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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

22
Abr22

O general Mourão continua negando os crimes da ditadura

Talis Andrade

Dora Longo Bahia, Desconhecida I, 1996 Óleo sobre tela
 68 x 54 cm.

 

por Paulo Sérgio Pinheiro /A Terra É Redonda

Os áudios do STM recém-divulgados devassam com inesperada clareza os crimes da ditadura para as jovens gerações

O general Mourão continua o mesmo, aquele que foi exonerado do Comando Militar do Sul pela presidenta Dilma Rousseff, em 2015, por comemorar o golpe de 1964 que instalou a ditadura no Brasil. Até que ele se esforçou em se diferenciar de seu presidente, mas não conseguiu. Agora mesmo, perguntado sobre investigação sobre a tortura, respondeu: “Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. [risos]. Vai trazer os caras do túmulo de volta?”.www.brasil247.com - { imgCaption }}50 anos do AI-5: artistas censurados contam como a repressão influenciou  suas obras - BBC News Brasil

No início dos anos 1970, Carlos Zílio foi preso pelo regime militar e executou essa série de desenhos no cárcere. Eles foram expostos ao público pela primeira vez em 1996

 

 

Lamentavelmente, os oficiais superiores das forças armadas brasileiras, com poucas e notáveis exceções, estão no mesmo diapasão do vice-presidente. Basta lembrar a deplorável nota conjunta do atual ministro da Defesa e dos três comandantes militares que guindaram a ditadura militar – com uma penca de violações e crimes contra a humanidade impunes – como “marco histórico da evolução política” no Brasil.

Em vez dessa visão dissimuladora e edulcorada da ditadura, depois do projeto Brasil: Nunca Mais (1985), criado sob o empenho dos saudosíssimos cardeal Dom Paulo e pastor Jaime Wright, e de toda a luta dos familiares dos desaparecidos políticos, não havia mais dúvida alguma sobre a culpabilidade da ditadura por aquelas violações. Na mesma direção, a lei sobre os desaparecidos políticos e reparações a suas famílias, em 1995, no início do governo Fernando Henrique, afirmou que os crimes comuns praticados por agentes do governo na ditadura, como os desaparecimentos, eram da responsabilidade do Estado brasileiro e, portanto, passíveis de reparações às famílias das vítimas.

Apesar desse reconhecimento, a abrangência da Lei da Anistia para casos de tortura e crimes comuns, cometidos por civis e agentes do Estado durante a ditadura militar (1964-1985) continua valendo. Apesar de acordão da Corte Interamericana de Direitos Humanos ter considerado a anistia no Brasil nula, pois tratava-se de uma autoanistia aos agentes da ditadura, consagrando sua impunidade.

Em 2014, o relatório da Comissão Nacional Verdade (CNV) demonstrou que a tortura e outros crimes não eram abusos cometidos por uma “tigrada” autônoma. Mas remetiam à cadeia de comando que partia dos generais presidentes e ministros militares, chegando até os operadores da tortura. O coronel Ustra, um dos chefes maiores dos torturadores, celebrado pelo atual presidente da República, tinha assento no gabinete do ministro do Exército como muitos outros colegas seus. Depois do governo golpista de Michel Temer, e no presente governo, o relatório da CNV e suas recomendações foram jogados no lixo.

Por todas essas razões, é notável feito a pesquisa do professor e historiador Carlos Fico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que, graças ao Supremo Tribunal Federal, pode ter acesso às 10 mil horas de áudios de gravações de julgamentos entre 1975 e 1985, no Superior Tribunal Miliar (STM). Ao contrário da galhofice do general Mourão, é vital ouvir as vozes daqueles membros do STM, como o almirante Julio de Sá Bierrenbach e os generais Rodrigo Otávio Jordão Ramos e Augusto Fragoso, que acreditaram nas denúncias de tortura contra os prisioneiros políticos da ditadura.

Esses áudios devassam com inesperada clareza os crimes da ditadura para as jovens gerações, permitem reabrir investigações e condenam a lamentável celebração da tortura pelo chefe da Nação brasileira.

Eliomar Coelho - Quando se fala que durante a ditadura os... | Facebook

Eliomar Coelho - Quando se fala que durante a ditadura os... | Facebook

Ideias de Jeca-tatu: Os psicopatas da ditadura

04
Abr22

O que um Will Smith faria com Eduardo Bolsonaro?

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Ainda bem (será?) que o ator Will Smith não é brasileiro nem deputado federal.

