Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

27
Nov22

Bolsonaro faz do Exército sócio da sua derrota

Talis Andrade

exercito.jpg

 

por Fernando Brito

- - -

Foi, fisicamente, tão deprimente como o próprio simbolismo que Jair Bolsonaro pretendia dar à sua presença na formatura dos aspirantes da Academia Militar das Agulhas Negras, hoje, em Resende (RJ).

Bolsonaro entrou mudo e saiu calado e até ao vice-presidente e general Hamilton Mourão tratou com desprezo e silêncio.

Não tinha a menor necessidade de estar lá, senão para alimentar a vaidade e o golpismo que nunca dele se separam, para criar a situação constrangedora de tornar alta oficialidade e a própria instituição militar figurantes e palco de sua depressão omissa, que a nada dá atenção senão à sua própria frustração de derrotado sem glórias, pois nem mesmo é capaz de reconhecer a soberania popular.

As Forças Armadas, porém, não podem esperar que a humilhação a que Bolsonaro as submete, em seu melancólico fim de governo não seja percebida pelo país como a outra face das ambições e pretensões que nutriram a, por meio dele, tornarem-se as regentes do Brasil.

Porque foi isso – e não as invocações patrióticas e o tal “combate ideológico” – que as moveu para esta aventura que deveriam saber anacrônica e desastrosa, com consequências que nem mesmo a eventual boa-vontade institucional do novo governo poderá livrá-las.

Aceitaram a corte interesseira que, durante anos, um mau soldado cheio de delírios lhe fez, a frequentar solenidades em quartéis, fizeram dele seu Cavalo de Tróia político e, agora, não sabe o que fazer com os alucinados que acampam defronte aos quarteias chamando-as a um golpe que não podem dar e a uma promiscuidade com uma súcia de arruaceiros que, diante de sua tropa, dá exemplos diários de insubordinação e rebelião que, embora civil, semeia o chão militar.

branco exercito trabalha trabalha trabalha.jpg

20
Nov22

Lula e os nostálgicos de 1964

Talis Andrade

www.brasil247.com - { imgCaption }}

 

por Cristina Serra

= = =

Mais difícil para Lula do que a escolha do próximo ministro da Fazenda talvez seja a definição do titular da Defesa que irá substituir o bolsonaríssimo Paulo Sérgio de Oliveira.

Expert no jogo previsível do “morde e assopra”, bem ao gosto do chefe, o general carrancudo disse, primeiro, que não houve fraude na eleição. Um dia depois, se desdisse, caprichando na dubiedade que alimenta grupos fanatizados e catatônicos com doses calculadas de teorias conspiratórias.

É a mesma ambiguidade proposital da nota emitida pelos três comandantes militares sobre os protestos golpistas na porta dos quartéis. A nota reivindica para as Forças Armadas o inexistente papel de “moderadoras”. Os comandantes dizem ainda que as fileiras estão “vigilantes” e “atentas”.

É o mesmo tom de ameaça daquele famoso tuíte de 2018, na véspera da votação do habeas corpus de Lula, no STF (o resto você lembra). É um primor de golpismo. Lula já disse que pretende nomear um civil para a Defesa e afastar milhares de fardados em cargos comissionados. Daí os rosnados e ranger de dentes. Sem falar que vai acabar a farra de Viagra e próteses penianas.

Despolitizar as Forças Armadas é um dos maiores desafios da democracia no Brasil. Aqui, peço licença ao leitor para recomendar o livro “Comentários a um delírio militarista” (editora Gabinete de Leitura), organizado pelo historiador Manuel Domingos Neto, com artigos de 40 autores (esta escriba entre eles).

 

Amazon.com.br eBooks Kindle: Comentários a um delírio militarista, Domingos  Neto , Manuel

 

O livro analisa o “Projeto de Nação – O Brasil em 2035”, proposta formulada sob a égide do Instituto General Villas Bôas (sim, o do tuíte). Tal documento revela a autoimagem dos militares: condutores iluminados do país, tutores dos demais poderes e de todas as dimensões da sociedade civil.

No projeto de futuro militarista, prevalece a ótica da guerra contra o inimigo interno, ou seja, o povo. Há uma indisfarçável nostalgia da noite de 21 anos. Não será fácil mandá-los de volta para os quartéis.

www.brasil247.com - { imgCaption }}

19
Nov22

Ciência brasileira está sob o domínio da mamadeira de piroca

Talis Andrade

Ciência brasileira está sob o domínio da mamadeira de piroca - 26/05/2021 -  UOL Notícias

 

por Chico Alves

Desde que surgiu, em 2018, a mamadeira de piroca causou transformações radicais na vida brasileira. O artefato imaginário, criado pelas tropas bolsonaristas, tornou-se símbolo da mentira e da perversão que inspiram fanáticos a atacar as instituições brasileiras. Na ciência, os estragos causados por esses delírios mamadeirísticos são dramáticos, especialmente em tempos de pandemia. Os depoimentos na CPI da Covid dão a exata noção do prejuízo.

Ontem, a médica Mayra Pinheiro, responsável pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde, do Ministério da Saúde, prestou depoimento aos senadores. Em um momento constrangedor, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) reproduziu o áudio em que Mayra diz ter visto um gigantesco pênis inflável quando esteve em visita à fundação.

Como qualquer criança pode constatar, tratava-se da reprodução do logotipo comemorativo dos 120 anos da instituição, a estilização da torre do castelo de inspiração mourisca onde funciona a sede.

Mais impressionante nessa alucinação fálica é que Randolfe ainda deu à depoente a chance de se retratar. Perguntou se realmente em algum momento a Fiocruz teve "órgão reprodutor masculino" à porta. Mayra confirmou: "Sim", disse. "Isso é uma constatação, senador".

Ciência brasileira está sob o domínio da mamadeira de piroca - 26/05/2021 -  UOL Notícias

É desesperador constatar que essa pessoa que enxerga formas eróticas em símbolos históricos é a responsável pela gestão do trabalho e da educação dos profissionais de saúde pública brasileiros. Descolada do mundo real, como demonstrou ser, imagina-se as orientações estapafúrdias que deve passar aos subordinados.

Não faltaram outros momentos constrangedores na participação de Mayra. Como quando abordou os motivos que a levam a acreditar que a cloroquina, em determinados casos, pode ter efeito positivo no tratamento da covid-19.

Sobre isso, enrolou o quanto pôde, citando estudos obscuros. Até que se deparou com o senador Alessandro Vieira (Cidadania -SE). Munido de levantamento feito por um especialista, o parlamentar citou análise em 2.871 pesquisas em bases disponíveis em todo o mundo que apontam 14 estudos de excelência sobre o assunto. Destes, nenhum indica benefícios de medicamentos como cloroquina para o tratamento da covid-19.

Mayra, a Capitã Cloroquina, reconheceu tanto a qualidade das pesquisas citadas por Vieira quanto a inexistência de estudos de alto nível para provar suas sugestões de tratamento heterodoxo para o coronavírus. Apesar de confrontada com a verdade mais uma vez, continuou a demonstrar fé nessas terapias.

"A senhora acredita no que fala, mas acreditar no que se fala não torna o que se fala uma verdade", criticou o senador sergipano.

Também acompanham Mayra nessa cruzada irracional pela cloroquina parlamentares governistas da CPI como Eduardo Girão (Podemos-CE), Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e outros. Apesar de influenciarem diariamente os brasileiros a usar substâncias não reconhecidas contra a covid-19, Girão e Heinze não querem ser criticados por isso.

Os dois acionaram a Polícia do Senado para intimidar o sociólogo Celso Rocha de Barros, autor do artigo "Consultório do Crime", publicado na Folha de S. Paulo. Mais uma vez, a crendice afronta a realidade.

Seja no Ministério da Saúde ou no Congresso, onde em tempos passados era defendida, a ciência brasileira está hoje a mercê desses personagens fanáticos da turma da mamadeira de piroca.

É gente que despreza as pesquisas rigorosas e detalhadas de cientistas que estão entre os melhores do mundo para sugerir políticas públicas em cima de achismos ou de histórias do tipo "conheço alguém que se curou".

As 450 mil mortes não foram suficientes para fazê-los abandonar os ilusionismos em favor da busca por vacinas e da divulgação do isolamento social.

Nesse momento dramático, enquanto pesquisadores sérios trabalham duro para oferecer alternativas reais à sociedade brasileira contra a pandemia, autoridades do governo e integrantes do Senado continuam a se apegar a poções mágicas, como se vivessem no tempo do guaraná de rolha.

A simpatia com cloroquina, no entanto, além de não curar pode custar caro, por causa dos efeitos colaterais. Os amuletos do passado, como pé de coelho ou galho de arruda na orelha, ao menos eram inofensivos [Publicado no UOL in 26/05/2021]

Image

Image

12
Nov22

Massas são manipuladas pelo êxtase; A extrema direita e a perda da vergonha

Talis Andrade

Image

 

por Marcia Tiburi

- - -

Desde a vitória da frente democrática, encabeçada por Lula, eleito presidente pela terceira vez, o Brasil vive uma onda de ataques à democracia que copia o script pós-derrota de Trump. A assessoria de marqueteiros como Steve Bannon deixa clara a ação publicitária, patrocinada por empresários, alguns que têm por princípio, não pagar impostos. Por trás dessa atitude, está a falta de senso de cidadania necessário à democracia. 

Um dado interessante a considerar é que, mesmo que toda essa encenação, para a qual são convocadas pessoas autoritárias, conservadoras e muitas com problemas emocionais sérios, mesmo que isso não esteja levando a nada, os publicitários americanos ganham muito dinheiro com a promoção da extrema direita. 

Image

Eles têm vendido sua expertise para partidos e grupos extremistas do mundo todo com a função de colocá-los na moda. Os que gostam de reflexões estéticas se perguntam: como fazer algo cafona voltar à moda? Ora, manipulando as massas e, para isso, apelando ao sistema de crenças intimamente ligado ao gozo de alguém. Em sentido psicanalítico o gozo é a profunda satisfação com aquilo no que se acredita. Pode ser na democracia, pode ser no autoritarismo. Pode ser numa mentira. O que importa é o êxtase. Os publicitários sabem manipular o gozo das massas adulando-as e fornecendo o êxtase. Líderes religiosos fazem o mesmo. Religião e política produzem o êxtase necessário à publicidade. 

O ridículo político que elegeu tantos em 2018, inclusive Bolsonaro, volta agora. Mesmo derrotadas, as pessoas se entregam ao ridículo e grotesco coletivo, tomadas de um gozo profundo, o gozo do êxtase. Elas se entregam sem questionamento, entram em delírio. Rezar para um muro do quartel, assim como outras atitudes desesperadas, provoca risos. Mas foi esse mesmo jogo cênico que desencadeou o código fascista entre 2016 e 2018. 
 
 
Que as pessoas tenham perdido a vergonha é um sinal de perda de relação com a verdade. A mesma vergonha que se perde no carnaval permitindo a catarse e a entrega, ocorre nessas manifestações, mas perdendo de vista que aqui não é uma brincadeira. A manipulação das massas vai continuar enquanto a subjetividade livre continuar sequestrada.
 
08
Nov22

O sinistro do golpismo

Talis Andrade

Image

 

Por Juan Manuel Palomino Domínguez 

Sair às ruas, interditar rodovias e estradas, vestindo a camisa da seleção brasileira, portando a bandeira do país, se apropriando do hino nacional, para pedir para o exército que aponte seus fuzis para irmãos compatriotas que tem uma ideologia diferente, com o fim de amedrontá-los, até de atentar contra sua integridade física, é algo bem sinistro. 

Como cidadão, como humano, quem pede golpe de estado é um ser sinistro, macabro, funesto. Não tem outra forma de nomear essas pessoas que hoje estão na rua  prejudicando a economia do país de forma deliberada por não admitir um resultado eleitoral. A ignorância e a alienação, alimentadas de forma permanente pelas redes de comunicação do gabinete do ódio, tem solo fértil no mau caratismo de quem acredita estar certo em impedir o percurso da história democrática da nação por mera intolerância e mesquinidade, além da incompetência cognitiva para entender os limites que a cidadania tem dentro do campo de ação democrático.    

Não existe hoje na situação institucional e social brasileira nenhum fenômeno que possa servir de argumento para pedir a intervenção das forças armadas, a não ser que seja a intolerância política, religiosa, classista, racista e patriarcal. É uma combinação lúgubre dos piores sentimentos cidadãos.   O ódio pelo ódio mesmo. 

As agressões já não tem somente como alvo militantes petistas, comunistas, professores, cientistas, ativistas sociais.  Hoje se agride jornalistas da Globo, da Record, do SBT, da Jovem Pan. A situação está chegando a limites onde o bolsonarismo está a um degrau de se tornar uma forma de terrorismo de extrema-direita (se não é que já se tornou isso há tempo). A  imprensa toda tornou-se um empecilho entre a realidade paralela, a idolatria obcecada, o delírio místico e violento. 

A agressão tornou-se uma prática legitimada pela própria insanidade e perversão da massa golpista. Passou-se da agressão verbal, praticada pelo presidente Bolsonaro contra jornalistas sobre tudo, que questionassem qualquer ação do governo, a agressão física praticada pelos grupos golpistas contra todo aquele que não se submeta aos pedidos e reclamações lunáticas que os mantêm na rua.

Foram agredidos trabalhadores, estudantes menores de idade, famílias dentro de carros, pessoas que precisavam chegar a algum lugar com urgência por questões de saúde, caminhoneiros, motoristas de ônibus e transeuntes.

Percebe-se uma ostensiva despreocupação por parte dos bolsonaristas em partir para  agressão física ante qualquer obstrução aos seus pedidos.  O preocupante é ver como essa gente consegue ter proximidades assustadoras com as forças policiais e do exército. O golpismo é um caldo assassino conformado por diversos setores sociais decididos a exterminar toda oposição, toda diversidade e pluralismo.  A imprensa toda hoje mostra sua preocupação. É preocupante. Não vale de nada agora sinalizar a responsabilidade óbvia da mídia tradicional brasileira que alimentou a barbárie desde os atos apropriados pela direita no ano 2013. Que foi cúmplice do golpe constitucional de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff.

As feras estão descontroladas. Acreditam que se foi possível dar o golpe uma vez, podem dar um golpe as vezes que quiserem. Só que dessa vez o pedido é mais radical. O pedido hoje é pela militarização da sociedade, o que barraria de vez com todos os privilégios dos setores civis que foram comparsas durante o destituição ilegal da Dilma. A militarização da sociedade é algo que iria prejudicar setores de poder que estão ferreamente interligados: setores da alta burguesia junto a setores da alta cúpula do judiciário.  Esses setores são hoje o muro de contenção entre o golpe de estado e a democracia no Brasil. Como diria Cazuza no plural, “estamos sobrevivendo pela caridade de que nos detesta”. A democracia nesse país, poderia se dizer, sobrevive hoje em parte, graças à resistência de setores de poder que detestam, em essência, a democracia.

O que fica no ar é esse ambiente de medo, de pasmo, ante essa loucura violenta que parece ter tido seu pico de evolução durante o feriado do dia 2 de novembro. A transição já  foi iniciada por Geraldo Alckmin. E Bolsonaro não tem poder nem competência para dar um golpe. Essa direita, tão perigosa, que se agigantou tanto, sabemos, está conformada por um bando de ratos cobiçosos e medrosos. As armas são o instrumento do medo para destruir a liberdade e o amor.

Por sorte, não existem no Brasil hoje armas suficientes para demolir o ato de amor à democracia encarnado por uma grande proporção do povo brasileiro durante as eleições do dia 30 de outubro de 2022.

13
Out22

Mulheres denunciam “loucura” de Damares como método: crucifixo na vagina a serviço do fascismo

Talis Andrade

Image

Transcreve 247: A ministra Damares Alves quebrou o silêncio e produziu mais uma coletânea de frases risíveis. O perfil "Partido Jairmearrependi" tuitou: "Saindo de sua pausa na carreira, Damares volta a falar besteira ao afirmar que nenhum jovem de direita lhe ofereceu cigarro de maconha e nenhuma meninA enfiou crucifixo na vagina. A ênfase no menina nos fez concluir que os meninOs tiveram a ousadia."

[Nas estórias de sexo de Damares, as personas sempre são meninas, inclusive bebês]

 

Damares Alves fala de relações sexuais com crianças diante de público infantil

Damares Alves (Republicanos) disse em uma Assembleia de Deus em Goiânia, que o atual governo resgatou crianças vitimas de trafico humano

 

por Jamildo Melo/Jornal do Commercio

- - -

A ex-ministra do governo Bolsonaro e senadora eleita pelo Distrito Federal, Damares Alves (Republicanos), disse em uma Assembleia de Deus em Goiânia, que o atual governo supostamente resgatou crianças vitimas de trafico humano.

Damares detalhou o caso, afirmando ter imagens que comprovam o estado em que as crianças chegavam do resgate. "Nós temos imagens de crianças de 4 anos, 3 anos que, quando cruzam as fronteiras, tem seus dentes arrancados para não morderem na hora do sexo oral. (...) Nós descobrimos que essas crianças comem comida pastosa para o intestino ficar livre para a hora do sexo anal", disse.

A plateia para qual a ex-ministra falou estava repleta de crianças. 

A deputada estadual, Elika Takimoto (PT-RJ), criticou através de suas redes sociais a ação de Damares Alves, afirmando que a atitude da senadora eleita se configura como crime. 

Damares que é CONTRA educação sexual em escolas falou em um (aparente) culto que são arrancados dentes de crianças para elas fazerem sexo oral sem morder e que criança é obrigada a comer comida pastosa para fazer sexo anal. Tinha CRIANÇAS na plateia. Isso é crime, senadora!

[Por falar em tráfico humano, Damares foi acusada de sequestrar uma criança indígena, de 6 anos, coincidentemente para tratar dos dentes. Esta criança, hoje adulta, jamais foi adotada por Damares. 

As relações de Damares com essa indígena deveriam ser investigadas sim. É uma "filha de criação" escrava doméstica? ]

 

Deputada defende Damares, ataca Xuxa e relembra filme polêmico

Após oferecer aos seguidores versão completa de filme da década de 1980 gravado por Xuxa, deputada distrital Júlia Lucy apagou comentário

Mulher segura microfone com a mão direita

 
- - -
A deputada distrital Júlia Lucy (União Brasil) usou o perfil pessoal do Instagram, nessa quarta-feira (12/10), para criticar a apresentadora Xuxa Meneghel. Por meio de um abaixo-assinado, a apresentadora pede a cassação de Damares Alves (Republicanos), ex-ministra de Jair Bolsonaro (PL) e recém-eleita senadora pelo Distrito Federal.
 

Na publicação, a deputada recorda um filme gravado por Xuxa na década de 1980. No longa-metragem, em que interpreta uma prostituta de 16 anos, a apresentadora aparece em uma cena de nudez com um ator de 12 anos. À época, Xuxa tinha 18.

“Agora, a ‘rainha dos baixinhos’ tenta criar uma onda contra a nossa senadora Damares Alves porque se pronunciou quanto ao abuso sexual das crianças da Ilha de Marajó. Faz sentido pra vc?”, questiona a deputada distrital, que incluiu a hashtag “xuxahipocrita” no post.

Em seguida, Júlia Lucy escreveu que poderia compartilhar a íntegra do vídeo com quem enviasse mensagens a ela no privado. No entanto, usuários do Instagram criticaram a postura da deputada. “@julialucydf armazenar e compartilhar conteúdo pornográfico é crime”, escreveu uma seguidora. “Estou sem acreditar”, comentou outra pessoa.

Após a repercussão, a parlamentar excluiu o comentário da publicação. Questionada pelo Metrópoles sobre o caso, Júlia Lucy afirmou que “pensando em evitar a propagação desse tipo de conteúdo”, decidiu apagar a mensagem “para não incentivar essa prática nefasta”.

Veja a publicação:A deputada distrital Júlia Lucy posta frame de filme estrelado por Xuxa,

 

[Julia Lucy exagera ao classificar o filme de pornô. Eu assisti o filme no lançamento e não fiquei com tesão. Parece que o filme deixa Lucy excitada para ela guardar. O filme é de 1982. 

A masturbação com crucifíxo é cena de outro filme que deve ter tocado a libido de Damares]

 

Mulheres denunciam “loucura” de Damares como método: crucifixo na vagina a serviço do fascismo

Paradise: Faith

 

Comentários publicados pelo Vio Mundo

Damares é uma atormentada pelo q sofreu, tem alucinações, persegue, oprime, estigmatiza, delira; nos exemplos q dá, as fantasias eróticas, sádicas e cruéis pontificam, c/o uma orgia de suplícios sexo-religiosos só concebidos por uma mente insana. Marcia Denser, escritora, no twitter.

Eu na minha vida JAMAIS soube de uma menina enfiando um crucifixo na vagina. As fantasias sexuais da ministra Damares são porcas demais. Eu não deixaria uma filha minha perto dessa gente. Cynara Menezes, jornalista.

O discurso de Damares Alves é um astucioso exemplo de tecnologia política que usa “sexo” como fator de mistificação. Na perversa Sexologia Política do choque, sexo é arma. Sexo passou a ser tecnologia do poder obscurantista contra o Gênero como fator de esclarecimento. Marcia Tiburi, filósofa.

Damares não é louca muito pelo contrario. É uma mulher extremamente fria, perigosa , capaz de qualquer coisa para alcançar seus objetivos.
Usa a fé das pessoas para convencê-las de suas ideias conservadores e sem ética. Uma sociopata. Biazita Gomes, professora de Filosofia.

Damares Alves: “Estou há quase 24 horas com este público, a maioria jovem, e ninguém me ofereceu um cigarro de maconha e nenhuma menina enfiou um crucifixo na vagina”, ela só esqueceu que essa galera não curte maconha por preferir cocaína, a parte do crucifixo é loucura mesmo. Patrícia Lélis.

A tensão sexual é um dos pilares de uma técnica para obter e manter poder chamada fascismo. Ao dizer que a esquerda introduz crucifixos em vaginas, Damares ensina seu público a temer e a odiar o “outro lado”. Meteoro BR.

 

Cena de masturbação com crucifixo causou escândalo no Festival de VenezaParadise: Faith (2012) - IMDb

 

Por Thiago Dearo 

A comunidade católica está indignada com uma cena do filme do irreverente cineasta Ulrich Seidl, “Paradise: Faith”, apresentado no 69 edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.

O escândalo no Festival de Veneza veio três dias após a exibição do filme “Paradise: Faith” (‘ Paraíso: Fé ‘) de Ulrich Seidl, um filme que concorre pelo Leão de Ouro, juntamente com 17 outros filmes.

A cena em que Anna Maria, uma devota católica, chega a se masturbar com um crucifixo, que  ela pega na parede de seu quarto, o carícias, beija com grande intensidade , até que finalmente ela se masturba com o objeto sagrado, já foi qualificado como um dos mais provocantes do cinema contemporâneo.

“A protagonista não entende que a adoração cega por Cristo torna-se um ser desumano, incapaz de sentir amor e comunicar a virtude mais importante cristã: amar o próximo”, disse o diretor.

O filme conta a história de uma mulher totalmente dedicada ao catolicismo, que decide ir de porta em porta em toda Veneza para tentar convencer as pessoas a aderir cristianismo.

A Película de Seidl, segundo os especialistas em cinema, denuncia com uma linguagem irônica o fanatismo religioso, no entanto para alguns católicos, é uma ofensa gratuita contra a comunidade religiosa na Itália, que é um dos países mais católicos do mundo.

O advogado Pietro Guerini, que dirige uma associação de radical católica na Itália, entrou com uma ação contra o diretor do filme, Seidl, a atriz Maria Hofstätter e contra os seus produtores e organizadores da edição 69 do Festival de Cinema de Veneza.

Todos eles “por meio de uma manifestação de uma das cenas blasfemas e ultrajante”, que violou os artigos 403 e 404 do Código Penal da Republica Italiana (“crimes a uma confissão religiosa por degrinir as pessoas e através do desprezo”), diz a ação judicial.

Enquanto isso, Seidl afirmou que não vai pedir desculpas aos católicos. “Eu não tenho nenhuma razão para pedir perdão. Ao invés disso, eu estou feliz. Se por alguma cena mostrada no meu filme é um tabu, isso não significa que não tenho o direito de incluir esta cena no filme”, disse o diretor do polêmico filme, em entrevista, publicada na terça-feira ao jornal ‘The Hollywood Reporter’.

 

Filme com cena de masturbação com crucifixo causa polêmica em Veneza

Image

 

 

O irreverente filme do austríaco Ulrich Seidl, "Paradise faith", que compete pelo Leão de Ouro na Mostra de Veneza, junto com outros 17 filmes, escandalizou nesta sexta-feira (31) com uma cena de sexo com um crucifixo.

"Faith provoca escândalo", afirma o jornal italiano "Coriere della Sera" ao resenhar o filme decididamente anticlerical, protagonizado por uma fervorosa católica que se flagela, usa o cilício, caminha pela casa de joelhos, impreca os pecadores e chega a se masturbar com um crucifixo.

A cena, na qual a católica Anna Maria, uma auxiliar de raio-x, lentamente tira o crucifixo da parede de seu quarto, o acaricia, o beija, torna a beijá-lo cada vez mais intensamente, até que finalmente se masturba com ele sob as cobertas, é certamente uma das mais impressionantes do cinema contemporâneo.

O filme, uma história de excessos místicos na qual inclusive a fotografia do papa Bento XVI é difamada, arrancou risos e foi aplaudido durante a primeira projeção à imprensa especializada e provavelmente gerará reações na Itália, um dos países mais católicos do planeta, e no Vaticano.

Para Anna Maria, o caminho que a levará ao paraíso reside em Jesus, e por isso decide percorrer toda a cidade de Viena com uma imagem da Virgem Maria de cerca de quarenta centímetros nas mãos batendo de porta em porta para convencer as pessoas a se unirem ao cristianismo.

O retorno inesperado após anos de ausência de seu marido, um muçulmano egípcio prostrado em uma cadeira de rodas, termina por reforçar sua fé. "A protagonista não entende que a adoração cega pro Cristo a converte em um ser inumano, incapaz de sentir amor e de comunicar a mais importante virtude cristã: amar ao próximo", comentou o diretor.

O filme, que faz parte da trilogia Paradise (os outros dois são "Paradise: love" e "Paradise: hope"), do diretor Seidl, produzido por França, Áustria e Alemanha, denuncia com uma linguagem irônica o fanatismo religioso.

"Somos as tropas de assalto da Igreja" é o lema da comunidade religiosa a qual a protagonista pertence, que encarna a paixão tanto espiritual quanto carnal por Cristo.

O diretor, renomado documentarista, premiado em 2001 em Veneza por seu primeiro longa-metragem "Hundstage", disse ter se inspirado nas peregrinações religiosas para convencer adeptos. "Ela é uma mulher decepcionada com o amor, com os homens e frustrada sexualmente. Sente um vazio interior", explicou.

07
Out22

Upresidente, memórias de um doente de fascismo

Talis Andrade
Imagem: Varvara Stepanova

 

Carta ficcional sobre áudios de um suposto presidente que finge enlouquecer durante as eleições de um país real chamado Brasil

 

por Pedro Paulo Rocha /A Terra É Redonda

- - -

Que dia é hoje? Ainda é hoje? Faz quanto tempo que estou preso? Dia…

O cheiro do Chorume Nacional entra em minhas narinas e ouvidos zunindo. Estou nos Buracos dos muros.

O fedor arde na pele, exalando dos ternos dos neofascistas da pátria; brilha a cruz, brilha o capital. A pele queima do que me olha: vejo de longe muito perto a paisagem de um Esgoto de pólvora em piscinas de mansões; meu corpo fica paralisado até que tudo acontece de repente! Escuto som de tiros vindos da rua. Gritos inumanos e pessoas correndo. Pretos apanhando e brancos consumindo. E se rebelam. Quilombos, favelas. Subterrâneos. Corpos de sons. Sei bem que não é um sonho. Milicianos nadam nas favelas e moram em Torres.

A Tortura nunca acabou. Pastores chovem dinheiro. Rezas. Mijo. Roda de investidores. Quartéis de viagras e pau de borracha queimada. Sala vermelha de Tortura. Rua, morro. Morro e escapo. Vivo e não morro, desço num salto até uma constelação acesa. Eles matam, continuam matando. Igrejas e empresas. Os terreiros nas florestas, onde se escondem.

A vida no beco. Ora ternura, ora terror. Amor, memórias vivas, memórias enterradas e desenterradas. Exploração, sexos comercializados. Amor proibido. Indígenas, pretos, mulheres e crianças trafegadas. Desterrados. Fluxo sanguíneo e ficção. Na boca da guerra. Cruz e arma. Nunca acaba de passar. Bancos em navios com tubarões atrás do rastro de sangue no mar. Choro e chorume. Banho de Esgotos. Água Santa. Animal. Pão de Terra. Sangue azul. Corpo petróleos. Vírus.

É uma tempestade de ferro e pedras de uma ilha roubada. Amontoados. Presídios. Shopping. A piscina transborda. Muitos não sabem nadar. Indígenas refletem na vidraça rachada do planalto central. Nome de rio. Cara de peixe. Fronteira de fogo. A foto de uma flecha lançada fora do tempo acertou o hoje. Inventam nossos olhos.

Vou relatar aqui fatos quase reais de um presidente que enlouqueceu. Enlouqueceu? Na real ele finge que está louco. E esse presidente todos sabemos quem é e o que fez. Não vi com meus próprios olhos, mas posso afirmar que ouvi com meus próprios ouvidos… Desgraçado quanta desgraça de graça? A mente perdeu o controle ou o controle dominou a mente?

As frases ultrapassaram o acontecido, depois preciso voltar ao começo que imaginei…

Tudo aconteceu hoje pela madrugada. Soube logo pela manhã que Upresidente enlouqueceu…

Já aviso que ele não tem mais apenas um nome. Se tornou tanto ele mesmo que seu eu perdeu a cisão consigo. Muitas cabeças estão nascendo de sua voz –metamorfose. O monstro que ele foi vive uma mutação. Isso aconteceu exatamente nesse momento em que estou escrevendo esta frase sem futuro, mensagem de uma carta roubada, sem remetente. Espero que a carta chegue…

Se eu parecer também louco é devido a emoção que isto que te escrevo me causa. É a realidade que é insuportável. Soube que tudo começou nesta manhã assim que recebi algumas mensagens de áudio do UPresidente de um número desconhecido. Levei um susto e estou angustiado até agora com o que escutei de viva voz do Capetão da Nação.

Gostaria, não consigo, gostaria de fugir do que ouvi, não consigo! Se escrevo agora o ocorrido é porque é urgente dizer de alguma maneira o que é a doença do Messias.

O fato dela se confundir com o que é dito normal é o mais assustador e estranho – como é possível misturar duas coisas pensadas como opostas – o normal e a loucura?

Foi nesta manhã lá pelas 6 hs quando eu estava na rua caminhando em direção ao centro dividido da necrocidade – e de repente – o som do celular começou a tocar indicando o nome “a pátria armada”: olhei sem olhos e dei uma risada abafada e desliguei na hora depois de cuspir na tela. Depois que cuspi. Senti uma dor no estômago, acho. Cuspi mais uma vez na tela.

O sol queimou as minhas íris quando vi uma pessoa na rua com uma ferida viva. Ela percebeu que a vi chorar uma lágrima seca e ficou com raiva de mim. Tive que desaparecer rapidamente para não morrer por ver na flor da pele a dor de alguém queimando o ar.

Nesse lapso, no mesmo momento, chegou no meu WhatsApp uma série de mensagens com códigos sem significados por mais de um minuto sem cessar.

Logo depois veio um áudio de uns 10 minutos, 10 minutos e 37 segundos para ser mais preciso ( não importa ) com essa mensagem: “Upresidente enlouqueceu completamente. Por favor não envie para ninguém os áudios, ainda é possível salvar o país! Seus assessores estão procurando alguém que possa curá-lo urgentemente. É muito perigoso o que pode acontecer. Se descobrirem será tarde demais. Não sabemos mais como controlá-lo de hoje em diante. Os empresários ainda estão nos apoiando. Temos muito dinheiro, muito, muito mesmo. Além de armas, muitas… caixas de armamento pesado”.

