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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Jun20

É nóis por nóis!

Talis Andrade

 

Agora que a situação se complica, o coronavírus chega às periferias das grandes cidades, às favelas, ao interior, às regiões mais pobres do país; agora que a morte, o desemprego e a fome batem à porta, de quem essas pessoas podem esperar amparo, proteção, cuidados? A quem elas poderão recorrer?

Quem é que vai cantar a dor que nóis sente?

Quem é que vai sangrar na linha de frente?

Quem é que vai somar, fortalecer a corrente?

Se não for nóis por nóis, quem é que vai ser pela gente?

A286, “Nóis por nóis”

 

por Silvio Caccia Bava

Le Monde

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No mundo inteiro, o discurso neoliberal está mudando e reconhecendo a importância do Estado como único agente capaz de atender ao interesse público nesta pandemia, prover a segurança alimentar e os serviços e equipamentos de saúde necessários, e enfrentar o desafio da profunda recessão e desemprego que se anunciam. Os investimentos públicos são considerados essenciais para a retomada das atividades econômicas.

Infelizmente, no Brasil o governo Bolsonaro não investe na saúde – aliás, segura os recursos disponíveis para o enfrentamento da Covid-19 para não repassá-los a governadores de oposição – e continua querendo destruir o Estado e privatizar tudo que é público. Contra o isolamento, o governo federal também não paga ou atrasa o auxílio-pandemia, os R$ 600 por três meses, para forçar os mais pobres a sair para o trabalho. E, para sustentar sua posição contra o isolamento, produz desinformação e fake news, confundindo as pessoas e estimulando a volta à vida normal.

O resultado é o pior possível. Com mais de 25 mil mortes por Covid-19 em maio e uma curva ascendente de contaminação e mortes, o Brasil já é o segundo país, depois dos Estados Unidos, mais afetado pela pandemia. E o desastre será maior no futuro próximo, pois não há nenhum plano para combater a pandemia nem para enfrentar economicamente a recessão e o desemprego. O presidente trocou dois ministros da Saúde nos últimos dois meses e o cargo está vago. Os governos estaduais e municipais fazem o que podem, e é importante que se reconheça isso, mas a concentração da receita nas mãos do governo federal limita suas ações.

As orientações para o combate à epidemia são impossíveis de ser cumpridas. Isolamento? Ficar em casa nas favelas? Como alimentar a família sem trabalhar? Lavar as mãos? Mas não tem água na torneira todos os dias…

De fato, as palavras do governo ignoram a existência e as formas de vida de mais de 80 milhões de brasileiros, a parcela da população que se habilita a receber os R$ 600 de socorro, a parcela que mais precisa de proteção, amparo, cuidados. Paulo Guedes acha que com esses recursos as babás vão passear na Disneylândia. Agora propõe a redução para R$ 200 do socorro pela pandemia se essa doação ultrapassar três meses. (Continua)

 

16
Mai20

Bolsonaro, para o povo trabalhar de sol a sol, oferece o salário da fome, do medo e da morte

Talis Andrade

Jair Bolsonaro, presidente dos banqueiros, aliado de Trump, não anuncia nenhum benefício para o camponês, para o operário, apesar de pregar que o "trabalho liberta (Arbeit macht frei],  salva, um slogan nazista eternizado em uma porteira de campo de concentração de trabalhadores escravos, em um campo de extermínio de 'raças inferiores' (judeus, ciganos, negros) e indivídios socialmente nocivos (aleijados, portadores de doenças contagiosas, homossexuais, comunistas, socialistas, anarquistas, sindicalistas, Testemunhas de Jeová).

Jair Bolsonaro voltou a atacar, na manhã deste sábado (16), as medidas de isolamento social adotadas por governadores, para conter o avanço do Covid-19, que já causou 14.962 mortes. Segundo Bolsonaro, “o desemprego, a fome e a miséria será o futuro daqueles que apoiam a tirania do isolamento total”. 

Em 14 de maio escreveu o presidente: "CAOS: povo quer trabalhar e passa fome". 

Bolsonaro, que defendeu a reforma trabalhista do governo de Temer, Bolsonaro que propõe uma reforma previdenciária que cassa todos os direitos conquistados pelos trabalhadores, desde quando foi criada a Justiça do Trabalho, apenas oferece o salário da fome, do medo e da morte. 

Bolsonaro não promete aumentar o salário mínimo do mínimo, não oferece o salário desemprego, nem um auxílio emergencial digno para os que perderam o emprego com a quarentena. 

Antes do coronavírus, o desemprego chegou a 12,9 milhões de pessoas. Dados da ONU apontam que mais de 5 milhões de brasileiros passam fome. Em novembro de 2019, o Brasil atingiu nível recorde de pessoas vivendo em condições de miséria, 13,537 milhões, contingente maior do que toda a população da Bolívia. Os dados são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

 

 

20
Abr20

Políticos e entidades repudiam presença de Bolsonaro em ato pró-intervenção militar

Talis Andrade

 

 

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Membros do Congresso, do STF, governadores e OAB criticam participação do presidente. "No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo", diz Maia. Cúpula militar tenta minimizar ocorrido.

por Deutsche Welle
 
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O presidente Jair Bolsonaro foi alvo de duras críticas após discursar durante um ato em Brasília pró-intervenção militar. Políticos e organizações se posicionaram veementemente contra qualquer hipótese de uma intervenção militar no país e criticaram a presença do presidente na manifestação. A cúpula militar, por sua vez, estaria tentando minimizar a participação de Bolsonaro no ato e descartando um risco à democracia.