Porque o deboche de Eduardo Bolsonaro às torturas que a jornalista Miriam Leitão sofreu na ditadura (“boazinha”, segundo o general Braga Netto), sendo colocada dentro de uma cela, nua, com uma cobra jibóia para aterrorizá-la, não é uma piada de mau gosto e ofensiva de um idota, como a que aconteceu no Oscar, é a adesão tardia a uma agressão indigna de qualquer ser humano.

Míriam é uma adversária política da esquerda, hoje e há muito tempo, mas isso não é ser de esquerda ou de direita, é ser um monstro de vileza

E pior, desperta, como se pode observar no Twitter, a boçalidade das hordas bolsonaristas, que elogiam e naturalizam a tortura, um crime hediondo pela covardia e pelo sadismo.

Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso é crime, diz o Código Penal, e não há razão para que o Ministério Público permaneça inerte, porque a tipicidade, segundo pacífico entre os juristas, quando dá em relação a fato concreto, que tenha ocorrido e não a um possível crime futuro, como é o caso.

Não se está sugerindo que se dê uma bofetada em Eduardo Bolsonaro, mas que se dê a devida resposta legal, até pelo exemplo de que não se pode fazer isso com a dignidade de um ser humano.

Mas Augusto Aras, com certeza, não é “A lenda”. É é só um daqueles zumbis do filme de terror que estamos vivendo.

 

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04
Abr22

O Golpe de 1964 e a volta dos que não foram (com documentários relevantes)

Talis Andrade

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Por Carla Teixeira 

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 A ordem do dia publicada pelo ministério da Defesa é um alerta sobre o avanço da ditadura no Brasil do século XXI. Ao tentar reescrever a história, o conteúdo assinado pelo milico de pijama, general Braga Netto, e pelos três comandantes das forças armadas mostra o passivo político deixado pela redemocratização acomodada e conciliada com a escória da humanidade. Jair Bolsonaro é o atual projeto de poder do Exército para a volta dos que não foram. Não passa de um subproduto da ditadura, a marmita que os comandantes utilizam para continuarem se refastelando com o orçamento e os cargos de Estado. Os Oficiais são a vanguarda dos marajás da República.

 Nos anos 1960, durante o contexto da Guerra Fria, o combate ao “comunismo” foi alçado como bandeira de luta pelos grupos antipopulares no Brasil – isso já acontecia desde Getúlio Vargas. A mídia corporativa e os inúmeros espaços de convivência social da classe média ofereciam à população uma impressão aterrorizante dos comunistas com a intenção de levar a indignação coletiva para o apoio à solução autoritária.

 Imaginariamente, os “vermelhos” foram alçados para uma posição de força muito maior do que a real. Toda a esquerda foi classificada como “comunista” num país que já não tinha um Partido Comunista legalizado desde 1947. A ideia de que poderia haver a implantação de um “regime totalitário” no Brasil, por parte do presidente João Goulart, não passou de mais uma mentira contada para justificar o avanço autoritário comandado pelas forças armadas, em geral, e pelo Exército, especificamente.

O avanço das propostas para as reformas de base (agrária, eleitoral, urbana etc) defendidas por Goulart poderiam ampliar a participação popular nas decisões do Estado, garantindo a cidadania para uma multidão de flagelados. Na vasta historiografia brasileira produzida sobre o período, é consenso que o golpe de 1964 não foi para conter a “implantação de um regime totalitário no Brasil”, mas sim para derrotar as esquerdas, matar, prender ou exilar suas principais lideranças e impedir a realização de um projeto de República que buscasse incluir o povo através de um modelo democrático e popular.

 O registro deixado pelos principais canais de comunicação durante a ditadura mostra a subserviência dos jornais que abriram mão da liberdade de expressão para garantir a liberdade de propriedade num país de analfabetos e miseráveis. Os benefícios que os donos das mídias corporativas recebiam tinham como contrapartida um tratamento jornalístico brando, sem críticas aos governos militares. A grande imprensa deixou de fazer jornalismo para fazer propaganda.

A partir de 31 de março de 1964, o país conviveu com prisões ilegais, perseguições políticas, torturas, assassinatos e desaparecimento dos opositores do governo. Na economia, houve uma brutal concentração de renda com o aumento da desigualdade social e da violência urbana. Não havia órgãos de controle e a corrupção era a regra. O “milagre econômico” dos anos 1970 converteu-se na “maldita inflação” dos anos 1980. Desgastados junto à população, os militares deixaram o poder num amplo acordo que jamais puniu os torturadores e os assassinos que atuaram sob as ordens dos comandantes das forças armadas e dos generais que presidiram a República entre 1964 e 1985.

