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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

18
Jul21

O palavrão (por Gustavo Krause)

Talis Andrade

Gustavo Krause: estancar o déficit nas contas

por Gustavo Krause

- - -

Não sou filólogo, tampouco linguista. Mas, vivi o suficiente para observar que palavras entram e saem da moda; mudam ou assumem significados diversos de apreço ou desapreço, dependendo do contexto.

Quando fui me tornando gente, meu pai e minha mãe, embora liberais, cuidavam da nossa personalidade em formação com rigidez. Dizia ela: “se não tomar chá em pequeno, não desentorta e será sempre mal-educado”. Ensinavam a respeitar e pedir a bênção aos mais velhos (não precisava ser parente); ceder lugar, inclusive, às mulheres (arriscado, hoje, a levar uma reprimenda); não interromper quem estivesse falando e o irrenunciável mandamento: cultivar fraterna solidariedade com os mais humildes.

Provavelmente, não fui um aluno tão diligente por minha culpa, minha máxima culpa. Porém, a mais séria ameaça surgiu quando usei a palavra sacana. O mundo veio abaixo: “dobra língua e se repetir palavrão boto um ovo quente na sua boca”. Sei que ela jamais cumpriria. Em compensação, pelo menos nos limites da casa, era um menino de boca limpa.

Na rua, as coisas mudavam de figura; no campo de pelada o “palavrão” que não significa apenas palavra grande, mas palavra obscena que corria solta: “filho da puta, porra, puta que pariu, vá tomar no… prefiro não escrever. O leitor compreenderá.

Com o tempo, as coisas foram mudando, os costumes e a linguagem também. Hoje um estádio inteiro saúda a mãe do juiz ou o manda para o mais recôndito órgão do corpo humano. Porra virou vírgula ou exclamação, entre moças rapazes, e “carai” uma espécie de ponto final usado pela geração Z.

Estas breves considerações vêm a propósito do “caguei” do Presidente Bolsonaro, expressão chula e afrontosa que ele usou para responder às perguntas da formuladas pela Comissão Parlamentar de inquérito do Senado sobre questões suscitadas nos interrogatórios.

Não vou citar o variado repertório ferino e golpista que ele tem utilizado largamente. Desta vez, o ato escatológico dirige-se a um dos Poderes Constitucionais do Brasil. Vai além do “palavrão”, é um desrespeito ao decoro republicano ao revelar, como já revelado em outras ocasiões, grave desprezo pelas Instituições Democráticas.

 

25
Ago20

Entidades condenam novo ataque de Bolsonaro à imprensa

Talis Andrade

 

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Abraji: "O discurso hostil de Bolsonaro contra a imprensa vem incentivando sua militância a assediar jornalistas"

 

Abraji, ANJ, RSF e OAB classificam de lamentável, incompatível e "própria de ditaduras" fala do presidente de que sua vontade era "encher de porrada" repórter que o questionou sobre depósitos de Queiroz à primeira-dama.

por Deutsche Welle

Entidades de defesa da liberdade de expressão e de imprensa condenaram o ataque feito neste domingo (23/08) pelo presidente Jair Bolsonaro a um repórter do jornal O Globo que o questionou sobre depósitos feitos pelo ex-policial militar Fabrício Queiroz na conta bancária da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

O jornalista, que acompanhava Bolsonaro numa visita aos arredores da Catedral de Brasília, perguntou ao presidente sobre os motivos para Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro, e a esposa dele terem depositado 89 mil reais na conta da primeira-dama. Diante da insistência do repórter, o presidente respondeu: "A vontade é encher tua boca com uma porrada."

Em reação à ameaça de agressão por parte do presidente, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota conjunta com as entidades Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB e Repórteres sem Fronteiras (RSF) na qual afirmam se solidarizar com o repórter e condenar "mais um episódio violento" protagonizado pelo presidente.

A reação de Bolsonaro "foi não apenas incompatível com sua posição no mais alto cargo da República, mas até mesmo com as regras de convivência em uma sociedade democrática", diz a nota.