O protesto, realizado neste domingo (19/04) em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, reuniu dezenas de defensores do governo que se aglomeraram para ouvir o presidente, contrariando as orientações de distanciamento social da Organização Mundial da Saúde (OMS) por conta da covid-19. O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, não se pronunciou sobre o assunto – diferente de seu antecessor, Luiz Henrique Mandetta, que chegou a repreender Bolsonaro por sair às ruas.

Antes da fala de Bolsonaro, manifestantes entoaram gritos como "AI-5", "fecha o Congresso" e "fecha o STF". Muitos dos manifestantes carregavam faixas com a frase "intervenção militar já com Bolsonaro", contrariando a Constituição brasileira.

Nesta segunda-feira, aparentemente incomodado com as críticas à sua participação, o presidente disse ser contra o fim da democracia e o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF). "No que depender do presidente Jair Bolsonaro, democracia e liberdade acima de tudo", disse ele a jornalistas em Brasília. "O pessoal geralmente conspira para chegar no poder. Eu já estou no poder. Eu já sou o presidente da República. [...] Eu sou realmente a Constituição."

Um dos mais visados pelos manifestantes no domingo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ser uma "crueldade imperdoável" pregar uma ruptura democrática em meio às mortes em decorrência da pandemia de covid-19, a doença respiratória causada pelo novo coronavírus.

"O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos. Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição", escreveu Maia em sua conta no Twitter.

"São, ao todo, 2.462 mortes registradas no Brasil. Pregar uma ruptura democrática diante dessas mortes é uma crueldade imperdoável com as famílias das vítimas e um desprezo com doentes e desempregados", prosseguiu Maia. "Não temos tempo a perder com retóricas golpistas."

Além da indisposição com o presidente da Câmara, Bolsonaro tem se envolvido em atritos com governadores e o Supremo Tribunal Federal (STF). 

"Tempos estranhos! Não há espaços para retrocesso. Os ares são democráticos e assim continuarão. Visão totalitária merece a excomunhão maior. Saudosistas inoportunos. As instituições estão funcionando", disse Marco Aurélio Mello, ministro do STF.

"É assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia. Defender a Constituição e as instituições democráticas faz parte do meu papel e do meu dever", disse Luís Roberto Barroso, também ministro do Supremo."Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve."

"Lamentável que o presidente da República apoie um ato antidemocrático, que afronta a democracia e exalta o AI-5. Repudio também os ataques ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. O Brasil precisa vencer a pandemia e deve preservar sua democracia", disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

"Em vez de o presidente incitar a população contra os governadores e comandar uma grande rede de fake news para tentar assassinar nossas reputações, deveria cuidar da saúde dos brasileiros. Seguimos na missão de enfrentamento da covid-19", escreveu o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

"Democracia não é o que o presidente Bolsonaro pratica: mandar o povo brasileiro para as ruas, correndo riscos de se contaminar, de tornar o nosso Brasil um país doente, em meio a uma grave crise de saúde mundial", seguiu Witzel. "Democracia é ter responsabilidade com o que se fala. Democracia é respeitar o Congresso, as instituições e ter uma postura condizente com o cargo que se ocupa."

Joice Hasselmann, deputada e líder do PSL (ex-partido de Bolsonaro) na Câmara, também repudiou a atitude do presidente. "Depois diz que o Congresso é que provoca o caos. @jairbolsonaro não respeita a democracia, as instituições e as liberdades. Você é a favor da democracia ou do AI-5?", escreveu no Twitter.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso classificou a participação de Bolsonaro no ato de "lamentável". "É hora de união ao redor da Constituição contra toda ameaça à democracia. Ideal que deve unir civis e militares; ricos e pobres. Juntos pela liberdade e pelo Brasil", disse.

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"A sorte da democracia brasileira está lançada"

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, afirmou que "a sorte da democracia brasileira está lançada" e que é "hora dos [sic] democratas se unirem, superando dificuldades e divergências, em nome do bem maior chamado liberdade".

Não é a primeira vez que Bolsonaro recebe críticas por supostamente incitar movimentos antidemocráticos. Em fevereiro, ele havia sido criticado por líderes políticos de várias correntes por ter compartilhado com seus aliados vídeos que convocavam para manifestações a favor de seu governo e contra o Congresso Nacional.

Após o ato deste domingo, a organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) no Brasil emitiu uma declaração na qual classifica a participação de Bolsonaro na manifestação de "irresponsável e perigosa" e um "flagrante desrespeito às recomendações do seu próprio Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde".

"Além disso, ao participar de ato com ostensivo apoio à ditadura, Bolsonaro celebra um regime que causou sofrimento indescritível a dezenas de milhares de brasileiros, e resultou em 4.841 representantes eleitos destituídos do cargo, aproximadamente 20 mil pessoas torturadas e pelo menos 434 pessoas mortas ou desaparecidas", escreveu a organização.

A Anistia Internacional também chamou de "grave" a presença do presidente na manifestação. "A Anistia Internacional repudia qualquer manifestação pública que tenha como objetivo pedir a volta do regime militar, pedir a volta do AI-5, pedir a volta de um regime político que trouxe para o Brasil tanto sofrimento, trouxe tortura, trouxe desaparecimentos."

Ala militar: Bolsonaro quis agradar ala ideológica

Em meio a tantas críticas, a própria cúpula militar buscou minimizar a presença de Bolsonaro na manifestação – o argumento é que Bolsonaro quis agradar sua base de apoiadores ligada à ala ideológica.

Segundo apurou a repórter Andréia Sadi, do Grupo Globo, os ministros da ala militar garantem que não existe qualquer ameaça concreta à democracia. Um general integrante do governo teria afirmado a Sadi que Bolsonaro "dá vazão" a apoiadores antidemocráticos "na retórica". Segundo o militar, o presidente não teria "poder sozinho" para ruptura democrática, algo que está fora de cogitação para as Forças Armadas.  

A participação de Bolsonaro num ato que pede intervenção militar foi noticiada também pela imprensa internacional. Na Alemanha, sob a manchete "Apoiadores do governo no Brasil pedem intervenção militar", o portal Der Spiegel afirmou que a atitude negligente de Bolsonaro tem causado repúdio até mesmo entre os numerosos militares representados no gabinete.

O jornal Süddeutsche Zeitung citou que o ex-militar Bolsonaro tem repetidamente chamado o novo coronavírus de "gripe leve" e tem se manifestado contrário às recomendações de restrições da vida pública.  

 

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19
Abr20

A dimensão da divisão sexual do trabalho em relação ao trabalho não-pago realizado para a reprodução da vida no interior das famílias

Talis Andrade

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II - A vida das mulheres em tempos de pandemia

A PANDEMIA ESCANCAROU A POBREZA FEMININA, TROUXE PARA O DEBATE NACIONAL O FARDO DAS TAREFAS DOMÉSTICAS E A DIFÍCIL CONCILIAÇÃO DAS MULHERES EM IR PARA O MERCADO DE TRABALHO E O CUIDADO COM A FAMÍLIA

 

por Hildete Pereira de Melo

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Na realidade, a crise econômica brasileira tem possibilitado um deslocamento do trabalho formal (com carteira de trabalho) para o informal e, de forma perversa: 82% desses novos postos de trabalho foram ocupados por mulheres negras, grande parte delas no emprego doméstico, sendo 71,2% desses postos de trabalho informais, e as demais são trabalhadoras por conta própria (ambulantes e cuidadoras). Uma das consequências da crise econômica foi o crescimento do empreendedorismo e as mulheres são a maioria das microempreendedoras individuais e, provavelmente, são as “informais” que migraram diante do desemprego para essas novas formas de trabalho. Outro aspecto que devemos chamar atenção é que cerca de 45% dessas mulheres são responsáveis pela família, e a perda de rendimentos afeta seus filhos e dependentes, tornando toda sua família um batalhão de miseráveis.

O retrato traçado acima depara-se, no momento, com um quadro de desatinos e retóricas sobre as propostas de políticas públicas para enfrentar esta crise. Do isolamento social como modo de vencer a pandemia e o aprofundamento da crise econômica pela política do isolamento social, embora todos os países do mundo tenham seguido este caminho, o governo federal segue calmamente com um calendário que ignora o apelo famoso do Betinho: “quem tem fome tem pressa!” Há enorme lentidão em concretizar as medidas draconianas, já anunciadas pelo governo, que permitem a redução de salário e jornada ou até a suspensão de contratos e preveem a complementação de remuneração pelo governo, tendo como base o seguro-desemprego. Essa medida só se refere às mulheres nos casos específicos das empregadas domésticas com carteiras, tendo o mesmo tratamento que os demais trabalhadores, e com relação às trabalhadoras gestantes, elas também têm os contratos reduzidos ou suspensos como os demais trabalhadores, só não podem ser demitidas sem justa causa. Mas, aquelas que estão em licença-maternidade não podem ter alteração nos seus contratos.

Com relação ao trabalho informal, foi finalmente assinada a Lei 13.982 de 02/04/2020 que cria o auxílio emergencial para quem não recebe benefícios previdenciários ou assistenciais, além do seguro desemprego, cuja medida define que as mulheres chefes de família, que preencham essas condições, recebam R$ 1.200 reais nos próximos três meses. Foi uma vitória construída no plenário da Câmara Federal, porque o projeto de lei não tinha considerado essa questão, e permite um mínimo de sobrevivência para milhões de famílias chefiadas por mulheres.

Quanto ao aumento da violência doméstica devido ao confinamento das famílias, fenômeno não só brasileiro, a ministra de Estado da Mulher, Família e dos Direitos HumanosDamares Alves, declarou que o governo está preocupado com essa questão. O Disque 180 do Governo Federal mostrou um crescimento de 9% nas denúncias de casos de violência doméstica, quando comparado com o mesmo período do ano passado. A ministra prometeu que nos próximos dias será possível fazer denúncias tanto ao Disque 180 como ao Disque 100, por meio de um aplicativo para telefone celular com sistemas operacionais Android e IOS. E o depoimento da juíza titular da vara de violência doméstica do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Adriana Mello, mostra a preocupação que deve ter o Estado com relação a essa questão tão espinhosa para todas as mulheres. No estado do Rio de Janeiro, foram registrados 724 pedidos de medidas protetivas de urgência no plantão judiciário, e a ministra teme que as medidas de restrições de circulação possam limitar as denúncias: “É importante reforçar que se ela está sofrendo violência física pode ligar para o 190 e acionar a Polícia Militar… as delegacias da mulher também estão abertas 24 horas …” (Jornal O Globo, Celina, p.16).

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Um dos temas que esta pandemia trouxe à tona, de forma avassaladora, para a sociedade brasileira foi a dimensão da divisão sexual do trabalho em relação ao trabalho não-pago realizado para a reprodução da vida no interior das famílias. As classes médias nacionais contemporizaram com esta situação ao longo de toda a nossa história. E, assim, as trabalhadoras domésticas são ainda um dos maiores contingentes de trabalhadores nacionais, significando 14,6% dos trabalhadores nacionais (IBGE, PNADC, 2018) e, desses milhões de trabalhadores, 92% são mulheres. Elas necessitam de proteção especial do Estado, pois são maioria nos trabalhos informais e, com o isolamento social, perderão fontes de renda, além de mais vulneráveis à violência doméstica.

No entanto, a pandemia expôs de forma contundente a realidade do trabalho doméstico: afazeres e cuidados. Pesquisando esse tema há alguns anos, estimo que cerca de 15 milhões de famílias brasileiras têm trabalhadoras domésticas nas suas diversas facetas, mensalistas ou diaristas. Mas, a quarentena expôs o problema de outra forma. Para as donas de casa dos estratos médios e altos da sociedade que, neste momento, vivem a quarentena da covid-19, tudo ficou de cabeça para baixo. Viver exige muitas tarefas ao longo do dia até a hora de deitar, tais como limpar a casa, cuidar das crianças, cozinhar, lavar prato e roupas, passar ferro. Faz-se o café da manhã, em seguida vem o almoço e depois lanche da tarde e janta. Essas tarefas eram divididas com as trabalhadoras domésticas, mesmo para aquelas com contratos de dois ou três dias. Agora, a pandemia mudou essa rotina. Ou se assume trazê-las com todos os riscos inerentes ao contágio ou a família faz. Porque continuamos comendo, sujando e limpando. E os homens das famílias, maridos, companheiros, filhos que façam!!! E os grupos de WhatsApp mostram bem essa ressignificação da divisão sexual do trabalho e do significado de sua carga para essas mulheres, sem as suas trabalhadoras domésticas. Elas brincam e em tom jocoso expressam esse sentimento: “nunca pensei que fazer essas tarefas fosse tão desgastante, e não param nunca” (professora universitária aposentada, Maceió, AL, 02/04/2020); “você deprimiu porque fez faxina, eu até me redimi, depois que vi minha sala faxinada e a luz do abajur” (advogada, Rio de Janeiro, 03/04/2020).

Será que novos tempos se anunciam e as mulheres exigirão novas atitudes masculinas? Pode-se ter esperança de que a pandemia revele alguma mudança no comportamento masculino em relação a essas atividades, diferentes das únicas que eles admitem fazer como cozinhar, ir ao supermercado, jogar bola com criança, pagar contas na internet e tirar do vocabulário “deles” o verbo “ajudar” para caracterizar que essas atividades no interior das famílias são atribuições de todas as pessoas da família?

Uma grande preocupação internacional e nacional é com as pessoas que trabalham nos serviços essenciais de saúde. Essas são massivamente as enfermeiras, atendentes de enfermagem, fisioterapeutas, assistentes sociais, professoras e também médicas. No Brasil, as mulheres preenchem 63% das vagas de emprego consideradas de grande risco em relação à covid-19, enquanto são 43% da força de trabalho do país (IBGE). Por sua vez, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva afirma que é preciso “rever o ambiente de trabalho, investir em higienização, equipamentos de proteção” (O Globo, 05/04/2020, p. 4).

Seguindo as recomendações da ONU Mulheres, é necessário que o Estado forneça os dados da covid-19 por sexo para o país, não só para a mortalidade, mas para as pessoas infectadas. É necessário conhecer se há diferenças nesses números por sexo. É preciso entender se há uma maior vulnerabilidade por sexo na transmissão do vírus entre as pessoas.

Quando um atrevido novo vírus derruba as economias mundiais e aplasta toda a sociedade? A pandemia escancarou a pobreza feminina, trouxe para o debate nacional o fardo das tarefas domésticas e a difícil conciliação das mulheres em ir para o mercado de trabalho e o cuidado com a família. É preciso que o governo brasileiro priorize as mulheres nos processos de formulação, implementação e avaliação de políticas públicas em geral e, em particular, das políticas de emprego, inclusão social e redução da pobreza.

 

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18
Abr20

Regina Duarte virou a fake news da Cultura

Talis Andrade

 

 

por Altamiro Borges 

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Regina Duarte, a patética ministra da Cultura, replicou nas suas redes sociais que Marisa Letícia Lula da Silva deixou R$ 256 milhões em certificados de depósitos bancários (CDBs). A mentira teve como fonte um juizeco de nome Carlos Henrique André Lisboa, da 1ª Comarca de Família de São Bernardo do Campo (SP). 

Como os advogados do ex-presidente Lula comprovaram, Marisa Letícia tinha apenas R$ 26 mil em CDBs – e não R$ 256 milhões como "confundiu" o juizeco. Regina Duarte, os filhotes 02 e 03 de Bolsonaro – Carluxo e Dudu Bananinha – e a rádio Jovem Pan serão agora processados pela difusão da fake news. 

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Em seu perfil oficial, o ex-presidente Lula deu o nome dos criminosos que espalharam mentiras na internet. "Fake news sobre Dona Marisa com valor mil vezes maior do que o real foi divulgada por dois filhos de Bolsonaro, por Regina Duarte e pela Jovem Pan". 

Pelo Twitter, Lula postou que foi ao banco analisar o inventário de Marisa Letícia. "Como não temos nada a esconder, fomos até o Bradesco buscar informações. O próprio banco deveria ter desmentido. Vale tudo contra o Lula. O que eles não sabem é a minha capacidade de resistência". 

Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) anunciou que "Eduardo Bolsonaro será denunciado na Comissão de Ética da Câmara Federal e Regina Duarte na Comissão de Ética da Presidência da República. Basta de mentira e fake news. A impunidade tem sido a arma desta famiglia e seus cúmplices". A conferir se serão punidos! 

Abandono de 4,9 milhões de trabalhadores 


Enquanto a bolsonarista Regina Duarte espalha fake news, o seu ministério está totalmente paralisado e a área de cultura sofre ainda mais com a pandemia. Segundo a Folha, "coronavírus pode impactar 4,9 milhões de pessoas empregadas no setor cultural". 

A Folha se baseia no Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural, que reúne informações sobre instituições culturais existentes em 2019. Dos 4,9 milhões de trabalhadores do setor, São Paulo empregava 1,4 milhão, seguido por Minas Gerais (510 mil) e Rio de Janeiro (428 mil). 

O Painel de Dados do Observatório Itaú Cultural analisou ainda o número de empresas da economia criativa no país. Em 2017, segundo os últimos dados reunidos, o Brasil contava com 147,3 mil organizações atuando no segmento – da indústria da moda até o cinema e a televisão.

A Folha realça: "Em 2016, segundo o último dado disponível, o conjunto de empresas dedicadas à economia criativa gerou receita bruta da ordem de R$ 335,7 bilhões e lucro bruto próximo a R$ 200 bilhões". Agora, com o coronavírus e com a incompetente Regina Duarte, quase tudo está parado e sem recursos. Só resta mesmo à namoradinha do fascista espalhar fake news. 

Ainda sobre a sinistra da Cultura, vale o comentário postado no Instagram pelo craque José Trajano: “Morre Moraes Moreira, nem uma palavra. Aldir adoece, nenhum gesto de solidariedade. Morre Rubem Fonseca, silêncio. Essa Regina Duarte é gente ruim! Segue os passos de um jumento. Uma lástima... Ela é secretária da Cultura ou limpa botas do capitão?

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09
Abr20

O modelo americano nunca pareceu tão frágil quanto diante da epidemia de Covid-19

Talis Andrade

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Cabanas pintadas no chão para manter os sem-teto em segurança durante a epidemia, em um estacionamento em Las Vegas, no dia 30 de março (John Locher/AP)

 

Os Estados Unidos estão prestes a enfrentar a saturação de seus hospitais, a explosão no número de mortes causadas pelo vírus e o aumento estratosférico do desemprego

 

Por Stéphane Lauer 

Carta Maior

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« Mantenha a América grande ». Convencido de ter devolvido a grandeza aos Estados Unidos, Donald Trump adotou esse slogan para brigar pela a reeleição à presidência dos Estados Unidos, em novembro. Mas em algumas semanas, a pandemia de Covid-19 tornou obsoleta essa promessa ambiciosa. Agora, a questão não é tanto manter a pretensa "grandeza" do país, mas remediar as falhas trazidas à tona por esta crise.

Nenhum país, a começar pela França, poderá escapar de uma autocrítica sobre como antecipou, atravessou e superou essa prova. Porém, no momento em que os EUA entram no período mais difícil em termos de saturação de hospitais, explosão do número de mortes relacionadas ao vírus, junto com o aumento estratosférico de demissões devido ao confinamento, o modelo americano nunca pareceu tão frágil.

Os medos de uma sociedade às vezes dizem mais sobre sua vulnerabilidade do que muitos discursos. Em março, dois milhões de armas foram vendidas nos EUA, o dobro do mês anterior. Esse frenesi é alimentado pelo medo de que a pandemia desencadeie em escassez de alimentos e tumultos. Desde que Donald Trump decretou que os comerciantes de armas são serviços "essenciais" que podem ser liberados do confinamento, notícias de mortes e acidentes relacionados com o Covid-19 alimentam os noticiários locais. Nos Estados Unidos, as armas de fogo são vistas como a resposta para muitos problemas, mesmo que causem 38 mil mortes por ano.

30 milhões de pessoas não têm cobertura de saúde alguma

Mais do que de armas, os americanos precisariam, sobretudo, de um sistema de saúde digno desse nome. O debate sobre como melhorá-lo não esperou o Covid-19. O tema já estava no centro das primárias democratas, antes que a crise sanitária explodisse. E corre o risco de voltar com toda a força durante a eleição presidencial.

Os Estados Unidos são o país que mais gasta com saúde (17% do PIB contra 11% na França), ao mesmo tempo em que mantém um sistema pouco eficaz e muito desigual. Com menos de três leitos hospitalares por 1000 habitantes (6 na França e 13 no Japão), a expectativa de vida é inferior à média dos países da OCDE, taxas de comorbidades ao Covid-19 (40% dos americanos são obesos, um em cada três sofre de diabetes, um em cada dois tem doenças cardiovasculares) entre os mais altos do mundo, os EUA têm 30 milhões de pessoas sem nenhum tipo de cobertura de saúde, enquanto um em cada dois americanos declara estar subsegurado.

Desde sua eleição, Donald Trump cortou os orçamentos das agências de saúde e desmontou o Obamacare, o sistema de assistência em saúde criado por seu antecessor. É provável que a situação já precária piore com a explosão do desemprego, na medida em que metade dos americanos tem acesso a um seguro de saúde graças ao trabalho.

A flexibilidade característica do mercado de trabalho do país também mostra seus limites com essa crise. Quando a Europa tenta manter os trabalhadores nas empresas por meio de medidas de desemprego parcial financiadas pelo Estado, os EUA demitem em massa. Dez milhões de pessoas já estão desempregadas. O número pode subir para 47 milhões, segundo o Fed de Saint-Louis, enquanto a taxa de desemprego se aproximaria de 30%.

Como observa o think tank Washington Center for Equitable Growth (Centro para o Crescimento Equitativo de Washington), "trata-se de um efeito cascata que, uma vez iniciado, é muito difícil parar". Mesmo se as contratações forem rápidas, com a retomada econômica, nem todos poderão se recuperar. "Este é um erro grave na política seguida pelo governo Trump", disse Patrick Artus, economista-chefe do banco Natixis, na rádio Europe 1. «Groceries or therapy?» ("Fazer compras ou se cuidar?"): esta será a questão para muitos americanos nas próximas semanas e não são os 1.200 dólares que os americanos menos ricos receberão, com o plano de 2 trilhões de dólares votado pelo Congresso, o que poderá realmente mudar o jogo.

Esse desperdício humano pode ainda se desdobrar em consequências macroeconômicas. Dado que, de acordo com o Federal Reserve (Fed), 40% dos americanos não conseguem fazer frente a um gasto imprevisto de mais de 400 dólares, pode-se facilmente imaginar que, com a explosão do desemprego, se multiplicará a falta de pagamento de dívidas de consumo, podendo levar a uma crise bancária.

A ilusão de um país no auge

Uma última vulnerabilidade que os Estados Unidos terão de enfrentar um dia: os desvios do canal líder de notícias, a Fox News, que jogou um jogo muito perigoso em sua cobertura do coronavírus. Com suposições, falsas informações e menosprezo sistemático da gravidade da situação, o canal de Rupert Murdoch fez tudo para proteger Donald Trump, enquanto a situação econômica implodia com a crise sanitária. Isso ajudou a fomentar, até bem recentemente, um ceticismo em relação ao vírus bastante forte no eleitorado republicano, a base da audiência da Fox News.

O diretor do Harvard Global Health Institute (Instituto de Saúde Global de Harvard), Ashish Jha, chegou a afirmar ao New York Times que a Fox News seria parcialmente responsável pela propagação do vírus. Essas acusações foram seguidas por uma petição assinada por acadêmicos e jornalistas para denunciar o tratamento tendencioso do canal.

A raiva e o ressentimento dos excluídos da globalização foram o motor da vitória de Donald Trump, em 2016. Desde então, ele mantém a ilusão de um país no auge do poder, graças ao crescimento impulsionado pelo déficit orçamentário e a mercados financeiros estimulados por uma política monetária permissiva. O Covid-19 acaba de estourar essa bolha, deixando o país ainda mais vulnerável a suas desigualdades e disfunções. Antes de falar da "grandeza" da nação, talvez fosse preciso começar a consertá-la.

*Publicado originalmente em 'Le Monde' | Tradução de Clarisse Meireles

 

 

03
Abr20

Em manifesto, Manuela, Boulos, Ciro Gomes, Dino, Haddad pedem renúncia de Bolsonaro

Talis Andrade

 "Bolsonaro comete crimes, frauda informações, mente e incentiva o caos, aproveitando-se do desespero da população mais vulnerável"

Líderes de diversos partidos de oposição se uniram para lançar um documento denunciando Jair Bolsonaro de ser “um presidente da República irresponsável”, que agrava a crise do coronavírus pois “submete a vida de todos aos seus interesses políticos autoritários e aposta no caos social, econômico e político"

“Deveria renunciar” diz o texto, assinado por Fernando Haddad (PT-SP), Ciro Gomes (PDT-CE) e Guilherme Boulos (PSOL-SP) e pela candidata a vice de Haddad, Manuela Davila (PCdoB).

O documento é endossado ainda pelo governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB), pelo ex-governador do Paraná Roberto Requião (MDB-PR), pelo ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT-RS), e pelos presidentes do PT Gleisi Hoffmann, do PSB Carlos Siqueira, do PDT Carlos Lupi, do PCB Edmilson Costa, do PSOL Juliano Medeiros, do PCdoB Luciana Santos.

Governo anuncia medidas tardias e erráticas

O Brasil e o mundo enfrentam uma emergência sem precedentes na história moderna, a pandemia do coronavírus, de gravíssimas consequências para a vida humana, a saúde pública e a atividade econômica. Em nosso país a emergência é agravada por um presidente da República irresponsável. Jair Bolsonaro é o maior obstáculo à tomada de decisões urgentes para reduzir a evolução do contágio, salvar vidas e garantir a renda das famílias, o emprego e as empresas. Atenta contra a saúde pública, desconsiderando determinações técnicas e as experiências de outros países. Antes mesmo da chegada do vírus, os serviços públicos e a economia brasileira já estavam dramaticamente debilitados pela agenda neoliberal que vem sendo imposta ao país. Neste momento é preciso mobilizar, sem limites, todos os recursos públicos necessários para salvar vidas.

Bolsonaro não tem condições de seguir governando o Brasil e de enfrentar essa crise, que compromete a saúde e a economia. Comete crimes, frauda informações, mente e incentiva o caos, aproveitando-se do desespero da população mais vulnerável. Precisamos de união e entendimento para enfrentar a pandemia, não de um presidente que contraria as autoridades de Saúde Pública e submete a vida de todos aos seus interesses políticos autoritários. Basta! Bolsonaro é mais que um problema político, tornou-se um problema de saúde pública. Falta a Bolsonaro grandeza. Deveria renunciar, que seria o gesto menos custoso para permitir uma saída democrática ao país. Ele precisa ser urgentemente contido e responder pelos crimes que está cometendo contra nosso povo.

Ao mesmo tempo, ao contrário de seu governo – que anuncia medidas tardias e erráticas – temos compromisso com o Brasil. Por isso chamamos a unidade das forças políticas populares e democráticas em torno de um Plano de Emergência Nacional para implantar as seguintes ações:

-Manter e qualificar as medidas de redução do contato social enquanto forem necessárias, de acordo com critérios científicos;

-Criação de leitos de UTI provisórios e importação massiva de testes e equipamentos de proteção para profissionais e para a população;

-Implementação urgente da Renda Básica permanente para desempregados e trabalhadores informais, de acordo com o PL aprovado pela Câmara dos Deputados, e com olhar especial aos povos indígenas, quilombolas e aos sem-teto, que estão em maior vulnerabilidade;

-Suspensão da cobrança das tarifas de serviços básicos para os mais pobres enquanto dure a crise,
-Proibição de demissões, com auxílio do Estado no pagamento do salário aos setores mais afetados e socorro em forma de financiamento subsidiado, aos médios, pequenos e micro empresários;

-Regulamentação imediata de tributos sobre grandes fortunas, lucros e dividendos; empréstimo compulsório a ser pago pelos bancos privados e utilização do Tesouro Nacional para arcar com os gastos de saúde e seguro social, além da previsão de revisão seletiva e criteriosa das renunciais fiscais, quando a economia for normalizada.

Frente a um governo que aposta irresponsavelmente no caos social, econômico e político, é obrigação do Congresso Nacional legislar na emergência, para proteger o povo e o país da pandemia. É dever de governadores e prefeitos zelarem pela saúde pública, atuando de forma coordenada, como muitos têm feito de forma louvável. É também obrigação do Ministério Público e do Judiciário deter prontamente as iniciativas criminosas de um Executivo que transgride as garantias constitucionais à vida humana. É dever de todos atuar com responsabilidade e patriotismo.

Ilustração: Parte do painel de Corbiniano Lins, que retratou as revoluções pernambucanas.

Foto Ricardo Labastier

 

02
Abr20

EUA registram 6,6 milhões de pedidos de seguro-desemprego em uma semana

Talis Andrade

O número de casos ainda não atingiu o pico nos Estados Unidos, e os crematórios de Nova York já tiveram que estender o expediente, queimando corpos também durante a noite. O estado de Nova York chegou a modificar os regulamentos de qualidade do ar para permitir que os crematórios funcionem por mais horas por dia. 

"Estamos nos preparando para o pior cenário possível", disse Mike Lanotte, diretor executivo da Associação de Diretores de Funeral do Estado de Nova York. 

A maioria dos nova-iorquinos opta pela cremação, mas a cidade tem apenas quatro crematórios: um no Bronx, um no Brooklyn e dois no Queens. Os diretores de dois deles disseram que a carga diária de trabalho saltou de cerca de dez para 15 corpos cremados por dia, esgotando os recursos. 

País do mundo com o maior número de infectados, os Estados Unidos já têm mais de 216 mil casos confirmados e já contabiliza mais de 5 mil mortes em decorrência da covid-19.

Os pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos atingiram o recorde de 6,6 milhões na semana encerrada em 28 de março, quebrando o recorde pela segunda semana consecutiva. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (02/04) pelo Departamento do Trabalho do país. O número de pessoas que haviam pedido o benefício na semana anterior também foi revisado para cima, chegando a 3,3 milhões. 

Os dados semanais superam o estimado por analistas e lançam dúvidas sobre a perspectiva de uma rápida recuperação econômica. Com cerca de 10 milhões de pessoas entrando com pedido de seguro-desemprego nas duas últimas semanas de março, a taxa de desemprego real nos EUA pode atingir dois dígitos, segundo analistas.

O Congresso americano já aprovou um pacote massivo de ajuda de 2,2 trilhões de dólares, destinado a estimular a economia. No valor, está incluída a melhoria do seguro-desemprego. 

Os Estados Unidos registram o maior número de casos de coronavírus em todo o mundo: mais de 216 mil. Além disso, o país já acumula mais de 5 mil mortes em razão da covid-19, segundo dados coletados pela Universidade Johns Hopkins. 

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30
Mar20

Da série monstros do Brasil Paulo Guedes: "Os mais jovens devem circular, vão trabalhar"

Talis Andrade

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Os assustadores monstros que a pandemia coronavírus revela. Os Quibungo, Labatut, Cubelobo, Curacanga, Corpo-seco, e Paulo Guedes fundador do think tank liberal Instituto Millenium, e discípulo do genocida Pinochet

O ministro da Economia não anunciou nenhuma medida efetiva para salvar da fome as populações miseráveis das periferias e do campo, os sem teto, os sem terra, os sem nada.

Guedes para agradar Bolsonaro diz sobre a quarentena nestes tempos de coronavírus: “Se ficar todo mundo em casa (a economia) entra em colapso”.

Disse mais: “Os mais velhos devem ficar em casa, os mais jovens, com mais saúde, devem circular, vão trabalhar… Quem tem de falar é o Ministério da Saúde, mas, como economista, me parece mais interessante”.

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23
Mar20

Necropolítica: aos banqueiros R$ 1,2 trilhão, à economia real e à saúde R$ 147 bi; aos trabalhadores fome!

Talis Andrade

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por Elenira Vilela

Neste domingo, Jair Bolsonaro lançou a MP927/2020 flexibilizando ainda mais as relações de trabalho e os direitos já tão atacados pela lei das terceirizações e pela reforma trabalhista. 

A MP permite, entre outras medidas, a suspensão do contrato de trabalho por 4 meses à guisa de fictícia capacitação sem garantia de nenhum patamar de remuneração (pode ser R$1 de salário). Autoriza ainda a negociação direta de condições de teletrabalho e antecipação de férias com aviso de 48h e sem garantia de recebimento do adicional até o dia de pagamento do 13º salário. Para completar, reduz a possibilidade de fiscalização dessas mudanças nos contratos de trabalho.

Nesta segunda (23), logo pela manhã,  o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou um pacote de medidas para garantir a liquidez ao "mercado" num valor estimado em R$1,2 trilhão, nas palavras dele "o maior plano de injeção de liquidez de capital da história do país" (veja aqui).

Durante sua exposição, Campos Neto e alguns outros diretores explicam que não há nenhum instituição financeira com problemas de liquidez ainda e que nenhuma precisou ser socorrida, esse pacote é “preventivo”. As medidas dão conta de redução de depósito compulsório, redução dos depósitos compulsórios, liberação de emissão de títulos e de disponibilização de aporte de recursos do próprio Banco Central. A parte mais substancial das medidas se refere à redução dos provisionamentos e depósitos de garantias e lastro de 20 a 50% das anteriormente praticadas que já eram as de um mercado pouco regulamentado se comparados aos dos países capitalistas centrais.

Perguntado por dois jornalistas de quais medidas estavam sendo tomadas para prevenir o “empoçamento da liquidez”, isto é, garantir que o crédito realmente chegue à economia real e não fique empoçado nos próprios bancos, os diretores do BC responderamm que eles não vão intervir, que somente as instituições financeiras têm capacidade de avaliar as condições de disponibilização de crédito e análise de risco. Trocando em miúdos: todo o dinheiro disponibilizado não chegará a ninguém na economia real e poderá ser aplicado de maneira a dar ainda mais lucros aos bancos, sem garantia de movimentar a economia real,  onde o próprio Campos Neto admite que reside a crise.

Na entrevista, os dirigentes do BC afirmaram várias vezes  que há muitas fórmulas inéditas sendo testadas com esses recursos e que os aportes serão muitas vezes maiores que os utilizados em 2008 e bem maiores do que os próprios cálculos de necessidade atual do mercado feitos pelo próprio Banco. 

A verdade é que para os banqueiros nunca faltaram recursos desde o golpe contra Dilma. Para uma comparação, o governo pretende arrecadar com a venda emergencial do complexo da Eletrobrás o montante de R$ 16 bilhões, corresponde a 1/75 do disponibilizado às instituições financeiras.

 

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Enquanto isso, para a massa de trabalhadores formais, a MP genocida de Bolsonaro promete espalhar desemprego e miséria em plena crise do coronavírus.

Para os trabalhadores e trabalhadoras, uma banana.

O governo Bolsonaro planta o caos e vai colher a morte.

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