 Mesmo após tudo isso, chegamos a 2022 com os comandantes das forças armadas afirmando que após 1964 “a sociedade brasileira conduziu um período de estabilização, de segurança, de crescimento econômico e de amadurecimento político, que resultou no restabelecimento da paz no país, no fortalecimento da democracia, na ascensão do Brasil no concerto das nações e na aprovação da anistia ampla, geral e irrestrita pelo Congresso Nacional”. Uma afronta à verdade histórica, uma afronta ao Brasil e a todos os mortos daquele período.

 Desde o início da Nova República, com a Constituição de 1988, os militares jamais admitiram os crimes cometidos durante a ditadura militar. Ressentidos com a Comissão Nacional da Verdade, apoiaram o golpe de 2016 e se associaram a um parlamentar medíocre, mau militar, para ascender num governo genocida que até aqui matou quase 700 mil brasileiros durante a pandemia e jogou 20 milhões na miséria e na fome. No século XX e XXI, o Exército brasileiro segue matando e flagelando seu povo em benefício do projeto de poder da corporação.

Ao invés de pedirem desculpas ao Brasil e aos brasileiros, rogam para si o mérito da democracia quando a história mostra que as forças armadas sempre foram o principal ponto de veto ao apronfundamento democrático em nosso país. Com raras exceções, os Oficiais em geral estiveram a serviço do latifúndio, do capital privado nacional e estrangeiro, especialmente dos Estados Unidos. Como jamais foram responsabilizados pelos crimes que cometeram (como houve na Argentina, por exemplo), os militares brasileiros seguem preconizando a delinquência de farda que mata e corrompe sem maiores consequências.

 A nota assinada pelo candidato a vice-presidente da República e pelos três comandantes das forças armadas não é apenas a defesa de uma versão da história do Brasil, mas o anúncio de um projeto político de poder que subjuga a sociedade civil aos interesses da caserna. Os militares estão em centenas de cargos no governo e não vão largar o osso. O golpe de 2016 foi a recidiva do golpe de 1964. Enquanto não enfrentarmos, entre outras, a questão do projeto de Defesa para o país e o papel reservado às forças armadas, seguiremos lidando com a desenvoltura de militares da ativa que, armados, querem fazer política. É ano eleitoral. A mobilização popular em diversos setores da sociedade é o único caminho para promover um amplo debate que coloque os militares em seu devido lugar, pondo fim aos delírios autoritários daqueles que não merecem a farda que usam.

Indicações de leitura: Rodrigo Patto Sá Motta. “As Universidades e o regime militar: cultura política brasileira e modernização autoritária”. Zahar, 2014.

Pedro Henrique Pedreira Campos. “Estranhas Catedrais: as empreiteiras Brasileiras e a Ditadura Civil-Militar: 1964-1988”. EdUFF, 2015

Carlos Fico. “O golpe de 1964. Momentos Decisivos”, FGV, 2014

Carlos Marighella. “Por que resisti à prisão”. 2ª edição. Editora Brasiliense, 1994. 

Indicações de filmes/documentários: JANGO (Dir. Silvio Tendler, 1984) - Disponível para acesso em: https://www.youtube.com/watch?v=SaU6pIBv9f4

O DIA QUE DUROU 21 ANOS (Dir. Camilo Tavares, 2013) - https://www.youtube.com/watch?v=ltawI64zBEo

CIDADÃO BOILESEN (Dir. Chaim Lotewski, 2009) - Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=yGxIA90xXeY&t=1s

RETRATO FALADO DO GUERRILHEIRO (Dir. Silvio Tendler, 2001) – Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=4BP-OMjP08Q&t=3s

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03
Abr22

Eduardo Bolsonaro diz ter pena da cobra usada na tortura contra Miriam Leitão e revolta internautas

Talis Andrade

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Alexandre Frota
Aí está esse é o Deputado Federal ,Eduardo Bolsonaro que afirma ter pena da cobra usada na tortura contra uma mulher, contra uma torturada a jornalista Miriam Leitão isso revolta.
 
 
Discurso de ódio e apologia da cruel e sangrenta ditadura militar de 1964, que durou 21 anos de prisões políticas, sevícias, sofrimento, deportações, assassinatos e construções de cemitérios clandestinos
 
 

247 - O deputado Eduardo Bolsonaro revoltou internautas neste domingo (3) ao debochar da tortura que a jornalista Miriam Leitão, colunista do Globo, sofreu durante a Ditadura Militar.

Eduardo Bolsonaro reagiu a tweet em que Miriam divulgava sua coluna que falava que Lula e Jair Bolsonaro não são iguais e que Bolsonaro é inimigo confesso da democracia. "Ainda com pena da cobra", respondeu o parlamentar. 

Miriam Leitão se manifestou sobre a totura da qual foi vítima em reportagem do Globo de 2014:

Dois dias depois de ser presa e levada para o quartel do Exército em Vila Velha, cidade próxima a capital Vitória, no Espírito Santo, a jornalista Míriam Leitão, na época militante do PCdoB, foi retirada da cela e escoltada para o pátio. Seu suplício, iniciado no dia 4 de dezembro de 1972, até ali já incluía tapas, chutes, golpes que abriram a sua cabeça, o constrangimento de ficar nua na frente de 10 soldados e três agentes da repressão e horas intermináveis trancada na sala escura com uma jiboia. A caminho do pátio escuro, os torturadores avisaram que seria último passeio, como se a presa estivesse seguindo para o fuzilamento", narra a reportagem. 

Míriam Leitão
Qual é o erro da terceira via? É tratar Lula e Bolsonaro como iguais. Bolsonaro é inimigo confesso da democracia. Coluna de domingo 
 
Única via possível é a democracia | Míriam Leitão - O Globo
O problema dos candidatos da terceira via é a falta de clareza sobre a base das suas propostas. Os projetos têm se apresentado por oposição e não por definição. 
Eduardo Bolsonaro
@BolsonaroSP
Ainda com pena da (o safado careca, tão covarde quanto o pai que tem o corte de cabelo à Hitler, apagou o post de apologia ao crime, à tortura, à cruciação ensinada e praticada pelo coronel Ustra, à sevícia do delegado Fleury do esquadrão da morte, assassinado pelos comparsas, pelos cúmplices dos porões da ditadura como queima de arquivo, à Pedro Seelig, que torturou e matou o próprio filho adolescente. 
Eduardo Bolsonaro
@BolsonaroSP
Ainda com pena da 🐍
 
 
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educarvalhol 
@educarvalholl
Nojento. Você é nojento. Nojento.
xico sá
Nojento
Ti★ZONA Hilda Resende - PT
O nojento me bloqueou, mas proveito aqui para dizer que vi o print e tenho nojo!
o sincerão
Nojo. Ódio e Nojo.
Distopia BrazilImage
Vera Magalhães VACINA SIM
Miriam Leitão foi torturada grávida pela ditadura que essa família apoia. O deputado federal por São Paulo faz um comentário nojento e indigno desse. A infâmia está tão normalizada que faz o que faz e não sofre nenhuma punição do conselho de ética. Pessoa baix
EDSON FILHO
O bolsonarismo é muito nojento, Eduardo Bolsonaro defende e zomba da tortura sofrida por Miriam Leitão no regime militar e Gabriel Monteiro é um estuprador nojento que praticou relações sexuais com adolescentes o #Fantastico hoje tá recheado
Wesley Teixeira
Não é possível que isso seja real. Meu Deus, quanta crueldade e perversidade... A Míriam foi torturada GRÁVIDA na ditadura e um dos castigos foi ela ter ficado presa com uma jibóia. Esse comentário do Eduardo só mostra o quanto esse governo é nojento e deplorável. Nojo define
Nilto Tatto - #ForaBolsonaro 
À Miriam Leitão total solidariedade, ao nojento Bananinha ofensor, desprezo, à ditadura que tortura, fere a dignidade humana e mata, ódio e nojo infinitoImage
Mônica Francisco
@MonicaFPsol
A família Bolsonaro é adoradora da ditadura militar e de torturadores. É nojento que o deputado federal, eleito por São Paulo, faça apologia às torturas a que Miriam Leitão foi submetida e o Conselho de Ética da Câmara não se pronuncie.Image
Renata Souza
@renatasouzario
É odioso e nojento! O filhote de Bolsonaro é misógino e faz apologia à tortura.
@miriamleitao estava grávida e tinha 19 anos. Minha solidariedade à Míriam! Os Bolsonaro merecem a latrina de nossa história
Randolfe Rodrigues 
@randolfeap
Miriam Leitão foi torturada grávida pela ditadura que a família Bolsonaro apoia. Esse comentário é nojento, covarde e asqueroso, o que reflete o que é essa família. Está chegando a hora de mandar esses bichos escrotos de volta para o esgoto. Minha solidariedade à
Tati
@Tatibertini
Não chamem esse nojento de Dudu Bananinha, pq remete a um ser infantilóide!! É um adulto, desprezível, psicopata, que não tem sentimento por nada!! Vc pode discordar em tudo, mas não pode NUNCA fazer chacota com quem foi torturada enquanto estava grávida!! Ódio e nojo!!Image
31
Mar22

A ditadura militar no Brasil torturou, matou e desapareceu com os corpos

Talis Andrade

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por Carlos Latuff

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A ditadura militar no Brasil torturou, matou e desapareceu com os corpos. Se estivéssemos numa nação de verdade e não uma republiqueta de bananas, os responsáveis por estas atrocidades deveriam ter sido julgados, presos e impedidos de fazer apologia ao golpe.

 

 

 

 

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17
Fev22

A tragédia de Petrópolis tem culpados

Talis Andrade

Capa do jornal Extra 18/02/2022

 

Por Eric Nepomuceno /Jornalistas pela Democracia

Tenho desde sempre uma forte ligação com Petrópolis. A família de minha avó paterna, Laura de Oliveira Xavier, é de lá. Trago da primeira infância algumas faíscas de memória, todas felizes.

Há exatos vinte anos e meio tenho uma casa no distrito de Araras, um tanto distante do centro, onde passo metade da semana e me sinto especialmente abrigado.

Faço esse relato para explicar que a tragédia vivida pela bela cidade me dói de maneira especial. E, ao mesmo tempo, reforça a minha mais profunda indignação.

Até o momento em que escrevo são 117 mortos e ao menos 116 desaparecidos. É a pior tragédia da história da cidade de Petrópolis. Sim, sim, há pouco mais de dez anos houve tragédia ainda maior, com mais de 900 mortos, mas em todo o município, que é extenso. Na cidade propriamente dita foram 74.

As imagens que circulam intensamente desde o mesmo entardecer da terça-feira são chocantes e dolorosas. Agora mesmo acabo de ver a filmagem de várias pessoas tentando desesperadamente sair de dois ônibus mergulhados na correnteza de lama e sendo levadas pelas águas. Terão sobrevivido?

Na quarta-feira vi o desespero de uma jovem mãe tentando, com uma enxada, resgatar a filha que estava soterrada. Não conseguiu. O corpo morto da menina foi encontrado no dia seguinte.

Por todos os lados circulam pedidos de doações. Petrópolis precisa de comida, de água, de roupas e colchões para quem perdeu tudo.

Pois precisa disso e de muito mais. O que estamos vendo não é, ao contrário do que dizem os incautos ou os ignorantes ou os cúmplices, um desastre causado pela fúria da natureza.

Não, não: como bem disse há décadas o escritor uruguaio Eduardo Galeano, a natureza não se enfurece. Ela apenas reage ao que fazem com ela.

O que estamos vendo em Petrópolis é o resultado do que se vê Brasil afora: a ocupação desenfreada de áreas de risco, de zonas abandonadas, e na imensíssima maioria dos casos essa ocupação é feita pelos pobres ou miseráveis. 

É o resultado das brutais desigualdades sociais que encobrem este país de vergonha e miséria.

E também o resultado da incompetência pública dos governantes. Sim, sim: de prefeitos, governadores, legisladores e dos presidentes. Da falta radical de políticas de preservação, de urbanização e principalmente de moradias populares.

Se algo se avançou nessa direção durante um tempo, hoje o que temos é puro retrocesso.

Em 2017 um estudo da Defesa Civil alertou que na cidade de Petrópolis havia quinze mil imóveis em áreas de risco de destruição – leia-se: alto risco. E nada foi feito.

Ou melhor, uma coisa o governador bolsonarista Claudio Castro fez: no ano passado, cortou para pouco menos da metade o dinheiro previsto em orçamento para programas de prevenção de riscos e resposta a desastres ambientais no estado do Rio de Janeiro. O resto teve outro destino.

Não é preciso ser urbanista ou especialista para entender o que eles todos dizem: a falta de uma política habitacional destinada às camadas mais pobres da população é a verdadeira causa das invasões desenfreadas de zonas de risco, tanto terras públicas como abandonadas pelos donos. 