Depois de ler isso passei a escutar os áudios. A sua voz estava trêmula e grave de um jeito animalesco. Por minutos senti falta de ar lembrando aquela imagem dele imitando alguém quase morrendo dos pulmões. Quando olhei para o chão da cidade cheio de lixo e por segundos me esqueci, por segundos quase me esqueci, o que tinha achado de ocorrer. Acabado, quis dizer, que tinha acabado de ocorrer. Pode ser que as vezes eu troque as palavras sem querer… por querer, quis dizer… isso vai se repetir… as palavras não têm controle… Aconteceu antes, aconteceu depois, fui golpeado por uma memória sem imagem muito pesada que evaporou na curva fantasma. Tentei na descida sufocar o esquecimento momentâneo, não deu – a coisa voltou – vomitei o agora com uma gosma viva no chão da fome, uma gosma de cor branca com algumas notas de dinheiro queimado, real, dólar, e uma cruz enrolada em uma corrente enferrujada. Rachadura de pedra, pensei, rios – como assim? ? Achei que vi também algumas balas gastas de 38.

Isso seria muito real para ser tão irreal. Fui me arrastando até o primeiro bar na encruzilhada de Brasília e pedi um copo de água viva com raízes. Bebi, fui bebido. Pensei que eu fosse água. Meu organismo absorveu até o vapor. Encostei para retornar a mim mesmo em algum lugar na parede esburacada e assim que recuperei um pouco meus sentidos continuei a caminhada na rua vazada, até que uma nova curva me reviveu.

Fui voltando ao normal e lembrei sem vulto algum que o U presidente entrou em um delírio tão absurdo que nada seria mais normal do que sua loucura; tive que escutar com atenção novamente para acreditar em viva voz naquela mensagem irretratável!

Ele crê que está se transformando em um super-eu. Relatou que hoje não dormiu e que a partir das 3 hs da manhã ganhou novos poderes – “Os raios de deus são balas a partir de agora! Darei meus nervos por vocês. Sou mais forte que o super-homem americano, mais forte que o super-homem de Deus. Existem muitas maneiras de converter a derrota eleitoral em uma oportunidade de tomar o poder, e demostrar de uma vez por todas que o voto é inútil. Eleições só de século em século. Muda os ministérios, mas o presidente é divino. Nunca deixamos de mostrar o que somos e o que buscamos. Não enganamos ninguém. Sempre falamos em voz alta nossos planos. Amém? Amém… pega a arma 09… liga para o quartel… ok? Em nome da lei! Voltando para o tema das eleições… imagine uma coisa simples… sempre um lance a frente… supor que se aconteça isso, nós podemos fazer aquilo… a pergunta é: quem tem mais lances para dar? Vai fazer o que?? vai fazer o que agora?? Se eu for preso como herói! Eu quero a coroa da injustiça! Levar o jogo ao limite até o inimigo perder a possibilidade de reagir… a tomada dos territórios através das subjetividades mortais de uma guerra civil permanente, o modelo é a milícia mesmo! Qual é o problema?… O Rio-Haiti é aqui – Floresta Amazônia Brasil favela do rio… kkkkkkkkkkkk …sou o novo rei do império, mas não sou ladrão… kkkkkkkk”.

Ele está ameaçando enviar um comando de Guerra civil para toda a sua rede com mais de 20 milhões de pessoas, ou mais ainda, nem sei mais quantas…

Muito rapidamente, senti que o asfalto estava quente, muito quente, as pessoas dormiam no chão com fome. Eu derretendo a cada segundo. O sol caía, o céu caía, as nuvens eram florestas em chamas, ouvia o grito dos animais queimando. Povos queimando dentro da noite dos massacres. Eu corria… caía e corria… vocês estavam comigo dentro de uma tela, dentro de uma tela sem fundo que emergia.

Não poderei ainda transcrever diretamente tudo que ouvi abismado da paranóia do herói do fascismo nacional, o Fas Star. Tentarei pelo menos transpor pedaços em uma espécie de zona de encontro entre ficção e realidade.

Acredito que esses áudios são reveladores do que vem acontecendo em nosso país, porque Upresidente realmente já estava fingindo enlouquecido antes desses áudios; por isso a veracidade de seus delírios recentes nos coloca a pergunta: se esses delírios não são simplesmente mais nada do que a nossa redundante normalidade?

Uma estranha loucura ocultada em normalidade quando explicitada através de um absurdo violento se legitima como um novo normal possível de ser aceito e simbolizado. O que ouvi nesses áudios do presidente são delírios de pura realidade, é a verdade mais absurda!

Juro que pode ser algo muito terrível de imaginar e contar. O estranho é ele não parecer tão louco depois de tantas formas de tornar normal sua loucura de poder fascista.

Porém, posso supor que ele atravessou uma fronteira teatral no que está falando agora. O medo fez ele liberar como nunca seu inconsciente fascistóide. Estão correndo atrás da chamada cura porque o seu estado de delírio atual tornaria mais explícito ainda seu desejo de morte pelo poder. Perdeu toda a autocensura porque o super eu e o inconsciente se tornaram a própria fissura que dá vida ao desejo de vingança.

Seu delírio tem agora muito de teatral, se antes ele citava seus heróis, agora ele os encarna. Nos áudios o Upresidente diz não ser mais ele mesmo! Não sei se ele já conseguiu parar de falar como se fosse seu pai Ustra, o torturador.

A partir de agora todos podem ser ele, seu nome é de um Deus chamado Comandante Ustra (que está apaixonado pelo super eu do Messias). Ele falou que está indo para uma sala secreta do centro da cidade para encontrar o Upresidente; quer amá-lo! Não quer interromper seu trabalho de torturador – ele tem muito medo, percebe-se, ele tem medo de estragar tudo com sua presença amada.

Vocês sabem que terei que contar o que ouvi por cortes misturados com realidades que se confundem com uma ficção que está quase virando outro real.

Posso dizer pouca coisa por hora – por isso mesmo não devo também deixar de dizer coisas que não se pode calar porque falar tudo é praticamente impossível.

Usarei uma estratégia de comunicação com fragmentos para montar quase uma história sem fim, esse delírio fascista não se sabe onde vai dar….

Voltando lembro novamente que é sinistro que o que acaba de se revelar de forma mais nua, a loucura mais normal do fascismo, na mente do presidente, faz da normalidade a loucura de Deus pela violência.

Logo no primeiro segundo desses áudios com essas palavras ele abre o discurso mais real que já fez: “Não sou mais mito, não sou mais humano, agora sou Deus, sou o grande U, quero encontrar o Messias para penetrá-lo com meu cano 38 na torre do STF. Já disse, o raio é bala! O Capitão é Rei, Sou Upresidente Ustra. Sou o filho do pai que virou pai. Podem me prender. Me levem, sou um herói!

Está tudo aqui nesses áudios que vou revelar em cartas. A paranoia fascista que desde do primeiro sinal já estava nascida. Agora temos isso em detalhes precisos, quase literários, de alguém que fez da fé razão da verdade para conseguir salvar uma nação do seu diabo inventado.

Muito do que ouvi, apesar de seu novo grau de normalidade alcançado de um fascismo sem limites, já foi tudo dito antes. Quando diziam ele é um louco – quando ele era tão normal que hoje sua chamada loucura não é nada mais do que a mais rigorosa normalidade nova se impondo como lei de uma realidade simbólica. O imaginário se dissolveu no real.

O simbólico não existe (não seria o real?) a não ser nesse instante de seu uso abusivo que pode mudar conforme for o interesse do operador. É notável que o que ele fala em delírio agora se parece com o que ele dizia normalmente; todos os dias sem parar ele explicitou o normal – e nós todos espantados – “ nossa como ele é um…” querendo dizer ele é normal e o normal é isso mesmo, e agora o que vamos fazer?

É depois de ouvir esses áudios, acredito que perdemos a fronteira da loucura e da realidade, quando a violência media. Do dia a dia ferindo em tortura. Esse estado de coisas que sempre foi um retrato fiel absurdado da paranoia da violência vivida como lei natural. Império da violência. Sempre foi essa a doença da violência colonial transformada em progresso, que se impôs contra a maioria do povo sangrado, explorado.

A realidade violenta forjada como ei do mundo.

Não posso deixar de acabar sem essas frases do que ouvi: “ Eu não vou perder ! Eu não vou perder!” gritou quase no final dos áudios…

O real parece insuportável para o salvador, o Messias, alucinado com sua super verdade, está ferido, sangrando! Incrivelmente está alegre com o martírio! “Vou fazer do país pedaços arrancados de mim mesmo U! Meu nome é U! Eu arranquei a faca de dentro da minha barriga. Eu sobrevivi, foi um milagre, eu sobrevivi! Nunca vou… morrer ! Deus morreu em cima de mim com uma arma na mão, acima de todos mais de 740 mil mortos, eu renasci. Eu renasço. Vou matar esses fantasmas em sonho que me invadem o dia. Comunistas! Meu patrimônio, minha família, meus negócios. Eu juro, eu juro que vi dentro das malas de dinheiro, eu vi, eu vi que existem serpentes, muitas serpentes de Deus… o ministro da economia no paraíso me enviou fotos delas; ele vai me levar para o jardim dos investidores. Se eu precisar abandonar a política, eu seria um grande empresário no ramo de armas. Óbvio, vocês sabem disso, minha paixão por armamentos. Sou pela famílicia. Sou pelo negócio. Amém! Rachadinha de ossos. Quem não fez? Não sou diferente de ninguém. Pastores te amo, empresários te amo! Por isso, e por muito mais, que não vou poder me explicar, eu vou dizer, pode acontecer o que for, nem eu, nem minha família vai abandonar a missão em nome do Brasil. Preciso de vocês! Porque é pelo povo. Pelo povo eu luto até a morte. Pelo povo eu mato o povo! A morte me conduz. A morte é nossa glória. E se Jesus voltou armado é para nos mostrar a importância da luta pela nossa liberdade. Eu vou contar tudo para vocês… vão me chamar de louco… mas podem xingar…”

Corta… Vou ter que parar aqui, já escrevi demais por hoje… talvez amanhã cheguem novos áudios… encerro entre cortes e lapsos… faltou muita coisa para lembrar… aos poucos mais fissuras vão surgir…

Essa é a primeira de muitas cartas que envio e enviarei; ontem não sei que dia foi, amanhã desistiu e para hoje só basta um dia… a segunda, a terceira, a quarta carta com mais detalhes eu já comecei… em breve já chega, amanhã até meia noite ou dia… que nunca para de não escrever…

Assinado X

27
Jul22

Se houver fraude nas eleições, Exército será um dos culpados

Talis Andrade

header-mltrs-fraude

Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images

 

 

Bolsonaro e Barroso estranhamente escondem, mas a força é uma das responsáveis por fiscalizar e auditar urnas eletrônicas

 

por João Filho /The Intercept

- - -

ENQUANTO VÁRIOS militares são investigados por envolvimento em um esquema de corrupção na compra de vacinas na CPI da Covid, uma questão tem sido debatida: a cúpula das Forças Armadas está disposta a sustentar o discurso golpista de Bolsonaro de que as urnas eletrônicas foram fraudadas na última eleição e já há uma nova fraude sendo armada para a próxima?

A jornalista Eliane Cantanhêde escreveu para o Estadão na última terça-feira: “dez entre dez oficiais da ativa rebatem firmemente qualquer possibilidade de as Forças Armadas participarem de algum tipo de golpe, como impedir as eleições.”

Dois dias depois, a jornalista Malu Gaspar publicou uma informação que aponta na direção contrária. Segundo a sua apuração, boa parte da cúpula militar estaria disposta a encampar as teses conspiratórias de Bolsonaro sobre fraude nas eleições. Muitos deles acreditam genuinamente na existência de um plano secreto para colocar Lula na presidência. Braga Netto, o ministro da Defesa, estaria entre os militares da alta cúpula que compartilham desse delírio.

As Forças Armadas têm uma postura pública dúbia em relação ao assunto. Na eleição de 2018, os militares se empenharam em desmentir as fake news fabricadas pelo bolsonarismo sobre fraudes no processo eleitoral. O fato é que o Exército brasileiro nunca esteve completamente alheio ao processo eleitoral, pelo contrário, sempre esteve envolvido com a organização das eleições, auxiliando em operações logísticas, como transporte de urnas e de fiscais da Justiça Eleitoral.

No primeiro semestre do ano eleitoral de 2018, o general Mourão deu uma palestra na Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra, a ADESG. Um dos militares presentes fez um alerta ao general: “as urnas eletrônicas são as mesmas da Venezuela. Técnicos e pessoas que estudam sistemas de informação asseguram que elas são fraudáveis”. Mourão respondeu: “Eu tenho estudado bastante essa questão e volto a repetir: o departamento da Ciência e Tecnologia do Exército está envolvido nisso aí. Se eles me disserem que podemos ficar tranquilos, a gente fica tranquilo; se não, vamos criar caso”.

Em outra palestra, feita às vésperas do primeiro turno, o general desmentiu uma fake news reproduzida por Carlos Bolsonaro que dizia que o TSE entregou os códigos de segurança das urnas para a Venezuela e negou acesso para auditores brasileiros. “Isso aí é fake news, lógico. Minha gente, pelo amor de Deus”, disse o general. No mesmo ano, dias depois de levar a facada em Juiz de Fora, Bolsonaro colocou dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, mas Mourão o tratou como um homem fragilizado que não sabe o que fala: “O homem quase morreu há uma semana, passou por duas cirurgias graves. O cara está fragilizado. Temos de relevar o que ele disse”.

Em fevereiro deste ano, o site do Exército brasileiro reproduziu uma matéria do Correio Braziliense de nove anos atrás sobre um teste de violabilidade das urnas eletrônicas efetuado pelo TSE em 2012. A reportagem mostrava que hackers e especialistas da computação de diversos estados do país atestaram a inviolabilidade das urnas eletrônicas.

Vinte e quatro especialistas de nove equipes diferentes iniciaram uma série de ataques para tentar burlar as urnas eletrônicas e não conseguiram. A intenção do Exército em ressuscitar um texto escrito há quase uma década poderia indicar que os militares estão empenhados em garantir a legitimidade das urnas.

urnas

Militares realizam a primeira etapa do Simulado de Testes Nacional de Urnas Eletrônicas para as eleições de 2016. Foto: 14ª Brigada de Infantaria Motorizada

 

Hoje, as Forças Armadas seguem enviando por meio da imprensa mensagens divergentes sobre o assunto. Ora dizem que os militares vão aderir à tese conspiratória, ora que vão defender a lisura do processo eleitoral. Essa dicotomia não é novidade. Esse tem sido o modus operandi do Exército desde o início do governo Bolsonaro.

Conversei com o antropólogo Piero Leirner, que estuda os militares há 30 anos e que acredita que a eleição do Bolsonaro foi um projeto das Forças Armadas. Segundo ele, essa postura dúbia é tática. “Isso é o que se entende como uma ‘estratégia da pinça’, eles vão, ao mesmo tempo, representar apoio e cisão, de modo a recobrir todas as áreas (…) esse ‘diz-desdiz’ é uma forma de também emular uma contradição que parece ‘espontânea’, ‘errada’, ‘titubeante’, mas apenas tem como propósito ganhar tempo e jogar a percepção pública entre uma ‘perna’ e outra dessa pinça”.

Para Leirner, quem duvidava da segurança do processo eleitoral era o PT, mas “Bolsonaro sequestrou a pauta e fez Haddad agir por reflexo contrário, dizendo que confiava na Justiça (e na Justiça eleitoral, que tinha sido claramente parcial). O PT acabou endossando a operação que foi a pá de cal na candidatura Lula. Agora o que acontece? Bolsonaro dobra a aposta e joga a carga em cima de Barroso, que é o paladino do lavajatismo. E quem aparece no campo contrário, de novo? Veja bem, o que Bolsonaro e os militares que o encarregaram desse papel estão fazendo é produzir a legitimação do mesmo consórcio jurídico-militar que pavimentou sua chegada ao poder. O reflexo disso vai ser sentido no campo dos “militares da terceira via”, que darão continuidade com a aliança anterior, agora orbitando no eixo Barroso-Santos Cruz, que bem pode ser um prenúncio de uma chapa com Sergio Moro. Tudo isso depende se haverá ou não deslocamento do centro de gravidade político de Bolsonaro para Mourão.”

Há 5 anos o Intercept faz jornalismo que mexe com as estruturas. Ajude a fazer muito mais.Faça História Com A Gente. Há 5 anos o Intercept faz jornalismo que mexe com as estruturas. Ajude a fazer muito mais.

Apesar dessa dicotomia, o fato é que os militares estão envolvidos até o pescoço no sistema eletrônico de votação. Nesta semana, um levantamento do Estadão mostrou que oficiais da Aeronáutica, da Marinha e do Exército participaram da criação da tecnologia das urnas. Além disso, a partir de 2020, o Exército acumulou mais uma função no processo eleitoral: a de ajudar na fiscalização e na auditoria do sistema eletrônico de votação. Quem incluiu as Forças Armadas na lista de entidades que fiscalizarão as urnas eletrônicas foi o TSE, presidido por Barroso, que semana passada foi chamado de “idiota” e “imbecil” pelo presidente por se posicionar contra o voto impresso.

O Exército é, portanto, um dos responsáveis por fiscalizar e auditar o processo — um fato que é ocultado por Bolsonaro, nunca é citado por Barroso e tem pouco destaque na imprensa.

Apesar dos sinais opostos, é estranho que uma parte da cúpula militar diga questionar o processo eleitoral como Bolsonaro mesmo sabendo que o próprio Exército tem participação nele. Esses militares fingem não reconhecer essa contradição, o que nos leva a crer que parte deles está realmente disposta a embarcar de cabeça na tese conspiratória e golpista do presidente. Por isso é importante que se diga desde já em alto e bom som que, se houver fraude nas eleições, a culpa será do Exército. [Todo bom jornalista. Todo jornalista por vocação tem muito de profeta. Idem o cientista político. João Filho publicou esta reportagem em 18 de julho de 2021]

 

 

22
Abr22

Parlamentares denunciam golpe de Bolsonaro

Talis Andrade

povo no poder golpe.jpg

 

ImageImage

Alessandro Molon, deputado federal (PSB-RJ) - "O decreto de Bolsonaro é uma afronta ao STF e à separação de Poderes! Além de não se sustentar juridicamente, por desvio de finalidade, o indulto de Daniel Silveira permite que aqueles que atentam contra a nossa democracia não sejam devidamente responsabilizados. Daniel Silveira defendeu o AI-5, incitou a população a invadir o STF, ameaçou ministros e fez diversas falas atentando contra a democracia. O perdão de Bolsonaro para esses crimes é, na verdade, uma aposta na ruptura das instituições democráticas. Em outras palavras, golpe! A liberdade de expressão tem como fundamento a proteção da democracia e não o ataque a ela. A aposta de Bolsonaro e Daniel Silveira na ruptura das instituições não é um direito, é um crime, pelo qual devem deve ser devidamente responsabilizados."

Ciro Gomes, pré-candidato a presidente da República (PDT) -"Acostumado a agir em território de sombra entre o moral e o imoral, o legal e o ilegal, Bolsonaro acaba de transformar o instituto da graça constitucional em uma desgraça institucional. Tenta, assim, acelerar o passo na marcha do golpe. Mas não terá sucesso. Seu ato espúrio de favorecimento absurdo e imoral a Daniel Silveira, ou qualquer outro tipo de desvio autoritário, serão rechaçados pelos defensores do estado de direito. Amanhã o PDT entrará com medida no STF para anular mais este desatino."

Eduardo Leite, ex-governador do Rio Grande do Sul (PSDB-RS) -"Defender invasão ao STF e agressão a ministro não é liberdade de opinião, é crime. Garantias constitucionais não podem ser escudo p atacar a democracia e a CF. O indulto presidencial ao condenado afronta ao STF, à democracia e aos brasileiros q respeitam os limites constitucionais. As liberdades democráticas não podem servir para elas próprias serem atacadas. A democracia não pode ser autofágica."

Fabiano Contarato, senador (PT-ES) - "Bolsonaro debocha das instituições e dá passe livre para os detratores do STF. Não passará: exigiremos a suspensão dessa medida, por decreto legislativo. Além disso, nada mudará a inelegibilidade do condenado!"

Gleisi Hoffmann, deputada federal (PT-PR) - "Se Bolsonaro tivesse agido tão rapidamente para enfrentar a pandemia, a inflação e o desemprego, como foi para salvar a pele de seu cúmplice condenado por atentar contra a democracia, o Brasil e o povo não estariam sofrendo a maior crise da história."

Guilheme Boulos, ex-candidato do PSOL à Presidência da República -"Bolsonaro jamais cogitou dar indulto para a mulher que foi presa em 2021 por furtar um pacote de macarrão para os filhos. Mas assinou hoje o 'perdão' para Daniel Silveira, deputado do seu partido que prega a ditadura e o fechamento do STF. São os milicianos no poder!"

Humberto Costa, senador (PT-PE) - "Bolsonaro afronta o STF com perdão a deputado que ameaçou ministros e pregou golpe de estado. Está em busca de pretextos para tentar golpear a democracia. O Congresso Nacional precisa se manifestar."

Ivan Valente, deputado federal, (PSOL-SP) - "URGENTE! Bolsonaro desafia a justiça e diz que vai conceder o indulto da graça a Daniel Silveira, perdoando os crimes de ameaça contra as instituições democráticas, sentenciados ONTEM pelo STF. O genocida está num delírio autoritário que precisa ser interrompido."

Jean Paul Prates, senador (PT-RN), líder da minoria no Senado - "Governos autoritários alimentam sempre o germe da corrupção. Bolsonaro acha que pode tudo enquanto estiver no cargo que ocupa, mas há limites! Esconder os mal feitos da parentalha e dos aliados já estávamos acostumados, infelizmente, e para isso ele emporcalhou as instituições que deram guarida a seus desejos. Como já alertava Tancredo Neves, o desfiguramento das instituições termina por desfigurar o caráter do cidadão. Mas tenho a certeza de que o povo brasileiro ainda não foi atingido por esse processo e deve repudiar com veemência mais essa atitude de um homem incapaz de honrar a cadeira de presidente da República."

Natália Bonavides, deputada federal (PT-RN) - "O chefão da quadrilha que faz de tudo para salvar os filhotes delinquentes, agora avança no golpismo e anula a prisão de um dos seus capangas que atentou contra a democracia. É isso, ou derrotamos o bolsonarismo agora, ou não restará mais nada desse país. Para os problemas reais do país (pessoas passando fome, catando osso no lixo, pessoas morrendo sem ar pelo covid), o presidente só dedica deboche. Já para proteger um delinquente Bolsonaro não perde tempo. Derrotaremos esses criminosos nas urnas e nas ruas."

Marcelo Ramos, deputado federal (PSD-AM) e vice-presidente da Câmara - "Bolsonaro sabe que o decreto é absolutamente inconstitucional. Não cabe indulto pra anular processo que não transitou em julgado. Só quer mobilizar os minions e desviar a atenção do que ele é a incapaz de dar respostas: a fome, o desemprego, a inflação e a corrupção no governo dele."
 
Maria do Rosário, deputada federal (PT-RS) - "O anúncio de indulto ao condenado Daniel Silveira é início de uma ruptura institucional. A extrema-direita mostra que não pretende cumprir a lei e aceitar a derrota nas urnas em 2022. As instituições precisam reagir uníssonas contra essa ameaça e derrotar a ameaça de novo golpe. Está nítido para você quem defende bandido? Mas trabalhar para o Brasil ele não trabalha. Que fiquem abraçados na cadeia."
 

Omar Aziz, senador (PSD-AM) - "O presidente deu mais uma demonstração de total falta de respeito à democracia e ao Estado Democrático de Direito. Ao conceder indulto a Daniel Silveira, mostra que seus asseclas podem cometer crimes, ofensas e desrespeitos em série, contra qualquer um, que serão acolhidos sob a sombra obscura de sua proteção. Na democracia não é assim, presidente! Todo ato tem consequências. Se há crime, deve haver punição. (...) Agindo dessa forma, o presidente deu um passo em direção à ditadura que tanto almeja. Mas não conseguirá êxito. Há brasileiros que defenderão a democracia até a última instância (...). Agora, mais do que nunca, sem pensar nas eleições, o País precisa se unir para manter a democracia e o espírito de nação."