A Abraji afirma que, desde que Bolsonaro tomou posse, jornalistas vêm sendo alvo de agressões verbais e que a segurança dos repórteres que cobrem a Presidência da República preocupa. A associação lembrou que em junho alguns veículos de comunicação – incluindo o grupo Globo e o jornal Folha de S. Paulo – decidiram suspender temporariamente a cobertura jornalística na porta do Palácio da Alvorada, em Brasília, devido à hostilidade enfrentada pelos repórteres por parte de apoiadores de Bolsonaro.

"O discurso hostil e intimidatório de Bolsonaro contra a imprensa vem incentivando sua militância a assediar jornalistas nas redes sociais nos últimos meses, inclusive com ameaças de morte e agressões aos profissionais e a seus familiares", diz a nota conjunta divulgada pela Abraji. "A frase 'minha vontade é encher tua boca com uma porrada' pode ser entendida como uma legitimação do cometimento de crimes como esses."

Ao repercutir a nota da Abraji no Twitter, a organização Repórteres sem Fronteiras destacou trecho que diz que "um presidente ameaçar ou agredir fisicamente um jornalista é próprio de ditaduras, não de democracias".

Citado pela imprensa brasileira, o presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, também condenou a atitude de Bolsonaro. "É lamentável que mais uma vez o presidente reaja de forma agressiva e destemperada a uma pergunta de jornalista. Essa atitude em nada contribui com o ambiente democrático e de liberdade de imprensa previstos pela Constituição", afirmou.

Em sua conta no Twitter, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, lamentou o fim da moderação por parte de Bolsonaro vista nas últimas semanas. "Lamentável ver a volta do perfil autoritário que tanta apreensão causa nos democratas. Nossa solidariedade ao jornalista ofendido e ao jornal O Globo."

OS DEPÓSITOS

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No início de agosto, uma reportagem da revista Crusoé apontou que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, depositou 72 mil reais na conta de Michelle Bolsonaro entre 2011 e 2018. Os repasses foram descobertos com a quebra de sigilo bancário do ex-policial militar e contrariaram a versão sobre o caso apresentada pelo presidente.

A quebra do sigilo bancário de Queiroz foi autorizada pela Justiça no âmbito da investigação sobre um esquema de "rachadinha"  – prática ilegal através da qual os funcionários de parlamentares são coagidos a devolver parte de seus salários – no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O filho do presidente foi deputado estadual entre 2003 e janeiro de 2019, e Queiroz foi seu assessor entre 2007 e 2018.

Segundo a reportagem, Queiroz depositou ao menos 21 cheques na conta de Michelle entre 2011 e 2018, em valores que somam 72 mil reais. Até então, era conhecido apenas um repasse de 24 mil reais do ex-assessor para a esposa do presidente.

Quando o caso veio à tona, no final de 2018, Bolsonaro afirmou que os repasses feitos por Queiroz a Michelle eram referentes a uma dívida de 40 mil reais que o ex-assessor tinha com o presidente. Bolsonaro alegou que os valores haviam sido depositados na conta de sua esposa por ele não ter tempo de ir ao banco.

Os depósitos de Queiroz a Michelle divulgados pela Crusoé foram confirmados pelo jornal Folha de S. Paulo, que noticiou ainda que a esposa de Queiroz, Marcia Aguiar, também repassou dinheiro em 2011 para a primeira-dama, por meio de seis cheques que somaram 17 mil reais.

Com isso, os valores repassados para a primeira-dama somariam 89 mil reais, bem acima do suposto empréstimo de 40 mil reais que Bolsonaro mencionou.

Desde as recentes revelações, o presidente não se manifestou sobre os depósitos à sua esposa.

 

 

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22
Jun20

Com foto de Frias nu, Folha chama secretário de "novo homem do presidente"

Talis Andrade

Novo secretário de cultura nu foi capa da Folha de S. Paulo no dia do beijo do apresentador Márcio Garcia

 

homem sorrindo

O presidente Jair Bolsonaro escolheu o ator Mário Frias para a Secretaria Especial da Cultura. O ex-galã da novela Malhação substituirá a atriz Regina Duarte, que deixou o cargo há cerca de um mês. A nomeação foi publicada nesta sexta-feira (19) em edição extra do "Diário Oficial da União".

Este correspondente considera que o título é usual no jornalismo: o novo homem do presidente. No caso Bolsonaro, até que suaviza sua imagem homofóbica. Talvez essa a intenção do serviço de propaganda do palácio liberar o beijo de Márcio Garcia. Veja vídeo abaixo

Vera Magalhães
@veramagalhaes

A @folha que me desculpe, mas há milhares de formas e razões para criticar a indicação de Mário Frias para a Cultura, mas essa não é uma delas. Faz insinuação homofóbica, sexualiza o que não deve. E se fosse uma atriz nua? Sairia esse título? Não é assim que se ilumina o debate

BBC News revela quem é Mário Frias: O ator ficou conhecido nos anos 1990 no seriado adolescente 'Malhação', da Rede Globo.

Regina deixou o cargo na quarta (20/05), menos de três meses após ser nomeada. Ela saiu sob pressão da chamada "ala ideológica" do governo e após desgastes envolvendo nomes que escolheu para a pasta. Oficialmente, disse que pediu exoneração por sentir falta da família, que mora em São Paulo.

Sem experiência política prévia, Frias entrou no radar bolsonarista quando foi um dos poucos ex-globais a defender Regina Duarte na época de sua nomeação - ele, inclusive, esteve na posse da atriz.

Depois, em 6 de maio, em uma entrevista à CNN Brasil, o ator voltou a defender a atriz, mas se disse disponível para o cargo. "Olha só, para ser bem direto para o Jair: para o que ele precisar, estou aqui", afirmou.

Na mesma entrevista o ator disse que quem assumisse teria que seguir a linha adotada pelo governo. "Se eu entrar numa novela e achar que tenho que fazer personagem engraçado, mas ele é dramático, alguém vai me corrigir. (Bolsonaro) quer ver a pasta numa direção e até agora não conseguiu."

A entrevista rendeu um convite para um encontro com o presidente. Os dois se encontraram em um almoço em que também estavam presentes empresários do ramo esportivo, um dia antes do anúncio da saída da então secretária. (Transcrevi trechos)

O ator José de Abreu criticou o beijo debochado de Márcio Garcia:
 
José de Abreu
@zehdeabreu
Decepção? Esse meu ex amigo virou isso! Fazer o que!

 

 

17
Jun20

Deputado bolsonarista invade hospital na Bahia e ameaça prender funcionários em ala com paciente nua

Talis Andrade

 

247 - O deputado estadual Alden (PSL), que é capitão da polícia militar, invadiu o hospital de campanha Riverside, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia, na tarde desta quarta-feira (17). O local é dedicado ao tratamento de pacientes com coronavírus. 

De acordo com o governo baiano, Alden de tal chegou acompanhado de seguranças, e aparentava estar armado. Ele também teria ameaçado dar voz de prisão aos funcionários. O Executivo estadual também disse que um dos seguranças que acompanhavam o parlamentar se posicionou na porta de um dos quartos, e teve acesso a uma paciente que estava com as partes íntimas expostas, pois tomava banho em seu leito. 

A invasão acontece menos de uma semana após Jair Bolsonaro, em live nas redes sociais, ter incentivado seus seguidores a invadirem hospitais e filmarem a oferta de leitos. 

De acordo com o secretário de Saúde da Bahia, Fabio Vilas-Boas, "é lamentável que um parlamentar, ainda mais sendo ele policial, cometa um atentado contra a paz de um ambiente hospitalar, onde pacientes isolados estão sofrendo e lutando por suas vidas". Os relatos foram publicados na coluna Painel.

"É lamentável que o deputado e os seus seguranças coloquem em jogo a própria saúde, sob risco de serem infectados com à Covid-19, bem como a de pacientes e profissionais", disse a administração estadual, em nota.

Um boletim de ocorrência foi registrado para a apuração do crime cometido.

 

 

14
Jun20

Os profissionais de saúde no front da pandemia temem as hordas invasivas de Bolsonaro

Talis Andrade

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II - Relato da invasão a hospitais estimulada por Bolsonaro 

Os profissionais de saúde temem que a prática de invadir hospitais para filmar os locais se torne comum, após as declarações de Bolsonaro. Nesta sexta-feira, segundo relatos do jornal O Globo, houve uma invasão no hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, no Rio de Janeiro.

"Essa fala dele faz com que muitas pessoas deixem de acreditar nos profissionais de saúde. Quando o mandatário do país, que teoricamente teria as melhores informações, pede para as pessoas invadirem os hospitais, gera desconfiança em muitos. Muitos podem acabar acreditando nessa bobagem que ele fala", afirma o médico intensivista José Albani de Carvalho, que atua em UTIs de quatro hospitais públicos de São Paulo.

Albani frisa que há grandes riscos de contaminação para as pessoas que entram em hospitais sem os devidos equipamentos de proteção. "Para uma pessoa entrar na UTI ou em enfermarias para pacientes com a covid, é preciso saber que todos os pacientes estão infectados. Os profissionais de saúde têm contato com esses pacientes estão devidamente paramentados com óculos, proteção facial, máscaras específicas e roupas adequadas", ressalta.

"Uma pessoa que entra sem a devida proteção pode ser infectada e sair disseminando ainda mais o vírus", acrescenta o especialista. Ele classifica a declaração de Bolsonaro como uma "tremenda imbecilidade".

Carla também cita os riscos sanitários ao invadir uma área destinada a pacientes com a covid-19 sem os devidos aparatos. "Os deputados, por exemplo, queriam entrar sem proteção. Foi necessário muita discussão até que eles usassem algo. O hospital é o local em que as pessoas estão em estado grave e a disseminação do vírus é muito grande, por isso muitos profissionais da saúde estão sendo infectados", diz.

Ela admite que está com medo de que o hospital de campanha seja alvo de nova invasão nos próximos dias. "Com o incentivo do presidente, essa situação pode se repetir. É assustador pensar nisso. É como se todos os dias houvesse o risco de vivermos aquela situação de novo. Não queria ter passado por um momento tão constrangedor como aquele. Nos sentimos desrespeitados. Foi totalmente desagradável. Ficamos sem saber o que fazer", declara.

"Os profissionais de saúde estão lá para cuidar dos pacientes. As questões políticas não devem ser tratadas dentro do hospital", diz Carla.

 

13
Jun20

Relato da invasão a hospitais estimulada por Bolsonaro

Talis Andrade

Leticia Aguiar (PSL), Marcio Nakashima (PDT), Adriana Borgo (Pros), Neri (Avante) e Telhada 

 

‘Ele está incentivando a baderna’: o desabafo de enfermeira após Bolsonaro pedir que seguidores invadam hospitais

 

29
Abr20

Celso determina inquérito contra Weintraub por racismo

Talis Andrade

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Falta de Educação

Por ConJur

- - -

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira (28/4) a abertura de inquérito contra o ministro da Educação Abraham Weintraub por prática de racismo contra o povo chinês. O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral da República.

Celso de Mello desqualificou o sigilo do processo, que passa a ser público e negou a Weintraub o direito de ser ouvido pela autoridade policial no local e hora que lhe aprouver. Esse direito, assinalou o ministro do STF, só assiste a testemunhas e vítimas, não a investigados.

O motivo do inquérito foi a agressão do ministro da Educação contra a China. Além de insinuar que a covid-19 seria parte de um plano do país para “dominar o mundo”, ele ridicularizou o que pensa ser o sotaque chinês, usando o defeito de fala que celebrizou o personagem Cebolinha dos quadrinhos de Maurício de Souza. Diante das fortes reações contrárias, Weintraub apagou a postagem que fizera no Twitter (pic.twitter.com/qnTnoYT7JP).Image

Segundo o Ministério Público Federal, a conduta se enquadra no artigo 20 da Lei 7.716/1989, por praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena é de reclusão de um a três anos e multa.

O pedido de instauração de inquérito vem com solicitação de "obtenção dos dados referentes ao acesso que possibilitou a prática supostamente delituosa", como número de IP, para comprovar o autor da postagem.

A China reagiu por meio do embaixador no Brasil, Yang Wanming, que chamou Weintraub de racista. Essa foi uma das recentes polêmicas envolvendo integrantes do governo ou filhos do presidente Jair Bolsonaro em relação à China, por conta do coronavírus. Há uma escalada da crise diplomática com o país asiático.

O próprio Weintraub já foi alvo de pedido de impeachment por "atos incompatíveis com o decoro" e "postura ofensiva e permeada de expressões de baixo calão em redes sociais". O pedido foi arquivado pelo ministro Ricardo Lewandowski por falta de legitimidade — o caminho correto seria via ação penal pública.

Críticas feitas pelo ministro da Educação às universidades públicas brasileiras mediante corte de orçamento também motivaram o Ministério Público Federal a pedir indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos ao ofender a honra dos alunos e professores de instituições federais de ensino.

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17
Mar20

Até quando este país anestesiado aguenta?

Talis Andrade

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Uma aula magna de irresponsabilidade

 
Por Eric Nepomuceno

Superando suas próprias – e inéditas na história da República – mostras anteriores de irresponsabilidade e estupidez, Jair Messias desafiou medidas determinadas pelo seu próprio ministro de Saúde. 

E como se fosse pouco, abriu uma nova e especialmente séria crise com os demais poderes constitucionais, ao se juntar a manifestantes furibundos que, entre outras coisas, exigem o fechamento do Congresso e o expurgo de vários integrantes do Supremo Tribunal Federal.

Já não dá para falar em decoro ou decência, porque isso é tão existente em Jair Messias como elefantes no Alasca. 

Quando se confirma que sete integrantes da comitiva que o acompanhou em sua mais recente e vergonhosa mostra de vassalagem diante de Donald Trump estão contaminados com o coronavírus, o lógico seria Jair Messias se recolher, se não à sua insignificância, ao Palácio da Alvorada.
 
Aliás, ele foi aconselhado precisamente a isso, enquanto espera para fazer um novo teste clínico. Mas quem segura Jair Messias? 

Quem é capaz de incutir uma miserável gota de noção das coisas em sua cachola?

O país inteiro querendo saber como se proteger, e lá vai ele se juntar à manada de imbecis fanatizados. 

Não satisfeito em desfilar de automóvel, o que já traria consequências políticas sérias – afinal estava acompanhando a manifestação que, entre otras cositas, clama por intervenção militar – lá foi ele apertar mãos, tirar fotos, sacudir uma enorme bandeira brasileira.

E se essa besta estiver contaminada? 

E se alguma das pessoas cuja mão ele tocou estiver?

Com sua conduta irresponsável e estúpida, Jair Messias pôs em risco algo mais além da sua saúde e das pessoas que ele tocou: pôs em risco a já mais que precária governabilidade deste país destroçado. 

O Brasil enfrenta uma crise econômica especialmente séria, graças ao primarismo de um sujeito chamado Paulo Guedes e sua equipe de neoliberais fundamentalistas. 

Essa crise agora está sendo tremendamente agravada pelo cenário global. 

Pois justo nesse instante Jair Messias decide assumir a manifestação (que, aliás, já havia encorajado seguidas vezes) que confrontou de cara o Congresso. 

Com isso, os canais de diálogo, que já estavam entupidos, correm o altíssimo risco de fechar de vez. Qual será o preço para reabri-los?

Nesse quadro, participar de manifestações carregadas de ódio seria um erro óbvio. 

Bem, óbvio para qualquer um, exceto para Bolsonaro, seu trio de filhos hidrófobos e as outras bestas que o rodeiam, empijamadas ou não. 

É verdade que não se trata, nem de longe, da primeira vez que esse ultradireitista inepto e desequilibrado supera seus próprios limites de absurdo. A de agora foi uma aula magna de irresponsabilidade e estupidez. 

Mais uma. Até quando este país anestesiado aguenta?
 
16
Mar20

A loucura autoritária do Planalto, em plena crise do coronavírus, ameaça o trabalho no Ministério da Saúde

Talis Andrade

Bolsonaro, que deveria estar em isolamento por ter tido contato com infectados com coronavírus, cumprimenta e toca apoiadores em Brasília.Bolsonaro, que deveria estar em isolamento por ter tido contato com infectados com coronavírus, cumprimenta e toca apoiadores em Brasília. SERGIO LIMA / AFP (AFP)

 

Jornal El País: Quem vai pará-lo? Estamos num filme B, onde o presidente faz questão de dar uma banana para a saúde pública. Recuo sobre veto a cruzeiros é alerta vermelho

 

 

Jair Bolsonaro dá uma banana para saúde pública em plena crise mundial do coronavírus e ameaça o trabalho do Ministério da Saúde. E o pior de tudo é que nada ou ninguém, na atual conjuntura política, parece capaz de pará-lo antes que seja tarde. Enquanto a pasta de Luiz Henrique Mandetta tenta conduzir o país com alguma serenidade rumo aos dias difíceis que provavelmente virão, o presidente faz o jogo dos sete erros na pandemia.

O auge do delírio autoritário que nos acomete acontece neste domingo. Mesmo com a expressa determinação do Ministério da Saúde para evitar aglomerações, especialmente no Rio e em São Paulo, o presidente endossa e estimula a realização de manifestações pelo país de sua base mais fiel. As imagens de seus seguidores mais aguerridos —centenares, diga-se, nada das multidões contra Dilma Rousseff— desfilam nas redes sociais do presidente. Todos dispostos a gritar “mito” e levar, sem qualquer constrangimento, palavras de ordem contra os outros poderes e a democracia.

Já é um escândalo, feito sob medida para esse novo modelo de governo voltado a uma minoria, mas nosso filme B vai muito além. A marcha imparável da boçalidade levou Bolsonaro a participar ele mesmo do protesto, mesmo tendo indicação de ficar em isolamento social após ter contato direto com meia dúzia de pessoas que comprovadamente contraíram coronavírus. Sem máscara, ele foi cumprimentar seguidores em Brasília, tocou neles, agarrou celulares. Tudo é absurdo e, ao mesmo tempo, tão coerente com a miríada de fake newssobre o país e a doença que sua máquina no WhatsApp estimula: o vírus não é de nada, é uma “fantasia”, como o presidente mesmo disse.

Não é difícil enquadrar, mais uma vez, a conduta de Bolsonaro como crime de responsabilidade passível de impeachment. Para começar, por ferir a dignidade, a honra e o decoro do cargo, pondo em risco seus governados. Depois, a depender de como evoluir a situação da pandemia no país, ele pode ser acusado de cometer um crime contra a segurança interna, estimulando a desobediência a medidas determinadas por órgãos técnicos.

A conduta criminosa não acontece só pelo domingo, mas também pela quinta-feira, quando ele, num dos lances mais claramente chavistas deste Governo, usou uma cadeia nacional de rádio e TV, ou seja, dinheiro público, para promover e chamar de legítimos os atos que ele participa. Isso não é “servir-se das autoridades sob sua subordinação imediata para praticar abuso do poder”?

Choca a normalidade com que os demais poderes e a elite do país, inclusive a empresarial e financeira, encara, dia a dia, esse esgarçamento da democracia. Parte desses atores é cúmplice confesso desde a campanha. Se há alguma coisa que não existe aqui é surpresa. No máximo, eles reagem com uma declaração de ultraje via Twitter, uma nota de repúdio enviado a uma coluna de jornal ou um diligente cientista político engravatado para amaciar o ego da Faria Lima: as instituições estão funcionando.

O impeachment é um mecanismo de controle político, isso é sabido, e a leitura dos agentes agora no poder é que não vale a pena esse desgaste: ainda há apoio sólido do PIB a Bolsonaro, e há uma alta taxa de governismo no Congresso, alinhamento de pautas econômicas e anti-ambientais, especialmente. No Parlamento, ninguém quer mexer qualquer ficha, ainda mais com eleição municipal e enquanto a centro-direita não tiver um plano claro a futuro― de mais a mais, Lula está aí, livre, Bolsonaro alicia as polícias, Hamilton Mourão é uma esfinge... Seja como for, tudo se torna realmente impensável em meio a uma crise sem precedentes, sanitária e financeira. Na Europa, pelo menos desde 1945 não se vivia nada assim. Quem vai se meter a mexer nisso?

É neste panorama que Bolsonaro avança, fazendo estragos. Ele tem capacidade de complicar, e muito, uma situação já volátil. Chega a dar uma certa paz interior vendo o ministro da Saúde falar, honrando a tradição do nosso sólido sistema público. Quem conhece a fundo epidemiologia no Brasil garante que Wanderson Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde da pasta, é um dos melhores quadros do país. Mas nem isso está assegurado. Fomos surpreendidos, neste sábado, com o Ministério da Saúde voltando atrás na proibição de cruzeiros que a própria pasta havia anunciado na sexta-feira. Segundo a Folha de S. Paulo, sofreram “pressão” para mudar a determinação. Quem vai parar Bolsonaro, quando vamos parar de fingir, em queda livre, que até aqui vai tudo bem?

13
Mar20

Bolsonaro nega e o filho deputado confirma que o pai presidente tem coronavírus

Talis Andrade
Bolsonaro postou nas redes sociais que seu exame de coronavírus deu negativo — Foto: Reprodução/FacebookBolsonaro postou nas redes sociais que seu exame de coronavírus deu negativo — Foto: Reprodução/Facebook

Bolsonaro postou nas redes sociais que seu exame de coronavírus deu negativo

Faltou explicar o gesto de dar bananas (1). Talvez porque a imprensa dos Estados Unidos tenha publicado que seu teste de coronavírus deu positivo.Reportagem divulgada no site da rede de TV Fox News sobre resultado positivo para coronavírus em teste feito por Bolsonaro — Foto: Reprodução

“Depois de contar à Fox que seu pai fez um teste POSITIVO preliminar para coronavírus, Eduardo Bolsonaro agora conta que o teste foi negativo. Bolsonaro diz que entrou em contato com a Casa Branca", esclareceu o jornalista. 

Veja a sequência de postagens de John Roberts esclarecendo o assunto: 

John Roberts@johnrobertsFox
 

Bolsonaro’s son told @FoxNews that the preliminary test for coronavirus on his father has come back positive. They are waiting results on a second test.

John Roberts@johnrobertsFox
 

After telling @FoxNews that his father had a preliminary POSITIVE test for coronavirus, Eduardo Bolsonaro now tells @FoxNews the test was NEGATIVE. Bolsonaro says has been in touch with the White House.

John Roberts@johnrobertsFox
 

Clarification coming in from Brazil...Eduardo Bolsonaro tells @FoxNews that a second, confirmative test on @jairbolsonaro has come back NEGATIVE for coronavirus

(1) Cuidado com a banana.
 

De acordo com Luís da Câmara Cascudo, esse gesto obsceno representaria o órgão reprodutor masculino e, a mão fechada, o ato de introduzi-lo no ânus de quem está se xingando. Dar uma banana é um gesto comum também – e igualmente ofensivo – em Portugal, onde é chamado de “manguito” ou “mangarito”, na Espanha, na Itália e na França.

Escreve Josué Machado: Dada a frequência do uso sem cerimônia do bananento gesto, parece que a maioria das pessoas ignora que ele significa bem mais do que desdém e desprezo. Bem mais: tem o mesmo significado da exibição do dedo médio em riste, gesto aparentemente inventado pelos americanos para mimosear motoristas irritados e outros desafetos eventuais. Algo com o mesmo significado do sonoro “vão tomar caju”, aquela decorosa expressão com que Luiz Inácio já havia brindado a moçada da Lava Jato e outras pessoas que desama. Nada estranho, portanto, ao descontraído, rico, rouco e rubro vocabulário usual inaciano.
 
O fato é que herdamos de Portugal, onde é ou era comum, o dar bananas, obsceno pelo menos na origem. Significa o mesmo que “manguito, dar manguito, apresentar as armas de São Francisco”, diz Mário Souto Maior em seu Dicionário do Palavrão e Termos Afins, (5ª edição, Record, 1990). O braço empinado, mão fechada, é símbolo um tanto evidente.
 
Souto Maior lembra que na Itália o gesto vulgar tem o nome de farmanichetto; e na Espanha, hacer um corte de mangas. Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), citado por Souto Maior, aponta o cupido no quadro de Joseph-Marie Vien (1716-1809), La Marchande d’Amours, que faz o angelical gesto bananífero.
 
 
 
 
Numa das acepções do verbete dedicado à saudável banana, o Houaiss registra “gesto ofensivo que consiste em dobrar o braço com a mão fechada, segurando ou não o cotovelo com a outra mão; manguito”. Mas não lhe revela o grau de ofensa. O Aurélio só aponta o gesto no verbete “manguito”. No Aulete Digital, “gesto grosseiro e ofensivo que consiste em dobrar o braço com o punho fechado, apoiando ou não a outra mão na dobra do cotovelo; MANGUITO.”
 
Nem é preciso lembrar que a banana dá nome à expressão e simboliza o gesto por causa de alguma semelhança indecorosa com certo apêndice masculino quando em impertinente estado de alerta máximo.
 
Coisa lamentavelmente deselegante em público e quando desnecessário.
 
 
 

 

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