E enquanto nada for feito, novas tragédias vão acontecer.

Não, não, a culpa não é da natureza. A culpa é da injustiça social escandalosa de nosso país e da irresponsabilidade de nossos governantes. 

Capa do jornal Meia Hora 18/02/2022
 
26
Jan22

Luiz Ignácio Maranhão, presente!

Talis Andrade

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por Natália Bonavides

Em 31 de março de 1964 teve início um dos períodos mais cruéis da história brasileira: a ditadura militar. Nesse período, o governo perseguia quem pensasse diferente dele, censurava, prendia arbitrariamente, torturava pessoas, estuprava mulheres, matava e desaparecia com os corpos. Tem família que até hoje não sabe o paradeiro de seu ente querido.

É o caso de Luiz Ignácio Maranhão Filho, advogado, jornalista e professor potiguar, que por lutar contra a ditadura e defender a democracia, foi preso em 1974 e desde então nunca mais foi visto. Ele foi acusado de realizar formação política de jovens brasileiros. Relatos dos próprios agentes da ditadura contam que Luiz Maranhão foi torturado e morto na prisão, mas até hoje seu corpo segue desaparecido.

É esse regime da MORTE e da TORTURA que Bolsonaro e seu governo celebram. Eles negam que esse foi um período sem democracia, do mesmo jeito que negam a gravidade da covid-19 e as medidas comprovadas que buscam combater a doença. Trata-se dos mesmos setores que esconderam os cadáveres da ditadura, e que hoje tentam esconder as mortes causadas por essa gestão GENOCIDA na pandemia.

Chega de comemorar mortes! Chega de fechar os olhos para as mais de 300 mil mortes de brasileiros na pandemia. Vacina já! Fora Bolsonaro já!

04
Set21

Independência ou morte

Talis Andrade

 

por Miguel Paiva /Jornalistas pela Democracia

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Escrevo este texto antes do dia 7 de setembro, o maior enigma político dos últimos tempos. Racionalmente e até com um certo desejo achamos que não vai acontecer nada, mas no fundo todos temos medo, não aquele medo que paralisa, mas o medo da quebra total de regras por parte da direita que quer ver o circo pegar fogo, literalmente.

Para este governo e para a ideologia que o acompanha isso é normal. Não há nada a construir nem mesmo a candidatura do presidente para 2022. Ele sabe que não terá fôlego e, portanto, só sobrevive com o golpe, e golpe hoje em dia tem um significado muito mais complexo. O bolsonarismo aposta na morte. É da morte que ele se alimenta apesar disso se parecer um paradoxo já que morte é fim. Mas várias mortes juntas, a morte como filosofia, acaba fornecendo o que eles querem. 

O fascismo sempre viveu dessa ideologia. Acabar com a política, com os políticos, com os pobres, com as minorias, enfim, com tudo para que o tirano possa governar com suas milícias de estimação impondo a morte como filosofia e como punição para os incautos opositores.

Mas a morte morre cedo. A morte não resiste ao instinto de sobrevivência das pessoas. Por mais que assuste por não entendermos o que acontece depois, se é que acontece, queremos distancia dela. Desde quando damos o nosso primeiro respiro queremos dar o próximo. 

Viver é instintivo para a maioria das pessoas, mas o instinto de morte, a ideologia da morte assusta e acaba arrebanhando seguidores que encaram a morte como solução, desde que seja a morte do próximo e não a sua. É uma espécie de loteria constante como filosofia de vida. Para quem não tem dinheiro essa acaba sendo mesmo uma saída. Acreditar em Deus, na loteria e no caso, no presidente enquanto ele não te escolher para o sacrifício divino. Somos todos cordeiros de Deus em potencial esperando o chamado para o juízo final em Brasília ou o sacrifício em qualquer viela de Rio das Pedras pelas mãos da milícia. 

Este é o medo que estabelece regras. Mesmo não durando, e a História está aí para provar, ele causa muitos estragos. Perdemos um tempo social irremediável. Andamos anos para trás e retomar o caminho tem um custo muito alto. Mesmo que Lula vença as eleições, o trabalho será enorme, mas a vontade de trabalhar também. Sair fora deste ambiente mórbido e perverso vai criar automaticamente uma alegria de viver. Reconstruiremos a vida no Brasil com prazer, passando pelo trabalho, pela saúde, pela cultura e pela liberdade de viver, não de comprar fuzil e não tomar vacina. 

Venceremos a Covid como seria normal em um país democrático e não teremos mais medo de festejar nas ruas. Por enquanto vamos para as ruas defender esse sonho que está ameaçado. E que as ruas voltem a ser palco de festas e não campo de batalhas como eles querem.

 

03
Set21

Bolsonaro veta suspensão de prova de vida para aposentados e pensionistas do INSS

Talis Andrade

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Faltam quatro dias para as agitações do dia 7 de setembro, e as vivandeiras golpistas estão alvoraçadas. Não se faz golpe sem uma lista de presos políticos, tortura, exílio e morte e desaparecidos.

O terror de Estado continua. No genocídio de jovens negros pela polícia assassina. Pelo genocídio dos povos indígenas na passagem da boiada de Ricardo Salles, promovida por grileiros e garimpeiros que realizam, principalmente, o contrabando de ouro, pedras preciosas e madeira nobre. O genocídio da covid-19, com a panaceia do tratamento precoce. E a ameaça permanente de um golpe de estado, com a possível carnificina de uma guerra civil. Bolsonaro governa o necroestado na gandaia das motociatas. 

Por pura maldade, Bolsonaro vetou a suspensão, até 31 de dezembro deste ano, da obrigatoriedade de prova de vida para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). A lei 14.199 sancionada por Bolsonaro e publicada nesta sexta-feira (03) no Diário Oficial da União, dispõe sobre medidas alternativas para os beneficiários da Previdência Social  durante o estado de calamidade pública, como a pandemia de Covid-19.

Bolsonaro diz na justificativa,  segundo reportagem de O Globo, que a pandemia do novo coronavírus não é motivo para suspender a prova de vida e que a suspensão da comprovação pode levar ao pagamento indevido de benefícios. 

 

velho coronel e o golpe- precisa ter colhões .jp

 

 

01
Set21

Onde estão os nossos desaparecidos políticos?

Talis Andrade

BOLSONARO-CENTRO-ESPIRITA- desaparecidos ditadura.

 

Se queremos um outro país, sem genocídios e sem racismo, com uma democracia também para o povo periférico, somos obrigados a reconhecer que os desaparecidos são “nossos”.

 

 

por Edson Teles /Blog da Boitempo

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“Onde estão?” Essa é uma pergunta que ganhou certa notoriedade, durante os anos 1980, devido aos movimentos de diretos humanos da América Latina. Foi a década de queda das ditaduras militares no continente e um dos resultados desses regimes foi a produção, em larga escala, de corpos desaparecidos. Normalmente, os “desaparecidos políticos” eram opositores que foram presos em centros clandestinos ou oficiais do Estado, torturados e assassinados sofrendo, por fim, o ocultamento de seus corpos. As mães, companheiras, irmãs e outros familiares mantiveram nas novas democracias a exigência de apuração das circunstâncias dos fatos, localização dos corpos e responsabilização dos agressores.

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No Brasil, segundo o Relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV – 2012/2014), a Ditadura e sua fábrica da morte produziu 243 desaparecidos políticos. Desses, 35 foram identificados ao longo dos anos. Na imensa maioria, por esforço dos movimentos de familiares e dos parentes mais próximos. O Estado democrático se manteve na condição de agente do desaparecimento forçado, já que é um crime considerado contínuo até que o corpo seja localizado. De modo distinto ao caso argentino, por exemplo, não houve uma política pública de encaminhamento da questão. O Estado brasileiro fabricou os corpos desaparecidos e os mantém nessa condição até os dias atuais.

Contudo, não estamos nos referindo aos desaparecidos da Ditadura quando lançamos a questão: “Onde estão os nossos desaparecidos políticos?”. Mesmo com o fim da Ditadura e depois de mais de 30 anos de democracia o país continua (e sofistica) sua máquina de desaparecer pessoas. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2017 foram registrados 82.684 boletins de ocorrência de desaparecimentos. Infelizmente, não há dados completos sobre esse tipo de violação de direitos. Mas, sabemos por outras pesquisas e pela atuação dos movimentos de mães de vítimas de violência policial que um número importante desse total configura o desaparecimento forçado.

 

78.584 pessoas desaparecidas.

56% são pessoas negras

 

No Sistema Nacional de Localização e Identificação de Pessoas Desaparecidas (Sinalid), ligado ao Conselho Nacional do Ministério Público, no momento em que escrevo este texto temos registradas no país 78.584 pessoas desaparecidas. O sistema não registra os casos de vítimas de desaparecimento forçado, mas é possível verificar que a máquina de desaparecer funciona a pleno vapor. Desses quase dezenas de milhares de desaparecimentos, 56% são pessoas negras. Certamente, quando tivermos formas de separar os desaparecimentos forçados esse percentual terá um salto alarmante, ilustrando o racismo estrutural.

A gestão da segurança pública aposta na militarização da vida e na estratégia da guerra. O resultado tem sido o aumento da violência e a criação de territórios nos quais o Estado aterroriza suas populações. É o caso, por exemplo, das favelas e das periferias. E, como mostram os números, essa guerra tem um alvo: os negros.

As vítimas endêmicas da violência urbana são jovens negros e pobres das periferias. Um jovem negro tem 147% mais chances de sofrer homicídio do que um branco. O país supostamente cordial e democrático tem três mulheres assassinadas por dia. E a maioria é composta de mulheres negras. Segundo pesquisa da Flacso, entre 2003 e 2013 a morte violenta de mulheres negras aumentou 54%, enquanto a de mulheres brancas diminuiu 9,8%. Não vamos nesse texto nos aprofundar nos dados sobre a política de morte contra o povo negro. Há diversos estudos apontando para isso. E, principalmente, o movimento negro denunciando o “genocídio” há décadas.

No caso do desaparecimento forçado ocorre o crime de ocultação de corpos, em geral com as vítimas já mortas, cometido por agentes do Estado ou por organização não estatal, mas atuando de acordo com determinadas práticas da violência de Estado. Em geral, caracteriza-se por esse crime o ataque a opositores políticos ou segmentos populacionais que, por sua própria existência, são contra as normas de ideologias e grupos conservadores com acesso às instâncias de poder. Segundo o Tribunal Penal Internacional (TPI), e o documento “Estatuto de Roma”, o desaparecimento forçado qualifica-se como crime contra a humanidade e assim se caracteriza quando ocorre o ataque sistemático a uma população civil.

O filósofo camaronês Achille Mbembe, no começo do século XXI, lançou o conceito de “necropolítica” para definir uma estrutura fundamental do capitalismo global: a rejeição de vidas classificadas via racismo. A partir dessa experiência fundante o autor discorre sobre o “devir negro”, através do qual os corpos precarizados e descartáveis tendem a sofrer processos de morte. São instituições, conhecimentos, arquiteturas, discursos que conformam regimes de produção de sujeitos – poderíamos mesmo dizer de “corpos” – que devem ser submetidos a controles, incluindo a violência e o desaparecimento.

Se o conceito de “necropolítica” faz sentido e se o movimento negro e das mães de vítimas de violência policial têm razão em denunciar o “extermínio”, então, podemos afirmar que o desaparecimento forçado no Brasil tem conotação de um desaparecimento político. Produz vítimas de uma política racista por parte do Estado.

Quem sintetiza bem essa situação é a lutadora dos direitos humanos Rute Fiuza: “para mim a democracia nunca chegou. Há um complô de genocídio, de extermínio da juventude negra”. Rute é mãe de Davi Fiuza, desaparecido desde que foi levado detido em uma abordagem da Polícia Militar do Estado da Bahia, no ano de 2014. Até hoje não sabemos o paradeiro de Davi. Rute representa e organiza o Movimento Mães de Maio no Nordeste e, assim como ela, muitas mulheres relacionam o desaparecimento forçado de seus filhos com a política de morte da juventude negra e periférica.

Se queremos um outro país, sem genocídios e sem racismo, com uma democracia também para o povo periférico, somos obrigados a reconhecer que os desaparecidos são “nossos”. Uma eficaz estratégia do Estado democrático com relação aos reclames dos familiares de desaparecidos da Ditadura foi manter a dor e a história sem luto entre as famílias. Nunca o país foi encarado de frente e o crime dos desaparecidos enfrentado como um problema nacional. Assim também é com a história de Rute e dos milhares de jovens negros que desaparecem todos os anos.

Ou batemos de frente, por meio de políticas públicas, afetos, lutas sociais, produção de conhecimento, ou seguiremos reféns da militarização e dos golpes. Davi, André, os três meninos de Belford Roxo, Amarildo são todos desaparecidos políticos e a suas histórias são a nossa história.

Onde estão os nossos desaparecidos políticos?

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