Perpétua Almeida (PCdoB-AC), deputada federal - "Quem se calar frente a essa ilegalidade e insulto de Bolsonaro contra o STF, é igual ou pior que ele. Bolsonaro acaba de anunciar decreto p anular decisão do Supremo que, por 10 a 01, condenou o dep Daniel Silveira à prisão."

Randolfe Rodrigues, senador (Rede-AP) - "Bolsonaro quer atear fogo no Brasil, concedendo graça a um delinquente condenado a mais de 8 anos, antes mesmo do trânsito em julgado! Crimes contra a ordem constitucional não podem ser passíveis deste benefício (art. 5•, XLIV) e iremos ao STF, para derrubar esse desmando por meio uma ADPF! Além do mais, a concessão de graça ou indulto não altera a inelegibilidade da Ficha Limpa e Daniel Silveira seguirá banido da vida pública, caso se livre da cadeia!"

Renan Calheiros, senador (MDB-AL) - "Bolsonaro é um golpista que atenta contra os poderes o tempo todo. O indulto beneficiando Daniel Silveira é afronta ao STF e claramente inconstitucional. Entrarei com medida judicial ainda hoje contra o decreto ilegal.O fascismo não passará. O Congresso precisa se manifestar."

Sâmia Bomfim (PSOL-SP) - "Vamos entrar com um Projeto de Decreto Legislativo para anular o indulto dado a Daniel Silveira por Bolsonaro. Também recorreremos ao Supremo. Ele aparelha as instituições para defender seus aliados criminosos e estimula o enfrentamento e polarização de sua base contra o STF."

Simone Tebet, senadora e pré-candidata à Presidência da República (MDB-MS) - "Dar graça, por decreto, a um condenado pelo STF por atentado à democracia, é desvio de finalidade e um ato inconstitucional. O PR violou, ele próprio, a Constituição. Um golpe contra a democracia. Crime de responsabilidade."

Talíria Petrone, deputada federal (PSOL-RJ) - "Bolsonaro assinou decreto que dá indulto a Daniel Silveira, um dia após o STF decidir por sua prisão. O presidente quer blindar mais um aliado que se utiliza do ódio para atacar as instituições democráticas e insultar a memória de Marielle Franco. Inadmissível e escandaloso!"

Veneziano Vital do Rego, senador (MDB-PB) - "Por linha oblíqua o Presidente da República fechou o STF. Essa atitude dele se aproxima das violentas agressões de setembro de 2021. Definitivamente, autoriza o anarquismo comportamental."

19
Nov21

Peça francesa "Condor" expõe sequelas da ditadura brasileira

Talis Andrade
 
 A peça Condor, de Frédéric Vossier, dirigida por Anne Théron, interpretada por Frédéric Leidgens e Mireille Herbstmeyer, fica em cartaz até 28 de novembro no MC93 de Bobigny, na periferia de Paris.
A peça Condor, de Frédéric Vossier, dirigida por Anne Théron, interpretada por Frédéric Leidgens e Mireille Herbstmeyer, fica em cartaz até 28 de novembro no MC93 de Bobigny, na periferia de Paris. © Jean Louis Fernandez

A peça "Condor", em cartaz no teatro MC93 de Bobigny, na periferia de Paris, faz referência à operação criada em 1975 pelas ditaduras da América Latina para reprimir os opositores aos regimes militares. A campanha de repressão foi promovida por seis países, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil, mas no texto francês ela é simbolizada por um diálogo entre uma irmã e um irmão que escolheram campos opostos durante a ditadura brasileira.

"Condor", do francês Frédéric Vossier, é dirigida por Anne Théron. Em cena, apenas dois atores. Mireille Herbstmeyer interpreta Anna, a ex-revolucionária, torturada, que 40 anos depois procura o irmão, que ficou do lado dos militares. Paul, o torturador, é interpretado por Frédéric Leidgens. A peça é um confronto intenso entre quatro paredes que faz ressurgir, no espaço de uma noite, lembranças de uma juventude comum e de um traumatismo impossível de esquecer. Para a diretora Anne Théron, Condor fala da resiliência de uma mulher atormentada.

"O que me interessou foi o percurso de uma mulher, a pequena história na grande História. Desde a primeira vez que o li, disse que era um pesadelo psíquico e político. O que me interessou foi a complexidade, a tensão dessa história. Somos como ela, que pergunta o tempo todo para o irmão: mas quem é você? E ele responde sempre: por que você veio? O que me interessou também foi que eu pensava, como a maioria dos franceses, que a operação Condor era a Argentina e o Chile. E descobri que ela aconteceu também no Brasil, e eu ignorava. Foi um mergulho no horror", explica.

A peça "Condor" é interpretada por Mireille Herbstmeyer e Frédéric Leidgens.
A peça "Condor" é interpretada por Mireille Herbstmeyer e Frédéric Leidgens. © Jean Louis Fernandez

A história se passa no presente, mas mistura realidade, delírios e lembranças antigas. O texto é repleto de não-ditos. A trama se revela aos poucos, de maneira fragmentada, e um espectador pouco familiarizado com o desenrolar dos fatos na América Latina pode ficar um pouco perdido. Mas a montagem e direção de Anne Théron, que utiliza com perspicácia efeitos sonoros e de vídeo, recria a atmosfera opressora dessa "noite de horror". A diretora escolheu um cenário que simboliza a reclusão. O apartamento do irmão Paul é representado por um bunker semidestruído e enterrado na areia.

"Nada é exótico ou folclórico, mas fundamental. Isto é, a luta de uma mulher para superar um traumatismo. Um confronto sobre uma visão de mundo radicalmente diferente. Não acho que isso faça referência unicamente ao Brasil. Mesmo no texto da peça, a personagem diz Brasil, Brasil, mas poderia ser em outro lugar. É uma história de tortura, de duas visões de mundo que se enfrentam, e o que é mais violento é que isso acontece na mesma família", diz Anne Théron.

 
A diretora da peça "Condor", Anne Théron.
A diretora da peça "Condor", Anne Théron. © Adriana Brandão/RFI

Dilma Rousseff

A atriz Mireille Herbstmeyer relaciona a personagem de Anna com o percurso da ex-presidente brasileira Dilma Rousseff: “Faço parte de uma geração que conheceu o fluxo de refugiados políticos latino-americanos na França. Sem conhecer os detalhes da história, vi vários documentários como a conferência de Dilma Rousseff sobre essa espécie de reconciliação. Pensei muito nela. Em um momento dado, ela para de falar, e sentimos que ela é imbuída por alguma coisa. Um instante de verdade magnifico.  Foi interessante ver o testemunho das vítimas e dos torturadores."

Na peça, o personagem do irmão Paul diz que não fez mal a ninguém, que só queria que o mundo fosse melhor. O ator Frédéric Leidgens faz um paralelo com a atitude de criminosos nazistas: “Li há pouco tempo uma biografia um pouco romanceada sobre a vida do nazista Mengele (o médico nazista Josef Mengele que morreu em São Paulo sem nunca ter sido capturado e julgado) na Argentina e no Brasil. Ele consegue escapar, é isso é atroz. É uma imagem bastante justa deste tipo de criminoso, como Paul, que no fundo não reconhece nunca seus atos. A confissão é impossível. Não é para desculpá-los, mas esse tipo de gente não poderia continuar vivendo se reconhecessem o que fizeram.”

Anne Théron (centro), com os atores Frédéric Leidgens e Mireille Herbstmeyer.
Anne Théron (centro), com os atores Frédéric Leidgens e Mireille Herbstmeyer. © Adriana Brandão/RFI

A história se repete

O tema da peça Condor, que fala da polarização da sociedade latino-americana de 40 anos atrás, volta com força a atualidade não só no Brasil, mas em vários outros países. Essa repetição da história impressiona a diretora Anne Théron:

"É assustador a que ponto a história se repete. Vou dizer uma coisa de uma grande banalidade: não aprendemos nada! Repetimos os mesmos erros. É impressionante quando me propuseram esta peça para dirigir, foi antes das eleições no Brasil e no momento que comecei a montagem Bolsonaro foi eleito. Não sei como explicar, foi como um pesadelo. Me disse: não é possível", lembra a diretora.

A peça Condor, de Frédéric Vossier, dirigida por Anne Théron, fica em cartaz até 28 de novembro no MC93 de Bobigny, na periferia de Paris.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub