Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

03
Fev21

"Precisamos fazer algo em relação a Gilmar Mendes", disse Dallagnol a procuradores

Talis Andrade

Iotti / Agencia RBS

 

Por Tiago Angelo /ConJur

Irritado por causa de uma decisão proferida em maio de 2018 por Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, o procurador Deltan Dallagnol, então coordenador da "lava jato" no Paraná, passou a articular uma investida contra o ministro. 

A informação consta de uma troca de mensagens entre procuradores à qual a ConJur teve acesso. O diálogo faz parte do material apreendido pela Polícia Federal no curso da chamada operação "spoofing", que mira hackers responsáveis por invadir celulares de autoridades. 

Na conversa, os integrantes do MPF em Curitiba comentavam um Habeas Corpus concedido por Gilmar ao ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que é apontado como operador de propina para o PSDB.  

"Precisamos reagir ao GM [Gilmar Mendes]. Vou articular com SP e RJ algo. Caros precisamos fazer algo em relação a GM", disse Dallagnol, se referindo às ramificações da "lava jato" no Rio de Janeiro e em São Paulo. 

ConJur manteve as abreviações e eventuais erros de digitação e ortografia presentes na mensagem do então coordenador da "lava jato".

Paulo Preto estava preso por determinação da 5ª Vara Federal de São Paulo quando foi solto por Gilmar. Na ocasião, no entanto, o ex-diretor da Dersa já estava na mira dos procuradores do Paraná. Em 19 de fevereiro de 2019, menos de um ano depois da conversa, Paulo Preto voltou a ser preso a pedido da "lava jato" de Curitiba. 

 

Investigação contra Gilmar


Em agosto de 2019, o El País, em parceria com o The Intercept Brasil, revelou outro episódio envolvendo investidas contra Gilmar. A reportagem divulgou conversas em que os integrantes do MPF no Paraná planejaram usar a investigação contra Paulo Preto para tentar emparedar o ministro do Supremo. 

Dallagnol sugeriu pedir que autoridades da Suíça procurassem menções específicas ao nome do ministro para saber se havia relação entre ele e Paulo Preto. 

As conversas também revelam que a "lava jato" em Curitiba cogitou pedir o impeachment de Gilmar ao Senado. Desistiram quando a procuradora Laura Tessler disse ter ficado sabendo que o advogado Modesto Carvalhosa protocolaria uma solicitação dessa natureza.

"Nós não podemos dar a entender que investigamos GM. Caso se confirme essa unha e carne, será um escândalo", disse Dallagnol ao grupo. Logo em seguida, ele sugeriu que fossem apuradas ligações de Paulo Preto para telefones do Supremo. "Mas não é novidade que Gilmar veio do psdb e de dentro do governo fhc!!! Cuidado com isso", acrescentou o procurador Paulo Galvão. 

Procuradores da República que oficiam em primeiro grau não podem investigar ministros do Supremo. Roberson Pozzobon tentou ser a voz da razão, mas também sugeriu ignorar a competência do MPF. "Acho que temos que confirmar minimamente isso antes de passar pra alguém investigar mais a fundo, Delta".

 

Articulação com partido


Outra reportagem, dessa vez publicada pelo UOL, também em parceria com o Intercept, revelou que Dallagnol articulou com o partido Rede Sustentabilidade para que uma ação fosse ajuizada contra Gilmar. 

De acordo com as conversas, a "lava jato" queria manter o ministro do STF longe de julgamentos envolvendo a "operação". A iniciativa começou depois que Gilmar determinou a soltura de Beto Richa (PSDB), ex-governador do Paraná. 

"Resumo reunião de hoje: Gilmar provavelmente vai expandir decisões da Integração pra Piloto. Melhor solução alcançada: ADPF da Rede para preservar juiz natural", disse Dallagnol em grupo de procuradores no Telegram no dia 9 de outubro de 2018.

Duas horas depois, ele voltou para contar que o senador Randolfe Rodrigues (Rede) "super topou" propor uma arguição de descumprimento de preceito fundamental. No dia seguinte, 10 de outubro, o procurador Diogo Castor falou que enviou uma sugestão de ADPF para assessor de Randolfe.

Já no dia 11, a Rede protocolou a ADPF que pedia que Gilmar Mendes fosse impedido de "liberar indiscriminadamente" presos na operação. No pedido, os advogados afirmaram que o ministro concedeu "extravagantes liminares" e Habeas Corpus de ofício a pelo menos 26 investigados em crimes de corrupção. 

12
Out20

Suprema chanchada

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

- - -

Toda essa história do conflito entre Marco Aurélio Mello e Luís Fux, no caso da ordem de soltura de um suposto traficante, por excesso de prazo da prisão preventiva que lhe tinha sido determinada, é um festival de hipocrisia.

O argumento de Luís Fux para manter a prisão não é a periculosidade do acusado, é o que seria a supressão de instâncias, já que o habeas corpus não foi julgado pela corte – a Décima Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região- embora tenha sido ignorado pelo STJ, instância recursal ao Tribunal Regional.

Fux, de fato, acha que um habeas corpus teve seguir toda a carreira de instâncias – algo certamente contraditório ao seu status jurídico de “remédio heróico” em favor do acusado.

Mas, apesar disso, ele sabe que a maioria das decisões do STF, mesmo considerando incabível o habeas corpus que “pule” instâncias é, em casos assim, determinar de ofício a soltura do acusado peso sem ordem fundamentada.

A única novidade é que, no pacote anticrime proposto por Sérgio Moro, o parlamento fixou um prazo de 90 dias – para que a prisão preventiva seja renovada, apenas isso.

Não é possível que não se consiga, de três em três meses, produzir uma ou duas páginas sobre porque Fulano ou Beltrano deva continuar preso, se não tem sentença definitiva.

No caso concreto, porém, Marco Aurélio Mello, diante do perfil do acusado e da gravidade dos crimes a ele atribuídos, poderia ter pedido informações ao tribunal de origem e ordenar a aplicação de medidas restritivas, como a tornozeleira eletrônica, exatamente como fez o Supremo em outras ocasiões, entre elas a do habeas corpus que, em setembro de 2018, tirou da cadeia o famoso Paulo Preto, da Dersa.

O fato objetivo é que se instaurou no Supremo uma verdadeira chanchada, onde cada ministro – e em especial, Luís Fux – que se mostrar mais “justiceiro” que o outro.

A única coisa rápida na Justiça é a sua desmoralização.

11
Ago18

Moro baixa o nível da campanha eleitoral. É o vale tudo para tirar Lula da liderança

Talis Andrade

Paulo Preto, o homem de Geraldo Alckmin e José Serra na Dersa

moro lama.jpg

 

 

Pelas leis da propaganda política jamais se deve, de início, bater frontalmente no líder. No candidato que tem o apoio do povo, e sim nos seus liderados. Esta a estratégia de Sérgio Moro, treinado nos serviços de espionagem e informações dos Estados Unidos, foi demonstrada pelo jornalista Ricardo Kotscho.

 

"Como costuma acontecer desde 2014, quando as eleições se aproximam, a força-tarefa da Lava Jato, que andava meio sumida, voltou com tudo nesta sexta-feira – contra o PT, é claro", diz o jornalista.

 

Moro joga sujo. Alerta Kotscho, a delação de Mônica Moura foi requentada para atacar a presidente deposta Dilma Rousseff, líder em todas as pesquisas para o Senado em Minas Gerais, e o ex-prefeito Fernando Haddad, porta-voz de Lula na campanha. "A tabelinha Lava Jato-mídia sempre é acionada nestas horas em que os candidatos do sistema estão empacados nas pesquisas lideradas pelo PT", diz Kotscho.

 

HADDAD E DILMA NA MIRA: LAVA JATO ELEITORAL VOLTA COM TUDO CONTRA O PT

elec moro.jpg

 Sergio Moro atua de garoto propaganda para os candidatos tucanos. Notadamente Alckmin (traindo Álvaro Dias), Dória, Aécio, Beto Richa. Se tiver segundo-turno, vai de Bolsonaro

 

por Ricardo Kotscho

---

Como costuma acontecer desde 2014, quando as eleições se aproximam, a força-tarefa da Lava Jato, que andava meio sumida, voltou com tudo nesta sexta-feira contra o PT, é claro.

 

Sem fatos novos, requentaram uma delação de Monica Moura, aquela moça que masca chicletes quando é presa, mulher de João Santana, o ex-marqueteiro do partido.

 

Não por acaso, os alvos agora são os principais líderes do PT nesta disputa eleitoral: Fernando Haddad, que substitui Lula na campanha presidencial, e Dilma Rousseff, a ex-presidente que lidera a com folga a corrida para o Senado em Minas Gerais e fez Aécio Neves desistir de enfrentá-la.

 

A nova versão da delação da marqueteira, que acusa diretamente Dilma de negociar valores de caixa dois, fez a festa dos telejornais noturnos que a transformaram na principal manchete do dia.

 

A tabelinha Lava Jato-mídia sempre é acionada nestas horas em que os candidatos do sistema estão empacados nas pesquisas lideradas pelo PT.

 

Com Lula, mesmo preso há mais de 100 dias, liderando absoluto a disputa presidencial, podendo ganhar até no primeiro turno, as baterias se voltaram contra Fernando Haddad, oficializado há apenas cinco dias como vice, acusado por Monica Moura de ter recebido dinheiro de propina da Odebrecht para pagar as contas da sua campanha para a prefeitura de São Paulo.

 

Diante da nova ofensiva, o que o PT pode fazer, se o Judiciário claramente escolheu um lado nestas eleições para evitar que o PT volte ao poder depois do golpe de 2016?

 

Em nota, a direção do partido e Haddad acusam a Lava Jato de armar espetáculos contra o partido de olho nas eleições às vésperas do registro oficial da candidatura de Lula à Presidência da República, no dia 15. E fica tudo por isso mesmo.

 

Curioso que a mesma mídia não se pergunte que fim levaram os processos abertos pelos mesmos motivos contra os tucanos Geraldo Alckmin, o candidato do governo Temer e do Centrão, e o ex-presidenciável Aécio Neves, agora candidato a deputado por Minas.

 

Que fim levaram estes processos todos, com denúncias de contas na Suíça mantidas por Paulo Preto, o homem de Geraldo Alckmin e José Serra na Dersa, denunciado por Dilma já na campanha de 2010, e as gravações de áudio e vídeo de Aécio Neves tomando grana de Joesley Batista?

 

Alguém sabe a quantas andam as investigações sobre subornos pagos por multinacionais e empreiteiras nas grandes obras do governo paulista comandado pelo PSDB há 24 anos, no chamado Tucanistão?

 

Não se fala mais naquelas centenas de políticos delatados pela Odebrecht e outras empreiteiras, além de Joesley Batista, todos eles livres, leves e soltos fazendo suas campanhas pela reeleição para manter o foro privilegiado.

 

Nenhum até hoje foi sequer a julgamento.

 

Lula é o único candidato julgado, condenado e encarcerado por conta de um tal triplex no Guarujá que não provaram ser dele.

lula _Triplex moro.jpg

 

 

Tudo isso é tratado com a maior naturalidade, como fato consumado, nem se toca mais no assunto.

 

Se não bastasse esta aberração, agora querem também tirar Haddad e Dilma das eleições de 2018, para que os golpistas possam ganhar as eleições por WO, já que nas urnas perderam quatro eleições presidenciais seguidas e, até agora, não conseguiram emplacar um candidato competitivo.

 

Já nem disfarçam mais: tudo é feito à luz do dia, na cara dura, e ainda ficam repetindo que as instituições estão funcionando às mil maravilhas nesta democracia de fancaria, em que a eleição é decidida nos tribunais e não mais nas urnas.

 

Dá até vergonha.

 

Vida que segue.

 

ditadura- justiça moro.jpg

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub