota afirmando que a Operação Formosa não tem relação com a votação da PEC.

Neste ano, pela primeira vez, a operação contará com a participação do Exército e da Força Aérea.

"A Operação Formosa tem o propósito principal de assegurar o preparo do Corpo de Fuzileiros Navais como força estratégica, de pronto emprego e de caráter anfíbio e expedicionário, conforme previsto na Estratégia Nacional de Defesa", explicou a Marinha.

Para saber mais sobre os tanques e os veículos blindados e ter um posicionamento oficial sobre esses equipamentos, a BBC News Brasil entrou em contato com a assessoria de imprensa da Marinha e com o setor de comunicação dos Fuzileiros Navais, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.

 

11
Ago21

Mais uma obra com a grife Braga Netto

Talis Andrade

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por Moisés Mendes

- - -

Se os mesmos homens que organizaram o desfile com sucatas de tanques serão também os organizadores do golpe de Bolsonaro, já se sabe que dificilmente haverá golpe. 

Podem até tentar um golpe e anunciá-lo formalmente como golpe. Mas a turma envolvida na desorganização do desfile não tem condições de aplicar e de segurar um golpe.

Se Bolsonaro fosse submetido a alguma racionalidade, mesmo como golpista, os organizadores do desfile deveriam ser chamados e dispensados. O pior inimigo de Bolsonaro não conseguiria fazer o que foi feito nesta terça-feira em Brasília.

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Ninguém esperava um desfile como os que Kim Jong-uno organiza na Coreia do Norte, como se soldados e armas de guerra fossem robôs. Muito menos um espetáculo com a exibição de harmonia, poder e beleza como os promovidos historicamente por russos e chineses.

Mas não precisava ser algo tão degradante. Faltou aos militares a preocupação com um item que os fardados valorizam. Faltou respeito às liturgias do mundo militar. Uma simples fila de tanques não faz um desfile.

Faltaram organização e disciplina e sobrou fumaça. Os militares deram uma demonstração não de improviso, mas de desorganização. Se um desfile é realizado com tanto desleixo, como seria um golpe?

O evento desta terça passa um desprezo dos generais pela própria ideia do golpe. Ficou claro que não houve empenho com o teatro armado por Bolsonaro. Entregaram ao sujeito o que eles devem achar que ele merece.

Mas como ficam as Forças Armadas depois do show diante do Palácio do Planalto? Ficam como estão desde a posse do seu comandante supremo. O desfile ampliou a sensação de que Bolsonaro sustenta o blefe em bases cada vez mais precárias.

O ministro da Defesa, diretor do desfile, ofereceu mais um produto ruim ao seu líder. Braga Netto, o interventor do Rio, o famoso autor do Programa Pró-Brasil, um plano colegial de investimentos estatais, apresentado em abril de 2020 e que nunca saiu do PowerPoint, fracassou de novo.

Foi Braga Netto quem se sentou à mesa, no pico da pandemia, nas entrevistas coletivas, cercado por gente da saúde pública, como o escalado por Bolsonaro para dizer que ali havia um comando forte. Ele seria o interventor-articulador das falas e das ações do governo. Foi um horror, e o general sumiu.

Braga Netto é desde o final de março o escolhido por Bolsonaro para a tarefa de promover a adesão incondicional dos militares ao governo, refugada pelo general Fernando Azevedo e Silva. O desfile de ontem poderia ser sua grande obra alegórica. Foi patético.

Bolsonaro e seus militares desmoralizaram os preparativos para o golpe. Há entre os analistas, os políticos, os empresários e entre o povo o sentimento de que, mesmos sem condições objetivas de levar um golpe adiante, Bolsonaro não irá desistir.

O aprofundamento da sua fragilização e de seu desespero é o que acelera o desatino. Bolsonaro vai sendo retroalimentado por seus fracassos. Na sequência de seus atos, hoje ou amanhã ele pode dizer que o golpe será levado adiante.

E aí alguém terá de coordenar as ações que levarão ao golpe, para amordaçar Congresso, Supremo e imprensa e estabelecer os protocolos de um regime de exceção.

Mas se Bolsonaro não tem um grupo capaz de articular um desfile, teria quadros civis e militares em condições de dar forma e sentido a um golpe? Braga Netto deve saber ou achar que sabe.

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11
Ago21

Jair, guarde os brinquedinhos…

Talis Andrade

por Fernando Brito

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O patético desfile militar pela Praça dos Três Poderes acabou e, de prático, ficou apenas a impressão de ridículo.

Todos sabem que temos um Presidente que sonha um papel de guarda pretoriana.

Todos também já sabemos que temos um Ministro da Defesa que, em apenas quatro anos, escalou de um comando regional do Exército para o de chefe das Três Armas à custa de expedientes políticos junto ao poder: interventor no Rio de Janeiro, depois ministro da Casa Civil e, finalmente, oferecendo-se como alternativa para Bolsonaro apunhalar outros generais: o então ministro Fernando Azevedo e Silva e os então comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Temos de saber, agora, até onde se poderá aceitar que, em nome da hierarquia, se poderá quebrar, como se fez hoje, a disciplina, desvirtuando a rotina militar para servirem, seus blindados, como carros alegóricos das ambições golpistas do presidente, para vibração de suas falanges que saudavam o simulacro de “intervenção militar”.

Há, porém, o que os chefes militares deveriam saber. Perguntas simples, que altos oficiais não tem o direito de evitar.

É possível um golpe sem suporte na mídia, no parlamento, no Judiciário, no poder econômico e, sobretudo, numa conjuntura mundial que o tornaria inaceitável ao mundo?

Se não é, o que pretendem?

Ameaçar com um golpe impossível, senão de ser dado, de ser mantido?

Desgastar a imagem que as Forças Armadas, que se reconstruiu em três décadas de auto-contenção?

Servirem como brinquedinho para um psicopata recalcado, que borbulha de felicidade ao dar ordens abusivas aos generais que, ao contrário dele, seguiram em suas carreiras militares por respeitarem a lei e os regulamentos que ele, quando tenente, desprezava?

Depois desta exibição pueril, não todos para a caixa, porque ninguém mais, além de Bolsonaro, os quer na praça.

Voltarão a ser usados semana que vem, quando Bolsonaro, o cego de cabeça oca, posará para fotos de capacete e binóculos fazendo o papel de coroa e de visão que ele precisa fingir ter.ImageImage

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11
Ago21

A imprensa e o voto impresso e o fumacê dos velhos tanques de Bolsonaro

Talis Andrade

 

Uma parada de tanques para entregar um convite a Bolsonaro. E intimidar os deputados para votar pela volta do voto impresso nas eleições presidenciais de 2022. Foi um fumaçê para nada. Foi mais uma gastança de dinheiro que começou com as motociatas 

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Capa do jornal Folha de S.Paulo 11/08/2021Capa do jornal Estadão 11/08/2021Capa do jornal O Globo 11/08/2021

Capa do jornal Estado de Minas 11/08/2021Capa do jornal Extra 11/08/2021Capa do jornal Correio Braziliense 11/08/2021ImageImage

 

11
Ago21

Presidente deu mais um tiro no pé – desta vez no dos militares

Talis Andrade

Orlando Brito

Parada bélica e inócua fora de hora vira motivo de chacota

 

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O que foi mais vexaminoso em Brasília? Uma minúscula parada militar não prevista em nenhum calendário para a entrega de um convite ao presidente da República? Ou o estado deplorável de parte dos equipamentos bélicos exibidos com a intenção de meter medo nos deputados prestes a decidir sobre o voto impresso?

A exibição de 40 veículos da Marinha, entre blindados, caminhões e jipes, provocou riso e foi motivo de deboche nas redes sociais. Ali, segundo levantamento da Quaest Pesquisa, dos 2,3 milhões de posts publicados, 93% foram de chacota ou crítica ao governo federal. Mais um tiro no pé, e desta vez no das Forças Armadas.

Na época da ditadura militar, essas coisas eram feitas com mais cuidado. Foi montado em um cavalo branco, com a farda impecável e um chicote na mão, que o general Newton Cruz, notório pelos maus bofes, reprimiu manifestantes que esperavam defronte ao Congresso a aprovação da emenda das Diretas, já.

Verdade que não faltou um toque de ridículo. O Exército depois distribuiu fotos do saque a um supermercado onde aparecia um homem carregando um suposto explosivo que não chegou a ser detonado. O Jornal do Brasil descobriu que o explosivo não passava de uma lata de Nescau. O guerrilheiro Nescau.

Faltou gente na rua para observar a entrega pelo comandante da Marinha do convite ao presidente Jair Bolsonaro que ostentava seu sorriso de plástico ao lado do ministro Braga Neto, da Defesa, e dos chefes do Exército e da Força Aérea. Desperdiçou-se combustível com um ato que se revelou inócuo.

Uma militante do PT, vestida com uma blusa onde pedia o impeachment de Bolsonaro, ainda tentou salvar as aparências oferecendo flores ao piloto de um dos blindados. Quando nada, lembrava vagamente uma cena da Revolução dos Cravos, em Portugal, que inspirou uma música de Chico Buarque de Holanda.

O esforço valeu, mas as aparências não foram salvas. Vozes em off tentaram salvar a face do comandante do Exército ao soprar que ele estava ali visivelmente constrangido. Se Bolsonaro alcançar seu objetivo de dar um golpe caso não se reeleja, só faltará que digam que os militares o apoiaram por puro constrangimento.Charge mostra um sucateiro com sua carrocinha diante de uma tanque de guerra velho e sucateado. Ao fundo se vê o Palácio do Planalto. O sucateiro pergunta ao soldado que está no tanque de guerra velho: "Quer vender?"

 

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